Saiba como ajudar a frear o aquecimento global e reduzir seus impactos na saúde

 No Brasil, mortes decorrentes da poluição aumentaram 14% em 10 anos

impacto das mudanças climáticas é real, é preocupante e tem efeitos claros no dia a dia de qualquer pessoa. Tomar medidas urgentes para combater o aquecimento global e seus impactos é um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. E chegar lá passa, necessariamente, por entender o problema e colocar em ação meios de solucioná-lo — tarefa que não deve ficar a cargo apenas dos governos, mas de toda a população mundial.

Afinal, uma das implicações mais inquietantes da mudança climática é sobre a saúde humana. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “um clima mais quente e mais variável ameaça provocar a elevação da concentração de alguns poluentes no ar, o aumento da transmissão de doenças por água impura e por alimentos contaminados, o comprometimento da produção agrícola em alguns dos países menos desenvolvidos e o aumento dos perigos típicos dos climas extremos”.

“A perspectiva é desafiadora, mas ainda temos a oportunidade de transformar uma emergência médica iminente no avanço mais significativo para a saúde pública neste século. Precisamos de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os benefícios econômicos e de saúde oferecidos são enormes. O custo da inação será contado em perdas evitáveis de vidas em larga escala”, alerta Anthony Costello, coautor do relatório e um dos diretores da Organização Mundial de Saúde.

Parece distante da realidade brasileira? Não se engane. No nosso país, as mortes em decorrência da poluição atmosférica aumentaram 14% em 10 anos, passando de 38.782 óbitos em 2006 para 44.228 em 2016. A constatação é do estudo Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, divulgado em junho. As doenças isquêmicas do coração atribuídas à poluição do ar foram responsáveis pelo maior número de mortes. Em seguida, vêm as doenças cerebrovasculares. Houve aumento nas mortes por câncer de pulmão, traqueia e brônquios e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) atribuídas à poluição, tanto entre homens quanto em mulheres.

— As mudanças climáticas são a questão definidora do século 21 — afirmou Enrique Barros, médico e coordenador de meio ambiente na Organização Mundial de Médicos da Família (Wonca, na sigla em inglês), no lançamento do Lancet Countdown em Porto Alegre, relatório que aponta a gravidade do impacto das mudanças climáticas para a saúde.

Preocupada com o aquecimento global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência das Nações Unidas, apresentará em Nova York, nos EUA, um relatório sobre o clima, englobando o período 2015-2019, na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro.

É para essa conferência que, na última terça-feira, partiu a ativista sueca Greta Thunberg, 16 anos, a bordo de um veleiro de regata – a adolescente se recusa a andar de avião para não contribuir com a emissão de carbono.

Empresários mobilizados contra mudanças climáticas

Com capitalização de mercado total de US$ 1,3 trilhão, 28 empresas estão se preparando para estabelecer um novo nível de ambição climática em resposta a uma campanha promovida às vésperas dessa cúpula da ONU. As empresas (como HP, Natura e Unilever) se comprometeram com metas alinhadas à limitação do aumento da temperatura global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e em zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.

Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz.

MARINA GROSSI

Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

O compromisso das 28 empresas tem como base as preocupações apontadas pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que alertou para as catastróficas consequências caso o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C.

— Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, por exemplo, de novos investimentos rentáveis na mitigação de emissões e precificação de carbono, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz — avalia Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Há, claro, muitos desafios envolvidos. O primeiro, explica Marina, é fazer com que a empresa compreenda que a transição para uma economia de baixo carbono é necessária porque o negócio pode sofrer com as mudanças climáticas decorrentes das suas próprias emissões. O segundo ponto é mostrar a essa empresa as inúmeras oportunidades de negócios decorrentes da transição energética:

— É uma questão de sobrevivência para a empresa atrair os olhos do investidor cada vez mais criterioso na escolha de onde aplicar seu capital, uma vez que precisam ter a segurança do retorno de seus investimentos — completa ela, que cita, entre os riscos envolvidos, o aumento de custos de produção, a preferência do consumidor por produtos com menos carbono e o aumento da competitividade devido à adoção de alternativas tecnológicas nos processos produtivos.

O combate às mudanças climáticas está unindo as principais organizações sociais, econômicas e políticas do mundo. São iniciativas que, em geral, contam com o apoio da população. Falta, ainda, que cada vez mais todos façam a sua parte – e que os governos, independentemente de quem estiver no poder, também se unam em torno dessa causa.

Faça a sua parte

Desde 2016, prestigiadas instituições acadêmicas de todos os continentes publicam anualmente o relatório The Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas. Reunindo um total de 41 indicadores, o documento alerta para o risco que os sistemas de saúde correm se os governos e a sociedade não agirem rápido para frear o aquecimento global.

Entre as iniciativas recomendadas, estão regulamentações trabalhistas mais fortes, que protejam os trabalhadores de extremos de calor, e maior investimento em infraestrutura de hospitais e centros e saúde. O relatório é elaborado por uma equipe multidisciplinar, composta por climatologistas, economistas, engenheiros, especialistas em energia, sistemas de alimentação e transporte, geógrafos, matemáticos, profissionais de saúde e cientistas sociais e políticos.

Você também pode colaborar. Pequenas ações, repetidas diariamente, podem reduzir nossa pegada de carbono. Quanto mais pessoas agirem, maiores serão os impactos.

1. Produza menos lixo

u Evite comprar produtos com muitas embalagens e sempre recicle o que for possível. A decomposição do lixo libera CO2 e metano, gases que contribuem para o efeito estufa. Em um sistema de decomposição mais ideal, esses gases são aprisionados e utilizados para produzir eletricidade.

2. Use transporte público

u A queima de combustíveis fósseis pelos meios de transporte é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa nas cidades. Assim, utilizar transporte coletivo contribui para amenizar a emissão desses poluentes, além de diminuir os congestionamentos e otimizar o tempo de todos.

3. Consuma produtos locais

u Esses itens não necessitam ser transportados a longas distâncias e, portanto, dispensam as emissões de gases do efeito estufa que os caminhões geram ao rodar centenas e centenas de quilômetros.

4. Modere no ar-condicionado

u Os aparelhos liberam gases do tipo HFC, mais potentes que o CO2 quando se trata de prender os gases do efeito estufa na atmosfera. Ou seja, ao mesmo tempo em que resfriam o interior de ambientes, contribuem para aumentar a temperatura no exterior.

Fonte: Gaúchazh

Cyberpunk 2077: Game demonstrará resultados do aquecimento global

Eventos climáticos estarão presentes no mundo de Cyberpunk 2077

Cyberpunk 2077 apresentará uma cidade totalmente tecnológica, entretanto, repleta de poluição devido às péssimas condições que a humanidade se encontra. Afinal, é Cyberpunk. Assim, este aspecto é algo mais do que garantido.

Dito isso, Cyberpunk 2077 promete levar a sério as condições a qual sua cidade se encontra. Nas pouquíssimas vezes que vimos o game em ação – ou em trailer, ou em gameplay – notamos que Night City se traduz a total poluição. Assim, de acordo com o estúdio, esta situação terá consequências que afetarão diretamente o mundo do game.

Em uma recente entrevista cedida ao site WCCFTech, o diretor UI, Alvin Liu, detalhou como as péssimas condições ambientais em Night City afetará o mundo de CP 2077. De acordo com o diretor, a cidade estará sujeita a chuvas ácidas decorrentes a irresponsabilidade ambiental. Sobretudo, esta reação climática afetará os NPC’s e os mesmo responderão de forma natural.

Sim, teremos chuva ácida. Night City é uma cidade muito poluída e estamos explorando esse tipo de coisa, poluição e aquecimento global e tudo mais. Sim, vai acontecer como em The Witcher 3. Quando a chuva chegava, as pessoas procuravam abrigo. Geralmente, estamos tentando tornar os NPCs muito convincentes, queremos que este seja um mundo em que as pessoas realmente vivam.” , disse Liu.

Embora confirmado a existência de climas dinâmicos em CP 2077, não foi dito se teremos inverno em Night City. A cidade pertence ao estado livre do norte da Califórnia. Bem como, está localizada na costa oeste do Estados Unidos, na Baía de Del Coronado. Desta forma, se levarmos em consideração as condições climáticas reais da localidade a qual Night City foi inspirada, há a possibilidade de presenciarmos o inverno no game.

Cyberpunk 2077 chega às lojas em 16 de Abril de 2020 para PS4Xbox One e PC.

Fonte: Combo Infinito

Fumaça emitida por escapamentos de veículos pode poluir meio ambiente e fazer mal para a saúde

Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. Em Itapetininga (SP), 23 motoristas foram autuados por irregularidades na última fiscalização realizada

Quase sete milhões de veículos são abastecidos com diesel apenas no estado de São Paulo, de acordo com um levantamento feito pelo Detran. No entanto, a fumaça emitida pelos escapamentos de caminhões, por exemplo, pode poluir o meio ambiente e também fazer mal para a saúde.

Segundo Frederico César de Oliveira, que é dono de uma mecânica de caminhão, a fumaça é a queima do combustível, que é comum em veículos antigos.

“Mas a fumaça preta em excesso significa anomalia na parte da injeção, alimentação do veículo. É preciso procurar uma oficina especializada, onde vai ser feito o teste para encontrar a causa do problema”, explica.

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Monóxido de carbono e hidrocarbonetos são algumas das substâncias presentes na fumaça, que podem agravar problemas respiratórios.
“Problemas respiratórios, principalmente pessoas que já têm bronquite, asma, sinusite, rinite, asma. Nosso organismo não foi projetado para vivermos na poluição, em meio aos gases que hoje respiramos no dia a dia”, afirma o pneumologista Vidal José de Camargo Barros.

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEMFumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Veículos fabricados a partir de 2012 têm um dispositivo que diminui a emissão das substâncias e do escapamento sai apenas vapor se a mecânica estiver em dia.

A Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. A última operação foi feita em rodovias de todo o estado para verificar a quantidade de fumaça expelida pelos veículos antigos movidos a diesel.

“A gente fica situado em uma posição estratégica na rodovia, onde o técnico utiliza uma escala e o caminhão precisa estar em uma velocidade constante e conseguimos fazer a constatação”, diz Carlos Henrique Lopes, analista de educação ambiental.

Em Itapetininga (SP), na última fiscalização, 23 motoristas foram autuados em R$ 1,5 mil. Mas em todo o estado foram registados 1,1 mil veículos irregulares.

“A penalidade não pontua na carteira de motorista, mas é uma multa ambiental. Mas, no momento do licenciamento, precisa estar em ordem com a companhia ambiental.”

Fonte: G1

Poluição é cada vez mais letal – até mais do que tabagismo

Autores do estudo calculam que até 8,8 milhões de mortes ocorridas no mundo anualmente podem ser atribuídas ao ar sujo, enquanto fumo matou 7,2 milhões, em 2015, segundo ONU

O número de pessoas que morrem em consequência da poluição do ar pode exceder o número de mortes por tabagismo, indica um estudo de pesquisadores da Alemanha e do Chipre. O estudo, publicado na revista European Heart Journal em março, se concentrou no ozônio e nas menores partículas poluentes, conhecidas como PM2,5. Ambos são os que mais afetam a saúde porque penetram nos pulmões e podem até chegar à corrente sanguínea.

Os autores do estudo calculam que até 8,8 milhões de mortes ocorridas no mundo anualmente podem ser atribuídas ao ar sujo. “Isso significa que a poluição do ar causa mais mortes extras por ano do que o tabagismo, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima ser responsável por mais de 7,2 milhões de mortes em 2015”, disse o professor Thomas Munzel, do Centro Médico da Universidade de Mainz e um dos autores do estudo.

A cidade tão poluída que até âncoras de TV usam máscaras

Ulã Bator, capital da Mongólia, possui o pior nível de poluição do ar do mundo

Você talvez nunca tenha ouvido falar de Ulã Bator.

A capital da Mongólia possui o pior nível de poluição do ar do mundo.

A situação é tão grave que até âncoras de TV usam máscaras para apresentar o noticiário.

A repórter da BBC Stephanie Hegarty viajou a Ulã Bator para conferir de perto como a poluição afeta o cotidiano dos mongóis.

“É manhã aqui em Ulã Bator e as pessoas estão indo ao trabalho, se aprontando para a escola. E eu posso sentir o cheiro da poluição. É tão espessa que sinto até o gosto dela.”

“Tenho um monitor de poluição aqui que mostra PM2.5, que são essas minúsculas partículas que penetram profundamente em nossos pulmões. Por isso, elas são tão perigosas.”

“Há um minuto, o monitor marcava 999, o valor máximo. O nível considerado seguro não deve ultrapassar 25”.

Mas como a qualidade do ar aqui ficou tão ruim?

As vastas planícies do país podem oferecer uma resposta.

O aquecimento global vem afetando as plantações. Por causa disso, muitos camponeses acabam decidindo deixar suas casas.

O destino é Ulã Bator, onde atualmente vive, 1,4 milhão de pessoas, metade da população da Mongólia.

“Para se aquecer, eles queimam carvão, mas isso está sufocando a cidade”, diz a repórter.

Nos hospitais, o número de crianças internadas com problemas respiratórios vem crescendo dia após dia.

“No inverno passado, havia 270 crianças por dia em nossa emergência. Neste ano, já chegamos a 300. Tratamos essas crianças da melhor forma possível, mas fico com o coração partido ao vê-las sempre doentes”, diz a médica Ganchuluun Zundui.

Ela não tem dúvida de que o motivo é a poluição do ar.

Seu maior temor é de que haja uma epidemia de câncer de pulmão.

Isso pode parecer exagerado, quase apocalíptico, mas os mesmos problemas ocorrem ao redor do mundo.

Se não solucionarmos o êxodo rural descontrolado, a poluição crônica e o aquecimento global, colocaremos nosso futuro em risco.

Fonte: Época Negócios

Prova significativa dos danos da poluição

EM CRIANÇAS

Dados de 205 pesquisas mostram efeitos fisiológicos e psicológicos

Um estudo realizado por cientistas do Centro de Saúde Ambiental Infantil da Colômbia reuniu um número significativo de evidências dos efeitos prejudiciais da poluição do ar na saúde de crianças. O artigo, publicado recentemente na revista especializada Environmental Research, é a primeira revisão abrangente sobre o tema e revela os impactos da combustão dos combustíveis fósseis em meninos e meninas, incluindo o comprometimento do desenvolvimento cognitivo e a maior vulnerabilidade a cânceres.

“Há uma extensa evidência sobre os muitos danos da poluição do ar na saúde das crianças. Nosso trabalho apresenta essas descobertas de uma maneira que é conveniente ao apoio de políticas de ar limpo e de mudanças climáticas que protejam a saúde delas”, frisa Frederica Perera, diretora do centro e professora de ciências da saúde ambiental.

A equipe revisou 205 estudos publicados entre 1º de janeiro de 2000 e 30 de abril de 2018, que tinham informações sobre a relação entre a concentração de exposições a poluentes do ar e os efeitos na saúde. Os estudos referem-se a subprodutos da queima de combustíveis, como material particulado (PM2.5), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH) e dióxido de nitrogênio (NO2) – todos tóxicos para o corpo humano.

Uma tabela desenvolvida pelos autores fornece informações sobre o risco à saúde para cada tipo de exposição, com base nas pesquisas que abrangeram seis continentes. Eles acreditam que o modelo pode influenciar na decisão de medidas voltadas para o púbico específico. “As políticas para reduzir as emissões de combustíveis fósseis têm dois propósitos: diminuir a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas, com benefícios econômicos e de saúde combinados. Mas como apenas alguns resultados adversos em crianças são considerados, os formuladores de políticas públicas ainda não enxergam a extensão dos benefícios potenciais das políticas de ar limpo e de mudança climática particularmente para a infância”, explica Frederica Perera.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 40% da carga de doenças relacionadas ao meio ambiente e cerca de 90% da carga da mudança climática são suportadas por crianças que têm no máximo 5 anos de idade, embora essa faixa etária constitua apenas 10% da população mundial.

Gravidez interrompida

Pesquisadores da Universidade de Utah Health descobriram que as mulheres têm o risco de sofrer um aborto espontâneo aumentado em 16% após a exposição de curto prazo à elevada poluição do ar. O estudo considerou dados de mais de 1.300 voluntárias, com em média 28 anos e atendidas em hospitais do estado americano devido à interrupção não desejada da gravidez até a vigésima semana. Aquelas que haviam sido expostas a níveis elevados de dióxido de nitrogênio durante uma janela de sete dias apresentaram risco aumentado de perder o filho. Detalhes do trabalho foram divulgados, neste mês, na revista Fertility and Sterility.

Fonte: Correio Braziliense

Reduzir o aquecimento global requer esforço sem precedentes, diz ONU

Enquanto o Brasil começava a conhecer alguns de seus novos governantes na noite deste domingo, 7 de outubro, na Coreia do Sul, uma reunião com cientistas e autoridades de diversos países ligadas à ONU divulgou notícias que dizem respeito a todos os brasileiros, e demais habitantes do planeta, embora poucos se deem conta.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, traçou os objetivos a serem atingidos pelas nações para evitar que o aquecimento global chegue ao final do século abaixo dos 2°C, com uma meta ideal de 1,5°C.

Em seguida, encomendou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) um estudo que colocasse em números o desafio de atingir a meta, e as possíveis consequências de não fazê-lo. São milhares de cientistas trabalhando de forma colaborativa, analisando os mesmos conjuntos de dados e estudos, para chegar a um consenso. Um trabalho de anos para chegar aos resultados divulgados na manhã coreana, e eles não são muito animadores.

“Uma das principais mensagens que saem deste relatório é que já estamos vendo as consequências de 1°C de aquecimento global através de condições climáticas mais extremas, aumento do nível do mar e diminuição do gelo do Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, co-presidente do Grupo de Trabalho do IPCC I.

Vamos começar pelas boas notícias: é possível atingir a meta. Se começarmos a reduzir drasticamente a emissão de dióxido de carbono, o CO2, até zerar por volta de 2050, e de outros gases, como metano, talvez consigamos impedir que a temperatura global ultrapasse 1,5°C. Mas quando reduzir drasticamente não é força de expressão. Com 45% do corte já até 2030.

O problema é que estamos muito aquém do necessário. Se as emissões continuarem do jeito que estão, chegaremos a 1,5°C em 2040. Mesmo se atingidos os objetivos das nações individualmente com o Acordo de Paris, que no caso do Brasil é de reduzir 37% das emissões de carbono até 2025 e “possível” redução de 43% até 2030, chegamos ao ano 2100 acima dos 3°C.

Com o aquecimento limitado em 1,5°C, o impacto será principalmente sentido pelas populações mais pobres. A agricultura perde produtividade, acarretando aumento dos preços dos alimentos, insegurança alimentar e fome. Fortes ondas de calor e inundações costeiras podem obrigar deslocamentos de populações. Mais de 100 milhões de pessoas podem entrar para a pobreza. O número de pessoas subnutridas no mundo poderia ser de 25 milhões a menos até o final do século do que sob o aquecimento de 2°C.

“Todo aquecimento importa, especialmente a partir de 1,5°C. Aumenta o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas”, disse Hans-Otto Pörtner, copresidente do IPCC – grupo de trabalho II.

Problemas graves, mas que são possíveis de contornar. Basta que a humanidade queira. Mas, se chegar a 2°C, aí não vai ter muito o se que fazer. Países que são compostos por pequenas ilhas, como Tuvalu e Kiribati, vão desaparecer. A maioria das ondas de calor vai provocar sérios impactos à sociedade, com mortes, incêndios florestais e perdas de produção. Em países tropicais, como o Brasil, ondas de calor vão ocupar pelo menos metade do verão.

Poluição

Limitar a elevação da temperatura a 1,5°C, em comparação com os 2°C, pode prevenir cerca de 153 milhões de mortes prematuras por poluição do ar em todo o mundo até 2100 – cerca de 40% das mortes nos próximos 40 anos. Esse é um benefício tão grande que, em termos econômicos, pode até ser maior do que o custo total de reduzir as emissões de carbono na maioria dos principais países emissores.

À medida que as temperaturas sobem, as áreas protegidas começam a desaparecer. Em 2°C, 25% das 80.000 espécies de plantas e animais nas áreas mais ricas do mundo, como a Amazônia e Galápagos, podem enfrentar a extinção local até o final do século. Temperaturas de aquecimento podem afetar o comportamento de insetos e animais, causando um efeito cascata que afeta ecossistemas inteiros.

Sendo isso só uma pequena parte de uma longa lista de consequências que não deixam ninguém ileso. É preciso mudar, e agora, recomenda o IPCC. “Limitar o aquecimento a 1,5°C é possível dentro das leis da química e da física, mas isso exige mudanças sem precedentes”, disse Jim Skea, copresidente do IPCC – grupo de trabalho III.

Para começar, o uso de combustível fóssil deve cair rapidamente. Principalmente o carvão, que deve ser quase totalmente eliminado por volta de 2040. O uso de petróleo também precisa cair ao longo do século.

Alcançar o 1,5 °C será muito mais fácil, mais barato e menos prejudicial se os governos tomarem medidas imediatas para mudar para energia limpa. O investimento contínuo em usinas de combustível fóssil significaria que futuros cortes teriam que ser mais drásticos. Se a energia eólica e solar continuar crescendo entre 25% e 30% por ano até 2030, então pode começar a crescer mais devagar, de 4% a 5%. Assim, o setor de energia elétrica estaria completamente descarbonizado na metade do século.

A indústria, diretamente responsável por 21% das emissões globais, deve encontrar meios de cortar suas emissões até 2050, e o transporte tem de passar a ser elétrico. Se cerca de 70% dos veículos forem elétricos até 2050, as emissões globais anuais de dióxido de carbono cairiam para o equivalente a cerca de 8% das emissões totais atuais. Mas isso não basta. É preciso planejamento urbano, de modo que diversas formas de transporte, como caminhada, bicicleta, trem, bonde, ônibus, se integrem para atender de forma fácil o cidadão, além de políticas públicas que desestimulem o uso do carro.

No prato
Nossa comida também precisa mudar. O que as pessoas comem é um fator importante que determina o estado da floresta e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por quase 60% das emissões relacionadas aos alimentos, apesar de contribuir com apenas 37% de proteína e 18% de calorias.

Quanto mais carne, peixe, laticínios e ovos as pessoas comem, mais difícil será limitar o aquecimento a 1,5°C. Mudar o hábito de comer mais de 100 gramas de carne por dia para comer menos de 50 gramas pode reduzir as emissões da comida de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia reduzir as emissões em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir as emissões em 60%.

Florestas
Proteger os ecossistemas e prevenir a destruição de florestas são formas importantes de reduzir as emissões de carbono. O desmatamento deve ser zerado. Como as árvores e plantas absorvem CO2, o plantio florestal em grande escala e a restauração de ecossistemas danificados, como pântanos e mangues, também são métodos potencialmente significativos de remover carbono da atmosfera e também trazem muitos benefícios, incluindo filtração melhorada de água, proteção contra inundações, saúde do solo e habitat da biodiversidade.

Atualmente o solo libera mais gases de efeito estufa do que absorve, sendo responsável por cerca de 24% das emissões. Alguns cientistas sugeriram que esse processo, chamado de “Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono” (BECCS), poderia ser uma forma relativamente barata de remover o carbono da atmosfera. Mas a tecnologia ainda está em fase de testes e o uso da BECCS em larga escala pode ter sérias conseqüências para o uso da terra e da água doce, a biodiversidade e o funcionamento dos sistemas naturais.

Passando por diversos aspectos das nossas vidas, o relatório IPCC tem o objetivo de servir de base para que governantes e idealizadores de políticas públicas pelo planeta construam uma sociedade que vá de encontro a uma economia de carbono neutro. Uma medida urgente e inadiável, embora pensar nisso seja difícil na noite em que o candidato à Presidência da República mais votado do primeiro turno das eleições, com mais de 49 milhões de votos, Jair Bolsonaro (PSL), declara abertamente sua intenção de acabar com o Ministério do Meio Ambiente, fazendo uma fusão com o Ministério da Agricultura.

A cobertura especial de GALILEU no relatório do clima conta com o apoio institucional de ClimaInfo.

Fonte: Revista Galileu

Terra vai esquentar 4 graus até o fim do século, diz relatório dos EUA

Nível é o dobro do considerado seguro por cientistas, e pode ter consequências gravíssimas; documento usa esse cenário para afirmar que não adianta reduzir a poluição dos carros

Se as notícias sobre aquecimento global já deixavam você preocupado com o futuro, aí vai mais uma: de acordo com um relatório elaborado pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA, na sigla em inglês) – uma agência ligada ao Departamento de Transportes dos EUA – a temperatura da Terra vai subir 4 graus Celsius até 2100.

O número é preocupante: o Acordo de Paris, tratado climático elaborado pela ONU e assinado por 175 países, estabelece como limite um aumento de 2 graus. Esse seria o máximo de aquecimento que o planeta aguentaria antes de começar a sofrer consequências graves, como derretimento das calotas polares, forte elevação do nível do mar e inundação de grandes áreas costeiras.

O relatório, de mais de 500 páginas, não apresenta possíveis soluções para o problema. Na verdade, ele faz o oposto. Segundo o jornal Washington Post, que teve acesso ao documento, a NHTSA afirma que não há mais nada a ser feito.

Fonte: Super Interessante

Revista científica publica estudo sobre benefícios do biodiesel para a saúde pública

A revista científica que tem como temática estudos sobre a poluição do ar em megacidades (Megacity Air Pollution Studies), artigo que tem como base pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em julho de 2015, com apoio da APROBIO. O estudo mostra que um maior uso de biodiesel em substituição ao diesel fóssil pode contribuir com a redução de mortes e internações hospitalares provocadas por doenças relacionadas à poluição do ar.

O paper “Avaliação dos impactos na saúde e sua valoração devido à implementação progressiva do componente biodiesel na mistura da matriz energética de transportes” é de autoria dos pesquisadores Evangelina Vormittag e Cristina Guimarães Rodrigues, do Instituto Saúde e Sustentabilidade; e Paulo Afonso de André e Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP).

 

De acordo com o estudo, o uso da mistura de 20% de biodiesel ao combustível vendido nas bombas poderia evitar até 13 mil mortes, quando se estuda o período entre 2015, ano em que a pesquisa foi realizada e quando o Brasil adotava o B5, e 2025. Os benefícios ambientais do B20, com a redução da poluição, se estendem à economia de despesas hospitalares, já que 28 mil internações por doenças respiratórias deixariam de ocorrer no período.

Para os autores do artigo, esses resultados “indicam a importância desse estudo em orientar decisões governamentais, levando-se em conta o quanto essas medidas no nível local podem gerar significativos benefícios para a população exposta à poluição do ar”.

Clique AQUI para acessar o relatório da pesquisa

Poluição: morar um ano em Paris equivale a fumar 9 maços de cigarro

Estudo realizado pela associação europeia de Transporte e Meio Ambiente calculou em cigarros a contaminação de partículas finas em dez grandes cidades da Europa.

 O jornal “Aujourd’hui en France” desta sexta-feira (10) publicou um estudo alarmante sobre a poluição nas regiões metropolitanas na Europa. “Respirar é como fumar” é a manchete da matéria que detalha um estudo realizado pela associação europeia deTransporte e Meio Ambiente, que calculou em cigarros a contaminação de partículas finas em dez grandes cidades da Europa, como Paris.

“Não é preciso mais estar ao lado de um fumante para ser vítima do tabagismo passivo”, diz a matéria do “Aujourd’hui en France”. A poluição do ar é tão intensa nas capitais europeias que basta passar alguns dias passeando pelo Velho Continente para respirar equivalentes tóxicos presentes nos cigarros.

O método é extraído de uma técnica do instituto americano Berkeley Earth, segundo o qual, respirar 22 microgramas/m3 de partículas finas tem o mesmo efeito para a saúde do que fumar um cigarro. Assim, morar, por exemplo, em Paris durante um ano e ser exposto ao ar da capital francesa neste período, equivale a fumar 183 cigarros, ou nove maços de cigarro, alerta o jornal.

Turistas também se tornam “fumantes passivos”

Paris não é a capital onde o ar é mais poluído na Europa. Entre as dez cidades analisadas pelo estudo, Praga, capital da República Tcheca, e Istambul, na Turquia, são as campeãs de acúmulo de partículas finas no ar, seguidas por Milão, na Itália, e Londres, capital do Reino Unido. Visitar esses locais, mesmo por poucos dias, também tem um impacto em sua saúde.

Os pesquisadores calcularam em cigarros o volume de ar poluído que um turista estaria exposto passando, por exemplo, quatro dias em Paris. Resultado: dois cigarros. No mesmo período, a contaminação de partículas finas é equivalente a quase três cigarros em Londres e três em Milão, quatro em Praga e Istambul.

“É como se obrigássemos os turistas a fumarem, inclusive as crianças”, diz, em entrevista ao Aujourd’hui en France o coordenador das pesquisas sobre qualidade do ar da associação europeia Transporte e Meio Ambiente, Jens Muller.

Queda no número de visitantes

A poluição é uma das principais preocupações dos cidadãos europeus, de acordo com uma pesquisa realizada pela Comissão Europeia. A questão começa também preocupar os turistas, que estão deixando de escolher alguns destinos para poupar sua saúde. As cidades de Pequim, na China, e Hong Kong, por exemplo, já lidam a queda de visitantes devido à poluição.

A situação é preocupante, especialmente porque a poluição começa a se expandir também às áreas verdes. Pesquisadores americanos reveleram recentemente que o nível de ozônio detectado nos grandes parques americanos, como Yellowstone ou Yosemite é tão alto como nas maiores cidades dos Estados Unidos. Autoridades já começam a alertar que a poluição nesses espaços verdes protegidos pode causar danos à saúde de seus visitantes.

Fonte: RFI

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