As fontes renováveis atingiram um terço da capacidade global de energia em 2018, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“A idade da pedra não acabou por falta de pedras”

“Devemos deixar o petróleo antes que ele nos deixe”
Faith Birol (Economista chefe da IEA)

capacidade de geração de energia renovável e transição energética

No dia 22 de abril se comemora o Dia da Terra. O documentário da BBC (Climate Change – The Facts) mostra que o crescimento das atividades antrópicas, impulsionadas pelo uso generalizado de combustíveis fósseis, está gerando um aquecimento global sem precedentes no Holoceno (últimos 12 mil anos), com consequências catastróficas para a vida no Planeta. No vídeo, o grande ambientalista, Sir David Attenborough, entrevista alguns dos principais cientistas climáticos do mundo e aponta possíveis soluções para essa ameaça global. Uma das soluções imprescindíveis é a mudança da matriz energética global.

Uma boa notícia é que as fontes renováveis de energia responderam por cerca de um terço de toda a capacidade de energia global em 2018, segundo relatório divulgado no início de abril de 2019 pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). As renováveis foram responsáveis por 63% da capacidade líquida instalada em 2018.

A IRENA mostrou que foram adicionados 171 GW de nova capacidade de energia renovável em 2018, um aumento anual de 7,9%. Este aumento foi impulsionado principalmente pelas novas adições de capacidade eólica e solar. Isso eleva a capacidade total de geração de energia renovável para um total de 2.351 GW no final de 2018, representando cerca de um terço da capacidade instalada total de eletricidade do mundo.

Como mostra o gráfico abaixo, a energia hidrelétrica continua sendo a maior fonte de energia renovável baseada na capacidade instalada, com 1.172 GW, seguida pela energia eólica com 564 GW e energia solar com 480 GW. O grande destaque da nova capacidade instalada em 2018 foi da energia solar, com acréscimo de impressionantes 94 GW. A energia eólica adicionou cerca de 50GW, a hidrelétrica adicionou 20 GW e a bioenergia e a geotérmica com acréscimos modestos.

energia hidrelétrica continua sendo a maior fonte de energia renovável baseada na capacidade instalada

A IRENA também mostrou que houve crescimento de energia renovável em todas as regiões do mundo, embora em níveis variados. A Ásia respondeu por 61% da nova capacidade em 2018 (ligeiramente abaixo do ano passado) e resultou em 1,024 Terawatt de capacidade renovável (44% do total global). Ásia e Oceania também foram as regiões de maior crescimento, com expansão de 11,4% e 17,7%, respectivamente. A Europa cresceu no mesmo período do ano passado (+24 GW ou variação de 4,6%, ficando com 23% da participação global). A expansão na América do Norte se recuperou ligeiramente, com um aumento de 19 GW (mais 5,4%) e participação global de 16%. A África acrescentou 3,6 GW (mais 8,4%), mas com participação de somente 2% na capacidade global. A América do Sul aumentou 9,4 GW (mais 4,7%), representando 9% da capacidade global.

capacidade de geração renovável em nível regional

O crescimento das energias renováveis (especialmente solar e eólica) é, indubitavelmente, uma boa notícia, tanto no sentido de cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris (de 2015), quanto as metas do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os países que aproveitam ao máximo o potencial de renováveis se apropriam de uma série de benefícios socioeconômicos, além de descarbonizar suas economias.

Além disto, as energias renováveis são a alternativa diante da iminência do Pico do Petróleo. Artigo do site The Beam, mostra que, sem novos investimentos, a produção global de petróleo – todas as fontes não convencionais – cairá em 50% até 2025, conforme a figura abaixo. A produção anual global de petróleo pode diminuir em aproximadamente seis milhões de barris por dia a partir de 2020. Alguns países produtores de combustíveis fósseis (e não somente a Venezuela) já convivem com a queda da produção.

sem novos investimentos, a produção global de petróleo - todas as fontes não convencionais - cairá em 50% até 2025

Desta forma, mesmo diante do avanço da produção de energia renovável, os desafios são cada vez mais urgentes. O ritmo da transição energética tem se mostrado lento diante da gravidade dos desafios ecológicos e da inevitabilidade do Pico de Hubbert. Como a população e a economia mundial continuam crescendo em volume, aumentam, em consequência, a extração de recursos do meio ambiente, elevam as emissões de gases de efeito estufa (GEE), acelerando o aquecimento global, o que aumenta a Pegada Ecológica do Planeta e reduz a biocapacidade e a biodiversidade (ver o vídeo da BBC: Climate Change – The Facts).

Artigo de Nafeez Ahmed (Motherboard, 27/08/2018) mostra que os cientistas alertam a ONU sobre a possibilidade do fim iminente do capitalismo, pois um abandono dos combustíveis fósseis, necessário para deter as mudanças climáticas, significa que a economia mundial fundamentalmente precisará mudar. O capitalismo emissor de CO2, como o conhecemos, acabou e não oferece respostas para os desafios do século XXI.

Assim, o processo de transição energética e o fim do uso dos combustíveis fósseis, a despeito dos avanços, pode chegar tarde e não ser suficiente para evitar um colapso ambiental. Se o Planeta se transformar em uma estufa e ficar inabitável, não haverá mais Dia da Terra, pois o colapso ecológico será também um colapso civilizacional. Será o verdadeiro fim da história humana e os únicos culpados serão os próprios seres humanos.

Fonte: EcoDebate

O caminho para um sistema energético 100% renovável até 2050

Novo estudo aponta que uma transição energética para 100% de fontes renováveis não é apenas possível, como também é desejável do ponto de vista econômico
“Os resultados do estudo mostram que todos os países podem e devem aumentar suas metas atuais dentro do Acordo de Paris
Para viabilizar o principal objetivo de longo prazo do Acordo de Paris, que é a contenção do aquecimento global em 1,5 grau Celsius até o final deste século acima dos níveis pré-industriais, o setor energético precisa fazer a transição para um sistema baseado em 100% de fontes renováveis. De acordo com um novo estudo, essa transição energética traz consigo oportunidades econômicas importantes para o setor, que devem motivar os esforços e direcionar os investimentos de maneira custo-eficientes nas próximas décadas.
Realizado pela universidade finlandesa LUT e pela rede de cientistas e parlamentares Energy Watch Group, o estudo Global Energy System based on 100% Renewable Energy faz uma modelagem científica que simula uma transição energética total nos setores elétrico, de aquecimento, transportes e dessalinização até 2050. Isso é realizado a partir de uma combinação ótima de tecnologias baseadas em fontes renováveis de energia, que ajuda a determinar o caminho de transição energética mais eficaz em termos de custos para fornecimento global de energia. O cenário global de transição energética é realizado em períodos de cinco anos, de 2015 a 2050. Os resultados são agregados em nove grandes regiões do mundo: Europa, Eurásia, Oriente Médio e Norte da África, África Subsaariana, Sul da Ásia, Nordeste da Ásia, Sudeste Asiático, América do Norte e América do Sul.
A partir de dados coletados e analisados ao longo de quase cinco anos de trabalho, a pesquisa aponta que a transição para 100% de energia renovável é economicamente competitiva com o atual sistema fóssil e nuclear, e poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa da geração de energia para zero antes mesmo de 2050. “O relatório confirma que uma transição para 100% de energias renováveis é possível em todos os setores, e não é mais caro do que o atual sistema de energia”, disse Hans-Josef Fell, ex-membro do Parlamento Europeu e presidente do Energy Watch Group. “Isso mostra que o mundo inteiro pode e deve fazer a transição para um sistema energético de emissão zero. É por isso que todas as forças políticas ao redor do planeta devem fazer mais para proteger nosso clima”. Graças ao modelo desenvolvido e à base de dados extensa existente, é possível agora desenvolver mapas nacionais para a transição para 100% renováveis, montado precisamente para o contexto individual de cada país, acrescenta Fell.
“Os resultados do estudo mostram que todos os países podem e devem aumentar suas metas atuais dentro do Acordo de Paris”, aponta Christian Breyer, professor de economia solar na Universidade LUT. “Uma transição para 100% de energia renovável e limpa é bastante realista – mesmo hoje, com as tecnologias que temos a nossa disposição”.
O estudo conclui com recomendações políticas para uma rápida integração de tecnologias de energia renovável e emissões zero. Entre as medidas mais importantes sugeridas, estão a promoção de investimentos privados (idealmente incentivados com tarifas fixas), isenções fiscais e benefícios legais combinadas com a descontinuação simultânea dos subsídios para combustíveis fósseis. De acordo com o relatório, a transição para um sistema global baseado em 100% de renováveis pode ser atingida antes de 2050 se um framework robusto para políticas públicas for implementado.
“Este trabalho reafirma a posição da ciência de que uma transição para energias 100% renováveis em todo o mundo é possível”, aponta Mark Jacobson, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. “Além disso, ele mostra que é possível evitar um aquecimento acima de 1,5 grau Celsius a partir de emissões líquidas zero em 2050 sem a necessidade de tecnologias de captura de carbono ou energia nuclear”.
Confira abaixo alguns dos destaques do estudo:
• A transição para 100% de energia renovável requer eletrificação massiva em todos os setores energéticos. O total de geração de eletricidade seria de quatro a cinco vezes maior que a geração elétrica de 2015. Assim, o consumo de eletricidade em 2050 seria responsável por mais de 90% do consumo energético primário. Ao mesmo tempo, o consumo de fontes fósseis e nucleares de energia em todos os setores seria completamente extinto.
• A geração energética primária global em um sistema de 100% renováveis consistiria no seguinte mix de fontes energéticas: energia solar (69%), eólica (18%), hidroeletricidade (3%), bioenergia (6%) e energia geotérmica (2%).
• Até 2050, a energia eólica e solar corresponderia a 96% do total de energia ofertada de fontes energéticas renováveis. As fontes renováveis são produzidas de maneira quase exclusiva de geração local e regional descentralizada.
• A transição de todos os setores reduziria as emissões anuais de gases de efeito estufa do setor energético continuamente de quase 30 GtCO2eq (giga tonelada de dióxido de carbono equivalente) em 2015 para zero em 2050.
• Um sistema 100% de eletricidade renovável poderia empregar 35 milhões de pessoas em todo o mundo. Quase nove milhões de empregos no setor global de carvão deixariam de existir até 2050. Isso será sobrecompensado por mais de 15 milhões de novos empregos no setor de energia renovável
O relatório está disponível no link http://energywatchgroup.org/new-study-global-energy-system-based-100-renewable-energy

Maior produtora brasileira de biodiesel, empresa gaúcha divulga Relatório da Sustentabilidade 2018

Números da BSBIOS, que tem sede em Passo Fundo, mostram também os dados de gestão da companhia

Pioneira na exportação de biodiesel no país, a BSBIOS divulgou seu relatório de sustentabilidade de 2018, que traz informações importantes para o setor. No último ano, a empresa, maior produtora brasileira de biodiesel, produziu 545.677 m³ do produto nas unidades de Passo Fundo e Marialva, município paranaense que conta com uma unidade da empresa.

O relatório mostra também como as atividades ajudaram a girar a economia nas duas cidades. Só em 2016, a BSBIOS foi responsável por 24,2% do PIB de Passo Fundo e 35,2% do PIB de Marialva-PR. Nos últimos três anos, foram R$ 7,6 bilhões em receitas e R$ 119,6 bilhões em impostos gerados pela empresa somando-se os dois municípios. Isso sem falar nos 3,9 mil empregos diretos e indiretos criados pela presença da empresa nos locais.

A troca entre companhia e as cidades-sede é considerada fundamental para o futuro. Só em 2018, a BSBIOS investiu R$ 1,9 milhão em projetos socioambientais, esportivos e culturais. Pelo programa “Sementinhas do Futuro”, que promove a reflexão sobre equilíbrio entre preservação ambiental, desenvolvimento social e crescimento econômico, no ano de 2018, a empresa recebeu a visita de 1300 alunos, de 24 escolas de ambas cidades.

Sustentabilidade é prioridade estratégica

A preocupação com o meio ambiente está na essência da empresa e, portanto, a BSBIOS atua na economia de baixo carbono. A estimativa do valor social —  dano evitado —  gerado pelo processo produtivo da BSBIOS está entre R$ 20 milhões e R$ 66 milhões, em média.

O Relatório da Sustentabilidade foi produzido, pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com as diretrizes da Global Reporting Initiative – GRI, de forma engajadora, por meio de seus colaboradores, de stakeholders e da consultoria da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas — FIPE.

— Estamos de forma transparente e responsável fazendo  a nossa prestação de contas à sociedade. Alinhados a isso, neste ano, criamos uma área de Gestão de Riscos Corporativo e Compliance e estamos evoluindo com a implementação do Programa Integridade BSBIOS — amplia e orgulha-se o presidente da BSBIOS Erasmo Carlos Battistella.

Fonte: Zero Hora

Inteligência artificial está fortemente ligada à sustentabilidade

Ricardo Abramovay participa da coluna “Sustentáculos” e antecipa pontos da palestra que proferirá, no dia 19 de março, no IEE da USP

O colunista José Eli da Veiga e o professor Ricardo Abramovay estão participando da 2ª Série Procam Novas Veredas da Sustentabilidade, que acontece até o dia 9 de abril, no auditório do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. A convite do colunista, Abramovay nos dá uma introdução sobre o tema que abordará em sua exposição da próxima terça-feira (19), a partir das 15 horas: a inteligência artificial.

Para Ricardo Abramovay, a inteligência artificial tem tudo a ver com a série Veredas da Sustentabilidade. Segundo ele, a resolução de nossos grandes problemas socioambientais passa por desenvolvimentos tecnológicos, na área de energia e gestão de materiais, que supõem dispositivos digitais e inteligentes. Além disso, ele cita uma razão ainda mais importante, resumida pelo Centro de Estudos de Riscos Globais da Universidade de Oxford, no Reino Unido. “Segundo os especialistas, temos hoje três riscos globais: a guerra nuclear, os riscos do aquecimento global e aqueles ligados à própria inteligência artificial”, aponta Abramovay.

A inteligência artificial é, em muitos casos, segundo o professor, benéfica à sociedade. “Ela permite melhorar a gestão do trânsito, da segurança urbana e que se avance na área de energia”, descreve, ressaltando que “não daria para ter energia solar descentralizada se não houvesse uma coordenação inteligente para a qual a inteligência artificial contribui imensamente.” No entanto, Abramovay lembra que a inteligência artificial está baseada no que as máquinas e algoritmos conseguem captar dos dados que nós fornecemos. “Há uma ligação forte entre a inteligência artificial e a sociedade da vigilância, o que é extremamente preocupante”, pondera.

Fonte: Jornal da USP

O Brasil tem um compromisso com o mundo

Com a possibilidade de o Brasil sediar a COP 25, podemos mostrar que, com sustentabilidade, seremos o maior produtor mundial de alimentos

Precisamos falar sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que tem chance de ser sediada no Brasil no ano que vem: a COP 25. Precisamos falar mais. Precisamos falar sobre a conferência que tem grande possibilidade de ser realizada em Foz do Iguaçu, a terceira cidade que mais recebe turistas no país e um dos mais belos cenários naturais do mundo. Receber a COP traz ao Brasil e ao Paraná oportunidades que não podem ser ignoradas.

Sim, organizar um evento global como esse envolve custos. Algo entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões. Contudo, talvez seja o melhor momento para mostrarmos para o mundo que o Brasil está, sim, preocupado com o meio ambiente e com a questão climática. Afinal, uma COP reúne cerca de 40 mil pessoas, entre diplomatas, cientistas, empresários, ONGs e pessoas interessadas dos mais diversos países.

Se isso ocorrer, será a oportunidade de o Brasil, de uma vez por todas, liderar as discussões globais de sustentabilidade e dar o recado para o país inteiro e para outras nações: podemos e seremos o maior produtor mundial de alimentos com o grande diferencial da sustentabilidade, promovendo uma agricultura de baixo carbono. Como anfitrião da COP, o Brasil terá de mostrar que realmente fará a diferença e investirá nessa estratégia. De forma tímida, isso já ocorre nos nossos campos. Temos chances de dar mais vazão ao Plano ABC, que financia produções de baixo carbono e já tem recursos previstos no Plano Safra.

“Se o Brasil optar por não realizar a COP 25, corre o risco de transparecer que não será a liderança em sustentabilidade global que todos esperam”

O Paraná e o novo Executivo estadual podem surfar nesta onda, chamando a atenção do mundo. O estado um dos maiores produtores de grãos do Brasil. Nos anos 70 e 80, era conhecido internacionalmente pela excelência em práticas agrícolas sustentáveis, como cultivo mínimo e plantio direto. O Paraná tem tudo para ser o líder nacional da agricultura de baixo carbono, usando inclusive recursos federais do Plano Safra.

Embora Salvador e Rio de Janeiro estejam se mobilizando para receber a COP 25, Foz do Iguaçu é a melhor opção. Além de estar preparada para receber grandes públicos, com rede hoteleira consolidada e visitors bureau estabelecido, a cidade da Tríplice Fronteira pode envolver os “vizinhos” Paraguai e Argentina na organização e tem grande chance de ter apoio financeiro da Itaipu Binacional.

Ao mesmo tempo, a COP 25 no Brasil exigirá decisão importante do governo federal – não apenas sinalizar se receberemos ou não o evento. Normalmente, um dos ministros do país-sede é quem preside a conferência. Esse representante terá o desafio de conduzir os países na negociação para finalizar as regras do Acordo de Paris, pois, a partir de 2020, os países terão de começar a implementar suas medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Para isso, o ministro deve entender do tema e as pastas mais alinhadas com a pauta seriam: Relações Exteriores, Meio Ambiente ou Ciência e Tecnologia.

Fonte: Gazeta do Povo

Celeiro do desenvolvimento sustentável, por Erasmo Carlos Battistella

Leia artigo assinado pelo presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, publicado pelo jornal gaúcho Zero Hora nesta sexta-feira (2):

 

Os olhos do mundo estão voltados ao Brasil e às políticas que serão adotadas pelo novo governo, com apoio de um Congresso renovado pelo desejo da sociedade por um futuro melhor. No mundo contemporâneo, isso significa desenvolvimento econômico ético e sustentável. A geração de riqueza no século 21 exige firme compromisso não só com “o que” se produz, mas com “o como” se produz.

Os produtores brasileiros já têm demonstrado que é ideia ultrapassada pensar em incompatibilidade entre o agro e o meio ambiente. Ao contrário, produtos agropecuários devidamente certificados têm obtido acesso a mercados importantes, por meio de acordos internacionais e cumprimento de exigências sanitárias e ambientais.

Assim, por mais louvável que seja enxugar o Estado, não soa razoável uma eventual fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como se esse desenho garantisse mais produção no campo. O efeito pode ser o oposto, diante do risco de se fecharem portas de importantes mercados, abertas após anos de trabalho sério de produtores que, hoje, colhem merecidos frutos.

Da mesma forma, é preciso encarar pactos como o Acordo de Paris como oportunidade, e não entrave. Nossa experiência e potencial em energias renováveis, como etanol e biodiesel, nos credenciam como referência mundial em alternativas ao petróleo. O Brasil deve se tornar o “Oriente Médio Verde”.

O biodiesel brasileiro tem benefícios inquestionáveis: 71,65% menos emissões que a produção de diesel fóssil e geração de mais emprego (capacidade 113% maior) e PIB (35% a mais). Sem falar na substituição de diesel importado, no incentivo à agricultura familiar e no estímulo a novas culturas, como a da palma de óleo, para recuperar áreas degradadas.

Com a aplicação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instrumento inovador criado pelo Brasil para cumprimento do Acordo de Paris, a atual produção anual de 5,4 bilhões de litros de biodiesel deve chegar a 18 bilhões. Para tanto, estima-se investimentos de R$ 22 bilhões até 2030 só na indústria de óleos vegetais e biodiesel.

Nosso país não pode abrir mão de oportunidades como essa, propiciadas pela união entre preservação ambiental e geração de riquezas no campo. Podemos – e devemos – fazer desse cenário um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento sustentável.

Chegou a conta do crescimento econômico

Amanhã Chegou. E veio cobrando a conta. O filme de Renata Simões mostra, em detalhes, o grande beco sem saída em que nos metemos. Sempre se fala que a economia precisa crescer. Se não cresce, é o caos, como acontece no Brasil atual. Acontece que o planeta já não suporta mais o “crescimento” indiscriminado. A humanidade, sob o primado de um capitalismo desvairado e (em aparência) sem alternativas, tornou-se autofágica. A catástrofe aí está, chegando sob a forma de aquecimento global, mares invadindo cidades, anarquia climática, etc. Não existe alternativa a não ser pisar no freio. Mas vá dizer isso a Trump ou à China. Portanto, a palavra de ordem do nosso tempo é “sustentabilidade”.

Não podemos nos comportar como novos-ricos diante de um planeta exaurido e comprometer as novas gerações. Ouvindo um grande número de pessoas, o filme é realista em sua dura advertência. Apresenta alternativas de vida. Sente-se falta do “outro lado”, a versão dos que acham que podemos continuar a gastança que a conta nunca chegará. Mas estes não costumam falar. Agem e contabilizam lucros.

Fonte: O Estado de S.Paulo

O “lixo” está na moda: consciência ambiental e sustentabilidade

O aproveitamento de resíduos combina responsabilidade ambiental e desenvolvimento social na indústria têxtil e de confecções, que fatura 45 bilhões de dólares por ano.

vestuário já foi uma questão de necessidade básica, mas hoje faz parte da economia global industrializada. O mercado mundial da moda está avaliado em três trilhões de dólares e já é responsável por 2% da economia global. Com uma demanda crescente ao longo das décadas, a indústria da moda contou com a ajuda da tecnologia para tornar a produção cada vez mais eficiente e barata. Produzir mais com menos custo foi um avanço que fomentou o fast fashion, marcado pela superprodução e exigência constante por novos estilos. Mas o preço das rápidas mudanças de coleção é bem maior do que aquele visível nas etiquetas. É preciso contabilizar também os custos ambientais de produção, processamento e transporte das mercadorias. Isso sem falar nas milhares de toneladas de roupas descartadas todos os anos.

A indústria da moda hoje depende fortemente de recursos não-renováveis, como fertilizantes para cultura de algodão, petróleo para produção de fibras sintéticas e corantes para tinturarias. No total são cerca de 98 milhões de toneladas de recursos não-renováveis consumidos por ano. Além disso, a cadeia produtiva têxtil é uma das maiores consumidoras de água do mundo, utilizando anualmente 93 trilhões de litros. Os dados são do relatório “Uma nova economia têxtil“, produzido pela Fundação Ellen Macarthur. O texto destaca que não é apenas quando falamos em matéria-prima que a moda deixa fortes impactos negativos. Os efeitos sobre a qualidade da água e as mudanças climáticas também são severos: 20% da poluição aquática global é atribuída à coloração e tratamento de fibras e tecidos e a indústria têxtil emite na atmosfera mais de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico por ano. Isso é mais do que a emissão combinada de todos os voos internacionais e de transporte marítimo do mundo.

Uma das soluções para esses problemas seria a reciclagem, mas de todo esse material, somente 13% é reciclado ou reaproveitado para outras finalidades. A União Europeia tem dado o exemplo na redução do desperdício e melhoria do descarte. O grupo de países aprovou uma nova legislação para o setor, com leis que exigem que a indústria da moda adote um modelo de economia circular, de modo a eliminar o descarte de materiais têxteis nos aterros até 2025. Os efeitos dessa medida podem ser sentidos em toda a cadeia, até no contato direto com os consumidores: algumas marcas de grande porte, como a Adidas, já disponibilizam pontos de coleta de roupas em suas lojas.Além dos impactos negativos da produção e comercialização, existe o problema dos resíduos. O sistema produtivo que ainda domina a indústria da moda é basicamente linear: uma quantidade enorme de recursos é empregada na produção de roupas e acessórios, que serão usados poucas vezes e depois descartados em aterros ou incinerados. Com esse modelo, a taxa de desperdício no setor de confecção e vestuário varia de 15 a 20% e mais de 50% da produção em massa na moda é descartada em menos de um ano. O prejuízo associado ao descarte não é só ambiental, mas também econômico. No Reino Unido, por exemplo, o gasto anual com disposição de resíduos têxteis é de cerca de 108 milhões de dólares.

No Brasil, existe legislação parecida. É a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010. Segundo essa política, nenhum resíduo passível de ser reciclado pode ser destinado a aterros. Mas a legislação não é cumprida. A consultora em gestão socioambiental e pesquisadora de design de moda, Gabriela Marcondes, explica que a falta de políticas públicas de incentivo e de fiscalização favorece a ilegalidade. “As empresas não querem pagar pela deposição adequada de resíduos. Isso porque a prefeitura continua pegando esse resíduo e aterrando. A prefeitura não está cumprindo o papel dela, que é seguir a política nacional. Então por que a indústria de confecção vai pagar para descartar se a prefeitura está pegando de graça? Isso envolve política pública, o cumprimento da lei federal, a fiscalização”, diz ela.

Alternativas ao descarte envolvem tecnologia e criatividade

Uma medida que pode ajudar a solucionar o problema de descarte de resíduos têxteis é o upcycling(“reutilização criativa”), que propõe que os resíduos sejam utilizados na fabricação de novos produtos. O upcycling faz parte da economia circular e tem crescido no Brasil e no mundo. Mas esse tipo de reaproveitamento não se limita a reutilizar um tecido em outra roupa. É possível gerar produtos completamente novos. Suzana Barreto, professora de design de moda na Universidade Estadual de Londrina (UEL), destaca que a inovação tecnológica tem um papel chave nesse processo. “Nós começamos a usar a poliamida, material usado em roupas de ginástica e difícil de reciclar, e começamos a investir em inovação. Conseguimos desenvolver uma parceria com o Departamento de Química da UEL e dissolvemos a poliamida com resíduo de biodiesel, que é um resíduo também com muito impacto ambiental, e criamos novos materiais. Criamos um material rígido que pode ser usado na arquitetura, para móveis e design de interiores. Criamos também um material flexível, com amido. E isso gerou patentes de invenção. Só que ainda não está no mercado porque no Brasil infelizmente o processo de concessão de patentes é demorado”, explica.

Outro exemplo bem sucedido de upcycling é a Revoada, empresa que nasceu em 2013 com o nome “Vuelo” e foi pensada pela comunicadora Adriana Tubino e a estilista Itiana Pasetti. As duas decidiram empreender no campo da moda sustentável e tiveram a ideia de utilizar câmaras de pneus e nylon de guarda-chuvas descartados para produzir bolsas e mochilas. “Tínhamos a pergunta: por que colocar mais um produto no mundo, se o mundo já está cheio de excessos? Achamos na própria pergunta a resposta, que é trabalhar com os excessos”, conta Tubino. Elas descobriram na câmara de pneu e no tecido de guarda-chuvas os materiais ideais para o seu negócio. “A borracha tem um aspecto parecido com o do couro, além de ser impermeável. E o tecido de guarda-chuvas é usado como forro de nossos produtos, e por serem tecidos coloridos e com várias estampas, têm um ótimo contraste com o preto da borracha”.

A própria cadeia de produção teve de ser pensada não apenas levando em conta os aspectos ambientais de sustentabilidade, mas também as relações de trocas com fornecedores e parceiros, de modo que ela seja vantajosa para todas as partes envolvidas. Tubino e Pasetti procuraram borracharias e centros de triagem de lixo reciclável para serem fornecedores de matéria-prima e negociaram o preço do que, para eles, era um resíduo quase sem valor. “Para vocês terem uma ideia, quando começamos esse trabalho, o preço da sucata (que é para onde iriam os guarda-chuvas) era de cinco centavos o quilo. Oferecemos pagar cinquenta centavos a unidade. Isso fez com que ficasse muito atrativo para as unidades de triagem se engajarem no projeto”, explica Tubino. Os produtos também são feitos em pequenos ateliês e cooperativas de costura, gerando renda e ajudando esses grupos a crescerem. “O produto finalizado recebe uma etiqueta, contando toda a história e a cadeia produtiva deste produto e instruindo para que ele não seja descartado após seu uso e vire um resíduo novamente. Ao final da vida útil, os produtos são devolvidos à Revoada, onde parte é reaproveitada para a confecção de novos produtos, e o restante é destinado para a fabricação de subprodutos, como isolamento acústico, asfalto e para-choques de automóveis”.

Além disso, a Revoada trabalha com um sistema de produção em lotes. Um período para a realização dos pedidos é aberto, e as peças são produzidas sob demanda. O consumidor é informado sobre todo o processo de produção até receber seu produto finalizado. Esta é uma maneira de repensar o consumo e de se estabelecer uma conexão entre o produto e o consumidor, e todas as relações envolvidas nesse processo. Isso reflete uma mudança no perfil dos consumidores, que estão ficando cada vez mais atentos e demandando das empresas este tipo de comprometimento, tanto ecológico como social, no processo produtivo. “Nos novos valores da moda, os produtos devem ter linguagem estética bem demarcada, ser originais, produzir significado – para as pessoas se relacionarem com esse produto, terem uma conexão emocional –, além de ter qualidade competitiva e ser sustentável. Aquele conceito antigo do luxo já não existe mais”, explica Barreto.

Além do upcycling, é necessária a criação de empresas que coletem e organizem esses resíduos para destiná-los a outras aplicações. É o caso das empresas de coprocessamento, que utilizam resíduos têxteis como combustível nos fornos de cimenteiras. Atualmente, os fornos usados na produção de cimentos são alimentados majoritariamente por petróleo e carvão, dois combustíveis não renováveis que contribuem com impactos ambientais negativos. O uso dos resíduos têxteis é, então, uma alternativa que mantém alta capacidade de geração de calor ao mesmo tempo que economiza recursos naturais. Mas essas empresas têm um custo, como destaca Marcondes: “As empresas de coprocessamento conseguiram criar uma tecnologia que alimenta fornos com resíduos. Então essa indústria teve custos para desenvolver essa tecnologia, ela tem custos para estar dentro de uma cimenteira, ela paga aluguel. Ela não pode fazer de graça. A gente precisa de mais empresas desse tipo, mas elas só existirão quando a prefeitura não recolher mais [os resíduos], quando o aterro não receber mais. É a necessidade que vai fazer surgir essa empresa. Hoje ela não é necessária”, explica.

 

 

 

 

 

 

 

Concepção do produto como primeiro passo da mudança

Além do aproveitamento de resíduos, iniciativas que objetivam minimizar a produção de lixo têxtil têm ganhado destaque. Um exemplo é o movimento “desperdício zero” (do inglês, zero waste), em que as peças de vestuário e acessórios já são pensadas de forma a se utilizar todo o material, sem geração de resíduos. Essa mudança na concepção dos produtos é fundamental. Barreto destaca que uma moda mais sustentável envolve o uso de materiais de maior qualidade, modelos atemporais, assim como conforto e usabilidade da peça, características que aumentam sua vida útil.

É preciso analisar também o ciclo de vida do produto, desde a extração da matéria-prima, o transporte, a produção e o comportamento durante o uso, até o que vai acontecer com esse material na hora do descarte. No caso icônico do jeans, por exemplo, o tipo de fibra é basicamente algodão, muitas vezes visto como natural e sustentável. Mas o plantio de algodão utiliza muitos pesticidas e fertilizantes e o processo de tingimento e processamento do tecido requer muita água. “O pior do jeans é o processo de beneficiamento dele, as lavagens, que são as lavanderias que fazem. Porque o jeans sai do processo de tecelagem como um papelão mesmo, um tecido duro, super-resistente. Depois ele é mandado para as lavanderias para fazer todo o processo de lavagem, de desgaste, desbotamento. Tudo isso é feito com muita água, produtos químicos, ácidos. Só que eu acho muito difícil que se deixe de usar o jeans. A vantagem é que o jeans é uma peça extremamente durável, tem o ciclo de vida longo”, afirma Barreto.

Os problemas dessa produção podem ser amenizados com materiais mais sustentáveis. Na busca por esses materiais, a empresa Levi Strauss, famosa produtora de calças jeans, fez uma parceria com a startup Evernu para criar uma nova fibra de qualidade a partir da dissolução química de roupas usadas. A Levi tem utilizado ainda o Econyl, material sintético feito de resíduos de nylon derivados de redes de pesca descartadas. O Econyl foi desenvolvido pela Aquafil, empresa italiana fabricante de nylon. A legislação ambiental também tem um papel importante nessa história e, com isso, as lavanderias estão procurando localidades onde as leis ambientais não sejam tão restritivas quanto ao uso da água e ao descarte de corantes como o índigo. “Em vários estados do Brasil, a legislação tem sido efetiva. As lavanderias de São Paulo estão mudando para o Paraná por causa das leis ambientais, que são muito rígidas. A Itália também não tem tantas lavanderias de jeans. As peças são lavadas em países periféricos”, diz Barreto, ao evidenciar que muitas vezes o prejuízo ambiental fica a cargo de lugares menos desenvolvidos economicamente.

Pesquisas favorecem a redistribuição de material

Além das pesquisas na área de reaproveitamento dos resíduos, é preciso levantar dados sobre materiais e formas de descarte mais sustentáveis. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (ABIT), o Brasil é a última cadeia têxtil completa do ocidente, incluindo desde a produção das fibras até a comercialização em varejo e desfiles. Apesar disso, Marcondes ressalta que não há um mapeamento adequado no país sobre onde os resíduos da moda são produzidos, quais são os tipos e quem pode processar. Pensando nisso, ela e a pesquisadora em moda Geanneti Salomon criaram a Ecomaterioteca, que visa disponibilizar todos os ecomateriais disponíveis na indústria têxtil e na indústria química nacional para que jovens estilistas, designers e a própria indústria de confecção possam ter acesso. Mais do que um catálogo de materiais ecológicos, a Ecomaterioteca inclui um sistema de classificação das empresas que os utilizam e incentiva essas empresas a informarem sobre as práticas sustentáveis que adotam. Isso agrega valor ao produto e favorece a rastreabilidade dos materiais e atores envolvidos em uma cadeia produtiva voltada para a sustentabilidade.

Ecomaterioteca e suas idealizadoras, Gabriela Marcondes e Geanneti Salomon, no canto superior esquerdo. Imagem: Gabriela Marcondes

A redistribuição de resíduos também tem muito a ganhar com os chamados mercados de resíduos. Afinal, o que é resíduo para um pode ser material para o outro. O grupo da pesquisadora Suzana Barreto está montando um banco de resíduos têxteis para Londrina e região, no norte do Paraná. Eles foram inspirados pelo Banco de Vestuário de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que está em funcionamento há mais de 10 anos e é uma parceria de sucesso entre universidade, prefeitura e empresas. Um projeto semelhante, o Retalho Fashion, tem sido desenvolvido em São Paulo, na região do Bom Retiro.

Relação com as condições sociais

Além da parte tecnológica e ambiental da produção, a moda sustentável valoriza as pessoas envolvidas e o consumo consciente. Por isso, além de matérias-primas menos poluentes, essa nova vertente da indústria da moda tem se preocupado com uma produção mais humanizada, com remuneração e jornadas de trabalho justas, se opondo aos empregos sazonais e informais que mantêm o baixo custo da produção no fast fashion.

O espaço da sustentabilidade no mercado tem crescido com o trabalho de ateliês, cooperativas e oficinas de pequeno porte, muitas vezes situadas em comunidades carentes. Com isso, a moda sustentável tem agregado também conceitos da economia solidária, contribuindo para o desenvolvimento de localidades tradicionalmente excluídas pelo processo hegemônico de produção.

Outra contribuição importante é o resgate da identidade cultural de grupos artesanais, cujos saberes e práticas têm sido reconhecidos e incorporados nessa nova forma de se pensar e produzir moda. Só é preciso cuidado para que a valorização não seja convertida em exploração, como foi o caso da Dior, acusada de apropriação cultural pela comunidade romena Bihor. Em 2017, a pré-coleção de outono da Dior tinha um design muito semelhante ao vestuário tradicional de Bihor e, embora as peças tenham sido vendidas por valores em torno de 25.000 libras, nenhum crédito ou compensação financeira foi dada à comunidade romena.

É importante lembrar também que não basta ser sustentável, é preciso que seja economicamente acessível. Hoje em dia, os esforços para encontrar medidas e tecnologias que reduzam os danos à natureza durante a produção e transporte, associado ao status de ecologicamente correta, acabam tornando a moda sustentável mais cara do que a convencional. Somente com a ampliação da acessibilidade tecnológica e com revisão do valor agregado pelo status que os benefícios que a tecnologia traz para o mundo da moda, haverá utilização em larga escala e contribuição para a real conservação do meio ambiente.

Fonte: ComCiência

Embrapa leva para o ESALQSHOW tecnologias de três unidades de SP

Tecnologias de diversas linhas de pesquisa, entre elas sustentabilidade do meio ambiente, tecnologias da informação e comunicação (TICs), nanotecnologia e agricultura de precisão, desenvolvidas por três unidades da Embrapa localizadas no estado de São Paulo serão apresentadas na 2ª. edição do ESALQSHOW. O Fórum de Inovação para o Agronegócio Sustentável ocorre entre 9 e 11 de outubro, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

Além de soluções tecnológicas, a Embrapa participará de debates no evento, que reúne entidades de ensino e pesquisa, estudantes, lideranças do setor do agronegócio, executivos de empresas, investidores e aceleradoras, que possam apoiar o desenvolvimento de startups no setor agropecuário. O fórum tem a proposta inovadora de conectar a academia com o setor produtivo.

O diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares, integra o “Encontro de Lideranças em Agricultura”, que vai discutir o tema central do ESALQSHOW “O futuro da agricultura tropical para a sociedade”. O debate será no dia 9, às 14 horas, no Salão Nobre, Edifício Central.

Tecnologias visam à sustentabilidade do meio ambiente

Uma tecnologia inovadora que será demonstrada pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) é a RenovaCalc – ferramenta base para a determinação da Intensidade de Carbono de Biocombustíveis utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para a contabilidade da intensidade de carbono de biocombustíveis, com ênfase na categoria de impacto de Mudanças Climáticas, aplicável ao etanol, biodiesel, bioquerosene e biometano.

A calculadora mensura as emissões de Gases de Efeito Estufa do ciclo de vida dos biocombustíveis, gerando um índice de desempenho em g CO2eq/MJ de biocombustível. Logo, aqueles que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono terão acesso a maior volume de créditos de descarbonização, os CBIOs. A ACV tem sido utilizada por organizações para avaliarem a performance de seus produtos e o atendimento à atual demanda do mercado em termos de sustentabilidade, orientando os gestores nas tomadas de decisão.

Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, com o apoio da Rede ILPF, do Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC), o aplicativo AgroTag foi projetado para a coleta de dados e informações das propriedades que, uma vez processadas na base de operações, retornam aos diversos atores da cadeia produtiva ou interessados em agricultura de baixo carbono em forma de informações estratégicas diretamente nos celulares ou tablets. Foi concebido inicialmente para apoiar a Rede ILPF no monitoramento da adoção e da qualificação de sistemas Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF) no País, e, a partir de então, servir como uma ferramenta de apoio ao monitoramento da adoção da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

A Embrapa desenvolveu métodos para auxiliar a avaliação de impactos em várias dimensões da sustentabilidade relacionadas ao trabalho no ambiente rural. Dois deles, o Ambitec-Agro e o APOIA-NovoRural também serão apresentados no ESALQSHOW. Estes métodos compreendem procedimentos para a previsão, a análise e a mitigação dos efeitos ambientais de projetos, planos e políticas de desenvolvimento que impliquem em alteração da qualidade ambiental.

O Ambitec-Agro consiste de um conjunto de matrizes multi-critério que integram indicadores do desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais em determinado empreendimento. Os dados obtidos no campo e junto ao administrador do empreendimento são aplicados em matrizes de ponderação, nas quais são automaticamente transformados em índices de impacto e representados graficamente.

Os resultados permitem averiguar quais práticas de manejo produzem maior impacto no desempenho das atividades testadas. O objetivo do sistema é prover uma avaliação simples e de baixo custo dos impactos socioambientais de inovações tecnológicas e atividades rurais, introduzidas em determinado sistema de produção.

Já o Sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-NovoRural) tem como foco avaliar o desempenho socioambiental de estabelecimentos rurais de acordo com determinados padrões de qualidade. Ele permite uma avaliação objetiva de qualidade ambiental e sustentabilidade das práticas de manejo em estabelecimentos rurais.

O sistema compõe-se de um conjunto 62 indicadores, obtidos em levantamentos de campo realizados com instrumentação analítica e dados gerenciais registrados por meio de diálogos com o produtor rural ou responsável pelo estabelecimento. Estão organizados em abordagem multi atributo, agrupados em cinco dimensões de sustentabilidade:  Ecologia da paisagem, Qualidade Ambiental, Valores Econômicos, Valores socioculturais e Gestão e Administração. Os indicadores são verificados com instrumental analítico e dados técnicos dos estabelecimentos rurais, para compor relatórios de gestão ambiental.

Cooperação resulta em tecnologias pioneiras

Alinhada com a concepção do evento, a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) abre espaço para empresas vinculadas a seus projetos, como a startup Agrorobótica, cuja cooperação resultou no AGLIBS para análise de solos, e a Produquímica, com o fertilizante MicroActive.

Agritechs com pesquisas em desenvolvimento na área de nanotecnologia, pós-colheita e agricultura de precisão, além de outras empresas do setor produtivo vinculadas ao Centro de Pesquisa também estarão presentes no estande da Embrapa, no Espaço Inovar Esalq & Cia, que traz como tema central o “Futuro da agricultura tropical para a sociedade”.

O AGLIBS é um equipamento com tecnologia de última geração para a análise de solos de forma rápida, limpa e economicamente acessível ao produtor rural. Usa laser e inteligência artificial para a análise de solos em larga escala, não gera resíduos químicos e é capaz de analisar 1.500 amostra por dia, fornecendo dados de quantidade de carbono orgânico do solo, textura (teores de areia, silte e argila), além de pH. A tecnologia está sendo empregada de forma pioneira no Brasil e permite a avaliação em tempo real, em laboratório, enquanto que as análises convencionais demoram alguns dias para fornecer os resultados.

O MicroActive é um exemplo bem-sucedido de inovação aberta que envolveu a empresa do setor produtivo Produímica/Compass Minerals. A parceria resultou numa película formada por micronutrientes em grande concentração, que recobre de forma homogênea grânulos dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK. Com isso, o agricultor terá um produto completo para aplicar na lavoura com nutrientes balanceados e potencial de aumentar a produtividade e reduzir aplicações de fertilizantes.

Desenvolvido no âmbito da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, o MicroActive tem a função de recobrir a superfície do grão, que vai ser usado para levar o outro fertilizante. Entre as vantagens da tecnologia estão a redução no número de aplicações de fertilizantes, impactando diretamente nos custos da produção agrícola, além de ter o potencial de fornecer as condições ideais de nutrição para as plantas; a formulação pode aumentar a produtividade, porque o fornecimento de macro e micronutrientes de modo simultâneo permite às plantas produzirem próximo ao seu potencial genético.

As duas tecnologias – AGLIBS e MicroActive – lançadas recentemente, já estão disponíveis no mercado, em formatos diferenciados, conforme a linha mercadológica de cada empresa.

Tecnologias da informação e comunicação (TIC) aplicadas à agropecuária

A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) vai levar ao ESALQSHOW 2018 soluções em tecnologia da informação e comunicação (TIC) aplicada à agropecuária. Também serão divulgadas iniciativas voltadas ao fomento à inovação, como o ambiente SitIoT, junção da palavra sítio e da sigla IoT (internet das coisas), dedicado a empresas e startups parceiras interessadas em testar em campo suas tecnologias, sejam sensores, equipamentos e software.

Serão demonstradas tecnologias como o aplicativo móvel Roda da Reprodução, desenvolvido para facilitar a gestão do rebanho leiteiro que acaba de ganhar uma nova versão. Por meio do aplicativo o produtor tem acesso a vários recursos que permitem acompanhar o ciclo de reprodução dos animais, desde o momento da cobertura ou inseminação artificial da novilha até o parto, e ajudam a planejar melhor o manejo do rebanho. A nova versão do aplicativo, lançada no último dia 4, conta ainda com uma nova ferramenta (Roda do Crescimento) que possibilita ao produtor gerenciar os animais de recria, indicando se as bezerras e as novilhas estão abaixo ou acima do peso ideal desde o dia do nascimento até chegar à fase reprodutiva.

O sistema WebAmbiente e as plataformas online SATVeg e WebAgritec também serão apresentados no evento. O WebAmbiente foi criado para auxiliar na tomada de decisão no processo de adequação ambiental da paisagem rural. Ele oferece estratégias para recomposição da vegetação nas propriedades rurais e contempla o maior banco de dados produzido no Brasil sobre espécies nativas, englobando todos os biomas brasileiros.

Outra tecnologia é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação) que permite a observação de séries temporais de índices de vegetação por meio de imagens de satélite, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental em todo o território brasileiro. A partir dele é possível observar a frequência com que as áreas agrícolas do País sofrem alterações e acompanhar o ciclo de uma cultura agrícola e sua intensificação.

Já o Webagritec é voltado principalmente para apoiar extensionistas e agentes de desenvolvimento rural no trabalho de orientação técnica junto aos agricultores. A ferramenta engloba as culturas de soja, milho, arroz, feijão e trigo e conta com oito módulos com informações para o planejamento e condução dos cultivos. Traz, por exemplo, informações sobre o zoneamento agrícola, cultivares mais adequadas, recomendações de adubação, previsão do tempo, monitoramento da produtividade e diagnóstico de doenças. A tecnologia já vem sendo utilizada pelas empresas de assistência técnica e extensão rural dos estados de Goiás e Minas Gerais.

Palestras

Os pesquisadores Lineu Neiva Rodrigues da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) e Eduardo Assad da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) participarão como palestrantes no Agtech Valley Summit, respectivamente, nos dias 10 e 11 de outubro pela manhã. Rodrigues falará no painel temático “Gestão de Sistemas Integrados em Agricultura” sobre o Uso de Água em Agricultura: situação atual e perspectivas e Assad participará do painel “Agricultura Tropical e a Sociedade do Futuro” no assunto Cenários de Mudanças Climáticas e o Futuro da Agricultura.

ESALQSHOW

Com os objetivos de propor, revelar e debater tendências de inovação e tecnologia do setor agropecuário, além de promover o empreendedorismo por meio de parcerias, buscando intensificar colaborações entre a universidade e a sociedade, o evento pretende melhorar a integração entre a universidade e os demais setores do agronegócio, além de dar maior visibilidade às iniciativas acadêmicas para o mercado nacional e internacional, gerando novas oportunidades.

É um fórum dedicado a estimular inovações e empreendedorismo na agricultura, frente a produtos, serviços, últimas tendências do mercado, futuros desafios e novas ideias. Os eventos são realizados pela Esalq/USP e contam com a colaboração e presença de profissionais de diferentes setores, de acadêmicos e pesquisadores consagrados, líderes de empresas renomadas e de startups, e estudantes, vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior.

Compondo o fórum haverá quatro eventos simultâneos: o Encontro de Lideranças na Agricultura, com o tema “Futuro da Agricultura Tropical Para a Sociedade”; o Agtech Valley Summit (palestras, debates e mesas-redondas); Espaço Inovar Esalq & Cia (espaço dinâmico para discutir problemas, soluções e tendências, estimulando o networking e promovendo novas ideias, tecnologias, produtos e serviços) e a Vitrine Esalq (exposição e demonstração de projetos e serviços).

Em 2017, quando ocorreu pela primeira vez, o evento teve um público estimado em 3 mil pessoas, com 67 expositores, 55 palestrantes e 51 projetos apresentados em 14 vitrines.

Fonte: Grupo Cultivar

Agricultura brasileira e redução dos gases de efeito estufa

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de ações humanas têm aumentado desde o início da Era Industrial e chegamos a um ponto em que é possível constatar o maior volume de concentrações de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano dos últimos 800 mil anos na atmosfera. Esse impacto contribui decisivamente para a mudança do clima.

Em período um pouco mais recente, nos últimos 50 anos, a demanda global por alimentos aproximadamente triplicou. O rápido crescimento ocorreu devido ao aumento da população mundial — que dobrou no período —, ao aumento do consumo per capita e à elevação do padrão de vida.

A agricultura alimenta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas também é causa de impactos ambientais. Ela é responsável por 25% a 33% de todas as emissões de gases de efeito estufa; essa é uma atividade que ocupa grande parte da superfície de terra do planeta, usa defensivos agrícolas e fertilizantes nitrogenados, muitas vezes de forma irresponsável. O uso de práticas inadequadas contribui para o desmatamento — que, por sua vez, resulta em perda de biodiversidade — e para a eutrofização e acidificação de corpos d’água.

Diante desse conjunto de dados, é imperativo desenvolver uma agricultura mais consciente e sustentável, e o Brasil é um grande player do cenário mundial, sendo observado com atenção por quem importa alimentos. De acordo com a FAO, nosso país alcançará a maior produção agrícola da próxima década e será o maior exportador de alimentos e fibras do planeta.

Em 2009, na COP15, realizada em Copenhagen, Dinamarca, o governo brasileiro assumiu compromisso voluntário junto à Convenção de Mudança do Clima. Nesse compromisso, está prevista a redução, até 2020, de entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa. E, para alcançar essa meta, foram criados os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

De modo a fortalecer ainda mais o compromisso global no enfrentamento da mudança do clima, durante a COP21, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, no qual o Brasil apresentou sua proposta de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Por ela, buscaremos a redução das emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis registrados em 2005, até 2025, alcançando 43% em 2030. O Brasil se comprometeu, entre outras medidas, a aumentar a área com adoção de agricultura de baixo carbono no país.

Nesse âmbito, há uma revolução acontecendo na agricultura brasileira. A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) se consolidou como a principal tecnologia para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de uma estratégia que visa a produção sustentável, integrando atividades agrícolas, florestais e pecuárias realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotativo, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os sistemas integrados são capazes de promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa devido à menor necessidade de uso de fertilizante nitrogenado e pela oferta de pasto de melhor qualidade ao animal, que melhora a digestibilidade e reduz as emissões de metano. A tecnologia ainda aumenta o estoque de carbono e nitrogênio no solo e na biomassa acima do solo.

O Brasil tem feito o dever de casa. As pesquisas sobre sistemas integrados começaram na Embrapa na década de 1980. Na década passada, 2010, esses sistemas eram adotados em algo como 4 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 600 pesquisadores envolvidos e mais de 14 milhões de hectares com algum tipo de ILPF. Ainda existem entre 50 e 60 milhões de hectares com solos degradados e disponíveis para avançarmos.

Há muito a fazer, mas a experiência atual mostra que a participação da agricultura brasileira não está apenas em produzir alimentos, mas também em contribuir com um planeta mais sustentável.

Fonte: Portal DBO

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