Baixa umidade do ar em SP reforça importância de cuidados com a saúde no outono

O clima mais seco é mais predominante nesta época do outono. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice mínimo recomendável de umidade relativa do ar é de 60%. Desde sexta-feira, 20, a umidade tem ficado muito baixa em São Paulo. Na sexta-feira, o registro foi de 20%. No sábado, 21, foi de 29% e no domingo, 22, foi de 38%. Todos os valores são da estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) do Mirante de Santana.

O outono começou no dia 20 de março e vai até o dia 21 de junho. No entanto, características de verão predominaram no primeiro mês da estação, com calor e umidade no ar elevada sobre o Brasil, segundo a Climatempo. Dias chuvosos foram registrados em quase todos os Estados do País. A última semana de abril será marcada com calor.

Somente a partir da segunda quinzena de maio, a região centro-sul começará a sentir os primeiros dias realmente mais frios da estação.

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), o tempo seco e estável segue predominando sobre o Estado paulista em razão da presença de uma área de alta pressão atmosférica que dificulta a formação de nuvens de chuva e impede a passagem livre das frentes frias pela região. Esse cenário sem chuva influencia a formação de queimadas e incêndios florestais, bem como prejudica a qualidade do ar.

O presidente da Rino e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORL-CCF), Márcio Nakanishi, ressalta que a umidade do ar fica muito baixa no outono, o que aumenta a concentração de poluentes nas grandes cidades. “Isso pode provocar doenças respiratórias como rinite, sinusite e bronquite, além de problemas na garganta e dores no ouvido. Olhos também podem ser afetados com a concentração de poluentes na atmosfera. Em um dia chuvoso, a gente observa que a chuva até ‘lava o céu’. Quem tem predisposição pode sofrer mais com os problemas respiratórios no outono”, alertou.

Nakanishi lembra que alguns cuidados podem ser adotados para amenizar os sintomas. “Lave o nariz e os olhos com soro fisiológico e utilize colírio, tome bastante líquido, evite bebidas alcoólicas em excesso e não pratique atividades físicas onde a qualidade do ar não é boa”, destacou. É importante ainda manter o ambiente da casa limpo e ventilado, evitar que camas e berços fiquem perto de paredes e lavar os cobertores antes do uso, por exemplo. Na hora da limpeza, vale optar pelo pano úmido e não utilizar vassouras, espanadores e aspiradores de pó.

A vacina da gripe também é recomendável neste período do ano em que as pessoas estão mais propensas a ter doenças respiratórias. “O vírus se concentra principalmente em locais fechados. Também é recomendável lavar as mãos com frequência”, reforçou o especialista.

Podem se vacinar pessoas acima de 60 anos, crianças com idade entre seis meses e cinco anos, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – entre eles, adolescentes de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas – e funcionários do sistema prisional.

Boatos

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais uma previsão indicando que o próximo inverno brasileiro será o mais rigoroso dos últimos 100 anos. No entanto, especialistas em meteorologia explicam que essa informação é falsa.

“Totalmente fake news”, afirma Expedito Rebello, coordenador-geral de meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “Não existe modelo em nenhuma parte do mundo que faça uma previsão dessas.”

Segundo ele, a última onda de frio intensa no Brasil foi registrada no dia 18 de julho de 1975 e durou 18 dias. “Dificilmente vamos alcançar algo parecido”, disse Rebello.

O especialista explicou que as massas de ar frio são facilmente detectáveis pelos aparelhos, mas somente em um período inferior a cinco dias. Sendo assim, não seria possível fazer uma previsão desse porte com tanta antecedência.

A Climatempo informou em nota que também “não vê possibilidade alguma de termos um inverno rigoroso, muito menos o mais rigoroso dos últimos 100 anos, como vem sendo veiculado de forma irresponsável por alguns sites”. O portal afirmou ainda que o País deve ter um inverno dentro da normalidade, ou até mesmo ligeiramente mais quente que o normal.

Fonte: O Estado de Minas – texto de Jéssica Otoboni, Marina Dayrell e Renata Okumura

Coleta de óleo saturado para cuidar da natureza

Se descartado incorretamente, o óleo de cozinha pode contaminar o meio ambiente e ainda trazer diversos prejuízos à saúde dos seres vivos. No entanto, quando o oposto acontece, além de não prejudicar a natureza, este material pode proporcionar diversos benefícios.

Um exemplo disso, é o Programa de Coleta de Óleo Saturado desenvolvido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), dentro do Projeto Verde é Vida. Conforme informações do site da entidade, a iniciativa busca alertar e sensibilizar as pessoas sobre o prejuízo que o óleo saturado de fritura pode causar ao meio ambiente quando descartado incorretamente e, ao mesmo tempo, dar o destino correto para este rejeito.

O programa conta com a parceria de escolas públicas e privadas e instituições filantrópicas de municípios dos três estados do sul do país. O óleo saturado coletado é transformado pela Afubra em biodiesel, que passa a ser utilizado na rota e máquinas da entidade. Além dessa prática proporcionar o destino correto e o reaproveitamento desse rejeito, as instituições que integram o programa também são beneficiadas, pois recebem R$ 0,50 por litro de óleo, gerando um crédito para aquisição de produtos nas lojas Afubra.

Em Venâncio Aires existem 19 pontos de coleta do produto. No ano passado, de acordo com informações da Afubra, o município arrecadou 3.297 litros de óleo saturado. A instituição com maior volume coletado foi a Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Mônica, do bairro Gressler, com 544 litros. Neste ano, de acordo com a diretora da Emei, Nadir Pontin, a escola irá trabalhar de forma ainda mais intensa e pretende aumentar a quantidade já alcançada.

PROJETO QUE SE MULTIPLICA 

Foto: Taís Fortes / Folha do MateDiretora da Emei Mônica fala sobre a importância do projeto junto à instituição
Diretora da Emei Mônica fala sobre a importância do projeto junto à instituição

Nadir explica que, para contribuir com a arrecadação de óleo saturado, além do apoio dos pais e da comunidade, a Emei Mônica tem, desde o início do ano passado, cinco pontos de coleta fixos em restaurantes e lancherias do município. Neste ano, a Emei também iniciou uma gincana com os alunos para arrecadação de óleo saturado, latinhas e vidros de conservas. ‘Acredito que com a gincana vai se ter uma maior conscientização, porque além de conseguirmos um dinheirinho é possível cuidar do meio ambiente’, relata a diretora.

No ano passado, as mercadorias adquiridas com o crédito referente a coleta do óleo saturado foram usadas para a realização de uma rifa que angariou R$ 2 mil. O recurso foi investido na compra de lençóis para os colchonetes usados pelas 114 crianças atendidas pela Emei, um micro-ondas para a sala dos professores, brinquedos para o berçário e livros. ‘Esses R$ 2 mil se transformam com a ajuda dos pais, pois são eles que compram e vendem a rifa’, destaca Nadir.

Para este ano, o objetivo é também realizar uma rifa com os produtos adquiridos por meio da coleta do óleo saturado. O valor arrecadado com a venda dos números será destinado à compra de novos televisores para as salas de aula da escola. De acordo com a diretora é muito interessante desenvolver iniciativas como essa. ‘A recompensa a gente vê quando uma escola está mais bonita, quando as crianças estão bem cuidadas, estão usando brinquedos e lendo livros que adquirimos por meio deste trabalho. Isso que é o gratificante e esse é retorno que a gente tem’, ressalta Nadir.

>>> Pontos de coleta em Venâncio 

Emef Professora Odila Rosa Scherer, Emef Benno Breunig, Emef Dois Irmãos, Emef Dom Pedro II, Emef José Duarte de Macedo, Emei Aloisius Paulino Algayer, Emei Arco Iris, Emei Gente Miúda, Emei Mônica, Emei Osmar Armindo Puthin, Emei Vovô Weber, Emef Alfredo Scherer, Colégio Gaspar Silveira Martins, Emef Bento Gonçalves, Emei Bela Vista, Emei Yolita da Cruz Portella, Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Pedro Beno Bohn, Escola Estadual de Ensino Médio Crescer e Escola Estadual de Ensino Médio Professora Leontina.

Fonte: Afubra

UE dá ultimato para 9 países reduzirem poluição do ar

BRUXELAS, 30 JAN (ANSA) – A União Europeia deu um ultimato para nove Estados-membros, inclusive a Itália, respeitarem as normas do bloco para limite de poluição atmosférica.

Em reunião em Bruxelas, o comissário da UE para Meio Ambiente, Karmenu Vella, afirmou que “não é possível mais continuar adiando” a questão.

O encontro contou com a participação de representantes de Alemanha, Eslováquia, Espanha, França, Hungria, Reino Unido, República Tcheca e Romênia, além da Itália. Esses países arriscam ser punidos pelo bloco por recorrentes violações dos limites de contaminação do ar em algumas de suas principais cidades.

“Se os países tiverem novas medidas para colocar na mesa, devem fazê-lo no mais tardar até segunda-feira [5]”, disse Vella, acrescentando que a Comissão Europeia não hesitará em acionar a Corte de Justiça do bloco contra os nove Estados-membros.

“Os prazos terminaram faz tempo, e não podemos permitir novos atrasos. Sem medidas novas e eficazes, os limites continuarão a ser superados”, reforçou o comissário. Após a reunião, o ministro do Meio Ambiente da Itália, Gianluca Galletti, minimizou a cobrança e declarou que o trabalho para reduzir a poluição do ar no país “vem dando resultados”.

A cada ano, pelo menos 400 mil pessoas morrem prematuramente na UE devido a problemas ligados à contaminação atmosférica. Apenas a Itália, com 60 milhões de habitantes, contabiliza 66 mil falecimentos a cada 12 meses por causas do tipo.

Fonte: ANSA

UE dá “última oportunidade” a nove países pela qualidade do ar

A Comissão Europeia celebra nesta terça-feira (30) uma reunião em Bruxelas sobre a qualidade do ar com os ministros do Meio Ambiente de nove países, incluindo Espanha, França e Alemanha, considerados os maus exemplos da União Europeia (UE) na questão.

“É a ocasião e a última oportunidade para encontrar soluções”, resumiu o porta-voz do Executivo comunitário, Margaritis Schinas, na véspera da reunião.

Em caso contrário, o caso será levado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), indicou Bruxelas, que adverte os países envolvidos há vários anos por meio de “procedimentos de infração”.

Cientistas consideram que a poluição do ar é responsável por mais de 400.000 mortes prematuras por ano dentro da UE, sem considerar os europeus que sofrem doenças respiratórias e cardiovasculares. A Comissão calcula que a situação custa mais de 20 bilhões de euros anuais ao bloco.

“Para reduzir este número é necessário que os Estados membros cumpram os limites de emissões estabelecidos. Em caso contrário, a Comissão, na qualidade de guardiã dos tratados, deverá tomar as medidas necessárias”, advertiu Schinas.

Os nove países convocados – Alemanha, Espanha, França, Hungria, Itália, República Tcheca, Romênia, Reino Unido e Eslováquia – superam regularmente os limites de emissões estabelecidos com o objetivo de proteger a saúde dos europeus para os dois poluentes chaves, as partículas finas (PM10) e o dióxido de nitrogênio (NO2).

Apesar das repetidas advertências da Comissão há vários meses, ou até anos em alguns casos, estes países não seguiram as normas, lamenta o Executivo europeu.

“Levá-los à justiça europeia seria a saída a um longo período, muito longo diriam alguns, durante o qual oferecemos nossa ajuda, apresentamos conselhos e fizemos advertências”, disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Karmenu Vella.

Fonte: AFP

União Europeia convoca 9 países para cobrar limite à poluição do ar

BRUXELAS, 19 JAN (ANSA) – O comissário da União Europeia para Meio Ambiente, Karmenu Vella, convocou nove Estados-membros para uma reunião em 30 de janeiro, em Bruxelas, que discutirá formas de combater o excesso de poluição atmosférica nas metrópoles do bloco.

O encontro terá as presenças de Alemanha, Eslováquia, Espanha, França, Hungria, Itália, Reino Unido, República Tcheca e Romênia, que arriscam ser punidas pela UE por violações dos limites de contaminação do ar em algumas de suas principais cidades.

“Esse encontro sobre a qualidade do ar foi pedido por três razões: proteger os cidadãos, esclarecer que haverá consequências jurídicas se a qualidade do ar não melhorar e lembrar aos Estados-membros que esse passo chega ao fim de um longo período de advertências e ofertas de ajuda”, disse Vella.

Segundo o comissário, se os nove países não tomarem medidas “adequadas”, Bruxelas não terá outra escolha que não adotar “ações legais”.

Fonte: ANSA

Energias limpas são mais lucrativas, diz embaixador da ONU Meio Ambiente

embaixador da Boa Vontade da ONU Meio Ambiente, o piloto suíço Bertrand Piccard, disse na segunda-feira (18) que o mundo deve investir em energias limpas, por estas serem mais lucrativas para investidores e consumidores em mercados emergentes.

Em nota, Piccard afirmou que os tomadores de decisões devem parar de se comprometer com metas minimalistas para a redução da poluição, definindo objetivos baseados em tecnologias modernas.

O piloto lidera o projeto Impulso Solar que, em 2015, desenvolveu um avião totalmente movido a energia solar, elogiado pelas Nações Unidas. Piccard afirmou que o mundo deve desenvolver materiais seguros, como embalagens reutilizáveis, com objetivo de salvaguardar “não só as gerações futuras, mas o bem-estar atual” da humanidade.

Ele lembrou que a poluição do ar, que se tornou o maior risco para a saúde ambiental, mata anualmente 7 milhões de pessoas. Além disso, todos os dias são despejados nos rios cerca de 2 bilhões de toneladas de resíduos humanos contendo produtos químicos que podem ter graves impactos na saúde.

Para o embaixador da ONU para o Ambiente, “existem soluções que podem reduzir a poluição e, simultaneamente, gerar lucro”, que “se fossem implementadas, poderiam reduzir drasticamente as emissões poluentes a nível global, beneficiando as pessoas, o planeta e a indústria”.

Piccard questiona o rumo que a humanidade está seguindo, quando, por exemplo, cerca de 30% dos alimentos produzidos globalmente são perdidos ou desperdiçados, levando a emissões de metano que causam mudanças climáticas.

O embaixador da Boa Vontade da ONU Meio Ambiente afirmou ainda ser preciso traçar metas ambiciosas para que o planeta seja livre de poluição e lembrou que, anualmente, 8 milhões de toneladas de plástico atingem os oceanos, afetando numerosas espécies marinhas.

Fonte: ONU

Como entender (e diminuir) o impacto dos seus hábitos no meio ambiente, de roupas a comida

Escritora e designer industrial holandesa levantou dados surpreendentes sobre o rastro deixado por produtos consumidos no dia a dia.

Com que frequência você lava suas calças jeans? Quando viaja de avião, são viagens longas? Prefere comprar tomates embalados, avulsos ou em conserva? Quantas vezes por semana você come carne?

As perguntas soam, a princípio, muito específicas. Mas são essenciais para entender o rastro que seus hábitos de consumo e escolhas individuais deixam no planeta.

Foi em uma conversa com o marido, no sofá de casa, que a designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn percebeu que, apesar de ser especialista na cadeia produtiva de produtos industrializados, não entendia exatamente qual era o impacto do seu estilo de vida no planeta.

Ao pesquisar sobre o tema, Porcelijn percebeu que pelo menos em países ricos como Holanda e Estados Unidos mais de um quarto da “pegada ecológica” de cada ser humano é perceptível no dia a dia. O resto está embutido no ciclo de vida de produtos e serviços – da extração de matérias-primas, passando pelo transporte, até o descarte.

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Fonte: BBC Brasil publicado no G1

Brasil aumenta emissão de gases do efeito estufa em 8,9%

País é o 7º maior poluidor do mundo e atinge o nível mais alto desde 2008

Rio – As emissões de gases de efeito estufa do Brasil subiram 8,9%, em 2016, em comparação com o ano anterior. O país emitiu, no ano passado, 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), contra 2,091 bilhões, em 2015. Com 3,4% do total mundial, o Brasil ocupa o lugar de sétimo maior poluidor do mundo.

Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada nesta quarta-feira pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.

De acordo com o Observatório do Clima, o crescimento é o segundo seguido, já que, entre 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra a queda de 7,4 pontos no Produto Interno Bruto, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6%, em 2016. “O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade”, diz o Observatório do Clima.

Segundo o relatório, a alta de 27% no desmatamento na Amazônia foi a principal responsável pela elevação nas emissões no ano passado. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23%, e foram responsáveis por 51% de todos os gases de efeito estufa lançados pelo Brasil no período.

Os dados apontam também que quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões, com destaque para o setor de energia, com menos 7,3%, puxada pela retração da economia e pelo crescimento da participação das energias renováveis na matriz elétrica.

O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. No sentido contrário, a agropecuária aumentou suas emissões em 1,7%, sendo a principal responsável pelas emissões no país, já que responde por 74% do total.

O aumento é atribuído à crise econômica, já que os abates de bovinos recuaram pelo segundo ano consecutivo, devido à queda de demanda pela carne. Como bois e vacas emitem metano (o gás de efeito estufa mais importante depois do CO2) durante a digestão e pela degradação do esterco, menos gado sendo abatido significa mais bois no pasto e nos currais e mais emissões. “O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano. Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país”, disse a responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG, Ane Alencar.

Fonte: Agência Brasil

Ministério Público Federal cria grupo interinstitucional sobre qualidade do ar

Uma boa notícia para os cidadãos que habitam as grandes cidades brasileiras: com o objetivo de trabalhar para a melhoria da qualidade do ar e sugerir medidas que possam diminuir os impactos da poluição atmosférica, a Quarta Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (4CCR) do Ministério Público Federal instituiu o grupo de trabalho interinstitucional de Qualidade do Ar, formado por Procuradores da República e especialistas. O grupo terá a missão de identificar e acompanhar os mecanismos de medição e fiscalização da qualidade do ar adotados no Brasil, identificar estados e municípios que ainda não tem mecanismos locais de medição e avaliar os impactos econômicos e na saúde da contaminação atmosférica.

Um dos resultados do trabalho deverá ser a proposição de urgente atualização dos Padrões Nacionais de Qualidade do Ar (PQAr) para níveis similares aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), bem como a implementação, em caráter emergencial,  de medidas eficazes para seu atingimento em curto espaço de tempo.

Isso implicará necessariamente a atuação mais organizada e tecnicamente fundamentada do MPF no sentido da inclusão na agenda dos setores de transportes e meio ambiente, de diversas medidas que se encontram há muitos anos em ritmo lento de implementação – ou totalmente paralisadas -, embora algumas delas sejam resultantes de exigência legal, não cumprida há muitos anos – como no caso da polêmica inspeção veicular ambiental, que poderia ter salvado dezenas de milhares de vidas durante os últimos vinte anos, desde a publicação do artigo 104 do Código de Trânsito Brasileiro em 1997.

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Concentração de CO2 na atmosfera pode reduzir nutrientes em vegetais

Os nutrientes em vegetais hoje são fonte de proteína de 76% da população mundial. O fenômeno pode levar 148 milhões de pessoas a, em 2050, entrar em risco de deficiência alimentar

Carnes, ovos e laticínios são alimentos considerados comumente fontes de proteína. Porém, para 76% da população mundial, as plantas desempenham esse papel, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Afinal, elas são mais baratas e podem ser cultivadas no quintal de casa. O problema é que, em alguns anos, a quantidade de proteínas presente em muitos vegetais poderá diminuir, colocando cerca de 148 milhões de pessoas em risco de deficiência alimentar e morte precoce, particularmente as que vivem em áreas mais pobres. É o que mostra um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, divulgado, nesta semana, na revista Environmental Health Perspectives.

 Segundo a pesquisa, o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera diminui a quantidade de nutrientes em diversas espécies de planta. A previsão dos investigadores é de que, em 2050, caia a quantidade de proteínas presente no arroz (em 7,6%), no trigo (7,8%), na cevada (14,1%) e nas batatas (6,4%). Como grande parte do mundo depende das fontes vegetais de proteínas, o estudo prevê também que as populações de 18 países perderão mais de 5% da quantidade do nutriente em suas dietas.

Apenas na Índia, 53 milhões de pessoas podem entrar em risco de deficiência proteica devido à emissão de poluentes. “Em Bangladesh, por exemplo, as populações pobres tiram 75% da sua energia do arroz”, complementa Marie Ruel, diretora da Divisão de Pobreza, Saúde e Nutrição do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, o IFPRI. “Quanto mais pobre o país, maior a proporção de energia consumida que é derivada de plantas”, complementa.

Causa desconhecida

Atualmente, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera está na casa das 400 partes por milhão. Até 2050, as projeções sugerem um aumento de 150 partes por milhão caso seja mantida a taxa atual de emissão do poluente. Um estudo publicado por Samuel Myers em 2014, na revista Nature, mostrou que a alta concentração de carbono na atmosfera diminui a quantidade de proteínas, ferro e zinco em vegetais cultivados.

Samuel Myers é pesquisador no Departamento de Saúde Ambiental de Harvard e também um dos autores do estudo divulgado nesta semana. Ele e colegas repetiram os experimentos e confirmaram o impacto sobre as plantas. A pesquisa baseou-se em dados de experimentos de campo em que os vegetais foram expostos a altas concentrações de CO2. Informações nutricionais da Organização das Nações Unidas foram usadas para calcular o impacto dessa redução de proteínas nas pessoas vulneráveis.

Apesar da confirmação dos resultados, o que exatamente causa a perda de nutrientes nas plantas ainda não é conhecido. “A resposta curta é que nós não sabemos, apesar de gastarmos muito tempo explorando isso”, diz Samuel Myers. “Nós sabemos que é mais complicado do que uma simples diluição de nutrientes com carboidratos porque descobrimos que nutrientes diferentes mudaram em proporções diferentes.”

Mais vulneráveis

Segundo Marie Ruel, que não participou da pesquisa, dentro da população atingida, crianças e mulheres em idade reprodutiva são as mais vulneráveis. Os meninos e as meninas precisam de energia e nutrientes adicionais para crescer e se desenvolver, e as mulheres, de mais nutrientes quando estão grávidas ou amamentando. “A desnutrição causa mortalidade infantil, infecções repetidas e atraso no desenvolvimento cognitivo e motor”, alerta a especialista.

E os impactos da alimentação deficiente não se limitam aos indivíduos afetados. “Crianças desnutridas se tornam adultos pouco desenvolvidos, com baixa escolaridade, habilidades cognitivas reduzidas, oportunidades de trabalho limitadas e, por consequência, com baixa renda, perpetuando a transmissão de desnutrição e pobreza entre as gerações”, ressalta Marie Ruel.

Para evitar o problema, o passo mais importante é investir na diminuição das emissões de carbono, mas Samuel Myers aponta algumas alternativas. “Promover dietas mais variadas, fortificar biologicamente as plantações, suplementação de nutrientes e, possivelmente, criar plantas menos sensíveis ao gás carbônico”, lista o pesquisador. “A maioria dessas intervenções já existe há um longo tempo, mas ainda temos bilhões de pessoas sofrendo de deficiências nutricionais. Então, não existe uma solução mágica.”

Marie Ruel chama a atenção também para a importância de se considerar as transformações nutricionais que as populações vêm conduzindo, incluindo as mais vulneráveis. “Eu acho que esse é um estudo importante e que suas implicações são válidas de se mencionar nos debates de políticas contra a desnutrição. Porém, essas estimativas não levam em conta que as dietas mudam constantemente”, ressalta. “Com o crescimento econômico e a urbanização, as pessoas tendem a ter mais renda, o que muda de forma importante suas dietas, inclusive com a redução da dependência de fontes vegetais de proteínas. Logo, apesar desse declínio nas proteínas em plantas ser preocupante, é provável que as estimativas do número de pessoas que sofrerão com isso estejam superestimadas.”

Fonte: Correio Braziliense

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