Os compromissos do Brasil na agenda do clima em 2019

O calendário internacional do segundo semestre será muito importante para a luta da humanidade contra o aquecimento da Terra. Em 23 de setembro, na sede da ONU, em Nova York, acontecerá a Cúpula do Clima e, de 11 a 22 de novembro, em Santiago do Chile, será realizada a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP 25), inicialmente prevista para o Brasil, que abriu mão de sediá-la. São duas oportunidades para reiterar e fortalecer os pontos acordados no Acordo de Paris e definir rumos concretos para o cumprimento da Agenda 2030, relativa aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para o Brasil, os dois eventos, em especial a COP 25, têm um significado especial, considerando haver uma expectativa quanto à posição de nosso país no tocante aos compromissos assumidos, após os questionamentos do Governo Bolsonaro quanto ao Acordo de Paris. Deve-se lembrar que coube a cada nação estabelecer seus próprios compromissos, indicando e se comprometendo com metas relativas à diminuição de emissões dos gases de efeito estufa, conforme projetos que cada governo considerasse econômica e socialmente viável.

O Brasil concluiu e entregou à ONU, em setembro de 2016, seu processo de ratificação do Acordo de Paris, após aprovação do Congresso Nacional. Oficialmente, isso significou um compromisso e não mais um protocolo de intenções. Ou seja, não será tão simples assim descumprir o que acordamos com o Planeta, embora a prolongada crise econômica e os problemas políticos dos últimos anos sejam dificultadores.

Os compromissos brasileiros são ousados, mas não impossíveis: reduzir emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis apurados em 2005, até 2025, e em 43%, em 2030. Para viabilizar tais metas, nos propusemos, em síntese, a cumprir o seguinte até 2030: aumentar a participação de bioenergia em 18% e alcançar 45% de energias renováveis em nossa matriz energética, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.

Cabe ponderar que nossos objetivos colocam-se num patamar de exigência mais elevado em relação a outros países, pois já preservamos florestas e matas nativas em propriedades particulares, conforme lei e, sobretudo, em decorrência da consciência ecológica crescente dos produtores rurais. Além disso, devido à grande produção de etanol e biodiesel, já havíamos avançado de maneira expressiva na “limpeza” de nossa matriz energética. Não computamos no Acordo de Paris tais progressos que já havíamos promovido anteriormente. Muitas nações sequer cumpriram esses quesitos essenciais, mas, ao fazê-lo, ganharão percentuais expressivos de redução das emissões de carbono.

A despeito dessa situação de injusto desequilíbrio, podemos, sim, cumprir os compromissos que assumimos, pois o sucesso nesse desafio será muito importante para nosso desenvolvimento, independentemente de nossa relevante contribuição ecológica para o futuro da humanidade. Significa imensa oportunidade de investimentos e geração de empregos, como se observa, por exemplo, na Política Nacional de Biocombustíveis – RenovaBio (Lei 13.576/2017), que já propicia ganhos de produtividade e eficiência. Deve-se, ainda, descartar qualquer hipótese de internacionalização da Amazônia, temida por nosso governo, que não é cogitada no Acordo de Paris ou em qualquer outro documento oficial.

O Brasil tem plenas condições de ser protagonista na luta contra as mudanças climáticas, realizando um projeto de economia limpa harmônico e indutor do crescimento sustentado.

*João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP), é vice-presidente do Conselho de Administração da Usina São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).

Fonte: Jornal Contábil

Bioenergia pode ajudar a conter as mudanças climáticas, diz ONU

No entanto, o aumento desordenado da produção de culturas energéticas pode degradar a terra, impactar a segurança alimentar e o uso de recursos hídricos

A bioenergia pode ajudar na mitigação das mudanças climáticas globais contribuindo para diminuir a queima de carvão, petróleo e gás natural para geração de energia e, consequentemente, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.

Pesquisadores brasileiros e estrangeiros que têm estudado o assunto defendem ser possível expandir o uso de bioenergia sem degradar o solo, comprometer a segurança alimentar ou os recursos hídricos.

O tema foi abordado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) no seu mais recente relatório especial, lançado no dia 8 de agosto com o tema “Mudanças climáticas e uso da terra”, e em seu respectivo sumário para os formuladores de políticas.

A abordagem do relatório sugere que, entre cientistas e negociadores de governos, o antagonismo entre a produção de biocombustíveis e o cultivo de alimentos começa a se dissipar.

Mas ressalva que o aumento generalizado e desordenado da produção de bioenergia no mundo pode resultar em uma grande expansão de áreas de cultivo de culturas energéticas em detrimento do cultivo de alimento, além de aumentar o uso de água para irrigação.

“Alguns cenários do IPCC apontam que, com o aumento da demanda por energia, poderia ocorrer um incremento de mais de 25 milhões de hectares por ano da área voltada ao cultivo de culturas para produção de bioenergia no mundo. Isso poderia pressionar áreas de vegetação nativa ou voltadas à produção de alimentos”, disse Luís Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e um dos autores do capítulo transversal sobre bioenergia e tecnologias de captura e armazenamento de CO2 – as chamadas BECCS (Bionergy Carbon Capture and Storage) – em cenários de mitigação, à Agência FAPESP.

“Mas, para chegar a taxas de expansão de uso da terra para bioenergia dessa ordem, precisaria ter um mercado internacional pujante, que pagasse não só por esse tipo de energia, mas também pelo serviço ambiental de captura e armazenamento do carbono. E isso ainda é muito incipiente”, ponderou Barioni. (Leia mais em http://agencia.fapesp.br/31178/).

Ação de cientistas brasileiros

A declaração final sobre o papel da bioenergia no combate às mudanças climáticas no sumário para tomadores de decisão reflete a ação de diplomatas e funcionários do governo brasileiro, apoiados a distância por cientistas, na reunião do IPCC, em Genebra, na Suíça.

Durante o evento, os delegados nacionais de 190 países discutiram o texto até entrar em um acordo para que o documento pudesse ser fechado, de acordo com Gláucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

A versão preliminar do sumário refletia de modo impreciso as conclusões do relatório e apresentava restrições controversas e enviesadas em relação à bioenergia, afirmam pesquisadores brasileiros que acompanharam as discussões a distância.

“O sumário apresentava dados que só depreciavam a bioenergia, baseados em valores equivocados de produtividade e de área necessária para produzir biocombustíveis para atender as necessidades da transição energética global”, acrescentou Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp).

Fonte: Exame

Veja como o aquecimento global impacta na saúde das populações

Câimbras, desidratação e aumento da mortalidade são entre as consequências do superaquecimento da Terra

Os sinais são difíceis de ignorar. Ondas de calor levando a temperaturas recordes na Europa. Geleiras no Alasca derretendo cem vezes mais rápido do que se esperava. Invernos durando menos. Um planeta que atingiu, neste ano, o esgotamento de seus recursos naturais anuais em 29 de julho – o mais cedo em toda a série histórica. Julho de 2019, aliás, pode ter sido o mês mais quente da história, conforme estimativa da Organização Meteorológica Mundial (OMM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Tudo isso está associado às mudanças climáticas. Um estudo liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, apontou que eventos como esses seriam até cem vezes menos prováveis caso o aquecimento global não existisse.

Esse mesmo estudo, divulgado no início do mês, sinaliza o quanto o problema afeta a cada um de nós.

— A mortalidade é maior em dias e noites mais quentes. Planos de ação podem mitigar os riscos das ondas de calor, mas precisamos pensar adiante — diz Karsten Haustein, pós-doutorando no Instituto de Mudança Ambiental de Oxford.

O tema une instituições de distintos setores: Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT), Banco Mundial, ONU, todos têm alertado sobre os perigos das mudanças climáticas.

— Se não agirmos contra a mudança climática agora, esses eventos extremos serão só a ponta do iceberg. É uma corrida que podemos e devemos vencer — disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em coletiva de imprensa em Nova York, no início deste mês, sobre o tema.

Fonte: Gaúchazh

Milhares de universidades se comprometem contra mudanças climáticas

Milhares de universidades de todos os continentes se comprometeram, nesta quarta-feira, a participar da luta contra o aquecimento global, ao se unirem à ONU para um plano de ação que também deve mobilizar seus estudantes.

Sob o lema “Emergência Climática”, cerca de sete mil instituições fecharam um acordo para alcançar a neutralidade de carbono entre 2020 e 2050, a mobilizar mais recursos para a pesquisa e o desenvolver a educação ambiental.

“O que ensinamos modela o futuro”, destacou Inger Andersen, diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Andersen saudou a adoção do plano, apresentado durante uma reunião ministerial na sede da ONU em Nova York.

O princípio da neutralidade do carbono significa que não se deve emitir mais gases de efeito estufa do que a sua capacidade de absorção.

“Os jovens estão cada vez mais na vanguarda dos apelos por uma maior ação face aos desafios climáticos e ambientais. As iniciativas que envolvem diretamente os jovens neste trabalho crítico constituem uma contribuição preciosa”, acrescentou.

Os idealizadores da iniciativa esperam reunir até o fim deste ano um total de dez mil instituições universitárias ao plano de “Emergência Climática”.

Fonte: Istoé Dinheiro

Grandes cidades do mundo enfrentarão condições climáticas ‘desconhecidas’ até 2050

Um quinto das grandes cidades do mundo enfrentará condições climáticas “desconhecidas” até 2050, disseram pesquisadores nesta quarta-feira, já que as temperaturas em elevação aumentam os riscos de secas e inundações.

Cientistas de clima do Crowther Lab, grupo de pesquisa da ETH Zurich, uma universidade de ciência e tecnologia, analisaram 520 cidades de todo o globo, incluindo todas as capitais e a maioria dos centros urbanos com uma população de mais de 1 milhão de habitantes.

Considerando as condições climáticas atuais destas cidades –inclusive dados sazonais e de precipitação–, os cientistas projetaram o que acontecerá se as temperaturas subirem outro meio grau, aproximando-se do piso da meta de 1,5º Celsius estabelecida no Acordo de Paris de 2015 sobre a mudança climática.

O relatório mostrou que 22% das cidades terão condições climáticas inéditas até 2050, como estações de seca e de monções mais intensas, disse Jean Francis-Bastin, seu principal autor.

“É uma mudança de condições climáticas que provavelmente aumentará o risco de inundações e secas extremas”, explicou ele à Thomson Reuters Foundation. “São condições desconhecidas.”

Quase 70% da população mundial deve estar morando em áreas urbanas até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas muitas cidades, especialmente em nações mais pobres, enfrentam desafios consideráveis, como populações grandes e crescentes em favelas que carecem de serviços básicos e correm um risco cada vez maior de desastres climáticos.

Conforme o Acordo de Paris, que foi ratificado por mais de 200 países, governos prometeram manter o aquecimento global “bem abaixo” dos 2ºC acima dos tempos pré-industriais e buscar um limite menor de 1,5ºC.

Limitar a elevação das temperaturas globais a 1,5ºC evitaria perdas econômicas de 12 trilhões de dólares até 2050, ainda de acordo com a ONU.

Cientistas do Crowther Lab disseram que o estudo, publicado no periódico científico PLOS ONE, foi a primeira análise global das alterações prováveis nas condições climáticas de grandes cidades resultantes do aquecimento global.

O estudo revelou que 77% das cidades que analisou testemunharão uma mudança notável nas condições climáticas até 2050.

Cidades de regiões tropicais, que provavelmente sofrerão os impactos mais fortes da mudança climática, terão alterações menores na temperatura média, disse o estudo.

Fonte: Extra

Poluição é cada vez mais letal – até mais do que tabagismo

Autores do estudo calculam que até 8,8 milhões de mortes ocorridas no mundo anualmente podem ser atribuídas ao ar sujo, enquanto fumo matou 7,2 milhões, em 2015, segundo ONU

O número de pessoas que morrem em consequência da poluição do ar pode exceder o número de mortes por tabagismo, indica um estudo de pesquisadores da Alemanha e do Chipre. O estudo, publicado na revista European Heart Journal em março, se concentrou no ozônio e nas menores partículas poluentes, conhecidas como PM2,5. Ambos são os que mais afetam a saúde porque penetram nos pulmões e podem até chegar à corrente sanguínea.

Os autores do estudo calculam que até 8,8 milhões de mortes ocorridas no mundo anualmente podem ser atribuídas ao ar sujo. “Isso significa que a poluição do ar causa mais mortes extras por ano do que o tabagismo, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima ser responsável por mais de 7,2 milhões de mortes em 2015”, disse o professor Thomas Munzel, do Centro Médico da Universidade de Mainz e um dos autores do estudo.

Terra deverá abrigar 10,9 bilhões de pessoas em 2100, afirma a ONU

Um relatório da ONU divulgado hoje alerta que a população da Terra poderá chegar a 10,9 bilhões de pessoas até 2100 – um acréscimo de mais de 3 bilhões de pessoas que poderia esgotar ainda mais os recursos naturais do planeta e acelerar o aquecimento global, de acordo com o site noticioso NBC News. Em 2050, o número total de humanos deverá ser de 9,7 bilhões

Apesar de a previsão indicar que a população da Terra chegará aos 11 dígitos em 2100, ela representa uma reversão no que se refere à última avaliação da ONU, divulgada em 2017. Segundo esse estudo, atingiríamos 11,7 bilhões de pessoas no fim do século.

O aumento populacional vem ocorrendo mesmo com o declínio contínuo observado na taxa mundial de natalidade, que caiu de 3,2 nascimentos por mulher em 1990 para 2,5 nascimentos por mulher neste ano. Ainda assim, a tendência de aumento prevalecerá.

Os autores do novo estudo afirmam que o crescimento mais rápido provavelmente terá lugar na África Subsaariana, que deverá dobrar sua população nos próximos 30 anos. A Índia deverá ultrapassar a China e se tornará o país mais populoso do mundo por volta de 2027.

Atualmente com 1,43 bilhão de habitantes, a China deverá observar até o meio do século um encolhimento de 2,2% na sua população. Outros 54 países deverão ter retração populacional nos próximos 30 anos, entre eles Japão, Lituânia, Bulgária e Ucrânia.

Embora sob o governo de Donald Trump os Estados Unidos tenham assumido uma posição radicalmente contrária à imigração, o relatório prevê que a população do país subirá de 329 milhões de pessoas em 2019 para 434 milhões de pessoas até o fim do século – basicamente por conta do aumento projetado devido aos imigrantes.

O estudo alerta que, como o maior aumento deverá aparecer nas regiões mais pobres do mundo, seu impacto será mais severo em relação a temas como fome e deslocamento populacional. Além disso, mais pessoas demandam uma exploração maior dos já exauridos recursos naturais.

A emergência climática também deverá ser agravada com esse quadro. Em algumas regiões, o aumento da população significa que mais pessoas estarão vulneráveis à elevação dos mares, a condições meteorológicas extremas e à disseminação de doenças infecciosas, que podem ser intensificadas pelas mudanças no clima.

“Nosso impacto no clima está ligado à população de muitas maneiras diferentes – que recursos as pessoas estão usando, quanta produção industrial está acontecendo, quanta energia é necessária para aquecimento, resfriamento e transporte”, observa Amy Snover, diretora do Grupo de Impactos Climáticos da Universidade de Washington. “Todas essas coisas afetam as emissões de gases de efeito estufa, então quanto mais pessoas temos e mais recursos usamos, mais difícil será lidar com os riscos e impactos da mudança climática.”

Os hábitos de consumo no mundo também são importantes em termos de crise climática, e estão longe de ser uniformes em todos os países.

“Há uma grande desconexão entre o crescimento populacional e o consumo maior”, afirma Corey Bradshaw, diretor do Laboratório Global de Ecologia da Universidade Flinders, na Austrália. Ou seja: o estilo de vida de pessoas de países desenvolvidos é mais prejudicial ao meio ambiente do que a média das pessoas na África Subsaariana. Isso significa que o rápido crescimento populacional na África não será tão prejudicial ao meio ambiente quanto um aumento populacional similar seria nos EUA, por exemplo.

Ainda não há consenso científico sobre qual seria o limite para o número de pessoas que o planeta pode sustentar. Segundo Bradshaw, porém, os 7,7 bilhões de pessoas que habitam a Terra agora podem já estar empurrando o planeta para um ponto de ruptura. “Mesmo se mantivéssemos o status quo atual e nem uma única molécula de carbono fosse liberada por causa da atividade humana, ainda veríamos os efeitos da mudança climática por pelo menos 300 anos a partir das emissões que já estão no sistema”, avalia.

Fonte: Revista Planeta

Reunião preparatória para COP25 começa sob alerta de emergência climática

O SB50, a reunião preparatória para a conferência do clima de Santiago (COP25), começou nesta segunda-feira (17) em Bonn, Alemanha, com o tradicional descasamento entre a urgência em atacar a crise do clima e a modorra das discussões técnicas.

A urgência foi reforçada na última sexta-feira por uma das poucas lideranças ambientais que sobraram no planeta após a ascensão da extrema-direita: o papa Francisco. O chefe da Igreja Católica se reuniu com investidores da indústria fóssil em Roma e declarou que o mundo está numa “emergência climática” e que falhar em agir imediatamente seria “um brutal ato de injustiça com os pobres e as futuras gerações”.

A mensagem papal foi ecoada pela secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, a mexicana Patricia Espinosa. Numa entrevista coletiva após a abertura da reunião, ela voltou a usar a expressão “emergência climática” e disse que o mundo precisa começar a agir imediatamente para se tornar carbono neutro em 2050. “Nós estamos literalmente numa emergência climática e esta é a batalha das nossas vidas”, disse. “A única opção que temos hoje é caminhar para um futuro de baixas emissões.”

Espinosa também fez referência indireta ao movimento de estudantes iniciado pela adolescente sueca Greta Thunberg, e que já levou a duas greves globais pelo clima. Em maio, 1,5 milhão de crianças e jovens foram às ruas em 120 países, inclusive no Brasil, para repetir a mensagem que Thunberg deu a líderes globais no Fórum Econômico Mundial: “Nossa casa está pegando fogo e eu quero que vocês entrem em pânico”.

“Se seu filho chega na cozinha e diz que tem um incêndio na casa todo mundo vai tomar providências. É isso o que os jovens estão dizendo hoje”, afirmou Espinosa.

Greta Thunberg no parlamento europeu. Foto: European Parliament/Flickr.

A primavera na antiga capital alemã se despede com forte calor: nesta terça-feira a previsão é de que a temperatura chegue a 30ºC. Dentro das salas de reunião onde os diplomatas conduzem as negociações técnicas, porém, o clima é morno, quase frio. A Arábia Saudita já começou o encontro querendo impedir que o relatório do IPCC sobre aquecimento global de 1,5ºC (aquele que diz que temos apenas 11 anos para evitar que a estabilização das emissões em 1,5ºC seja perdida) fosse discutido em Bonn.

Por pressão saudita, americana e venezuelana, o relatório acabou não sendo acolhido no livro de regras do Acordo de Paris, negociado no ano passado na Polônia. Há em Bonn a intenção de dar mais destaque ao alerta dos cientistas na implementação do acordo, que será objeto da COP25. Os árabes não querem. Mas Argentina, Brasil e Uruguai fizeram uma manifestação defendendo a discussão do documento e ganharam a parada.

Os debates em Bonn serão travados em torno de dois temas principais. Um é o financiamento ao combate à mudança do clima. O mundo está a um ano do prazo para os países desenvolvidos começarem a botar US$ 100 bilhões por anos em finança climática a partir de 2020. “Nem todos cumpriram a promessa, então precisamos lembrá-los do compromisso porque estamos a apenas um ano da meta”, disse Espinosa.

O segundo e mais conflituoso tema é o dos mercados de carbono, principal item do livro de regras do Acordo de Paris que ficou sem conclusão. No ano passado, na COP de Katowice (Polônia), esse item, previsto no artigo 6 do Acordo de Paris, foi bloqueado pelo Brasil, o que estendeu a COP24 em dois dias. Terminou em impasse e com o Brasil sendo visto como vilão nesse tema. O principal resultado esperado de Bonn é avançar na negociação técnica do artigo 6 para que ele possa ser adotado na COP de Santiago.

“Pelo Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, qualquer país, governo local ou mesmo empresa que adote ações de redução de emissões pode vender esse resultado como crédito de carbono.”

A briga está em torno do item 4 do artigo 6, que cria o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um substituto para o MDL, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, acordo antecessor de Paris. Pelo MDS, qualquer país, governo local ou mesmo empresa que adote ações de redução de emissões pode vender esse resultado como crédito de carbono.

O Brasil diz que esses resultados devem ser adicionais, ou seja, avançar além, das metas nacionais (NDCs) submetidas à Convenção do Clima. Mas tem se recusado a admitir que compradores desses créditos façam os chamados “ajustes correspondentes” em suas metas para evitar dupla contagem. Alguns países têm acusado o Brasil de querer com isso empurrar créditos do MDL, de que o Brasil era um grande vendedor, para o MDS. Os negociadores brasileiros dizem que estão interessados apenas na integridade ambiental do mecanismo.

Falando nesta segunda-feira em nome do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), o chefe da delegação brasileira, Leonardo Cleaver, disse que o grupo está interessado em concluir em Santiago a negociação do artigo 6, de forma a “mandar uma mensagem forte para o setor privado”. Ele afirmou, porém, que está faltando em Bonn um compromisso mais firme dos países desenvolvidos com o financiamento climático, conhecido no jargão diplomático pela expressão “meios de implementação”. “Falar de ambição sem prover meios de implementação é um ato oco.”

Fonte: O Eco

É possível engajar nações reticentes na luta ambiental, diz enviado da ONU

Foi numa sala do Fasano, um dos mais chiques hotéis do Rio de Janeiro, que Carlo Pereira, o secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, fez o apelo: “Não temos mais tempo nem dinheiro para ficar discutindo em salas. A gente no Brasil gosta muito de cartas, movimentos, compromissos. Mas acho que as empresas estão clamando por ação”.

Lá reunidos estavam representantes do empresariado brasileiro e o enviado especial da ONU para uma cúpula climática que a organização promoverá em sua sede, em Nova York, daqui a três meses. E o mexicano Luis Alfonso de Alba, adiantou Pereira, queria “mais ouvir do que falar”.

Falou um bocado, é verdade, como ao apontar que uma onda de furacões fez o Caribe perder num único dia o equivalente a um ano de seu PIB, e óbvio que as mudanças climáticas tinham tudo a ver com a força dos ventos.

Mas também escutou demandas do setor que contrastavam com seu discurso otimista de que chegou a hora de todos entenderem que não é mais uma questão de “se”: os reveses do aquecimento global já estão entre nós.

Tá, ponderaram alguns na sala: mas e se mesmo assim os governos resistissem a aderir à agenda ambiental? Os Estados Unidos, afinal, já deram adeus ao Acordo de Paris, que estabelece metas voluntárias para países signatários reduzirem emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa.

O Brasil de Jair Bolsonaro também flertou com a ideia, fora ter desistido de sediar a COP25, conferência anual da ONU para negociar a implementação do Acordo de Paris –que agora ocorrerá no Chile– e quase desistir de sediar um encontro em Salvador pré-COP 25 –o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a dizer que a reunião seria só uma bela oportunidade de comer acarajé.

Vamos ser realistas, argumentaram os convidados. Marina Rocchi, da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), pinçou uma sugestão de Alba sobre taxar mais o Texas pelo excedente de poluição. Ora, não dá para chegar ao empresário brasileiro falando em aumentar impostos. “Não estamos pedindo mais uma taxa, e sim um mercado de carbono.”

Dica a Alba: incentive a indústria a poluir menos em vez de mencionar novo encargo. “Assim você terá mais chance de ter o Brasil e o setor privado ao seu lado”, disse Rocchi, que propôs ainda que a ONU inclua, além do Ministério do Meio Ambiente, também o da Economia na discussão.

Cláudia Jeunon, da Invepar, gestora privada de mobilidade urbana que cuida do aeroporto de Guarulhos e do metrô do Rio, alertou: ambientalistas pregam muito para convertidos. Se ela troca uma ideia com um engenheiro ou químico, eles não sabem como produzir e ser sustentável ao mesmo tempo. Por que não mexer no currículo de cursos da área? Assim se introduziria já na base a necessidade de fazer as coisas de forma diferente.

O enviado da ONU disse à Folha que é possível engajar mesmo as nações mais resistentes na luta verde. Os EUA, por exemplo, podem até dizer que abandonarão o Acordo de Paris. Mas há parcerias locais e temas específicos que podem envolver os americanos, como a busca por novas fontes energéticas.

No próximo dia 30, a ONU realizará um encontro em Abu Dhabi para levantar uma espécie de inventário de propostas concretas para lidar com a crise climática, afirmou Alba.

E o setor privado é um parceiro cobiçado neste momento, disse à reportagem Carlo Pereira. “Já faz um tempo que a ONU está se abrindo a ele. Com a globalização, as empresas ganharam muito poder.”

Se listarmos os 200 gigantes mundiais comparando PIBs e receitas, 157 serão empresas, e não países, apontou o coordenador da Rede Brasil do Pacto Global, uma iniciativa criada em 2000 pela ONU para aproximar corporações de suas causas.

Os EUA ainda lideram o ranking, e a maior empresa do mundo em receitas é o Walmart, que supera nações como Portugal. A soma do faturamento das dez maiores do mundo, aliás, é maior do que a economia dos 180 países mais pobres do mundo.

Pereira até reconhece que o lema do Pacto Global é um pouco, digamos, florido demais (“empresas como força do bem”). Mas a colaboração delas pode ser crucial. “Quem vota [na ONU] são os Estados, mas as empresas influenciam.”

Além de financiamento e lobby político, as corporações (“que não deixam de ser os grandes emissores”) podem contribuir com tecnologia, inovação e capilaridade, afirmou. “Tem grupo industrial no Brasil presente em mil cidades. Quem mais consegue isso?”

Não que o empresariado vá comprar a causa só porque ela é “bonitinha”. Ele é pragmático também. “Quando Donald Trump veio com a discussão de retomar o carvão, a indústria não mexeu um centímetro, porque ninguém mais compra.”

Fonte: Folha de S.Paulo

‘O Meio Ambiente precisa ser preservado de forma integrada’

Semana alusiva ao tema reforça necessidade de engajamento da população

A Semana do Meio Ambiente começa para reforçar ainda mais o apelo pela preservação dos recursos naturais. Neste ano, a “Poluição do Ar” é o tema definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado na próxima quarta-feira, dia 5. No entanto, em meio a um cenário de poluição e degradação cada vez mais preocupante, torna-se mais do que necessário evidenciar o alerta e o pedido de engajamento da população para o cuidado com todo o Planeta Terra.

O Comitê da Bacia do Rio Araranguá e Afluentes Catarinenses do Rio Mampituba é responsável pela gestão dos recursos hídricos. Porém, para ser bem sucedido, esse trabalho caminha lado a lado com a preservação dos demais setores do meio ambiente.

“É preciso proteger o solo, porque em algum momento vai ter chuva, um alagamento, e a contaminação da terra acabará indo para os rios, poluindo as águas. Neste ciclo, quando acontece a evaporação, alguns produtos e reagentes também são transportados para o ar, causando a poluição atmosférica, que por sua vez acaba influenciando na qualidade da água da chuva, muitas vezes a tornando ácida”, explica a assessora técnica do Comitê Araranguá, engenheira ambiental Michele Pereira da Silva.

De acordo com a ONU Meio Ambiente, no mundo, aproximadamente sete milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar. Por isso, o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2019 incentivará governos, indústria, comunidades e indivíduos a se unirem para explorar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em cidades e regiões de todo o planeta.

“E toda essa poluição que vai para o ar, a partir do momento em que existe uma chuva, acaba chegando também no solo e na água, pela composição das partículas, das gotas. Daí a importância do envolvimento da população na busca pela proteção dos recursos naturais como um todo. Essas datas comemorativas são oportunidades que encontramos para reforçar o apelo, é um momento que se discute a necessidade de o meio ambiente ser pensado de maneira integrada”, reforça o presidente do Comitê Araranguá, Luiz Leme.

O importante papel da sociedade

Ainda conforme a ONU Meio Ambiente, 92% das pessoas em todo o mundo não respiram um ar limpo e essa poluição atmosférica custa à economia global o equivalente a 5 trilhões de dólares por ano. Além disso, a estimativa da Organização das Nações Unidas é que poluição do solo pelo ozônio deverá reduzir os rendimentos de cultivos básicos em 26% até 2030.

“Por isso que não podemos pensar na preservação do meio ambiente de forma isolada. Claro que buscamos melhorar a qualidade da água e proteger os recursos hídricos, mas em um cenário como o atual, também é necessário alertar a população de que não é só economizar água ou deixar de jogar sujeira nos rios, mas de que, além disso, é preciso evitar o derramamento de óleo que vai se infiltrar no solo por meio das chuvas, promover a reciclagem e destinação correta do lixo, andar menos de carro e optar por energias mais renováveis. Com uma maior sensibilização da sociedade, essas ações passam a ser incorporadas no dia a dia das pessoas e aplicadas o ano inteiro”, exemplifica a assessora técnica.

A intenção, com a Semana do Meio Ambiente, é que a população compreenda a importância do seu papel, que vai além da cobrança e fiscalização do poder público. “Não posso sempre pensar que alguém precisa resolver o problema, cada pessoa tem que se autoanalisar e pensar em quais atitudes na sua rotina impactam negativamente na Terra. Não temos outro planeta para habitar ou enviar os nossos resíduos, precisamos buscar reduzir a quantidade do que é gerado, para que possamos ter uma boa qualidade de vida, sempre cuidando não só da geração atual, mas também das futuras”, acrescenta o presidente do Comitê.

Programação ao longo da semana

Pensando em levar informações à maior quantidade de pessoas possível, o Comitê Araranguá participará de diversas ações nos próximos dias. Com destaque para a programação de atividades alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, na próxima quarta-feira, dia 5, das 9h às 17 horas, no Calçadão do Centro de Araranguá.

No mesmo dia, a partir das 19 horas, acontecerá o II Seminário sobre Licenciamento Ambiental, no auditório do Center Shopping, também em Araranguá. Ambas as ações serão realizadas em parceria com o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Fundação do Meio Ambiente (FAMA), Administração Municipal, Conselho Ambiental (Coama) e Lions Clube do município.

Já na sexta-feira, dia 7, o presidente do Comitê, acompanhado da secretária Executiva, professora Yasmine de Moura da Cunha, palestrarão na 1ª Conferência de Meio Ambiente de Sombrio, sobre a importância de um Plano Municipal de Recursos Hídricos. O evento ocorrerá das 13 horas às 17h30min, no Centro Integrado da III Idade.

Fonte: Engeplus

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