Como neutralizar as emissões de carbono, segundo estes 5 países

O que nações da Europa e das Américas já começaram a fazer para se tornarem países mais sustentáveis

Não são poucos os países que começam a se comprometer em zerar suas emissões de CO2 nos próximos anos. A ambição faz parte do discurso de  potências européias e também de pequenos notáveis latino-americanos. Mas como tornar o sonho realidade? O que precisa ser feito para, de fato, reduzir e até zerar as emissões de gases poluentes na atmosfera? O Fórum Econômico Mundial apresentou o plano de 5 países que estão comprometidos em transformar o discurso em ação.

1. Irlanda

Dublin, na Irlanda (Foto: Thinkstock)

Até 2030 espera-se que 70% da energia seja renovável, meta a ser alcançada por meio de ações de incentivo da microgeração de energia. Assim, cidadãos devem, por exemplo, passar a usar painéis solares que permitam que cada casa gere toda a energia que consome (e ainda venda o excedente). No mesmo período, a Irlanda pretende banir do país itens de plástico de uso único, como canudos e copos.

Outras apostas são: o plantio de 8 mil hectares de floresta por ano e ações de conscientização nos órgãos públicos, que, também anualmente, devem adotar ao menos uma medida para combater o aquecimento global.

2. Reino Unido
O Big Ben e o Parlamento britânico em Londres, Reino Unido (Foto: Shutterstock)

O Reino Unido já é o líder mundial em energia eólica offshore, mas para cumprir sua ambiciosa meta de levar a emissão de gases do efeito estufa a zero até 2050 será preciso ir além — e, segundo o chanceler Phillip Hammond, investir algo em torno de £1 trilhão.

As medidas planejadas pelo governo envolvem não só a redução, mas também a compensação das emissões. Por isso, faz parte do plano plantar cerca de 11 milhões de árvores até 2022, além de destinar recursos para a captura de carbono e para a aquisição de tecnologias de combate à mudança climática.

3. Costa Rica

Costa Rica prédios litoral cidade (Foto: Adrianna Calvo/Pexels)

A Costa Rica também pretende zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050. Para tanto, o foco principal é o transporte. O país planeja a criação de uma nova linha de trem elétrico, que deve circular na capital,  San José, e a transição de todos os ônibus e táxis do país para modelos elétricos. O governo também deve trabalhar para reverter o desmatamento.

4. Chile
Chile (Foto:  Marcelo Hernandez/LatinContent/Getty Images)

O país sul-americano é outro que promete neutralizar suas emissões de carbono até o meio do século. O trabalho deve começar pela geração de energia. A proposta é fechar as primeiras oito usinas de carvão do país até 2024, e todas as outras nos próximos 21 anos. Um desafio enorme, uma vez que, excluídas as hidrelétricas, o carvão  gerou mais energia do que todas as outras fontes de energia do país em 2016.

O governo chileno também quer que todas as indústrias sejam neutras em emissão até 2050, gerando apenas a quantidade de CO2 que puderem absorver.

5. Suécia

Estocolmo, capital da Suécia; país um dos países mais abertos da OCDE a imigrantes com alta escolaridade ou empreendedores (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)

Frequentemente apontada como líder na geração de energia renovável, a Suécia já gera mais da metade da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, segundo dados do Eurostat. Mas o país nórdico não deve parar por aí. Entre outras ações há, por exemplo, uma política de embaixadores. São mais de 200 “consultores de energia e clima” que se espalham pelo país oferecendo aconselhamento gratuito e imparcial sobre como tornar tudo mais sustentável, como a substituição de janelas ou das luzes, por exemplo.

O plano da Suécia, como em outros países do mundo, é se tornar um país neutro em carbono até 2050.

Fonte: Época Negócios

Por que ainda duvidam da mudança climática?

Miami lançou projeto contra enchentes

4 morreram por alta temperatura na Índia

Quase por unanimidade, a comunidade científica confirma a veracidade da mudança climática. Eis os principais fatos. A média da temperatura global aumentou 0,9˚ C desde o século 19. O estudo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) mostra que, nos últimos 100 anos, a temperatura da superfície do oceano aumentou 0,13˚C por década. Entre 1993 e 2016, as geleiras da Groenlândia e Antártica perderam em média, 286 e 127 bilhões de toneladas de gelo, respectivamente. Todo esse gelo derretido causou o aumento de 20,32 cm no nível do mar e consequentemente elevou o risco da ocorrência de furacões, ciclones e tsunamis.

Mesmo diante de tantas evidências atestadas pela ciência, tem muita gente que não acredita na mudança climática. Assim como em pleno século 21 existem os terraplanistas, pessoas que não acreditam em vacinas e aqueles que duvidam que o homem pousou na lua, duvidar da mudança climática é como viver em um universo paralelo.

Figuras predominantes na política como o presidente Donald Trump, e o secretário de estado americano, Mike Pompeo, são conhecidos por negar esse fenômeno. Em vídeo propagado no Twitter, o deputado Eduardo Bolsonaro insiste no velho discurso de que é preciso ver para acreditar. Ele aposta na ideia simplista de que se os invernos continuam frios e os verões quentes, portanto, não existiriam provas suficientes para acreditar no aquecimento global.

A verdade é que milhões de pessoas já sofrem as graves consequências dos seus efeitos da mudança do clima. E pouco importa se houve mais ou menos neve em um ano. A mudança climática trata da variação dos padrões do clima. É a desorganização de um sistema, com impactos diversos no planeta. Em Miami, o governo lançou um projeto de infraestrura que custou USD 400 milhões para prevenir enchentes devido ao aumento do nível do mar. No Oriente Médio, as secas estão cada vez mais dominantes, o que está levando ao desaparecimento de rios. No continente africano, fazendeiros estão sendo forçados a migrar devido à baixa produtividade das lavouras e o risco de enchente.

O argumento que atividades humanas não são responsáveis pelo aquecimento global também é bastante comum. Segundo uma pesquisa realizada este ano pela Universidade de Yale, 14% dos eleitores americanos não acreditam que atividades humanas causem o aquecimento global.

De acordo com a NASA, a emissão de CO2 na atmosfera registra elevação desde a Revolução Industrial e hoje atinge os níveis mais altos da história. Negar que o CO2 é um gás de efeito estufa (GEE) e que contribui para o aumento da temperatura na atmosfera é como acreditar que a terra é plana. Em uma tentativa de impor o conceito de plausible deniability, o cidadão que acredita nessa tese se livra da responsabilidade de mudar seus próprios hábitos. A mudança de hábito, afinal, exige novas atitudes e custa dinheiro, dois fatores que geram resistência.

Outro ponto utilizado pelos céticos da mudança climática é jogar para o futuro os danos causados pelo fenômeno. Basta observar vídeos de geleiras derretendo para perceber que a mudança climática está acontecendo agora. Nos últimos dias, as temperaturas chegaram a 48˚ C na Índia e quatro pessoas morreram dentro de um trem sem ar condicionado. Muitos estudos revelam que o custo benefício da prevenção é muito maior do que o custo para reparar os efeitos devastadores do aquecimento global. Vale a pena investir na prevenção.

Não acreditar na mudança climática é obscurantismo. Acreditar que a crise climática está no futuro distante é ignorância. Negar que as atividades humanas interferem no aquecimento global é se acomodar.  Os fatos são claros e as informações estão disponíveis. É preciso agir.

Fonte: Poder 360

Mudanças climáticas causam prejuízo de US$ 1 trilhão para grandes empresas, aponta estudo

Relatório divulgado na Alemanha sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno

Mais de 200 das maiores empresas do mundo deverão perder US$ 1 trilhão por causa das mudanças climáticas, grande parte disso apenas nos próximos cinco anos, informa um relatório divulgado na Alemanha. Entre os fatores que afetam os negócios estão o aumento das temperatura, o clima caótico e os preços colocados sobre a emissão de gases do efeito estufa. O alerta é feito no Dia Mundial do Meio Ambiente.

O estudo – realizado pela Organização Não Governamental CDP – sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno, enquanto os cientistas alertam que o clima da terra se encaminha para limites catastróficos caso não haja reduções nas emissões de carbono na atmosfera.

— A maioria das empresas ainda tem muito a caminhar em termos de avaliar adequadamente os riscos relacionados ao clima — afirmou Nicolette Bartlett, diretora para Mudanças Climáticas da CDP e autora do relatório.

Fundada no ano 2000, a CDP (antigamente chamada de Projeto de Transparência do Carbono – nome que originou a sigla em inglês) é um organismo respeitado dentro de uma crescente coalizão de grupos de lobby, administradores de fundos, bancos centrais e políticos que acreditam que as mudanças climáticas representem um risco sistêmico para o sistema financeiro.

Metas climáticas

Ao forçar as empresas a enfrentar os riscos às suas operações, os defensores de mais transparência esperam fazer avançar investimentos suficientes na indústria para reduzir as emissões, a tempo de cumprir as metas climáticas.

O CDP analisou dados de 215 das maiores indústrias do mundo, como Apple, Microsoft, Nestlé, Unilever, China Mobile, Infosys, UBS, Sony e BHP.

Essas empresas já teriam tido prejuízos de US$ 970 bilhões em custos adicionais devido a fatores como o aumento das temperaturas, clima caótico e o preço colocado sobre as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Cerca de 50% desses custos são considerados prováveis ou praticamente certos.

Segundo o relatório, as companhias poderiam obter amplas vantagens com um mundo descarbonizado a tempo de evitar os cenários climáticos mais tenebrosos, que os cientistas acreditam representar um risco existencial para a civilização industrial.

As preocupações com os riscos representados pelo clima aumentaram de modo acentuado, paralelamente ao crescimento do ativismo ecológico em muitos países, enquanto ondas de calor, secas, incêndios florestais e tempestades reforçadas pelo clima se tornam cada vez mais difíceis de serem ignoradas.

Fonte: Gauchazh

Mudanças Climáticas: o ser humano pode interferir na temperatura da Terra?

Confira posicionamentos de engenheiros ambientais e climatologistas na Semana do Meio Ambiente

Os termos “aquecimento global” e “mudanças climáticas” ganharam força em conferências ambientais ainda no século XX. O cientista norte-americano Wallace Smith popularizou o aquecimento global em 1975, quando a Terra passou por uma mudança de temperatura.

A partir dali cientistas, ambientalistas e organizações realizaram conferências e debates para discutir o que poderia causar esse aquecimento, e dessa forma, ajudar os países a prevenirem extinção de animais, e encontrar formas de proteger a natureza e a água potável.

Na década de 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O objetivo era coletar os estudos produzidos por pesquisadores e gerar relatórios de evidências sobre as mudanças do clima. Depois disso foram assinados protocolos e acordos entre os países para prevenir e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

De acordo com a engenheira ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Maria Fernanda Pelizzon, o termo “aquecimento global” deixou de ser utilizado porque apenas em algumas partes do mundo o clima fica mais quente. A expressão foi substituída por “mudanças climáticas”, já que, segundo Pelizzon, há lugares que esfriam mais para o sistema manter o equilíbrio.

A engenheira ambiental explica que as mudanças climáticas acontecem em tempo geológico, mas defende que por conta de processos industriais as alterações estão acontecendo de forma muito mais rápida. “A gente fala da grande influência humana com o aumento do consumo de combustível fóssil e o desmatamento. Estamos mudando um processo que acontecia em milhares de anos, para questão de séculos ou até meio séculos”, argumenta.

Em 2018, o IPCC divulgou relatório que analisa as perspectivas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. O Painel continuou a alertar para a necessidade crítica de uma ação climática urgente.

Extinção e problemas sociais
Ainda no relatório do IPCC, os pesquisadores fizeram um desafio para proteger 30% do planeta, para que a natureza esteja amparada até 2030, e metade da terra até 2050. O Greenpeace, que é uma organização que realiza ações não violentas para denunciar ameaças ao meio ambiente, se pronunciou e divulgou que reduzir a emissão de gases é o nível mínimo seguro para a forma como os seres humanos vivem.

A coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace Brasil, Fabiana Alves, explica que o aumento da temperatura global é uma das principais causas para extinção de animais. “Um exemplo clássico é o Polo Norte e o Polo Sul. Com o derretimento do Ártico e da Antártida, você tem uma migração dos animais, que de qualquer maneira não sobrevivem em outras áreas”, afirma Alves.

Para a entidade, que acredita na influência humana no clima, é necessário criar políticas públicas nos países para ampliar os compromissos com a comunidade global, adotando medidas necessárias para proteger a Terra dos impactos que podem estar acontecendo.

Fabiana Alves reforça que não só entre os animais, o problema pode ser social e pode prejudicar também famílias com menores condições de vida. “Quando você tem consequências de mudanças climáticas sendo vistas como o aumento de inundações causadas por chuvas mais fortes e mais concentradas e num período de tempo menor, furacões e ciclones fora do Brasil, elas vão atingir pessoas que estão em áreas mais vulneráveis e que têm menos dinheiro”, pondera a coordenadora.

Clima x Meio Ambiente
Apesar de todos os relatórios divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, especialistas ao redor do mundo, ambientalistas e ativistas que lutam para reduzir os danos das emissões de gases de efeito estufa na Terra, há especialistas que não acreditam nessa teoria e dizem que o aquecimento global é uma farsa.

De acordo com o Ricardo Felício, meteorologista e professor de climatologia da Universidade de São Paulo, o homem não tem o poder de controlar o clima, e por isso, não pode interferir criando mudanças climáticas.

Ele afirma que o clima, que é um padrão de elementos na atmosfera da Terra, existe por si só, e não tem nenhuma ligação com o meio ambiente que são fatores físicos, biológicos e químicos que fazem parte da vida dos seres vivos. “Do mesmo jeito que a gente não pode alterar o clima, nós também não podemos consertá-lo. Porque clima não é uma máquina”, explica o professor.

Felício explica que as mudanças climáticas foram inventadas para que os países não se desenvolvam, e defende que as nações precisam da geração de energia. “Quando você encarece a geração de energia, você quebra todo um ciclo tanto de produção quanto de bem-estar social. Quando eles falam que estão prometendo tirar as pessoas da pobreza, pelo contrário, eles vão levar mais ainda as pessoas à pobreza”, defende.

Fonte: Agência do Radio Mais

Código Florestal Brasileiro, um obstáculo para a produção agrícola ou um diferencial de mercado?

Em artigo, o consultor em gestão da sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio Barreto, comenta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ser consideradas um dos principais desafios de nível planetário que põem em dúvida o modelo atual de vida de nossa sociedade. Esse fenômeno é entendido como as alterações no clima de todo o planeta Terra, causadas pelas atividades humanas que emitem CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) para a atmosfera. Essas alterações têm consequências diretas no nosso dia a dia, causando, por exemplo, alterações nos padrões de temperatura e eventos climáticos de alta intensidade, como secas, inundações e picos de temperaturas altas e baixas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em Inglês), já foi registrada uma elevação média de 0,8 oC na temperatura do planeta, e é imprescindível cessar as emissões de gases de efeito estufa até 2100 para estabilizar o aquecimento global em 2 oC. Uma mudança climática acima desse patamar pode colocar em risco toda a vida no planeta.

tiago-egydio-barreto-fundacao-espaco-eco (Foto: Divulgação/FEE)

Essa preocupação global gerou a formulação de um compromisso com esforço coletivo para a redução das emissões de carbono que foi assinado em 2015, na Conferência das Partes (COP 21), por 195 países, ficando conhecido como Acordo de Paris. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 °C e, se possível, limitar a 1,5 °C. Cada país que ratificou o acordo assumiu metas que foram chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC – sigla em Inglês). Atualmente, as emissões globais estão próximas de 37 gigatoneladas/ano de GEE (fonte: https://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/).

As metas assumidas por cada país no Acordo de Paris começam a ser válidas em 2020. O Brasil, que está entre as dez nações que mais emitem gases de efeito estufa, comprometeu-se a reduzir suas emissões em 37% em relação a 2005. A data-limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. A principal fonte das emissões do Brasil é a mudança e conversão de uso do solo em virtude do desmatamento ilegal de nossos remanescentes de vegetação nativa (Cerrado e Floresta Amazônica), que corresponde a aproximadamente 46% do total. No setor produtivo, a atividade que mais tem contribuído para a emissão dos gases de efeito estufa é a atividade agropecuária, com aproximadamente 23% do total das emissões do país, segundo dados do observatório do clima.

Diante desse cenário, referente às emissões brasileiras oriundas das atividades agropecuárias, permito realizar algumas observações que buscam avaliar alguns aspectos de mercado e as leis ambientais do Brasil.

Quanto ao mercado, cada vez mais o tema da sustentabilidade permeia os diferentes setores produtivos. Parte disso se deve ao tema de emissões de GEE. Hoje, é comum encontrarmos na internet textos sobre economia de baixo carbono. Isto é, ao meu ver, esperado, visto que quase a totalidade dos países ratificaram o Acordo de Paris e se comprometeram com suas NDCs.

Na prática, segundo dados do Banco Mundial, 51 países já possuem seus mecanismos de precificação de carbono, e isso quer dizer que o custo das consequências das mudanças climáticas, que outrora não era contabilizada no balanço do custeio dos países e empresas, passará a ser valorada, e as fontes emissoras dos GEE passarão a ter suas emissões reguladas, seja por impostos ou por sistema de comércio de emissões, dado o marco legal de 2020, em que começará a entrar em vigor o Acordo de Paris. Ou seja, o custo do carbono entrará no orçamento das empresas e governos, de forma oficial, nesses países.

Olhando para o setor do agronegócio brasileiro, que produz riquezas, mas também é uma importante fonte de emissão de GEE, ressalto a importância das leis ambientais brasileiras para apoiar no equilíbrio dessa relação entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Em específico, refiro-me ao Código Florestal – leis federais 12.651 e 12.727, de 2012 –, que propõe um zoneamento da propriedade rural. Entre as categorias previstas está a Reserva Legal, que determina um percentual de área que pode variar de 20% a 80% e deve ser destinada à conservação ambiental, com possibilidade de exploração sustentável dos recursos naturais.

Na prática, isso quer dizer que os produtores rurais que atendem a esse requisito legal devem contabilizar as emissões de seu negócio, reduzindo o que é sequestrado de carbono, considerando sua área de Reserva Legal. Outros países adotam sistemas diferentes para impor regras para o uso da terra na propriedade rural, mas pode ser dito que o modelo de Reserva Legal previsto na lei ambiental do Brasil é um caso diferenciado, quando comparado com os de outros países.

Cerca de 55% do território brasileiro ainda é coberto por algum tipo de vegetação nativa, e boa parte desse montante está localizada nas propriedades rurais – o que reforça o protagonismo do produtor rural para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Outros países, como a Rússia, possuem maiores áreas territoriais cobertas por áreas naturais. Contudo, é importante discernir que boa parte da Rússia não possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de práticas agrícolas, e no Brasil temos um cenário oposto, em que teoricamente não há restrições climáticas para o desenvolvimento de agricultura, do norte ao sul do país.

O Brasil tem como base de sua produção agrícola as commodities, principalmente relacionadas ao cultivo de cereais e à pecuária. Esses produtos seguem mercados cada vez mais exigentes quanto à qualidade e aos critérios de produção socioambientais. Neste momento da nossa história, em que os mercados estão cada vez mais conectados e o carbono virou uma “moeda”, em vez de considerar a área de Reserva legal como uma barreira para aumentar a produtividade, ela pode ser vista como uma oportunidade única para atender às exigências de mercado e configurar a produção de commodities agrícolas do Brasil como uma das mais sustentáveis do mundo.

Para ilustrar essa colocação, pego um caso real. O óleo de palma e o óleo de palmiste são originados da extração do óleo existente na fruta e na semente dos dendezeiros e são os óleos mais consumidos no mundo. A produção desse cultivar está concentrada principalmente em dois países: Indonésia e Malásia. Visto que, ao longo do tempo, muitas áreas de vegetação nativa nesses países foram convertidas para o cultivo do dendezeiro, a biodiversidade local tornou-se vulnerável, e espécies entraram na lista de ameaça de extinção, como os orangotangos. Além disso, o cultivo dos dendezeiros ocorre normalmente em turfeiras, solos ricos em estoque de carbono. Assim, as emissões de GEE também viraram um ponto de atenção. Dadas essas e outras questões que envolvem a produção do óleo de palma e palmiste, houve uma reação e mobilização de mercado, e as empresas que demandam essas matérias-primas precisavam garantir as boas práticas nos seus processos produtivos. Assim, nesse caso, a certificação da produção dos respectivos óleos com critérios socioambientais adequados foi a solução para garantir que as grandes empresas atendessem às exigências dos consumidores e outros elos da cadeia de valor.

Ocorre que no Brasil também há produção de dendezeiros, porém é pouco expressiva, considerando a demanda e a produção mundial. Aqui, a produção ocorre principalmente no estado do Pará, e os produtores do dendezeiro devem seguir o Zoneamento Econômico Ambiental, que determina as regras para o plantio dessa cultura, como a proibição de conversão de floresta nativa para o plantio e o uso de áreas de pastagens degradadas para esse fim, além de respeitar o percentual exigido de Reserva Legal, que, nesses casos, é de 50% da área da propriedade.

Observa-se que essas regras ambientais vão ao encontro da proposta da certificação do óleo de palma e palmiste, por garantir uma pegada ambiental positiva em relação às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade. Atualmente, as empresas compradoras desses óleos possuem metas quanto ao consumo de matérias-primas certificadas, e a demanda possivelmente será de 100% em um futuro próximo. Em um mundo cada vez mais conectado, as “vozes” dos diferentes elos da cadeia de valor fazem com que os mercados se atentem a elas para suas tomadas de decisão. Esse contexto se aplica a outras commodities agrícolas, como a soja. A plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies) monitora anualmente as áreas de plantio de soja no Brasil, identificando possíveis locais que foram desmatados, plantados em terras indígenas ou Unidades de Conservação, apoiando o mercado a atender às suas demandas e às exigências da cadeia de valor.

Nota-se que a questão de conservar áreas naturais vai além de exigências legais. Os acordos globais e o posicionamento do mercado indicam a direção a seguir de muitos setores produtivos, e é notório que o tema de conservação de florestas nativas é tendência em sustentabilidade. Todas as grandes empresas possuem metas de redução de CO2. A lei ambiental brasileira firma-se como uma oportunidade, e não como um obstáculo, trazendo um diferencial para nossa agricultura. Que cadeias produtivas poderiam se beneficiar com esse posicionamento? Em que mercados o Brasil deveria investir mais e como se posicionar?

Fonte: Globo Rural

Mudanças climáticas serão tragédia para mundo, alerta chefe da ONU

Secretário convida países com propostas para combater aquecimento global e rechaça discursos

O secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que, se não forem contidas, as mudanças climáticas serão uma tragédia para mundo e, por isso, se tornará uma batalha central na organização internacional, quatro anos após o Acordo de Paris. Visando à cúpula que será realizada em 23 de setembro na ONU para intensificar os esforços para combater as mudanças climáticas, o dirigente português visita esta semana a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico, onde o aumento do nível do mar ameaça a existência de pequenos países.

“Continuamos perdendo a batalha”, alerta Guterres. “A mudança climática está indo mais rápido do que nós e, se não invertermos essa tendência, será uma tragédia para o mundo”, completou. Em sua carta-convite à cúpula, o secretário-geral da ONU anunciou uma reunião preparatória de 30 de junho a 1º de julho nos Emirados Árabes Unidos. Nela, serão discutidas as melhores propostas para combater o aquecimento global.

A mensagem pede aos países que não participem da reunião “com discursos”, mas com “planos concretos e realistas” para reduzir os gases causadores do efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e eliminá-los completamente até 2050. “O que a gente quer é que os países aumentem suas ambições para 2025 e 2030, seja na cúpula, seja em 2020”, diz Nick Mabey, do think tank E3G, que insiste na necessidade de alcançar compromissos que permitam, por exemplo, acabar com o carvão poluente.

Em sua visita a Fiji, ou a Vanuatu, Guterres se reunirá com famílias, cujas vidas são ameaçadas por furacões, inundações, ou por outros eventos climáticos extremos. Fiji tem trabalhado para construir uma coalizão de mais de 90 países do Caribe, da África e da Ásia para enfrentar melhor as crises causadas pelo aquecimento global.

Desdém americano

“Esperamos que o secretário-geral encontre em sua visita uma inspiração para ir mais longe, mais rápido e mais fundo na cúpula”, disse a embaixadora das Fiji na ONU, Satyendra Prasad. “Esperamos que este cúpula marque um ponto de inflexão”, afirmou. Segundo o enviado para o clima da ONU, Luis Alfonso de Alba, a cúpula poderá ter sucesso apesar da posição contrária dos Estados Unidos. “Há cinco, ou dez anos, os países observavam o que seu vizinho estava fazendo antes de agir e, hoje, todos estão conscientes de que há uma necessidade urgente de intervir”, disse De Alba.

A disposição de Guterres de se envolver pessoalmente na luta contra a mudança climática ocorre em um momento em que os Estados Unidos, o maior contribuinte financeiro da ONU, são céticos quanto à realidade do fenômeno e às suas causas. Desde a partida de Nikki Haley, em dezembro, Washington não tem embaixador na ONU. Trump nomeou Kelly Knight Craft para sucedê-la, mas o Senado ainda não deu seu aval para a nomeação da atual embaixadora no Canadá.

Casada com um empresário do setor do carvão, no passado, ela disse acreditar que os cientistas “de ambos os lados” falam sobre o impacto humano no aquecimento global, o que faz prever alguns pontos em comum com Guterres. “O desdém do governo Trump pela diplomacia relacionada ao clima deixou a China como principal garantidora do Acordo de Paris”, disse o diretor da ONU no grupo de especialistas do International Crisis Group, Richard Gowan.

Apesar das críticas à posição sobre direitos humanos, segundo ele, Pequim se tornou indispensável nas negociações sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015 entre 195 Estados-membros da ONU e assinado em 2016, o Acordo de Paris tem como principal objetivo impedir que a temperatura média do planeta aumente mais de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. A partir de 2020, contudo, os Estados Unidos vão deixar o pacto formalmente por decisão de Trump.

Fonte: Correio do Povo

As ideias inusitadas e radicais testadas por cientistas para conter as mudanças climáticas

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as mudanças climáticas, alertam cientistas

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

“O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema”, disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo “geoengenharia”.

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será “resolver o problema climático”. “Não podemos falhar nisso”, disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes impensáveis, argumentam pesquisadores (Foto: NASA, via BBC News Brasil)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. “Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos”, disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta
Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é “iluminar” as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.

graf_clima 1 (Foto: Reprodução/BBC)
Reciclagem de CO2
Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.

graf_clima 2 (Foto: Reprodução/BBC)
Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

“Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina”, disse ele à BBC News. “Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos.”

Estimular a produção de algas nos oceanos
Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.

graf_clima 3 (Foto: Reprodução/BBC)

Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

“No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais”, disse Roberts.

“Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa.”

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

“No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor”, disse Roberts.

Pensando o impensável
Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

“Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera”, disse Wadhams.

“Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global.”

Fonte: Época Negócios

Brasileiro instala sensores nas geleiras da Patagônia para prever mudanças climáticas

Além do ritmo de perda dos glaciares, foi possível determinar os parâmetros meteorológicos

As geleiras são sensores naturais das mudanças climáticas. Frente ao aquecimento global, monitorá-las torna-se imprescindível para que nos preparemos para o futuro. Essa foi a missão abraçada pelo gaúcho Guilherme Tomaschewski Netto, de 47 anos. Formado em ciência da computação, doutorando em oceanografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e sob a orientação do professor Jorge Arigony Neto, Guillherme desenvolveu uma rede de sensores de baixo custo e código aberto, altamente precisa para acompanhar a atividade das geleiras, em especial o derretimento de sua superfície. As estações estão instaladas no extremo sul da Patagônia, em território chileno. Desde o início dos trabalhos, em 2016, os sensores já forneceram informações importantes. Além do ritmo de perda dos glaciares (dez metros, em média, ao ano), foi possível determinar os parâmetros meteorológicos que mais influenciam o degelo — a temperatura do ar e a radiação solar.  Uma exatidão impossível de ser obtida com os métodos convencionais de medição. O projeto de Guilherme recebeu nos últimos três anos o Latin America Research Awards (LARA), iniciativa do Google que oferece bolsas a estudantes e seus orientadores de mestrado e doutorado da América Latina.

Fonte: Época Negócios

Para convencer adultos do aquecimento global é necessário educar as crianças

Um novo estudo norte-americano mostra que a melhor forma de convencer adultos resistentes à ideia do aquecimento global é educando as crianças, e enconrajando-as a conversar com os pais e responsáveis sobre o assunto.

A pesquisa analisou o impacto da educação climática em 238 famílias com crianças entre 10 e 14 anos. Os alunos participaram de quatro atividades de sala de aula explorando a mudança climática e uma atividade baseada na aprendizagem, enquanto seus responsáveis foram convidados a explorar os projetos, além de serem entrevistados pelas crianças. As perguntas envolviam quaisquer mudanças climáticas que notaram durante a vida, como a elevação do nível do mar ou alterações na temperatura.

Testes sobre a preocupação dos adultos com o aquecimento global foram feitos antes e depois da atividade. Notavelmente, os pais que participaram da atividade mostraram um aumento na preocupação com o meio ambiente, enquanto um grupo controle — que não participou das atividades escolares — manteve a forma como pensava.

“Este modelo de aprendizagem intergeracional fornece um benefício duplo”, disse a principal autora do artigo, Danielle Lawson, à Scientific American. “[Prepara] as crianças para o futuro, uma vez que vão lidar com o peso do impacto das mudanças climáticas. E capacita-os a ajudar a fazer a diferença na questão agora, fornecendo-lhes uma estrutura para ter conversas com as gerações mais velhas para nos unir para trabalhar na mudança climática.”

A especialista acredita que as conversas sobre mudanças climáticas foram mais fáceis devido ao nível de confiança entre pais e filhos, o que não existe necessariamente entre dois adultos. Os autores também notaram que as meninas foram mais persuasivas que os meninos, e sugerem que as alunas podem ser mais preocupadas e se comuniquem melhor nessa faixa etária.

A publicação, contudo, não mediu alterações no comportamento das famílias, mas, para Lawson, fornece a esperança de “que se pudermos promover essa construção de comunidade e de conversas sobre as mudanças climáticas, podemos nos unir e trabalhar juntos em uma solução”.

Os autores do artigo, no entanto, ressalta que essa não é uma questão necessariamente política. “É sobre educação, não ativismo, e as crianças são ótimas educadoras”, relatou Kathryn Stevenson, co-autora do NC State, em um comunicado à imprensa. “Eles parecem ajudar as pessoas a considerar criticamente maneiras pelas quais estar preocupado com a mudança climática pode estar alinhado com seus valores”.

Fonte: Revista Galileu

G7 do Meio Ambiente se reúne na França para analisar medidas concretas

Encontro no domingo (5) aconteceu na véspera da publicação de um relatório preocupação sobre situação da natureza. Dentre os temas estão desmatamento, poluição de plásticos, sistemas de ar-condicionado limpos e proteção de recifes de corais

Os ministros do Meio Ambiente do G7 começaram neste domingo (5) em Metz, no leste da França, conversações visando a promover medidas concretas, na véspera da publicação de um relatório preocupante sobre a situação da natureza.

“Devemos deixar este G7 com objetivos muito concretos”, afirmou o secretário de Estado francês para a Transição Ecológica, Brune Poirson, na abertura dos debates.

Além dos países do G7 (França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido), delegações do México, Chile (que abrigará a COP25 no final de 2019), Níger, Gabão, Egito estão presentes no encontro, assim como Índia, Indonésia, Ilhas Fiji, Noruega e União Europeia (UE).

Os delegados debaterão até esta segunda-feira (6) sobre uma série de iniciativas, como:

  • combate ao desmatamento;
  • poluição de plásticos;
  • sistemas de ar-condicionado limpos;
  • e proteção de recifes de corais, dentre outras.

A iniciativa deve levar à criação de coalizões de países para impulsionar medidas. O financiamento de ações em favor da biodiversidade também será estudado.

Este G7 do Meio Ambiente deve ser concluído com a adoção, pelos países que desejarem, de um guia de biodiversidade.

“Essas propostas têm todo o nosso apoio”, disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Karmenu Vella.

Na segunda, a versão final de um relatório sobre a situação global dos ecossistemas será publicada em Paris. Até 1 milhão de espécies estariam em perigo, de acordo com uma primeira versão do texto.

Um grupo de integrantes do coletivo Alter G7 protestou perto do local do encontro em Metz usando máscaras de chefes de estado e chefes de governo dos países do G7.

Luta por mudança climática ‘escondeu’ necessidade de proteger biodiversidade

No início da reunião, o ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, afirmou que, com base em estudos científicos, “chegaremos a um acordo sobre os melhores meios para aumentar o lugar da biodiversidade no cenário internacional e alcançar um resultado ambicioso” na conferência internacional sobre biodiversidade na China no final de 2020.

A luta contra a mudança climática escondeu por algum tempo a necessidade de proteger a biodiversidade nas discussões internacionais.

Mas a reunião dos estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre diversidade biológica (COP15) de Kunming, deve definir uma agenda para proteger a biodiversidade após 2020, após o fracasso em cumprir a maioria dos compromissos no período 2011-2020, conhecido como “objetivos de Aichi”.

A França espera conseguir a elaboração de um comunicado final deste G7, apesar das diferenças com os Estados Unidos em relação ao clima.

Em seu primeiro discurso neste domingo, Andrew Wheeler, que dirige a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), lamentou que “muita atenção tenha sido dada aos piores cenários” sobre o clima.

Países são ricos são os que mais poluem

Além deste G7 do ambiente, haverá palestras sobre biodiversidade, mudanças climáticas e transição ecológica para o público.

Para muitas associações, os objetivos estão longes, tanto na luta contra as mudanças climáticas quanto na proteção da biodiversidade.

Os membros do G7 fazem parte dos “países mais ricos e mais desenvolvidos, mas também são os que mais poluem”, informa o Climate Action Network (RAC).

Fonte: G1

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