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1 set 2026

“O Brasil não pode continuar perdendo oportunidades por falta de planejamento”, afirma Jerônimo Goergen na Expointer

“O Brasil não pode continuar perdendo oportunidades por falta de planejamento”, afirma Jerônimo Goergen na Expointer

Esteio (RS), 31 de agosto de 2026 – O Brasil precisa planejar melhor como transformar sua produção agrícola em renda, industrialização e energia renovável, evitando perder oportunidades por falta de previsibilidade e organização da cadeia. A avaliação é de Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) durante o painel “Campo em Debate – Canola aquece safra de inverno”, realizado nesta segunda-feira (31), na Expointer, em Esteio (RS).

Ao analisar o crescimento da canola e sua conexão com os biocombustíveis, Goergen defendeu que o país avance de um modelo concentrado na comercialização de commodities para uma cadeia que gere mais valor dentro do Brasil. “Antes tínhamos o Brasil como um produtor de commodities. Você plantava e não se tinha planejamento para o resultado que aquilo teria. Hoje, estamos saindo de um cenário ruim como esse”, afirmou.

Para ele, a canola representa uma oportunidade importante justamente por combinar produção de alimentos, geração de energia e diversificação da renda agrícola. “A canola é um dos produtos no Brasil que nos possibilitam alimento e energia, e não alimento ou energia”, destacou.

Goergen ressaltou ainda que a expansão da cultura não deve ser vista como uma concorrência com o trigo, mas como uma possibilidade de complementar a produção durante o inverno. “A canola não vem para ocupar o espaço do trigo, mas para complementar. Se planejarmos a cultura de canola juntamente com outras culturas de inverno, elas podem compensar perdas nessa época e até perdas nas culturas de verão”, explicou.

Para que esse crescimento se traduza em retorno financeiro, porém, o presidente da APROBIO considera fundamental conectar desde o início produção, comercialização e indústria. “A previsibilidade é fundamental para o agronegócio. É importante consolidar a produção da matéria-prima, mas também já conectar isso às empresas cerealistas ou produtoras de biocombustível. Não vejo outro cenário para termos renda efetiva no campo”, afirmou.

Biodiesel pode ampliar demanda e agregar valor

Durante o encontro, Goergen também relacionou o avanço dos biocombustíveis à criação de novas oportunidades para o campo. Segundo ele, cada ponto percentual adicional de biodiesel representa demanda por 1,4 milhão de toneladas de soja, aproximadamente 24 milhões de sacas.

Esse aumento de demanda, segundo Goergen, também ajuda a abrir espaço para outras matérias-primas, como a própria canola. Atualmente, afirmou, a indústria de biodiesel possui capacidade ociosa que poderia ser utilizada para ampliar a produção. “Temos uma ociosidade na nossa indústria de biodiesel, com capacidade de colocar 7% ou 8% a mais no diesel fóssil, que poderia estar esmagando mais canola, por exemplo”, disse.

A discussão ocorre justamente na semana em que a Lei do Combustível do Futuro completa dois anos. “Eu tenho a satisfação de estar na origem da criação da Lei do Combustível do Futuro. Porém, se nós não tivermos o cumprimento da lei, como faremos para que os projetos que estamos desenvolvendo se consolidem?”, questionou. Para ele, a falta de planejamento acaba impedindo o Brasil de aproveitar melhor suas vantagens agrícolas e energéticas. “O Brasil acaba sendo um lugar que perde oportunidades, pois não se planeja, apenas reage”, afirmou.

Qualidade depende de toda a cadeia

Outro ponto abordado por Goergen foi a qualidade do biodiesel. Segundo ele, o debate não deve ficar restrito ao combustível produzido na indústria, mas considerar também etapas como armazenagem, transporte e manuseio. “Nós não temos um problema de qualidade no biodiesel, mas temos um problema de cadeia, como estocagem, transporte e manuseio. Por isso, estamos trabalhando forte nesses pontos”, explicou.

Goergen destacou ainda a importância dos testes para dar segurança ao avanço da mistura do biodiesel. Ele contou que o país está fazendo o maior programa de testes de biodiesel do mundo para que até fevereiro de 2027, tenha-se o B25 totalmente checado.

Canola, SAF e uma nova oportunidade para o Rio Grande do Sul

O presidente da APROBIO também apontou o combustível sustentável de aviação, o SAF na sigla em inglês, como uma nova frente de demanda para matérias-primas renováveis. “A partir do ano que vem, o SAF é mandatório. Nós temos que nos preparar para isso, e eu não vejo lugar melhor do que o Rio Grande do Sul para ocupar esse espaço”, disse.

Para Goergen, a consolidação dessas oportunidades depende justamente da integração entre todos os participantes da cadeia. “Nós juntos, criando uma cadeia completa desde o produtor, é o que vai levar adiante o agronegócio brasileiro”, concluiu.

O “Campo em Debate – Canola aquece safra de inverno” reuniu também Adriano Borghetti, presidente da FecoAgro-RS; Luiz Gustavo Floss, diretor de Relações Institucionais da Abrascanola; e Vantuir Scarantti, presidente da Abrascanola. O encontro contou ainda com depoimentos de Emilio Figer, diretor da Celena Alimentos; Luiz Augusto Dumoncel, vice-presidente de Operações da 3tentos; e Philipp Herbst Minarelli, gerente de Canola e Carinata para o Brasil e Paraguai da Nufarm.

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