O que é permafrost e como seu derretimento coloca o planeta em risco

Permafrost, também conhecido como pergelissolo, é composto por gelo, terra e rochas congelados. Era para ficar assim para sempre, mas o aquecimento global tem feito com que o material comece a derreter, o que pode causar diversos problemas, como a instabilidade do solo e emissão de gases na atmosfera.

Um estudo recente publicado pela Nature Communications indica que os impactos econômicos associados a essas mudanças climáticas podem chegar a US$ 70 trilhões até 2.300. O carbono emitido pelo descongelamento do permafrost é um dos principais vilões nesse sentido.

Para entender melhor a questão, precisamos chegar também em outro termo: o albedo; ou seja, a capacidade de reflexão da radiação solar de uma determinada superfície. Cerca de um terço de todo o albedo da Terra provêm do gelo marinho do Ártico e da neve. Porém, com o aquecimento, a tendência é que essas superfícies geladas diminuam e, com isso, aumente a incidência de radiação solar em nosso planeta, gerando… adivinha? Mais calor!

Caso nenhuma medida seja tomada para frear esses efeitos, estima-se que o degelo do permafrost possa liberar mais de 280 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO²) e 3 gigatoneladas de metano. O valor estimado em impactos ambientais é dez vezes maior do que a projeção em termos de benefícios do degelo do Ártico, com abertura para navegação e exploração mineral, por exemplo.

Se as medidas previstas pelo Acordo de Paris, que estipulam a meta de manter o aquecimento global em no máximo 1,5 graus em relação ao período pré-industrial, forem tomadas, o custo dos impactos cairia para US$ 25 trilhões. Leia a pesquisa completa clicando aqui.

Fonte: Hypeness

Estudo mostra um aumento da temperatura do permafrost em escala global

O derretimento do permafrost provoca a liberação de dióxido de carbono e metano, com suas conseqüências, que aceleram o aquecimento global

Universitat de Barcelona*

Permafrost, o solo abaixo do ponto de congelamento da água 0 º por dois ou mais anos, é um elemento da criosfera que não tem sido tão estudado como outros solos como geleiras ou gelo marinho, embora desempenhe um papel importante na evolução do clima do planeta e em várias atividades humanas.

Agora, pela primeira vez, uma análise do estado do permafrost na Terra foi realizada graças à análise de dados de mais de 120 perfurações distribuídas ao redor do Ártico e da Antártida, bem como em montanhas e planícies altas em todo o mundo.

O estudo, intitulado “Permafrost is warming at a global scale“, foi publicado na revista Nature Communications e é liderado pelo pesquisador Boris Biskaborn, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha (Alemanha). Entre os colaboradores do estudo está Marc Oliva, coordenador do Grupo de Pesquisa Antártica, Ártico e Alpino de Ambientes (ANTALP), da Universidade de Barcelona.

Os dados analisados foram armazenados na Rede Global Terrestre para Permafrost, uma iniciativa internacional que promove a homogeneização da coleta de dados sobre o monitoramento do permafrost. Os dados obtidos de 2007 a 2016 mostram que as temperaturas do solo de permafrost contínuo aumentaram em 12,39 ± 12,15 ° C, enquanto o permafrost descontínuo aqueceu em 12,20 ± 12,10 ° C. Em altas montanhas, a temperatura permanente do solo congelado subiu 12,19 ± 12,05 ° C e os poucos buracos existentes na Antártida mostram um aumento de temperaturas da ordem de 12,37 ± 12,10 ° C. Estima-se que a temperatura do permafrost terrestre tenha aumentado em 12,29 ± 12,12 ° C.

A presença ou ausência de permafrost no solo condiciona os ecossistemas de muitas áreas localizadas em altas montanhas e latitudes. O derretimento do permafrost provoca a liberação de dióxido de carbono e metano, com suas conseqüências, que aceleram o aquecimento global.

Além disso, esse derretimento pode causar o colapso de construções. Deve-se ter em mente, por exemplo, que mais de 60% do território russo é colocado em áreas de permafrost, como uma parte da área terrestre no hemisfério norte. Portanto, este aumento de temperatura do solo congelado pode ter consequências sociais e econômicas em escala local e regional, perdendo equipamentos, danificando infra-estruturas, erodindo a costa, etc., além de outras implicações para o clima global.

O estudo [1] publicado na Nature Communications está ligado a outro estudo [2] liderado pelo pesquisador Marc Oliva, que mostra que, devido ao aumento do calor nas últimas décadas, o permafrost é mantido apenas nas áreas montanhosas mais altas da bacia do Mediterrâneo, como algumas áreas Pirineus, Alpes do Sul, os Apeninos e as montanhas da Anatólia, além de algumas áreas isoladas nos Picos de Europa, Sierra Nevada, montanhas do Atlas e os Balcãs. Na Catalunha, existe apenas o permafrost nas montanhas de Besiberri, e todas as áreas mostram sinais de degradação, o que faz com que ele desapareça nas próximas décadas.

Este estudo foi publicado na revista Earth-Science Reviewse reúne vinte especialistas de diferentes áreas da área do Mediterrâneo. Pela primeira vez, as condições do permafrost nas áreas montanhosas do sul da Europa nos últimos 20.000 anos foram reconstruídas.

O estudo analisa a evolução do permafrost desde a última glaciação até à data atual, numa área geográfica que vai desde a Península Ibérica até à Anatólia, incluindo o norte de África e as ilhas do Mediterrâneo. Sua conclusão afirma que, desde a última glaciação, as áreas ocupadas pelo permafrost nas montanhas do Mediterrâneo diminuíram gradualmente e apenas algumas montanhas recuperaram o permafrost durante as fases mais frias, como a Pequena Era do Gelo (1300-1800 AC). Desde então, o aquecimento global fez com que o permafrost fosse encontrado apenas nas áreas mais altas das montanhas do Mediterrâneo.

Nos próximos anos, os membros do grupo de pesquisa da ANTALP trabalharão no estudo dos processos a frio nos Pireneus catalães, onde permanece o permafrost, embora sua distribuição e expansão ainda não sejam amplamente conhecidas.

 

Cierva Cove, na Península Antártica
Cierva Cove, na Península Antártica. Foto: Marc Oliva

Fonte: Eco Debate

37 coisas que você precisa saber sobre a limitação do aquecimento global em 1,5oC

1,5oC: o painel de ciência climática da ONU divulgou seu resumo das evidências em torno da meta climática mais severa exigida pelos países vulneráveis. O site Climate Change News as destrinchou e o ClimaInfo divulga aqui este material em português.

A ONU publicou em 8 de outubro de 2018 o sumário para formuladores de políticas do relatório especial do IPCC que analisa os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e, também, a possibilidade que temos de frear o aquecimento neste limite.

Esta é a primeira vez que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, coleta evidências sobre a meta mais difícil exigida pelos países na linha de frente dos impactos climáticos.

O Sumário mostra que a diferença entre 1,5oC e 2oC – o limite mais forte com o qual os governos se comprometeram junto ao Acordo de Paris – é fundamental para milhões de lares, empregos e pessoas.

O relatório não traz respostas fáceis quanto à possibilidade de limitar o aumento da temperatura em 1,5oC acima dos níveis pré-industriais. O que faz é elucidar as opções.

O relatório e seu sumário é resultado de um esforço gigantesco de 91 autores de 40 nacionalidades, que compilaram evidências de mais de 6.000 artigos e documentos científicos e analisaram 42 mil comentários de especialistas e de governos.

Em uma reunião tensa realizada na Coreia do Sul no começo de outubro, representantes dos governos discutiram com cientistas durante seis dias para produzir o Sumário, um resumo de 33 páginas divididas em quatro capítulos.

O resultado da redação em comitê é um documento um tanto denso e técnico. Abaixo segue a análise feita pelo Climate Change News das principais mensagens e omissões, junto com os seus significados políticos.

A análise segue a estrutura de quatro seções do relatório do IPCC:

  • Entendendo o aquecimento de 1,5oC
  • Impactos e ameaças
  • Caminhos para o 1,5oC
  • Acelerando a ação
  1. O primeiro resumo preliminar do Sumário, distribuído para revisão em janeiro de 2018, incluía uma declaração de alto nível que desapareceu das versões posteriores, o que é uma pena, porque esta ajudava a esclarecer os resultados. A exclusão é um sinal de quão politicamente sensíveis são as questões tratadas, e um sinal de que os governos não chegaram a um acordo sobre quais elementos destacar.

Entendendo o aquecimento global de 1,5o

2. O mundo já se aqueceu em 1oC desde os tempos pré-industriais, devido à atividade humana. A seguir a tendência atual, é provável que passe da marca de 1,5oC entre 2030 e 2052. Os continentes estão se aquecendo mais rapidamente que os oceanos, e o Ártico está se aquecendo entre 2 e 3 vezes mais rapidamente que a taxa média global.

3. O sistema climático demora um certo tempo a responder às emissões de gases de efeito estufa, daí que se observa um certo intervalo de tempo entre as emissões e seus efeitos no clima. Por conta disso, o mundo já está comprometido com o aquecimento e o aumento do nível do mar, mas é improvável que somente as emissões já feitas levem a temperatura média global passar do limite de 1,5o

4. Para estabilizar a temperatura média global, as emissões precisam ser zeradas e ficarem nisso. Portanto, temos que reduzir as emissões o máximo possível e passar a remover um tanto de dióxido de carbono do ar para equilibrar as emissões remanescentes. O quanto o planeta ainda vai se aquecer é, em última instância, determinado pelo tempo que demorarmos para zerar as emissões líquidas.

5. O aquecimento global já está afetando pessoas e ecossistemas. E os riscos em cenários de aquecimento de 1,5oC e 2oC são progressivamente maiores.

6. As linhas do Sumário que abordavam a viabilidade da manutenção do aumento da temperatura em 1,5oC e a importância da consideração do desenvolvimento sustentável foram cortadas desta seção. Eles aparecem em detalhe em outros lugares, mas mostram uma falta de consenso sobre as conclusões de alto nível.

Impactos e ameaças

7. Veremos ondas de calor, secas e inundações piores se chegarmos a 2oC, em comparação com o cenário de 1,5o Uma versão anterior do Sumário falava da existência nos modelos de “diferenças substanciais nos extremos”. Esse trecho foi substituído por “diferenças robustas nas características climáticas regionais”, o que pode ter sido uma vitória dos EUA, que argumentou ser o termo “substancial” muito subjetivo.

8. É esperado que o níveis do mar suba 10 centímetros a mais neste século com um aquecimento de 2oC, em comparação com um aquecimento de 1,5o Isso exporia 10 milhões de pessoas à mais a impactos como inundações costeiras e salinização de seus campos e seu abastecimento de água potável. O aquecimento mais lento lhes daria tempo para a adaptação à mudança de condições.

9. O nível do mar continuará subindo durante séculos e milênios depois da estabilização da temperatura média. O colapso das capas de gelo da Groenlândia e da Antártida pode levar a uma elevação de vários metros.

10. Uma das descobertas quantitativas mais impressionantes diz respeito à perda de biodiversidade. O sumário prevê a proporção de espécies que perderão metade de sua distribuição geográfica: entre as 105.000 espécies estudadas, quando o aquecimento passa de 1,5oC para 2oC, a taxa dobra chegando a 16% para plantas e 8% para vertebrados, e triplica, chegando a 18%, para insetos.

11. Estima-se que uma área adicional de entre 1,5 e 2,5 milhões de quilômetros quadrados de permafrost descongelarão neste século, sob um aquecimento de 2oC, na comparação com 1,5o Esta área é equivalente à do Irã, do México ou da Argélia. Em um ciclo vicioso, o derretimento do permafrost libera metano, um potente gás de efeito estufa, que leva a mais derretimento do permafrost.

12. A probabilidade da ocorrência de um verão ártico sem a presença de gelo sobre o mar aumenta dez vezes, de uma vez por século no cenário de aquecimento de 1,5oC, para uma vez por década, no cenário de 2o Os ecossistemas marinhos serão atingidos pela acidificação e pelo aquecimento do oceano. A 2oC de aquecimento, os recifes de coral praticamente desaparecem, em comparação com uma redução de entre 70% e 90% no cenário de 1,5oC.

13. As comunidades de agricultores e pescadores serão as mais atingidas por estes impactos, particularmente no Ártico, nas terras áridas, nas ilhas e nos países mais pobres. Limitar o aquecimento global em 1,5oC reduz o número de pessoas expostas à pobreza e a aos riscos impostos pelo clima em até várias centenas de milhões de pessoas, até 2050.

14. Este meio grau à mais de aquecimento é significativamente mais prejudicial à saúde. Ele expande a área exposta à uma variedade de mosquitos portadores de doenças, como a malária e a dengue, e o calor torna toda uma série de condições mais mortais.

15. A quantidade e a qualidade dos alimentos básicos sofrem mais em um aquecimento de 2oC, em comparação com 1,5ºC, assim como os rebanhos. Isso é ruim para a disponibilidade de alimentos em muitas partes do mundo.

16. Considerando todo o resto igual, espera-se que o crescimento econômico sofra como resultado dos impactos do aquecimento global. A avaliação feita pelo sumário não faz o contraponto disto com os custos e benefícios do corte de emissões e do investimento na resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

17. Há muitas opções para a proteção contra os impactos do aquecimento global, que vão desde a construção de paredões nos litorais até a pesquisa e desenvolvimento de lavouras resistentes à seca. Mas estas adaptações têm limites, e algumas populações vulneráveis enfrentarão perdas. O Acordo de Paris reconheceu estas “perdas e danos”, mas o processo da ONU ainda precisa resultar em apoio concreto às vítimas.

Caminhos para 1,5oC

18. Para manter o aquecimento em 1,5oC, as emissões de CO2 teriam que diminuir em cerca de 45%, entre 2010 e 2030, e chegarem à emissão líquida zero em 2050. Isso é significativamente mais rápido do que o necessário para limitar o aquecimento em 2oC, cenário que exigiria uma redução de emissões de cerca de 20%, em 2030, e emissão líquida zero até 2075.

19. O metano e o carbono negro (fuligem produzida, por exemplo, por motores diesel e fogões a lenha primitivos), ambos potentes materiais que provocam o efeito estufa, precisarão ser reduzidos em pelo menos 35% até 2050, na comparação com 2010. Mas cortes nas emissões de gases de efeito estufa diferentes do CO2 (não-CO2) devem ser feitos com cuidado. Por exemplo, o uso de mais bioenergia para substituir os combustíveis fósseis poderia aumentar a poluição causada pelo óxido nitroso, outro gás de efeito estufa proveniente da agricultura.

20. Quanto dióxido de carbono pode ser emitido antes do aquecimento ultrapassar o limite de 1,5oC? (valor conhecido por “orçamento de carbono”) A maneira pela qual os “orçamentos de carbono” são calculados mudou desde a última grande avaliação do IPCC, publicada em 2014, e cerca de 300 bilhões de toneladas foram adicionadas à estimativa. Mas a janela de oportunidade ainda é estreita.

21. As estimativas do orçamento de carbono variam dependendo de qual medida de aquecimento é usada. Se for usada a temperatura média sobre a parte terrestre do globo, o orçamento é de 420 GtCO2 para que se tenha uma chance de 66% do aquecimento global ficar abaixo de 1,5o Se você considerar as temperaturas da superfície do mar, que sobem mais lentamente, o orçamento é de 570 GtCO2. De qualquer forma, estamos gastando o orçamento a uma taxa de 42 GtCO2 por ano, de forma que temos entre 10 e 13 anos, mantidas as emissões atuais, para consumirmos o orçamento de carbono.

22. Há também incertezas “substanciais” sobre a sensibilidade do clima às emissões de gases de efeito estufa e sobre o nível de emissões históricas, que afetam o tamanho do orçamento de carbono. O carbono adicional liberado pelo derretimento do permafrost e pela emissão do metano das zonas úmidas pode reduzir o orçamento de carbono em até 100 Gt ao longo do século, e continuar além deste período.

23. A geoengenharia recebe pouca atenção no sumário. A chamada modificação da radiação solar – o bombardeamento de partículas na atmosfera para a reflexão da luz do Sol – poderia ser “teoricamente eficaz” para alcançar a meta de 1,5o Mas esta ideia foi excluída dos cenários modelados devido à “grandes incertezas”, “lacunas de conhecimento”, “riscos substanciais” e “restrições institucionais e sociais”.

24. As maiores indústrias poluidoras terão que fazer mudanças radicais. No setor energético, as fontes renováveis precisarão fornecer entre 70% e 85% da energia até 2050. Ainda há espaço para a geração via queima de combustíveis fósseis combinada com tecnologias para a captura e o armazenamento das emissões de CO2, mas este é pequeno: cerca de 8% para o gás natural e quase zero para o carvão até 2050.

25. As indústrias intensivas em energia terão que reduzir suas emissões de CO2 entre 75% e 90% até 2050, cálculo feito com base nas emissões de 2010, para manter o aquecimento em 1,5o Um limite de 2oC exigiria uma redução de 50% a 80%. Isso pode ser feito com tecnologias novas e existentes que estão comprovadas tecnicamente, mas que ainda precisam ser implantadas em larga escala e são limitadas pelos custos e outras restrições.

26. Os edifícios e o transporte também terão que mudar fortemente para eletricidade (mais limpa). Os edifícios precisarão abastecer com eletricidade entre 55% e 75% do seu consumo total de energia já em meados do século, enquanto o setor transporte deve aumentar a participação de fontes de energia de baixa emissão para algo entre 35% e 65% da sua demanda, o que se compara com menos de 5% em 2020.

27. Haverá escolhas difíceis sobre como usar a terra. Muitos cenários dependem fortemente da bioenergia e/ou da expansão das florestas, o que – globalmente – apresenta conflitos potenciais com a demanda por pastagens e terras agriculturáveis. A intensificação sustentável da agricultura e “dietas menos intensivas em recursos” – sinônimo de comer menos carne – podem ajudar a aliviar as pressões competitivas.

28. A mitigação das emissões da energia para atingirmos a meta de 1,5oC exigirá cerca de US$ 900 bilhões de investimento por ano entre 2015 e 2050. Isso faz aumentar o investimento total necessário para a oferta de energia para algo entre US$ 1,6 e US$ 3,8 trilhões, e outros US$ 700 bilhões a US$ 1 trilhão para a demanda de energia, pelos próximos 35 anos. O investimento necessário é cerca de 12% maior do que no cenário de 2o

29. Serão necessárias ferramentas para remover CO2 da atmosfera, tais como a captura e o armazenamento de carbono e a implantação de mais florestas, capazes de sugar entre 100 e 1.000 bilhões de toneladas de carbono ao longo do século, para que fiquemos dentro do limite de 1,5o A manutenção dos níveis de consumo sob controle minimizaria a necessidade de remoção de carbono.

30. As medidas de remoção de carbono poderiam ajudar a fazer a temperatura voltar a 1,5oC acima dos níveis pré-industriais, caso o mundo chegue a ultrapassar o limiar, mas podem causar impactos significativos na terra, na energia, na água e nos nutrientes, se estas forem usadas em larga escala. Os governos terão que limitar os trade-offs e garantir que o CO2 seja removido permanentemente.

Aumentar as ações

31. Os compromissos climáticos feitos pelos países junto ao Acordo de Paris não são suficientes para o desafio. Os atuais compromissos levariam à emissão de entre 52 e 58 bilhões de toneladas CO2 em 2030, o que levaria a um aumento da temperatura média global em 3o Quase todos os caminhos para a limitação do aquecimento em 1,5oC exigem que as emissões de gases de efeito estufa caiam abaixo de 35 bilhões de toneladas de CO2 por ano até lá.

32. Quanto mais baixas forem as emissões em 2030, mais fácil será limitar o aquecimento global em 1,5o O atraso no corte das emissões de gases do efeito estufa aumenta o custo destas reduções, e prende os países a infraestruturas emissoras de carbono e a ativos fósseis que encalharão. O atraso poderia também aumentar a distribuição desigual dos impactos climáticos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

33. A adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e a redução das vulnerabilidades a esta são importantes para o desenvolvimento sustentável. A adaptação pode garantir a segurança alimentar e hídrica, diminuir os riscos de desastres, melhorar a saúde e reduzir a pobreza e a desigualdade. Medidas de adaptação que também diminuam as emissões, tais como edifícios de baixo carbono eficientemente refrigerados ou aquecidos, podem ajudar os setores a se tornarem verdes a um custo menor.

34. Embora as reduções de emissões compatíveis com a limitação do aquecimento global em 1,5oC sejam condizentes com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030, esta também trazem algumas desvantagens. As reduções de emissão se conectam, particularmente bem, com as ODS para a saúde, a energia limpa, as cidades e comunidades e o consumo e produção responsáveis. Mas, se não forem bem administradas, poderão prejudicar as ODS de redução da pobreza e da fome, e de aumento do acesso à água e energia.

35. O Direcionamento das finanças para uma infraestrutura que diminua as emissões e se adapte às mudanças climáticas pode ajudar a cumprir a meta de 1,5oC de uma forma que apoie o desenvolvimento sustentável e reduza a pobreza. Isso inclui fundos privados de investidores institucionais, gestores de ativos e bancos de desenvolvimento ou investimento, bem como fundos públicos. Os governos podem ajudar com políticas que diminuam o risco de investimento em projetos de baixa emissão e adaptação.

36. É difícil quantificar a demanda pelo financiamento necessário para medidas de adaptação alinhadas ao limite de 1,5oC, e compará-la com o necessário para o limite de 2o Os dados sobre investimentos que aumentam a resiliência às mudanças climáticas são insuficientes. Dito isto, o custo de adaptação para 1,5oC “pode” vir a ser menor do que para os 2oC.

A confiança nas afirmações

37. Os relatórios do IPCC indicam o grau de certeza sobre as afirmações feitas entre parênteses logo após as afirmações. No sumário, a “Confiança muito alta” aparece cinco vezes; “Confiança alta” 107 vezes; “confiança média” 60 vezes; e “confiança baixa” apenas duas vezes.

Fonte: Climainfo

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