Produtores apontam biodiesel como solução

Aumento da mistura no diesel, reduziria dependência externa e limitaria alta de preço, diz setor

Não dá para imaginar o Brasil se livrando totalmente da dependência do diesel. O país, porém, pode reduzir o peso desse combustível na matriz energética já a curto prazo. É o que lideranças das indústrias e associações de produtores de biodiesel mostraram ao governo no fim de maio, durante a paralisação dos caminhoneiros.

A produção de biodiesel, que teve início no país em 2005 e busca a substituição de parte do diesel por combustíveis renováveis, foi desenvolvida com o objetivo de buscar uma inclusão social e desenvolvimento regional no país.

Hoje são 51 fábricas em diversas regiões, e a capacidade de industrialização está próxima de 8,1 bilhões de litros.

As principais matérias-primas da produção desse combustível renovável são soja (75%) e gordura animal (20%). Os outros 5% vêm de óleo utilizado para frituras, além de óleos de algodão, palma e canola.

A abundância de matéria-prima permite evolução rápida da produção de biodiesel. Além de abundantes, esses produtos são nacionais, o que reduz a dependência externa, segundo Donizete Tokarski, diretor-superintendente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene).

O aumento contínuo das produções de soja e de proteína animal é garantia de matéria-prima para o setor, de acordo com ele.

Além disso, Tokarski acredita que a participação do óleo de cozinha será cada vez maior no biodiesel. Atualmente tem presença de apenas 1,5% no Brasil. Nos EUA, líderes mundiais na produção desse combustível, chega a 16%.

“É um programa jovem, mas ainda pode avançar muito”, diz Erasmo Carlos Battistella – Foto – , presidente da Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil).

Localizadas em regiões produtivas de grãos e de proteínas, as fábricas de biodiesel trazem a chamada “economia circular”, promovendo desenvolvimento regional, diz Plinio Nastari, presidente da Datagro.

O consumo anual brasileiro de diesel é de 55 bilhões de litros –aí incluída uma mistura de 10% de biodiesel.

Em uma década, o consumo de diesel, mais o de biodiesel, será de 72 bilhões de litros. Desse volume, 14,4 bilhões poderão vir do biodiesel, se a mistura, hoje em 10%, for a 20%.

O setor precisa, porém, de previsibilidade e continuidade da política de mistura, diz Battistella. Um aumento da participação do biodiesel no diesel poderia ser limitador do aumento dos preços do derivado de petróleo, papel exercido pelo etanol anidro na gasolina. A mistura do álcool anidro na gasolina é de 27%.

No longo prazo, o biodiesel também poderia ser competidor do diesel, assim como o etanol hidratado é da gasolina.

Para que isso ocorra, o setor fez ao governo propostas de curto e médio prazos.

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Fonte: Folha de S.Paulo

APROBIO – Nota de Esclarecimento

Nota de Esclarecimento da APROBIO Associação de Produtores de Biodiesel do Brasil

A APROBIO repudia veementemente que o Biodiesel seja empecilho para que as distribuidoras e postos de combustíveis reduzam o preço final do diesel em R$ 0,46, como acordado entre o Governo Federal e o movimento grevista dos caminhoneiros. Afirmações nesse sentido não têm fundamento e pressupõem falta de informação ou outros intuitos a serem esclarecidos.

Como amplamente divulgado pela imprensa, o Governo Federal baixou o PIS/Cofins e a Cide em R$ 0,16 por litro de combustível, além de oferecer subvenção de R$ 0,30. Tais reduções se refletem no preço do diesel A, de origem fóssil, na saída da refinaria. Ou seja, esse abatimento de R$ 0,46 pode ser repassado diretamente ao consumidor pelos revendedores sem prejuízo de suas margens de lucro, independentemente do nível de mistura de Biodiesel no produto final.

Outro ponto omitido pelos que resistem a conceder o desconto de R$ 0,46 é que o ICMS, tributo cobrado pelos Governos Estaduais, incide sobre o preço final do produto. Assim, também este imposto terá seu valor reduzido, já que o litro do diesel na bomba ficará pelo menos R$ 0,46 mais barato – dependendo do estado, essa redução no preço final pode ser ainda maior. Hoje, o ICMS médio do diesel, incluindo a mistura de 10% de Biodiesel atualmente em vigor, é de 16% e só pode ser alterada por decisão de cada Governo Estadual.

Em decisão que merece mais debate e explicações, o Governo Federal não concedeu as mesmas condições aos produtores de Biodiesel, um combustível verde com diversos benefícios ambientais e sociais: emissão de gases de efeito estufa 69% menor que o diesel fóssil, geração de emprego e renda para produtores rurais dos insumos do combustível e substituição de combustível importado por produto nacional, beneficiando a balança comercial e o PIB nacional.

Por sinal, o Biodiesel já tem uma política de reajuste de preços a cada 60 dias, como reivindicaram os caminhoneiros em relação ao custo final do diesel na bomba dos postos. Ou seja, mais uma vez constata-se ser injusto e indevido atribuir ao Biodiesel qualquer entrave a uma política de preços de maior previsibilidade aos agentes econômicos, ao contrário do que vinha ocorrendo com o diesel fóssil.

Cabe observar, ainda, que em muitos estados o Biodiesel é mais barato que o diesel fóssil, em função das condições de produção e logística. O Centro-Oeste é um exemplo, visto que a região é grande produtora da soja, insumo de cerca de 70% do Biodiesel nacional, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relativos ao mês de março. A APROBIO e demais representantes do setor inclusive propuseram ao Governo Federal a adoção da mistura B15 (15% de biodiesel acrescido ao diesel fóssil) nos estados do Centro-Oeste de maneira imediata, o que resultaria em combustível R$ 0,13 mais barato no preço cobrado na bomba dos postos.

Está claro, portanto, que é infundada qualquer tentativa de atribuir ao Biodiesel a responsabilidade pela decisão dos revendedores de combustível de não cumprir com o acordo de redução do preço do diesel em R$ 0,46. Ao contrário, o Biodiesel vem cumprindo um importante papel econômico, social e ambiental no Brasil, e tem plena capacidade produtiva e tecnológica de contribuir para uma matriz de combustíveis mais limpa e eficiente.

Erasmo Carlos Battistella
Presidente da APROBIO

Comissão Geral da Câmara debate crise dos combustíveis

O diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), Julio Cesar Minelli, destacou, em comissão geral da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (29) a importância do biodiesel como uma das alternativas para a matriz de combustíveis no Brasil para as próximas décadas. O debate foi convocado em função da crise de abastecimento que atinge o país há nove dias, para apontar caminhões e soluções para o setor de combustíveis.

O diretor superintendente destacou que a APROBIO já apresentou ao Ministério de Minas e Energia a proposta de liberação da mistura B15 de forma imediata no Centro-Oeste, o que levaria a uma redução imediata de R$ 0,13 no preço cobrado na bomba de diesel. Outra proposta feita pela entidade é a liberação da mistura B100 de forma emergencial para os veículos de transporte e serviços essenciais, como ambulâncias, viaturas policiais, ônibus e caminhões de coleta de lixo. Essa medida foi apresentada à Agência nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Minelli citou o exemplo de Curitiba, que utiliza combustível B100 em sua frota de ônibus desde 2009, de forma exitosa, mas lembrou que mesmo neste caso há uma questão tributária a ser enfrentada: enquanto o biodiesel tem tributação de ICMS no Estado, o diesel fóssil tem isenção. Sobre os eventos dos últimos dez dias, o diretor da Aprobiou lamentou a paralisação da produção nas usinas, com prejuízos irreparáveis, e pediu que a questão seja equacionada o mais rápido possível.

O debate teve a participação de mais de 20 entidades, além das intervenções de parlamentares. Pelo governo federal, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse que é preciso preservar a integridade da Petrobras na formação de preços, mas isso não pode ser confundido com um controle artificial dos valores. O ministro citou ainda as diferenças entre os valores de ICMS em cada estado como um fator que gera dificuldades em toda a cadeia de combustíveis. A abertura da comissão teve falas dos presidentes do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Acompanhe aqui o comunicado oficial da APROBIO divulgado nessa manhã (29/5) sobre o tema.

Temer anuncia redução de R$ 0,46 no óleo diesel por 60 dias

Governo recuou e vai garantir o congelamento por dois meses. Depois disso, o reajuste será mensal, de 30 em 30 dia

Brasília – Após reunião com pelo menos 15 caminhoneiros autônomos de vários estados, que levaram uma pauta de reivindicações para por fim à crise de abastecimento no país, o governo Temer concordou em reduzir o preço do litro de óleo diesel em R$ 0,46 na bomba – o que, segundo o presidente corresponde aos valores de PIS/Cofins e Cide. O desconto no valor foi estendido de 30 dias para 60 dias e, após esse prazo , será reajustado mensalmente. Temer editou três medidas provisórias para isentar de pedágio em todo território nacional os veículos com eixos suspensos, garantiu 30% dos fretes da Conab (que é a companhia de abastecimento do governo) para autônomos, e criou uma tabela mínima de frete. As medidas foram anunciadas ontem em cadeia nacional pelo presidente.

Embora tenha concordado com várias reivindicações dos caminhoneiros, as medidas não asseguram o fim imediato da paralisação. Os caminhoneiros preferiram não se desmobilizar até quinta-feira. Em São Paulo, os pontos de bloqueio caíram de 220 para 32.

O grupo reforçou a pauta já apresentada na quinta-feira – com pedido de medida provisória para uma nova política de remuneração do frete e um decreto presidencial para zerar o PIS/Cofins – e também novos pedidos – como garantir 30% do transporte da carga dos Correios para motoristas autônomos. “Nossa pauta é mais gorda que a apresentada antes”, disse Gilson Barbosa, representante do Movimento de Transportes de Grãos, de Mato Grosso. O encontro tem representantes autônomos de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e entorno do Distrito Federal.

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Fonte: O Dia

Como é formado o preço da gasolina e do diesel?

Estatal fica com 32% do preço total cobrado pela gasolina nas bombas e com 55% do valor do diesel.

Em meio à greve dos caminhoneiros, que entrou em seu 3º dia nesta quarta-feira (23), a Petrobras anunciou novo reajuste no preço dos combustíveis nas refinarias. O preço do litro da gasolina baixou 0,62%, passando de R$ 2,0433 para R$ 2,0306. Já o do diesel caiu 1,14%, de R$ 2,3351 para 2,3083.

Na véspera, a estatal já tinha reduzido os preços, depois de sucessivas altas que geraram protestos de caminhoneiros e discussões entre a petroleira e o governo. Os cortes foram motivados pela queda da cotação do dólar, segundo o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

A decisão de repassar os reajustes do valor dos combustíveis cobrados nas refinarias para o consumidor final é dos postos de combustíveis, que repassam ao consumidor os custos de toda a cadeia da gasolina e do diesel.

O preço final da gasolina e do diesel é composto basicamente por 4 parcelas: realização do produtor ou importador, no caso a Petrobras, incluindo custo e lucro; custo do etanol anidro (no caso da gasolina) e do biodiesel (no caso do diesel); tributos (ICMS, PIS/Pasep e Cofins, e Cide) e margens de distribuição e revenda.

Confira a matéria completa aqui.

Fonte: G1

Moreira Franco cria grupo de trabalho com representantes do biodiesel para discutir contribuições do setor na redução do preço dos combustíveis no país

O ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, criou nesta quarta-feira (23), um grupo de trabalho para discutir propostas que incluam alternativas com uso de biocombustíveis para o País. A decisão foi anunciada durante reunião com representantes do setor de biodiesel que levaram contribuições do setor na redução do preço dos combustíveis no Brasil.

Segundo o diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Minelli, o setor sempre defendeu políticas públicas que assegurem a previsibilidade de longo prazo, ações que o atual governo vem tomando, de modo a se evitar surpresas. “O setor tem capacidade de ampliar e colaborar com esse momento”, assegurou.

Ao determinar a criação do grupo de trabalho, o ministro concordou que o setor demanda previsibilidade e estabeleceu que as propostas trazidas pelas entidades além de outras sugestões possam já serem discutidas na próxima semana, para implementação no devido tempo.

“Há uma disposição e politicamente há um empenho em mudar esse setor. Não podemos ficar cúmplices de um problema que se arrasta repetidamente há décadas. Acho que é evidente para todos que esse modelo [praticado no Brasil] não é adequado para as aspirações de crescimento, geração de emprego e melhoria de qualidade de vida, de igualdade de oportunidades e concorrência, que é o caminho inevitável que temos que percorrer para um país voltar a crescer e a garantir qualidade de vida aos seus filhos”, disse o ministro. 

O grupo de trabalho deverá ser coordenado pelo secretário executivo da pasta, Márcio Félix, e deverá se reunir para discutir alternativas do setor considerando cenários em curto, médio e longo prazo. 

Dentre as alternativas levadas pelo setor e apresentadas pelo deputado Federal Evandro Gussi (Presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel) ao ministro durante a reunião, está o estabelecimento da mistura de biodiesel no diesel em nível de 15% (B15) no Centro-Oeste a partir de 1º de agosto. Segundo o deputado, a medida teria um impacto de R$ 0,13 diretamente nas bombas de diesel nos postos de combustível.

“Essa solução é quatro vezes mais eficiente que a retirada da CIDE [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico], que impactará um valor de R$ 0,03”, ressaltou Gussi. Segundo o parlamentar, a região é estratégica por concentrar parte da fabricação de biocombustíveis e também por escoar essa produção.

Clique aqui para conferir o documento entregue pelo setor de biodiesel ao governo.

Fotos: Cedidas pelo Ministério de Minas e Energia

Fonte: Assessoria Aprobio 

Governo e Petrobras discutem alta do combustível nesta terça-feira

‘Algo é preciso ser feito, mas não haverá interferência política na Petrobras’, afirmou o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco.

Os ministros Eduardo Guardia (Fazenda) e Moreira Franco (Minas e Energia) e o presidente da Petrobras, Pedro Parente, se reúnem nesta terça-feira (22) para discutir a alta da gasolina e do diesel. Na segunda-feira (21), caminhoneiros pararam o trânsito em rodovias de 20 estados e no DF contra a escalada de aumentos dos combustíveis e nesta terça-feira novos protestos são registrados no país.

Ainda na segunda, a Petrobras anunciou um novo reajuste. Os preços do diesel nas refinarias serão elevados em 0,97% e os da gasolina, em 0,9%, a partir desta terça. Só na semana passada, foram feitos 5 reajustes diários seguidos de preço nas refinarias.

“Algo é preciso ser feito, sem mudar a política de preços e prejudicar a Petrobras”, afirmou Moreira Franco ao blog do Valdo Cruz.

Impostos

O ministro disse que ainda está na mesa de negociações a possibilidade de redução da cobrança de tributos sobre os combustíveis. O peso dos impostos na composição do preço da gasolina, por exemplo, chega a 45% do valor final. “Mas ainda não há nenhuma decisão, ainda estamos avaliando o que poderá ser feito”, disse.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou na segunda que o governo federal buscará “um pouco mais de controle” para dar “previsibilidade” à alta dos combustíveis. Padilha deu a declaração pouco antes de participar de uma reunião com o presidente Michel Temer para tratar do assunto.

“Temos uma política internacional de preços que a Petrobras acompanha diariamente e isso tem dado aumento. O dólar subindo e o petróleo subindo, os dois subindo internacionalmente, por certo, tínhamos que ter um aumento nos combustíveis”, afirmou o ministro.

Indústria comemora aumento da exportação de farelo de soja

A quebra da safra argentina de grãos está rendendo frutos cada vez mais polpudos para a cadeia produtiva de soja no Brasil, onde a colheita está batendo novo recorde nesta safra 2017/18. Com a demanda adicional gerada pela redução da oferta no vizinho, os preços continuam em ascensão e a demanda externa por grão e farelo brasileiros não para de crescer, o que deverá catapultar os embarques do segmento para perto de US$ 40 bilhões em 2018, o melhor resultado da história.

Em levantamento divulgado na sexta-feira(11), a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) revisou para cima suas previsões para volumes, preços e receitas das exportações de grão e farelo neste ano. “A indústria está particularmente animada com o aumento das exportações de farelo. Estamos sabendo aproveitar o espaço deixado pela Argentina”, disse André Nassar, presidente da Abiove, ao Valor.

Para o farelo, a entidade passou a projetar exportações de 17 milhões de toneladas neste ano, quase 20% mais que em 2017, a um preço médio de US$ 390 por tonelada, 11% superior na mesma comparação. Se confirmado esse quadro, os embarques – destinados sobretudo à China – renderão US$ 6,6 bilhões, um expressivo incremento de 32%. Em um ano de problemas no mercado doméstico, por causa de restrições às exportações de carne de frango (ver Reabertura de plantas embargadas pela UE fica para dezembro), será muito mais que um alento.

Para o grão as perspectivas também são positivas. Com a safra recorde calculada pela Abiove em 118,4 milhões de toneladas, a demanda chinesa aquecida e os problemas argentinos, a Abiove ajustou sua estimativa para as exportações da matéria-prima para 71,2 milhões de toneladas em 2018, 4,4% mais que no ano passado, a um preço médio de US$ 410 por tonelada, 8,8% maior. A receita esperada pela entidade alcança US$ 29,2 bilhões, alta de 13,6%.

As variações da soja em grão são menores porque o Brasil já lidera as exportações globais da commodity há alguns anos. Como a fatia do país dos embarques globais já é de 45%, é difícil ampliar as vendas de forma mais expressiva. Diferentemente do que acontece com o farelo, já que o espaço deixado pela Argentina foi grande e tinha que ser preenchido – os argentinos têm importado grão para fabricar farelo e tentar manter os contratos de fornecimento mais importantes.

Somando-se o óleo, que atualmente é pouco exportado tendo em vista o programa doméstico de biodiesel, as exportações do complexo soja como um todo deverão alcançar US$ 36,5 bilhões neste ano, um recorde e 15% superior a 2017. Mas que poderá ser ainda maior, a depender do comportamento do mercado a partir do terceiro trimestre, quando a colheita da atual safra dos EUA, segundo maior país exportador do grão, começar a entrar no mercado.

“O cenário melhorou para a cadeia produtiva como um todo”, afirmou Nassar. E ainda restam incertezas sobre o futuro da disputa comercial entre Estados Unidos e China, que também poderá favorecer a soja brasileira.

Fonte: Brasil Agro

Preço do farelo de soja sobe e receitas evoluem 12% em abril

Exportações de básicos sobem para US$ 34,5 bi até abril, 3% mais do que em igual período de 2017

Os preços das principias commodities exportadas pelo Brasil estão em queda neste ano. Mesmo assim, devido ao aumento nos volumes exportado de alguns produtos, as receitas obtidas de janeiro a abril superam as de igual período de 2017.

As exportações de básicos subiram para US$ 34,5 bilhões até abril, 3% mais do que em igual período de 2017, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Dois dos principais produtos da balança comercial do país, entretanto, conseguiram preços melhores neste ano. São soja e petróleo.

Já o minério de ferro, o terceiro da lista, teve retração de 1% nos valores médios de janeiro a abril, em relação a igual período do ano passado.

As exportações de soja, líder da balança, atingiram 10,3 milhões de toneladas no mês passado, com receitas de US$ 4,1 bilhões. No acumulado do ano, os exportadores arrecadaram US$ 9,2 bilhões, um valor estável em relação ao de 2017.

Um dos destaques no mês passado foi a exportação de farelo de soja. O volume enviado para o exterior ficou estável, mas a queda de produção da soja na Argentina provocou alta de 12% nos preços internacionais do farelo. Com isso, o produto foi o quarto mais bem colocado no ranking da balança nacional, superando as receitas com carne de frango “in natura”, segundo a Secex.

O setor de fumo, que teve um início de ano complicado em 2017, mantém boa recuperação neste. As receitas dos primeiros quatro meses somaram US$ 565 milhões, 99% mais do que em igual período de 2017.

Comercialização

Os produtores de soja já venderam 64% da produção da safra 2017/18, segundo acompanhamento da AgRural. Mato Grosso comercializou 78%, e Paraná, 54%.

Menos milho

A INTL FCStone revisou para baixo a safrinha de milho deste ano. Na avaliação da consultoria, serão produzidos 60,5 milhões de toneladas do cereal, 2,6 milhões menos do que a empresa previa no mês anterior.

Mais soja

Já a produção de soja deverá atingir 117 milhões de toneladas, 1 milhão a mais do estava previsto no mês passado.

Fonte: Folha de S.Paulo

Tarifa da China em soja do EUA muda fluxos comerciais da commodity e impacta Brasil

LONDRES (Reuters) – A China, maior compradora de soja, pode não apenas pagar mais pela oleaginosa se impuser tarifas às importações norte-americanas, mas também criar novos compradores do produto dos EUA, já que a medida mexe em fluxos globais de comércio.

O apetite voraz da China pela oleaginosa excede as exportações globais, excluindo-se os Estados Unidos, de modo que a oferta proveniente de Estados como Illinois e Iowa pode ser desviada para unidades de processamento da América do Sul.

A proposta da China para uma tarifa de 25 por cento sobre a soja dos EUA, parte de sua resposta aos planos norte-americanos de impor tarifas sobre uma série de produtos chineses, já elevou os preços dos outros dois grandes fornecedores, Brasil e Argentina.

A disputa é a mais recente de uma série de batalhas comerciais desde que Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2017, o que já está prejudicando o setor agrícola do país.

Compradores mexicanos impulsionaram as compras de milho do Brasil depois que Trump ameaçou romper o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), enquanto sua decisão de não se juntar à Aliança Transpacífica ameaça as vendas de trigo dos EUA para o Japão.

“Toda a confusão da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China fez os preços internos subirem aqui”, disse Ezequiel de Freijo, economista-chefe da Sociedad Rural na Argentina.

A Argentina já comprou 240 mil toneladas de soja dos Estados Unidos, sua maior compra em 20 anos, com as vendas registradas para o ano comercial de 2018/19, que começam em setembro.

De Freijo disse que os grandes prêmios para a soja sul-americana poderiam criar uma “triangulação” com os esmagadores argentinos comprando dos Estados Unidos e enviando seus produtos para a China.

O aumento do custo da soja sul-americana também melhorou a competitividade do fornecimento norte-americano em outros mercados, como a União Europeia, o segundo maior importador do mundo.

“Se a China levar a soja da América do Sul, outros grandes importadores como UE, México, Japão, Taiwan, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Egito terão que encontrar novos suprimentos”, disse um trader europeu de soja.

BRASIL

O Brasil é o principal fornecedor de soja da China, com 53 por cento do total de compras chinesas em 2017, seguido pelos Estados Unidos, com 34 por cento, e pela Argentina, com 7 por cento, segundo dados da alfândega.

O secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Fábio Trigueirinho, concordou que neste ano deve haver mudança de destinos da soja nacional e dos EUA, no caso da implementação da tarifa.

Ele salientou que o Brasil não teria como atender toda a demanda chinesa.

“Com certeza, vai haver essa modificação do ‘share’, vamos aumentar o ‘share’ no mercado chinês e diminuir em outros lugares, os EUA, ao contrário…”, disse ele, comentando que o produto norte-americano ficou mais competitivo para compradores de fora da China.

Também há preocupações no Brasil em impulsionar os embarques para um país que já responde por cerca de 70 por cento das exportações brasileiras.

“Como produtores, não podemos depender de apenas um comprador. Suponha que o Brasil venda soja a 15 países e decida redirecionar para a China. Essa não é a estratégia certa”, disse José Sismeiro, produtor de soja e milho no Paraná.

“O que acontece se os EUA e a China fizerem acordos? Acho que devemos manter a nossa base de clientes a mais ampla possível.”

Outros exportadores menores, como a Ucrânia, podem impulsionar as vendas para a China com o sinal certo de preço, mas não podem substituir os volumes atualmente sendo enviados pelos Estados Unidos.

“Potencialmente, os compradores chineses podem comprar mais ativamente na Ucrânia –teoricamente até 500 mil toneladas por temporada– mas somente se o preço for atraente para os vendedores”, disse Yulia Garkavenko, da consultoria UkrAgroConsult.

A Ucrânia embarcou modestas 20.000 toneladas para a China em 2016/17.

Fonte: Reuters

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