O “lixo” está na moda: consciência ambiental e sustentabilidade

O aproveitamento de resíduos combina responsabilidade ambiental e desenvolvimento social na indústria têxtil e de confecções, que fatura 45 bilhões de dólares por ano.

vestuário já foi uma questão de necessidade básica, mas hoje faz parte da economia global industrializada. O mercado mundial da moda está avaliado em três trilhões de dólares e já é responsável por 2% da economia global. Com uma demanda crescente ao longo das décadas, a indústria da moda contou com a ajuda da tecnologia para tornar a produção cada vez mais eficiente e barata. Produzir mais com menos custo foi um avanço que fomentou o fast fashion, marcado pela superprodução e exigência constante por novos estilos. Mas o preço das rápidas mudanças de coleção é bem maior do que aquele visível nas etiquetas. É preciso contabilizar também os custos ambientais de produção, processamento e transporte das mercadorias. Isso sem falar nas milhares de toneladas de roupas descartadas todos os anos.

A indústria da moda hoje depende fortemente de recursos não-renováveis, como fertilizantes para cultura de algodão, petróleo para produção de fibras sintéticas e corantes para tinturarias. No total são cerca de 98 milhões de toneladas de recursos não-renováveis consumidos por ano. Além disso, a cadeia produtiva têxtil é uma das maiores consumidoras de água do mundo, utilizando anualmente 93 trilhões de litros. Os dados são do relatório “Uma nova economia têxtil“, produzido pela Fundação Ellen Macarthur. O texto destaca que não é apenas quando falamos em matéria-prima que a moda deixa fortes impactos negativos. Os efeitos sobre a qualidade da água e as mudanças climáticas também são severos: 20% da poluição aquática global é atribuída à coloração e tratamento de fibras e tecidos e a indústria têxtil emite na atmosfera mais de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico por ano. Isso é mais do que a emissão combinada de todos os voos internacionais e de transporte marítimo do mundo.

Uma das soluções para esses problemas seria a reciclagem, mas de todo esse material, somente 13% é reciclado ou reaproveitado para outras finalidades. A União Europeia tem dado o exemplo na redução do desperdício e melhoria do descarte. O grupo de países aprovou uma nova legislação para o setor, com leis que exigem que a indústria da moda adote um modelo de economia circular, de modo a eliminar o descarte de materiais têxteis nos aterros até 2025. Os efeitos dessa medida podem ser sentidos em toda a cadeia, até no contato direto com os consumidores: algumas marcas de grande porte, como a Adidas, já disponibilizam pontos de coleta de roupas em suas lojas.Além dos impactos negativos da produção e comercialização, existe o problema dos resíduos. O sistema produtivo que ainda domina a indústria da moda é basicamente linear: uma quantidade enorme de recursos é empregada na produção de roupas e acessórios, que serão usados poucas vezes e depois descartados em aterros ou incinerados. Com esse modelo, a taxa de desperdício no setor de confecção e vestuário varia de 15 a 20% e mais de 50% da produção em massa na moda é descartada em menos de um ano. O prejuízo associado ao descarte não é só ambiental, mas também econômico. No Reino Unido, por exemplo, o gasto anual com disposição de resíduos têxteis é de cerca de 108 milhões de dólares.

No Brasil, existe legislação parecida. É a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010. Segundo essa política, nenhum resíduo passível de ser reciclado pode ser destinado a aterros. Mas a legislação não é cumprida. A consultora em gestão socioambiental e pesquisadora de design de moda, Gabriela Marcondes, explica que a falta de políticas públicas de incentivo e de fiscalização favorece a ilegalidade. “As empresas não querem pagar pela deposição adequada de resíduos. Isso porque a prefeitura continua pegando esse resíduo e aterrando. A prefeitura não está cumprindo o papel dela, que é seguir a política nacional. Então por que a indústria de confecção vai pagar para descartar se a prefeitura está pegando de graça? Isso envolve política pública, o cumprimento da lei federal, a fiscalização”, diz ela.

Alternativas ao descarte envolvem tecnologia e criatividade

Uma medida que pode ajudar a solucionar o problema de descarte de resíduos têxteis é o upcycling(“reutilização criativa”), que propõe que os resíduos sejam utilizados na fabricação de novos produtos. O upcycling faz parte da economia circular e tem crescido no Brasil e no mundo. Mas esse tipo de reaproveitamento não se limita a reutilizar um tecido em outra roupa. É possível gerar produtos completamente novos. Suzana Barreto, professora de design de moda na Universidade Estadual de Londrina (UEL), destaca que a inovação tecnológica tem um papel chave nesse processo. “Nós começamos a usar a poliamida, material usado em roupas de ginástica e difícil de reciclar, e começamos a investir em inovação. Conseguimos desenvolver uma parceria com o Departamento de Química da UEL e dissolvemos a poliamida com resíduo de biodiesel, que é um resíduo também com muito impacto ambiental, e criamos novos materiais. Criamos um material rígido que pode ser usado na arquitetura, para móveis e design de interiores. Criamos também um material flexível, com amido. E isso gerou patentes de invenção. Só que ainda não está no mercado porque no Brasil infelizmente o processo de concessão de patentes é demorado”, explica.

Outro exemplo bem sucedido de upcycling é a Revoada, empresa que nasceu em 2013 com o nome “Vuelo” e foi pensada pela comunicadora Adriana Tubino e a estilista Itiana Pasetti. As duas decidiram empreender no campo da moda sustentável e tiveram a ideia de utilizar câmaras de pneus e nylon de guarda-chuvas descartados para produzir bolsas e mochilas. “Tínhamos a pergunta: por que colocar mais um produto no mundo, se o mundo já está cheio de excessos? Achamos na própria pergunta a resposta, que é trabalhar com os excessos”, conta Tubino. Elas descobriram na câmara de pneu e no tecido de guarda-chuvas os materiais ideais para o seu negócio. “A borracha tem um aspecto parecido com o do couro, além de ser impermeável. E o tecido de guarda-chuvas é usado como forro de nossos produtos, e por serem tecidos coloridos e com várias estampas, têm um ótimo contraste com o preto da borracha”.

A própria cadeia de produção teve de ser pensada não apenas levando em conta os aspectos ambientais de sustentabilidade, mas também as relações de trocas com fornecedores e parceiros, de modo que ela seja vantajosa para todas as partes envolvidas. Tubino e Pasetti procuraram borracharias e centros de triagem de lixo reciclável para serem fornecedores de matéria-prima e negociaram o preço do que, para eles, era um resíduo quase sem valor. “Para vocês terem uma ideia, quando começamos esse trabalho, o preço da sucata (que é para onde iriam os guarda-chuvas) era de cinco centavos o quilo. Oferecemos pagar cinquenta centavos a unidade. Isso fez com que ficasse muito atrativo para as unidades de triagem se engajarem no projeto”, explica Tubino. Os produtos também são feitos em pequenos ateliês e cooperativas de costura, gerando renda e ajudando esses grupos a crescerem. “O produto finalizado recebe uma etiqueta, contando toda a história e a cadeia produtiva deste produto e instruindo para que ele não seja descartado após seu uso e vire um resíduo novamente. Ao final da vida útil, os produtos são devolvidos à Revoada, onde parte é reaproveitada para a confecção de novos produtos, e o restante é destinado para a fabricação de subprodutos, como isolamento acústico, asfalto e para-choques de automóveis”.

Além disso, a Revoada trabalha com um sistema de produção em lotes. Um período para a realização dos pedidos é aberto, e as peças são produzidas sob demanda. O consumidor é informado sobre todo o processo de produção até receber seu produto finalizado. Esta é uma maneira de repensar o consumo e de se estabelecer uma conexão entre o produto e o consumidor, e todas as relações envolvidas nesse processo. Isso reflete uma mudança no perfil dos consumidores, que estão ficando cada vez mais atentos e demandando das empresas este tipo de comprometimento, tanto ecológico como social, no processo produtivo. “Nos novos valores da moda, os produtos devem ter linguagem estética bem demarcada, ser originais, produzir significado – para as pessoas se relacionarem com esse produto, terem uma conexão emocional –, além de ter qualidade competitiva e ser sustentável. Aquele conceito antigo do luxo já não existe mais”, explica Barreto.

Além do upcycling, é necessária a criação de empresas que coletem e organizem esses resíduos para destiná-los a outras aplicações. É o caso das empresas de coprocessamento, que utilizam resíduos têxteis como combustível nos fornos de cimenteiras. Atualmente, os fornos usados na produção de cimentos são alimentados majoritariamente por petróleo e carvão, dois combustíveis não renováveis que contribuem com impactos ambientais negativos. O uso dos resíduos têxteis é, então, uma alternativa que mantém alta capacidade de geração de calor ao mesmo tempo que economiza recursos naturais. Mas essas empresas têm um custo, como destaca Marcondes: “As empresas de coprocessamento conseguiram criar uma tecnologia que alimenta fornos com resíduos. Então essa indústria teve custos para desenvolver essa tecnologia, ela tem custos para estar dentro de uma cimenteira, ela paga aluguel. Ela não pode fazer de graça. A gente precisa de mais empresas desse tipo, mas elas só existirão quando a prefeitura não recolher mais [os resíduos], quando o aterro não receber mais. É a necessidade que vai fazer surgir essa empresa. Hoje ela não é necessária”, explica.

 

 

 

 

 

 

 

Concepção do produto como primeiro passo da mudança

Além do aproveitamento de resíduos, iniciativas que objetivam minimizar a produção de lixo têxtil têm ganhado destaque. Um exemplo é o movimento “desperdício zero” (do inglês, zero waste), em que as peças de vestuário e acessórios já são pensadas de forma a se utilizar todo o material, sem geração de resíduos. Essa mudança na concepção dos produtos é fundamental. Barreto destaca que uma moda mais sustentável envolve o uso de materiais de maior qualidade, modelos atemporais, assim como conforto e usabilidade da peça, características que aumentam sua vida útil.

É preciso analisar também o ciclo de vida do produto, desde a extração da matéria-prima, o transporte, a produção e o comportamento durante o uso, até o que vai acontecer com esse material na hora do descarte. No caso icônico do jeans, por exemplo, o tipo de fibra é basicamente algodão, muitas vezes visto como natural e sustentável. Mas o plantio de algodão utiliza muitos pesticidas e fertilizantes e o processo de tingimento e processamento do tecido requer muita água. “O pior do jeans é o processo de beneficiamento dele, as lavagens, que são as lavanderias que fazem. Porque o jeans sai do processo de tecelagem como um papelão mesmo, um tecido duro, super-resistente. Depois ele é mandado para as lavanderias para fazer todo o processo de lavagem, de desgaste, desbotamento. Tudo isso é feito com muita água, produtos químicos, ácidos. Só que eu acho muito difícil que se deixe de usar o jeans. A vantagem é que o jeans é uma peça extremamente durável, tem o ciclo de vida longo”, afirma Barreto.

Os problemas dessa produção podem ser amenizados com materiais mais sustentáveis. Na busca por esses materiais, a empresa Levi Strauss, famosa produtora de calças jeans, fez uma parceria com a startup Evernu para criar uma nova fibra de qualidade a partir da dissolução química de roupas usadas. A Levi tem utilizado ainda o Econyl, material sintético feito de resíduos de nylon derivados de redes de pesca descartadas. O Econyl foi desenvolvido pela Aquafil, empresa italiana fabricante de nylon. A legislação ambiental também tem um papel importante nessa história e, com isso, as lavanderias estão procurando localidades onde as leis ambientais não sejam tão restritivas quanto ao uso da água e ao descarte de corantes como o índigo. “Em vários estados do Brasil, a legislação tem sido efetiva. As lavanderias de São Paulo estão mudando para o Paraná por causa das leis ambientais, que são muito rígidas. A Itália também não tem tantas lavanderias de jeans. As peças são lavadas em países periféricos”, diz Barreto, ao evidenciar que muitas vezes o prejuízo ambiental fica a cargo de lugares menos desenvolvidos economicamente.

Pesquisas favorecem a redistribuição de material

Além das pesquisas na área de reaproveitamento dos resíduos, é preciso levantar dados sobre materiais e formas de descarte mais sustentáveis. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (ABIT), o Brasil é a última cadeia têxtil completa do ocidente, incluindo desde a produção das fibras até a comercialização em varejo e desfiles. Apesar disso, Marcondes ressalta que não há um mapeamento adequado no país sobre onde os resíduos da moda são produzidos, quais são os tipos e quem pode processar. Pensando nisso, ela e a pesquisadora em moda Geanneti Salomon criaram a Ecomaterioteca, que visa disponibilizar todos os ecomateriais disponíveis na indústria têxtil e na indústria química nacional para que jovens estilistas, designers e a própria indústria de confecção possam ter acesso. Mais do que um catálogo de materiais ecológicos, a Ecomaterioteca inclui um sistema de classificação das empresas que os utilizam e incentiva essas empresas a informarem sobre as práticas sustentáveis que adotam. Isso agrega valor ao produto e favorece a rastreabilidade dos materiais e atores envolvidos em uma cadeia produtiva voltada para a sustentabilidade.

Ecomaterioteca e suas idealizadoras, Gabriela Marcondes e Geanneti Salomon, no canto superior esquerdo. Imagem: Gabriela Marcondes

A redistribuição de resíduos também tem muito a ganhar com os chamados mercados de resíduos. Afinal, o que é resíduo para um pode ser material para o outro. O grupo da pesquisadora Suzana Barreto está montando um banco de resíduos têxteis para Londrina e região, no norte do Paraná. Eles foram inspirados pelo Banco de Vestuário de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que está em funcionamento há mais de 10 anos e é uma parceria de sucesso entre universidade, prefeitura e empresas. Um projeto semelhante, o Retalho Fashion, tem sido desenvolvido em São Paulo, na região do Bom Retiro.

Relação com as condições sociais

Além da parte tecnológica e ambiental da produção, a moda sustentável valoriza as pessoas envolvidas e o consumo consciente. Por isso, além de matérias-primas menos poluentes, essa nova vertente da indústria da moda tem se preocupado com uma produção mais humanizada, com remuneração e jornadas de trabalho justas, se opondo aos empregos sazonais e informais que mantêm o baixo custo da produção no fast fashion.

O espaço da sustentabilidade no mercado tem crescido com o trabalho de ateliês, cooperativas e oficinas de pequeno porte, muitas vezes situadas em comunidades carentes. Com isso, a moda sustentável tem agregado também conceitos da economia solidária, contribuindo para o desenvolvimento de localidades tradicionalmente excluídas pelo processo hegemônico de produção.

Outra contribuição importante é o resgate da identidade cultural de grupos artesanais, cujos saberes e práticas têm sido reconhecidos e incorporados nessa nova forma de se pensar e produzir moda. Só é preciso cuidado para que a valorização não seja convertida em exploração, como foi o caso da Dior, acusada de apropriação cultural pela comunidade romena Bihor. Em 2017, a pré-coleção de outono da Dior tinha um design muito semelhante ao vestuário tradicional de Bihor e, embora as peças tenham sido vendidas por valores em torno de 25.000 libras, nenhum crédito ou compensação financeira foi dada à comunidade romena.

É importante lembrar também que não basta ser sustentável, é preciso que seja economicamente acessível. Hoje em dia, os esforços para encontrar medidas e tecnologias que reduzam os danos à natureza durante a produção e transporte, associado ao status de ecologicamente correta, acabam tornando a moda sustentável mais cara do que a convencional. Somente com a ampliação da acessibilidade tecnológica e com revisão do valor agregado pelo status que os benefícios que a tecnologia traz para o mundo da moda, haverá utilização em larga escala e contribuição para a real conservação do meio ambiente.

Fonte: ComCiência

Resíduos do dendê são usados como substrato para cultivar cogumelos comestíveis

Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Embrapa Agroenergia (DF) encontraram uma alternativa para produzir cogumelos comestíveis, como o Pleurotus ostreatus, ou shimeji, no Brasil a baixo custo e, assim, tornar seu consumo acessível a grande parte da população. Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo.

Segundo o pesquisador Marcos Enê Oliveira, o shimeji encontra condições ideais para se desenvolver nos resíduos industriais do dendê produzido no Brasil, especialmente no Pará, onde a indústria gera três toneladas de resíduos sólidos e uma tonelada de efluentes líquidos.

Oliveira explica que as biomassas residuais são fibras e substâncias ricas em proteína, lipídeos, carboidratos e minerais, que podem nutrir cogumelos comestíveis como o shimeji, conhecido também como cogumelo-ostra, produto bastante apreciado na culinária nacional e internacional.

Atualmente, comprar shimeji no mercado brasileiro é para poucos. O quilo do produto sai entre R$ 48,00 e R$ 80,00 porque grande parte dele vem do exterior e tem alto custo de importação. Só de frete, paga-se em torno de dois reais por quilo. Além disso, é preciso cuidado redobrado no transporte e na conservação do produto.

Cultivo de cogumelos

O pesquisador destaca que o cultivo desses cogumelos comestíveis é possível devido à sua versatilidade em se desenvolver em diferentes condições climáticas e substratos. “Esse fungo tem uma enorme capacidade de quebrar fibras lignocelulósicas, consideradas complexas quimicamente, e extrair delas os nutrientes necessários para o seu crescimento e frutificação”, conta o especialista, explicando que o cultivo imita o que ocorre na natureza ao oferecer resíduos vegetais em um substrato formado por fibras e pelo efluente gerado.

Para se chegar à mistura ideal, os pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), Félix Siqueira e Simone Mendonça testam formulações de substratos com diferentes concentrações de resíduos, entre eles, a cinza de caldeira, também oriunda do processamento do óleo de dendê.   O substrato é esterilizado em autoclave industrial para, depois, inocular o fungo. A fase de colonização, que é o crescimento do fungo no substrato, leva em torno de 25 a 30 dias em uma câmara escura, a fim de imitar a natureza onde os cogumelos crescem ao abrigo da luz em serapilheiras ou troncos de arvores.

Efluente rico

O efluente líquido do processamento do dendê, conhecido pela sigla Pome (palm oil mill effluent), é constituído, principalmente, de água, minerais e matéria orgânica, e atualmente seu destino são as lagoas de estabilização, conforme orienta a legislação. “Algumas experiências têm indicado a utilização desse efluente líquido como fertilizante para os plantios de dendê, mas essa aplicação ainda está sendo estudada para assegurar que não haja impacto ambiental”, esclarece o pesquisador Félix Siqueira.

Os valiosos resíduos do dendê

O Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de óleo de dendê. Em 2017, por exemplo, o estado produziu cerca de 480 mil toneladas desse óleo, gerando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de resíduos sólidos e líquidos. De acordo com Roberto Yokoyama, diretor da empresa Dendê do Pará (Denpasa) e presidente da Câmara Setorial da Palma de Óleo, o custo médio da tonelada de óleo bruto produzido no Brasil está por volta de US$ 610 a US$ 650, e o investimento necessário para se montar uma usina de beneficiamento é de um milhão de reais para cada tonelada de cacho processado, sendo que pelo menos 30% desse valor está diretamente ligado aos resíduos.

Na indústria de beneficiamento do óleo, os resíduos são o cacho vazio; o efluente líquido (Pome); a fibra e a casca do fruto, (resultante da prensagem); a borra, partículas sólidas geradas na separação entre o óleo e a água; e a torta de palmiste, resíduo da prensagem da amêndoa. Yokoyama conta que alguns deles já são utilizados para outros fins, como alimentação animal e geração de energia, mas o volume produzido ainda é grande. “Mesmo com alguns usos, o resíduo gerado ainda é um problema para a indústria”, afirma.

A Embrapa divulgou em comunicado que, para cada tonelada de cacho de fruto fresco (CFF) que entra na agroindústria, são produzidos em média 220 kg de cacho vazio, 120 kg de fibra de prensagem, 50 kg de casca, 20 kg de torta de palmiste, 60 kg de borra e 650 kg a 1.000 kg de efluentes. Esses resíduos são basicamente compostos por celulose e lignina, um material fibroso complexo, cujas ligações conseguem ser quebradas pelos fungos do gênero pleurotus, divulgou a Embrapa.

Fonte: Farming Brasil

Cartilha sobre aproveitamento de resíduos de suínos é lançada

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou uma cartilha sobre o aproveitamento econômico dos resíduos de suínos, tais como fezes, urina e água desperdiçada nos bebedouros e restos de ração. A publicação tem o objetivo de auxiliar o produtor a gerar renda a partir dos resíduos e reduzir os custos de produção, bem como reduzir os efeitos na atmosfera de gases como o metano. No ano passado, perante à Organização das Nações Unidas, o governo brasileiro assumiu o compromisso de reduzir em 37% as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) de 2010 até 2020.

Na cartilha, o suinocultor poderá se informar sobre o uso racional da ração, da água e técnicas de produção de energia e biofertilizantes – como a cama sobreposta – e de separação dos dejetos. Os textos são resultados do Projeto Suinocultura de Baixa Emissão de Carbono, coordenado pelo Mapa com apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Embrapa Suínos e Aves e da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS).

O material foi produzido por consultores que, durante um ano, mapearam as alternativas sustentáveis e economicamente viáveis de tratamento dos dejetos. As tecnologias são preconizadas pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Os técnicos percorreram os principais estados produtores de suínos do país, instituições, centros de pesquisas e propriedades modelos em tratamento de resíduos de suínos.

No total, foram levantadas seis tecnologias, entre elas o tratamento de dejetos. A técnica diminui os impactos ambientais, aumenta a oferta de biogás, gera energia e biofertilizantes (líquidos e sólidos), além de reduzir os custos de produção e de fertilizantes industrializados.

A cartilha está disponível em versão digital no site do ministério. Confira aqui.

Fonte: MAPA

Conexão Ciência: Integração entre biocombustíveis e alimentação

Pesquisa identificou espécies de cogumelos capazes de tirar a toxidade das tortas de pinhão manso e algodão. Esses subprodutos podem virar ração animal, enquanto os óleos das sementes são matérias-primas para biocombustível. O pesquisador da Embrapa Agroenergia Félix Siqueira explica no programa Conexão Ciência desta terça-feira (26) como a produção de cogumelos pode agregar valor à cadeia do biodiesel aproveitando os resíduos gerados nas usinas.
O óleo do caroço do algodão já compõe cerca de 2% das matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel; o pinhão-manso ainda é uma espécie em processo de domesticação, mas tem grande potencial de integrar as cadeias produtivas de biocombustíveis, já que possui elevada produtividade de óleo vegetal.
Um desafio, contudo, é encontrar aplicações com maior valor agregado para as tortas – nome dado ao resíduo sólido que sobra após a extração do óleo. Ricas em proteína, a aplicação mais comum das tortas de oleaginosas é o uso como ração animal. É o caso do farelo de soja. O caroço do algodão, contudo, contém um composto tóxico chamado gossipol. Ele tem sido utilizado na alimentação animal, mas apenas de ruminantes (bovinos, caprinos, etc) e em concentrações limitadas. Não é possível, portanto, atender o mercado de animais monogástricos, como aves, suínos e peixes.
No pinhão-manso, a substância tóxica presente na maioria das variedades, o éster de forbol, é ainda mais “potente”. Nem em concentrações muito baixas pode ser oferecida para animais ruminantes sem um processo de destoxificação. O cultivo de cogumelos capazes de destoxificar as tortas, assim, é uma alternativa para integrar as cadeias produtivas de biocombustíveis e alimentos.
O Conexão Ciência é produzido em parceria pela Embrapa e a NBR e vai ao ar todas às terças-feiras na TV do Governo Federal, às 21h00. O programa também pode ser assistido pelo canal da NBR no Youtube. Saiba como sintonizar a NBR na página da EBC Serviços na internet .
Assista aqui aos programas anteriores.
Fonte: Embrapa Agroenergia

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