Integração reduz gases de efeito estufa na produção de biodiesel de soja

Extração do óleo e fabricação na mesma unidade industrial diminuem emissões na produção de biocombustível

O óleo de soja é a matéria-prima mais utilizada para produção de biodiesel no Brasil, com participação de 75% em média entre 2014 e 2016. Para tornar a produção mais sustentável, pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, verificou as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) durante o cultivo da soja, a extração do óleo, a produção e a distribuição do combustível. O estudo coordenado pelo professor Carlos Eduardo Cerri mostra que integrar a extração do óleo e a fabricação do biodiesel na mesma unidade industrial reduz as emissões na etapa de produção.

O trabalho também recomenda o uso responsável de insumos durante o cultivo da soja, pois fertilizantes e corretivos respondem pela maior parte das emissões da fase agrícola. A avaliação das emissões foi dividida em quatro etapas: agrícola, extração, produção de biodiesel e distribuição. “Neste estudo, foram consideradas duas configurações de produção do biocombustível, o sistema de produção não integrado e o integrado”, explica o professor. “No sistema não integrado, as etapas de extração do óleo de soja e produção do biocombustível ocorrem em unidades industriais diferentes e no sistema integrado, as etapas de extração e produção ocorrem na mesma unidade industrial.”

Para obter os dados da etapa agrícola, o estudo reuniu informações sobre a produção de soja em 114 fazendas no Mato Grosso, entre as safras de 2007/2008 e 2009/2010. “Foram consideradas emissões diretas da produção de soja, que incluem a aplicação de fertilizantes nitrogenados, calcário, insumos orgânicos e defensivos agrícolas, além da produção de sementes e decomposição de resíduos da colheita, e emissões indiretas da aquisição de insumos agrícolas”, observa o professor. “Na etapa de extração, além das emissões diretas provenientes da combustão em geradores, caldeiras e silos, foram consideradas emissões indiretas originadas pela produção e transporte dos insumos industriais e combustíveis e pela aquisição de energia elétrica para armazenamento e processamento dos grãos.”

Na etapa de produção, foram contabilizadas emissões diretas de Gases de Efeito Estufa (GEE) provenientes da combustão estacionária em geradores e caldeiras e emissões indiretas da produção e transporte de insumos industriais e combustíveis e pelo consumo de eletricidade nas fábricas. “Na distribuição, foram levadas em conta emissões diretas da combustão em fontes móveis do transporte rodoviário e marítimo e emissões indiretas da produção e transporte de combustíveis”, afirma Cerri. “A pesquisa considerou quatro rotas de distribuição do biocombustível produzido no Mato Grosso, para Paulínia (interior de São Paulo), visando ao mercado interno, Santos, Paranaguá (Paraná) e de Santos à Europa, para o mercado externo.”

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Fonte: Jornal da USP

Produtores investem na versatilidade da Macaúba em Minas Gerais

Fonte de matéria-prima para alimentos, fármacos, cosméticos e até biocombustível, uma palmeira rústica está ganhando espaço nas plantações em Minas Gerais e tem se mostrado com um enorme potencial para desenvolvimento no agronegócio. A Macaúba, segundo especialistas, tem tudo para ser o “ouro verde” brasileiro e os mineiros estão saindo na frente nos estudos e projetos com a planta. O principal produto extraído é o óleo que substitui o azeite de dendê, usado em cerca de 60% dos produtos vendidos nos supermercados, mas há ainda a questão ambiental. As plantações podem conviver com o gado e ajudam na conservação do solo.

Minas Gerais começa a ter programas de cultivo da Macaúba. Capitaneados pela Prefeitura de Juiz de Fora, pelo menos 38 municípios da Zona da Mata, Sul e Vertentes já manifestaram interesse em aderir ao plantio. “A gente tem percebido o agronegócio, neste momento de crise no país, como o único segmento que tem dado resultado, segurando números expressivos. Assim sendo, temos esse projeto pare recuperar nascentes com reflorestamento e vislumbrando a possibilidade de aumentar as rendas dos produtores locais com grandes negócios”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de Juiz de Fora, João de Matos.

A Zona da Mata tem hoje 400 hectares de Macaúba plantados em uma propriedade em Lima Duarte, mas a expectativa é ampliar. Por isso, estão sendo oferecidos cursos para mostrar o potencial da planta e a Prefeitura de Juiz de Fora está mostrando aos agricultores as possibilidades de consórcios. O objetivo é ambiental: além de desenvolver o agronegócio, estudos mostram que seria possível recuperar as fontes de água do município. Segundo João de Matos, não há projeções do quanto esse cultivo pode ser ampliado, mas só Juiz de Fora tem mil quilômetros de área rural. “Logicamente não vamos conseguir 100%, mas o importante é como o entorno da Zona da Mata é carente de projetos, entendemos que esse plano vai ajudar economicamente”.

O coordenador do projeto Macaúba, Jackson Moreira, diz que a produção é potencializada pelo fato de a planta ser nativa, de alta produtividade e competitiva em topografias acidentadas. Ele ressalta que há ainda interesse de companhias aéreas de usar o produto da planta como biocombustível, dentro de um projeto para reduzir a emissão de gás carbono.

Quem confirma todo este potencial é o coordenador da Rede Macaúba de Pesquisa (Rmape) da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike. De acordo com ele, a Macaúba despontou no programa de domesticação de espécies nativas com potencial para produção de óleo. “É uma planta que pode substituir no futuro o azeite de dendê, que corresponde a 40% de toda a gordura vegetal que o homem utiliza. Ele está na margarina, no chocolate, no sorvete, até na vela. Se você for no supermercado, 60% dos produtos tem óleo de dendê, então, hà uma importância muito grande para o ser humano”, diz.

A diferença, segundo Motoike, é que a macaúba cresce em um ambiente muito menor e precisa da metade da chuva necessária ao dendê para produzir. “O potencial de Minas é enorme, porque tem muita área degradada e é nesta área que a macaúba pode ser cultivada”, disse. Sérgio Motoike trabalha para que as plantações sejam integradas às pastagens, de modo a produzir frutos na parte de cima e permitir que o gado continue ali. “Não vamos destruir a pecuária, mas melhorar o solo com o cultivo da macaúba e incrementar a atividade com uma produção extra, que seria o fruto da macaúba.”

Para se ter uma ideia, segundo Motoike, são produzidas de quatro a seis toneladas de óleo por hectare. Comercializado a US$ 800 a tonelada, o produtor tem, só de óleo de macaúba, uma renda de pelo menos US$ 3,2 mil por hectare ao ano. E a macaúba ainda tem outros produtos, como ração animal e carvão. Na indústria farmacêutica, pode servir para extrair vitaminas D e A, na de cosméticos pode ser base para shampoos, cremes e batons.

Em João Pinheiro, região Noroeste de Minas Gerais, a empresa Soleá, que enxergou na macaúba seu caminho de investimento seguro, já plantou 520 hectares e pretende expandir em mais 150 hectares a plantação até o fim de 2017. Mas o projeto para a Macaúba é ainda mais ousado. Eles têm uma propriedade de 2,6 mil hectares e, pensando no potencial de venda, projetam chegar a ter 5 mil hectares de macaúba até 2020. Para dar mais solidez ao projeto, a empresa comprou a Acrotech em 2012 para ter acesso à tecnologia e desenvolver conhecimento agrícola que garantam sucesso ao empreendimento.

A escolha pela macaúba, segundo o CEO da Soleá/Acrotec Felipe Morbi, foi feita depois de um estudo comparativo com outras culturas que constatou que a plantação tem menos gastos para desenvolvimento e um potencial muito maior de produção. “O manejo é muito simples.

Ao contrário de culturas anuais, como soja e milho, você faz a implantação no primeiro ano e depois tem somente de duas a três adubações por ano e controle de ervas. O valor médio gerado pela macaúba é de R$ 250 por tonelada. Estamos falando de algo em torno de R$ 9 mil de receita bruta por hectare enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare”, conta.

Segundo o CEO, a colheita dura seis meses, de outubro a março, e o grande diferencial é que a macaúba pode ser cultivada em áreas mais desvalorizadas. Há ainda a questão ambiental, já que não é preciso desmatar para ampliar a produção. Quanto à produtividade, a conta é que para cada hectare de macaúba são necessários 14 hectares de soja. “Além disso, a macaúba gera muito emprego regional. A demanda é de um emprego para cada 10 hectares, isso sem contar nos empregos indiretos que são criados”, diz Felipe Morbi.

As grandes companhias descobriram que a macaúba é uma solução em termos de fornecimento de óleos de palma, que em grande parte eram importados da Malásia. O maior gargalo da cadeia produtiva, porém, segundo o empresário, é que ainda existem poucos plantios comerciais. Por isso, há uma demanda reprimida pela criação de indústrias processadoras. “O mercado está muito interessado na macaúba pela qualidade dos seus óleos e farelos e pela versatilidade dos seus produtos que acabam estimulando outras cadeias regionais. É um ganho exponencial. Antes tínhamos que convencer que a macaúba era uma oportunidade ao país, hoje as pessoas vêm até nós, a macaúba já está acontecendo”, comemora.

O projeto da Soleá começou em 2009 e o plantio foi iniciado em 2015. São 460 plantas por hectare e, em um cenário conservador, uma média de 36 toneladas de fruto por hectare. Com o crescimento do potencial da macaúba, a ideia é estimular outros produtores. “Vimos que outros projetos que começaram já com os produtores não funcionaram, então quisemos construir uma empresa âncora para mostrar aos produtores que a macaúba é um investimento certo”, disse.

Fonte: Portal BiodieselBR

Soja: Comercialização de derivados aumenta

A firme demanda por farelo e óleo de soja, a taxa cambial atrativa aos vendedores brasileiros e o atraso na colheita de soja na Argentina têm motivado novas negociações envolvendo derivados no Brasil.

Segundo pesquisadores do Cepea, a disputa por farelo de soja entre os mercados nacional e o internacional está maior, o que elevou os preços domésticos do derivado. Importadores foram atraídos para o Brasil, devido à menor oferta na Argentina, uma vez que o excesso de umidade tem dificultado a colheita e afastado vendedores do mercado daquele país.

A procura por óleo de soja também está aquecida, especialmente pelo setor de biodiesel, enquanto a oferta está reduzida.

Quanto à soja em grão, a comercialização está mais enfraquecida no mercado spot, mas alguns produtores já começam a mostrar interesse em comercializar a safra 2017/18. Apenas alguns lotes têm sido negociados no mercado brasileiro, visto que vendedores estão na expectativa de preços maiores nas próximas semanas, fundamentados na firme demanda por derivados e no dólar mais elevado.

Fonte: Cepea

CTBE organiza workshop sobre o potencial da macaúba

A macaúba é uma palmeira nativa com ampla distribuição pelo território brasileiro. Embora a espécie ainda não tenha sido completamente domesticada a ponto de permitir seu plantio comercial, as pesquisas indicam que ela tem o potencial para se tornar uma séria concorrente em relação à palma-de-óleo em termos produtividade – podendo chegar a quatro toneladas de óleo por hectare ao ano.

Há cerca de 10 anos, o Brasil vem aumentando os investimentos em pesquisas com a espécie. A palmeira tem sido uma apontada como uma das melhores apostas nos sistemas lavoura-pecuária-floresta podendo ajudar na recuperação de pastagens degradadas ao mesmo tempo em que agrega renda à atividade pecuária.

Apesar disso tudo, a macaúba só é plantada comercialmente em Minas Gerais. No restante do país, a produção apenas em bases extrativistas.

Pelo lado dos desafios existe a necessidade de mecanização da produção, melhor entendimento de aspectos biológicos e agronômicos, regulação e desenvolvimento da cadeia produtiva.

Por esse motivo, o CTBE e a Instituto Agronômico (IAC) decidiram organizar um evento onde pretendem reunir pesquisadores e empresas que vem investindo na consolidação dessa nova cultura. O encontra acontecerá em Campinas (SP).

SERVIÇO
Macaúba, oportunidades e desafios

Quando: 07 de junho
Onde: Campinas – SP
Informações: pages.cnpem.br/wectbe
Organização: CTBE e IAC

Fonte: BiodieselBR

Trabalhos com óleo da macaúba são apresentados pela Embrapa Agroenergia

Armazenamento dos frutos da macaúba, controle da quantidade e qualidade do óleo são temas pesquisados pela Embrapa Agroenergia que estarão no Congresso de Óleos e Gorduras, que acontece hoje (10) e amanhã, em Campinas/SP.

Serão dois trabalhos. Um deles avalia o tempo ideal para armazenagem do fruto. De acordo com Simone Favaro, pesquisadora da Embrapa Agroenergia responsável pelos trabalhos, essa é uma demanda antiga do setor que trabalha com macaúba, pois o teor de óleo presente no fruto aumenta depois da colheita. “Nós estamos estudando o tempo necessário para ter o máximo desse aumento sem deixar que os frutos percam qualidade”, explica.

Esta pesquisa integra as ações do projeto MacSaf que estuda a inserção dessa palmeira em Sistemas Agroflorestais (SAF’s) e no contexto da integração, lavoura, pecuária e florestas (iLPF). Além disso, a palmeira é estudada como alternativa para diversificar as matérias-primas para produção do biodiesel, já que a soja, seguida da gordura animal são as fontes majoritárias nessa produção.

O segundo trabalho tem como foco a caracterização do potencial nutricional do óleo de polpa de macaúba de ocorrência natural em Mato Grosso do Sul nos biomas Cerrado e Pantanal. Foram analisadas 40 espécies diferentes.

Ambos os estudos serão apresentados em forma de pôsteres no Congresso nesta quarta-feira (10). O evento tem como foco compartilhar experiências no desenvolvimento de gorduras funcionais e estratégias a estruturação de óleos como alternativas à utilização de gorduras parcialmente hidrogenadas na formulação de alimentos, entre outros tópicos de interesse para todos os profissionais da área de óleos e gorduras. Mais informações sobre o Congresso acompanhe no site https://congressooleosegorduras.wordpress.com

Simone conta que aproveitará a ida a Campinas para visitar a fábrica da Scott Tech que desenvolve equipamentos para extração de óleo. Para saber mais das a respeito pesquisas realizadas pela Embrapa Agroenergia acesse www.embrapa.com.br/agroenergia.

Fonte: Embrapa Agroenergia – texto de Daniela Collares

Comercialização de farelo e óleo de soja ganham ritmo

A comercialização de farelo e óleo de soja vem ganhando ritmo, impulsionada pelo aumento nas demandas interna e externa. Do lado da oferta, segundo pesquisadores do Cepea, muitos representantes de indústrias estão retraídos, disponibilizando lotes menores de derivados, na expectativa de que a maior competição entre compradores domésticos e internacionais eleve os valores do óleo e do farelo.

Atentos a este cenário, sojicultores também reduziram as negociações do grão, à espera de elevação na demanda por parte de indústrias, que têm estoques da matéria-prima reduzidos. Na quinta-feira, 20, o Indicador Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa fechou a R$ 66,78/sc de 60 kg, alta de 0,81% na comparação com o dia 13.

Quanto ao Indicador CEPEA/ESALQ Paraná, subiu 1,14% no mesmo período, a R$ 62,04/sc de 60 kg na quinta.

Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br

Palma e sustentabilidade

O histórico da produção da palma, principalmente na Indonésia e Malásia, que respondem por 85% da produção mundial, tem sido relacionado a problemas de desmatamento e degradação da biodiversidade. Além de substituírem florestas primárias, as lavouras de palma em alguns países também foram plantadas sobre terrenos de turfa, provocando significativas emissões de gases de efeito estufa.

Para buscar o um caminho sustentável, o Brasil está seguindo um caminho inverso ao do resto do mundo. A produção de palma no país está sendo cercada de vários cuidados para que esse cultivo não seja um vetor de degradação e desmatamento. Parte do setor tem o interesse em agregar valor ao óleo produzido no Brasil e, com isso, ganhar competitividade no mercado internacional.

A produção da palma no território brasileiro deve seguir à risca o que determina o Zoneamento Agroecológico, Produção e Manejo para a Cultura da Palma de Óleo na Amazônia – ZAE da Palma. Entre as várias recomendações do documento orientador, estão a que os produtores devem respeitar o limite de 50% da área total tal como Reserva Legal nas áreas aptas e a proibição implícita do desmatamento de novas áreas..

Do ponto de vista social, os produtores também devem cumprir exigências como a norma regulamentadora – a NR 31, que dispõe da segurança e saúde do trabalho. O respeito às questões sociais e ambientais coloca o país em uma situação de vanguarda em relação às outras nações produtoras.

A somatória dessas ações ambientais e sociais cria um ambiente único no mundo para a produção do óleo de palma no Brasil, destacando-se o balanço negativo na emissão de carbono, a liberdade sindical dos trabalhadores e o desenvolvimento de vetores sociais que melhoram a qualidade de vida dos trabalhadores e das comunidades vizinhas.

Fonte: Abrapalma

Projeto leva desenvolvimento e produção sustentável ao Norte de Minas

Um projeto de instalação de unidades produtivas e capacitação das comunidades locais em diversos municípios da região Norte promete trazer desenvolvimento e incremento de renda através da exploração sustentável de espécies do Cerrado. Além dos impactos positivos, a intenção é melhorar a conservação do bioma.

Recentemente uma unidade foi implantada no município de São Francisco para a produção de trufas, sorvetes e polpas. “Estamos trabalhando hoje com baru, maracujá do mato, umbu, tamarindo e pequi. Compramos agora uma máquina para fazer sorvete, que vai agilizar a produção”, conta o presidente da Associação Comunitária Viver e Servir – que está à frente da gestão da agroindústria -, Antônio Carlos. Uma outra opção produtiva é a barrinha de cereal feita utilizando o baru e o buriti.

O coordenador do projeto na Utramig, Fernando Madeira, ressalta que o projeto envolve 2.680 famílias na região Norte do estado. A Utramig é responsável pela capacitação dos moradores para atuação nas unidades produtivas, a Epamig pelas pesquisas envolvendo os frutos e pelo diagnóstico socioambiental, e o Idene pela implantação e manutenção das agroindústrias. “É um trabalho sustentável, que traz mais renda para estas comunidades e mantém nossas florestas e rios”, destaca.

A agroindústria de são Francisco já tem Alvará de Funcionamento Sanitário Municipal, e agora busca o Alvará Federal, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além de São Francisco, outros nove municípios já receberam as unidades produtivas: Arinos, Bonfinópolis de Minas, Chapada Gaúcha, Januária, Jatobá, Lontra, Mirabela, Montes Claros e Riachinho. Brasília de Minas e Coração de Jesus serão os próximos a receber o projeto. Cerca de 300 espécies nativas já são aproveitadas para, por exemplo, produzir biodiesel através do óleo da macaúba.

“Há seis meses começamos uma parceria com a Petrobras, que compra este óleo. São produzidos 30 mil litros por mês em Mirabela”, comemora Madeira.

Em São Francisco, o projeto prevê ainda a instalação de um sistema de criação de galinhas caipiras e a recomposição florestal de parte da margem direita do Rio São Francisco. Além disso, já foi implantada e funciona no local uma horta agroecológica, que garante o fornecimento dos legumes e hortaliças.

“Este projeto está transformando nossa realidade, tenho certeza que vai trazer uma mudança muito grande. Esse tipo de pesquisa também abre nossos olhos para valorizar o que temos aqui, sem contar a quantidade de atividades novas que temos. Trabalho tem para o ano todo”, conclui.

O projeto é  realizado pela Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene).

Fonte: Hoje em Dia

Eficácia do óleo de macaúba como biodiesel é aprovada em pesquisas da UFLA

Uma palmeira nativa do Brasil com grande potencial na produção de óleo vegetal tem se destacado nas pesquisas da Universidade Federal de Lavras (UFLA): a macaúba. Estudos já indicavam que ela tem a capacidade de produzir até cinco toneladas de óleo por hectare. Pensando nisso, pesquisadores das áreas de Engenharia e Química da UFLA iniciaram os estudos para se chegar a um biodiesel de qualidade a partir dessa oleaginosa.

Com folhas perenes e espinhosas, ela é encontrada com muita frequência em Minas Gerais, assim como em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Ceará. “Somente em Minas há aproximadamente dois milhões de hectares de maciços naturais de macaúba. Isso pode gerar uma nova renda. O agricultor só vai precisar coletar e vender”, comenta o professor de Engenharia na UFLA Pedro Castro Neto, um dos envolvidos na pesquisa.

À esquerda o estudante Danilo Souza e à direita o professor Pedro Neto
À esquerda o estudante Danilo Souza e à direita o professor Pedro Neto

Assim, o óleo de macaúba como biodiesel pode trazer uma significativa renda ao agricultor. Fecha todo o sistema, dando uma nova oportunidade ao setor. “Ele não precisa para isso derrubar árvores, modificar nada. Isso já existe na sua propriedade”, complementa Pedro. Mas, para chegar ao resultado final os pesquisadores da UFLA tiveram que realizar diversas tentativas. O professor explica que a macaúba possui um alto índice de acidez, chegando a mais de 50%, sendo assim, todo o processo para deixar o óleo com qualidade, de maneira que possa ser utilizado no biodiesel, foi diferenciado, por meio da catálise ácida. “Hoje, conseguimos adequar a tecnologia, para produzir a partir do óleo de macaúba um biocombustível de excelente qualidade, que possa ser utilizado no País”, relata Pedro Neto.

Nesse processo também esteve envolvido o Laboratório de Química do Núcleo de Estudos em Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biocombustíveis (G-Óleo) da UFLA. Para que o teste fosse realizado em grande escala, primeiramente foram feitas várias análises e testes no laboratório em pequenas quantidades.

“Foi necessário fazer o processo de esterificação para a diminuição da acidez do óleo. Finalizado esse processo, o óleo passou por uma lavagem a fim de retirar o excesso de catalisador usado na esterificação, posteriormente foi retirado o excesso de água. E em seguida, feito o processo de transesterificação, em que obtivemos o biodiesel já pronto, com a glicerina. Assim, separamos o biodiesel da glicerina, e o passamos por outro processo de lavagem para retirar o excesso de catalisador”, explica o coordenador do G-óleo, estudante da UFLA, Danilo da Silva Souza.

O professor de Engenharia Carlos Eduardo Silva Volpato

Após a finalização, o biodiesel foi encaminhado para Ronald Leite Barbosa, estudante de doutorado em Engenharia Agrícola na UFLA, sob a coordenação do professor de Engenharia Carlos Eduardo Silva Volpato. Eles realizaram diversos testes em um trator, tendo como base distintas quantidades do biodiesel proveniente do óleo de macaúba, mais o diesel comercial. Assim foram analisando como a máquina reagia e ainda verificando as quantidades de gases emitidas pelo escapamento do trator. “Os resultados foram sensacionais, muito promissores, permitindo que o óleo de macaúba seja utilizado como biodiesel de maneira segura”, relata Volpato.

Na parte técnica, com relação a todas as misturas, o B20 foi o que se comportou melhor, apesar dos outros também terem resultados satisfatórios, em relação ao diesel do posto de gasolina. Já na questão ambiental, os resultados foram excelentes. Ressaltando que todas as misturas deram emissões de gases de particulados abaixo do registrado pelo diesel convencional. E é um biodiesel que pode ser utilizado em todos os veículos que tem um motor de ciclo diesel, como caminhão, caminhonete, ônibus, trator”, afirma Volpato.

Para o professor Pedro, os resultados que esse biodiesel apresentou foram sensacionais. “Além disso, o biodiesel é renovável, esse carbono a ser queimado no motor volta para a atmosfera, mas a planta retira o carbono da atmosfera para gerar um novo óleo, então estamos renovando sempre. É isso que queremos, desenvolver essas novas tecnologias”, comentou.

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Texto: Camila Caetano – jornalista/ bolsista UFLA – ASCOM UFLA

 

Cooperativa do Norte de Minas ganha incentivo para beneficiamento de macaúba

Fundação Banco do Brasil investiu R$ 258 mil em empreendimento que conta com trabalho de 420 extrativistas da região de Montes Claros

Os frutos do cerrado vêm ganhando força no mercado nos últimos anos e um bom exemplo disso é o coco macaúba. Tipicamente brasileiro e com possibilidade de aproveitamento total, a exploração desse fruto está ajudando a ampliar as oportunidades de geração de renda dos agricultores familiares no norte de Minas Gerais.

A região conta com uma unidade de beneficiamento instalada na comunidade de Riacho D’Anta, a 80 km de Montes Claros, com recursos da Fundação Banco do Brasil e de outros parceiros. Na agroindústria são processadas cerca de 20 toneladas do óleo da polpa da macaúba por ano, 25 toneladas de óleo da semente e 18 toneladas do bagaço. Tudo o que é processado na unidade é resultado do trabalho de 420 extrativistas.

Atualmente, a produção do óleo extraído da semente é utilizada na fabricação de cosméticos, sabão em barra, sabão em pó e pasta brilho para alumínio. Com a polpa é fabricado óleo para biodiesel e o bagaço é aproveitado na elaboração de ração animal.

A maior parte da matéria prima chega das cooperativas e associações da região, como é o caso da Associação Comunitária dos Pequenos Produtores Rurais de Riacho D’antas e Adjacências, também gestora da unidade de beneficiamento. A entidade já recebeu investimento social de R$ 258 mil da Fundação BB. Os associados são moradores dos municípios de Mirabela, Brasília de Minas, Coração de Jesus, Ubaí, São João do Pacuí e Montes Claros.

O investimento social da Fundação foi destinado para compra do maquinário da unidade de beneficiamento, caminhão, recuperação do riacho d’antas, construção de barraginhas para captação de águas pluviais e viveiro de mudas.

De acordo com o presidente da associação, Hermes Fonseca, nos últimos anos, a entidade se transformou em um centro de referência e de pesquisa, que despertou o interesse de muita gente. “Aqui recebemos visitas de universitários, professores e pessoas comuns interessadas em conhecer o trabalho e até pesquisadores de outros países, como México e Moçambique”, disse.

Por meio da Central do Cerrado, uma iniciativa sem fins lucrativos estabelecida com 35 organizações comunitárias, que funciona como uma ponte entre produtores e consumidores, os produtos chegaram até o Mercado Municipal de São Paulo. Lá, em um box que tem a parceria do Instituto ATÁ, Fundação BB e Programa de Pequenos Projetos Ecossociais – PPP-ECOS, são comercializados itens típicos do Cerrado e da Caatinga. “Com essa iniciativa queremos dar sustentabilidade ao projeto e evitar o êxodo rural. Trabalhamos para manter nossos jovens no campo e evitar que eles saiam pra a cidade grande em busca de oportunidades”, concluiu Hermes.

Fonte: Assessoria Fundação Banco do Brasil

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