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08 mai 2019 - 09:01
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Agricultores brasileiros agora querem fim da guerra comercial

Depois de lucrarem com a guerra comercial entre Estados Unidos e China no ano passado, os produtores brasileiros de soja agora torcem para uma trégua.

Os prêmios pagos pela soja nos portos brasileiros não compensam a rápida queda dos preços globais da oleaginosa, provocada pelo impasse das negociações entre as duas superpotências. Enquanto os prêmios pagos para embarques em julho no porto de Paranaguá subiram 20 centavos de dólar por bushel desde meados de abril, os contratos futuros para entrega em julho despencaram 80 centavos de dólar por bushel na Bolsa de Chicago.

'Neste momento a guerra comercial é ruim para o Brasil', disse Daniele Siqueira, analista da AgRural. 'Os agricultores brasileiros não podem mais torcer pela guerra comercial entre a China e os EUA.'

Trata-se de uma situação bem diferente da do ano passado, quando os prêmios no Brasil atingiram um recorde devido à guerra comercial.

Os preços no mercado brasileiro estão sendo afetados pelo enfraquecimento da demanda, disse Siqueira. As importações de soja da China devem cair 6 milhões de toneladas este ano, sob o impacto da febre suína africana. Na Argentina, onde a seca reduziu a produção em 2018, a safra de soja deve subir 45%. Ao mesmo tempo, os estoques nos EUA estão cheios.

'A gente precisava que essa briga tivesse terminado', disse Endrigo Dalcin, produtor de soja no município de Nova Xavantina, em Mato Grosso. 'Acredito que o fim da guerra comercial poderia trazer ânimo ao mercado brasileiro.' Um acordo poderia provocar uma reação nos preços em Chicago e, como consequência, uma alta nos valores oferecidos aos agricultores brasileiros.

Enquanto espera melhores preços para vender os 40% da produção deste ano que ainda não foram comercializados, Dalcin diz que as incertezas envolvendo o mercado de soja dificultam os preparativos para a próxima safra, cujo plantio começa em setembro.

'Estou assustado com o planejamento da próxima safra. Os custos estão subindo, e os preços caindo', disse. 'Como podemos tomar decisões com tantas incertezas?'

Fonte: Brasil Agro
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