Tecnologia no agronegócio: riscos e oportunidades

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o agronegócio é responsável por 42% das exportações brasileiras, atingindo US$ 102 bilhões em 2018. Este desempenho representou um crescimento de 6% em relação ao ano anterior e uma contribuição para o saldo positivo na balança comercial brasileira de quase US$ 90 bilhões. Estes dados, aliados ao fato do agronegócio representar 23% do PIB do Brasil, não deixam dúvida quanto à relevância do segmento para a economia nacional. De acordo com dados do United States Department of Agriculture (USDA), o Brasil ocupa as primeiras posições na produção mundial dos principais produtos agrícolas consumidos no mundo, tais como soja, açúcar e café (primeira posição), carne bovina e de frango (segunda posição), além do milho (terceira posição), entre outros.

Manter a relevância do agronegócio na economia nacional tem sido especialmente desafiador para os participantes deste segmento. Os agropecuaristas brasileiros, além de terem que enfrentar os riscos inerentes ao seu próprio negócio, tais como condições climáticas, pragas que afetam a lavoura e as doenças que ameaçam suas criações, também precisam lidar com os efeitos da instabilidade econômica e política do País, greves, além da inerente precariedade da infraestrutura logística nacional.

Desta forma, o sucesso deste setor está significativamente associado com a capacidade de adaptação às incertezas por meio de instrumentos de gerenciamento de riscos, assim como a aplicação de tecnologias de ponta no desenvolvimento das lavouras e criações. A chamada “tecnologia de precisão” há muito tempo vem sendo desenvolvida e aplicada no campo com o propósito de elevar a produtividade de maneira a compensar as deficiências estruturais do País que vão além da porteira e, portanto, não gerenciáveis pelo produtor. A Embrapa, empresa de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que conta com 43 anos de suporte ao agronegócio, é uma referência mundial na agricultura de clima de tropical e uma das principais fomentadoras da inovação no campo.

Com o auxílio da tecnologia, os níveis de produtividade do agronegócio brasileiro tem desempenho igual, e muitas vezes superiores, aos seus principais competidores mundiais. No que se refere à soja, por exemplo, enquanto a produtividade média mundial da safra de 2017/18 foi de 2,74 ton/hectare, no Brasil, a produtividade foi de 3,47 ton/hectare. Os Estados Unidos, principal concorrente, tiveram uma produtividade de 3,31 ton/hectare, 5% inferior à do Brasil.

Neste sentido, as oportunidades de desenvolvimento de inovações tecnológicas para o campo são ilimitadas e, como parte deste processo, uma série de novas startups voltadas para desenvolver soluções de tecnologia no setor agrícola têm surgido nos últimos anos. De acordo com levantamento feito pela KPMG, em conjunto com o Distrito, das mais de 7 mil startups brasileiras, 135 estão voltadas exclusivamente para o mercado agro, e este número encontra-se em franca expansão. Estas startups têm atuado não só no desenvolvimento de ferramentas voltadas para a agricultura de precisão, assim como de soluções em robótica, drones, satélites, big data, inteligência artificial, entre outras.

Se, por um lado, a tecnologia tem trazido soluções para permitir o crescimento da relevância do agronegócio no PIB brasileiro, muitos desafios ainda precisam ser superados. Além de questões relacionadas à falta de infraestrutura ideal para permitir a conectividade, bem como uma velocidade de conexão adequada nas áreas de plantio mais remotas, as empresas do agronegócio têm passado a ser alvo constante dos chamados ataques cibernéticos nos últimos anos. De acordo com pesquisa realizada pela KPMG, em conjunto com a Oracle, com mais de 450 profissionais de segurança cibernética e TI, cerca de 80% destes profissionais estão preocupados com algum tipo de ataque cibernético. Tal preocupação se deve, principalmente, ao fato de que a maioria destes ataques está direcionado para áreas estratégicas do negócio, gerando a paralisação de operações, sequestro e perda de dados, danos à reputação e, consequentemente, perdas financeiras significativas ocasionadas por estas situações. Em outra pesquisa da KPMG, observa-se que os riscos relacionados às novas tecnologias é o segundo assunto que mais preocupa os altos executivos das empresas, atrás apenas de riscos relacionados com a perda de clientes estratégicos.

Desta forma, é inegável que o uso de tecnologias de ponta e a inovação no agronegócio tem contribuído significativamente para o crescimento sustentável do setor, bem como sua contribuição para a economia brasileira como um todo. Entretanto, face à relevância crescente da tecnologia para os negócios, é muito importante que as empresas do setor passem também a incluir, em seus processos de gerenciamento de riscos, aspectos relacionados à prevenção dos riscos associados a eventuais ataques cibernéticos.

Se por um lado, os investimentos em segurança cibernética podem representar um custo adicional para as empresas, esta também é uma boa oportunidade para os gestores e executivos aprofundarem seus conhecimentos sobre o seu negócio, visto que estratégias de segurança de TI e resiliência dos negócios sempre devem estar alinhadas com as metas globais da organização, desde a proteção da propriedade intelectual e de dados, até a maximização de sua produtividade por meio de novas tecnologias aplicadas no campo.

Fonte: Brasil Agro

Como melhorar o óleo a base de amendoim

Um estudo na Universidade Nacional de Villa Maria (UNVM) na Argentina pesquisa como melhorar a qualidade dos óleos elaborados a base de amendoim.

A doutora em Ciências Biológicas Yanina Rossi, realiza sua tese de entrada na carreira de investigadora através do Centro de Investigación y Transferencia (CIT) de Conicet na UNVM. Seu trabalho estuda a implementação de tecnologias inovadoras para melhorar a qualidade dos óleos vegetais produzidos na região, principalmente o óleo de amendoim. Investiga os efeitos da aplicação de pré-tratamentos enzimáticos na produtividade e qualidade do óleo durante os processos de extração prensada de sementes oleaginosas e da adição de antioxidantes naturais obtidos a partir de subprodutos da indústria.

Como a maioria das pesquisas realizadas nos laboratórios do Instituto de ciências Básicas e Aplicadas da UNVM, este trabalho está orientado para o desenvolvimento sócio produtivo da região. De acordo com Rossi “agora Conicet é muito focado nessa idéia da transferência. Antes dos pesquisadores elegíamos qualquer assunto que nos parecesse interessante e inteligente, estávamos longe da indústria e dos negócios, éramos uma coisa e a indústria era outra. Isso não funciona porque, ainda que nos permita nutrir o conhecimento ou fornecer-nos a oportunidade de estudar um tema, nossa pesquisa não terá aplicação.

Essa idéia de transferência consiste em aplicar tudo o que é investigado. Essa é precisamente a idéia do CIT no Conicet”.

Este trabalho tem a direção do Dr. Damian Maestri, pesquisador independente de CONICET IMBIV, e co-direção do Dr. Alejandro Lespinard, pesquisador assistente CIT Conicet Villa Maria. Com esta pesquisa Rossi tem como objetivo melhorar o desempenho e a qualidade final dos óleos vegetais, diversificando alternativas de produção, agregando valor e promovendo o desenvolvimento das atividades agro-industriais para Villa Maria e região.

Fonte: ASAGA – publicado na Revista Óleos e Gorduras

10 números do ‘boom’ das energias renováveis em 2015

O ano de 2015 foi recorde paras as energias renováveis, com o maior crescimento anual já registrado, de acordo com os mais recentes dados divulgados pela Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA).

Segundo o relatório “Estatísticas sobre a Capacidade das Renováveis”, a implantação de energias renováveis continua a crescer ao redor do mundo, mesmo diante dos baixos preços do petróleo e do gás. Isso se explica, em grande medida, pelos custos decrescentes das tecnologias.

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Fonte: Exame

Embrabii destina R$ 29 milhões para pesquisas em biotecnologia

“Há uma grande expectativa do mundo com o Brasil na área de biotecnologia”, lembra o ministro Celso Pansera
A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, pela primeira vez destinará recursos para a área de biotecnologia. Serão R$ 29 milhões, que começarão a ser desembolsados em 2016 para financiar pesquisas nas áreas de biocombustíveis, de geração de energia a partir da biomassa, de etanol de segunda geração e, também, de embalagens industriais mais eficientes para o transporte de alimentos.

Os recursos foram disputados por 38 institutos e empresas de pesquisa, e três foram selecionados pela Embrapii para desenvolver os projetos, que também deverão contar com recursos dos próprios escolhidos e da iniciativa privada. Como normalmente os projetos com participação da Embrapii são divididos por essas três partes (governo, instituições de pesquisa e iniciativa privada), o ministério projeta que, no total, os aportes nos projetos de biotecnologia alcançarão R$ 87,7 milhões.

Vencedores dos editais, a Embrapa Agroenergia, de Brasília, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, e o Núcleo Ressacada de Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade Federal de Santa Catarina vão assinar hoje seus contratos de parceria com a Embrapii. “Trabalhar com biotecnologia foi uma oportunidade identificada pelo ministério porque hoje há uma expectativa do mundo com o Brasil nessa área, por conta da nossa experiência na produção de alimentos, segurança alimentar e energia renovável”, disse ao Valor o ministro Celso Pansera, que está à frente do cargo há dois meses.

O ministro lembra que, para receber recursos da Embrapii – uma espécie de Embrapa da área de pesquisas científicas em geral, criada em 2013 -, a instituição precisa comprovar capacidade técnica e, principalmente, sua relação com o setor privado. Na apresentação dos projetos, a instituição deve indicar com quais empresas, associações ou entidades vai captar a parte privada dos recursos necessários para financiar as pesquisas.

“Cada instituto, para ser credenciado pela Embrapii, tem que comprovar que captou no mínimo R$ 5 milhões da iniciativa privada para pesquisa nos últimos três anos”, explica. O ministro também lembra que outras áreas de conhecimento, como nanotecnologia e energia limpa, contaram com editais de pesquisa antes dos destinados a biotecnologia.

Pansera projeta que essas três áreas deverão receber, no total, R$ 4,5 bilhões em investimentos para pesquisas até 2018, por meio de editais da Embrapii. Desse total, a parcela da iniciativa privada deverá chegar a R$ 3 bilhões. “A fatia de investimento público é a fundo perdido, o que significa que nós [governo] não vamos cobrar retorno desses recursos, mas as entidades têm que provar a produção das pesquisas. Nosso desembolso se dá conforme as fases de execução de cada pesquisa”, afirma. “Apesar da crise fiscal, tivemos capacidade de investimento em pesquisa em 2015”, pontuou o ministro.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor – replicada digitalmente aqui 

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