Aquecimento global: Cidades declaram estado de emergência climática

Mera política simbólica ou uma guinada verdadeira? Nos últimos anos, um número cada vez maior de cidades vem declarando as mudanças climáticas como uma emergência. Pioneiros foram prefeituras na Austrália (2016), Estados Unidos (2017), Canadá e Reino Unido (2018).

Em 2019 o movimento também chegou ao continente europeu: os parlamentos nacionais do Reino Unido, Irlanda, França e Portugal também aprovaram recentemente resoluções definindo as mudanças climáticas como ameaças graves.

Na Alemanha, a cidade de Constança, na fronteira com a Suíça, foi a primeira a declarar emergência climática. O exemplo foi seguido por mais de 45 municipalidades do país, entre elas, as de metrópoles como Düsseldorf, Münster, Aachen, Bonn, Kiel e Saarbrücken.

De acordo a Aliança Climática Hamm, mais de 100 conselhos municipais da Alemanha pretendem discutir e votar pedidos de emergência climática nas próximas semanas. A rede de proteção climática Declaração de Emergência do Clima e a Mobilização em Ação registra que mais de 700 cidades em todo o mundo já proclamaram emergência climática.

Como neutralizar as emissões de carbono, segundo estes 5 países

O que nações da Europa e das Américas já começaram a fazer para se tornarem países mais sustentáveis

Não são poucos os países que começam a se comprometer em zerar suas emissões de CO2 nos próximos anos. A ambição faz parte do discurso de  potências européias e também de pequenos notáveis latino-americanos. Mas como tornar o sonho realidade? O que precisa ser feito para, de fato, reduzir e até zerar as emissões de gases poluentes na atmosfera? O Fórum Econômico Mundial apresentou o plano de 5 países que estão comprometidos em transformar o discurso em ação.

1. Irlanda

Dublin, na Irlanda (Foto: Thinkstock)

Até 2030 espera-se que 70% da energia seja renovável, meta a ser alcançada por meio de ações de incentivo da microgeração de energia. Assim, cidadãos devem, por exemplo, passar a usar painéis solares que permitam que cada casa gere toda a energia que consome (e ainda venda o excedente). No mesmo período, a Irlanda pretende banir do país itens de plástico de uso único, como canudos e copos.

Outras apostas são: o plantio de 8 mil hectares de floresta por ano e ações de conscientização nos órgãos públicos, que, também anualmente, devem adotar ao menos uma medida para combater o aquecimento global.

2. Reino Unido
O Big Ben e o Parlamento britânico em Londres, Reino Unido (Foto: Shutterstock)

O Reino Unido já é o líder mundial em energia eólica offshore, mas para cumprir sua ambiciosa meta de levar a emissão de gases do efeito estufa a zero até 2050 será preciso ir além — e, segundo o chanceler Phillip Hammond, investir algo em torno de £1 trilhão.

As medidas planejadas pelo governo envolvem não só a redução, mas também a compensação das emissões. Por isso, faz parte do plano plantar cerca de 11 milhões de árvores até 2022, além de destinar recursos para a captura de carbono e para a aquisição de tecnologias de combate à mudança climática.

3. Costa Rica

Costa Rica prédios litoral cidade (Foto: Adrianna Calvo/Pexels)

A Costa Rica também pretende zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050. Para tanto, o foco principal é o transporte. O país planeja a criação de uma nova linha de trem elétrico, que deve circular na capital,  San José, e a transição de todos os ônibus e táxis do país para modelos elétricos. O governo também deve trabalhar para reverter o desmatamento.

4. Chile
Chile (Foto:  Marcelo Hernandez/LatinContent/Getty Images)

O país sul-americano é outro que promete neutralizar suas emissões de carbono até o meio do século. O trabalho deve começar pela geração de energia. A proposta é fechar as primeiras oito usinas de carvão do país até 2024, e todas as outras nos próximos 21 anos. Um desafio enorme, uma vez que, excluídas as hidrelétricas, o carvão  gerou mais energia do que todas as outras fontes de energia do país em 2016.

O governo chileno também quer que todas as indústrias sejam neutras em emissão até 2050, gerando apenas a quantidade de CO2 que puderem absorver.

5. Suécia

Estocolmo, capital da Suécia; país um dos países mais abertos da OCDE a imigrantes com alta escolaridade ou empreendedores (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)

Frequentemente apontada como líder na geração de energia renovável, a Suécia já gera mais da metade da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, segundo dados do Eurostat. Mas o país nórdico não deve parar por aí. Entre outras ações há, por exemplo, uma política de embaixadores. São mais de 200 “consultores de energia e clima” que se espalham pelo país oferecendo aconselhamento gratuito e imparcial sobre como tornar tudo mais sustentável, como a substituição de janelas ou das luzes, por exemplo.

O plano da Suécia, como em outros países do mundo, é se tornar um país neutro em carbono até 2050.

Fonte: Época Negócios

Energia limpa, reciclagem e multas: como 5 países fazem a diferença contra o aquecimento global

Os países europeus dominam o top 10 da sessão Planeta & Clima do Índice dos Bons Países

Os últimos relatórios sobre clima não são positivos: uma pesquisa recente publicada no periódico científico Science indica que os oceanos estão sendo aquecidos 40% mais rápido do que se pensava e cientistas do painel da ONU sobre mudanças climáticas disseram em 2018 que o aumento das temperaturas pode causar enormes inundações, secas, falta de alimentos e incêndios até 2040.

Enquanto a comunidade global não adota ações drásticas, alguns países fazem suas contribuições globais ao planeta, segundo o Good Country Index (Índice dos Bons Países, em tradução livre), que mede o impacto de cada país no mundo, como uma marca ecológica em relação à economia e às porcentagens de energia reutilizável utilizada.

“Na nossa época de globalização avançada e interdependência massiva, tudo tem um impacto no sistema inteiro, cedo ou tarde”, diz Simon Anholt, consultor independente que criou o índice.

Países europeus dominam o top 10 da sessão Planeta & Clima do Índice dos Bons Países, mas há nações no mundo inteiro tomando atitudes para reduzir seu impacto negativo no meio ambiente. A BBC conversou com moradores em cinco países de ótima performance e perguntou como é viver em um lugar que está fazendo algo para salvar o planeta.

A Noruega está em primeiro lugar do Índice dos Bons Países (Foto: Alamy/ Via BBC)

Noruega
Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 1

No topo da lista está a Noruega, líder mundial em uma série de iniciativas ambientais, incluindo a maior taxa de adoção de carros elétricos do mundo e um compromisso governamental de ser neutro em influências climáticas até 2030. Mas a relação aqui vai além da política. Os noruegueses abraçam o conceito de friluftsliv, que pode ser traduzido como “vida a céu aberto” e se refere à importância dada a passar tempo na natureza para ser saudável e feliz.

“Isso realmente está profundamente enraizado na nossa cultura e às vezes é quase uma religião para muitas pessoas”, disse o norueguês Axel Bentsen, fundador e CEO da Urban Sharing, a empresa por trás do popular programa de compartilhamento de bicicleta Oslo City Bike. “Nós passamos tempo na natureza em qualquer temperatura e nossos bebês até dormem do lado de fora. Nossa capital, Oslo, é única no sentido de que você pode usar o transporte público e ir parar numa floresta, então é algo popular de se fazer antes ou depois do trabalho”.

Oslo foi nomeada a Capital Verde da Europa em 2019 pela Comissão Europeia por restaurar seus canais, investir em bicicletas e transporte público e por sua estratégia financeira climática inovadora (tornando as emissões de dióxido de carbono rastreáveis assim como fundos financeiros). A cidade também tem trabalhado para barrar carros no centro. “No último ano, tem sido ótimo ver a cidade tirando estacionamentos para tornar as áreas mais amigáveis para pedestres e ciclistas, enquanto a infraestrutura para bicicletas também melhorou com mais ciclovias”, diz Bentsen.

Apesar de 99% das fontes de energia doméstica da Noruega serem sustentáveis por meio de hidrelétricas em seu litoral, nos fiordes e nas cachoeiras, a Noruega ainda é uma grande extrativista e exportadora de petróleo, o que se tornou uma questão política controversa.

“Vale a pena manter a contínua extração e exportação de petróleo e gás porque ela gera enormes quantidades de dinheiro que são usadas para infraestrutura ambiental que não seria possível de outra maneira?”, questiona David Nikel, um expatriado britânico que vive na Noruega desde 2011 e tem um blog sobre a vida no país. “Muitos acham que o dinheiro gasto nessa infraestrutura vai inspirar outras cidades e outros países e isso levará a um mundo mais verde. Outros pensam que são dois pesos e duas medidas. Depende de que lado você está.”

Portugal
Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 3

Portugal foi pioneiro no investimento em uma rede inteira de abastecimento de carros elétricos (que era grátis até recentemente), no incentivo aos seus cidadãos a instalarem painéis solares e energia renovável com preços mais baixos, além de oferecer a oportunidade de vender a energia de volta ao sistema.

“A maioria dos meus vizinhos têm painéis solares ou bomba de água. Na minha casa, meus pais instalaram essa bomba que transforma água da chuva em água potável, que usamos para aguar as plantas, lavar roupas e dar água aos nossos animais de estimação”, diz a portuguesa Mariana Magalhães, gerente de marca na agência britânica Forty8Creates.

Reciclar e compostar é um modo de vida normal aqui, com lixeiras específicas em cada bairro, incluindo uma para baterias. A educação tem um enorme papel nessa transformação. “No colégio, tínhamos várias aulas de educação ambiental e frequentemente tínhamos aulas em um parque local para criar esse amor ao meio ambiente”, diz Magalhães.

Portugal foi um dos primeiros países a investir em uma rede inteira de estações para carros elétricos (Foto: Alamy/ Via BBC)

Ao longo de sua história, Portugal foi uma sociedade agrária que fez uso de suas abundantes fontes naturais. “Na fronteira entre Portugal e Espanha, no Norte, você consegue ver as montanhas cheias de equipamentos de captação de energia eólica. Você também consegue ver hidrelétricas nos lagos para coletar energia da água”, diz Magalhães.

“Nós temos condições naturais que favorecem o uso de energias renováveis”, acrescentou Joana Mendes, gerente da pousada Molinum no sul de Portugal. “Já que são mais baratas, gradualmente mudamos para elas.”

Na capital portuguesa, cheia de subidas e descidas, a adoção da bicicleta não é tão forte como em outras capitais europeias, mas outros modos sustentáveis de transporte estão começando a decolar. “Alugueis de patinetes elétricas foram introduzidos em Lisboa e se tornaram muito populares”, diz a americana Wendy Werneth, que viveu em Portugal por dois anos e escreve no blog O Vegano Nômade. “Os lisboetas realmente a abraçaram como uma maneira ecológica de se transportar”.

Uruguai
Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 15

No topo da lista dos países sul-americanos no índice Planeta & Clima e considerado um dos destinos mais éticos por causa de políticas socioambientais, o Uruguai se tornou um líder global de energia sustentável – tanto por necessidade quanto por respeito ao planeta.

“O Uruguai não possui reservas de petróleo e estava gastando muito dinheiro na importação. Por isso, começamos a substituir combustíveis com base de petróleo pelos de energia limpa, o que foi conquistado em menos de uma década”, diz a uruguaia-americana Lola Méndez, que escreve no blog Miss Filatelista.

Hoje, cerca de 95% da eletricidade vêm de fontes renováveis, a maioria de hidroelétricas, mas também de energia solar, eólica e biocombustíveis. “Em 2012, o Uruguai estava operando em um nível de 40% de energia renovável, então é uma mudança drástica em muito pouco tempo”, diz Méndez. O comprometimento valeu a pena, já que o país recebeu atenção mundial durante o Acordo de Paris em 2015 por causa da mudança, subsidiada pelo governo.

O Uruguai é considerado um dos destinos mais éticos devido a suas políticas sociais e ambientais (Foto: Alamy/ Via BBC)

Além dos incentivos econômicos, os moradores têm uma conexão forte com a terra. “Os uruguaios sempre amaram e respeitaram a Tierra Madre”, diz Méndez. “Das tribos indígenas Charrua aos gaúchos que criam os milhões de gados e ovelhas”.

O transporte público (a maior parte dele mantido por eletricidade) pode ser encontrado nas grandes cidades. O Aeroporto Internacional de Carrasco, na capital de Montevidéu, também está próximo de ser totalmente sustentável com uma instalação de energia solar fotovoltaica – será o primeiro país da América Latina a ter essa estrutura.

Quênia
Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 26

Com padrões climáticos extremos e frequentes períodos de seca, o Quênia já está vivendo os efeitos iniciais das mudanças climáticas. Em resposta, o governo está trabalhando para proteger sua economia extremamente dependente da agricultura por meio de um Plano de Mudanças Climáticas, se comprometendo a reduzir suas emissões de gás em 30% até 2030.

Outro esforço é a recente proibição a sacolas plásticas, a fim de proteger principalmente as fontes de águas do país. A proibição se tornou uma das mais estritas do mundo, com punição de prisão e multas altas caso moradores (ou até turistas) sejam vistos carregando uma.

Comunidades locais no Quênia têm sistemas tradicionais de proteção ambiental (Foto: Alamy/ Via BBC)

No entanto, não é necessária muita intervenção do governo para proteger o ambiente. “As comunidades locais aqui têm sistemas tradicionais de proteção ambiental, e eles funcionam”, disse Faye Cuevas, que mora em Nairóbi e é vice-presidente do Fundo Internacional de Proteção Ambiental. “A floresta de Maasai Loita é um exemplo – é uma das únicas florestas geridas por indígenas que sobraram no Quênia e é intocada, muito devido às regras locais e os sistemas tradicionais que a protegem”.

Família e meio ambiente não podem ser separados para os Maasai, uma comunidade indígena no sul do Quênia e norte da Tanzânia. “Quando você ouve o povo Maasai se cumprimentar, há uma série de discussões. Primeiro, eles discutem o ambiente – chuva, saúde da grama, água. Então, discutem gado. E, por fim, perguntam sobre a família”, explica o queniano John Kamanga um ancião Maasai e diretor do Conservatório Soralo no Quênia. “Os mesmos princípios tradicionais são usados para gerenciar a vida – falta de saúde ambiental significa o fim das vacas, o que significa o fim das crianças, o que significa a perda de cultura ambiental e de um modo antigo de vida.”

Nova Zelândia
Posição no ranking Planeta & Clima do índice: 39

Líder da região Ásia-Pacífico, a Nova Zelândia leva a proteção de suas fontes naturais muito a sério, especialmente porque sua agricultura – e economia baseada no turismo – depende disso.

A Nova Zelândia ocupa a posição 39 do Índice Planeta & Clima, o que a torna a líder da região Ásia-Pacífico (Foto: Alamy/ Via BBC)

“Nosso país é conhecido no mundo como ‘Nova Zelândia Limpa e Verde’ e nós acoplamos nossa identidade a isso”, diz Brendan Lee, originalmente da Nova Zelândia e blogueiro do site Bren on the Road. “Os kiwis (como são chamados os neozelandeses) têm muito orgulho quando os turistas nos dizem que nossa natureza é linda.”

A Nova Zelândia está entre os principais emissores de carbono per capita principalmente devido a suas emissões de metano por causa da grande indústria de gado e ovelha, assim como uma crescente energia industrial. Mas o país criou uma coalizão de vários partidos no Parlamento para criar a Rede Zero na Nova Zelândia, um plano para mapear as políticas necessárias para serem neutros na emissão de carbono até 2050.

Apesar de a Nova Zelândia ter dois terços do tamanho do Estado americano da Califórnia, tem cerca de 10% da população americana, o que lhes dá a liberdade de se preocupar menos com questões ambientais do dia a dia, como poluição do ar ou transbordamento de aterros, comparado a outros grandes centros urbanos. Mas isso tem mudado nos últimos anos também.

“As sacolas plásticas foram banidas dos supermercados – você não vê canudos plásticos e está na moda ter uma garrafa de água reutilizável”, explica Brit Jess Tonking, que agora vive em Queenstown e trabalha na marca sustentável Sundried. “Eu levo o meio ambiente muito mais em consideração agora que vivo na Nova Zelândia. Eu reciclo tudo aqui, reduzi os produtos animais que compro e gosto de pensar que tenho um estilo de vida mais sustentável.”

A Nova Zelândia está entre os principais emissores de carbono per capita principalmente devido a suas emissões de metano devido à grande indústria de gado e ovelha (Foto: Alamy/ Via BBC)

Veja a lista dos 10 países mais verdes do mundo, segundo a sessão Planeta & Clima do Índice de Bons Países:

1. Noruega

2. Suíça

3. Portugal

4. Eslovênia

5. Chipre

6. Finlândia

7. Suécia

8. Alemanha

9. Croácia

10. Eslováquia

Fonte: BBC

Aquecimento global está interferindo no crescimento de países pobres

Pesquisa indica que a mudança climática está deixando os países ricos mais ricos, e os pobres mais pobres

A temperatura está aumentando no mundo como um todo, mas as consequências disso não são as mesmas para todos os países. No último século, a mudança climática aumentou a desigualdade entre as nações, puxando para baixo o crescimento econômico dos países mais pobres e aumentando a prosperidade de alguns dos países mais ricos do planeta, aponta uma nova pesquisa.

O abismo entre as nações mais pobres e as mais ricas do mundo é 25% maior do que seria sem o aquecimento global entre 1961 e 2010, diz um estudo da Universidade de Stanford, na Califórnia. Países tropicais africanos foram os mais afetados- os Produtos Internos Brutos da Mauritânia e do Níger estão 40% menores do que estariam se as temperaturas não estivessem aumentando progressivamente.

O Brasil, que é nona maior economia do mundo, teria tido um crescimento 25% maior se não houvesse aquecimento global. A Índia- que, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), se tornará a quinta maior economia do mundo neste ano- atingiu um PIB 31% menor em 2010 por causa do aquecimento global, diz a pesquisa.

Por outro lado, conforme o estudo, publicado na revista acadêmica National Academy of Sciences, o aquecimento global contribuiu para o crescimento do PIB de vários países ricos, inclusive de alguns dos maiores emissores de gases poluentes.

O problema do calor

Um dos autores da pesquisa, Marshal Burke, do Earth System Science, da Universidade de Stanford, passou anos analisando a relação entre temperatura e flutuação econômica em 165 países, entre 1961 e 2010.

O estudo usou mais de 20 modelos climáticos para determinar quanto cada país aqueceu em decorrência do aquecimento global provocado pelos seres humanos. Ele, então, calculou 20 mil versões de qual seria a taxa de crescimento anual dessas nações se não tivesse havido esse aumento na temperatura.

Burke demonstrou que, nos anos que registraram climas mais quentes que a média, o crescimento econômico acelerou nos países mais frios e reduziu, nos mais quentes. “Os dados históricos mostram claramente que as plantações são mais produtivas, e as pessoas são mais saudáveis e mais produtivas no trabalho quando as temperaturas não são nem tão quentes nem tão frias”, explica.

Fonte: Meio Norte

Países lançam agenda econômica contra mudança climática

Proposta é assinada por 23 países

Acordo de Helsinque é pouco eficaz

Durante a reunião da Primavera sediada no Banco Mundial, os ministros da Fazenda de 23 países formaram uma aliança para adotar iniciativas macroeconômicas para combater os efeitos da mudança climática. Conhecido como “Princípios de Helsinque”, o acordo enumera 6 medidas que deverão ser incluídas na agenda econômica de seus respectivos países.

O governo do Chile, país que sediará a 25a conferência do clima no final do ano, acredita que a criação de incentivos fiscais para a transição “verde” sinaliza ao mercado a necessidade de inovar os principais setores da economia. Segundo o ministro da Fazenda, Felipe Larraín Bascuñán, a mudança climática é uma ameaça que afeta a todos e também pode ser uma grande oportunidade de negócios.

O acordo assinado esta semana é bastante vago, o que o torna mais simbólico do que eficaz. O que mais chama atenção não é o conteúdo do acordo em si, mas a representatividade das pessoas que o assinaram.  Usualmente, iniciativas desse tipo partem de ambientalistas. Desta vez, a iniciativa partiu da área econômica dos governos.

O acordo tem seu devido valor por sinalizar ao setor privado que há oportunidades de investimento em tecnologias e recursos que revertam os efeitos do aquecimento global. Os consumidores também se beneficiarão da iniciativa de investimento, pois o crescimento na competição de práticas ecológicas representará mais opções e preços mais baixos.

Em entrevista para o podcast da Universidade da Columbia, Ian Conn, CEO da Centrica, empresa multinacional de eletricidade e gás no Reino Unido, afirmou ser favorável a uma maior competição no mercado de energia que permita descentralizar a distribuição.

Segundo ele, quanto mais opções estiverem à disposição do consumidor, mais avanços serão observados no mercado. Ele diz que, graças às inovações do mercado europeu, os consumidores estão mais cientes do processo e do preço dos distribuidores de energia.

A digitalização é outra tendência citada por Conn. Com a integração de sistemas, o consumidor pode saber quanto de CO2 (dióxido de carbono) é emitido, assim como quais aparelhos e diferentes ambientes da casa consomem mais energia. Essa informação empodera os consumidores e permite que escolham produtos que poluem menos.

Em níveis macros, o lançamento de “ações verdes” (green bonds, em inglês) no mercado financeiro europeu representa um incentivo monetário para investimentos em tecnologias sustentáveis. As ações revertem recursos para a inovação no setor,  assim como cumprem as exigências das empresas de adoção de políticas sustentáveis.

Entre os países que assinaram o acordo, essa prática é bem recebida como um dos métodos a serem adotados daqui para frente com o propósito de atrair mais investimentos no setor privado.

Para alguns países em desenvolvimento, a adoção de incentivos fiscais não é tão simples. A ministra da Fazenda nigeriana, Zainan Ahmed, comentou que seu país não planeja adotar medidas fiscais no uso de biocombustível porque não está preparado para essa transição.

Segundo Ahmed, a Nigéria, apesar de ser signatária do acordo, não tem condições financeiras de suportar um imposto sob carbono, pois toda sua infraestrura foi construída com base no petróleo e o aumento de impostos trará consequências sociais preocupantes.

Em meio a tantos acordos para combater os efeitos da mudança climática, a aliança de Helsinque representa um passo simbólico para os avanços diretamente relacionados à economia dos países. Ao incluir na equação incentivos fiscais para o mercado financeiro, o acordo tenta atrair a participação dos consumidores e do setor privado na busca por soluções.

Fonte: Poder 360

Para se tornar líder climático, país deve se comprometer a zerar emissões

As leis climáticas criadas pelo Reino Unido trilharam um caminho que está servindo de exemplo para outras nações. Os países mais progressistas se comprometeram a zerar suas emissões e o Reino Unido deve recuperar o seu papel de liderança no clima, sentenciou o vice-primeiro-ministro da Suécia.

O que significa, afinal, para uma nação ser um “líder climático” em 2018? Primeiro pré-requisito: ter um plano firme para cumprir a sua parte no acordo climático de Paris. Em dezembro de 2015, governos de 195 governos comprometeram-se voluntariamente não apenas a manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, como buscar o nível mais seguro de 1,5°C. Além disso, assumiram o compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa a zero.

Nesse sentido, não posso deixar de sentir orgulho de que o meu governo foi o primeiro no mundo ocidental a acelerar e a cumprir o acordo climático de Paris. Em junho do ano passado, adotamos a meta de cortar as emissões líquidas de gases do efeito estufa da Suécia para zero até 2045, e estabelecemos o compromisso em lei.

No prazo de uma geração, no entanto, a Suécia terá feito muito pelo clima do planeta. É preciso mais. Mas a ciência nos garante que, se todas as nações adotarem essa meta, há uma boa chance de cumprirmos os compromissos que assumimos na cúpula de Paris e mantermos as mudanças climáticas dentro de limites seguros.

A lei da Suécia não define apenas uma meta de emissões e uma data. Todos os anos, o governo deve apresentar um relatório de progresso ao parlamento, e a cada quatro anos ele deve fazer um novo conjunto de políticas que proporcionem reduções de emissões cada vez maiores. Dessa forma, garantiremos um progresso constante em direção ao nosso objetivo.

Pelo conteúdo da nossa lei, temos com o Reino Unido uma dívida de gratidão. Dez anos atrás, o Reino Unido trouxe a primeira lei do mundo com uma meta obrigatória de redução das emissões de gases de efeito estufa. A Suécia tomou emprestado e fez a sua, assim como a Dinamarca e a Finlândia.

As leis climáticas oferecem algo que, em uma democracia saudável, é inestimável para empresas e cidadãos: a certeza. Nossas empresas sabem que os combustíveis fósseis serão virtualmente eliminados nos próximos 25 anos; o carvão já foi, e o petróleo e o gás seguirão o mesmo caminho. A certeza ajuda os cidadãos, as empresas, os investidores e o próprio governo a tomar as melhores decisões para o futuro e para os seus interesses. Apenas como exemplo, é sensato construir todas as novas casas com soluções de energia sustentáveis, eliminando assim a necessidade de adaptação em uma década.

Vários outros países também elevaram as metas líquidas de corte de emissões até 2040 ou 2050, o que inclui a França, a Islândia e a Nova Zelândia. Também algumas nações em desenvolvimento, como a Costa Rica e o Butão. Impulsionada por uma aliança progressista, incluindo a Suécia e o Reino Unido, a União Europeia caminha no mesmo sentido. Já o parlamento da UE votou favoravelmente pelo compromisso de emissões zeradas, e a comissão já atualiza seu roteiro de energia e clima em consonância com o acordo de Paris – um processo que inevitavelmente recomendará o objetivo de zerar as emissões líquidas no bloco até 2050.

Outras nações, inevitavelmente, seguirão o mesmo percurso até o final deste ano. Em outubro, o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicará um relatório histórico que deve confirmar que o mundo precisará de emissões líquidas zeradas em meados do século para cumprir o acordo de Paris. Assim, espera-se naturalmente que os países onde as finanças e a tecnologia moderna estão mais disponíveis se lancem como líderes para alcançar o objetivo. Por ser um órgão intergovernamental, será claramente insustentável para qualquer governo ocidental se tornar um líder climático sem se comprometer em zerar as emissões conforme recomenda o IPCC.

Atender a meta de ‘emissão zero’ não será uma tarefa fácil em todos os setores da economia. Sabemos como fazer isso com a eletricidade e o transporte rodoviário; mas ainda faltam alternativas para a agricultura e a aviação. Nesse ponto, devemos apostar na inovação, cuja velocidade continua a nos surpreender. Podemos, portanto, acelerar as mudanças nesses setores com instrumentos financeiros específicos, como o imposto sobre a aviação que a Suécia apresentou este mês.

Certamente não é aceitável que qualquer governo ou consultor estatutário diga que zerar as emissões é algo impossível. Não só é possível como tem de ser feito – afinal, enquanto continuarmos emitindo dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir no planeta. Negar a capacidade de zerar as emissões significar desistir da missão de evitar as mudanças climáticas mais perigosas e aceitar que não iremos conter o aumento do nível do mar, a falta de suprimentos alimentares, a extinção de espécies e um oceano acidificante. Definitivamente não é o mundo que eu desejo presentear meus filhos e netos; nem, acredito, qualquer líder responsável.

Dez anos atrás, o Reino Unido se destacou perante muitas outras nações, incluindo a minha, ao adotar a Lei de Mudanças Climáticas. A ciência e a diplomacia seguem em frente; e, enquanto o IPCC e o acordo de Paris estão nos dizendo para zerar as emissões de gases de efeito estufa até meados do século, cabe a todos nós incorporar a missão em nossos programas nacionais. É a tarefa mínima para a nação que deseja ser chamada de líder climático em 2018.

Isabella Lövin é vice-primeira-ministra da Suécia e ministra do desenvolvimento internacional, cooperação e clima

Fonte: Observatório do Clima

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