A embaixada do Brasil na Noruega vai realizar no dia 1º de outubro um seminário para apresentar a operadores marítimos os biocombustíveis brasileiros que podem ajudar os noruegueses a atingir as ousadas metas de descarbonização que o país estabeleceu para o segmento. Ainda que a redução das emissões de gases poluentes tenha o ano de 2050 como o marco de referência, em alguns casos, a exigência de zero emissões passará a valer já no ano que vem.
Em abril, o governo da Noruega anunciou que barcos turísticos de menos de 10 mil toneladas que naveguem em dois fiordes do oeste do país terão que cumprir a regra de emissão zero. os dois fiordes compõem um conjunto protegido como Patrimônio da Humanidade, segundo as diretrizes da Unesco, a agência das Nações Unidas para educação, ciência e cultura.
Segundo o embaixador do Brasil, Roberto Azeredo, a ideia do seminário nasceu a partir do interesse da NSA, a associação que reúne as empresas norueguesas de transporte marítimo, pelo combustível sustentável para navegação brasileiro. “Não é algo para longo prazo, é uma necessidade que eles têm para agora”, disse o embaixador. “Eles querem saber sobre o metanol, o etanol, e estão buscando também outras soluções. O Brasil tem tecnologia e pode suprir essa demanda”.
Como parte dos esforços de aproximação com os transportadores noruegueses, um navio-escola da Marinha brasileira viajará para a Noruega. “Estamos vendo empresas norueguesas indo para o Brasil para vender seus serviços, mas a gente também quer ver empresas brasileiras vendendo seus serviços aqui na Noruega. Tem espaço no mercado de óleo e gás, de biocombustíveis”, afirmou ele.
Azeredo diz que participarão do encontro, entre outras entidades, a NHO, a principal confederação da indústria norueguesa, e também representantes de empresas brasileiras. A Petrobras, uma das que foram convidadas, segundo o embaixador, já produz, por exemplo, o biobunker, um combustível marítimo com uma parcela 24% de biodiesel de segunda geração.
Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o transporte marítimo responde por até 3% das emissões globais, ou o equivalente 840 milhões de toneladas de CO2. Mas, na Noruega, que tem uma das maiores frotas marítimas do mundo, a proporção é ainda maior. A navegação representa 8% das emissões totais do país e 24% das emissões do setor de transportes.
Para os esforços de redução das emissões, o país tem como norte as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), agência das Nações Unidas responsável pela regulamentação do transporte marítimo, que quer que o transporte marítimo internacional zere as emissões líquidas de carbono até 2050. O caminho para essa meta prevê corte de 30% nas emissões dos navios até 2035 e de 65% até 2040.
Em abril, a IMO decidiu considerar as emissões de carbono de toda a cadeia de produção dos combustíveis marítimos nas diretrizes para a descarbonização do segmento. Para especialistas, seria um estímulo a mais para o Brasil investir em biocombustíveis para navios.
Fonte: Globo Rural