Cientistas mostram impacto na saúde como apelo à crise climática

Em dezembro, um relatório da OMS apontou que combater a crise climática salvaria pelo menos um milhão de vidas por ano, tornando-se um imperativo moral agir

Um relatório de especialistas de 27 academias nacionais de ciência mostrou o dano generalizado que o aquecimento global já está causando na saúde das pessoas e os impactos cada vez mais graves esperados no futuro.

Ondas de calor escaldantes e inundações vão exigir mais vítimas, à medida que o clima extremo aumenta, mas também há sérios efeitos indiretos, desde a disseminação de doenças transmitidas por mosquitos até o agravamento da saúde mental.

No entanto, também houve grandes benefícios da ação para reduzir as emissões de carbono, constatou o relatório, especialmente o corte de 350.000 mortes prematuras por poluição do ar todos os anos na Europa causadas pela queima de combustíveis fósseis. “Os benefícios econômicos da ação para abordar os efeitos atuais e futuros da mudança climática na saúde provavelmente serão substanciais”, concluiu o relatório.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou em novembro que a crise climática já era uma crise de saúde. “Não podemos atrasar a ação sobre a mudança climática”, disse ele. “Não podemos mais passar por essa emergência de saúde.” Em dezembro, um relatório da OMS disse que combater a crise climática salvaria pelo menos um milhão de vidas por ano, tornando-se um imperativo moral agir.

O novo relatório, “O Imperativo da Ação Climática para Proteger a Saúde Humana na Europa”, avaliou as evidências científicas dos efeitos do aquecimento global na saúde.
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Condições climáticas extremas, como ondas de calor, inundações e secas, têm impactos diretos de curto prazo, mas também afetam as pessoas a longo prazo. “Os efeitos da saúde mental incluem transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, abuso de substâncias e depressão”, diz o relatório.

Os cientistas também estavam preocupados com o efeito do clima extremo na produção de alimentos, com estudos mostrando um corte de 5 a 25% no rendimento das culturas básicas na região do Mediterrâneo nas próximas décadas. Mas o relatório disse que mesmo pequenos cortes na ingestão de carne podem levar a cortes significativos nas emissões de carbono, bem como benefícios à saúde.

O relatório antecipa a propagação de doenças infecciosas na Europa à medida que as temperaturas aumentam, e aumenta a variedade de mosquitos que transmitem dengue, e carrapatos que causam a doença de Lyme. A intoxicação alimentar também pode aumentar, uma vez que as bactérias salmonelas prosperaram em condições mais quentes, segundo o relatório. Ele também encontrou pesquisas sugerindo que a resistência a antibióticos em E. coli aumenta em condições mais quentes.

“Estamos expondo toda a população mundial às mudanças no clima, e isso é claramente muito preocupante, já que estamos nos movendo para um território inexplorado”, disse Haines, professor de mudança ambiental e saúde pública da Escola de Higiene e Saúde de Londres. Remédio Tropical.

“Estamos sujeitando os jovens e as gerações futuras a esses riscos crescentes [de saúde] por muitas centenas de anos, se não milênios”, disse ele. “Temos que tentar minimizar os efeitos e avançar para uma economia de baixo carbono”.

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“Pensamos que reformular a mudança climática como um problema de saúde pode ajudar a envolver o público porque a maioria das pessoas não está apenas preocupada com sua própria saúde, mas com a saúde de seus entes queridos e seus descendentes.

“Achamos que essa é uma maneira de mobilizar o público e aumentar a preocupação de maneira construtiva e aumentar o impulso para a mudança.”

As emissões globais de carbono ainda estão aumentando, mas cientistas afirmam que cortes rápidos e profundos são necessários para limitar os aumentos de temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais e evitar os piores impactos.

Fonte: Jornal GGN

Novo estudo mostra que mudanças climáticas já provocam danos sérios à saúde humana

Um novo relatório, desta vez elaborado por especialistas de 27 academias de ciência europeias reunidas num conselho chamado Easac pinta com tintas ainda mais fortes o impacto que o aquecimento global provoca na saúde dos seres humanos. Para o futuro, segundo os cientistas, há de se esperar que as ondas de calor e as secas, cada vez mais intensas e frequentes, disseminem mais doenças transmitidas por mosquitos. E chegará a expandir problemas de saúde mental provocados pelo estresse de lidar com uma situação que absolutamente não é favorável a um bem estar humano.

“Há impactos ocorrendo agora. E, no próximo século, a mudança climática deve ser classificada como uma das mais sérias ameaças à saúde”, disse à reportagem do “The Guardian” o professor Andrew Haines, co-presidente do Easac, um dos cientistas que assina o relatório.

Esta não é a primeira vez que um alerta deste tipo é soado por quem estuda o assunto. Em novembro do ano passado, 150 especialistas de universidades e instituições europeias, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial, lançaram um relatório em que fica claro que a saúde das pessoas já estava sendo ameaçada pelas ondas de calor na Europa e pelo aumento dos casos de dengue nos trópicos. As duas condições são causadas pelo aquecimento global, como provam os cientistas.

“O valor dos ganhos em saúde decorrentes da ação climática seria aproximadamente o dobro do custo das políticas de mitigação em nível global, e a relação custo-benefício é ainda maior em países como a China e a Índia”, dizia o relatório, acrescentando que a poluição do ar causa sete milhões de mortes a cada ano, como já ficara comprovado no estudo que haviam lançado em maio de 2018.

A conclusão de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, é que o Acordo de Paris, conseguido em 2015 durante a COP-21 e que pretende ser um tratado entre as nações para conter o aquecimento global em 1,5 grau é, potencialmente, o mais forte acordo de saúde deste século.

Voltando ao relatório que foca na saúde dos europeus, a conclusão é que bilhões de horas de trabalho agrícola foram perdidas durante as altas temperaturas que têm castigado a região. O aquecimento global prejudicou, também, a capacidade de cultivo.

“As regiões mais atingidas foram o Ártico e o Mediterrâneo, causando consequências no resto da Europa”, diz o estudo.

Além de tudo isso, o impacto na saúde dos humanos é alto. Os cientistas que assinam o relatório admitem que há ações de mitigação já pensada sob o escopo da saúde, mas são fracas. É preciso, alertam, que todas as iniciativas propostas, não só de adaptação como de mitigação dos impactos da mudança climática, sejam pensadas de forma casada, ligando dados climáticos com dados de saúde.

Neste sentido, a diretora de Saúde Pública, Determinantes Sociais e Ambientais da OMS, Maria Neira, já havia dito, no fim do ano passado, que “Quando a saúde é levada em conta, a mitigação das mudanças climáticas é uma oportunidade, não um custo”.

“O verdadeiro custo da mudança climática é sentido em nossos hospitais e em nossos pulmões. Temos fontes de energia tão poluidoras que fazer escolhas mais limpas e sustentáveis para o fornecimento de energia, hoje, acaba sendo uma forma de investimento em saúde”, disse ela.

Como sempre acontece quando se fala sobre desenvolvimento sustentável, aqui também está tudo interligado. Quando uma cidade opta por valorizar mais as ciclovias do que ruas asfaltadas, dando aos ciclistas, é claro, condições para utilizá-las de maneira segura, ela não só está ajudando a baixar o nível de CO2 no ambiente como também está estimulando atividades físicas, o que pode ajudar a prevenir doenças como diabetes, câncer e doenças cardíacas.

Infelizmente, porém, mesmo com tantos alertas, ainda está difícil convencer do óbvio, o que se observa no dado, também disponibilizado pela OMS, de que que somente cerca de 0,5% dos fundos multilaterais para o clima foram alocados para projetos de saúde. As pequenas nações-ilha do Oceano Pacífico, por exemplo, que contribuem com 0,03% das emissões de gases de efeito estufa, não têm um plano de saúde ligado às mudanças climáticas, como seria crucial para seu povo.

É preciso pensar coletivamente, é preciso adotar políticas públicas que sejam capazes de enfrentar este enorme desafio. E o que não faltam são dados científicos que podem ajudar a tomar tais decisões. Luiz Marques, em seu livro “Capitalismo e Colapso Ambiental” (Ed. Unicamp), lembra que desde 2001 (ao menos), 34 Academias Nacionais de Ciência, três Academias regionais e o International Council of Academies of Engineering and Technological Sciences fizeram declarações oficiais, confirmando o caráter preponderantemente antrópico das mudanças climáticas e exortando as nações a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Prova significativa dos danos da poluição

EM CRIANÇAS

Dados de 205 pesquisas mostram efeitos fisiológicos e psicológicos

Um estudo realizado por cientistas do Centro de Saúde Ambiental Infantil da Colômbia reuniu um número significativo de evidências dos efeitos prejudiciais da poluição do ar na saúde de crianças. O artigo, publicado recentemente na revista especializada Environmental Research, é a primeira revisão abrangente sobre o tema e revela os impactos da combustão dos combustíveis fósseis em meninos e meninas, incluindo o comprometimento do desenvolvimento cognitivo e a maior vulnerabilidade a cânceres.

“Há uma extensa evidência sobre os muitos danos da poluição do ar na saúde das crianças. Nosso trabalho apresenta essas descobertas de uma maneira que é conveniente ao apoio de políticas de ar limpo e de mudanças climáticas que protejam a saúde delas”, frisa Frederica Perera, diretora do centro e professora de ciências da saúde ambiental.

A equipe revisou 205 estudos publicados entre 1º de janeiro de 2000 e 30 de abril de 2018, que tinham informações sobre a relação entre a concentração de exposições a poluentes do ar e os efeitos na saúde. Os estudos referem-se a subprodutos da queima de combustíveis, como material particulado (PM2.5), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH) e dióxido de nitrogênio (NO2) – todos tóxicos para o corpo humano.

Uma tabela desenvolvida pelos autores fornece informações sobre o risco à saúde para cada tipo de exposição, com base nas pesquisas que abrangeram seis continentes. Eles acreditam que o modelo pode influenciar na decisão de medidas voltadas para o púbico específico. “As políticas para reduzir as emissões de combustíveis fósseis têm dois propósitos: diminuir a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas, com benefícios econômicos e de saúde combinados. Mas como apenas alguns resultados adversos em crianças são considerados, os formuladores de políticas públicas ainda não enxergam a extensão dos benefícios potenciais das políticas de ar limpo e de mudança climática particularmente para a infância”, explica Frederica Perera.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 40% da carga de doenças relacionadas ao meio ambiente e cerca de 90% da carga da mudança climática são suportadas por crianças que têm no máximo 5 anos de idade, embora essa faixa etária constitua apenas 10% da população mundial.

Gravidez interrompida

Pesquisadores da Universidade de Utah Health descobriram que as mulheres têm o risco de sofrer um aborto espontâneo aumentado em 16% após a exposição de curto prazo à elevada poluição do ar. O estudo considerou dados de mais de 1.300 voluntárias, com em média 28 anos e atendidas em hospitais do estado americano devido à interrupção não desejada da gravidez até a vigésima semana. Aquelas que haviam sido expostas a níveis elevados de dióxido de nitrogênio durante uma janela de sete dias apresentaram risco aumentado de perder o filho. Detalhes do trabalho foram divulgados, neste mês, na revista Fertility and Sterility.

Fonte: Correio Braziliense

Medidas no trânsito para melhorar o ar são barradas nas esferas legais

Atualmente, a capital entrega aos paulistanos altos níveis de poluição atmosférica, com taxas 80% maiores que o recomendado pela OMS

A frota de 8,8 milhões de veículos registrados em São Paulo causa transtornos não só na forma de recordes de engarrafamento. A capital entrega aos paulistanos altos níveis de poluição atmosférica, com taxas 80% maiores que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para entender a gravidade da questão: estima-se que duas horas passadas no trânsito correspondam a fumar um cigarro. Nesse cenário, é sentida a falta do programa de inspeção veicular que ficou em vigência na metrópole entre 2008 e 2014. Se estivesse funcionando a plenos pulmões, a medida seria responsável por retirar da atmosfera poluição equivalente a 440 000 veículos circulando diariamente, 5% do total.

“Era um projeto que deveria ter sido expandido. Além de diminuir a emissão de poluentes, trazia dados dos carros que circulavam na capital”, explica o professor Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP. Segundo pesquisas da época, a cada 1 real investido em inspeção veicular outros 10 reais eram economizados em internações e mortes por complicações de saúde causadas pelo ar impuro.

Apesar de defendido por especialistas e bem-intencionado em sua origem, o projeto paulistano de inspeção foi encoberto por uma névoa de problemas técnicos e legais durante toda a sua vigência. Contribuíram para a má recepção pelos paulistanos, por exemplo, a taxa de cerca de 50 reais cobrada dos condutores e as sucessivas falhas no sistema da empresa Controlar, responsável pelo serviço.

O pior caso, no entanto, foi a investigação de fraude contra o ex-prefeito Gilberto Kassab, acusado de alterar o contrato de concessão do serviço. O inquérito contra o político foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal em 2017. Polêmica, a inspeção é um tema recorrente em discussões no plenário. Só na Assembleia Legislativa houve uma dezena de projetos de lei envolvendo o assunto nos últimos vinte anos. Nenhum deles, vale dizer, está em via de ser votado.

Inicialmente defensor da medida, o ex-prefeito João Doria afastou de vez o retorno da inspeção na cidade, mas deu sinal verde a uma lei ambiental que também pode trazer ganhos no âmbito da saúde e bem-estar do paulistano. De acordo com a norma, aprovada em janeiro, a frota de 14 400 ônibus que circula diariamente na capital deve diminuir em 50% as emissões de dióxido de carbono na atmosfera em dez anos. Nas próximas duas décadas, o impacto desse poluente no ar que respiramos deve ser zerado. A decisão ainda regula a emissão de material particulado (MP) no ar em até 90% em dez anos.

“É uma meta ambiciosa, mas totalmente factível”, diz o vereador Gilberto Natalini (PV), um dos idealizadores do projeto. O chamado MP figura como o grande vilão para a saúde dos paulistanos, podendo acarretar doenças do coração, câncer e outras complicações. “Ele atravessa a corrente sanguínea e entra no organismo, provocando uma série de alterações no sistema imunológico”, explica Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade.

Segundo pesquisas do instituto, com a substituição do diesel do transporte público, cerca de 12 200 vidas poderão ser poupadas nos próximos trinta anos. A efetivação dessa lei só deverá ocorrer quando o Tribunal de Contas do Município (TCM) der um parecer favorável à licitação bilionária de transporte público da cidade, que desde 2013 se arrasta sem decisão definitiva.

Em meados de setembro, a gestão de Bruno Covas enviou ao TCM a mais recente correção de dezenas de irregularidades e improbidades apontadas pelo órgão. Ainda não há prazo para a definição do caso. Se entrar em vigor, tal legislação será o primeiro esforço de fôlego da prefeitura nessa área desde 2011. Hoje, 0,06% da frota é movida só por combustível biodegradável. Na maioria dela, a proporção de biodiesel misturado ao diesel comum não passa dos 10%.

Em 2017, Doria anunciou que colocaria sessenta ônibus elétricos para rodar pela metrópole em um prazo de seis meses. Um ano depois, há apenas um veículo do tipo, movido a energia solar e em esquema de teste. Também não há prazo para a empreitada sair do papel. “Não é apenas um poluente que mata, e sim uma sucessão de fatores combinados”, explica o professor Paulo Afonso André, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP.

Drama evitável

Os benefícios que a cidade teria até 2050 caso a frota de 14 400 ônibus trocasse o diesel por combustíveis alternativos e limpos

44,5 milhões de reais de economia em gastos públicos na área de saúde

13 100 internações a menos relacionadas à má qualidade do ar

12 200 mortes por doenças decorrentes da poluição seriam evitadas

Fonte: VejaSP

Câmara do Conama dá até 2023 de prazo para veículos reduzirem poluição do ar

A Câmara Técnica de Qualidade Ambiental do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou nesta terça-feira, 2, o prazo até 2023 para que o Brasil adote medidas visando reduzir a poluição provocada por veículos. Uma das providências mais importantes discutida na reunião, que faz parte do Programa de Controle de Poluição Veicular (Proconve), foi a necessidade de adaptação dos motores, principalmente dos ônibus e caminhões, ao modelo adotado na Europa, o euro VI, menos poluentes.

“A proposta vencedora, com o prazo até 2023, foi defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional de Transportes (CNT). Os ambientalistas e os Ministérios da Saúde e Meio Ambiente defendiam o prazo final em 2022, ou seja, daqui a três anos”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam, uma das entidades que atuaram contra a extensão do prazo. Bocuhy é também conselheiro do Conama.

Com a aprovação na Câmara Técnica, a proposta segue agora para a plenária do Conama. “Se for aprovada, permitirá a entrada de frotas poluentes por mais um ano, ou seja, milhares de veículos pesados como ônibus e caminhões que circularão por mais 25 a 30 anos, a vida útil desses veículos”, diz Bocuhy.

Atualmente, conforme o Proam, a ausência de atualização tecnológica dos motores a diesel e a falta de filtros adequados nos escapamentos dos veículos causam a morte de 4 mil a 5 mil paulistanos por ano, além de 17 mil em todo o Estado, dos quais a maioria crianças e idosos.

Um estudo nesse sentido foi feito por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Além disso, os gastos do Estado de São Paulo por problemas de saúde decorrentes da poluição chegam a R$ 300 milhões por ano, afirma Bocuhy. “O nível de poluição de ar na cidade de São Paulo, conforme estudos recentes, é o dobro do que recomenda a OMS.”

A proposta do Proam, em conjunto com o Ministério Público Federal, é de que os padrões de qualidade do ar sejam atualizados, conforme as normas da OMS, em três etapas, em um prazo total de nove anos. “Há um encaminhamento mais próximo com os Ministério do Meio Ambiente e da Saúde, no sentido de adoção de prazos mais curto”, afirma Bocuhy.

Fonte: ISTOÉ (Estadão Conteúdo)

O que tem no ar do Brasil que ajuda a matar 50 mil pessoas por ano, segundo a OMS

No Brasil, o ar é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral

Não estamos em um campo de guerra, mas, diariamente, respiramos um ar que pode nos matar. Segundo levantamento divulgado em maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar poluído. No Brasil, ele é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral.

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Fonte: Gazeta do Povo

Ambientalistas querem vetar resolução do Conama sobre qualidade de ar

O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) quer vetar a minuta apresentada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) recentemente sobre as medidas para melhorar a qualidade de ar no País. A revisão da resolução Conama 03/90, que foi proposta pelo Proam, visa estabelecer os padrões de qualidade do ar que sejam adequados à proteção da saúde pública e do meio ambiente, conforme estudos científicos realizados em 2015 em mais de 100 países pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para o Proam, o Conama deve atualizar os valores para a qualidade do ar e priorizar a proteção da saúde pública, adotando metas e prazos para reduzir a poluição do ar. O Brasil segue ainda a resolução Conama nº 03 de 1990, defasada em relação aos indicadores de qualidade do ar mais atualizados e determinados em 2005 pela OMS.

Mas segundo o presidente do Proam, Carlos Bocuhy, a resolução encaminhada pelo Conama à Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos acabou sendo “ineficaz”. “(A resolução) não estabelece prazos para a adoção das medidas, sendo ineficiente para orientar e motivar políticas públicas”, avalia.

Conforme argumenta o Proam, que pediu vistas ao processo do Conama, durante a tramitação da matéria, “ficou evidenciada a violação ao princípio da motivação, em virtude da rejeição, sem qualquer fundamento técnico, científico ou mesmo arrazoado, das propostas apresentadas à Câmara Técnica pelo Ministério Público Federal e Proam, as quais foram calcadas em estudos científicos e na adoção de padrões de qualidade do ar referendados pela OMS”.

O presidente do Proam lembra que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou recentemente em audiência pública a importância do levantamento da OMS e ressaltou que “a poluição do ar causa a morte de mais de 50 mil pessoas por ano no Brasil, sendo crianças e idosos os grupos mais afetados”.

De acordo com o Proam e MFP, a norma proposta pelo Conama tem vários problemas, entre os quais está adotar valores para a qualidade do ar muito superiores aos recomendados pela OMS como seguros à saúde; abrir a possibilidade de agravamento da poluição em áreas já saturadas, com o uso de indicadores poluentes e inadequados para o licenciamento ambiental; trazer valores para episódios críticos como atenção e emergência 10 vezes superiores aos adotados em países desenvolvidos, que têm por base as recomendações da OMS; distancia cada vez mais o Brasil dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, que já adotam padrões mais restritivos e inovações tecnológicas que controlam a poluição, à exemplo da Índia, Inglaterra, França, China, Chile, Colômbia e México.

Fonte: Estadão Conteúdo

OMS alerta que uma em cada 10 pessoas respiram ar contaminado

Respirar a sujeira invisível que contém uma infinidade de substâncias tóxicas custa um preço alto: 7 milhões de mortes prematuras anuais, sendo 55% delas na forma de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame

Para 91% dos habitantes do planeta, o ar não é só um elemento vital, mas também um veneno em potencial. Esse é o percentual da população exposta a partículas poluentes, seja no ambiente externo, seja no doméstico. Respirar a sujeira invisível que contém uma infinidade de substâncias tóxicas custa um preço alto: 7 milhões de mortes prematuras anuais, sendo 55% delas na forma de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.

Segundo um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), embora global, o problema expõe a desigualdade socioeconômica. Mais de 90% dos óbitos associados à poluição ocorrem em países pobres e em desenvolvimento, especialmente na Ásia e na África, seguidos por nações de renda baixa e média do Mediterrâneo, da Europa e das Américas. O documento se baseia em mensurações de material particulado (MP) — resíduos da queima de combustíveis fósseis suspensos na atmosfera — de 4,3 mil cidades de mais de 108 países, incluindo o Brasil.
O maior banco de dados mundial sobre poluição atmosférica traz as concentrações anuais de MP 10 e MP 2,5, sendo esse último o que oferece maiores riscos à saúde humana: refere-se aos perigosos sulfatos, nitratos e carbono preto. As recomendações de qualidade do ar da OMS estipulam que os valores aceitáveis são 20 micropartículas por m³, no caso dos MP 10, e 10 micropartículas por m³ para os MP 2,5. A variação global dessas concentrações é enorme, mostra o relatório.

Por exemplo, em Ludhiana, na Índia, as medições apontam 228 micropartículas por m³ de MP 10. Já em Dublin, na Irlanda, esse valor é de 16 micropartículas por m³. No Brasil, segundo informações de quatro anos atrás, o Distrito Federal é um destaque negativo: a população está exposta a 118 micropartículas por m³ de MP 10 e 54 de MP 2,5, enquanto na industrial São Bernardo do Campo (SP) as concentrações são, respectivamente, 36 e 17. Os dados brasileiros (395 municípios de sete estados, além do DF) foram fornecidos pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) e são conhecidos desde a divulgação do 1º Diagnóstico da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar no Brasil, de abril de 2014.

Monitoramento

“Sete milhões de mortes por ano devido à poluição do ar é uma cifra totalmente inaceitável. O fato de 91% da população respirar ar sujo é realmente dramático”, disse, em uma coletiva de imprensa por telefone Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública e Determinantes Sociais e Ambientais de Saúde da OMS. Ela ressaltou que, desde o último relatório, de 2016, não houve mudanças no número de óbitos associados nem ao percentual da população que vive nessas condições. Neira, porém, diz que o fato de o levantamento trazer dados de mais mil cidades em relação ao anterior deve ser comemorado. “Grande parte das cidades agora faz esse monitoramento, e isso é uma ótima notícia, porque quando você começa a monitorar, é mais fácil fazer políticas públicas para enfrentar o problema”, considera.
Os dados compilados e ajustados pela OMS mostram que as áreas com maiores níveis de poluição atmosférica são o leste do Mediterrâneo e o sudeste asiático, onde a média anual geralmente excede mais de cinco vezes os limites considerados seguros. Em seguida, aparecem cidades de renda baixa e média da África e da Oceania. Contudo, nessas duas regiões, há uma “séria falta de dados”, destaca o órgão das Nações Unidas. No continente africano, embora o mapeamento atual tenha duas vezes mais municípios que o de 2016, só há monitoramento disponível de oito dos 47 países. Em contraste, a Europa é a parte do mundo com maior número de cidades reportando dados.

Embora os países ricos, de forma geral, tenham qualidade do ar acima do registrado em nações de renda baixa e média, eles não escapam da mortalidade associada à poluição. Em municípios desenvolvidos da Europa, dependendo do nível de partículas tóxicas no ar, a expectativa de vida pode ser reduzida entre dois e 24 meses, aponta o relatório da OMS.

Derrame, infarto, doença pulmonar obstrutiva crônica (incluindo asma) e câncer de pulmão são as enfermidades associadas, mas, na coletiva de imprensa, Sophie Gumy, técnica do Departamento de Saúde Pública e Determinantes Sociais e Ambientais de Saúde da OMS lembrou que esses não são os únicos problemas de saúde causados pelo material particulado no ar. “Há evidências científicas robustas sobre a influência da poluição nas doenças neurodegenerativas, como Alzheimer”, ressaltou. “Exceto nas Américas e países de alta renda, não há região do mundo onde mais de 35% da população esteja respirando ar limpo, e isso não é aceitável.”
Fonte: Correio Braziliense

Poluição do ar mata mais de 50 mil por ano no país, diz OMS

A poluição do ar em ambientes externos provoca a morte de mais de 50 mil pessoas por ano no Brasil. Este é um dos grandes desafios na saúde pública no país, segundo novo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade tem hoje a maior base mundial de dados sobre qualidade do ar. Cobre mais de 4 mil pontos, desde vilarejos menos de cem habitantes a cidades com mais de 10 milhões.

O novo relatório trata especificamente da exposição das pessoas a material particulado (MP). É uma poeira fina, com grande impacto sobre a saúde. As fontes de poluição são diversas – podem ser os escapamentos de ônibus, carros e caminhões, a queima de biomassa, a suspensão da poeira do solo, os processos industriais. Ocorre em regiões de guerra e, naturalmente, em regiões desérticas.

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Fonte: Valor Econômico

Veja quais são os principais poluentes do ar

A poluição do ar, um fenômeno com múltiplas consequências para a saúde que provém em grande parte da indústria, calefação e transportes, é a questão central de uma reunião na última terça-feira (30) em Bruxelas, com vários Estados que não cumprem as normas nesse sentido.

Mais que os picos de poluição, que são em parte consequência das condições meteorológicas ou do aumento estacional de algumas atividades, o que preocupa é a exposição crônica a um ar de péssima qualidade.

Uma em cada nove mortes no mundo está relacionada com a poluição atmosférica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que constata avanços na vigilância do fenômeno mas pede “uma ação rápida”.

– OS PARTICULADOS –

Estes materiais microscópicos em suspensão no ar são as que sujam as fachadas dos edifícios das cidades.

Estão divididos entre PM10 (com menos de 10 micrômetros de diâmetro), que procedem sobretudo dos processos mecânicos, como as atividades de construção, e “partículas finas” (PM2,5, com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros), efeito das águas residuais da combustão da madeira ou dos combustíveis (fundamentalmente o diesel), assim como dos vapores industriais.

A Agência Europeia do Meio Ambiente os considera o “poluente atmosférico mais nocivo para a saúde humana na Europa”. Um total de 90% dos habitantes das cidades estão expostos a eles em níveis superiores aos limites recomendados pela OMS.

Os particulados menores, que geram mais preocupação no âmbito sanitário, penetram nas ramificações das vias respiratórias e no sangue. A exposição a estes elementos pode provocar câncer, asma, alergias, doenças respiratórias ou cardiovasculares.

– OS ÓXIDOS DE NITROGÊNIO –

São o monóxido de nitrogênio e, sobretudo, o dióxido de nitrogênio (NO2) que se formam nos processos de combustão, especialmente nos motores dos automóveis ou nas usinas elétricas.

O dióxido de nitrogênio é o mais nocivo dos dois para a saúde humana. Por estar relacionado com o transporte terrestre, afeta muito as cidades, e suas emissões são maiores nos motores a diesel.

A OMS classificou o diesel como elemento cancerígeno, e as emissões dos motores a gasolina como prováveis cancerígenos.

O NO2, um gás irritante, favorece a asma e as doenças pulmonares em crianças. Na Europa e América do Norte, a OMS associa a diminuição da função pulmonar às concentrações atuais de NO2.

O dióxido de nitrogênio é também o principal agente responsável da formação dos aerossóis de nitratos – que representam uma proporção significativa dos OM 2,5 e do ozônio – na presença dos raios ultravioleta.

– OUTROS POLUENTES –

O dióxido de enxofre, procedente da combustão do carvão e do petróleo, provoca patologias respiratórias.

O amoníaco (NH3) está vinculado às emissões da agricultura, significativas na primavera, no momento dos fertilizantes.

Em períodos de calor, especialmente no verão, também deve-se levar em conta o ozônio (O3), um gás corrosivo procedente das reações entre vários poluentes (transportes, agricultura, indústria transformadora…) sob o efeito do sol.

A indústria emite também metais pesados, apesar de que se tenham realizado avanços, sobretudo com o chumbo e o cádmio.

Por último, os especialistas consideram que seria necessário monitorar o impacto das últimas tecnologias, como as nanotecnologias e alguns pesticidas.

Fonte: AFP

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