A decisão sinalizada pelo governo federal de avançar para o B16 neste momento é coerente com os desafios que o Brasil e o mundo enfrentam. Em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica, pressão sobre os preços do petróleo e crescente preocupação com segurança energética, ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz brasileira não é apenas uma escolha ambiental. É uma decisão estratégica.
Ao confirmar o avanço da mistura obrigatória, o governo reconhece que o Brasil já possui capacidade instalada, matéria-prima, tecnologia e escala para dar esse passo com segurança e competitividade. Cada ponto adicional de biodiesel significa menos dependência de diesel importado, mais agregação de valor dentro do país, mais renda no campo e mais fortalecimento da indústria nacional.
Mas este anúncio ganha ainda mais relevância pelo que começa agora. O início da testagem técnica neste mês de maio, preparando o caminho para misturas superiores, demonstra que o país deixa de discutir apenas o presente para construir, com base técnica e previsibilidade regulatória, o futuro da sua matriz energética.
Ao mesmo tempo, a construção de um novo modelo de selo de qualidade para o biodiesel representa uma evolução institucional importante. Qualidade, confiabilidade, rastreabilidade e desempenho passam a ocupar o centro da estratégia, fortalecendo a confiança do mercado, dos consumidores e de toda a cadeia produtiva.
O Brasil reúne aquilo que poucos países possuem ao mesmo tempo: capacidade agrícola, tecnologia industrial, segurança de oferta e uma matriz naturalmente vocacionada para combustíveis renováveis. Com o B16, com os testes iniciando em maio e com um novo modelo de qualidade em construção, o país entra definitivamente na linha de frente da transição energética global.
Mais do que acompanhar essa transformação, o Brasil passa a liderá-la.
Jerônimo Goergen
Presidente da APROBIO – Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil