Mudanças climáticas serão tragédia para mundo, alerta chefe da ONU

Secretário convida países com propostas para combater aquecimento global e rechaça discursos

O secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que, se não forem contidas, as mudanças climáticas serão uma tragédia para mundo e, por isso, se tornará uma batalha central na organização internacional, quatro anos após o Acordo de Paris. Visando à cúpula que será realizada em 23 de setembro na ONU para intensificar os esforços para combater as mudanças climáticas, o dirigente português visita esta semana a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico, onde o aumento do nível do mar ameaça a existência de pequenos países.

“Continuamos perdendo a batalha”, alerta Guterres. “A mudança climática está indo mais rápido do que nós e, se não invertermos essa tendência, será uma tragédia para o mundo”, completou. Em sua carta-convite à cúpula, o secretário-geral da ONU anunciou uma reunião preparatória de 30 de junho a 1º de julho nos Emirados Árabes Unidos. Nela, serão discutidas as melhores propostas para combater o aquecimento global.

A mensagem pede aos países que não participem da reunião “com discursos”, mas com “planos concretos e realistas” para reduzir os gases causadores do efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e eliminá-los completamente até 2050. “O que a gente quer é que os países aumentem suas ambições para 2025 e 2030, seja na cúpula, seja em 2020”, diz Nick Mabey, do think tank E3G, que insiste na necessidade de alcançar compromissos que permitam, por exemplo, acabar com o carvão poluente.

Em sua visita a Fiji, ou a Vanuatu, Guterres se reunirá com famílias, cujas vidas são ameaçadas por furacões, inundações, ou por outros eventos climáticos extremos. Fiji tem trabalhado para construir uma coalizão de mais de 90 países do Caribe, da África e da Ásia para enfrentar melhor as crises causadas pelo aquecimento global.

Desdém americano

“Esperamos que o secretário-geral encontre em sua visita uma inspiração para ir mais longe, mais rápido e mais fundo na cúpula”, disse a embaixadora das Fiji na ONU, Satyendra Prasad. “Esperamos que este cúpula marque um ponto de inflexão”, afirmou. Segundo o enviado para o clima da ONU, Luis Alfonso de Alba, a cúpula poderá ter sucesso apesar da posição contrária dos Estados Unidos. “Há cinco, ou dez anos, os países observavam o que seu vizinho estava fazendo antes de agir e, hoje, todos estão conscientes de que há uma necessidade urgente de intervir”, disse De Alba.

A disposição de Guterres de se envolver pessoalmente na luta contra a mudança climática ocorre em um momento em que os Estados Unidos, o maior contribuinte financeiro da ONU, são céticos quanto à realidade do fenômeno e às suas causas. Desde a partida de Nikki Haley, em dezembro, Washington não tem embaixador na ONU. Trump nomeou Kelly Knight Craft para sucedê-la, mas o Senado ainda não deu seu aval para a nomeação da atual embaixadora no Canadá.

Casada com um empresário do setor do carvão, no passado, ela disse acreditar que os cientistas “de ambos os lados” falam sobre o impacto humano no aquecimento global, o que faz prever alguns pontos em comum com Guterres. “O desdém do governo Trump pela diplomacia relacionada ao clima deixou a China como principal garantidora do Acordo de Paris”, disse o diretor da ONU no grupo de especialistas do International Crisis Group, Richard Gowan.

Apesar das críticas à posição sobre direitos humanos, segundo ele, Pequim se tornou indispensável nas negociações sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015 entre 195 Estados-membros da ONU e assinado em 2016, o Acordo de Paris tem como principal objetivo impedir que a temperatura média do planeta aumente mais de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. A partir de 2020, contudo, os Estados Unidos vão deixar o pacto formalmente por decisão de Trump.

Fonte: Correio do Povo

Mudanças climáticas abalaram a vida de 62 milhões só no ano passado, diz relatório da OMM

Planos concretos, realistas, não apenas discursos bonitos para servirem como plataforma política, é o que pede Antonio Guterres, secretário geral da ONU, aos líderes que vão se reunir em setembro na cúpula das Nações Unidas, em Nova York. Guterres faz este apelo não à toa. É que há muito o que fazer para que verdadeiras mudanças nos níveis de produção e consumo, de fato, comecem a fazer diferença. Por enquanto, pouco se vê como resultado prático dos encontros que debatem o clima. Para ilustrar com mais estudos a preocupação do chefe da ONU, na semana passada a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório que constata que 62 milhões de pessoas foram afetadas pelas mudanças do clima somente em 2018. E mais: a temperatura global, segundo os estudos, já subiu 1º grau acima do período pré-industrial.

É preciso cortar as emissões globais de gases do efeito estufa em 45% até 2030, sob pena de que as inundações, as ondas de calor e os instantâneos de frio prolongados devastem ainda mais vidas em todo o mundo. Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, na apresentação do relatório, lembra que o Ciclone Tropical Idai, que massacrou Moçambique, Zimbábue e Malaui com inundações devastadoras, pode ser considerado, até agora, um dos mais mortíferos desastres relacionados ao clima a atingir o Hemisfério Sul.

“Idai atingiu a cidade de Beira, uma cidade em rápido crescimento e baixa altitude, num litoral vulnerável a tempestades e já enfrentando as consequências da subida do nível do mar. As vítimas de Idai personificam por que precisamos da agenda global sobre desenvolvimento sustentável, adaptação às mudanças climáticas e redução do risco de desastres”, disse Taalas.

Os céticos do clima começam a se mexer na cadeira, estou certa disso. Hão de dizer que é impossível atribuir toda a culpa do que está acontecendo nos países africanos – em Moçambique já se registra um caso de cólera – às mudanças climáticas. São países pobres, que não têm estrutura para suportar eventos extremos de qualquer magnitude, diriam. Isto também é verdade, já que para os países ricos é muito mais fácil se livrar de tais problemas. Assim mesmo, sabemos bem o que acontece aos habitantes dos Estados Unidos, a nação mais rica, quando são atingidos por furacões.

Fato é que quando a primeira edição do relatório anual da OMM foi divulgada, há quinze anos, os níveis de dióxido de carbono estavam em 357 partes por milhão. Em 2017, eles atingiram 406 partes por milhão, com especialistas esperando números ainda maiores para 2018 e 2019.

Os cientistas, estes mesmos que têm sido tão fortemente aplaudidos e reverenciados quando descobrem formas de melhorar a vida da humanidade, é quem dizem, com base em nada menos do que seis mil estudos, que as emissões de gases do efeito estufa estão por trás do aquecimento e das mudanças climáticas. São eles também, não custa lembrar, que em outubro do ano passado lançaram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) advertindo que o mundo precisa de mudanças sem precedentes para alcançar a meta traçada no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.

Voltemos ao relatório recentemente divulgado pela OMM. Segundo ele, as enchentes atingiram mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo em 2018. A seca também afetou nove milhões de pessoas, áreas do Quênia, Afeganistão e América Central, além de ter provocado migrações em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

“Esses extremos estão piorando a fome, que está aumentando novamente após um declínio prolongado. Em 2017, o número de pessoas subnutridas foi estimado em 821 milhões. Quarenta países continuam a depender de assistência externa para o fornecimento de alimentos, dos quais 31 estão na África”, diz a reportagem sobre o relatório no site Climate Home News.

O Relatório da OMM deixa claro que as variações climáticas e os eventos extremos – seca, tempestades, furacões, ciclones – estão impulsionando as crises alimentares no mundo.

Segundo o relatório, 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado. E não foram poucas as implicações disto na vida de pessoas comuns. Somente em setembro de 2018, seca, inundações e tempestades provocaram o deslocamento de dois milhões no mundo.

Japão foi castigado por uma forte onda de calor, seguida de tempestades que causaram enchentes. Um recorde de temperatura alta: 41.1 graus registrados na cidade de Kumagaya no dia 23 de julho.

Ondas de calor trouxeram incêndios florestais. Na Suécia, mais de 25 mil hectares foram queimados, o que também atingiu Letônia, Noruega, Alemanha, Reino Unido e Irlanda. Em Atenas, no dia 23 de julho, o fogo se espalhou rapidamente por causa de uma fortíssima ventania. Na Europa Central, o transporte fluvial foi interrompido várias vezes por causa da seca, que também castigou a Austrália, parte da Indonésia e muito severamente o Afeganistão, Paquistão, Uruguai, Argentina. Na América Latina houve neve fora do comum no Chile, Bolívia, Peru e Uruguai. Uma forte tempestade atingiu o Mar Mediterrâneo em setembro, com proporções de ciclone tropical.

As informações sobre os impactos negativos das mudanças climáticas estão à disposição e podem, também, ser lidas com ceticismo quanto ao papel da atividade humana neste processo. É por isso que, já não é de hoje, outro grupo de cientistas se esforça para alterar a Escala do Tempo Geológico, propondo que se entenda a era atual como Antropoceno. Mas esta é uma história mais complexa, que será contada pelo economista José Eli da Veiga em seu novo livro, “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” (Ed. 34), sobre o qual trarei notícias em breve.

Fonte: G1

Óleo de cozinha e a poluição das águas

Projeto de extensão Educação Ambiental Comunitária, realiza um trabalho de conscientização com toda a comunidade para promover a reciclagem

Estima-se que cerca de 97,5% da água existente no mundo é salgada, e apenas 2,5% de água doce, potável ao ser humano. Era de se esperar que houvesse um maior cuidado então com a água que bebemos, não é mesmo? Porém, de acordo com um relatório divulgado pela ONU Meio Ambiente na última quarta-feira, os poluentes nos sistemas de água potável farão com que a resistência antimicrobiana se torne a maior causa de mortes até 2050.

Em alusão ao Dia Mundial da Água, na próxima sexta-feira, o projeto, juntamente com a Fundação do Meio Ambiente de Tubarão, a Tubarão Saneamento e a AFUBRA promovem um evento sobre a preservação e o uso consciente da água. A ação tem início nesta quarta-feira (20) e segue até a próxima sexta.

Fonte: Notisul

Aumento de 3 a 5°C na temperatura do Ártico já é inevitável, diz estudo

Mesmo se em todo mundo as emissões de gases de efeito estufa forem cortadas de forma a cumprir o Acordo de Paris, a temperatura média no inverno Ártico vai, irremediavelmente, subir de 3 a 5°C até 2050, e de 5 a 9°C até 2080, alerta estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última quarta-feira (13), durante a 4ª Assembleia Geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que acontece em Nairóbi, no Quênia.

A pesquisa, intitulada “Global Linkages – A graphic look at the changing Artic” (Global Linkages – um olhar gráfico sobre a mudança no Ártico), afirma que tal aumento na temperatura tem o potencial de devastar a região e provocar a elevação no nível do mar em escala global.

Além disso, o rápido derretimento do permafrost – solo encontrado na região do Ártico constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados – poderá acelerar ainda mais as mudanças no clima, inviabilizando os esforços para cumprir o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura a 2°C.

“A urgência em se alcançar as metas do Acordo de Paris é claramente manifestada no Ártico, por ser uma das regiões mais vulneráveis e que estão mudando rapidamente no mundo”, disse o Ministro do Meio Ambiente, Energia e Habitação finlandês, Kimmo Tiilikainen, à ONU. “Nós precisamos fazer cortes substanciais a curto prazo nos gases de efeito estufa, uso de carvão e outros poluentes climáticos de vida curta em todo mundo”, acrescenta.

Mesmo se as emissões globais fossem interrompidas totalmente do dia para a noite, os invernos árticos ainda assim seriam de 4 a 5° mais quentes até 2100, comparado com o final do século 20, diz o estudo. Tal elevação está “fechada” no sistema de gases de efeito estufa já emitidos e no aquecimento dos oceanos.

Segundo relatório da ONU, os impactos globais desse aumento seriam enormes. De 1979 até agora, estima-se que o gelo Ártico declinou em 40%. Modelos climáticos preveem que, se as emissões de CO2 continuarem na taxa atual, o Ártico terá verões totalmente sem gelo até 2030. O derretimento da calota de gelo da Groenlândia e dos glaciares árticos contribuem para um terço do aumento do nível do mar globalmente.

Ainda de acordo com a pesquisa, mesmo se as metas do Acordo de Paris forem alcançadas, espera-se que o permafrost ártico irremediavelmente encolha em 45%, comparado com o que hoje existe. Globalmente, estes solos congelados guardam uma estimativa de 1,672 bilhões de toneladas de carbono.

Espera-se, portanto, que o aumento no derretimento do permafrost contribua significantemente para as emissões de CO2 e metano, aumentando as temperaturas globais, que contribuiriam, por sua vez, para mais derretimento, em um efeito cascata conhecido como “Feedback positivo”. “Esta mudança acelerada no clima poderia até mesmo inviabilizar os 2°C preconizados no Acordo de Paris”, sublinha o documento.

Fonte: O Eco

Adolescente sueca pede à UE que reforce combate às mudanças climáticas

A ativista sueca do clima Greta Thunberg, de apenas 16 anos, está em Bruxelas para apoiar protestos dos jovens na capital belga, e pediu à União Europeia (UE) que redobre suas metas de redução de gases de efeito estufa.

“A UE necessita de uma redução de 80% para 2030, que inclua a aviação e o transporte marítimo”, uma meta “duas vezes mais ambiciosa que a atual”, declarou Thunberg diante do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A adolescente apresentou essa proposta durante um discurso de dez minutos no Comitê Econômico e Social Europeu, um organismo que representa a sociedade civil em Bruxelas, onde suas palavras foram bem recebidas.

Thunberg estava acompanhada de vários jovens do movimento Youth for Climate (“Juventude Pelo Clima”), que organiza nesta quinta-feira em Bruxelas pela sétima semana consecutiva uma passeata pelo clima.

Em agosto de 2018, após ondas de calor e incêndios assolarem a Suécia, a jovem decidiu não ir mais à escola como forma de pressionar o governo adotar medidas mais duras contra a emissão de carbono. Ela ganhou destaque internacional ao discursar durante a 24ª conferência da ONU sobre o clima, em dezembro passado, na Polônia.

Como parte do Acordo de Paris, a UE se comprometeu a reduzir em 40% suas emissões de gases de efeito estufa e, desde dezembro de 2015, adotou uma série de medidas em vários setores -transportes, energia, construção- para cumprir com seus compromissos.

O comissário europeu de Ação para o Clima, Miguel Arias Cañete, declarou que estes dispositivos poderiam alcançar uma redução de 45%.

“Algunas pessoas dizem que está bem ou que é ambicioso”, mas “este objetivo segue sendo insuficiente para manter aquecimento global abaixo de 1,5ºC” e “para proteger o futuro das crianças’, afirmou Cañete.

Fonte: Istoé

ONU apresenta calendário de eventos globais sobre mudanças climáticas

A presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, alertou neste mês (14) que dois terços das metas de desenvolvimento sustentável da ONU dependem de esforços bem-sucedidos para combater as mudanças climáticas e proteger o meio ambiente. Dirigente ressaltou que, para cumprir o Acordo de Paris, a comunidade internacional precisa aumentar em cinco vezes os atuais compromissos sobre reduções nas emissões de gases do efeito estufa.

Em pronunciamento em Nova Iorque para explicar o plano de trabalho da ONU sobre o tema em 2019, Maria enfatizou que o multilateralismo é o único meio efetivo para enfrentar as mudanças climáticas. Em março, lembrou a presidente, a Organização promove a Reunião de Alto Nível sobre Clima e Desenvolvimento Sustentável para Todos.

O encontro deverá levar adiante as discussões da COP24, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em dezembro, em Katowice, na Polônia. No país europeu, os países signatários do Acordo de Paris adotaram um manual de regras para relatar e monitorar suas metas de redução de emissões. O acordo visa manter a elevação da temperatura média global dentro de um teto de 2ºC até o final do século — sua meta mais ambiciosa é impedir que o aquecimento ultrapasse o 1,5ºC.

No mês que vem, representantes dos Estados-membros, setor privado, sociedade civil e juventude vão se reunir para mobilizar o potencial dos jovens nas ações climáticas. Esse grupo, lembrou Espinosa, é um dos que será mais afetados pelas transformações da natureza associadas ao aquecimento global.

Em julho, o Fórum Político de Alto Nível da ONU vai analisar o progresso feito até o momento para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 13 — tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos. Esse é um dos 17 objetivos da Agenda 2030 da ONU. Cada um deles reúne metas específicas sobre, por exemplo, pobreza, saúde, educação, violência contra as mulheres, trabalho decente e crescimento econômico. No total, são 169 metas. Segundo a presidente da Assembleia Geral, dois terços delas dependem do cumprimento das metas que abordam meio ambiente e mudanças climáticas.

Em 23 de setembro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vai promover em Nova Iorque a Cúpula do Clima. O evento será seguido por outro fórum político de alto nível, que será dedicado exclusivamente ao tema das mudanças climáticas. Esse será o primeiro fórum do tipo. O ano vai se encerrar com a COP25, que deve ser realizada em novembro, no Chile.

Maria Espinosa explicou que todos esses eventos têm dois objetivos iguais: dobrar os compromissos e a ambição das ações climáticas no nível nacional; e garantir a inclusão de grupos diversos nos processos decisórios sobre mudanças climáticas.

Também presente no evento em Nova Iorque para discutir o calendário de atividades, o enviado especial do secretário-geral para a Cúpula do Clima, Luis Alfonso de Alba, enfatizou que é possível combater as mudanças climáticas e também garantir crescimento econômico. O argumento contrário é usado por céticos que questionam a realidade das alterações do clima.

Segundo o dirigente, para fazer a transição para economias sustentáveis e gerar empregos verdes, será necessário mobilizar somas enormes de recursos, o que exigirá mais diálogos e parcerias com o setor privado e a sociedade civil.

Fonte: ONU

Mudança climática na América Latina

Governos da região vão ter de lutar muito para responder aos desafios de atenuar seu impacto

Em outubro o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas divulgou relatório sugerindo que mesmo que os signatários do Acordo de Paris cumprissem todos os compromissos assumidos a temperatura planetária subiria mais de dois graus Celsius (2°C) até o fim do século. Evitá-lo demandaria uma ação política global, cada vez mais improvável. Vale a pena perguntar qual será o futuro econômico da América Latina ante as mudanças climáticas e que recursos políticos seus dirigentes têm para proteger a população dos efeitos das mudanças.

Apesar de mais de 75% dos latino-americanos reconhecerem a gravidade do problema, há indícios de que esse tema se está politizando. No Brasil, o novo governo anunciou a intenção de sair do Acordo de Paris e o País já não sediará a próxima rodada de conversações sobre o clima patrocinadas pela ONU, a COP-25. Jair Bolsonaro prometeu abrir as florestas tropicais à exploração comercial, apesar de o aumento do desmatamento ter consequências mundiais em curto prazo.

Alguns setores da economia latino-americana são mais vulneráveis que outros a ter seus ativos desvalorizados ou inutilizados pela mudança climática e pelas políticas adotadas para mitigá-la. Por exemplo, grandes reservas de combustível fóssil não deverão ser explorados se a América Latina pretender cumprir o que foi firmado no Acordo de Paris – que exige que quase 50% das reservas de petróleo e gás da região e 75% das de carvão permaneçam enterradas.

A agricultura é o desafio mais problemático para os planos de adaptação da região ao clima. No Brasil, os efeitos da mudança climática sobre a disponibilidade de água serão variados: estudo recente concluiu que o norte do País deve sofrer uma redução de 40% no volume de chuvas, mas no sul elas aumentariam 30%. Como resultado, a produção de grãos como trigo e soja deve cair, mas em âmbito continental haverá aumentos, limitados, em zonas hoje marginais à produção de commodities. Culturas como café e vinho sofrerão mais. Está claro que a adaptação tem um custo e desafiará a capacidade dos governantes.

Mas se há riscos para a América Latina, também há oportunidades. Nenhuma região do mundo produz mais energia de fontes renováveis do que a América Latina, mas mais de 75% dessa energia vem de imensas hidrelétricas, que são vulneráveis à mudança do clima. Secas severas já causaram extensos apagões em bacias que apostaram seu futuro energético no poder hídrico – especialmente no Brasil.

Em termos de recursos naturais e vontade política, o Chile talvez seja o país em melhor posição na região para se beneficiar de um futuro com base em energia renovável. O país possui exatamente o tipo de recursos que o tornarão uma potência em energia renovável: em nenhum outro lugar há uma irradiação solar de longo prazo maior que no Deserto de Atacama. Se a energia solar que chega ao Atacama fosse plenamente aproveitada, já seria o suficiente para prover eletricidade para toda a América Latina, nos níveis atuais.

O Atacama e a área em torno dele – que abrange Chile Bolívia e Argentina – também abrigam mais da metade do suprimento global de lítio, elemento crucial para as baterias usadas em veículos elétricos e que armazena energia produzida por fontes eólicas e solares. Desenvolver recursos do lítio e se capacitar para criar produtos com valor agregado, eis uma vasta fonte potencial de renda para as nações andinas que desejem aproveitar o movimento global de abandono dos combustíveis fósseis.

Se o Deserto do Atacama é o futuro epicentro da produção de lítio e energia solar, a costa atlântica do Brasil pode rivalizar com ele com a energia eólica. Beneficiando-se de ventos constantes e unidirecionais, a região atraiu altos investimentos externos entre 2009 e 2015. As sucessivas crises políticas e econômicas sufocaram a produção, mas os leilões de energia marcados pelo governo brasileiro para 2019 e 2020 têm previsão de trazer mais 15 gigawatts de energia eólica para a rede elétrica.

As economias sul-americanas estão, portanto, em excelente posição para lucrar com a mudança econômica global na direção da economia verde. Naturalmente, isso vai exigir que governos e atores privados reconheçam a urgência de fazer esses investimentos, agora, enquanto ainda existe uma chance – cada vez menor – de limitar o aquecimento a 1,5°C. As diferenças entre 1,5°C e 2°C de aquecimento são dramáticas. Consideremos dois cenários diferentes para o futuro da América Latina, um em que a temperatura global aumenta 1,5° e outro em que esse aumento chega a 2°.

No primeiro caso, uma seca na América do Sul duraria em média um mês. Mas num cenário de 2° de aumento a seca duraria três meses. Isso significa que, enquanto 18 milhões de pessoas sofreriam com a escassez de água no caso de um aquecimento climático de 1,5°, se o aumento for de 2° serão 25 milhões.

O clima extremo – que compromete as condições de crescimento das regiões afetadas – aumenta exponencialmente à medida que a temperatura sobe, com diferenças notáveis entre cenários de 1,5° e 2°. A Região Amazônica, por exemplo, sofrerá um aumento de 258% das situações climáticas de calor extremo sob 1,5° a mais, mas será de 737% num cenário de 2°. O Cone Sul registraria um aumento de 188% das situações de calor extremo num cenário de 1,5° de a mais da temperatura, e 553%, se ela exceder os 2°.

A estabilidade política e econômica da América Latina dependerá da capacidade da região de atenuar os impactos sobre os pobres marginalizados de um admirável mundo novo de secas e temperaturas extremas, mesmo procurando beneficiar-se das oportunidades de negócios que poderão surgir. A mudança climática, como a globalização, terá seus vencedores e perdedores. A América Latina já é a região com mais desigualdades no mundo. Como os efeitos da mudança climática atingem mais duramente os mais vulneráveis, os governos se verão diante de desafios que terão de lutar muito para lhes responder.

Fonte: Estadão

Emissões de gases-estufa devem bater novo recorde

Mais uma má notícia para o enfrentamento das mudanças climáticas: nos últimos dois anos, a tendência das emissões globais tem sido ascendente. Entre 2014 e 2016 as emissões de gases-estufa se mantiveram quase estáveis, mas haviam crescido 1,6% em 2017. Em 2018 a estimativa é que cresçam novamente e cheguem a 2,7%.

Se a previsão se confirmar, as emissões originadas nas indústrias e na queima de combustíveis fósseis irão atingir um novo recorde de 37,1 bilhões de toneladas de CO2 ao ano.

A alta vem sendo puxada pela China, com crescimento de 5% nas emissões. O país representa 27% das emissões globais. Os Estados Unidos, o segundo maior emissor com uma fatia de 15% do total, deve registrar uma alta de 2,5%. A Índia, que responde por 7% das emissões globais, deve crescer 6,3% em 2018, usando mais carvão, mais petróleo e gás.

As emissões relacionadas a energia e transportes da União Europeia, reponsáveis por uma fatia próxima a 10% do global, declinaram um pouco (0,7%). É um desempenho mais tímido, contudo, em relação às quedas de 2% ao ano registradas no período 2010 a 2014.

Os dados são do Global Carbon Project, um projeto conduzido por 76 cientistas em 15 países, e divulgado em Katowice, onde ocorre desde domingo a conferência do clima das Nações Unidas, a CoP 24.

“O aumento das emissões de CO2 nos coloca em uma trajetória de aquecimento que atualmente está além dos 1,5°C”, diz em nota à imprensa a pesquisadora Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall de Pesquisa sobre Mudança Climática da Universidade de East Anglia e uma das autoras do Global Carbon Budget.

“É um desempenho desastroso. Precisa mudar urgentemente”, diz o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo e membro do IPCC, o painel de cientistas da ONU. Relatório recente do IPCC disse que o mundo deve evitar chegar a um aquecimento de 2°C até 2100 e tentar ficar em 1,5°C.

“Para isto, teríamos que ir reduzindo as emissões 5% ao ano desde agora, ate zerar as emissões em 2040. A partir daí teríamos que ter emissões negativas para manter o aumento médio dentro de 1.5°C”, diz o cientista. A tecnologia ajudaria os países a emitirem menos do que a capacidade de absorção.

Na conferência do clima da Polônia, António Guterres, o secretário-geral da ONU disse: “Estamos em apuros. Estamos profundamente em apuros”. Ele não se referiu ao dado divulgado quarta-feira (5).

Fonte: Valor

Aquecimento global: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos

Representantes de quase 200 países estão reunidos na Polônia para conversar sobre mudança climática – com o objetivo de dar vida nova ao Acordo de Paris.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a meta do Acordo de Paris, assinado em 2015, de limitar o aumento da temperatura média global “abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais” corre o risco de não ser alcançada porque as principais economias, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, estão aquém de suas promessas.

Ao mesmo tempo, os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) – principal órgão internacional sobre aquecimento global – argumentaram no mês passado que o compromisso de 2°C do Acordo de Paris não seria suficiente. Na verdade, o aumento da temperatura média global precisava ser mantido abaixo de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial.

Mas, afinal, o quão quente o planeta ficou e o que podemos fazer em relação a isso?

1. O mundo está ficando mais quente

O planeta está agora quase um grau mais quente do que estava antes do processo de industrialização, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A temperatura média global nos primeiros 10 meses de 2018 ficou 0,98ºC acima dos níveis de 1850-1900, segundo cinco relatórios de dados globais mantidos de forma independente.

Anos em comparação à média do século 20

Os 20 anos mais quentes foram registrados nos últimos 22 anos, sendo que 2015 a 2018 ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, diz a OMM.

Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir de 3 a 5 graus até 2100.

Um grau pode não parecer muito, mas, segundo o IPCC, se os países não tomarem uma atitude, o mundo enfrentará mudanças catastróficas – o nível do mar vai subir, a temperatura e a acidez dos oceanos vão aumentar e a nossa capacidade de cultivar alimentos como arroz, milho e trigo estaria ameaçada.

2. O ano de 2018 bateu todos os tipos de recordes

Neste ano foram registradas temperaturas altas em diversos lugares do mundo em meio a um período de clima quente excepcionalmente prolongado.

Grandes porções do hemisfério norte presenciaram uma sucessão de ondas de calor que atingiu Europa, Ásia, América do Norte e norte da África – resultado de fortes sistemas de alta pressão que criaram uma “redoma de calor”.

No período indicado no mapa abaixo (maio a julho de 2018), os pontos amarelos mostram onde o recorde de calor foi quebrado em determinada data, os rosas apontam os lugares mais quentes no mês em questão, e os vermelhos escuros representam os locais mais quentes desde que os registros começaram.

As temperaturas mais altas destas regiões

Datas

Fonte: Robert A. Rohde/Berkeley Earth. Mapa criado em Carto

A preocupação é que essas ondas de calor e frentes frias estejam sendo bloqueadas – represadas em regiões por longos períodos – com maior frequência devido às mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos.

3. Não estamos no caminho certo para atingir as metas de mudança climática

Se somarmos todas as promessas para reduzir as emissões de gases que provocam efeito estufa pelos países que assinaram o Acordo de Paris, o mundo ainda esquentaria em mais de 3°C até o fim deste século.

Média de aquecimento global projetada para 2100Presentational white space

Nos últimos três anos, os climatologistas mudaram a definição do que acreditam ser o limite “seguro” da mudança climática.

Por décadas, os pesquisadores argumentaram que o aumento da temperatura global devia ser mantido abaixo de 2°C até o fim deste século para evitar consequências mais graves.

Os países que assinaram o acordo de Paris se comprometeram a manter as temperaturas “bem abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais e a buscar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C”.

Mas os cientistas concordam agora que, na verdade, precisamos manter os aumentos de temperatura abaixo de 1,5°C.

4. Os maiores emissores são a China e os EUA

Os países que emitem mais gases de efeito estufa são, de longe, a China e os EUA. Juntos, eles são responsáveis por mais de 40% do total global de emissões, de acordo com dados de 2017 do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia e da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL).

Os maiores emissores de gases de efeito estufa

A política ambiental dos EUA mudou sob o governo de Donald Trump, que adotou uma agenda pró-combustíveis fósseis.

Depois de tomar posse, o presidente americano anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

Na ocasião, Trump disse que queria negociar um novo acordo “justo” que não prejudicasse as empresas e trabalhadores americanos.

5. As áreas urbanas são particularmente ameaçadas

Quase todas as cidades – 95% delas – que enfrentam riscos climáticos graves estão na África ou na Ásia, segundo um relatório da Verisk Maplecroft, consultoria de estratégia e risco.

E são as cidades com crescimento mais rápido que estão correndo mais risco, incluindo megacidades como Lagos, na Nigéria, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Cerca de 84 das 100 cidades que mais crescem no mundo enfrentam riscos “extremos” de aumento das temperaturas e de fenômenos climáticos extremos.

Cidades em rápida expansão enfrentam piores riscos climáticos

6. O gelo do Ártico também está ameaçado

A extensão do gelo do mar do Ártico diminuiu nos últimos anos. Em 2012, chegou ao nível mais baixo já registrado.

Gelo do mar Ártico diminuiu

As geleiras vêm sendo reduzidas há décadas, com a aceleração do derretimento desde o início dos anos 2000, de acordo com o Comitê de Auditoria Ambiental do Parlamento do Reino Unido.

O Oceano Ártico pode ficar sem gelo no verão antes de 2050, a menos que as emissões sejam reduzidas, acrescenta o comitê.

A OMM descobriu que a extensão do gelo do Ártico em 2018 estava muito menor do que o normal.

7. Todo mundo pode fazer mais para ajudar

Enquanto os governos precisam implementar grandes mudanças, os indivíduos também podem fazer sua parte.

Os cientistas dizem que todos nós temos de adotar “mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes” no nosso estilo de vida, a fim de evitar danos mais severos ao clima.

O IPCC diz que precisamos comprar menos carne, leite, queijo e manteiga; comer mais alimentos sazonais de origem local – e desperdiçar menos; dirigir carros elétricos, mas caminhar ou pedalar distâncias curtas; pegar trens e ônibus em vez de aviões; substituir viagens de negócios por videoconferências; usar varal em vez de máquina de secar roupa; aprimorar o isolamento térmico das casas; demandar produtos de consumo com baixo teor de carbono.

Mas a melhor maneira de reduzir seu impacto ambiental no planeta é modificando sua dieta, de modo a incluir menos carne – de acordo com estudos recentes.

Carne bovina tem maior impacto climático

Os cientistas dizem que devemos consumir menos carne por causa das emissões de carbono que essa indústria produz, assim como outros impactos ambientais negativos.

Um estudo recente publicado na revista científica Science destacou uma enorme variação no impacto ambiental na produção de um mesmo alimento.

O gado de corte criado em terras desmatadas, por exemplo, produz 12 vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que os criados em pastagens naturais.

Essencialmente, o estudo mostra que mesmo a carne com o menor impacto ambiental ainda gera mais emissões de gases de efeito estufa do que o cultivo de hortaliças e cereais de maneira sustentável.

Mas, além de alterar nossas dietas, a pesquisa indica que as práticas agrícolas precisam mudar significativamente para beneficiar o meio ambiente.

Fonte: BBC Brasil

Aquecimento global pode ter impacto negativo na saúde, aponta relatório

Documento assinado por 27 entidades faz prognóstico de mais problemas cardiovasculares e renais.

“A saúde da população brasileira está ligada à floresta Amazônica”, afirma um amplo relatório sobre o efeito das mudanças climáticas sobre a saúde humana. Problemas mentais, riscos cardiovasculares e doenças transmitidas por vetores podem ser agravados pelo que virá a ser o clima no futuro. 

As conclusões fazem parte do estudo Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change (em tradução livre, Acompanhando os Progressos em Saúde e Mudanças Climáticas), lançado anualmente desde 2016. 

O estudo recém-publicado conta com a participação de 27 instituições, da ONU e de agências governamentais de todos os continentes. 

O relatório —especificamente a parte que fala sobre o Brasil— afirma que, mesmo não levando em conta dados sobre desmatamento, o caso brasileiro merece menção para ilustrar as relações críticas entre mudança climática, destruição de florestas e saúde. 

As mudanças do uso da terra —desmatamento, em linhas gerais—, junto a agropecuária, eleva as emissões do país e, consequentemente, contribui para o aquecimento global. 

“Muitas vezes não relacionamos o quão grave é desmatar e quanto isso afeta a saúde das pessoas, quanto reduz a expectativa de vida”, diz Mayara Floss, uma das pesquisadoras que escreveu o documento. 

No caso do Brasil, dados mostram que há relação entre o fogo na Amazônia, doenças respiratórias e o aumento de admissões em hospitais durante o período de queimadas.

“Para cada quilômetro quadrado de mata que derrubamos, há descobertas que deixamos de fazer”, diz Floss, membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, uma das organizações que participou do estudo —junto aos também brasileiros Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). 

Em nível global, o estudo da Lancet afirma que as tendências apontam um “risco  inaceitável” à saúde atual e futura da população.

Por exemplo, as ondas de calor estão entre os principais elementos que podem trazer problemas à saúde. Segundo a pesquisa, em 2017 (em comparação a 2000), 157 milhões de pessoas a mais foram atingidas de alguma forma. No Brasil, observa-se que essas ondas foram mais intensas nos anos de 2014 e 2015 e calcula-se que a Amazônia deve ser particularmente impactada pelas altas temperaturas no futuro. 

As regiões mais propensas às complicações de saúde, porém, são Europa e o Mediterrâneo oriental. Espera-se que haja aumento de problemas cardiovasculares e renais, por exemplo.

Uma das explicações para a susceptibilidade é a presença nessas áreas de populações com mais de 65 anos vivendo em áreas urbanas, o que aumenta os riscos. Crianças, mulheres grávidas e pessoas com diabetes e doenças respiratórias crônicas também são consideradas mais vulneráveis às ondas de calor.

Fora os problemas de saúde, a força de trabalho também será impactada. O relatório documenta que, em 2017, 153 bilhões de horas de trabalho foram perdidas por esse motivo. Quem mais sofre com isso no Brasil são os trabalhadores agrícolas.

Os efeitos das mudanças climáticas já podem ser vistas no presente em eventos como os incêndios que se alastraram pela costa oeste dos EUA e nas mortes recentes na Europa devido ao calor.

Para o Brasil e América Latina, além de inundações e secas, outra grande preocupação são doenças transmitidas por vetores —leia-se dengue, febre amarela, zika, chikungunya e outras arboviroses. 

De acordo com o relatório, em 2016, a capacidade de transmissão dos vetores da dengue (considerando que a distribuição de mosquitos transmissores é afetada por temperatura, chuvas e grau de urbanização) foi a maior já registrada na história. No Brasil, entre 1950 e 2010, a do Aedes aegypti aumentou 6% e a do Aedes albopictus, silvícola, em 11%.

O impacto das mudanças climáticas sobre a saúde mental também foi abordado. Dependendo da intensidade, frequência e duração de eventos extremos, pode-se ter um aumento no problema. O estudo afirma que há evidências de que ondas de calor podem fazer crescer o número de suicídios.

A pesquisa conclui que, mesmo já havendo preocupação em fóruns mundiais quanto ao tema, as adaptações para o novo panorama ainda são lentas e dispõem de menos recursos do que o desejável.

Fonte: Folha de S.Paulo

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