Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 04/10/2026 – A Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) terá como prioridade junto ao governo federal o aumento para 17% da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, o B17, em março de 2027. Em nota divulgada neste domingo pela entidade, o presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, afirma que os dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial assumiram compromisso com a transição energética e com a aplicação da Lei do Combustível do Futuro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram ao segundo turno, marcado para 25 de outubro. Às 22h deste domingo, com 99,76% das seções totalizadas, Flávio tinha 47,08% dos votos válidos, ante 45,10% de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Nosso primeiro foco será o aumento da mistura de biodiesel para 17% em março do próximo ano, até porque o setor está fazendo a sua parte investindo nos testes de qualidade que estão em andamento”, diz Goergen na nota. Ele afirma ainda: “Estamos muito seguros do cumprimento da lei Combustível do Futuro, que é uma conquista do Brasil.”
A mistura obrigatória está atualmente em 15% (B15). O B16, previsto na Lei do Combustível do Futuro para 1º de março deste ano, não entrou em vigor, e a definição do porcentual cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Em julho, Aprobio, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e Frente Parlamentar do Biodiesel entregaram ao presidente Lula uma carta em defesa da elevação para B17. Em agosto, a diretora do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Lorena Mendes, afirmou que os testes com misturas de até 20% devem ser concluídos em fevereiro de 2027.
Na nota, Goergen diz que “o segundo turno é uma nova eleição” e que já houve “o compromisso dos dois candidatos com a Transição Energética e a aplicação da Lei Combustível do Futuro”.
O presidente da Aprobio também afirma: “Na questão do agronegócio e dos biocombustíveis, embora com perfis distintos, percebemos que os dois candidatos se comprometeram com o avanço do setor que representamos. Estamos prontos para dialogar com aquele que for eleito para governar o Brasil.”
Segundo Goergen, a transição energética ganhou peso na atual conjuntura. “Além da questão ambiental para o reconhecido problema do aquecimento global, a transição energética ganhou um peso fundamental como fator de desenvolvimento econômico sustentável e de segurança energética no atual cenário de conflito global”, afirma o texto.
Sobre o Congresso, a nota diz: “Os deputados federais que compreendem a importância do setor e estão comprometidos foram a grande maioria eleita. Nós saímos desta eleição com uma bancada favorável aos biocombustíveis maior do que entramos.”
Publicado originalmente no Broadcast (Agência Estado), em 4 de outubro de 2026.