Celeiro do desenvolvimento sustentável, por Erasmo Carlos Battistella

Leia artigo assinado pelo presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, publicado pelo jornal gaúcho Zero Hora nesta sexta-feira (2):

 

Os olhos do mundo estão voltados ao Brasil e às políticas que serão adotadas pelo novo governo, com apoio de um Congresso renovado pelo desejo da sociedade por um futuro melhor. No mundo contemporâneo, isso significa desenvolvimento econômico ético e sustentável. A geração de riqueza no século 21 exige firme compromisso não só com “o que” se produz, mas com “o como” se produz.

Os produtores brasileiros já têm demonstrado que é ideia ultrapassada pensar em incompatibilidade entre o agro e o meio ambiente. Ao contrário, produtos agropecuários devidamente certificados têm obtido acesso a mercados importantes, por meio de acordos internacionais e cumprimento de exigências sanitárias e ambientais.

Assim, por mais louvável que seja enxugar o Estado, não soa razoável uma eventual fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como se esse desenho garantisse mais produção no campo. O efeito pode ser o oposto, diante do risco de se fecharem portas de importantes mercados, abertas após anos de trabalho sério de produtores que, hoje, colhem merecidos frutos.

Da mesma forma, é preciso encarar pactos como o Acordo de Paris como oportunidade, e não entrave. Nossa experiência e potencial em energias renováveis, como etanol e biodiesel, nos credenciam como referência mundial em alternativas ao petróleo. O Brasil deve se tornar o “Oriente Médio Verde”.

O biodiesel brasileiro tem benefícios inquestionáveis: 71,65% menos emissões que a produção de diesel fóssil e geração de mais emprego (capacidade 113% maior) e PIB (35% a mais). Sem falar na substituição de diesel importado, no incentivo à agricultura familiar e no estímulo a novas culturas, como a da palma de óleo, para recuperar áreas degradadas.

Com a aplicação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instrumento inovador criado pelo Brasil para cumprimento do Acordo de Paris, a atual produção anual de 5,4 bilhões de litros de biodiesel deve chegar a 18 bilhões. Para tanto, estima-se investimentos de R$ 22 bilhões até 2030 só na indústria de óleos vegetais e biodiesel.

Nosso país não pode abrir mão de oportunidades como essa, propiciadas pela união entre preservação ambiental e geração de riquezas no campo. Podemos – e devemos – fazer desse cenário um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento sustentável.

Chegou a conta do crescimento econômico

Amanhã Chegou. E veio cobrando a conta. O filme de Renata Simões mostra, em detalhes, o grande beco sem saída em que nos metemos. Sempre se fala que a economia precisa crescer. Se não cresce, é o caos, como acontece no Brasil atual. Acontece que o planeta já não suporta mais o “crescimento” indiscriminado. A humanidade, sob o primado de um capitalismo desvairado e (em aparência) sem alternativas, tornou-se autofágica. A catástrofe aí está, chegando sob a forma de aquecimento global, mares invadindo cidades, anarquia climática, etc. Não existe alternativa a não ser pisar no freio. Mas vá dizer isso a Trump ou à China. Portanto, a palavra de ordem do nosso tempo é “sustentabilidade”.

Não podemos nos comportar como novos-ricos diante de um planeta exaurido e comprometer as novas gerações. Ouvindo um grande número de pessoas, o filme é realista em sua dura advertência. Apresenta alternativas de vida. Sente-se falta do “outro lado”, a versão dos que acham que podemos continuar a gastança que a conta nunca chegará. Mas estes não costumam falar. Agem e contabilizam lucros.

Fonte: O Estado de S.Paulo

O “lixo” está na moda: consciência ambiental e sustentabilidade

O aproveitamento de resíduos combina responsabilidade ambiental e desenvolvimento social na indústria têxtil e de confecções, que fatura 45 bilhões de dólares por ano.

vestuário já foi uma questão de necessidade básica, mas hoje faz parte da economia global industrializada. O mercado mundial da moda está avaliado em três trilhões de dólares e já é responsável por 2% da economia global. Com uma demanda crescente ao longo das décadas, a indústria da moda contou com a ajuda da tecnologia para tornar a produção cada vez mais eficiente e barata. Produzir mais com menos custo foi um avanço que fomentou o fast fashion, marcado pela superprodução e exigência constante por novos estilos. Mas o preço das rápidas mudanças de coleção é bem maior do que aquele visível nas etiquetas. É preciso contabilizar também os custos ambientais de produção, processamento e transporte das mercadorias. Isso sem falar nas milhares de toneladas de roupas descartadas todos os anos.

A indústria da moda hoje depende fortemente de recursos não-renováveis, como fertilizantes para cultura de algodão, petróleo para produção de fibras sintéticas e corantes para tinturarias. No total são cerca de 98 milhões de toneladas de recursos não-renováveis consumidos por ano. Além disso, a cadeia produtiva têxtil é uma das maiores consumidoras de água do mundo, utilizando anualmente 93 trilhões de litros. Os dados são do relatório “Uma nova economia têxtil“, produzido pela Fundação Ellen Macarthur. O texto destaca que não é apenas quando falamos em matéria-prima que a moda deixa fortes impactos negativos. Os efeitos sobre a qualidade da água e as mudanças climáticas também são severos: 20% da poluição aquática global é atribuída à coloração e tratamento de fibras e tecidos e a indústria têxtil emite na atmosfera mais de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico por ano. Isso é mais do que a emissão combinada de todos os voos internacionais e de transporte marítimo do mundo.

Uma das soluções para esses problemas seria a reciclagem, mas de todo esse material, somente 13% é reciclado ou reaproveitado para outras finalidades. A União Europeia tem dado o exemplo na redução do desperdício e melhoria do descarte. O grupo de países aprovou uma nova legislação para o setor, com leis que exigem que a indústria da moda adote um modelo de economia circular, de modo a eliminar o descarte de materiais têxteis nos aterros até 2025. Os efeitos dessa medida podem ser sentidos em toda a cadeia, até no contato direto com os consumidores: algumas marcas de grande porte, como a Adidas, já disponibilizam pontos de coleta de roupas em suas lojas.Além dos impactos negativos da produção e comercialização, existe o problema dos resíduos. O sistema produtivo que ainda domina a indústria da moda é basicamente linear: uma quantidade enorme de recursos é empregada na produção de roupas e acessórios, que serão usados poucas vezes e depois descartados em aterros ou incinerados. Com esse modelo, a taxa de desperdício no setor de confecção e vestuário varia de 15 a 20% e mais de 50% da produção em massa na moda é descartada em menos de um ano. O prejuízo associado ao descarte não é só ambiental, mas também econômico. No Reino Unido, por exemplo, o gasto anual com disposição de resíduos têxteis é de cerca de 108 milhões de dólares.

No Brasil, existe legislação parecida. É a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010. Segundo essa política, nenhum resíduo passível de ser reciclado pode ser destinado a aterros. Mas a legislação não é cumprida. A consultora em gestão socioambiental e pesquisadora de design de moda, Gabriela Marcondes, explica que a falta de políticas públicas de incentivo e de fiscalização favorece a ilegalidade. “As empresas não querem pagar pela deposição adequada de resíduos. Isso porque a prefeitura continua pegando esse resíduo e aterrando. A prefeitura não está cumprindo o papel dela, que é seguir a política nacional. Então por que a indústria de confecção vai pagar para descartar se a prefeitura está pegando de graça? Isso envolve política pública, o cumprimento da lei federal, a fiscalização”, diz ela.

Alternativas ao descarte envolvem tecnologia e criatividade

Uma medida que pode ajudar a solucionar o problema de descarte de resíduos têxteis é o upcycling(“reutilização criativa”), que propõe que os resíduos sejam utilizados na fabricação de novos produtos. O upcycling faz parte da economia circular e tem crescido no Brasil e no mundo. Mas esse tipo de reaproveitamento não se limita a reutilizar um tecido em outra roupa. É possível gerar produtos completamente novos. Suzana Barreto, professora de design de moda na Universidade Estadual de Londrina (UEL), destaca que a inovação tecnológica tem um papel chave nesse processo. “Nós começamos a usar a poliamida, material usado em roupas de ginástica e difícil de reciclar, e começamos a investir em inovação. Conseguimos desenvolver uma parceria com o Departamento de Química da UEL e dissolvemos a poliamida com resíduo de biodiesel, que é um resíduo também com muito impacto ambiental, e criamos novos materiais. Criamos um material rígido que pode ser usado na arquitetura, para móveis e design de interiores. Criamos também um material flexível, com amido. E isso gerou patentes de invenção. Só que ainda não está no mercado porque no Brasil infelizmente o processo de concessão de patentes é demorado”, explica.

Outro exemplo bem sucedido de upcycling é a Revoada, empresa que nasceu em 2013 com o nome “Vuelo” e foi pensada pela comunicadora Adriana Tubino e a estilista Itiana Pasetti. As duas decidiram empreender no campo da moda sustentável e tiveram a ideia de utilizar câmaras de pneus e nylon de guarda-chuvas descartados para produzir bolsas e mochilas. “Tínhamos a pergunta: por que colocar mais um produto no mundo, se o mundo já está cheio de excessos? Achamos na própria pergunta a resposta, que é trabalhar com os excessos”, conta Tubino. Elas descobriram na câmara de pneu e no tecido de guarda-chuvas os materiais ideais para o seu negócio. “A borracha tem um aspecto parecido com o do couro, além de ser impermeável. E o tecido de guarda-chuvas é usado como forro de nossos produtos, e por serem tecidos coloridos e com várias estampas, têm um ótimo contraste com o preto da borracha”.

A própria cadeia de produção teve de ser pensada não apenas levando em conta os aspectos ambientais de sustentabilidade, mas também as relações de trocas com fornecedores e parceiros, de modo que ela seja vantajosa para todas as partes envolvidas. Tubino e Pasetti procuraram borracharias e centros de triagem de lixo reciclável para serem fornecedores de matéria-prima e negociaram o preço do que, para eles, era um resíduo quase sem valor. “Para vocês terem uma ideia, quando começamos esse trabalho, o preço da sucata (que é para onde iriam os guarda-chuvas) era de cinco centavos o quilo. Oferecemos pagar cinquenta centavos a unidade. Isso fez com que ficasse muito atrativo para as unidades de triagem se engajarem no projeto”, explica Tubino. Os produtos também são feitos em pequenos ateliês e cooperativas de costura, gerando renda e ajudando esses grupos a crescerem. “O produto finalizado recebe uma etiqueta, contando toda a história e a cadeia produtiva deste produto e instruindo para que ele não seja descartado após seu uso e vire um resíduo novamente. Ao final da vida útil, os produtos são devolvidos à Revoada, onde parte é reaproveitada para a confecção de novos produtos, e o restante é destinado para a fabricação de subprodutos, como isolamento acústico, asfalto e para-choques de automóveis”.

Além disso, a Revoada trabalha com um sistema de produção em lotes. Um período para a realização dos pedidos é aberto, e as peças são produzidas sob demanda. O consumidor é informado sobre todo o processo de produção até receber seu produto finalizado. Esta é uma maneira de repensar o consumo e de se estabelecer uma conexão entre o produto e o consumidor, e todas as relações envolvidas nesse processo. Isso reflete uma mudança no perfil dos consumidores, que estão ficando cada vez mais atentos e demandando das empresas este tipo de comprometimento, tanto ecológico como social, no processo produtivo. “Nos novos valores da moda, os produtos devem ter linguagem estética bem demarcada, ser originais, produzir significado – para as pessoas se relacionarem com esse produto, terem uma conexão emocional –, além de ter qualidade competitiva e ser sustentável. Aquele conceito antigo do luxo já não existe mais”, explica Barreto.

Além do upcycling, é necessária a criação de empresas que coletem e organizem esses resíduos para destiná-los a outras aplicações. É o caso das empresas de coprocessamento, que utilizam resíduos têxteis como combustível nos fornos de cimenteiras. Atualmente, os fornos usados na produção de cimentos são alimentados majoritariamente por petróleo e carvão, dois combustíveis não renováveis que contribuem com impactos ambientais negativos. O uso dos resíduos têxteis é, então, uma alternativa que mantém alta capacidade de geração de calor ao mesmo tempo que economiza recursos naturais. Mas essas empresas têm um custo, como destaca Marcondes: “As empresas de coprocessamento conseguiram criar uma tecnologia que alimenta fornos com resíduos. Então essa indústria teve custos para desenvolver essa tecnologia, ela tem custos para estar dentro de uma cimenteira, ela paga aluguel. Ela não pode fazer de graça. A gente precisa de mais empresas desse tipo, mas elas só existirão quando a prefeitura não recolher mais [os resíduos], quando o aterro não receber mais. É a necessidade que vai fazer surgir essa empresa. Hoje ela não é necessária”, explica.

 

 

 

 

 

 

 

Concepção do produto como primeiro passo da mudança

Além do aproveitamento de resíduos, iniciativas que objetivam minimizar a produção de lixo têxtil têm ganhado destaque. Um exemplo é o movimento “desperdício zero” (do inglês, zero waste), em que as peças de vestuário e acessórios já são pensadas de forma a se utilizar todo o material, sem geração de resíduos. Essa mudança na concepção dos produtos é fundamental. Barreto destaca que uma moda mais sustentável envolve o uso de materiais de maior qualidade, modelos atemporais, assim como conforto e usabilidade da peça, características que aumentam sua vida útil.

É preciso analisar também o ciclo de vida do produto, desde a extração da matéria-prima, o transporte, a produção e o comportamento durante o uso, até o que vai acontecer com esse material na hora do descarte. No caso icônico do jeans, por exemplo, o tipo de fibra é basicamente algodão, muitas vezes visto como natural e sustentável. Mas o plantio de algodão utiliza muitos pesticidas e fertilizantes e o processo de tingimento e processamento do tecido requer muita água. “O pior do jeans é o processo de beneficiamento dele, as lavagens, que são as lavanderias que fazem. Porque o jeans sai do processo de tecelagem como um papelão mesmo, um tecido duro, super-resistente. Depois ele é mandado para as lavanderias para fazer todo o processo de lavagem, de desgaste, desbotamento. Tudo isso é feito com muita água, produtos químicos, ácidos. Só que eu acho muito difícil que se deixe de usar o jeans. A vantagem é que o jeans é uma peça extremamente durável, tem o ciclo de vida longo”, afirma Barreto.

Os problemas dessa produção podem ser amenizados com materiais mais sustentáveis. Na busca por esses materiais, a empresa Levi Strauss, famosa produtora de calças jeans, fez uma parceria com a startup Evernu para criar uma nova fibra de qualidade a partir da dissolução química de roupas usadas. A Levi tem utilizado ainda o Econyl, material sintético feito de resíduos de nylon derivados de redes de pesca descartadas. O Econyl foi desenvolvido pela Aquafil, empresa italiana fabricante de nylon. A legislação ambiental também tem um papel importante nessa história e, com isso, as lavanderias estão procurando localidades onde as leis ambientais não sejam tão restritivas quanto ao uso da água e ao descarte de corantes como o índigo. “Em vários estados do Brasil, a legislação tem sido efetiva. As lavanderias de São Paulo estão mudando para o Paraná por causa das leis ambientais, que são muito rígidas. A Itália também não tem tantas lavanderias de jeans. As peças são lavadas em países periféricos”, diz Barreto, ao evidenciar que muitas vezes o prejuízo ambiental fica a cargo de lugares menos desenvolvidos economicamente.

Pesquisas favorecem a redistribuição de material

Além das pesquisas na área de reaproveitamento dos resíduos, é preciso levantar dados sobre materiais e formas de descarte mais sustentáveis. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (ABIT), o Brasil é a última cadeia têxtil completa do ocidente, incluindo desde a produção das fibras até a comercialização em varejo e desfiles. Apesar disso, Marcondes ressalta que não há um mapeamento adequado no país sobre onde os resíduos da moda são produzidos, quais são os tipos e quem pode processar. Pensando nisso, ela e a pesquisadora em moda Geanneti Salomon criaram a Ecomaterioteca, que visa disponibilizar todos os ecomateriais disponíveis na indústria têxtil e na indústria química nacional para que jovens estilistas, designers e a própria indústria de confecção possam ter acesso. Mais do que um catálogo de materiais ecológicos, a Ecomaterioteca inclui um sistema de classificação das empresas que os utilizam e incentiva essas empresas a informarem sobre as práticas sustentáveis que adotam. Isso agrega valor ao produto e favorece a rastreabilidade dos materiais e atores envolvidos em uma cadeia produtiva voltada para a sustentabilidade.

Ecomaterioteca e suas idealizadoras, Gabriela Marcondes e Geanneti Salomon, no canto superior esquerdo. Imagem: Gabriela Marcondes

A redistribuição de resíduos também tem muito a ganhar com os chamados mercados de resíduos. Afinal, o que é resíduo para um pode ser material para o outro. O grupo da pesquisadora Suzana Barreto está montando um banco de resíduos têxteis para Londrina e região, no norte do Paraná. Eles foram inspirados pelo Banco de Vestuário de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que está em funcionamento há mais de 10 anos e é uma parceria de sucesso entre universidade, prefeitura e empresas. Um projeto semelhante, o Retalho Fashion, tem sido desenvolvido em São Paulo, na região do Bom Retiro.

Relação com as condições sociais

Além da parte tecnológica e ambiental da produção, a moda sustentável valoriza as pessoas envolvidas e o consumo consciente. Por isso, além de matérias-primas menos poluentes, essa nova vertente da indústria da moda tem se preocupado com uma produção mais humanizada, com remuneração e jornadas de trabalho justas, se opondo aos empregos sazonais e informais que mantêm o baixo custo da produção no fast fashion.

O espaço da sustentabilidade no mercado tem crescido com o trabalho de ateliês, cooperativas e oficinas de pequeno porte, muitas vezes situadas em comunidades carentes. Com isso, a moda sustentável tem agregado também conceitos da economia solidária, contribuindo para o desenvolvimento de localidades tradicionalmente excluídas pelo processo hegemônico de produção.

Outra contribuição importante é o resgate da identidade cultural de grupos artesanais, cujos saberes e práticas têm sido reconhecidos e incorporados nessa nova forma de se pensar e produzir moda. Só é preciso cuidado para que a valorização não seja convertida em exploração, como foi o caso da Dior, acusada de apropriação cultural pela comunidade romena Bihor. Em 2017, a pré-coleção de outono da Dior tinha um design muito semelhante ao vestuário tradicional de Bihor e, embora as peças tenham sido vendidas por valores em torno de 25.000 libras, nenhum crédito ou compensação financeira foi dada à comunidade romena.

É importante lembrar também que não basta ser sustentável, é preciso que seja economicamente acessível. Hoje em dia, os esforços para encontrar medidas e tecnologias que reduzam os danos à natureza durante a produção e transporte, associado ao status de ecologicamente correta, acabam tornando a moda sustentável mais cara do que a convencional. Somente com a ampliação da acessibilidade tecnológica e com revisão do valor agregado pelo status que os benefícios que a tecnologia traz para o mundo da moda, haverá utilização em larga escala e contribuição para a real conservação do meio ambiente.

Fonte: ComCiência

Embrapa leva para o ESALQSHOW tecnologias de três unidades de SP

Tecnologias de diversas linhas de pesquisa, entre elas sustentabilidade do meio ambiente, tecnologias da informação e comunicação (TICs), nanotecnologia e agricultura de precisão, desenvolvidas por três unidades da Embrapa localizadas no estado de São Paulo serão apresentadas na 2ª. edição do ESALQSHOW. O Fórum de Inovação para o Agronegócio Sustentável ocorre entre 9 e 11 de outubro, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

Além de soluções tecnológicas, a Embrapa participará de debates no evento, que reúne entidades de ensino e pesquisa, estudantes, lideranças do setor do agronegócio, executivos de empresas, investidores e aceleradoras, que possam apoiar o desenvolvimento de startups no setor agropecuário. O fórum tem a proposta inovadora de conectar a academia com o setor produtivo.

O diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares, integra o “Encontro de Lideranças em Agricultura”, que vai discutir o tema central do ESALQSHOW “O futuro da agricultura tropical para a sociedade”. O debate será no dia 9, às 14 horas, no Salão Nobre, Edifício Central.

Tecnologias visam à sustentabilidade do meio ambiente

Uma tecnologia inovadora que será demonstrada pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) é a RenovaCalc – ferramenta base para a determinação da Intensidade de Carbono de Biocombustíveis utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para a contabilidade da intensidade de carbono de biocombustíveis, com ênfase na categoria de impacto de Mudanças Climáticas, aplicável ao etanol, biodiesel, bioquerosene e biometano.

A calculadora mensura as emissões de Gases de Efeito Estufa do ciclo de vida dos biocombustíveis, gerando um índice de desempenho em g CO2eq/MJ de biocombustível. Logo, aqueles que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono terão acesso a maior volume de créditos de descarbonização, os CBIOs. A ACV tem sido utilizada por organizações para avaliarem a performance de seus produtos e o atendimento à atual demanda do mercado em termos de sustentabilidade, orientando os gestores nas tomadas de decisão.

Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, com o apoio da Rede ILPF, do Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC), o aplicativo AgroTag foi projetado para a coleta de dados e informações das propriedades que, uma vez processadas na base de operações, retornam aos diversos atores da cadeia produtiva ou interessados em agricultura de baixo carbono em forma de informações estratégicas diretamente nos celulares ou tablets. Foi concebido inicialmente para apoiar a Rede ILPF no monitoramento da adoção e da qualificação de sistemas Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF) no País, e, a partir de então, servir como uma ferramenta de apoio ao monitoramento da adoção da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

A Embrapa desenvolveu métodos para auxiliar a avaliação de impactos em várias dimensões da sustentabilidade relacionadas ao trabalho no ambiente rural. Dois deles, o Ambitec-Agro e o APOIA-NovoRural também serão apresentados no ESALQSHOW. Estes métodos compreendem procedimentos para a previsão, a análise e a mitigação dos efeitos ambientais de projetos, planos e políticas de desenvolvimento que impliquem em alteração da qualidade ambiental.

O Ambitec-Agro consiste de um conjunto de matrizes multi-critério que integram indicadores do desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais em determinado empreendimento. Os dados obtidos no campo e junto ao administrador do empreendimento são aplicados em matrizes de ponderação, nas quais são automaticamente transformados em índices de impacto e representados graficamente.

Os resultados permitem averiguar quais práticas de manejo produzem maior impacto no desempenho das atividades testadas. O objetivo do sistema é prover uma avaliação simples e de baixo custo dos impactos socioambientais de inovações tecnológicas e atividades rurais, introduzidas em determinado sistema de produção.

Já o Sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-NovoRural) tem como foco avaliar o desempenho socioambiental de estabelecimentos rurais de acordo com determinados padrões de qualidade. Ele permite uma avaliação objetiva de qualidade ambiental e sustentabilidade das práticas de manejo em estabelecimentos rurais.

O sistema compõe-se de um conjunto 62 indicadores, obtidos em levantamentos de campo realizados com instrumentação analítica e dados gerenciais registrados por meio de diálogos com o produtor rural ou responsável pelo estabelecimento. Estão organizados em abordagem multi atributo, agrupados em cinco dimensões de sustentabilidade:  Ecologia da paisagem, Qualidade Ambiental, Valores Econômicos, Valores socioculturais e Gestão e Administração. Os indicadores são verificados com instrumental analítico e dados técnicos dos estabelecimentos rurais, para compor relatórios de gestão ambiental.

Cooperação resulta em tecnologias pioneiras

Alinhada com a concepção do evento, a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) abre espaço para empresas vinculadas a seus projetos, como a startup Agrorobótica, cuja cooperação resultou no AGLIBS para análise de solos, e a Produquímica, com o fertilizante MicroActive.

Agritechs com pesquisas em desenvolvimento na área de nanotecnologia, pós-colheita e agricultura de precisão, além de outras empresas do setor produtivo vinculadas ao Centro de Pesquisa também estarão presentes no estande da Embrapa, no Espaço Inovar Esalq & Cia, que traz como tema central o “Futuro da agricultura tropical para a sociedade”.

O AGLIBS é um equipamento com tecnologia de última geração para a análise de solos de forma rápida, limpa e economicamente acessível ao produtor rural. Usa laser e inteligência artificial para a análise de solos em larga escala, não gera resíduos químicos e é capaz de analisar 1.500 amostra por dia, fornecendo dados de quantidade de carbono orgânico do solo, textura (teores de areia, silte e argila), além de pH. A tecnologia está sendo empregada de forma pioneira no Brasil e permite a avaliação em tempo real, em laboratório, enquanto que as análises convencionais demoram alguns dias para fornecer os resultados.

O MicroActive é um exemplo bem-sucedido de inovação aberta que envolveu a empresa do setor produtivo Produímica/Compass Minerals. A parceria resultou numa película formada por micronutrientes em grande concentração, que recobre de forma homogênea grânulos dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK. Com isso, o agricultor terá um produto completo para aplicar na lavoura com nutrientes balanceados e potencial de aumentar a produtividade e reduzir aplicações de fertilizantes.

Desenvolvido no âmbito da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, o MicroActive tem a função de recobrir a superfície do grão, que vai ser usado para levar o outro fertilizante. Entre as vantagens da tecnologia estão a redução no número de aplicações de fertilizantes, impactando diretamente nos custos da produção agrícola, além de ter o potencial de fornecer as condições ideais de nutrição para as plantas; a formulação pode aumentar a produtividade, porque o fornecimento de macro e micronutrientes de modo simultâneo permite às plantas produzirem próximo ao seu potencial genético.

As duas tecnologias – AGLIBS e MicroActive – lançadas recentemente, já estão disponíveis no mercado, em formatos diferenciados, conforme a linha mercadológica de cada empresa.

Tecnologias da informação e comunicação (TIC) aplicadas à agropecuária

A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) vai levar ao ESALQSHOW 2018 soluções em tecnologia da informação e comunicação (TIC) aplicada à agropecuária. Também serão divulgadas iniciativas voltadas ao fomento à inovação, como o ambiente SitIoT, junção da palavra sítio e da sigla IoT (internet das coisas), dedicado a empresas e startups parceiras interessadas em testar em campo suas tecnologias, sejam sensores, equipamentos e software.

Serão demonstradas tecnologias como o aplicativo móvel Roda da Reprodução, desenvolvido para facilitar a gestão do rebanho leiteiro que acaba de ganhar uma nova versão. Por meio do aplicativo o produtor tem acesso a vários recursos que permitem acompanhar o ciclo de reprodução dos animais, desde o momento da cobertura ou inseminação artificial da novilha até o parto, e ajudam a planejar melhor o manejo do rebanho. A nova versão do aplicativo, lançada no último dia 4, conta ainda com uma nova ferramenta (Roda do Crescimento) que possibilita ao produtor gerenciar os animais de recria, indicando se as bezerras e as novilhas estão abaixo ou acima do peso ideal desde o dia do nascimento até chegar à fase reprodutiva.

O sistema WebAmbiente e as plataformas online SATVeg e WebAgritec também serão apresentados no evento. O WebAmbiente foi criado para auxiliar na tomada de decisão no processo de adequação ambiental da paisagem rural. Ele oferece estratégias para recomposição da vegetação nas propriedades rurais e contempla o maior banco de dados produzido no Brasil sobre espécies nativas, englobando todos os biomas brasileiros.

Outra tecnologia é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação) que permite a observação de séries temporais de índices de vegetação por meio de imagens de satélite, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental em todo o território brasileiro. A partir dele é possível observar a frequência com que as áreas agrícolas do País sofrem alterações e acompanhar o ciclo de uma cultura agrícola e sua intensificação.

Já o Webagritec é voltado principalmente para apoiar extensionistas e agentes de desenvolvimento rural no trabalho de orientação técnica junto aos agricultores. A ferramenta engloba as culturas de soja, milho, arroz, feijão e trigo e conta com oito módulos com informações para o planejamento e condução dos cultivos. Traz, por exemplo, informações sobre o zoneamento agrícola, cultivares mais adequadas, recomendações de adubação, previsão do tempo, monitoramento da produtividade e diagnóstico de doenças. A tecnologia já vem sendo utilizada pelas empresas de assistência técnica e extensão rural dos estados de Goiás e Minas Gerais.

Palestras

Os pesquisadores Lineu Neiva Rodrigues da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) e Eduardo Assad da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) participarão como palestrantes no Agtech Valley Summit, respectivamente, nos dias 10 e 11 de outubro pela manhã. Rodrigues falará no painel temático “Gestão de Sistemas Integrados em Agricultura” sobre o Uso de Água em Agricultura: situação atual e perspectivas e Assad participará do painel “Agricultura Tropical e a Sociedade do Futuro” no assunto Cenários de Mudanças Climáticas e o Futuro da Agricultura.

ESALQSHOW

Com os objetivos de propor, revelar e debater tendências de inovação e tecnologia do setor agropecuário, além de promover o empreendedorismo por meio de parcerias, buscando intensificar colaborações entre a universidade e a sociedade, o evento pretende melhorar a integração entre a universidade e os demais setores do agronegócio, além de dar maior visibilidade às iniciativas acadêmicas para o mercado nacional e internacional, gerando novas oportunidades.

É um fórum dedicado a estimular inovações e empreendedorismo na agricultura, frente a produtos, serviços, últimas tendências do mercado, futuros desafios e novas ideias. Os eventos são realizados pela Esalq/USP e contam com a colaboração e presença de profissionais de diferentes setores, de acadêmicos e pesquisadores consagrados, líderes de empresas renomadas e de startups, e estudantes, vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior.

Compondo o fórum haverá quatro eventos simultâneos: o Encontro de Lideranças na Agricultura, com o tema “Futuro da Agricultura Tropical Para a Sociedade”; o Agtech Valley Summit (palestras, debates e mesas-redondas); Espaço Inovar Esalq & Cia (espaço dinâmico para discutir problemas, soluções e tendências, estimulando o networking e promovendo novas ideias, tecnologias, produtos e serviços) e a Vitrine Esalq (exposição e demonstração de projetos e serviços).

Em 2017, quando ocorreu pela primeira vez, o evento teve um público estimado em 3 mil pessoas, com 67 expositores, 55 palestrantes e 51 projetos apresentados em 14 vitrines.

Fonte: Grupo Cultivar

Agricultura brasileira e redução dos gases de efeito estufa

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de ações humanas têm aumentado desde o início da Era Industrial e chegamos a um ponto em que é possível constatar o maior volume de concentrações de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano dos últimos 800 mil anos na atmosfera. Esse impacto contribui decisivamente para a mudança do clima.

Em período um pouco mais recente, nos últimos 50 anos, a demanda global por alimentos aproximadamente triplicou. O rápido crescimento ocorreu devido ao aumento da população mundial — que dobrou no período —, ao aumento do consumo per capita e à elevação do padrão de vida.

A agricultura alimenta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas também é causa de impactos ambientais. Ela é responsável por 25% a 33% de todas as emissões de gases de efeito estufa; essa é uma atividade que ocupa grande parte da superfície de terra do planeta, usa defensivos agrícolas e fertilizantes nitrogenados, muitas vezes de forma irresponsável. O uso de práticas inadequadas contribui para o desmatamento — que, por sua vez, resulta em perda de biodiversidade — e para a eutrofização e acidificação de corpos d’água.

Diante desse conjunto de dados, é imperativo desenvolver uma agricultura mais consciente e sustentável, e o Brasil é um grande player do cenário mundial, sendo observado com atenção por quem importa alimentos. De acordo com a FAO, nosso país alcançará a maior produção agrícola da próxima década e será o maior exportador de alimentos e fibras do planeta.

Em 2009, na COP15, realizada em Copenhagen, Dinamarca, o governo brasileiro assumiu compromisso voluntário junto à Convenção de Mudança do Clima. Nesse compromisso, está prevista a redução, até 2020, de entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa. E, para alcançar essa meta, foram criados os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

De modo a fortalecer ainda mais o compromisso global no enfrentamento da mudança do clima, durante a COP21, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, no qual o Brasil apresentou sua proposta de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Por ela, buscaremos a redução das emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis registrados em 2005, até 2025, alcançando 43% em 2030. O Brasil se comprometeu, entre outras medidas, a aumentar a área com adoção de agricultura de baixo carbono no país.

Nesse âmbito, há uma revolução acontecendo na agricultura brasileira. A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) se consolidou como a principal tecnologia para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de uma estratégia que visa a produção sustentável, integrando atividades agrícolas, florestais e pecuárias realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotativo, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os sistemas integrados são capazes de promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa devido à menor necessidade de uso de fertilizante nitrogenado e pela oferta de pasto de melhor qualidade ao animal, que melhora a digestibilidade e reduz as emissões de metano. A tecnologia ainda aumenta o estoque de carbono e nitrogênio no solo e na biomassa acima do solo.

O Brasil tem feito o dever de casa. As pesquisas sobre sistemas integrados começaram na Embrapa na década de 1980. Na década passada, 2010, esses sistemas eram adotados em algo como 4 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 600 pesquisadores envolvidos e mais de 14 milhões de hectares com algum tipo de ILPF. Ainda existem entre 50 e 60 milhões de hectares com solos degradados e disponíveis para avançarmos.

Há muito a fazer, mas a experiência atual mostra que a participação da agricultura brasileira não está apenas em produzir alimentos, mas também em contribuir com um planeta mais sustentável.

Fonte: Portal DBO

O que o agronegócio quer do novo presidente

Setor aponta dez pontos prioritários para um avanço de produção e de participação brasileira no mercado externo

Ao contrário de anos anteriores, o agronegócio reuniu as principais entidades do setor e está apresentando um estudo conjunto para os presidenciáveis nesta eleição de 2018.

O chamado Conselho do Agro, que tem 18 entidades associadas, elencou dez dos principias problemas que devem ser resolvidos para que o país realmente passe a exercer um papel preponderante na produção de alimentos e de energia nas próximas décadas.

As sugestões desse estudo vêm da cadeia agrícola, além de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio.

Na avaliação dos analistas dessas entidades, avançam as práticas protecionistas internacionais, mas o mundo vai exigir do Brasil um aumento substancial de alimentos.

Eles deixam claro que as propostas do setor não são um rosário de queixas, mas um mapa para o futuro.

Macroeocnomia O estudo indica que é importante um aprimoramento do ambiente de negócios e da política agrícola. Reduzir gastos, dar continuidade às reformas, modernizar o sistema tributário e eliminar tributos incidentes sobre as exportações e investimentos no agronegócio.

Política agrícola Deve agilizar o fortalecimento e fomento dos programas de gestão de risco da atividade. Ter diretrizes de médio e de longo prazos. Entre essas políticas, o setor destaca a modernização do financiamento e a melhora nos programas de garantia de renda aos produtores.

Mercado externo Posicionar o agronegócio como um ativo do Brasil nas relações comerciais com o mundo. São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, Estados Unidos e Aliança do Pacífico. É preciso ainda, segundo o estudo, a busca de uma diferenciação dos produtos e imagem da agropecuária brasileira no exterior.

Sustentabilidade Entre as propostas no setor estão a de adequar a regra do licenciamento à atividade agropecuária, a de ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e a de regulamentar o uso dos biomas.

Segurança jurídica É de importância fundamental para o fortalecimento do agronegócio, segundo o estudo. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

Tecnologia e inovação São fatores fundamentais para a concretização dos aumentos da produção, do consumo e da exportação. Segundo os analistas do conselho, é preciso superar as barreiras que impedem a conectividade de alta qualidade em todo o país.

Logística A lista de reivindicações é longa e passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos diversos setores de transporte e de armazenagem.

Defesa agropecuária Na avaliação das entidades, o ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio. É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Educação e assistência São ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios. Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar programas de qualificação profissional.

Agroenergia No setor de biocombustível, regulamentar o Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis), realizar reforma tributária no setor de etanol e promover crescimento gradual da mistura de biodiesel. Além disso, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia.

Embrapa A indicação do novo presidente da entidade que, apesar de não estar oficialmente anunciada, pende para Sebastião Barbosa. Essa indicação trouxe novas discussões sobre a empresa nesta quarta-feira (19).

Propostas Pedro Camargo Neto, pecuarista e ex-secretário de política agrícola no governo de Fernando Henrique Cardoso, diz que, além de currículo, os candidatos devem apresentar propostas. “É preciso sabermos para onde queremos levar a Embrapa nos próximos anos”, diz.

Fonte: Folha de S.Paulo

Seminário Frotas & Fretes Verdes enfoca sustentabilidade no transporte de cargas e de passageiros

Em sua sétima edição, o Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes, realizado pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia (Ibesc) e do qual a APROBIO é conselheira, retoma a proposta de apresentar e discutir técnicas que aumentem a eficiência energética no uso de combustíveis, materiais e boas práticas para o transporte de cargas e de passageiros.

O evento será nos dias 7 e 8 de novembro, no Hotel Meliá – São Paulo, e seu objetivo é compartilhar experiências que aumentem a competitividade das empresas que contribuem para a economicidade, sustentabilidade e eficiência energética no transporte de cargas e de passageiros.

“Transportar mais, gastando menos” é o lema do seminário e será desdobrado em cerca de 20 palestras, com a participação de especialistas, empresários, dirigentes de instituições representativas do setor de transportes e autoridades no assunto. O presidente de honra do evento é Christopher Podgorski, presidente da Scania Latin America.

Os temas a serem abordados incluem “Inovação disruptiva”, “Agro Brasil e a influência da logística no agronegócio”, “Eficiência energética no transporte: Brasil x mundo”, “Tecnologias para otimização da logística”, “O perfil do profissional de logística na era da transformação digital”, “Boas práticas para emissão de CO2”, “Mobilidade Corporativa”, “Benefícios da multimodalidade nos meios de transporte”, “Preparação para o futuro sem combustível fóssil”, entre outros.

O Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes se propõe a discutir e propor formas sustentáveis para lidar com o cenário do transporte brasileiro. A preocupação com o meio ambiente é um problema tratado com seriedade e prioridade durante os dois dias de palestras, provocando reflexões e compartilhando boas práticas que contribuam para que se consiga “transportar mais com menos”, recorrendo à eficiência energética e a alternativas logísticas.

O evento também terá uma publicação com artigos e estudos de diversos setores envolvidos no seminário. Um dos textos é de autoria do presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, sobre o cenário do biodiesel brasileiro e as perspectivas diante da aplicação do RenovaBio, política nacional para os biocombustíveis.

Troféu Frotas & Fretes Verdes – O seminário só acontece em novembro, mas está aberta a votação para escolha dos vencedores do Troféu Frotas & Fretes Verdes 2018. Serão premiados os destaques nas categorias: Empresa com sustentabilidade em processo ou produto, Executivo Destaque, Pesquisador individual, e Influenciador para mobilidade sustentável. Os vencedores da premiação serão conhecidos na solenidade de abertura do seminário, no dia 7 de novembro.

O VII Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes é uma realização do Instituto Besc de Humanidades e Economia. Com sede em Belo Horizonte, a instituição tem a missão de colaborar com a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil e com as políticas de investimento público-privado que se destinam ao crescimento e inserção de todas as regiões brasileiras no universo global do conhecimento, do saber e do bem-estar social.

 

Serviço

Evento: Frotas & Fretes Verdes 2018 – Eficiência energética no transporte de cargas e de passageiros. Transportar mais gastando menos.

Data: 7 e 8 de novembro

Local: Hotel Meliá Paulista – São Paulo

Inscrições: www.frotas.institutobesc.org/2018

Elevação das concentrações de carbono na atmosfera ameaça a nutrição humana

A emissão de CO2 está alterando não apenas o clima global, mas também a composição nutricional de plantas que fazem parte da base alimentar de bilhões de pessoas no mundo, alerta estudo publicado nesta segunda-feira na revista “Nature Climate Change”. Cálculos estimam que o empobrecimento de culturas como arroz e trigo pode, por exemplo, provocar deficiência de zinco em 175 milhões de pessoas e de proteínas em 122 milhões, até 2050. A pesquisa aponta ainda que mais de 1 bilhão de mulheres e crianças podem perder grande parte das fontes de ferro, aumentando o risco de anemia e outras doenças.

— Nossa pesquisa deixa claro que decisões que tomamos diariamente; em como aquecemos nossas casas, o que comemos, como nos transportamos e o que compramos; estão tornando nossos alimentos menos nutritivos, colocando em risco outras populações e as gerações futuras — alertou Samuel Myers, pesquisador da Universidade de Harvard e autor principal do estudo.

Hoje, mais de 2 bilhões de pessoas têm deficiência em um ou mais nutrientes. Em geral, as plantas respondem pela maior parte dos nutrientes-chave para os humanos: 63% das necessidades de proteínas; 81%, de ferro; e 68%, de zinco. Pesquisas demonstram que concentrações maiores de CO2 resultam em plantas menos nutritivas. Em ambientes com concentrações do gás em 550 partes por milhão (ppm), as perdas de proteínas, zinco e ferro variam entre 3% e 17%, em comparação com níveis em torno de 400 ppm, como os atuais.

Com essas informações, Myers e seus colegas analisaram o peso dessas perdas para a saúde humana em 151 países, com informações de bancos de dados detalhados sobre os padrões alimentares por idade e sexo, com 225 alimentos diferentes.

Fonte: O Globo

Revista científica publica estudo sobre benefícios do biodiesel para a saúde pública

A revista científica que tem como temática estudos sobre a poluição do ar em megacidades (Megacity Air Pollution Studies), artigo que tem como base pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em julho de 2015, com apoio da APROBIO. O estudo mostra que um maior uso de biodiesel em substituição ao diesel fóssil pode contribuir com a redução de mortes e internações hospitalares provocadas por doenças relacionadas à poluição do ar.

O paper “Avaliação dos impactos na saúde e sua valoração devido à implementação progressiva do componente biodiesel na mistura da matriz energética de transportes” é de autoria dos pesquisadores Evangelina Vormittag e Cristina Guimarães Rodrigues, do Instituto Saúde e Sustentabilidade; e Paulo Afonso de André e Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP).

 

De acordo com o estudo, o uso da mistura de 20% de biodiesel ao combustível vendido nas bombas poderia evitar até 13 mil mortes, quando se estuda o período entre 2015, ano em que a pesquisa foi realizada e quando o Brasil adotava o B5, e 2025. Os benefícios ambientais do B20, com a redução da poluição, se estendem à economia de despesas hospitalares, já que 28 mil internações por doenças respiratórias deixariam de ocorrer no período.

Para os autores do artigo, esses resultados “indicam a importância desse estudo em orientar decisões governamentais, levando-se em conta o quanto essas medidas no nível local podem gerar significativos benefícios para a população exposta à poluição do ar”.

Clique AQUI para acessar o relatório da pesquisa

‘Mudança climática é ameaça à biodiversidade’, diz botânico

Quando se fala em aventureiros e exploradores, os nomes que vêm à mente são quase todos do século 19. Eram intrépidos europeus que enfrentavam florestas tropicais, exploraram regiões polares, lançaram-se aos mistérios do Oriente. O britânico Ghillean Prance, de 81 anos, considerado um dos maiores botânicos e ecologistas do mundo, é um desbravador do século 21.

Especialista em Floresta Amazônica, local que visita desde 1964, Prance voltou mais uma vez à mata, na semana passada. Em mais de 50 anos de Amazônia, experimentou de tudo. Viveu em 16 diferentes tribos indígenas, teve malária, estudou a biodiversidade amazônica, sofreu um desastre de avião na selva, testemunhou a destruição da mata. E carrega consigo uma certeza: as populações nativas são as mais bem preparadas para preservar, de forma sustentável, o meio ambiente.

Para ele, as mudanças climáticas “estão impactando a biodiversidade mais do que qualquer outra coisa” e é preciso reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Não estamos falando só da destruição da floresta, mas do consumo de gasolina nos Estados Unidos e na China”, afirmou Prance, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Para acessar a íntegra da entrevista, clique AQUI

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