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25 maio 2026

Mais biodiesel brasileiro, menos diesel importado

Mais biodiesel brasileiro, menos diesel importado

O avanço para o B16 representa soberania energética, fortalecimento da indústria nacional e mais renda interna.

Por Jerônimo Goergen, presidente da APROBIO

Publicado originalmente no Poder360 em 23 de maio de 2026. Leia a versão original


Nas últimas décadas, o Brasil construiu uma das políticas de biocombustíveis mais bem-sucedidas do planeta. Transformamos competência agrícola, inovação industrial e visão estratégica em energia limpa, renovável e produzida dentro de casa. Hoje, o setor encara uma nova decisão de fundo — avançar para o B16, a mistura de 16% de biodiesel ao diesel fóssil.

O peso de 1 ponto percentual na economia brasileira

À primeira vista, parece apenas mais um ponto percentual na mistura. Mas, para um país do tamanho do Brasil, esse 1% pesa muito. Significa bilhões de reais movimentando a economia nacional, mais processamento industrial, fortalecimento da cadeia da soja e de outras matérias-primas, geração de empregos, ampliação da arrecadação e redução da dependência externa.

Cada litro de biodiesel é menos diesel importado

Cada litro de biodiesel produzido em território brasileiro substitui uma fração do diesel fóssil que hoje precisamos importar. E isso vai muito além da questão energética. Trata-se de segurança nacional, previsibilidade econômica e proteção contra a instabilidade geopoítica que recorrentemente afeta o mercado internacional de petróleo.

O setor está pronto: tecnologia, capacidade e cadeia madura

O Brasil não começa essa caminhada do zero. Temos tecnologia validada, motores preparados, capacidade industrial instalada, logística estruturada e cadeia produtiva madura. O setor está pronto. Ao ampliar a mistura para o B16, o país estimula investimentos, gera previsibilidade para quem produz e fortalece toda a base do setor — cooperativas, agroindústrias, esmagadoras, usinas e os milhares de produtores rurais que sustentam essa cadeia.

Benefício ambiental: emissões, pegada de carbono e protagonismo global

Ao impacto econômico se soma um benefício ambiental que dispensa controvérsia. Mais biodiesel significa menos emissão de gases de efeito estufa, menor pegada de carbono no transporte e mais protagonismo brasileiro na agenda global da transição energética.

A incoerência que precisa ser superada

É incoerente que um país líder mundial em produção de alimentos, com domínio comprovado da tecnologia dos biocombustíveis e capacidade produtiva instalada, siga dependente de volumes expressivos de diesel importado.

B16: decisão estratégica, não apenas técnica

O avanço para o B16 não é apenas uma meta técnica. É uma decisão estratégica. É a escolha de produzir energia a partir daquilo que o Brasil tem de melhor — sua capacidade produtiva, sua indústria e sua vocação natural para liderar a economia de baixo carbono.


Mais biodiesel brasileiro. Menos diesel importado. Mais competitividade, mais sustentabilidade e mais soberania para o Brasil.


Jerônimo Goergen é presidente da APROBIO – Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil e da Acebra – Associação das Empresas Cerealistas do Brasil. Foi deputado estadual e federal pelo Rio Grande do Sul, e no Congresso Nacional criou e presidiu a FPBio – Frente Parlamentar Mista do Biodiesel.

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