Como a guerra comercial entre EUA e China atinge o agro brasileiro

Conflito entre duas potências globais desenhou nova política de compras internacionais e no curto prazo tende a fazer o Brasil exportar mais.

Em meados de maio, Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), recebeu um telefonema surpreendente. “Do outro lado da linha, estava um diplomata brasileiro da nossa embaixada na Arábia Saudita que queria me dar uma notícia importante”, lembra Turra.

Com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, os sauditas passaram a se preocupar com um aumento das exportações de alimentos do Brasil para os chineses e uma eventual redução dos embarques para a Arábia Saudita. Novas conversas, com autoridades sauditas e fabricantes brasileiros, estão sendo realizadas para a habilitação de frigoríficos no Brasil. “Com a população em crescimento, eles não podem se dar ao luxo de pensar em sofrer perdas no abastecimento de alimentos por conta das tensões comerciais entre China e Estados Unidos”, diz Turra.Com tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre US$ 200 bilhões em importações de produtos chineses em maio, seguida de uma retaliação da China, o mapa global das comércio mudou.

O movimento do governo saudita ilustra bem a nova política de compras internacionais. “A tendência é que, daqui em diante, as relações comerciais sejam mais pautadas por questões de confiança e política entre os países do que apenas por preço e qualidade”, analisa Marcos Jank, CEO da Aliança Agro-Brasil.

Os Estados Unidos, que até pouco tempo rivalizavam com o Brasil no fornecimento de soja para a China, devem perder alguns degraus de sua posição neste ano. O produto, assim como milho, legumes, peixes, fruto do mar e outros itens do agronegócio, entrou na lista de 5 mil artigos chineses que passaram a ter taxação de 25% nos Estados Unidos.

“A tendência é que alguns setores da agricultura e pecuária brasileira aumentem as vendas para a China, mas ainda é cedo para avaliar o impacto para o ano”, diz Ligia Dutra, superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que integrou a comitiva do governo brasileiro em visita à China e outros países asiáticos em maio.“Não sabemos se a China e os Estados Unidos vão chegar a um acordo e quais seriam os termos da negociação”, complementa.

Segundo a Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento das exportações para a China deve ser sentido a partir do segundo semestre, quando os estoques chineses chegarem ao final. “Mesmo com a peste suína africana, que já dizimou milhares de porcos na China, estimamos que a comercialização de soja deve aumentar porque nosso produto ganhou competitividade em relação ao americano, com a guerra tarifária”, diz Daneil Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove.

Em 2018, a China foi o destino de 82% das exportações de soja brasileira, segundo o Rabobank. Este ano, a porcentagem pode subir para 85%. “A prolongação da tensão comercial entre China e Estados Unidos deve manter os chineses com níveis de compra da soja brasileira acima do que vimos em anos anteriores”, diz Victor Ikeda, analista do Rabobank no Brasil.

Na ABPA, o clima também é de otimismo. As vendas de aves para a China aumentaram 7% no acumulado de janeiro a abril, atingindo 39,1 mil toneladas, em comparação ao mesmo período do ano passado. “Uma boa parte desse resultado é relacionado a maiores tarifas que o frango americano está pagando na China, o que torna o produto brasileiro ainda mais atraente”, diz Turra.

Perigo
De acordo com análises do Rabobank, o cenário de médio e longo prazo pode não ser tão luminoso. A expectativa é que a guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo leve a uma queda no ritmo da expansão econômica global, com uma retração do comércio internacional. Com os países comprando menos, praticamente todas as economias do mundo correm o risco de serem atingidas.

O presidente Donald Trump tem ameaçado aumentar para 25% as tarifas de todos os produtos importados da China, o que provavelmente seria acompanhado por uma retaliação chinesa. Em um cenário como esse, de guerra comercial total, a queda na taxa de expansão da economia global seria ainda mais impactada, com uma queda de 0,5% em 2020. No final de junho, Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem se encontrar no Japão para a reunião do G-20, dos países mais ricos do mundo, e conversar sobre as tensões entre os dois países.

“Mesmo que haja um acordo, contamos com um acerto fraco, sem definições de compromissos, como mudanças na política industrial chinesa”, diz Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil. Para Marcos Jank, mesmo no contexto atual, de tarifas mais altas para produtos americanos na China, o Brasil ainda precisa fazer uma lição de casa para conquistar saltos significativos nas exportações. “Alguns fatores, relacionadas a questões sanitárias, ainda nos impedem de vender mais”, afirma Jank. “Precisamos olhar com calma para esses pontos antes de sair soltando fogos com as possiblidades de grandes aumentos nas vendas externar”.

Fonte: Brasil Agro

Soja volta a ganhar espaço na produção de biodiesel em abril

O resultado está 1,5 ponto percentual acima do que havia sido reportado pelos fabricantes em março. Trata-se da maior fatia do óleo de soja na produção mensal de biodiesel em oito meses. Em agosto de 2018, 74,1% do biodiesel produzido foi feito a partir da soja.

Apesar da alta, entretanto, a participação do óleo de soja continua levemente inferir à apresentada no ano passado. Do total de biodiesel fabricado entre janeiro e abril deste ano, 68% veio da soja – cerca de meio ponto percentual abaixo da participação registrada no ano passado.

Até agora, o ano de 2019 vem sendo o de menor participação da soja na produção de biodiesel desde que a ANP passou a acompanhar o consumo de matérias-primas pelas usinas de biodiesel, em 2009.

Considerando os números preliminares sobre a produção de biodiesel, foram fabricados 324,5 milhões de litros de biodiesel de soja no mês passado, maior volume mensal deste ano. Somados os resultados dos quatro primeiros meses de 2019, já são mais de 1,21 bilhão de litros.

Sebo e desconhecidas

Em abril, a soja tomou espaço tanto do sebo bovino quanto dos óleos e gorduras de fonte desconhecida, que aparecem virtualmente empatados com 11,9% de participação. Cada uma destas matérias-primas perdeu aproximadamente um ponto percentual de participação de mercado em abril.

Esse foi o segundo mês consecutivo em que ambas ficam praticamente no mesmo patamar, indicando uma aproximação cada vez maior entre as duas categorias de matéria-prima.

Minoritárias

Além da soja, as matérias-primas minoritárias também ganharam espaço. Coletivamente os óleos de algodão, milho e palma, o óleo de fritura usado e as gorduras de porco e de frango representaram 6,3% da produção de biodiesel, contra 5,9% no mês anterior.

No total, foram 29,3 milhões de litros de biodiesel fabricado a partir dessas fontes, contra 27,4 milhões de litros em março.

Esmagamento

Com o crescimento da produção de biodiesel de soja, a quantidade do grão esmagada para atender à demanda do mercado também avançou, chegando perto de 1,56 milhão de toneladas.

A última vez que o mercado de biodiesel demandou tanta soja foi em outubro, quando o processamento se aproximou de 1,65 milhão de toneladas.

De janeiro a abril, já foram esmagadas 5,84 milhões de toneladas de soja para atender à demanda do setor. O volume processado em relação ao mesmo período do ano passado avançou cerca de 12,7%.

Fonte: BiodieselBR

Demanda chinesa e dólar impulsionam venda de soja

A venda de soja do Brasil, que andava a passos lentos, disparou nos últimos dias com maior demanda da China, preços e prêmios nos portos pelo produto brasileiro fortalecidos e dólar acima de R$ 4, conforme dados do mercado.

Um volume de pouco mais de 5 milhões de toneladas de soja para exportação, equivalente a uma centena de navios, rodou no mercado para embarques em junho, julho e agosto, de acordo com relatos colhidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disse o pesquisador Lucílio Alves.

O estopim para essa forte negociação de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, foi o fracasso das negociações comerciais entre China e EUA, na semana passada, que traz mais demanda ao produto brasileiro.

Essa demanda adicional veio em um momento em que o dólar atingiu o maior valor em mais de sete meses, o que torna mais barata a importação. “O dólar barateia a importação e a guerra comercial desloca a demanda para cá”, diz.

O mercado estava fraco após a China ter buscado menos soja no Brasil no primeiro quadrimestre, conforme dados da agência marítima Cargonave, mas nesta semana os negócios foram impulsionados tanto pelos preços melhores, quanto o maior interesse chinês.

Ele lembrou que o preço para embarque em Paranaguá (PR) subiu de US$ 326,48 por tonelada no início de maio a US$ 345,68 tonelada na véspera, para embarque em junho.

Ao mesmo tempo, os prêmios para exportação em junho atingiram US$ 1 por bushelsobre o contrato julho da bolsa de Chicago, maior valor desde o início de dezembro de 2018 e mais que o dobro do visto no início do mês.

Segundo a T&F Consultoria, o Brasil negociou mais de 700 mil toneladas de soja só na quinta-feira, sendo a metade produto de Mato Grosso. “É possível que tenha sido um pouco mais. O mercado está muito frenético nesta semana”, diz Luiz Pacheco, da T&F.

Pico de exportação

A conjunção de fatores positivos para os negócios ocorre em momento em que o Brasil está no pico da temporada de exportação, logo após a colheita da oleaginosa, que foi a segunda maior da história, com mais de 114 milhões de toneladas.

“Agora com a safra praticamente finalizada, considerando que alguns produtores e vendedores estavam segurando as vendas, agora pode ser um bom momento da negociação”, destacou Alves. Em meio às notícias sobre a guerra comercial, a consultoria Safras & Mercado revisou a expectativa de exportações de soja do Brasil em 2019, para em 72,5 milhões de toneladas em 2019, ante 70 milhões de março.

Fonte: DCI

Líderes da agricultura se comprometem com a segurança alimentar global

Os líderes da área da agricultura do Brasil, da Argentina, do México, Canadá e dos Estados Unidos divulgaram nota em que se comprometem a trabalhar em conjunto “em defesa da segurança alimentar global e do comércio agrícola, com base em princípios científicos e de análises de risco”.

O Brasil foi representado pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na reunião de Líderes de Agricultura do Hemisfério Ocidental. O encontro ocorreu em Niigata, no Japão, paralelamente à reunião dos ministros de Agricultura do G20.

“Nossas cinco nações reconhecem que inovações no setor agrícola contribuem para melhorar a produtividade – inclusive de pequenos produtores, de jovens fazendeiros e de mulheres da área rural – de forma segura e sustentável e, também, para a capacidade de nossos países de atender à crescente demanda global por alimentos. Com a população mundial projetada para alcançar 9,8 bilhões em 2050, ciência e inovação terão papel chave para permitir que produtores agrícolas alimentem a todos de forma segura”, diz o comunicado conjunto.

Viagem à Ásia

Tereza Cristina lidera uma comitiva de 98 pessoas em viagem a quatro países do Oriente: Japão, China, Vietnã e Indonésia. A viagem, de 16 dias, começou na segunda-feira (6).

Segundo o Ministério da Economia, o Brasil mantém com os quatro parceiros comerciais uma pauta de exportação concentrada em produtos básicos como a soja triturada (China e Vietnã); trigo em grãos (Indonésia); carne de frango (Japão); algodão (Indonésia e Vietnã); café (Japão); farelo e resíduos de óleo de soja (Indonésia).

Fonte: Istoé Online

Brasil assume liderança da produção de soja na safra 2019/20

O Brasil deverá – finalmente – assumir a liderança do mercado global de soja na próxima temporada agrícola. Ao menos, é isso o que apontam as primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2019/20. Os números foram divulgados na edição de maio do relatório de oleaginosas publicado nessa sexta-feira (10).

Segundo o documento, depois de enfrentar uma temporada 2018/19 cheia de percalços climáticos, a sojicultura brasileira vai se recuperar e atingir a marca inédita de 123 milhões de toneladas colhidas.

Com isso, a produção crescerá 5,1% em relação à safra atual – que o USDA estima em 117 milhões de toneladas – e abrirá uma vantagem de 1 milhão de toneladas sobre o recorde anterior registrado no ciclo 2017/18.

Passo atrás

Enquanto os sojicultores brasileiros aceleram, os dos Estados Unidos deverão pisar no freio.

Segundo o USDA, a produção norte-americana – recém-saída de um recorde de 123,6 milhões de toneladas – amargará uma contração 8,7% na produção da temporada. A projeção é que sejam colhidas pouco mais de 112,9 milhões de toneladas de soja.

No total, produção mundial de soja deverá atingir a marca de 355,6 milhões de toneladas. Cerca de 1,8% menos que os 362,1 que devem chegar ao mercado este ano.

Maior exportador

Nas contas do USDA, o Brasil deverá exportar um pouco menos de soja em grão no próximo ano. A projeção é que os embarques somem 75 milhões de toneladas, cerca de 4,4% menos do que os 78,5 milhões de toneladas estimadas para este ano.

O volume representa pouco menos da metade da demanda mundial pela oleaginosa durante o período que deverá ser de 150,8 milhões de toneladas.

Já o mercado interno brasileiro de esmagamento deverá absorver 43,7 milhões de toneladas – 2,4% mais do que a quantidade esperada para este ano.

Liderança retrospectiva

Essa não é a primeira vez que o USDA prevê que o Brasil vai assumir a liderança do mercado global da oleaginosa. No primeiro relatório da safra 2018/19, o órgão do governo norte-americano apontava que a produção nacional superaria a norte-americana.

A vantagem – de meio milhão de toneladas – que o USDA via então era, no entanto, bem mais magra do que as atuais 10 milhões de toneladas.

Também pode não ser exatamente a primeira vez que o Brasil assume a dianteira do mercado. Nos últimos meses, o USDA revisou para cima os números da produção brasileira na safra 2017/18.

Até novembro passado, o número atribuído ao Brasil era de 119,8 milhões de toneladas. Praticamente empatado com os 120 milhões de toneladas colhidos pelos EUA naquele ciclo.

De lá para cá, no entanto, o número atribuído à produção brasileira passou por três aumentos enquanto o da produção dos EUA foi mantido. Em dezembro chegamos a 120,3 milhões de toneladas; em fevereiro em 120,8 milhões de toneladas; até que, em abril, atingimos os atuais 122 milhões de toneladas.

Vale registrar que a quantidade atribuída pelo USDA à produção nacional de soja na safra 2017/18 é consideravelmente maior que os 119.3 milhões de toneladas registrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fonte: BiodieselBR

Colheita de soja atinge 88,9% da área, diz Datagro

Trabalhos de campo avançaram significativamente desde a semana anterior, mesmo com chuvas em parte das regiões produtoras, segundo a consultoria

A colheita de soja da safra 2018/2019 no Brasil atingiu 88,9% da área plantada até a sexta-feira, dia 12, ante 83% na semana anterior, informou a consultoria Datagro, em relatório divulgado nesta terça-feira, dia 16. “Mesmo com registro de chuvas sobre parte importante da região produtora de soja do país, a colheita da oleaginosa avançou de forma significativa”, apontou a consultoria.

  • A colheita da safra verão de milho alcançou 83% da área na região Centro-Sul, ante 73,1% na semana anterior. O ritmo está acima dos 80% observados em igual momento de 2018, mas abaixo dos 88% de 2017 e dos 84,7% da média de cinco anos.

USDA

Segundo a Datagro, os dados do relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na semana passada foram positivos para os preços da soja e negativos para as cotações do milho e do trigo.

No caso da soja, o corte nos estoques finais dos EUA, enquanto o mercado previa um aumento, e o aumento abaixo do esperado dos estoques globais deram sustentação aos preços, mas o incremento na safra do Brasil amenizou o suporte.

Em relação ao milho, a elevação maior do que a prevista nos estoques dos EUA e mundiais e o aumento maior do que o esperado nas safras do Brasil e Argentina são baixistas para os preços. Já para o trigo, a expectativa do USDA para os estoques norte-americanos e globais pesa sobre as cotações, segundo a consultoria.

Fonte: Canal Rural

Exportação de soja do Brasil em março é a 2ª maior para o mês na história, aponta Secex

As exportações de soja do Brasil aumentaram 1,6 por cento no terceiro mês do ano na comparação com o mesmo período do ano passado, para 8,96 milhões de toneladas, configurando-se como o segundo maior volume já exportado pelo país em meses de março, de acordo com dados do governo divulgados nesta segunda-feira.

Navio é carregado com soja para exportação no porto de Paranaguá (PR)
27/03/2003
REUTERS/Paulo Whitaker

Navio é carregado com soja para exportação no porto de Paranaguá (PR) 27/03/2003 REUTERS/Paulo Whitaker Foto: Reuters

Para meses de março, os embarques do último mês só perderam para março de 2017, quando somaram 8,98 milhões de toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Reuters.

O volume registrado em março é quase 3 milhões de toneladas superior ao visto em fevereiro, quando o país estava apenas começando a exportar a soja de sua safra 2018/19, que estará entre as maiores da história do Brasil, apesar de perdas pela seca.

A soja, o principal produto exportado pelo Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, rendeu ao país em março 3,25 bilhões de dólares, levemente abaixo do mesmo perído do ano passado (3,4 bilhões de dólares), quando o preço do produto estava mais alto.

Segundo a Secex, o preço médio de exportação de soja atingiu 363,3 dólares por tonelada em março, ante 389,7 dólares no mesmo mês de 2018.

Os embarques foram fortes em março apesar de vendas mais lentas de produtores no início do ano. Mais recentemente, devido a um dólar mais forte, em torno de 4 reais, foram verificados mais negócios.

TRIMESTRE

As exportações de soja no primeiro trimestre somaram 17,2 milhões de toneladas, ante 13,2 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, com o impulso de uma colheita antecipada da oleaginosa neste ano.

Os embarques de milho também foram maiores no primeiro trimestre. O país exportou 891,9 mil toneladas em março e 6,8 milhões de toneladas nos três primeiros meses do ano, ante 4,88 milhões no mesmo período de 2018.

Exportadores disseram que os embarques de milho vão ganhar força em abril e maio, em meio à necessidade de liberar espaço nos armazéns para a segunda safra do cereal, a ser colhida em meados do ano.

Fonte: Reuters

Agricultura brasileira e tecnologia

Agricultura comercial: altamente mecanizada e voltada para o mercado externo

 O impacto das revoluções agrícolas na economia brasileira.

A agricultura no Brasil é uma das principais bases da economia do país e uma das maiores do mundo desde os primórdios da colonização até o século XXI, evoluindo das extensas monoculturas para a diversificação da produção. A agricultura é uma atividade que faz parte do setor primário onde a terra é cultivada e colhida para subsistência, exportação ou comércio.

Somente os agricultores familiares produzem cerca de 70% dos alimentos consumidos em nosso país. Eles são os principais responsáveis por abastecer nossas casas com, por exemplo, mandioca, feijão, carne suína e leite. De acordo com o relatório Perspectivas Agrícolas 2015-2024, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o segundo maior exportador agrícola mundial e o maior fornecedor de açúcar, suco de laranja e café.

Nossa produção, no entanto, é marcada por desigualdades. De um lado, há um próspero e moderno modelo de agropecuária comercial e, do outro, a agropecuária familiar, com recursos bem mais modestos. A agropecuária comercial é intensamente mecanizada e produz, principalmente, culturas de exportação, como a soja, a cana-de-açúcar, o café e a laranja. Ela está associada a uma extensa cadeia de atividades econômicas, que engloba a indústria de insumos agrícolas (maquinários, agroquímicos e biotecnologias), a produção agrícola (toda a matéria-prima produzida no campo) e a agroindústria (beneficiamento das matérias-primas, transformando-as em produtos com maior valor agregado). O agronegócio brasileiro tem destaque internacional e uma importância muito grande para a nossa economia.

Já a agropecuária familiar utiliza técnicas mais rudimentares, sem tanto aparato tecnológico. Normalmente, não utilizam adubos, fertilizantes ou pesticidas, além de terem baixa mecanização. É esta modalidade, no entanto, que emprega a maior parte da mão de obra brasileira que trabalha no campo (cerca de 80%, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006) e produz, principalmente, culturas alimentares como feijão e mandioca.

Revoluções agrícolas

Ao longo da história, houve grandes transformações no meio rural. Há 10 mil anos, ocorreu a revolução agrícola neolítica, que tinha três características principais: o cultivo na várzea dos rios, a rotação de culturas e a plantação em terraços. Nos séculos XVIII e XIX houve crescimento da produção agrícola devido ao uso de fertilizantes naturais (esterco) e, posteriormente, de máquinas agrícolas.

Na metade do século XX, houve a revolução verde, que tinha como objetivo solucionar a falta de alimentos em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Para produzir mais intensamente, ela valeu-se de tecnologias mais avançadas, mão de obra especializada, sementes selecionadas e agrotóxicos.

Mais recentemente, temos a revolução agrobiotecnológica, caracterizada pela produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), os polêmicos alimentos transgênicos. Paralelamente, também vem sendo usada a agricultura orgânica, que não utiliza agrotóxicos, e a técnica da agrofloresta, que combina culturas agrícolas com culturas florestais.

Fonte: Brasil Agro

Oferta farta reduz espaço para alta do preço da soja

Um eventual acordo entre Estados Unidos e China para encerrar suas disputas comerciais não será suficiente para abrir espaço para altas expressivas dos preços internacionais da soja nos próximos meses. Isso porque, como lembram analistas, não há armistício que possa se sobrepor à lei da oferta e da demanda. Enquanto a oferta conjunta de Brasil e EUA, que lideram as exportações mundiais do grão, é ampla, a demanda da China, que responde por 60% das importações, arrefeceu diante de um crescimento menor de sua economia e dos problemas causados pela peste suína africana.

A última janela de onde ainda se vislumbrava uma possível valorização relevante aos poucos está se fechando. Por causa de inundações em regiões produtoras de grãos do Meio-Oeste americano, as estimativas de redução da área plantada no país na safra 2019/20, em decorrência dos preços pouco atraentes na bolsa de Chicago, começam a ser revistas. Na semana passada, a consultoria AgriCensus ainda apontava para uma redução de 1,2 milhão de hectares em relação à temporada 2018/19, para 34,9 milhões, em detrimento do plantio de milho, cuja área foi projetada em 37 milhões de hectares, um aumento de 890 mil. Ocorre que o milho é plantado antes da soja nos EUA e as inundações tendem a limitar essa migração.

Se essa expectativa se confirmar, o copo, que já está cheio, poderá transbordar. No mercado, estima-se que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontará, em relatório que será divulgado na sexta-feira, que os estoques americanos de soja estavam com 73,1 milhões de toneladas de soja no início deste mês, 15,7 milhões de toneladas a mais que em 1º de março de 2018. Esse volume se somará ao atual forte ritmo de vendas de Brasil e Argentina – que ontem derrubou as cotações em Chicago, mas que também tende a arrefecer diante do enfraquecimento da demanda chinesa.

O USDA calcula que nesta temporada internacional 2018/19, que terminará em agosto, a oferta total de soja no mundo, somando-se estoques iniciais e produção, alcançará 458,6 milhões de toneladas, ante uma demanda de 348,5 milhões. Dessa forma, os estoques finais no ciclo deverão chegar a 107,2 milhões de toneladas, quase 10 milhões a mais que no fim do ciclo 2017/18.

Diante dessa enxurrada, no Brasil, a Abiove, que representa as indústrias exportadoras, projeta que os embarques do grão ficarão em 70,1 milhões de toneladas em 2019, quase 13 milhões a menos que no ano passado. Na mesma comparação, calcula a entidade, a receita das vendas recuará 20%, para US$ 33,2 bilhões. O cenário já se reflete nos prêmios pagos pela soja do país. Esses explodiram nos primeiros meses das disputas de Pequim e Washington e compensaram as quedas das cotações em Chicago – que acusa sobretudo a realidade dos EUA -, mas já voltaram a níveis considerados normais.

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“Os contratos de soja não vão chegar a US$ 10 o bushel [27,2 quilos] apenas com um acordo comercial entre EUA e China. Há ainda uma oferta muito grande”, afirma Luiz Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. Ontem, com a queda observada, os futuros de segunda posição de entrega do grão fecharam a US$ 9,01 o bushel, com quedas de 1% neste mês e de 12,6% nos últimos 12 meses, de acordo com cálculos do Valor Data.

No que depender dos mais recentes movimentos dos fundos especulativos que atuam nesse mercado, novas quedas estão por vir. Segundo o relatório divulgado na sexta-feira pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), no dia 19 os investidores institucionais detinham uma posição líquida de venda de 63.992 contratos. O número corresponde à diferença entre o número de posições compradas (com as quais os fundos tentam lucrar com a alta dos preços) e o de posições vendidas (com os quais tentam ganhar com a queda). No fim de 2018, o saldo líquido vendido era de 18.136 contratos.

“Essas apostas indicam que os fundos não acreditam numa retomada concreta de compras da China”, diz Roque. “E mais da metade dos contratos negociados em Chicago estão nas mãos dos fundos, o que indica que dificilmente a soja subirá expressivamente”. O analista avalia que, em caso de acordo entre as potências, o grão pode chegar aos US$ 9,50 por bushel, mas dificilmente a escalada superará muito esse platô.

A China não ajuda a tornar o cenário menos baixista. Com o surto de peste suína africana – que eleva a demanda por carne, mas reduz as compras de soja para a produção de ração – e a desaceleração da economia, o país asiático importou 11,8 milhões de toneladas do grão no primeiro bimestre do ano, queda de 14,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Em 2018/19, projeta o USDA, as importações chinesas ficarão em 88 milhões de toneladas, 6,5% menos que na safra passada.

Conforme Steve Bruce, analista da Walsh Trading sediada em Chicago, o mundo está diante de uma oferta confortável de soja e de proteína animal. “Do lado micro, isso ajuda a explicar a posição vendida dos fundos. Mas ele ressalva que esses fundos estão suscetíveis a um rally de preços, já que estão em nível “vendido o suficiente”. Mas não significaria muito mais que um alento para as cotações. Noves fora, concordam os analistas, é bom não esperar muito da visita da delegação americana à Pequim, no fim desta semana, nem da delegação chinesa que desembarcará em Washington na semana que vem. Se a soja disparar em razão de um acordo, será um voo de galinha.

Fonte: BiodieselBR

Sementes geneticamente alteradas da soja ajudam a modernizar economia

Pesquisa mostra que sementes geneticamente alteradas ajudaram a modernizar a economia brasileira a partir de 2003, beneficiando não só agricultores, mas também centros urbanos

Uma conhecida máxima no campo da ciência diz que estudos acadêmicos só têm valor se desafiarem o senso comum. Do contrário, eles se prestam apenas para reforçar velhas teorias. Nesse aspecto, uma extenuante pesquisa realizada por três professores especializados na área de finanças tem méritos de sobra.

Jacopo Ponticelli, professor- adjunto de finanças da americana Kellogg School, uma das mais importantes escolas de negócios do mundo, Bruno Caprettini, da Universidade de Zurique, referência em ensino na Suíça, e Paula Bustos, do Centro de Estudos Monetários e Financeiros da Espanha, instituição consagrada na área de inovação, resolveram analisar o impacto da cultura de soja geneticamente modificada na economia brasileira.

Estudo

Segundo o estudo, os efeitos econômicos do plantio não só foram positivos como se alastraram para os centros urbanos e áreas industriais. O resultado, portanto, se opõe ao que os especialistas convencionais imaginavam.

O estudo começou com uma premissa: na primeira década dos anos 2000, um dos períodos mais prósperos da história brasileira recente, o que teria levado trabalhadores das fazendas a migrar para o setor industrial? As novas oportunidades econômicas das grandes cidades atraíram os homens do campo ou foram as mudanças na agricultura que os forçaram a trocar a terra pelo asfalto? Os pesquisadores suspeitavam que a resposta tinha a ver com a soja. Ou, para ser mais preciso, com a soja geneticamente modificada.

“Maradona”

É preciso voltar no tempo para entender a linha de raciocínio dos profissionais. Em 2003, o Brasil legalizou, em meio a uma enxurrada de protestos de ONGs e movimentos sociais, a semente de soja Roundup Ready (RR), desenvolvida pela Monsanto. Naquela época, como agora, a empresa era alvo de manifestações sob o argumento de que uma semente modificada poderia causar danos à saúde. Chamada de “Soja Maradona”, uma singela homenagem dos cientistas que a desenvolveram a um dos maiores jogadores da história do futebol, a semente foi criada com uma única missão: resistir a herbicidas.

A soja geneticamente modificada alterou essa lógica. Antes dela, os agricultores não conseguiam controlar as ervas daninhas por meio da aplicação de herbicidas sem matar também as suas plantações. Como a Roundup Ready resistia aos produtos químicos, a limpeza dos campos para a retirada de ervas daninhas deixou de ser necessária. Isso, por sua vez, permitiu a produção da mesma quantidade de soja em menos tempo e com um número menor de trabalhadores para realizar o serviço.

Naquela época, em 2003, analistas disseram que esse movimento beneficiava apenas os donos da terra, já que milhares de funcionários seriam descartados. Além disso, os centros urbanos e industriais não teriam nada a ver com a história, pois sua estrutura econômica independia do que ocorria no campo. Eles estavam errados.

Fonte: Correio Braziliense

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