Terra deverá abrigar 10,9 bilhões de pessoas em 2100, afirma a ONU

Um relatório da ONU divulgado hoje alerta que a população da Terra poderá chegar a 10,9 bilhões de pessoas até 2100 – um acréscimo de mais de 3 bilhões de pessoas que poderia esgotar ainda mais os recursos naturais do planeta e acelerar o aquecimento global, de acordo com o site noticioso NBC News. Em 2050, o número total de humanos deverá ser de 9,7 bilhões

Apesar de a previsão indicar que a população da Terra chegará aos 11 dígitos em 2100, ela representa uma reversão no que se refere à última avaliação da ONU, divulgada em 2017. Segundo esse estudo, atingiríamos 11,7 bilhões de pessoas no fim do século.

O aumento populacional vem ocorrendo mesmo com o declínio contínuo observado na taxa mundial de natalidade, que caiu de 3,2 nascimentos por mulher em 1990 para 2,5 nascimentos por mulher neste ano. Ainda assim, a tendência de aumento prevalecerá.

Os autores do novo estudo afirmam que o crescimento mais rápido provavelmente terá lugar na África Subsaariana, que deverá dobrar sua população nos próximos 30 anos. A Índia deverá ultrapassar a China e se tornará o país mais populoso do mundo por volta de 2027.

Atualmente com 1,43 bilhão de habitantes, a China deverá observar até o meio do século um encolhimento de 2,2% na sua população. Outros 54 países deverão ter retração populacional nos próximos 30 anos, entre eles Japão, Lituânia, Bulgária e Ucrânia.

Embora sob o governo de Donald Trump os Estados Unidos tenham assumido uma posição radicalmente contrária à imigração, o relatório prevê que a população do país subirá de 329 milhões de pessoas em 2019 para 434 milhões de pessoas até o fim do século – basicamente por conta do aumento projetado devido aos imigrantes.

O estudo alerta que, como o maior aumento deverá aparecer nas regiões mais pobres do mundo, seu impacto será mais severo em relação a temas como fome e deslocamento populacional. Além disso, mais pessoas demandam uma exploração maior dos já exauridos recursos naturais.

A emergência climática também deverá ser agravada com esse quadro. Em algumas regiões, o aumento da população significa que mais pessoas estarão vulneráveis à elevação dos mares, a condições meteorológicas extremas e à disseminação de doenças infecciosas, que podem ser intensificadas pelas mudanças no clima.

“Nosso impacto no clima está ligado à população de muitas maneiras diferentes – que recursos as pessoas estão usando, quanta produção industrial está acontecendo, quanta energia é necessária para aquecimento, resfriamento e transporte”, observa Amy Snover, diretora do Grupo de Impactos Climáticos da Universidade de Washington. “Todas essas coisas afetam as emissões de gases de efeito estufa, então quanto mais pessoas temos e mais recursos usamos, mais difícil será lidar com os riscos e impactos da mudança climática.”

Os hábitos de consumo no mundo também são importantes em termos de crise climática, e estão longe de ser uniformes em todos os países.

“Há uma grande desconexão entre o crescimento populacional e o consumo maior”, afirma Corey Bradshaw, diretor do Laboratório Global de Ecologia da Universidade Flinders, na Austrália. Ou seja: o estilo de vida de pessoas de países desenvolvidos é mais prejudicial ao meio ambiente do que a média das pessoas na África Subsaariana. Isso significa que o rápido crescimento populacional na África não será tão prejudicial ao meio ambiente quanto um aumento populacional similar seria nos EUA, por exemplo.

Ainda não há consenso científico sobre qual seria o limite para o número de pessoas que o planeta pode sustentar. Segundo Bradshaw, porém, os 7,7 bilhões de pessoas que habitam a Terra agora podem já estar empurrando o planeta para um ponto de ruptura. “Mesmo se mantivéssemos o status quo atual e nem uma única molécula de carbono fosse liberada por causa da atividade humana, ainda veríamos os efeitos da mudança climática por pelo menos 300 anos a partir das emissões que já estão no sistema”, avalia.

Fonte: Revista Planeta

Humanidade, vítima de sua ação destrutiva sobre a natureza

Como deter a destruição da natureza, vital para a humanidade? Governos e cientistas se reúnem na semana que vem em Paris para alertar sobre o estado dos ecossistemas do planeta, atingidos, como o clima, pela ação do homem.

Esta avaliação mundial é a primeira em quase 15 anos: 150 especialistas de 50 países trabalharam durante três anos, reunindo milhares de estudos sobre biodiversidade.

Seu informe de 1.800 páginas será submetido a partir de segunda-feira aos Estados-membros da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que discutirão ponto por ponto.

“O patrimônio ambiental mundial – a terra, os oceanos, a atmosfera e a biosfera -, do qual depende a humanidade está sendo alterado em um nível sem precedentes, com impactos em cascata sobre os ecossistemas locais e regionais”, indica o rascunho do resumo do informe obtido pela AFP, que ainda poderá ser modificado.

Água potável, ar, insetos polinizadores, florestas que absorvem o CO2… A constatação sobre estes recursos é tão alarmante como o último informe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que no ano passado destacou a brecha crescente entre as emissões de gases de efeito estufa e o objetivo de limitar a mudança climática e seus efeitos catastróficos.

O texto relaciona além disso a perda de biodiversidade com o aquecimento, na medida em que ambos os fenômenos estão acentuados em parte pelos mesmos fatores, como as práticas agrícolas e o desmatamento, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2 mas também por graves danos aos ecossistemas.

A exploração de terras e de recursos (pesca, caça) são as maiores causas da perda de biodiversidade, seguidas das mudanças climáticas, da poluição e das espécies invasivas.

– 6ª extinção em massa –

O resultado é “uma aceleração rápida, iminente do nível de extinção de espécies”, segundo o rascunho. Das oito milhões de espécies estimadas no planeta – das quais 5,5 milhões são de insetos -, “entre meio milhão e um milhão estarão ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas”.

Estas projeções correspondem às advertências de muitos cientistas que estimam que a Terra está no início da “6ª extinção em massa”, a primeira desde que o homem habita o planeta.

Mas várias fontes próximas às negociações lamentaram que o projeto de síntese não seja tão claro e não mencione esta extinção em massa.

“Não há dúvida de que estamos caminhando em direção à 6ª extinção em massa, a primeira causada pelo homem”, declarou recentemente à AFP o presidente do IPBES, Robert Watson. “Mas não é algo que o público possa ver facilmente”.

Para que haja uma tomada de consciência, “é preciso dizer a eles que perdemos insetos, florestas, espécies carismáticas”.

Também “os governos e o setor privado devem começar a levar a sério a biodiversidade, tanto quanto o aquecimento”, insistiu o cientista.

Um ano antes da esperada reunião na China dos Estados-membros do Convênio da ONU sobre Diversidade Biológica (COP15), muitos especialistas esperam que o informe do IPBES seja uma etapa crucial em direção a um acordo de envergadura como o assinado em Paris em 2015 contra a mudança climática.

A WWF espera que esta COP15 fixe “objetivos de alto nível”.

“Se queremos um planeta sustentável em 2050, devemos contar com uma meta muito agressiva para 2030”, indicou Rebecca Shaw, cientista-chefe da ONG. “Devemos mudar de trajetória nos próximos 10 anos, como com o clima”.

Mas dado que os remédios para o aquecimento global que implicam mudanças maiores no sistema produtivo e de consumo já suscitam grandes resistências, o que acontecerá com a biodiversidade?

“Será ainda mais difícil, porque as pessoas são menos conscientes dos problemas de biodiversidade”, afirma Jean-François Silvain, presidente da Fundação francesa para a Pesquisa sobre a Biodiversidade.

Fonte: Istoé

Você sabe o que é o Efeito Estufa?

Em si, o Efeito Estufa é um processo natural e necessário para a vida humana. Mas as ações irresponsáveis dos seres humanos têm intensificado esse processo, tornando-o prejudicial para o planeta. Vem que eu te conto mais sobre isso.

O que é o Efeito Estufa?

É um fenômeno natural de aquecimento da Terra, ele é responsável por manter a temperatura do planeta amena, para que nós possamos habitá-la. Resumidamente ele funciona assim: o sol emite radiações que chegam até a superfície da Terra. A superfície absorve parte dessa radiação, cerca de 51%. O restante ela converte e emite em forma de radiação infravermelha.  Essa radiação vai para a atmosfera, que é composta de gases-estufa, esses gases são responsáveis por absorver essa radiação e impedirem que ela volte para o espaço. Se esses gases não existissem, a temperatura média da Terra seria de 18 graus negativos. Esse processo mantém o clima sem grandes variações e possibilita a vida no planeta.

Então qual o problema do Efeito Estufa?

O problema é que as atividades humanas como o desmatamento, a queima de combustíveis fósseis, o uso de certos fertilizantes e o grande desperdício de alimentos têm lançado cada vez mais gases-estufa na atmosfera. Com uma concentração muito grande desses gases na atmosfera, forma-se uma barreira, que faz com que mais radiação infravermelha fique retida e devolvida novamente para a superfície do planeta. Assim o efeito estufa deixou de ser um processo natural e passou a ser o causador do aquecimento global.

Consequências do Efeito Estufa

  • Derretimento das calotas polares, consequentemente aumento do nível do mar. Isso leva a perda de vários ecossistemas costeiros. A longo prazo pode levar ao alagamento de cidades litorâneas.
  • O Efeito Estufa pode levar ao desaparecimento de espécies animais e vegetais.

  • O Efeito estufa gera mudanças climáticas severas, que podem  alterar os cursos naturais das correntes marítimas o que acabaria por provocar a extinção de diversas espécies de peixes e outros animais marinhos.
  • Pode potencializar fenômenos como: furacões, tempestades, secas e enchentes em determinadas regiões.

Fonte: Tri Curioso

Fim do mundo chegando? Aquecimento global, asteroides, guerras e outras ameaças à Terra

As pessoas seguem com seus afazeres do dia a dia, sem imaginar que estão cercados por perigos fatais, que podem acabar com a raça humana na Terra. As mudanças climáticas, os riscos de uma guerra nuclear, pandemia e como se não bastasse tudo isso, ainda existe o risco de um asteroide gigante colidir com nosso planeta.

Muitos especialistas e estudiosos dedicam boa parte do seu tempo para investigar uma solução para estes problemas, mas a pergunta que todos fazem é se os seres humanos conseguirão sobreviver até o fim deste século.

Por muitos anos as pessoas acharam que estavam seguras neste planeta, onde há muita água, oxigênio, alimentos e tudo que se precisa para viver, mas atualmente a realidade é outra. São muitos os riscos que ameaçam o ser humano e o planeta se mostra frágil diante de tantas ameaças.

É real o risco de um asteroide gigante se colidir com a Terra, mas o ser humano criou tantos novos riscos, que este ficou em segundo plano. Hoje é grande a preocupação com a superpopulação, a escassez de alimento, de água e ainda tem a mudança climática, que segue sendo ignorada por muitos governantes.

As ameaças não param por aí. Pandemias, guerra nuclear e muito mais. O planeta terra corre perigo e o ser humano precisa entender que sem ele, não terá como sobreviver.

Fonte: News

Deus acima de (quase) todos

Não precisa espionar o papa, presidente; basta impor um pouquinho de lei e ordem na Amazônia

“Agora nós falamos em Deus”, escreveu o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, num famoso artigo em que atribui a crise brasileira ao fato de as pessoas não conversarem sobre o Altíssimo em público. A julgar pelo noticiário recente, o próximo édito do nosso ministro terá como título: “Agora nós espionamos Deus”. Ou pelo menos um de seus representantes na Terra, o papa Francisco.

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo no último dia 10 mostrou como o general Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, iniciou uma cruzada para “neutralizar” o Sínodo da Amazônia, um encontro de bispos católicos convocado pelo papa para discutir a situação da floresta e de seus povos, em outubro.

Segundo o jornal, arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) estão sendo mobilizados para monitorar reuniões de paróquias em preparação para o Sínodo. A tese dos militares é que a Igreja Católica é um refúgio da “esquerda” e uma espécie de braço celestial do PT, pronta para usar o palco internacional para criticar a política de Jair Bolsonaro para a Amazônia. Diante da repercussão do caso, o GSI soltou uma nota tranquilizadora, só que não: “não estamos espionando a Igreja Católica”. Dá quase para ver a piscadinha marota do Didi Mocó lendo o comunicado.

Se fossem um pouquinho menos ideológicos e um pouquinho menos obcecados em encontrar perigosos comunas armando uma revolução atrás de cada moita, os militares entenderiam que ninguém precisa espionar os padres. Afinal, o que a Igreja e o papa querem para a Amazônia é basicamente a mesma coisa que Bolsonaro prometeu instituir no país: lei e ordem. As agendas do quartel e da Santa Sé são bastante convergentes.

A pergunta que ronda os solidéus dos bispos, e que deveria igualmente tirar o sono dos militares, é por que a Amazônia vive à margem da lei. A região Norte foi a que teve o maior crescimento no número de homicídios na última década, segundo o Atlas da Violência do IBGE.

A violência no campo, em decorrência de conflitos por terra, retornou a patamares da década de 1980; em 2017, segundo a Comissão Pastoral da Terra, Rondônia e Pará concentraram 54% dos 70 assassinatos no campo no Brasil. A Abin empregaria melhor seus agentes no mapeamento desses conflitos e na prevenção dessas mortes.

O crime organizado está por trás de uma fatia significativa do desmatamento na floresta. Em 2018, 59% do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou em áreas públicas griladas. Há quadrilhas especializadas em roubo de madeira e quadrilhas especializadas em invadir terra pública, com ajuda da melhor tecnologia de sensoriamento remoto, pôr a floresta abaixo —usando trabalho escravo—, forjar títulos e vender a área para pecuaristas e agricultores que sempre poderão alegar que não sabiam de nada.

O desmatamento gera emissões de carbono —46% das emissões do Brasil em 2017 vieram da destruição das florestas—, que por sua vez agravam o aquecimento do planeta, pondo em risco o que o papa chamou de “casa comum”. Como já disse o ecólogo Tom Lovejoy, esta é verdadeira internacionalização da Amazônia: transformar a floresta em fumaça, que polui o mundo todo.

E, o que é pior, sem gerar riqueza. O PIB do agronegócio brasileiro subiu 75% e a produção de carne e soja na Amazônia cresceram no período em que o desmatamento na floresta caiu 80%, entre 2004 e 2012. O presidente Bolsonaro, em sua investida míope e mal assessorada contra terras indígenas e proteção ambiental, não está ajudando o agronegócio; está criando-lhe um problema sério de imagem. Os generais, que tiveram mais estudo sobre estratégia que o capitão, deveriam aconselhá-lo melhor.

A Igreja tem justa preocupação com o desmatamento, que é uma agenda para além de inclinações ideológicas. O carbono, afinal, não é de esquerda, nem de direita. Como o aquecimento da Terra acarreta problemas sérios de segurança nacional e internacional —cada um dos generais que está no Governo lê atentamente estudos sobre o tema produzidos pelo Pentágono—, o desmatamento deveria estar também no alto da lista das preocupações dos militares. Aliás, como o general Heleno vai também lembrar, o desmatamento na Amazônia começou a cair em 2005, quando o Exército ocupou o sul do Pará após o assassinato da irmã Dorothy Stang.

As organizações criminosas que promovem a devastação da Amazônia são um desafio permanente à soberania do Brasil sobre vastas porções da floresta e ameaçam cerca de 70 milhões de hectares de terras pertencentes ao Estado brasileiro e ainda não destinadas. O Ibama e a PF certamente adorariam ter a ajuda da Abin para desbaratar essas quadrilhas.

Por fim, grande parte das mazelas da Amazônia tem a mesma origem que as chagas do resto do Brasil e também preocupa a Santa Madre: a corrupção. Além de ser o lubrificante da atividade criminosa do roubo de terras e de madeira, a corrupção tem-se revelado peça central do planejamento de infraestrutura esdrúxula na Amazônia, como as usinas do Madeira e de Belo Monte.

Jair Bolsonaro foi eleito por um contingente significativo de brasileiros que queriam dar um basta à corrupção e ao crime. Combater esses males no restante do país e deixar a Amazônia entregue a eles não faz nenhum sentido. As Forças Armadas conhecem o valor estratégico da Amazônia. Deveriam unir-se ao papa e a toda a sociedade na busca de soluções para seu desenvolvimento sustentável em vez de ressuscitar antigas paranoias.

Fonte: El País

ESTUDO APONTA QUE APENAS 5% DA TERRA NÃO FOI MODIFICADA PELO HOMEM

Os resultados poderiam ser ainda mais alarmantes se os pesquisadores mensurassem o alcance dos estragos do aquecimento global

5% de toda a superfície terrestre (ainda) não foi alterada pelo homem. Esse dado vem do estudo publicado na revista científica Global Chance Biology, em janeiro. Há 10 anos, esse número era quase quatro vezes maior, correspondendo a 19%.

A partir dos dados coletados, os pesquisadores criaram uma escala de modificação da terra, sendo que 84% da superfície global foi classificada como altamente degradada. Os lugares mais danificados estão na Europa e na América do Norte, sendo que a Ásia está cada vez mais ameaçada. Enquanto isso, as regiões mais protegidas ficam em lugares quase inabitáveis como no pico de montanhas, em locais dominados pelo gelo, florestas densas e campos montanhosos.

Ainda assim, devido às consequências do aquecimento global, os pesquisadores afirmam que a porcentagem de terras virgens poderia ser menor ainda se os impactos do aquecimento global fossem avaliados.

Fonte: Revista Casa e Jardim

O que é o antropoceno, a era geológica marcada pela ação humana

Apesar de os seres humanos não habitarem a Terra há muito tempo, já deixaram uma marca difícil de apagar

Se toda a história da Terra fosse condensada em apenas um dia, estaríamos nos últimos 20 segundos.

Não se engane: não faz muito tempo que habitamos este planeta!

Mas o impacto que já deixamos por aqui é significativo.

Por isso, os cientistas Paul Crutzen e Eugene F. Stoermer dizem acreditar que vivemos numa nova era geológica, que chamam de Antropoceno.

Para eles, as atividades humanas, da agricultura ao desenvolvimento do plástico, do concreto e da energia nuclear, passando pelo aquecimento global, vem afetando a Terra de tal forma que criamos um novo período de tempo geológico.

Mas qual será o futuro do nosso planeta nesta nova era?

Fonte: G1

Emissões globais de metano podem estar subestimadas

Mudanças recentes na compreensão sobre o comportamento do metano na Terra, além de dificuldades para fazer amplas medições do que é emitido pelos oceanos, podem ter feito com que as emissões globais do gás – cujas moléculas retêm 25 vezes mais calor do que as de gás carbônico – tenham sido subestimadas.

As consequências dessa emissão maior vão desde um aumento ainda mais acentuado nas temperaturas globais até a concretização da chamada hipótese da bomba de clatrato (estrutura cristalina). Segunda essa hipótese, o metano hoje depositado no subsolo marinho poderia subir à atmosfera e gerar uma extinção em massa como as que ocorreram na transição dos períodos Permiano e Triássico (há cerca de 250 milhões de anos) e no fim do Paleoceno e início no Eoceno (há 55 milhões de anos, aproximadamente).

“Com o derretimento do Ártico e da Antártica, provocado pelo aquecimento global, muito desse metano que estava preso embaixo das geleiras, na forma de hidrato de gás, começa a ser liberado”, disse Antje Boetius, pesquisadora do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, em Bremen, na Alemanha.

Boetius foi uma das participantes da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Metano, realizada em Ilhabela de 16 a 23 de outubro e encerrada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, no dia 26.

“A ideia da Escola foi conseguir avançar nas novas fronteiras do conhecimento dessa área da ciência, principalmente em relação aos microrganismos que produzem metano na natureza”, disse Vivian Pellizari, professora do Instituto Oceanográfico da USP e organizadora do evento. Além de palestrantes brasileiros e estrangeiros, participaram da Escola 73 alunos de pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado de 13 países além do Brasil.

“Para poder controlar as emissões é preciso conhecer a parte básica do metabolismo dos microrganismos e dos seus hospedeiros. Novos grupos desses microrganismos têm sido descritos nos últimos anos e ainda precisam ser mais bem compreendidos”, disse Pellizari à Agência FAPESP.

No Brasil, os maiores responsáveis pelas emissões de metano são a criação de gado e as áreas alagadas, presentes na Amazônia e no Pantanal. Elas acumulam matéria orgânica em decomposição, reduzindo a concentração de oxigênio e gerando metano.

O gado, por sua vez, emite o gás como resultado do processo de digestão. Além disso, mudanças no uso do solo também impactam a proporção entre o metano que é liberado na atmosfera e o que é consumido.

Os microrganismos do ambiente desempenham um grande papel na emissão global de metano. Embora recentes avanços tenham dado origem a novos conhecimentos, ainda há mais perguntas do que respostas em relação à quantidade global do gás, ciclagem biogeoquímica e microbiologia da metanogênese (geração) e da metanotrofia (consumo).

Atualmente, a busca por organismos que geram e consomem metano vai de ambientes criados pelo homem a alguns dos locais mais extremos na Terra. Na Escola também foram discutidas metodologias que poderão ser usadas para detectar presença de metano fora da Terra, como em luas de Júpiter. O metano seria um possível indicador de vida extraterrestre.

“O metano é um elemento-chave para a Astrobiologia e para conhecer mais sobre a origem da vida”, disse Ken Takai, da Jamstec, agência japonesa para ciência e tecnologia marinha e terrestre e um dos palestrantes no evento.

Além disso, outro tema discutido foi a recente aplicação do conhecimento em produção de bioenergia, gerenciamento de resíduos e em Agronomia.

“O metano formado no solo dificilmente chega à atmosfera se houver uma atividade biológica que consome esse gás. Mas, quando há desequilíbrio entre produção e consumo, acaba havendo liberação para a atmosfera. Para agricultura e solo, essa é uma das principais discussões colocadas aqui”, disse Fernando Dini Andreote, professor da Esalq-USP.

Gelo que queima

O hidrato de clatrato (ou hidrato de gás) é um cristal de água que encapsula gases, a maior parte metano, e que queima com facilidade. Por isso, é considerado pelo setor de energia como um possível combustível no futuro. Quando no subsolo marinho, sob baixas temperaturas, ele mantém estável o gás em seu interior.

“No entanto, temos evidências de que houve uma grande mudança no nível do mar ao longo da nossa história. A diminuição da pressão dos oceanos decorrente disso, além do aquecimento da água, é uma forma de liberar esse hidrato de gás. Como sabemos que houve um aumento das temperaturas marinhas, estamos provavelmente chegando a uma era ou período em que nunca antes na história humana houve tanto hidrato de gás sendo exposto”, disse Boetius.

A cientista alerta que no Ártico o quadro é especialmente preocupante, já que há muitos depósitos de hidrato de gás em partes rasas, apenas alguns metros abaixo do gelo.

“O Ártico tem muitos e muitos quilômetros de mares rasos e eles podem ter grandes depósitos desses hidratos de gás. Atualmente, a maior parte do Ártico está congelado, mas não sabemos se estará até o fim do século”, disse.

Investimento em pesquisa

Além da quantidade de hidrato de gás, a própria emissão de metano dos oceanos como um todo é apenas estimada. Embora métodos para fazer as medições sejam conhecidos, seriam precisos muito mais pontos de medição do que os poucos existentes atualmente.

“Para esse tipo de levantamento precisamos de navios, robôs e engenheiros. É um esforço de muita alta tecnologia. Logo, poucos países no mundo têm condições de fazer esse trabalho, embora devessem medir emissões pelo menos em sua própria zona econômica exclusiva. Por isso, temos muito poucos dados”, disse Boetius.

A quantidade de metano emitida, portanto, pode estar subestimada, o que é dito nos últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC): “Temos apenas estimativas baseadas em poucos dados científicos”.

Mudar esse quadro exige altos investimentos em pesquisa. No entanto, os Estados Unidos, segundo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, atrás apenas da China, recuou seus investimentos nos últimos dois anos.

“Os Estados Unidos têm um impacto desproporcional no clima por causa do estilo de vida, do jeito que gerimos nossa indústria. Contribuímos bastante para a quantidade de metano no mundo. Por conta disso, temos responsabilidade de fazer algo sobre isso”, disse Brendan Bohanann, da University of Oregon, um dos organizadores da Escola.

“Ao mesmo tempo, o financiamento para ciência nos Estados Unidos tem sido estável ou mesmo tem caído ao longo do tempo. Isso sem contar que tem havido uma queda geral na importância da ciência em determinar políticas no nível federal e isso é uma grande preocupação. Infelizmente, quando os Estados Unidos tomam uma decisão em nível nacional, isso tem um impacto global. Espero que o Brasil tome os Estados Unidos como um mau exemplo e não faça a mesma coisa”, disse Bohanann.

Além de assistir a palestras, apresentar trabalhos e realizar atividades em grupo os participantes fizeram visitas técnicas à Esalq e ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena).

Mais informações sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Metano: http://spsasmethane.com

Fonte: Agência FAPESP

Eixo de rotação da Terra está mudando

Aquecimento global seria o responsável pela mudança

Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da Agência Espacial Norte-America (Nasa), fez medições astronômicas e geológicas e descobriu que a posição do eixo de rotação da Terra se deslocou durante o século XX pela crosta terrestre em direção a Labrador, no Canadá, a uma velocidade média de 0,9 cm por ano. A compreensão das origens desse movimento ajuda a entender o clima do planeta, pois diz respeito ao balanço da massa de gelo nas calotas polares e ao aumento do nível do mar.

O estudo foi publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters no dia 13 de setembro e mostra que a mudança no eixo de rotação da Terra pode estar ligada ao aquecimento global, devido ao derretimento do gelo presente nos polos. Esta ação, que é registrada nas duas calotas polares do planeta, está provocando uma sobrecarga lateral na Terra, o que faz com que a rotação sobre o seu próprio eixo seja menos estável.

“Qualquer massa que esteja a 45º em relação ao Polo Norte, como a Groenlândia, ou em relação ao Polo Sul, como é o caso da Patagônia, da Argentina, quando se desloca, tem um maior impacto na alteração do eixo sobre o qual a Terra se desloca”, dizem os pesquisadores no artigo recém publicado.

O aumento na temperatura do planeta, em razão do aumento da emissão de gases do efeito estufa, é considerado o principal motivo para que a Groenlândia, entre o anos 1900 e 2000, ter perdido uma massa equivalente a 7,5 bilhões de toneladas de gelo, que foi parar nos oceanos, afetando, assim, a estabilidade de rotação da Terra.

Com a exposição das rochas, que antes eram cobertas de gelo, a pressão exercida sobre elas também mudou.

Por fim, a equipe de cientistas explica que a chamada convecção do manto terrestre, responsável pelo movimento das placas tectônicas na superfície do planeta, também vem sofrendo mudança em virtude do aumento da temperatura no núcleo da Terra.

Fonte: Revista Encontro

O mundo inteiro entra num cheque especial perigoso neste 1º de agosto

O ano nem acabou, mas o consumo de recursos naturais já excedeu a capacidade regenerativa da Terra para 2018. A partir de hoje, operamos no vermelho

São Paulo – Até o final desta quarta-feira (1º), a humanidade terá superado o orçamento do meio ambiente para o ano, passando a operar no vermelho. Em sete meses, esgotamos todos os recursos que a Terra é capaz de oferecer de forma sustentável no período de um ano, desde a filtragem de gás carbônico (CO2) da atmosfera até a produção de matérias-primas para fabricação de bens de consumo.

Mudanças climáticas, poluição do ar, do solo, da terra e da água, desmatamento, perda de biodiversidade, desertificação, eutrofização, sobre-exploração dos recursos naturais…A lista crescente e variada de problemas ambientais tem origem num denominador comum: nossos padrões de produção, consumo e estilo de vida são muito intensivos em energia e materiais, tornando-se assim insustentáveis.

A conta é do Global Footprint Network (GFN), uma organização de pesquisa que mede a pegada ecológica das atividades humanas no mundo. Até o fim 2018, teremos consumido 1,7 planeta Terra, um apetite absolutamente insustentável no longo prazo. Em outras palavras, a humanidade está utilizando a natureza de forma mais rápida do que os ecossistemas do nosso planeta podem se regenerar.

A diferença entre a capacidade de regeneração do planeta e o consumo humano gera um saldo ecológico negativo que vem se acumulando desde a década de 80, também estimulado pelo crescimento populacional — já somos 7 bilhões de habitantes no mundo e até o final do século, seremos 11 bilhões.

Pior, entramos no vermelho cada vez mais cedo. Vinte anos atrás, o “Dia da Sobrecarga da Terra” acontecia em 10 de Outubro. Mas em 1975, era 28 de Novembro. Em 2017, a data foi 2 de agosto; em 2016, foi 8 de agosto. Agora, entramos no vermelho em 1º de agosto, o Dia da Sobrecarga da Terra mais cedo desde a década 1970, quando o mundo começou a esgotar os estoques do planeta antes de acabar o ano.

Os custos desse excesso de gastos ecológicos incluem desmatamento, colapso pesqueiro, escassez de água doce, poluição, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera. Tudo isso leva a mudanças climáticas e secas mais severas, incêndios florestais e furacões, destaca a ONG ambientalista WWF, parceira da GFN.

“O Dia da Sobrecarga da Terra pode não apresentar diferenças da noite para o dia – você ainda tem a mesma comida em sua geladeira”, disse o CEO da Global Footprint Network, Mathis Wackernagel, em comunicado. “Mas, os incêndios estão ocorrendo no oeste dos Estados Unidos. Do outro lado do mundo, os moradores da Cidade do Cabo tiveram que reduzir pela metade o consumo de água desde 2015. Essas são consequências de estourar o orçamento ecológico do nosso único planeta”.

Segundo ele, é como se a humanidade realizasse uma operação fraudulenta de investimento. “Nossas economias estão realizando um esquema Ponzi com nosso planeta. Ou seja, usamos os recursos futuros da Terra para operar no presente e nos aprofundar na dívida ecológica”, continuou Wackernagel. “É hora de acabar com esse esquema e alavancar nossa criatividade para criar um futuro próspero, livre de combustíveis fósseis e sem destruição planetária.”

Fonte: Exame

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