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11 nov 2019 - 12:00
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"Para o poder público, uma hora tem mais de 60 minutos"

Erasmo Carlos Battistella, CEO da BSBIOS, alertou para a necessidade de o governo ser mais ágil em suas ações


Erasmo Carlos Battistella (foto), CEO da BSBIOS, empresa que tem sede em Passo Fundo (RS) e unidade fabril em Marialva (PR), também foi um dos palestrantes do painel “Brasil de AMANHÃ: Desestatizar para Crescer”, que fez parte da cerimônia de premiação das empresas vencedoras do ranking 500 MAIORES DO SUL, produzido por AMANHÃ com a parceria técnica da PwC, na quinta-feira (7) na ExpoUnimed, em Curitiba. O evento foi aberto pelo Secretário Especial de Desestatização Salim Mattar (relembre aqui). 


O programa de desinvestimento da Petrobras deve levar a estatal a se desfazer de sua posição no capital da BSBIOS, que é de 50%. A empresa em uma joint venture com a Petrobras há nove anos. Desde então, a BSBIOS vem crescendo a passos largos e se tornou a maior produtora de biodiesel do país. No final de outubro, O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em visita a uma usina da BSBIOS, anunciou que a mistura de biodiesel ao diesel derivado de petróleo vai aumentar em um ponto percentual no início de 2020, chegando a 12% (B12).


O empresário teceu críticas ao modo como o governo se comporta em relação aos pedidos da iniciativa privada. “O poder público foi perdendo eficiência ao longo dos anos. Essa ineficiência está entranhada em todo o sistema público. Esperar sete meses por uma licença ambiental é perder competitividade”, cobrou, ao mesmo tempo que parabenizou o governador Ratinho Junior, do Paraná, pelas ações que tem desenvolvido no âmbito público no estado. “O tempo é diferente para o público e o privado. Uma hora, para nós, empresários, tem 60 minutos. Para o poder público, é muito mais que isso. É um grande gargalo a ser superado”, arrematou.


Battistella lembrou da sua satisfação em ter formado com a Petrobras uma joint venture há nove anos e também se disse favorável às privatizações. “O cenário atual é muito diferente do antigo. Somos favoráveis ao processo de privatização, desde que se estude caso a caso. Como vimos aqui, temos excelentes exemplos de empresas públicas. Porém, o ponto não está em ser uma companhia pública ou privada, mas sim na cultura que criamos para cada uma delas”, opinou. “Concordamos com essa política de passar ativos públicos para a iniciativa privada, de modo a fazer com que o Brasil seja mais eficiente”, destacou. Ele também afirmou estar confiante no futuro da economia nacional. “Em muitas viagens que tenho feito ao exterior, estou convencido que o Brasil é o país da vez [para investidores]. Sabemos do potencial enorme que temos, que é impressionante. Temos de torcer para que dê tudo certo. Os últimos anos foram bem difíceis, mas a vida será mais fácil nos próximos”, projetou. 


O cronograma do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estipula aumento de um ponto percentual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil. Até agosto, a mistura era de 10% (B10) – ou seja, a cada  litro de combustível comercializado no Brasil, 900 ml eram diesel derivado de petróleo e 100 ml, biodiesel produzido a partir de óleo de soja, gorduras animais e outras matérias-primas orgânicas.  O B11 (11% de biodiesel adicionado ao combustível derivado de petróleo) entrou em vigor em setembro, mas os próximos aumentos da mistura  devem ocorrer em março, conforme o cronograma do CNPE, até se tornar obrigatória a mistura de 15% (B15), em 2023. “Com isso, a tendência é quase dobrar de volume e chegar a 7 bilhões de litros produzidos e comercializados por ano. Em 2023, esse volume será ainda maior: 11 bilhões de litros por ano”, projetou o empresário, que também preside o conselho da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio). 


Battistella também antecipou que o Brasil está às portas de conhecer a segunda onda do biodiesel. Já muito avançados, existem estudos para que seja possível produzir querosene de aviação a base de óleo vegetal e gordura animal. O “diesel verde” – já existente na Europa e nos Estados Unidos – também passará a ser uma realidade em solo brasileiro. “Se a previsão dos dados da economia se consolidarem, a demanda por essas matérias-primas será ainda maior”, entende. 


O evento também contou com a participação de José Luiz Laydner, diretor de geração da Engie Energia (leia a reportagem aqui), e Claudio Stabile, diretor-presidente da Sanepar (veja a matéria aqui).

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