Poluição do ar afeta crescimento de árvores em São Paulo

Os efeitos da poluição do ar à saúde humana já são conhecidos. Uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) identificou agora que as árvores também sofrem esses efeitos, o que interfere nos benefícios ambientais prestados por elas. Os pesquisadores utilizaram como modelo a tipuana (Tipuana tipu) – uma das espécies de árvores mais comuns em São Paulo – e mostraram que os poluentes atmosféricos restringem o desenvolvimento desse tipo de planta.

Diminuir temperatura, produzir vapor de água, mitigar o escoamento da água da chuva e, inclusive, filtrar a poluição são alguns dos benefícios das árvores no ambiente urbano que estão prejudicados. “Vamos precisar muito desses serviços ambientais para a gente se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. É muito importante ter árvores na cidade. Quanto mais saudáveis elas forem, mais rapidamente a gente vai ganhar esse serviço [ambiental]. As árvores que estão crescendo neste momento estão, provavelmente, sofrendo com o efeito da poluição”, disse Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e responsável pelo projeto.

Foram analisadas 41 tipuanas localizadas em diferentes distâncias do Polo Industrial de Capuava, em Mauá, uma das áreas mais industrializadas da região metropolitana de São Paulo. De acordo com os pesquisadores, o bairro é composto por áreas residenciais e comerciais e um polo industrial, formado por refinarias de petróleo e fábricas de cimento e fertilizantes, por onde circula grande quantidade de caminhões e carros.

Estudo

Com um instrumento semelhante a uma broca de furadeira, mas com o interior oco, chamado de sonda Pressler, os pesquisadores retiraram amostras das cascas e dos anéis de crescimento. Eles analisaram a composição química e o tamanho dos anéis e conseguiram medir a variação dos níveis de poluição do ar por diversos elementos químicos a que as plantas foram expostas durante o desenvolvimento e como esse fator influenciou o crescimento delas.

“Nós pegamos árvores que estão em posição onde há uma poluição muito forte e comparamos com árvores onde a poluição não é tão forte”, afirmou Buckeridge. Quando os anéis são muito grandes ou largos, isso indica anos de bom crescimento, ou seja, foram anos de menores níveis de poluição. Os anéis de crescimento menores ou mais estreitos, por sua vez, representam anos de crescimento ruim, quando os níveis de poluição foram maiores.

“As árvores mais próximas às vias de tráfego e expostas a concentrações mais altas de alumínio, bário e zinco, gerados pelo desgaste de peças de automóveis, tiveram menor crescimento ao longo dos anos”, mostra o estudo, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com a pesquisa, o material particulado (partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar) com tamanho de até 10 micrômetros (PM10), emitido pelo polo industrial, reduziu em até 37% a taxa de crescimento do diâmetro das árvores mais próximas à área.

Os resultados das análises da composição química das amostras das cascas foram confirmadas com dados obtidos por meio de séries temporais de emissões de material particulado na região de Capuava por cerca de 20 anos, elaboradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

O estudo revela que os metais pesados e o material particulado influenciam o desenvolvimento das árvores ao mudar as propriedades ópticas da superfície das folhas. “Dessa forma, aumentam a temperatura e reduzem a disponibilidade de luz para a fotossíntese da planta. Além disso, podem reduzir as trocas gasosas das árvores ao acumular nos estômatos foliares – um conjunto de células nas folhas da planta que permitem a troca de gases com o ambiente e a transpiração do vegetal”.

Buckeridge destaca que a pesquisa mostrou o impacto da poluição no desenvolvimento das tipuanas e, agora, em novas etapas do trabalho, será possível calcular os impactos para a cidade como um todo. “Agora vamos ter que integrar, fazer a modelagem da arborização em São Paulo e ver, no caso da tipuana tipu, quais são esses efeitos no nível macro, mas nós não temos esse número ainda”, explicou.

Fonte: Agência Brasil

Poluição do ar mata mais que cigarro, diz estudo

Pesquisa aponta que poluição atmosférica causa quase 9 milhões de mortes por ano no mundo, o dobro do estimado anteriormente. Cientistas pedem redução de limites para concentração de partículas finas no ar.A poluição do ar mata anualmente mais pessoas do que o tabagismo, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (12/03). Cientistas da Alemanha e do Chipre estimaram que a poluição do ar causou 8,8 milhões de mortes em 2015 – quase o dobro dos 4,5 milhões anteriormente estimados .

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o tabagismo mate cerca de 7 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

“Como a maior parte do material particulado e de outros poluentes atmosféricos na Europa provêm da queima de combustíveis fósseis, precisamos mudar para outras fontes de geração de energia com urgência”, disse Jos Lelieveld, coautor do estudo e membro do Instituto Max-Planck de Química em Mainz, na Alemanha, e do Instituto Cipriota de Nicósia.

“Quando usamos energia limpa e renovável, não estamos apenas cumprindo o Acordo de Paris para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas também podemos reduzir as taxas de mortalidade relacionadas à poluição do ar na Europa em até 55%”, disse Lelieveld.

O estudo, divulgado na publicação científica European Heart Journal, se concentrou no ozônio e nas menores partículas poluidoras, conhecidas como PM2.5, que são particularmente prejudiciais à saúde, pois podem penetrar nos pulmões e até mesmo entrar na corrente sanguínea.

Os cientistas aplicaram o novo Modelo de Exposição Global de Mortalidade a um amplo banco de dados epidemiológico – com números atualizados de densidade populacional, idade, fatores de risco de doença, causas de morte – para simular a maneira como produtos químicos naturais e artificiais interagem com a atmosfera.

Os pesquisadores relataram que novos dados indicam que o impacto danoso à saúde das PM2.5 – a principal causa de doenças respiratórias e cardiovasculares – foi muito pior do que se pensava anteriormente. Eles defenderam uma redução na União Europeia (UE) do limite máximo para as PM2.5, que atualmente é de 25 microgramas por metro cúbico – 2,5 vezes maior do que recomenda a OMS.

“Na Europa, o valor máximo admissível é alto demais”, disseram Lelieveld e o coautor Thomas Munzel, do Departamento de Cardiologia do Centro Médico Universitário de Mainz, em comunicado conjunto. “Nos EUA, na Austrália e no Canadá, a diretriz da OMS é tomada como base para a legislação, o que também é necessário na UE.”

Em todo o mundo, a poluição do ar vem causando 120 mortes a cada 100 mil pessoas por ano. Na Europa, apesar de haver controles de poluição mais rigorosos do que na maioria das outras regiões, o número é maior – 133 mortes por 100 mil habitantes.

“Isso é explicado pela combinação de má qualidade do ar e densidade populacional, o que leva a uma exposição que está entre as mais altas do mundo”, disse Lelieveld.

As taxas são ainda mais altas no Leste Europeu, em países Bulgária, Romênia e Croácia, onde foram registradas 200 mortes por ano a cada 100 mil pessoas. Tais números foram atribuídas a cuidados de saúde menos avançados.

“Para colocar isso em perspectiva, isso significa que a poluição do ar causa mais mortes por ano do que o consumo de tabaco”, disse Munzel.

Fonte: Terra

A poluição do ar prejudica até seu desempenho no trabalho

Pesquisa da Universidade de Cingapura mostra que exposição a ar contaminado prejudica o rendimento em empregos que exigem coordenação, velocidade e consistência

A poluição do ar em grandes metrópoles causa inúmeros efeitos prejudiciais em nosso corpo, como dor de cabeça, doenças respiratórias e cardíacas, exaustão e até câncer de pulmão.

Os danos da agressão ao meio ambiente à saúde são evidentes. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Cingapura, no Sudeste Asiático, contudo, decidiu pesquisar também de que forma a poluição afeta a produtividade dos profissionais.

Evidentemente, trabalhar em meio à poluição não favorece o rendimento da equipe. Mas, segundo os pesquisadores, flutuações esporádicas no nível de qualidade do ar não impactam a média diária de produtividade.

No entanto, se a pessoa tem de trabalhar durante muito tempo exposta à poluição, seu rendimento diminui lentamente com o passar do tempo, de acordo com reportagem da Fast Company.

Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada pelo professor Liu Haoming estudou durante um ano fábricas têxteis na China e comparou os níveis de poluição do local com a produção dos trabalhadores.

A pesquisa mostra que a exposição a altos níveis de poluição (10 microgramas por metro cúbico acima do limite considerado seguro) por 25 dias reduz a produtividade do trabalhador em 1%.

“A maioria dos gerentes que entrevistamos não percebeu que a poluição do ar pode ter um impacto negativo na produtividade de seus trabalhadores”, afirma Liu.

As descobertas da Universidade de Cingapura são relevantes porque mostram às empresas que a sustentabilidade é importante não só para seus resultados financeiros, mas também para a saúde e desempenho de seus funcionários.

Liu diz que é vital que o efeito da poluição na economia receba mais atenção. Apesar de seu estudo se concentrar em trabalhadores de fábricas têxteis, ele acrescenta que as descobertas podem ser aplicadas a qualquer emprego que exija coordenação, velocidade e consistência.

“O impacto negativo sobre a produtividade do trabalho deve ser considerado como uma parte importante do custo da poluição do ar”, diz.

Fonte: Época Negócios

Câmara do Conama dá até 2023 de prazo para veículos reduzirem poluição do ar

A Câmara Técnica de Qualidade Ambiental do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou nesta terça-feira, 2, o prazo até 2023 para que o Brasil adote medidas visando reduzir a poluição provocada por veículos. Uma das providências mais importantes discutida na reunião, que faz parte do Programa de Controle de Poluição Veicular (Proconve), foi a necessidade de adaptação dos motores, principalmente dos ônibus e caminhões, ao modelo adotado na Europa, o euro VI, menos poluentes.

“A proposta vencedora, com o prazo até 2023, foi defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional de Transportes (CNT). Os ambientalistas e os Ministérios da Saúde e Meio Ambiente defendiam o prazo final em 2022, ou seja, daqui a três anos”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam, uma das entidades que atuaram contra a extensão do prazo. Bocuhy é também conselheiro do Conama.

Com a aprovação na Câmara Técnica, a proposta segue agora para a plenária do Conama. “Se for aprovada, permitirá a entrada de frotas poluentes por mais um ano, ou seja, milhares de veículos pesados como ônibus e caminhões que circularão por mais 25 a 30 anos, a vida útil desses veículos”, diz Bocuhy.

Atualmente, conforme o Proam, a ausência de atualização tecnológica dos motores a diesel e a falta de filtros adequados nos escapamentos dos veículos causam a morte de 4 mil a 5 mil paulistanos por ano, além de 17 mil em todo o Estado, dos quais a maioria crianças e idosos.

Um estudo nesse sentido foi feito por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Além disso, os gastos do Estado de São Paulo por problemas de saúde decorrentes da poluição chegam a R$ 300 milhões por ano, afirma Bocuhy. “O nível de poluição de ar na cidade de São Paulo, conforme estudos recentes, é o dobro do que recomenda a OMS.”

A proposta do Proam, em conjunto com o Ministério Público Federal, é de que os padrões de qualidade do ar sejam atualizados, conforme as normas da OMS, em três etapas, em um prazo total de nove anos. “Há um encaminhamento mais próximo com os Ministério do Meio Ambiente e da Saúde, no sentido de adoção de prazos mais curto”, afirma Bocuhy.

Fonte: ISTOÉ (Estadão Conteúdo)

Partículas de ar poluído foram detectadas na placenta pela primeira vez

exposição de mulheres grávidas à poluição pode prejudicar o feto. Estudos já associaram o ar poluído a muitos problemas de saúde, como parto prematuro, mortalidade infantil, problemas respiratórios e anormalidades cerebrais, por exemplo. E agora, pela primeira vez, pesquisadores descobriram evidências de que partículas microscópicas de carbono também chegam à placenta.

Apresentada no Congresso Internacional da Sociedade Respiratória Europeia em Paris, França, a análise foi conduzida por Norrice Liu, pediatra, e Lisa Miyashita, pesquisadora de pós-doutorado. Ambas fazem parte da equipe de Jonathan Grigg, pesquisador na Grigg na Queen Mary University of London, no Reino Unido.

Elas examinaram as placentas de cinco mulheres após o nascimento dos bebês. As moças eram não-fumantes que haviam se submetido a uma cesariana, e cada uma delas vivia em Londres, cidade poluída que ultrpassou o limite anual de poluição do ar em janeiro de 2018.

Dessas cinco placentas, os pesquisadores identificaram 3,5 mil células de macrófagos placentários, que são responsáveis ​​por “engolir” partículas tóxicas, sejam bactérias ou poluição, e podem ser encontradas em todo o corpo, e não apenas na placenta.

Foi descoberto que cada placenta possuía uma média de aproximadamente 5 micrômetros quadrados de uma substância negra que os especialistas acreditam ser partículas de carbono. No total, eles selecionaram 60 células com 72 pequenas áreas escurecidas nas cinco amostras.

“Nós sabemos que a poluição do ar afeta o desenvolvimento fetal e pode continuar a afetar os bebês após o nascimento e durante toda a vida”, disse em comunicado Miyashita. “Estávamos interessados ​​em ver se esses efeitos poderiam ser causados ​​por partículas poluidoras que se movem dos pulmões da mãe para a placenta. Até agora, há poucas evidências de que partículas inaladas entrem no sangue pelo pulmão.”

Em seguida, a equipe estudou em mais detalhes duas placentas com um microscópio eletrônico, e foram encontrados mais fragmentos da mesma substância negra. “Não tínhamos certeza se íamos encontrar partículas e, se as encontrássemos, esperávamos que fosse apenas um pequeno número de macrófagos placentários que contém fuligem”, explicou Lui. “Isso ocorre porque a maioria deles deve ser englobada por macrófagos dentro das vias aéreas, principalmente as partículas maiores, e apenas uma minoria de pequenas partículas se moveria para a circulação.”

Com apenas cinco placentas, esse foi um estudo pequeno e não prova, necessariamente, que as partículas possam se mover da placenta para o feto. No entanto, os autores dizem que isso é possível e explicaria por que a poluição do ar pode ter um efeito adverso no período pré-natal. Além disso, eles acrescentam que as partículas não precisam entrar no organismo do bebê para causar problemas: afetar a placenta já é suficiente para causar malefícios à saúde.

“A pesquisa deve aumentar a conscientização entre médicos e o público sobre os efeitos nocivos da poluição do ar em mulheres grávidas”, afirmou Mina Gaga, presidente da European Respiratory Society. “Precisamos de políticas mais rigorosas para um ar mais limpo, a fim de reduzir o impacto da poluição na saúde em todo o mundo, porque já estamos vendo uma nova população de jovens adultos com problemas de saúde.”

Fonte: Revista Galileu

Secretário-geral da ONU chama o mundo para a urgência do combate ao aquecimento do planeta

Em um discurso contundente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou governos, empresas e cidadãos de todo o mundo a agir com força e rapidamente para combater o aquecimento global e as mudanças decorrentes no clima do nosso planeta.

Estas foram as principais mensagens do discurso:

  • O secretário-geral convocou a todos para soar o alarme. Está faltando ainda, mesmo depois do Acordo de Paris, liderança, senso de urgência e um compromisso verdadeiro com uma resposta multilateral decisiva.
  • O mundo está em um curso equivocado. Se continuarmos no caminho atual, até 2030, perderemos o ponto no qual poderemos evitar uma descontrolada mudança climática, que terá consequências desastrosas para as pessoas e todos os sistemas naturais que nos sustentam.
  • Os cientistas nos alertam há décadas que a mudança climática está acontecendo. Mas muitos líderes se recusaram a ouvir.
  • Chegou a hora de nossos líderes mostrarem que se importam com as pessoas cujo destino elas têm nas mãos. Precisamos deles para mostrar que se importam com o futuro – e com o presente.
  • O Acordo de Paris estabeleceu metas que buscam manter o aumento da temperatura global o mais próximo possível de 1,5 graus Celsius.
  • Mas, de acordo com um estudo feito pela ONU, os compromissos assumidos até agora pelas Partes do Acordo de Paris representam apenas um terço do que é necessário.
  • O Acordo de Paris e a Convenção Clima são as bases para os esforços globais para enfrentarmos a mudança climática. Os governos nacionais, no entanto, não podem fazê-lo sozinhos. As partes interessadas não-partes podem aumentar significativamente a ação climática e influenciar a ambição em nível nacional.
  • Existe uma oportunidade real, agora, de promover a prosperidade econômica, ao mesmo tempo em que reduzimos as emissões e fortalecemos a resiliência climática. Temos a oportunidade de descartar as formas antigas e criar um novo caminho para um futuro melhor.
  • Os benefícios da ação climática superam em muito os custos da inação. O Relatório da Nova Economia Climática concluiu que a ação sobre as mudanças climáticas resultaria em uma economia de US$ 26 trilhões até 2030, em comparação com os negócios de sempre.
  • Abandonar os combustíveis fósseis e abraçar as energias renováveis economiza dinheiro e, também, cria novos empregos, reduz o desperdício de água, aumenta a produção de alimentos e limpa o ar.
  • Há um dever moral de agir sobre as mudanças climáticas. As nações mais ricas do mundo são as mais responsáveis pela crise climática, mas os efeitos serão sentidos primeiro e mais fortemente pelas nações mais pobres e pelas pessoas e comunidades mais vulneráveis.
  • Mulheres e meninas, em particular, pagarão um preço mais elevado – não apenas porque suas vidas se tornarão mais difíceis, mas porque, em tempos de desastre, as mulheres e meninas sempre sofrem desproporcionalmente.
  • O secretário-geral convocará uma Cúpula do Clima para levar a ação climática ao topo da agenda internacional. A cúpula ocorrerá um ano antes de os países terem que melhorar suas promessas climáticas no âmbito do Acordo de Paris. O secretário-geral pede a todos os líderes mundiais que participem da Cúpula do Clima do próximo ano, preparados para relatar não só o que estão fazendo, mas o que mais pretendem fazer em 2020, quando os países atualizarão seus planos climáticos nacionais.
  • A Cúpula se concentrará em áreas que estão no núcleo do problema – os setores que mais geram emissões e as áreas onde a resiliência em construção fará a maior diferença.

O discurso do secretário-geral foi um apelo a todos que tenham qualquer responsabilidade de liderança no mundo para entender que a mudança climática é um problema para todos e que “o mundo está contando com você para enfrentar o desafio antes que seja tarde demais”.

Fonte: ClimaInfo

Elevação das concentrações de carbono na atmosfera ameaça a nutrição humana

A emissão de CO2 está alterando não apenas o clima global, mas também a composição nutricional de plantas que fazem parte da base alimentar de bilhões de pessoas no mundo, alerta estudo publicado nesta segunda-feira na revista “Nature Climate Change”. Cálculos estimam que o empobrecimento de culturas como arroz e trigo pode, por exemplo, provocar deficiência de zinco em 175 milhões de pessoas e de proteínas em 122 milhões, até 2050. A pesquisa aponta ainda que mais de 1 bilhão de mulheres e crianças podem perder grande parte das fontes de ferro, aumentando o risco de anemia e outras doenças.

— Nossa pesquisa deixa claro que decisões que tomamos diariamente; em como aquecemos nossas casas, o que comemos, como nos transportamos e o que compramos; estão tornando nossos alimentos menos nutritivos, colocando em risco outras populações e as gerações futuras — alertou Samuel Myers, pesquisador da Universidade de Harvard e autor principal do estudo.

Hoje, mais de 2 bilhões de pessoas têm deficiência em um ou mais nutrientes. Em geral, as plantas respondem pela maior parte dos nutrientes-chave para os humanos: 63% das necessidades de proteínas; 81%, de ferro; e 68%, de zinco. Pesquisas demonstram que concentrações maiores de CO2 resultam em plantas menos nutritivas. Em ambientes com concentrações do gás em 550 partes por milhão (ppm), as perdas de proteínas, zinco e ferro variam entre 3% e 17%, em comparação com níveis em torno de 400 ppm, como os atuais.

Com essas informações, Myers e seus colegas analisaram o peso dessas perdas para a saúde humana em 151 países, com informações de bancos de dados detalhados sobre os padrões alimentares por idade e sexo, com 225 alimentos diferentes.

Fonte: O Globo

Estudo liga exposição crônica à poluição a redução nos níveis de inteligência

A exposição crônica à poluição do ar está associada a danos à inteligência, revela um novo estudo conduzido por pesquisadores da China e dos Estados Unidos.

pesquisa identificou que a relação entre poluição e performance cognitiva aumenta com a idade e afeta especialmente homens com menor nível de educação.

Foram usados dados de 20 mil pessoas que vivem na China e que, em 2010 e 2014, fizeram testes de matemática e de linguagem como parte da CFPS (sigla em inglês para Painel de Estudos da Família da China), uma pesquisa nacional conduzida anualmente e financiada pelo governo chinês com famílias e indivíduos.

“A pesquisa (CFPS) também fornece informações exatas sobre as localizações geográficas e as datas das entrevistas, o que nos permite comparar as pontuações dos testes com os dados da qualidade do ar local com mais precisão”, explicam os autores do estudo, divulgado pela publicação acadêmica americana PNAS.

O estudo comparou os resultados dos testes de performance cognitiva com medições de dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e de partículas menores que 10 micrômetros de diâmetro dos locais onde os participantes viviam quando fizeram as provas.

Não está claro o quanto cada um desses três poluentes seria culpado pela perda na performance. Monóxido de carbono, ozônio e partículas maiores não foram incluídos na análise.

Fonte: BBC Brasil

Economia verde avança no mundo, apesar de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu mais um golpe contra o meio ambiente. Desta vez, substituiu os regulamentos sobre o carvão natural de seu antecessor, Barack Obama, por sua Regra de Energia Limpa Financiável (ACE, na sigla em inglês), colocando uma parcela maior da regulamentação das usinas elétricas a carvão nas mãos dos governos estaduais, em vez do federal.

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) alega que a proposta cumprirá a meta de Trump de “dominância energética”, ao criar novos empregos e impulsionar a economia nacional em 400 milhões de dólares adicionais por ano.

Ao mesmo tempo, porém, a EPA admite que o plano poderá provocar 1.400 mortes prematuras a mais até o ano 2030, devido à poluição atmosférica – não estando incluídos os efeitos climáticos das emissões adicionais de gases-estufa.

Esse mais recente retrocesso ambiental se encaixa numa série de ações de Trump para esvaziar as proteções ambientais. Dela também faz parte a retirada do Acordo do Clima de Paris, em junho de 2017, complementada pela eliminação de “mudança climática” e “aquecimento global” dos websites governamentais.

Mas especialistas apontam que, apesar dessas iniciativas para reverter a política de combate à poluição, o mercado global segue mantendo um curso mais verde, apostando em energia limpa e investimentos social e ambientalmente responsáveis.

O que pode acontecer se a temperatura da Terra aumentar dois graus?

Farzana Hoque, consultora de pesquisa e comunicações do Fórum para Investimento Sustentável e Responsavel (US-SIF) , confirma que essa tendência se faz notar, apesar da promessa de Trump de dar fim à “guerra contra o carvão”.

“Os investimentos contra a mudança climática cresceram mais de cinco vezes entre 2014 e 2016, chegando a 1,42 trilhão de dólares nos EUA.” As companhias de energia solar e eólica empregam quase dez vezes mais funcionários do que as de carvão, enquanto os investimentos americanos em combustíveis fósseis caíram na mesma proporção, nos últimos anos.

Em janeiro de 2018, a cidade de Nova York anunciou que excluiria todos os combustíveis fósseis de seu multibilionário fundo de aposentadoria pública – uma iniciativa significativa na atual onda de avanço das fontes limpas.

Em junho, a Goldman Sachs Asset Management, sediada nos EUA, lançou o fundo de ações JUST, para investir em empresas americanas que priorizem salários justos e doações de caridade, e apresentam baixas emissões de gases-estufa, entre outras medidas ambientais, sociais e de governança.

No dia de seu lançamento, o fundo JUST movimentou mais de 250 milhões de dólares em ativos, tornando-se o mais bem-sucedido lançamento desse tipo na história, fato que fortaleceu a confiança dos investidores.

“Muitos investidores veem a motivação moral e empresarial para apostar na energia limpa. Embora o governo Trump venha fazendo retroceder os regulamentos ambientais, as companhias e outras entidades se engajam para reduzir as emissões carbônicas”, relata Hoque.

Firmas e entidades em várias partes do mundo estão igualmente acentuando a importância dos fatores ambientais e sociais em suas agendas. O maior banco europeu, o HSBC, proibiu o financiamento de usinas de carvão em diversos países, além de reduzir o investimento em novos projetos de petróleo e gás natural offshore no Ártico.

O Japão anunciou em 2017 que triplicaria o peso dos fatores ambientais, sociais e de governança em seu fundo de investimento para pensões governamentais, de 3% para 10%. O país possui o maior fundo do gênero do mundo, totalizando cerca de 1,3 trilhão de dólares.

Críticos como Colin Vance enfatizam os desafios de investir na economia verde. Para o vice-diretor do departamento de meio ambiente e recursos do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica, na Alemanha, esse tipo de investimento nem sempre compensa em termos econômicos.

Como exemplo, ele afirma que, apesar de ter gasto, desde o ano 2000, quase 100 bilhões de dólares para reduzir duas emissões de gases do efeito estufa, a Alemanha não conseguirá alcançar a meta autoimposta de cortá-las em 40% até 2020.

Por outro lado, recentemente a União Europeia elevou para 45% até 2030 o seu próprio compromisso de diminuir as emissões de gases-estufa. Além disso, dentro do mesmo prazo quer chegar a produzir 27% de sua energia a partir de fontes renováveis.

Vem tendo também sucesso o sistema de comércio de emissões na UE. Os preços das licenças ainda são considerados baixos demais, porém uma reforma regulatória a entrar em vigor no começo de 2019 os impulsionou. Segundo relatório da iniciativa de monitoração Carbon Tracker, o preço da tonelada de carbono deverá chegar a 25 euros no fim de 2018 e até exceder os 35 euros em 2023.

A expectativa é que esse encarecimento altere a forma como a Alemanha e outros países da UE consomem energia, tornando mais economicamente viável a transição do carvão para formas mais limpas de energia, no combate à mudança climática global. “A Europa está indo em direção a fixar o preço justo, através de impostos e medidas que reflitam os custos verdadeiros”, afirma Vance.

Fonte: Brasilagro

Revista científica publica estudo sobre benefícios do biodiesel para a saúde pública

A revista científica que tem como temática estudos sobre a poluição do ar em megacidades (Megacity Air Pollution Studies), artigo que tem como base pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em julho de 2015, com apoio da APROBIO. O estudo mostra que um maior uso de biodiesel em substituição ao diesel fóssil pode contribuir com a redução de mortes e internações hospitalares provocadas por doenças relacionadas à poluição do ar.

O paper “Avaliação dos impactos na saúde e sua valoração devido à implementação progressiva do componente biodiesel na mistura da matriz energética de transportes” é de autoria dos pesquisadores Evangelina Vormittag e Cristina Guimarães Rodrigues, do Instituto Saúde e Sustentabilidade; e Paulo Afonso de André e Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP).

 

De acordo com o estudo, o uso da mistura de 20% de biodiesel ao combustível vendido nas bombas poderia evitar até 13 mil mortes, quando se estuda o período entre 2015, ano em que a pesquisa foi realizada e quando o Brasil adotava o B5, e 2025. Os benefícios ambientais do B20, com a redução da poluição, se estendem à economia de despesas hospitalares, já que 28 mil internações por doenças respiratórias deixariam de ocorrer no período.

Para os autores do artigo, esses resultados “indicam a importância desse estudo em orientar decisões governamentais, levando-se em conta o quanto essas medidas no nível local podem gerar significativos benefícios para a população exposta à poluição do ar”.

Clique AQUI para acessar o relatório da pesquisa

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721