Bento assumiu o MME e ressaltou o biodiesel como um dos principais biocombustíveis do país

Moreira Franco, ao deixar o cargo de ministro de Minas e Energia, durante a cerimônia de posse de Bento Albuquerque, comentou sobre o foco maior no setor elétrico e a necessidade de expansão, também pela recuperação da economia que se espera.

Bento Albuquerque já empossado de seu cargo de novo ministro do MME falou sobre o calendário de leilões deste ano e do maior poder do CNPE. O novo ministro ressaltou o crescimento que irá ocorrer nos investimentos com energias renováveis e citou o biodiesel como um dos principais biocombustíveis explorados pelo Brasil.

Bento, que dará continuidade ao processo de privatização da Eletrobras, citou o diálogo mais “objetivo, desarmado e pragmático” junto a sociedade e o mercado, no que diz respeito ao uso da energia nuclear no país. Ele comentou da previsibilidade, estabilidade regulatória e jurídica como conceitos básicos e disse que vai trabalhar a redução de encargos e subsídios do setor elétrico.

Sobre a mineração sua ressalva foi para mudança de partilha do óleo e do gás e da maior pluralidade dos investidores.

Para honrar todos os compromissos assumidos, o almirante Bento pontuou que estará preparado para “ouvir e avaliar com serenidade e transparência as múltiplas demandas sobre os diversos setores que atuam na grande órbita do MME”.

A APROBIO acompanhou o evento in loco, representada por Antonio Ventilii, assessor técnico da associação.

Fontes de referência: Correio Braziliense

InfoMoney

Pesquisador do IFRR cria aditivo de biodiesel com óleo de fruta nativa da Amazônia: ‘economia de 40%’

Estudo revelou ainda que uso de extrato do tucumã aumenta em até 300% vida útil de biocombustível. Empresas de combustíveis podem ter economia na produção, tendo em vista que o custo é apenas o do laboratório, segundo Guilherme Turcatel.

A vida útil de biodiesel agora pode aumentar em até 300% com o uso do aditivo natural extraído do tucumã, uma fruta nativa da Amazônia, conforme revela uma pesquisa desenvolvida pelo professor do Instituto Federal de Roraima (IFRR), Guilherme Turcatel, de 33 anos.

No Brasil, 10% do diesel comum extraído do petróleo é vendido ao consumidor com adição de biodiesel, que é o combustível feito a partir de gordura animal ou óleo vegetal, como a soja, dendê e agora o tucumã.

“A estimativa é que com o aditivo de tucumã adicionado ao biodiesel, aumente em até 300% a vida útil do produto. Por exemplo, se o biodiesel sem aditivos durar um mês, o mesmo produto com o aditivo de tucumã pode durar até 4 meses”, explica o pesquisador.

O estudo sobre o aditivo se iniciou em 2016 e no segundo semestre do ano passado foram feitos os testes que constataram a eficácia do produto. No último dia 4 de junho a inovação foi apresentada no aniversário de 25 anos do IFRR.

Ele calcula que a utilização do aditivo de tucumã no biocombustível possa gerar uma economia entre 20% e 40% às empresas do ramo em relação ao sintético.

Agora, o pesquisador e a instituição aguardam a aprovação da patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), que deve analisar o ineditismo da invenção e possibilidade de aplicação em escala industrial.

Toda a pesquisa foi desenvolvida no campus Novo Paraíso, região de Caracaraí, distante 256 Km de Boa Vista, ao Sul de Roraima.

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Fonte: G1

Unitins pesquisa uso do girassol para produção biocombustível

Cumprindo seu papel institucional no âmbito da Pesquisa, a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) executa uma pesquisa sobre o uso de girassóis para a produção de biocombustível em sete variedades da planta. A pesquisa é resultado da disciplina de Culturas Agroenergéticas e é desenvolvida por alunos do 7º período de Engenharia Agronômica/Câmpus Palmas, orientados pelo professor doutor Lucas Koshy Naoe.

A proposta é de que, até agosto, seja disponibilizado o levantamento de dados quanto à produção de óleo para biocombustível. O florescimento dos girassóis deu início na última semana e no mês de junho passa pela colheita.

(Foto: Ascom/Unitins)

A pesquisa

O ensaio do girassol acontece desde 2004. O estudo em campo avalia altura da planta, ciclo da variedade e tolerância a pragas e doenças, além do rendimento do óleo para cada variedade.

Segundo o professor Lucas Koshy Naoe, o girassol tende a produzir de 30 a 42% de óleo, ou seja, em um quilo da flor, 400 gramas são de óleo.

A plantação para estudo está localizada no Complexo de Ciências Agrárias (CCA) da Unitins e os dados das pesquisas anteriores quanto à cultura e variedades do genótipo do girassol serão apresentados nos estandes da Universidade durante a Agrotins 2018, que ocorrerá de 8 a 12 de maio.

(Foto: Ascom/Unitins)

Óleo de girassol para biocombustível

Devido ao alto teor de óleo, o girassol vem sendo utilizado no Brasil como matéria-prima para a produção de biodiesel. Por ser uma substância biodegradável, não tóxica, com pequena quantidade de substâncias aromáticas e cancerígenas, pode ser denominado “combustível ecológico”, conforme pesquisa da Embrapa disponível aqui.

O orientador da pesquisa, professor Lucas Koshy Naoe, possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa (1997), mestrado e doutorado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (2000 e 2004).

(Foto: Ascom/Unitins)
(Foto: Ascom/Unitins)

Fonte: Assessoria Unitins

Feito para perseguição policial, pneu de soja ganha prêmio mundial de inovação

Pneu à base de óleo de soja aumenta atributos como resistência, elasticidade e aderência – indispensáveis para o dia a dia do trabalho da polícia

O modelo de pneu de soja Eagle Enforcer All Weather, o primeiro do mercado desenvolvido para atender as exigências de uma perseguição policial, ajudou a multinacional Goodyear a ganhar neste ano o Prêmio Internacional de Tecnologia de Pneus na categoria “Desempenho Ambiental” durante feira do setor realizada em Hannover, Alemanha.

A tecnologia inédita de utilizar óleo de soja em lugar de petróleo na fabricação de pneus havia sido lançada em setembro do ano passado, nos Estados Unidos. A novidade, agora, foi aproveitar atributos como maior aderência e resistência a extremos de calor e frio, umidade e tempo seco, para fazer um pneu específico para o mercado de veículos policiais. O desenho da banda de rodagem é assimétrico e com multizonas para dar maior estabilidade nas curvas.

Além do modelo específico para a polícia, uma outra linha feita com soja, também distinguida em Hannover e batizada de Assurance MaxLife, oferece garantia de 140 mil quilômetros de rodagem, a maior da história da empresa.

O interesse da Goodyear na fabricação do “pneu de soja” começou por questões de sustentabilidade, mas a pesquisa trouxe à tona um produto com qualidades superiores e altamente competitivo.

Nos experimentos apoiados financeiramente pela Conselho dos Produtores de Soja dos Estados Unidos (United Soybean Board), a Goodyear descobriu que o óleo de soja poderia melhorar o desempenho dos pneus em baixas temperaturas, ajudando a borracha a se manter flexível em climas frios e melhorando a tração em piso molhado e neve ao mesmo tempo. Além disso, o óleo de soja misturou-se mais facilmente com compostos de borracha e reduziu o consumo de energia, melhorando a eficiência na fabricação de pneus.

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Fonte: Gazeta do Povo

Preços de farelo e óleo de soja sobem

Os valores de farelo e óleo de soja subiram nos últimos dias; quanto ao grão, por outro lado, as cotações registraram queda. Pesquisadores do Cepea afirmam que o aumento nos preços dos derivados está atrelado às expectativas das indústrias brasileiras de ganhar maior fatia na comercialização internacional desses produtos, devido à quebra na safra de soja na Argentina (maior exportador mundial de farelo e óleo de soja).

A valorização do farelo e do óleo no Brasil, no entanto, acabou limitada pela menor demanda interna. Para o farelo, consumidores domésticos indicam ter estoques curtos, mas preferem comprar o insumo aos poucos, porque muitos suinocultores e avicultores estão com margens reduzidas e/ou negativas. Quanto ao óleo, as compras do segmento de biodiesel estão enfraquecidas. Neste caso, verifica-se disparidade entre os valores de compra e de venda, mas, no geral, os fechamentos ocorrem nos patamares ofertados pela indústria.

Em relação à soja em grão, por sua vez, os preços recuaram devido à maior oferta no Brasil, da queda internacional e da recente desvalorização do dólar frente ao Real.

Fonte: Cepea

Resíduos do dendê são usados como substrato para cultivar cogumelos comestíveis

Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Embrapa Agroenergia (DF) encontraram uma alternativa para produzir cogumelos comestíveis, como o Pleurotus ostreatus, ou shimeji, no Brasil a baixo custo e, assim, tornar seu consumo acessível a grande parte da população. Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo.

Segundo o pesquisador Marcos Enê Oliveira, o shimeji encontra condições ideais para se desenvolver nos resíduos industriais do dendê produzido no Brasil, especialmente no Pará, onde a indústria gera três toneladas de resíduos sólidos e uma tonelada de efluentes líquidos.

Oliveira explica que as biomassas residuais são fibras e substâncias ricas em proteína, lipídeos, carboidratos e minerais, que podem nutrir cogumelos comestíveis como o shimeji, conhecido também como cogumelo-ostra, produto bastante apreciado na culinária nacional e internacional.

Atualmente, comprar shimeji no mercado brasileiro é para poucos. O quilo do produto sai entre R$ 48,00 e R$ 80,00 porque grande parte dele vem do exterior e tem alto custo de importação. Só de frete, paga-se em torno de dois reais por quilo. Além disso, é preciso cuidado redobrado no transporte e na conservação do produto.

Cultivo de cogumelos

O pesquisador destaca que o cultivo desses cogumelos comestíveis é possível devido à sua versatilidade em se desenvolver em diferentes condições climáticas e substratos. “Esse fungo tem uma enorme capacidade de quebrar fibras lignocelulósicas, consideradas complexas quimicamente, e extrair delas os nutrientes necessários para o seu crescimento e frutificação”, conta o especialista, explicando que o cultivo imita o que ocorre na natureza ao oferecer resíduos vegetais em um substrato formado por fibras e pelo efluente gerado.

Para se chegar à mistura ideal, os pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), Félix Siqueira e Simone Mendonça testam formulações de substratos com diferentes concentrações de resíduos, entre eles, a cinza de caldeira, também oriunda do processamento do óleo de dendê.   O substrato é esterilizado em autoclave industrial para, depois, inocular o fungo. A fase de colonização, que é o crescimento do fungo no substrato, leva em torno de 25 a 30 dias em uma câmara escura, a fim de imitar a natureza onde os cogumelos crescem ao abrigo da luz em serapilheiras ou troncos de arvores.

Efluente rico

O efluente líquido do processamento do dendê, conhecido pela sigla Pome (palm oil mill effluent), é constituído, principalmente, de água, minerais e matéria orgânica, e atualmente seu destino são as lagoas de estabilização, conforme orienta a legislação. “Algumas experiências têm indicado a utilização desse efluente líquido como fertilizante para os plantios de dendê, mas essa aplicação ainda está sendo estudada para assegurar que não haja impacto ambiental”, esclarece o pesquisador Félix Siqueira.

Os valiosos resíduos do dendê

O Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de óleo de dendê. Em 2017, por exemplo, o estado produziu cerca de 480 mil toneladas desse óleo, gerando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de resíduos sólidos e líquidos. De acordo com Roberto Yokoyama, diretor da empresa Dendê do Pará (Denpasa) e presidente da Câmara Setorial da Palma de Óleo, o custo médio da tonelada de óleo bruto produzido no Brasil está por volta de US$ 610 a US$ 650, e o investimento necessário para se montar uma usina de beneficiamento é de um milhão de reais para cada tonelada de cacho processado, sendo que pelo menos 30% desse valor está diretamente ligado aos resíduos.

Na indústria de beneficiamento do óleo, os resíduos são o cacho vazio; o efluente líquido (Pome); a fibra e a casca do fruto, (resultante da prensagem); a borra, partículas sólidas geradas na separação entre o óleo e a água; e a torta de palmiste, resíduo da prensagem da amêndoa. Yokoyama conta que alguns deles já são utilizados para outros fins, como alimentação animal e geração de energia, mas o volume produzido ainda é grande. “Mesmo com alguns usos, o resíduo gerado ainda é um problema para a indústria”, afirma.

A Embrapa divulgou em comunicado que, para cada tonelada de cacho de fruto fresco (CFF) que entra na agroindústria, são produzidos em média 220 kg de cacho vazio, 120 kg de fibra de prensagem, 50 kg de casca, 20 kg de torta de palmiste, 60 kg de borra e 650 kg a 1.000 kg de efluentes. Esses resíduos são basicamente compostos por celulose e lignina, um material fibroso complexo, cujas ligações conseguem ser quebradas pelos fungos do gênero pleurotus, divulgou a Embrapa.

Fonte: Farming Brasil

Caracterização de biodiesel obtido a partir de resíduos do peixe Tambaqui

O biodiesel, atualmente, representa um dos produtos renováveis mais promissores no que tange à redução de gases poluentes oriundos de combustíveis fósseis de elevada massa molar.O potencial produtivo e competitivo do biodiesel é bastante limitado no que se refere ao custo de matéria prima vegetal, que contribui para a elevação no preço final do produto.Além disso, outros fatores que legitimam sua produção são os valores cobrados por galão de petróleo e potencial escassez futura deste combustível não renovável. O aumento na exploração comercial de biodiesel e a busca por matéria prima de custo mais acessível torna a produção mais viável e versátil.

Uma das várias possibilidades de matéria prima de custo reduzido são os refugos (vísceras, barbatanas e caldas) de peixe. O Tambaqui (Colossomamacropomum) é um peixe rico em óleo, originário da bacia Amazônica, com carne e sabor bastante apreciada para o preparo de diversas receitas da cozinha nacional.

Na natureza pode atingir até 40 kg e 1 metro de comprimento; alimenta-se de frutos e sementes; fazem migrações de alimentação e reprodução das calhas principais dos rios para igapós, várzeas e lagos amazônicos.Diante do que foi exposto, necessita-se de mais informações sobre o biodiesel de peixe, sendo uma matriz pouco explorada pelo meio cientifico e industrial para uma produção em larga escala.

O objetivo deste trabalho é analisar as características físico-químicas do biodiesel a partir de óleo do peixe Colossomamacropomum, comparando os resultados obtidos com os disponíveis na literatura e os estabelecidos pela ANP, bem como, desenvolver um estudo de eficiência da conversão de resíduos de peixe em biodiesel.

Trabalho Apresentado no 6° Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel e 9º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel.Trabalho completo: Livro 2, p. 737.

Fonte: Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel

Soja: Valorização do óleo impulsiona preços da soja em grão

Os preços da soja estão em alta, tanto no mercado doméstico quanto no internacional. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário está atrelado às valorizações do óleo de soja na Bolsa de Chicago, que, por sua vez, refletem a possibilidade da imposição de tarifas de importação por parte dos Estados Unidos sobre o biodiesel da Argentina e da Indonésia, o que poderia favorecer a produção de biodiesel dentro dos EUA e, consequentemente, elevar a demanda por óleo de soja. Mesmo assim, segundo colaboradores do Cepea, a receita obtida pelas indústrias nacionais com o esmagamento da oleaginosa continuam apertadas (ou até mesmo negativas).

Entre 18 e 25 de agosto, o Indicador da soja ESALQ/BM&FBovespa Paranaguá permaneceu praticamente estável (+0,04%), a R$ 69,51/sc de 60 kg na sexta-feira, 25. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná também permaneceu estável no período, fechando a R$ 63,72/sc de 60 kg na sexta. Quanto ao óleo de soja, os valores avançaram 1,9% na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, a R$ 2.672,91/tonelada (posto na cidade de São Paulo com 12% de ICMS) no dia 25.

Fonte: Notícias Agrícolas

Integração reduz gases de efeito estufa na produção de biodiesel de soja

Extração do óleo e fabricação na mesma unidade industrial diminuem emissões na produção de biocombustível

O óleo de soja é a matéria-prima mais utilizada para produção de biodiesel no Brasil, com participação de 75% em média entre 2014 e 2016. Para tornar a produção mais sustentável, pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, verificou as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) durante o cultivo da soja, a extração do óleo, a produção e a distribuição do combustível. O estudo coordenado pelo professor Carlos Eduardo Cerri mostra que integrar a extração do óleo e a fabricação do biodiesel na mesma unidade industrial reduz as emissões na etapa de produção.

O trabalho também recomenda o uso responsável de insumos durante o cultivo da soja, pois fertilizantes e corretivos respondem pela maior parte das emissões da fase agrícola. A avaliação das emissões foi dividida em quatro etapas: agrícola, extração, produção de biodiesel e distribuição. “Neste estudo, foram consideradas duas configurações de produção do biocombustível, o sistema de produção não integrado e o integrado”, explica o professor. “No sistema não integrado, as etapas de extração do óleo de soja e produção do biocombustível ocorrem em unidades industriais diferentes e no sistema integrado, as etapas de extração e produção ocorrem na mesma unidade industrial.”

Para obter os dados da etapa agrícola, o estudo reuniu informações sobre a produção de soja em 114 fazendas no Mato Grosso, entre as safras de 2007/2008 e 2009/2010. “Foram consideradas emissões diretas da produção de soja, que incluem a aplicação de fertilizantes nitrogenados, calcário, insumos orgânicos e defensivos agrícolas, além da produção de sementes e decomposição de resíduos da colheita, e emissões indiretas da aquisição de insumos agrícolas”, observa o professor. “Na etapa de extração, além das emissões diretas provenientes da combustão em geradores, caldeiras e silos, foram consideradas emissões indiretas originadas pela produção e transporte dos insumos industriais e combustíveis e pela aquisição de energia elétrica para armazenamento e processamento dos grãos.”

Na etapa de produção, foram contabilizadas emissões diretas de Gases de Efeito Estufa (GEE) provenientes da combustão estacionária em geradores e caldeiras e emissões indiretas da produção e transporte de insumos industriais e combustíveis e pelo consumo de eletricidade nas fábricas. “Na distribuição, foram levadas em conta emissões diretas da combustão em fontes móveis do transporte rodoviário e marítimo e emissões indiretas da produção e transporte de combustíveis”, afirma Cerri. “A pesquisa considerou quatro rotas de distribuição do biocombustível produzido no Mato Grosso, para Paulínia (interior de São Paulo), visando ao mercado interno, Santos, Paranaguá (Paraná) e de Santos à Europa, para o mercado externo.”

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Fonte: Jornal da USP

Produtores investem na versatilidade da Macaúba em Minas Gerais

Fonte de matéria-prima para alimentos, fármacos, cosméticos e até biocombustível, uma palmeira rústica está ganhando espaço nas plantações em Minas Gerais e tem se mostrado com um enorme potencial para desenvolvimento no agronegócio. A Macaúba, segundo especialistas, tem tudo para ser o “ouro verde” brasileiro e os mineiros estão saindo na frente nos estudos e projetos com a planta. O principal produto extraído é o óleo que substitui o azeite de dendê, usado em cerca de 60% dos produtos vendidos nos supermercados, mas há ainda a questão ambiental. As plantações podem conviver com o gado e ajudam na conservação do solo.

Minas Gerais começa a ter programas de cultivo da Macaúba. Capitaneados pela Prefeitura de Juiz de Fora, pelo menos 38 municípios da Zona da Mata, Sul e Vertentes já manifestaram interesse em aderir ao plantio. “A gente tem percebido o agronegócio, neste momento de crise no país, como o único segmento que tem dado resultado, segurando números expressivos. Assim sendo, temos esse projeto pare recuperar nascentes com reflorestamento e vislumbrando a possibilidade de aumentar as rendas dos produtores locais com grandes negócios”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de Juiz de Fora, João de Matos.

A Zona da Mata tem hoje 400 hectares de Macaúba plantados em uma propriedade em Lima Duarte, mas a expectativa é ampliar. Por isso, estão sendo oferecidos cursos para mostrar o potencial da planta e a Prefeitura de Juiz de Fora está mostrando aos agricultores as possibilidades de consórcios. O objetivo é ambiental: além de desenvolver o agronegócio, estudos mostram que seria possível recuperar as fontes de água do município. Segundo João de Matos, não há projeções do quanto esse cultivo pode ser ampliado, mas só Juiz de Fora tem mil quilômetros de área rural. “Logicamente não vamos conseguir 100%, mas o importante é como o entorno da Zona da Mata é carente de projetos, entendemos que esse plano vai ajudar economicamente”.

O coordenador do projeto Macaúba, Jackson Moreira, diz que a produção é potencializada pelo fato de a planta ser nativa, de alta produtividade e competitiva em topografias acidentadas. Ele ressalta que há ainda interesse de companhias aéreas de usar o produto da planta como biocombustível, dentro de um projeto para reduzir a emissão de gás carbono.

Quem confirma todo este potencial é o coordenador da Rede Macaúba de Pesquisa (Rmape) da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike. De acordo com ele, a Macaúba despontou no programa de domesticação de espécies nativas com potencial para produção de óleo. “É uma planta que pode substituir no futuro o azeite de dendê, que corresponde a 40% de toda a gordura vegetal que o homem utiliza. Ele está na margarina, no chocolate, no sorvete, até na vela. Se você for no supermercado, 60% dos produtos tem óleo de dendê, então, hà uma importância muito grande para o ser humano”, diz.

A diferença, segundo Motoike, é que a macaúba cresce em um ambiente muito menor e precisa da metade da chuva necessária ao dendê para produzir. “O potencial de Minas é enorme, porque tem muita área degradada e é nesta área que a macaúba pode ser cultivada”, disse. Sérgio Motoike trabalha para que as plantações sejam integradas às pastagens, de modo a produzir frutos na parte de cima e permitir que o gado continue ali. “Não vamos destruir a pecuária, mas melhorar o solo com o cultivo da macaúba e incrementar a atividade com uma produção extra, que seria o fruto da macaúba.”

Para se ter uma ideia, segundo Motoike, são produzidas de quatro a seis toneladas de óleo por hectare. Comercializado a US$ 800 a tonelada, o produtor tem, só de óleo de macaúba, uma renda de pelo menos US$ 3,2 mil por hectare ao ano. E a macaúba ainda tem outros produtos, como ração animal e carvão. Na indústria farmacêutica, pode servir para extrair vitaminas D e A, na de cosméticos pode ser base para shampoos, cremes e batons.

Em João Pinheiro, região Noroeste de Minas Gerais, a empresa Soleá, que enxergou na macaúba seu caminho de investimento seguro, já plantou 520 hectares e pretende expandir em mais 150 hectares a plantação até o fim de 2017. Mas o projeto para a Macaúba é ainda mais ousado. Eles têm uma propriedade de 2,6 mil hectares e, pensando no potencial de venda, projetam chegar a ter 5 mil hectares de macaúba até 2020. Para dar mais solidez ao projeto, a empresa comprou a Acrotech em 2012 para ter acesso à tecnologia e desenvolver conhecimento agrícola que garantam sucesso ao empreendimento.

A escolha pela macaúba, segundo o CEO da Soleá/Acrotec Felipe Morbi, foi feita depois de um estudo comparativo com outras culturas que constatou que a plantação tem menos gastos para desenvolvimento e um potencial muito maior de produção. “O manejo é muito simples.

Ao contrário de culturas anuais, como soja e milho, você faz a implantação no primeiro ano e depois tem somente de duas a três adubações por ano e controle de ervas. O valor médio gerado pela macaúba é de R$ 250 por tonelada. Estamos falando de algo em torno de R$ 9 mil de receita bruta por hectare enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare”, conta.

Segundo o CEO, a colheita dura seis meses, de outubro a março, e o grande diferencial é que a macaúba pode ser cultivada em áreas mais desvalorizadas. Há ainda a questão ambiental, já que não é preciso desmatar para ampliar a produção. Quanto à produtividade, a conta é que para cada hectare de macaúba são necessários 14 hectares de soja. “Além disso, a macaúba gera muito emprego regional. A demanda é de um emprego para cada 10 hectares, isso sem contar nos empregos indiretos que são criados”, diz Felipe Morbi.

As grandes companhias descobriram que a macaúba é uma solução em termos de fornecimento de óleos de palma, que em grande parte eram importados da Malásia. O maior gargalo da cadeia produtiva, porém, segundo o empresário, é que ainda existem poucos plantios comerciais. Por isso, há uma demanda reprimida pela criação de indústrias processadoras. “O mercado está muito interessado na macaúba pela qualidade dos seus óleos e farelos e pela versatilidade dos seus produtos que acabam estimulando outras cadeias regionais. É um ganho exponencial. Antes tínhamos que convencer que a macaúba era uma oportunidade ao país, hoje as pessoas vêm até nós, a macaúba já está acontecendo”, comemora.

O projeto da Soleá começou em 2009 e o plantio foi iniciado em 2015. São 460 plantas por hectare e, em um cenário conservador, uma média de 36 toneladas de fruto por hectare. Com o crescimento do potencial da macaúba, a ideia é estimular outros produtores. “Vimos que outros projetos que começaram já com os produtores não funcionaram, então quisemos construir uma empresa âncora para mostrar aos produtores que a macaúba é um investimento certo”, disse.

Fonte: Portal BiodieselBR

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