Soja: Brasil se consolida como maior exportador global, com participação de 56%

O Brasil se consolidou como maior exportador de soja em 2018, atingindo participação de 56% nas exportações globais do grão, mostra levantamento divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O país ampliou em 29% as vendas externas de soja em relação ao ano anterior. Já as exportações de soja dos EUA representaram 29% do total no ano passado, segundo a entidade, com embarques caindo 20% ante 2017.

O Paraguai representou 4% dos embarques da oleaginosa em 2018 (aumento de 3% nas exportações na comparação anual), enquanto o Canadá significou outros 4% (incremento de 14%).

Ainda conforme a OMC, as exportações totais de soja em 2018 totalizaram US$ 60 bilhões. Em 2017, os embarques da oleaginosa haviam totalizado US$ 58 bilhões. A participação da oleaginosa nas exportações de produtos agrícolas aumentou de 2,6% em 2008 para 3,3% em 2018. Em média, as exportações de soja aumentaram 5,5% ao ano durante esse período de 10 anos, atingindo um pico em 2018. “As exportações de soja cresceram mais do que as exportações de produtos agrícolas em geral (3,1% ao ano), apesar de uma queda de 24% nos preços da soja desde 2008”, disse a OMC.

O Brasil ampliou em 6% as exportações de produtos agrícolas em 2018 ante o ano anterior, atingindo receita de US$ 93 bilhões, e continuou ocupando o posto de terceiro maior exportador do segmento, apontou a OMC. O maior aumento foi da China, de 9% na comparação com 2017, para US$ 83 bilhões. O país asiático vem logo atrás do Brasil, no quarto lugar entre os maiores exportadores de produtos agrícolas.

De acordo com a OMC, a União Europeia continuou liderando a lista, com receita obtida com a exportação do setor de US$ 681 bilhões (+6% ante 2017), seguida pelos Estados Unidos, com US$ 172 bilhões (+1%). Entre os dez maiores exportadores de produtos agrícolas, a Austrália foi o país que registrou maior queda nos embarques de 2017 para 2018, de 10%, para US$ 38 bilhões, puxada por trigo e centeio. Com isso, o país perdeu o posto de oitavo maior exportador do segmento para a Índia e passou ao nono lugar.

Fonte: Istoé Dinheiro

Boas expectativas para o agronegócio

Sucesso dependerá crucialmente de pesquisa, investimentos em infraestrutura e condições de financiamento. Governo terá um peso determinante.

Há uma visão de futuro pelo menos em um ministério, o da Agricultura. Essa visão é estimulante e compatível com a história de sucesso do agronegócio brasileiro, o setor mais competitivo da economia nacional, e com seu papel de grande fornecedor de alimentos para o mundo. Nos próximos dez anos haverá mais 10,3 milhões de hectares plantados, segundo projeção recém-publicada, e as lavouras deverão crescer principalmente em pastagens naturais e em áreas degradadas. As colheitas deverão aumentar proporcionalmente mais que a área ocupada, mantendo-se preservada a maior parte do território. O aumento da produção, de acordo com o estudo, deverá resultar basicamente de ganhos de produtividade, como tem sido normal há décadas.

A área total das lavouras deverá passar de 75,4 milhões de hectares para 85,68 milhões. A terra destinada aos grãos deverá aumentar de 62,9 milhões de hectares para 72,4 milhões, com ampliação de 15,3% em dez anos. A produção total de grãos deverá saltar de 236,7 milhões de toneladas (volume estimado da safra 2018/19) para 300 milhões, com acréscimo de 27%, segundo o trabalho Projeções do Agronegócio.

O persistente ganho de produtividade, medido neste caso pela relação entre o volume colhido e o espaço ocupado, tem permitido ampliar a produção muito mais rapidamente que a área cultivada. Tem sido muito limitado, portanto, o avanço das lavouras sobre territórios ainda inexplorados. Enquanto a área plantada aumentou 30,2%, a produção das lavouras cresceu 58% entre as safras 2007/08 e 2017/18.

Esse padrão de cultivo tem sido um importante fator de preservação ambiental – detalhe pouco explorado, no entanto, quando se expõem ao público internacional as condições da agricultura brasileira. Sendo altamente competitivo, o agronegócio brasileiro impõe desafios significativos aos produtores de outros países. Reações protecionistas são uma forma previsível de reação.

A criação de barreiras com base em argumentos ambientalistas é um perigo constante. Esse perigo aumenta quando o presidente brasileiro e alguns ministros mantêm um discurso interpretável, facilmente, como contrário às políticas de preservação ambiental.

Apesar das enormes distorções observadas no mercado internacional, afetado por barreiras protecionistas e amplos subsídios concedidos pelos governos do mundo rico, o Brasil conquistou e pode continuar conquistando grandes espaços no comércio do agronegócio.

Ainda sem avaliar os efeitos possíveis do acordo Mercosul-União Europeia, o estudo aponta produtos com probabilidade maior de ganhos na exportação. Algodão em pluma, soja em grão, milho, açúcar, leite, carnes suína, de frango e bovina aparecem na lista, ao lado de manga, uva, melão, mamão papaia e celulose. Para a maior parte desses produtos se estimam aumentos de volume superiores a 30% em dez anos.

As projeções de produção cobrem produtos vegetais e animais e o trabalho explora as possibilidades do agronegócio segundo regiões. Uma seção especial é dedicada ao Matopiba, formado por parcelas contíguas dos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A adaptação de lavouras a novas áreas, com solo e climas diferentes, tem sido uma das características mais notáveis do desenvolvimento agrícola do Brasil. Isso teria sido impossível, ou muitíssimo difícil, sem o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e de outras instituições de investigação científica e tecnológica. O papel central continua sendo o da Embrapa. A empresa conseguiu sobreviver a umas poucas e perigosas tentativas de aparelhamento e conseguirá, espera-se, resistir a interferências de ordem ideológica.

Só uma parte do avanço projetado pelo Ministério da Agricultura para os próximos dez anos dependerá do próprio agronegócio. O sucesso dependerá crucialmente da pesquisa, dos investimentos em infraestrutura e das condições de financiamento. Nada disso está garantido. No Brasil, como no mundo rico, a ação do governo continuará tendo um peso determinante.

Fonte: Brasil Agro

Safra de grãos pode bater novo recorde

Se confirmado, esse será o melhor resultado da história, superando o recorde anterior, de 237,6 milhões de toneladas da safra 2016/2017

É do campo que, mais uma vez, vem uma notícia alentadora, em meio a dados e informações preocupantes sobre o estado geral da economia brasileira. Contrapondo-se à perda de dinamismo da produção industrial e aos maus resultados do comércio e do setor de serviços, a produção de grãos na safra 2018/2019 deve atingir 240,65 milhões de toneladas, conforme o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado, esse será o melhor resultado da história, superando o recorde anterior, de 237,6 milhões de toneladas da safra 2016/2017.

Entre essas duas safras, a de 2017/2018 foi também expressiva (de mais de 227 milhões de toneladas). São números que mostram o vigor da agricultura, que, com alto nível de produção e de produtividade, tem assegurado à população alimentos em quantidade e preços adequados. O campo gera também robustos saldos na balança comercial, os quais dão segurança às contas externas do País num período de incertezas no plano interno.

O resultado estimado para a safra 2018/2019 no décimo levantamento da Conab é 5,7%, ou 13 milhões de toneladas, maior do que o da safra anterior. A área plantada estimada, de 62,9 milhões de hectares, é 1,9% maior do que a utilizada na safra anterior. Assim, com crescimento maior da produção do que da área utilizada, mais uma vez a agricultura brasileira registrará aumento de produtividade.

De acordo com a Conab, as condições climáticas no início da safra tiveram papel decisivo para o avanço do plantio, pois propiciaram períodos favoráveis para a semeadura das culturas da primeira safra, especialmente a soja. O clima ajudou também as lavouras da segunda safra, “gerando um bom ritmo de cultivo nos principais Estados produtores”, como ressalta o relatório da Conab.

Entre os produtos destacados pela Conab está o milho da segunda safra, cuja produção deverá alcançar o recorde de 72,4 milhões de toneladas, 34,2% mais do que a da safra anterior. A produção do milho da primeira safra, porém, deverá ficar em 26,2 milhões de toneladas, com redução de 2,5%.

A produção de arroz, estimada em 10,4 milhões de toneladas, será 13,6% menor do que a da safra 2017/2018. Também a do feijão da primeira diminuiu (22,5%), somando 996,9 mil toneladas. Mas não há ameaças para o abastecimento desses itens essenciais da mesa dos brasileiros.

Fonte: Brasil Agro

Soja atinge maior participação na produção de biodiesel em nove meses

A soja continua ganhando espaço no mix de matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel. Em maio, um pouco mais de 73,2% dos 448,3 milhões de litros de biocombustível que foram fabricados tiveram origem no principal produto do agronegócio brasileiro. Trata-se de um crescimento de 3,4 pontos percentuais sobre o resultado de abril.

Essa foi a primeira vez que a participação do óleo derivado do grão volta a superar o patamar de 70% desde agosto do ano passado – mês em que a soja representou 74,1% da produção. Os oito meses que se passaram entre setembro de 2018 e abril de 2019 representam o maior período contínuo na história do setor de biodiesel em que a fatia da soja no mercado fica abaixo desse patamar.

Os números de maio dão continuidade a um processo de crescimento na participação da soja que vem ganhando corpo desde fevereiro conforme os grãos da safra 2018/19 começaram a entrar no mercado com mais força.

Embora esperado em função da sazonalidade do mercado do grão, o arranque chegou um pouco mais tarde do que costuma acontecer. Nos últimos cinco anos – 2014 a 2018 – a fatia reserva ao grão cresceu continuamente entre janeiro e maio. Não é bem isso o que está acontecendo dessa vez. Pelo histórico, a expectativa é que a participação atinja um platô até julho e, depois disso, comece a recuar.

Também é importante frisar que, a despeito do avanço atual, a participação da soja continua em níveis mais baixos do que os registrados nos últimos 5 anos. Considerando apenas os meses de maio entre 2014 e 2018, a soja teve 76,8% do mercado de biodiesel.

Redução

O crescimento da soja se deu principalmente sobre o sebo bovino e das matérias-primas desconhecidas. Em abril, ambas estiveram virtualmente empatadas com 11,9% do mercado, e perderam, respectivamente, 1,2 e 1,4 ponto percentual em maio.

Para o sebo, os 10,7% de maio representam a menor participação na produção de biodiesel desde março de 2017 – quando teve 9,3% do mercado total. Foram fabricados 48,1 milhões de litros de biodiesel de sebo.

Já as desconhecidas tiveram 10,5% do total fabricado. Isso representa um montante de 47,1 milhões de litros de biodiesel.

A produção de biodiesel a partir de óleo de fritura reaproveitado também caminhou para trás. De 1,9% em abril para 0,9% em maio. Trata-se a menor participação de mercado para essa matéria-prima em 21 meses com pouco mais de 4,3 milhões de litros fabricados.

Além da soja a única matéria-prima que realmente teve um mês positivo foi a palma-de-óleo que fechou o mês com mais de 2,1% do mercado e mais de 9,5 milhões de litros fabricados.

Esmagamento

O crescimento da fatia reservada ao óleo soja mais do que compensou a redução na produção das usinas permitindo que o esmagamento avançasse 1,2% de abril para maio e atingisse a marca de 1,57 milhão de toneladas.

O volume do grão processado para atender à demanda do setor de biodiesel foi o maior desde outubro passado quando chegou perto dos 1,64 milhão de toneladas. Desde o começo do ano, a demanda de óleo dos fabricantes de biodiesel exigiu o esmagamento de 7,41 milhões de toneladas de soja.

Fonte: BiodieselBR

Brasil a caminho de ser o maior produtor de soja do mundo

Graças à voracidade chinesa, a colheita da soja no Brasil, que deveria cair levemente este ano, pode aumentar no ciclo 2019/20 até superar a dos Estados Unidos, atualmente os maiores produtores mundiais.

O departamento americano de Agricultura avaliou na quarta-feira que a produção do grão no Brasil chegará a 123 milhões de toneladas em 2020, em comparação com as 117 milhões deste ano. Já os Estados Unidos vão registrar uma queda de 123,6 milhões de toneladas para 112 milhões devido a péssimas condições climáticas.

Atual maior exportador mundial de soja, logo à frente dos EUA, o Brasil registou em 2018 um recorde na comercialização do produto para o exterior, com 83,6 milhões de toneladas negociadas, o que significa um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

Esse resultado se explica fundamentalmente pelo apetite dos chineses que, em plena guerra tarifária com os Estados Unidos, aumentaram suas compras do Brasil.

As exportações de soja brasileira para a China subiram 30%, movimentando 68,8 milhões de toneladas.

Já a União Europeia compra do Brasil um terço da soja de que necessita.

Apesar disso, a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais estima que as exportações de grãos de soja devem cair 18,5% este ano devido à peste suína africana que está fazendo estragos na Ásia.

– Frenético aumento –

Principal grão do Brasil, a soja foi introduzida no país em 1914 e sua produção passou de 25 mil toneladas em 1949 para um milhão em 1969.

A partir da década de 1970, o setor registrou febril crescimento graças à migração de produtores do sul para o centro-oeste, com o desenvolvimento de novas técnicas de cultivo e o uso de pesticidas. Assim, em 1979 a produção chegou a 15 milhões de toneladas.

“Os preços aumentavam e os produtores do sul não tinham tinham terra suficiente para desenvolver. Muitos se instalaram no Cerrado, onde transformaram terras baratas mas inóspitas para plantar a oleaginosa”, disse Amélio Dall’Agnol, da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).

Essa migração coincidiu com o desenvolvimento do sistema de semeadura direta para grandes cultivos, que permitiu ao Brasil ser parte de uma revolução agrícola.

A semeadura direta consiste em não arar a terra antes do próximo plantio e usar a serrapilheira como cobertura vegetal para, desta forma, limitar a erosão do solo. Essa técnica, da qual o Brasil é hoje líder mundial, está associada ao uso intensivo de herbicidas para limpar o solo antes da semeadura.

– Soja geneticamente modificada –

As variedades de soja geneticamente modificadas “foram necessárias para adaptar o cultivo à latitude do Cerrado”, disse Dall’Agnol. “Esse foi um fator-chave para o aumento da nossa produtividade”, acrescentou.

Plantada ilegalmente nos anos 1990, a soja transgênica teve sua comercialização temporariamente autorizada em 2003, e dois anos mais tarde o Congresso a confirmou.

Em 2017, as variedades de soja transgênica ocupavam 96,55% da superfície cultivada contra 22% em 2004, segundo a assessoria Céleres.

Apesar das críticas de ambientalistas, que apontam o avanço dos cultivos às custas do desmatamento, o Brasil crê que tem capacidade para reforçar sua posição de domínio mundial.

“Nosso país é um dos poucos que ainda podem aumentar suas terras cultivadas em 70 e 80 milhões de hectares a mais, o que lhe permitiria mais que duplicar a produção de cereais e oleaginosas”, disse Leonardo Sologuren, presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil.

Fonte: Istoé

Como a guerra comercial entre EUA e China atinge o agro brasileiro

Conflito entre duas potências globais desenhou nova política de compras internacionais e no curto prazo tende a fazer o Brasil exportar mais.

Em meados de maio, Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), recebeu um telefonema surpreendente. “Do outro lado da linha, estava um diplomata brasileiro da nossa embaixada na Arábia Saudita que queria me dar uma notícia importante”, lembra Turra.

Com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, os sauditas passaram a se preocupar com um aumento das exportações de alimentos do Brasil para os chineses e uma eventual redução dos embarques para a Arábia Saudita. Novas conversas, com autoridades sauditas e fabricantes brasileiros, estão sendo realizadas para a habilitação de frigoríficos no Brasil. “Com a população em crescimento, eles não podem se dar ao luxo de pensar em sofrer perdas no abastecimento de alimentos por conta das tensões comerciais entre China e Estados Unidos”, diz Turra.Com tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre US$ 200 bilhões em importações de produtos chineses em maio, seguida de uma retaliação da China, o mapa global das comércio mudou.

O movimento do governo saudita ilustra bem a nova política de compras internacionais. “A tendência é que, daqui em diante, as relações comerciais sejam mais pautadas por questões de confiança e política entre os países do que apenas por preço e qualidade”, analisa Marcos Jank, CEO da Aliança Agro-Brasil.

Os Estados Unidos, que até pouco tempo rivalizavam com o Brasil no fornecimento de soja para a China, devem perder alguns degraus de sua posição neste ano. O produto, assim como milho, legumes, peixes, fruto do mar e outros itens do agronegócio, entrou na lista de 5 mil artigos chineses que passaram a ter taxação de 25% nos Estados Unidos.

“A tendência é que alguns setores da agricultura e pecuária brasileira aumentem as vendas para a China, mas ainda é cedo para avaliar o impacto para o ano”, diz Ligia Dutra, superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que integrou a comitiva do governo brasileiro em visita à China e outros países asiáticos em maio.“Não sabemos se a China e os Estados Unidos vão chegar a um acordo e quais seriam os termos da negociação”, complementa.

Segundo a Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento das exportações para a China deve ser sentido a partir do segundo semestre, quando os estoques chineses chegarem ao final. “Mesmo com a peste suína africana, que já dizimou milhares de porcos na China, estimamos que a comercialização de soja deve aumentar porque nosso produto ganhou competitividade em relação ao americano, com a guerra tarifária”, diz Daneil Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove.

Em 2018, a China foi o destino de 82% das exportações de soja brasileira, segundo o Rabobank. Este ano, a porcentagem pode subir para 85%. “A prolongação da tensão comercial entre China e Estados Unidos deve manter os chineses com níveis de compra da soja brasileira acima do que vimos em anos anteriores”, diz Victor Ikeda, analista do Rabobank no Brasil.

Na ABPA, o clima também é de otimismo. As vendas de aves para a China aumentaram 7% no acumulado de janeiro a abril, atingindo 39,1 mil toneladas, em comparação ao mesmo período do ano passado. “Uma boa parte desse resultado é relacionado a maiores tarifas que o frango americano está pagando na China, o que torna o produto brasileiro ainda mais atraente”, diz Turra.

Perigo
De acordo com análises do Rabobank, o cenário de médio e longo prazo pode não ser tão luminoso. A expectativa é que a guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo leve a uma queda no ritmo da expansão econômica global, com uma retração do comércio internacional. Com os países comprando menos, praticamente todas as economias do mundo correm o risco de serem atingidas.

O presidente Donald Trump tem ameaçado aumentar para 25% as tarifas de todos os produtos importados da China, o que provavelmente seria acompanhado por uma retaliação chinesa. Em um cenário como esse, de guerra comercial total, a queda na taxa de expansão da economia global seria ainda mais impactada, com uma queda de 0,5% em 2020. No final de junho, Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem se encontrar no Japão para a reunião do G-20, dos países mais ricos do mundo, e conversar sobre as tensões entre os dois países.

“Mesmo que haja um acordo, contamos com um acerto fraco, sem definições de compromissos, como mudanças na política industrial chinesa”, diz Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil. Para Marcos Jank, mesmo no contexto atual, de tarifas mais altas para produtos americanos na China, o Brasil ainda precisa fazer uma lição de casa para conquistar saltos significativos nas exportações. “Alguns fatores, relacionadas a questões sanitárias, ainda nos impedem de vender mais”, afirma Jank. “Precisamos olhar com calma para esses pontos antes de sair soltando fogos com as possiblidades de grandes aumentos nas vendas externar”.

Fonte: Brasil Agro

Soja volta a ganhar espaço na produção de biodiesel em abril

O resultado está 1,5 ponto percentual acima do que havia sido reportado pelos fabricantes em março. Trata-se da maior fatia do óleo de soja na produção mensal de biodiesel em oito meses. Em agosto de 2018, 74,1% do biodiesel produzido foi feito a partir da soja.

Apesar da alta, entretanto, a participação do óleo de soja continua levemente inferir à apresentada no ano passado. Do total de biodiesel fabricado entre janeiro e abril deste ano, 68% veio da soja – cerca de meio ponto percentual abaixo da participação registrada no ano passado.

Até agora, o ano de 2019 vem sendo o de menor participação da soja na produção de biodiesel desde que a ANP passou a acompanhar o consumo de matérias-primas pelas usinas de biodiesel, em 2009.

Considerando os números preliminares sobre a produção de biodiesel, foram fabricados 324,5 milhões de litros de biodiesel de soja no mês passado, maior volume mensal deste ano. Somados os resultados dos quatro primeiros meses de 2019, já são mais de 1,21 bilhão de litros.

Sebo e desconhecidas

Em abril, a soja tomou espaço tanto do sebo bovino quanto dos óleos e gorduras de fonte desconhecida, que aparecem virtualmente empatados com 11,9% de participação. Cada uma destas matérias-primas perdeu aproximadamente um ponto percentual de participação de mercado em abril.

Esse foi o segundo mês consecutivo em que ambas ficam praticamente no mesmo patamar, indicando uma aproximação cada vez maior entre as duas categorias de matéria-prima.

Minoritárias

Além da soja, as matérias-primas minoritárias também ganharam espaço. Coletivamente os óleos de algodão, milho e palma, o óleo de fritura usado e as gorduras de porco e de frango representaram 6,3% da produção de biodiesel, contra 5,9% no mês anterior.

No total, foram 29,3 milhões de litros de biodiesel fabricado a partir dessas fontes, contra 27,4 milhões de litros em março.

Esmagamento

Com o crescimento da produção de biodiesel de soja, a quantidade do grão esmagada para atender à demanda do mercado também avançou, chegando perto de 1,56 milhão de toneladas.

A última vez que o mercado de biodiesel demandou tanta soja foi em outubro, quando o processamento se aproximou de 1,65 milhão de toneladas.

De janeiro a abril, já foram esmagadas 5,84 milhões de toneladas de soja para atender à demanda do setor. O volume processado em relação ao mesmo período do ano passado avançou cerca de 12,7%.

Fonte: BiodieselBR

Demanda chinesa e dólar impulsionam venda de soja

A venda de soja do Brasil, que andava a passos lentos, disparou nos últimos dias com maior demanda da China, preços e prêmios nos portos pelo produto brasileiro fortalecidos e dólar acima de R$ 4, conforme dados do mercado.

Um volume de pouco mais de 5 milhões de toneladas de soja para exportação, equivalente a uma centena de navios, rodou no mercado para embarques em junho, julho e agosto, de acordo com relatos colhidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disse o pesquisador Lucílio Alves.

O estopim para essa forte negociação de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, foi o fracasso das negociações comerciais entre China e EUA, na semana passada, que traz mais demanda ao produto brasileiro.

Essa demanda adicional veio em um momento em que o dólar atingiu o maior valor em mais de sete meses, o que torna mais barata a importação. “O dólar barateia a importação e a guerra comercial desloca a demanda para cá”, diz.

O mercado estava fraco após a China ter buscado menos soja no Brasil no primeiro quadrimestre, conforme dados da agência marítima Cargonave, mas nesta semana os negócios foram impulsionados tanto pelos preços melhores, quanto o maior interesse chinês.

Ele lembrou que o preço para embarque em Paranaguá (PR) subiu de US$ 326,48 por tonelada no início de maio a US$ 345,68 tonelada na véspera, para embarque em junho.

Ao mesmo tempo, os prêmios para exportação em junho atingiram US$ 1 por bushelsobre o contrato julho da bolsa de Chicago, maior valor desde o início de dezembro de 2018 e mais que o dobro do visto no início do mês.

Segundo a T&F Consultoria, o Brasil negociou mais de 700 mil toneladas de soja só na quinta-feira, sendo a metade produto de Mato Grosso. “É possível que tenha sido um pouco mais. O mercado está muito frenético nesta semana”, diz Luiz Pacheco, da T&F.

Pico de exportação

A conjunção de fatores positivos para os negócios ocorre em momento em que o Brasil está no pico da temporada de exportação, logo após a colheita da oleaginosa, que foi a segunda maior da história, com mais de 114 milhões de toneladas.

“Agora com a safra praticamente finalizada, considerando que alguns produtores e vendedores estavam segurando as vendas, agora pode ser um bom momento da negociação”, destacou Alves. Em meio às notícias sobre a guerra comercial, a consultoria Safras & Mercado revisou a expectativa de exportações de soja do Brasil em 2019, para em 72,5 milhões de toneladas em 2019, ante 70 milhões de março.

Fonte: DCI

Líderes da agricultura se comprometem com a segurança alimentar global

Os líderes da área da agricultura do Brasil, da Argentina, do México, Canadá e dos Estados Unidos divulgaram nota em que se comprometem a trabalhar em conjunto “em defesa da segurança alimentar global e do comércio agrícola, com base em princípios científicos e de análises de risco”.

O Brasil foi representado pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na reunião de Líderes de Agricultura do Hemisfério Ocidental. O encontro ocorreu em Niigata, no Japão, paralelamente à reunião dos ministros de Agricultura do G20.

“Nossas cinco nações reconhecem que inovações no setor agrícola contribuem para melhorar a produtividade – inclusive de pequenos produtores, de jovens fazendeiros e de mulheres da área rural – de forma segura e sustentável e, também, para a capacidade de nossos países de atender à crescente demanda global por alimentos. Com a população mundial projetada para alcançar 9,8 bilhões em 2050, ciência e inovação terão papel chave para permitir que produtores agrícolas alimentem a todos de forma segura”, diz o comunicado conjunto.

Viagem à Ásia

Tereza Cristina lidera uma comitiva de 98 pessoas em viagem a quatro países do Oriente: Japão, China, Vietnã e Indonésia. A viagem, de 16 dias, começou na segunda-feira (6).

Segundo o Ministério da Economia, o Brasil mantém com os quatro parceiros comerciais uma pauta de exportação concentrada em produtos básicos como a soja triturada (China e Vietnã); trigo em grãos (Indonésia); carne de frango (Japão); algodão (Indonésia e Vietnã); café (Japão); farelo e resíduos de óleo de soja (Indonésia).

Fonte: Istoé Online

Brasil assume liderança da produção de soja na safra 2019/20

O Brasil deverá – finalmente – assumir a liderança do mercado global de soja na próxima temporada agrícola. Ao menos, é isso o que apontam as primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2019/20. Os números foram divulgados na edição de maio do relatório de oleaginosas publicado nessa sexta-feira (10).

Segundo o documento, depois de enfrentar uma temporada 2018/19 cheia de percalços climáticos, a sojicultura brasileira vai se recuperar e atingir a marca inédita de 123 milhões de toneladas colhidas.

Com isso, a produção crescerá 5,1% em relação à safra atual – que o USDA estima em 117 milhões de toneladas – e abrirá uma vantagem de 1 milhão de toneladas sobre o recorde anterior registrado no ciclo 2017/18.

Passo atrás

Enquanto os sojicultores brasileiros aceleram, os dos Estados Unidos deverão pisar no freio.

Segundo o USDA, a produção norte-americana – recém-saída de um recorde de 123,6 milhões de toneladas – amargará uma contração 8,7% na produção da temporada. A projeção é que sejam colhidas pouco mais de 112,9 milhões de toneladas de soja.

No total, produção mundial de soja deverá atingir a marca de 355,6 milhões de toneladas. Cerca de 1,8% menos que os 362,1 que devem chegar ao mercado este ano.

Maior exportador

Nas contas do USDA, o Brasil deverá exportar um pouco menos de soja em grão no próximo ano. A projeção é que os embarques somem 75 milhões de toneladas, cerca de 4,4% menos do que os 78,5 milhões de toneladas estimadas para este ano.

O volume representa pouco menos da metade da demanda mundial pela oleaginosa durante o período que deverá ser de 150,8 milhões de toneladas.

Já o mercado interno brasileiro de esmagamento deverá absorver 43,7 milhões de toneladas – 2,4% mais do que a quantidade esperada para este ano.

Liderança retrospectiva

Essa não é a primeira vez que o USDA prevê que o Brasil vai assumir a liderança do mercado global da oleaginosa. No primeiro relatório da safra 2018/19, o órgão do governo norte-americano apontava que a produção nacional superaria a norte-americana.

A vantagem – de meio milhão de toneladas – que o USDA via então era, no entanto, bem mais magra do que as atuais 10 milhões de toneladas.

Também pode não ser exatamente a primeira vez que o Brasil assume a dianteira do mercado. Nos últimos meses, o USDA revisou para cima os números da produção brasileira na safra 2017/18.

Até novembro passado, o número atribuído ao Brasil era de 119,8 milhões de toneladas. Praticamente empatado com os 120 milhões de toneladas colhidos pelos EUA naquele ciclo.

De lá para cá, no entanto, o número atribuído à produção brasileira passou por três aumentos enquanto o da produção dos EUA foi mantido. Em dezembro chegamos a 120,3 milhões de toneladas; em fevereiro em 120,8 milhões de toneladas; até que, em abril, atingimos os atuais 122 milhões de toneladas.

Vale registrar que a quantidade atribuída pelo USDA à produção nacional de soja na safra 2017/18 é consideravelmente maior que os 119.3 milhões de toneladas registrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fonte: BiodieselBR

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