Código Florestal Brasileiro, um obstáculo para a produção agrícola ou um diferencial de mercado?

Em artigo, o consultor em gestão da sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio Barreto, comenta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ser consideradas um dos principais desafios de nível planetário que põem em dúvida o modelo atual de vida de nossa sociedade. Esse fenômeno é entendido como as alterações no clima de todo o planeta Terra, causadas pelas atividades humanas que emitem CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) para a atmosfera. Essas alterações têm consequências diretas no nosso dia a dia, causando, por exemplo, alterações nos padrões de temperatura e eventos climáticos de alta intensidade, como secas, inundações e picos de temperaturas altas e baixas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em Inglês), já foi registrada uma elevação média de 0,8 oC na temperatura do planeta, e é imprescindível cessar as emissões de gases de efeito estufa até 2100 para estabilizar o aquecimento global em 2 oC. Uma mudança climática acima desse patamar pode colocar em risco toda a vida no planeta.

tiago-egydio-barreto-fundacao-espaco-eco (Foto: Divulgação/FEE)

Essa preocupação global gerou a formulação de um compromisso com esforço coletivo para a redução das emissões de carbono que foi assinado em 2015, na Conferência das Partes (COP 21), por 195 países, ficando conhecido como Acordo de Paris. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 °C e, se possível, limitar a 1,5 °C. Cada país que ratificou o acordo assumiu metas que foram chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC – sigla em Inglês). Atualmente, as emissões globais estão próximas de 37 gigatoneladas/ano de GEE (fonte: https://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/).

As metas assumidas por cada país no Acordo de Paris começam a ser válidas em 2020. O Brasil, que está entre as dez nações que mais emitem gases de efeito estufa, comprometeu-se a reduzir suas emissões em 37% em relação a 2005. A data-limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. A principal fonte das emissões do Brasil é a mudança e conversão de uso do solo em virtude do desmatamento ilegal de nossos remanescentes de vegetação nativa (Cerrado e Floresta Amazônica), que corresponde a aproximadamente 46% do total. No setor produtivo, a atividade que mais tem contribuído para a emissão dos gases de efeito estufa é a atividade agropecuária, com aproximadamente 23% do total das emissões do país, segundo dados do observatório do clima.

Diante desse cenário, referente às emissões brasileiras oriundas das atividades agropecuárias, permito realizar algumas observações que buscam avaliar alguns aspectos de mercado e as leis ambientais do Brasil.

Quanto ao mercado, cada vez mais o tema da sustentabilidade permeia os diferentes setores produtivos. Parte disso se deve ao tema de emissões de GEE. Hoje, é comum encontrarmos na internet textos sobre economia de baixo carbono. Isto é, ao meu ver, esperado, visto que quase a totalidade dos países ratificaram o Acordo de Paris e se comprometeram com suas NDCs.

Na prática, segundo dados do Banco Mundial, 51 países já possuem seus mecanismos de precificação de carbono, e isso quer dizer que o custo das consequências das mudanças climáticas, que outrora não era contabilizada no balanço do custeio dos países e empresas, passará a ser valorada, e as fontes emissoras dos GEE passarão a ter suas emissões reguladas, seja por impostos ou por sistema de comércio de emissões, dado o marco legal de 2020, em que começará a entrar em vigor o Acordo de Paris. Ou seja, o custo do carbono entrará no orçamento das empresas e governos, de forma oficial, nesses países.

Olhando para o setor do agronegócio brasileiro, que produz riquezas, mas também é uma importante fonte de emissão de GEE, ressalto a importância das leis ambientais brasileiras para apoiar no equilíbrio dessa relação entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Em específico, refiro-me ao Código Florestal – leis federais 12.651 e 12.727, de 2012 –, que propõe um zoneamento da propriedade rural. Entre as categorias previstas está a Reserva Legal, que determina um percentual de área que pode variar de 20% a 80% e deve ser destinada à conservação ambiental, com possibilidade de exploração sustentável dos recursos naturais.

Na prática, isso quer dizer que os produtores rurais que atendem a esse requisito legal devem contabilizar as emissões de seu negócio, reduzindo o que é sequestrado de carbono, considerando sua área de Reserva Legal. Outros países adotam sistemas diferentes para impor regras para o uso da terra na propriedade rural, mas pode ser dito que o modelo de Reserva Legal previsto na lei ambiental do Brasil é um caso diferenciado, quando comparado com os de outros países.

Cerca de 55% do território brasileiro ainda é coberto por algum tipo de vegetação nativa, e boa parte desse montante está localizada nas propriedades rurais – o que reforça o protagonismo do produtor rural para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Outros países, como a Rússia, possuem maiores áreas territoriais cobertas por áreas naturais. Contudo, é importante discernir que boa parte da Rússia não possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de práticas agrícolas, e no Brasil temos um cenário oposto, em que teoricamente não há restrições climáticas para o desenvolvimento de agricultura, do norte ao sul do país.

O Brasil tem como base de sua produção agrícola as commodities, principalmente relacionadas ao cultivo de cereais e à pecuária. Esses produtos seguem mercados cada vez mais exigentes quanto à qualidade e aos critérios de produção socioambientais. Neste momento da nossa história, em que os mercados estão cada vez mais conectados e o carbono virou uma “moeda”, em vez de considerar a área de Reserva legal como uma barreira para aumentar a produtividade, ela pode ser vista como uma oportunidade única para atender às exigências de mercado e configurar a produção de commodities agrícolas do Brasil como uma das mais sustentáveis do mundo.

Para ilustrar essa colocação, pego um caso real. O óleo de palma e o óleo de palmiste são originados da extração do óleo existente na fruta e na semente dos dendezeiros e são os óleos mais consumidos no mundo. A produção desse cultivar está concentrada principalmente em dois países: Indonésia e Malásia. Visto que, ao longo do tempo, muitas áreas de vegetação nativa nesses países foram convertidas para o cultivo do dendezeiro, a biodiversidade local tornou-se vulnerável, e espécies entraram na lista de ameaça de extinção, como os orangotangos. Além disso, o cultivo dos dendezeiros ocorre normalmente em turfeiras, solos ricos em estoque de carbono. Assim, as emissões de GEE também viraram um ponto de atenção. Dadas essas e outras questões que envolvem a produção do óleo de palma e palmiste, houve uma reação e mobilização de mercado, e as empresas que demandam essas matérias-primas precisavam garantir as boas práticas nos seus processos produtivos. Assim, nesse caso, a certificação da produção dos respectivos óleos com critérios socioambientais adequados foi a solução para garantir que as grandes empresas atendessem às exigências dos consumidores e outros elos da cadeia de valor.

Ocorre que no Brasil também há produção de dendezeiros, porém é pouco expressiva, considerando a demanda e a produção mundial. Aqui, a produção ocorre principalmente no estado do Pará, e os produtores do dendezeiro devem seguir o Zoneamento Econômico Ambiental, que determina as regras para o plantio dessa cultura, como a proibição de conversão de floresta nativa para o plantio e o uso de áreas de pastagens degradadas para esse fim, além de respeitar o percentual exigido de Reserva Legal, que, nesses casos, é de 50% da área da propriedade.

Observa-se que essas regras ambientais vão ao encontro da proposta da certificação do óleo de palma e palmiste, por garantir uma pegada ambiental positiva em relação às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade. Atualmente, as empresas compradoras desses óleos possuem metas quanto ao consumo de matérias-primas certificadas, e a demanda possivelmente será de 100% em um futuro próximo. Em um mundo cada vez mais conectado, as “vozes” dos diferentes elos da cadeia de valor fazem com que os mercados se atentem a elas para suas tomadas de decisão. Esse contexto se aplica a outras commodities agrícolas, como a soja. A plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies) monitora anualmente as áreas de plantio de soja no Brasil, identificando possíveis locais que foram desmatados, plantados em terras indígenas ou Unidades de Conservação, apoiando o mercado a atender às suas demandas e às exigências da cadeia de valor.

Nota-se que a questão de conservar áreas naturais vai além de exigências legais. Os acordos globais e o posicionamento do mercado indicam a direção a seguir de muitos setores produtivos, e é notório que o tema de conservação de florestas nativas é tendência em sustentabilidade. Todas as grandes empresas possuem metas de redução de CO2. A lei ambiental brasileira firma-se como uma oportunidade, e não como um obstáculo, trazendo um diferencial para nossa agricultura. Que cadeias produtivas poderiam se beneficiar com esse posicionamento? Em que mercados o Brasil deveria investir mais e como se posicionar?

Fonte: Globo Rural

Mudanças climáticas serão tragédia para mundo, alerta chefe da ONU

Secretário convida países com propostas para combater aquecimento global e rechaça discursos

O secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que, se não forem contidas, as mudanças climáticas serão uma tragédia para mundo e, por isso, se tornará uma batalha central na organização internacional, quatro anos após o Acordo de Paris. Visando à cúpula que será realizada em 23 de setembro na ONU para intensificar os esforços para combater as mudanças climáticas, o dirigente português visita esta semana a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico, onde o aumento do nível do mar ameaça a existência de pequenos países.

“Continuamos perdendo a batalha”, alerta Guterres. “A mudança climática está indo mais rápido do que nós e, se não invertermos essa tendência, será uma tragédia para o mundo”, completou. Em sua carta-convite à cúpula, o secretário-geral da ONU anunciou uma reunião preparatória de 30 de junho a 1º de julho nos Emirados Árabes Unidos. Nela, serão discutidas as melhores propostas para combater o aquecimento global.

A mensagem pede aos países que não participem da reunião “com discursos”, mas com “planos concretos e realistas” para reduzir os gases causadores do efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e eliminá-los completamente até 2050. “O que a gente quer é que os países aumentem suas ambições para 2025 e 2030, seja na cúpula, seja em 2020”, diz Nick Mabey, do think tank E3G, que insiste na necessidade de alcançar compromissos que permitam, por exemplo, acabar com o carvão poluente.

Em sua visita a Fiji, ou a Vanuatu, Guterres se reunirá com famílias, cujas vidas são ameaçadas por furacões, inundações, ou por outros eventos climáticos extremos. Fiji tem trabalhado para construir uma coalizão de mais de 90 países do Caribe, da África e da Ásia para enfrentar melhor as crises causadas pelo aquecimento global.

Desdém americano

“Esperamos que o secretário-geral encontre em sua visita uma inspiração para ir mais longe, mais rápido e mais fundo na cúpula”, disse a embaixadora das Fiji na ONU, Satyendra Prasad. “Esperamos que este cúpula marque um ponto de inflexão”, afirmou. Segundo o enviado para o clima da ONU, Luis Alfonso de Alba, a cúpula poderá ter sucesso apesar da posição contrária dos Estados Unidos. “Há cinco, ou dez anos, os países observavam o que seu vizinho estava fazendo antes de agir e, hoje, todos estão conscientes de que há uma necessidade urgente de intervir”, disse De Alba.

A disposição de Guterres de se envolver pessoalmente na luta contra a mudança climática ocorre em um momento em que os Estados Unidos, o maior contribuinte financeiro da ONU, são céticos quanto à realidade do fenômeno e às suas causas. Desde a partida de Nikki Haley, em dezembro, Washington não tem embaixador na ONU. Trump nomeou Kelly Knight Craft para sucedê-la, mas o Senado ainda não deu seu aval para a nomeação da atual embaixadora no Canadá.

Casada com um empresário do setor do carvão, no passado, ela disse acreditar que os cientistas “de ambos os lados” falam sobre o impacto humano no aquecimento global, o que faz prever alguns pontos em comum com Guterres. “O desdém do governo Trump pela diplomacia relacionada ao clima deixou a China como principal garantidora do Acordo de Paris”, disse o diretor da ONU no grupo de especialistas do International Crisis Group, Richard Gowan.

Apesar das críticas à posição sobre direitos humanos, segundo ele, Pequim se tornou indispensável nas negociações sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015 entre 195 Estados-membros da ONU e assinado em 2016, o Acordo de Paris tem como principal objetivo impedir que a temperatura média do planeta aumente mais de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. A partir de 2020, contudo, os Estados Unidos vão deixar o pacto formalmente por decisão de Trump.

Fonte: Correio do Povo

As ideias inusitadas e radicais testadas por cientistas para conter as mudanças climáticas

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as mudanças climáticas, alertam cientistas

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

“O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema”, disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo “geoengenharia”.

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será “resolver o problema climático”. “Não podemos falhar nisso”, disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes impensáveis, argumentam pesquisadores (Foto: NASA, via BBC News Brasil)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. “Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos”, disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta
Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é “iluminar” as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.

graf_clima 1 (Foto: Reprodução/BBC)
Reciclagem de CO2
Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.

graf_clima 2 (Foto: Reprodução/BBC)
Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

“Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina”, disse ele à BBC News. “Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos.”

Estimular a produção de algas nos oceanos
Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.

graf_clima 3 (Foto: Reprodução/BBC)

Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

“No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais”, disse Roberts.

“Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa.”

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

“No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor”, disse Roberts.

Pensando o impensável
Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

“Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera”, disse Wadhams.

“Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global.”

Fonte: Época Negócios

Brasileiro instala sensores nas geleiras da Patagônia para prever mudanças climáticas

Além do ritmo de perda dos glaciares, foi possível determinar os parâmetros meteorológicos

As geleiras são sensores naturais das mudanças climáticas. Frente ao aquecimento global, monitorá-las torna-se imprescindível para que nos preparemos para o futuro. Essa foi a missão abraçada pelo gaúcho Guilherme Tomaschewski Netto, de 47 anos. Formado em ciência da computação, doutorando em oceanografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e sob a orientação do professor Jorge Arigony Neto, Guillherme desenvolveu uma rede de sensores de baixo custo e código aberto, altamente precisa para acompanhar a atividade das geleiras, em especial o derretimento de sua superfície. As estações estão instaladas no extremo sul da Patagônia, em território chileno. Desde o início dos trabalhos, em 2016, os sensores já forneceram informações importantes. Além do ritmo de perda dos glaciares (dez metros, em média, ao ano), foi possível determinar os parâmetros meteorológicos que mais influenciam o degelo — a temperatura do ar e a radiação solar.  Uma exatidão impossível de ser obtida com os métodos convencionais de medição. O projeto de Guilherme recebeu nos últimos três anos o Latin America Research Awards (LARA), iniciativa do Google que oferece bolsas a estudantes e seus orientadores de mestrado e doutorado da América Latina.

Fonte: Época Negócios

Para convencer adultos do aquecimento global é necessário educar as crianças

Um novo estudo norte-americano mostra que a melhor forma de convencer adultos resistentes à ideia do aquecimento global é educando as crianças, e enconrajando-as a conversar com os pais e responsáveis sobre o assunto.

A pesquisa analisou o impacto da educação climática em 238 famílias com crianças entre 10 e 14 anos. Os alunos participaram de quatro atividades de sala de aula explorando a mudança climática e uma atividade baseada na aprendizagem, enquanto seus responsáveis foram convidados a explorar os projetos, além de serem entrevistados pelas crianças. As perguntas envolviam quaisquer mudanças climáticas que notaram durante a vida, como a elevação do nível do mar ou alterações na temperatura.

Testes sobre a preocupação dos adultos com o aquecimento global foram feitos antes e depois da atividade. Notavelmente, os pais que participaram da atividade mostraram um aumento na preocupação com o meio ambiente, enquanto um grupo controle — que não participou das atividades escolares — manteve a forma como pensava.

“Este modelo de aprendizagem intergeracional fornece um benefício duplo”, disse a principal autora do artigo, Danielle Lawson, à Scientific American. “[Prepara] as crianças para o futuro, uma vez que vão lidar com o peso do impacto das mudanças climáticas. E capacita-os a ajudar a fazer a diferença na questão agora, fornecendo-lhes uma estrutura para ter conversas com as gerações mais velhas para nos unir para trabalhar na mudança climática.”

A especialista acredita que as conversas sobre mudanças climáticas foram mais fáceis devido ao nível de confiança entre pais e filhos, o que não existe necessariamente entre dois adultos. Os autores também notaram que as meninas foram mais persuasivas que os meninos, e sugerem que as alunas podem ser mais preocupadas e se comuniquem melhor nessa faixa etária.

A publicação, contudo, não mediu alterações no comportamento das famílias, mas, para Lawson, fornece a esperança de “que se pudermos promover essa construção de comunidade e de conversas sobre as mudanças climáticas, podemos nos unir e trabalhar juntos em uma solução”.

Os autores do artigo, no entanto, ressalta que essa não é uma questão necessariamente política. “É sobre educação, não ativismo, e as crianças são ótimas educadoras”, relatou Kathryn Stevenson, co-autora do NC State, em um comunicado à imprensa. “Eles parecem ajudar as pessoas a considerar criticamente maneiras pelas quais estar preocupado com a mudança climática pode estar alinhado com seus valores”.

Fonte: Revista Galileu

G7 do Meio Ambiente se reúne na França para analisar medidas concretas

Encontro no domingo (5) aconteceu na véspera da publicação de um relatório preocupação sobre situação da natureza. Dentre os temas estão desmatamento, poluição de plásticos, sistemas de ar-condicionado limpos e proteção de recifes de corais

Os ministros do Meio Ambiente do G7 começaram neste domingo (5) em Metz, no leste da França, conversações visando a promover medidas concretas, na véspera da publicação de um relatório preocupante sobre a situação da natureza.

“Devemos deixar este G7 com objetivos muito concretos”, afirmou o secretário de Estado francês para a Transição Ecológica, Brune Poirson, na abertura dos debates.

Além dos países do G7 (França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido), delegações do México, Chile (que abrigará a COP25 no final de 2019), Níger, Gabão, Egito estão presentes no encontro, assim como Índia, Indonésia, Ilhas Fiji, Noruega e União Europeia (UE).

Os delegados debaterão até esta segunda-feira (6) sobre uma série de iniciativas, como:

  • combate ao desmatamento;
  • poluição de plásticos;
  • sistemas de ar-condicionado limpos;
  • e proteção de recifes de corais, dentre outras.

A iniciativa deve levar à criação de coalizões de países para impulsionar medidas. O financiamento de ações em favor da biodiversidade também será estudado.

Este G7 do Meio Ambiente deve ser concluído com a adoção, pelos países que desejarem, de um guia de biodiversidade.

“Essas propostas têm todo o nosso apoio”, disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Karmenu Vella.

Na segunda, a versão final de um relatório sobre a situação global dos ecossistemas será publicada em Paris. Até 1 milhão de espécies estariam em perigo, de acordo com uma primeira versão do texto.

Um grupo de integrantes do coletivo Alter G7 protestou perto do local do encontro em Metz usando máscaras de chefes de estado e chefes de governo dos países do G7.

Luta por mudança climática ‘escondeu’ necessidade de proteger biodiversidade

No início da reunião, o ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, afirmou que, com base em estudos científicos, “chegaremos a um acordo sobre os melhores meios para aumentar o lugar da biodiversidade no cenário internacional e alcançar um resultado ambicioso” na conferência internacional sobre biodiversidade na China no final de 2020.

A luta contra a mudança climática escondeu por algum tempo a necessidade de proteger a biodiversidade nas discussões internacionais.

Mas a reunião dos estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre diversidade biológica (COP15) de Kunming, deve definir uma agenda para proteger a biodiversidade após 2020, após o fracasso em cumprir a maioria dos compromissos no período 2011-2020, conhecido como “objetivos de Aichi”.

A França espera conseguir a elaboração de um comunicado final deste G7, apesar das diferenças com os Estados Unidos em relação ao clima.

Em seu primeiro discurso neste domingo, Andrew Wheeler, que dirige a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), lamentou que “muita atenção tenha sido dada aos piores cenários” sobre o clima.

Países são ricos são os que mais poluem

Além deste G7 do ambiente, haverá palestras sobre biodiversidade, mudanças climáticas e transição ecológica para o público.

Para muitas associações, os objetivos estão longes, tanto na luta contra as mudanças climáticas quanto na proteção da biodiversidade.

Os membros do G7 fazem parte dos “países mais ricos e mais desenvolvidos, mas também são os que mais poluem”, informa o Climate Action Network (RAC).

Fonte: G1

Turismo do Brasil é prejudicado por mudanças climáticas

A Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, realizou um estudo que revelou que as mudanças de temperatura, resultantes do aquecimento global, teriam reduzido a riqueza per capita em 17% a 30% nos países mais pobres do mundo, entre 1961 e 2010. Mesmo com a diminuição da desigualdade econômica entre os países ao longo das últimas décadas, a pesquisa afirma que essa diminuição teria ocorrido de maneira mais rápida caso essas mudanças não tivessem acontecido. E entre os cinco países mais prejudicados está o Brasil (atrás de Sudão, Índia, Nigéria e Indonésia). O estudo afirma que o PIB per capta brasileiro é 25% inferior ao que poderia ser se as mudanças climáticas não tivessem afetado a produção econômica.

De acordo com Burke, um dos cientistas envolvidos na pesquisa, os dados históricos revelam que as culturas são mais produtivas quando as temperaturas não são muito quentes nem muito frias. Logo, nos países mais quentes essas mudanças climáticas fazem com que as temperaturas fiquem distantes do ideal para o crescimento econômico. Em um cenário como esse, diversos setores são afetados, incluindo o turismo.

Ainda deve-se observar que muito tem sido falado sobre as políticas climáticas e as negociações entre os países acerca da responsabilidade por conter o aquecimento global. Nesse contexto parece que a economia pode ser, ao invés de inimiga, a solução para o desenvolvimento econômico; bastam políticas públicas e privadas efetivas. Qual melhor aliado para isso do que o turismo? Preserva natureza e cultura como seu principal ativo, gera empregos, traz divisas e incentiva investimentos. Por isso o turismo importa tanto para a economia brasileira.

Fonte: Panrotas

Humanidade, vítima de sua ação destrutiva sobre a natureza

Como deter a destruição da natureza, vital para a humanidade? Governos e cientistas se reúnem na semana que vem em Paris para alertar sobre o estado dos ecossistemas do planeta, atingidos, como o clima, pela ação do homem.

Esta avaliação mundial é a primeira em quase 15 anos: 150 especialistas de 50 países trabalharam durante três anos, reunindo milhares de estudos sobre biodiversidade.

Seu informe de 1.800 páginas será submetido a partir de segunda-feira aos Estados-membros da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que discutirão ponto por ponto.

“O patrimônio ambiental mundial – a terra, os oceanos, a atmosfera e a biosfera -, do qual depende a humanidade está sendo alterado em um nível sem precedentes, com impactos em cascata sobre os ecossistemas locais e regionais”, indica o rascunho do resumo do informe obtido pela AFP, que ainda poderá ser modificado.

Água potável, ar, insetos polinizadores, florestas que absorvem o CO2… A constatação sobre estes recursos é tão alarmante como o último informe do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que no ano passado destacou a brecha crescente entre as emissões de gases de efeito estufa e o objetivo de limitar a mudança climática e seus efeitos catastróficos.

O texto relaciona além disso a perda de biodiversidade com o aquecimento, na medida em que ambos os fenômenos estão acentuados em parte pelos mesmos fatores, como as práticas agrícolas e o desmatamento, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2 mas também por graves danos aos ecossistemas.

A exploração de terras e de recursos (pesca, caça) são as maiores causas da perda de biodiversidade, seguidas das mudanças climáticas, da poluição e das espécies invasivas.

– 6ª extinção em massa –

O resultado é “uma aceleração rápida, iminente do nível de extinção de espécies”, segundo o rascunho. Das oito milhões de espécies estimadas no planeta – das quais 5,5 milhões são de insetos -, “entre meio milhão e um milhão estarão ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas”.

Estas projeções correspondem às advertências de muitos cientistas que estimam que a Terra está no início da “6ª extinção em massa”, a primeira desde que o homem habita o planeta.

Mas várias fontes próximas às negociações lamentaram que o projeto de síntese não seja tão claro e não mencione esta extinção em massa.

“Não há dúvida de que estamos caminhando em direção à 6ª extinção em massa, a primeira causada pelo homem”, declarou recentemente à AFP o presidente do IPBES, Robert Watson. “Mas não é algo que o público possa ver facilmente”.

Para que haja uma tomada de consciência, “é preciso dizer a eles que perdemos insetos, florestas, espécies carismáticas”.

Também “os governos e o setor privado devem começar a levar a sério a biodiversidade, tanto quanto o aquecimento”, insistiu o cientista.

Um ano antes da esperada reunião na China dos Estados-membros do Convênio da ONU sobre Diversidade Biológica (COP15), muitos especialistas esperam que o informe do IPBES seja uma etapa crucial em direção a um acordo de envergadura como o assinado em Paris em 2015 contra a mudança climática.

A WWF espera que esta COP15 fixe “objetivos de alto nível”.

“Se queremos um planeta sustentável em 2050, devemos contar com uma meta muito agressiva para 2030”, indicou Rebecca Shaw, cientista-chefe da ONG. “Devemos mudar de trajetória nos próximos 10 anos, como com o clima”.

Mas dado que os remédios para o aquecimento global que implicam mudanças maiores no sistema produtivo e de consumo já suscitam grandes resistências, o que acontecerá com a biodiversidade?

“Será ainda mais difícil, porque as pessoas são menos conscientes dos problemas de biodiversidade”, afirma Jean-François Silvain, presidente da Fundação francesa para a Pesquisa sobre a Biodiversidade.

Fonte: Istoé

Chuvas atípicas vão se tornar o novo normal, diz especialista

Episódios extremos aconteceram em todo o país e falta investimento em medidas de adaptação às mudanças climáticas

As chuvas intensas registradas em diferentes regiões no Brasil nestes primeiros meses do ano sinalizam que, daqui para frente, o que era considerado “atípico” deverá ser tornar o novo normal. Considerada a maior chuva em 22 anos, o temporal causou dez mortes no Rio de Janeiro. No Piauí, mais de 10 000 famílias foram atingidas — cerca de 3 000 estão desabrigadas — e 17 cidades estão em situação de emergência.

É o que explica o especialista em recursos hídricos da ONG The Nature Conservancy, Samuel Barrêto. “Primeiro temos que mudar uma questão conceitual. Essa chuva tão intensa não é mais atípica. Apenas neste ano, já vimos vários casos semelhantes no acúmulo de volume de água. O conceito é a primeira noção que precisamos mudar”, afirmou.

Além das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, toda a infraestrutura disponível (sirenes, sistemas de drenagem, equipes de resgate, etc.) para lidar com desastres naturais, especificamente no Rio de Janeiro, não funcionou. Atualmente, trabalha-se com a ideia de adaptação às alterações do clima, e não mais com a possibilidade de evitar que as transformações ocorram. Ou seja, já que elas estão por aí, cabe ao poder público tomar ações para proteger a população.

“As mortes poderiam ter sido evitadas. Se não há investimento em ciência e coleta de dados, não será possível melhorar. Vamos cair em um ciclo vicioso”, afirmou Barrêto. Segundo o especialista, o governo precisa impedir a ocupação dos territórios em risco de desabamento, criar uma política pública de habitação e prevenção de riscos, com investimento em soluções de drenagem, manutenção de bueiros e coleta e disponibilização de informações para a sociedade. “Nos Estados Unidos, por exemplo, os cidadãos recebem alertas para cada evento climático extremo, seja um tufão ou temperaturas muito baixas”, afirmou.

Barrêto destacou que as medidas de natureza também são importantes. Parques lineares, principalmente em áreas que têm sofrido com o processo de urbanização, com a impermeabilização do solo, podem contribuir com a absorção da água.

“Vimos situações dramáticas no Rio de Janeiro, no Piauí e em São Paulo. O governo é responsável e precisa criar políticas públicas para minimizar os impactos e os efeitos, em níveis federal, estadual e municipal. Essas anomalias são crescentes no Brasil e no mundo. Temos que nos preparar”, afirmou.

Junto ao poder público, a população também tem como colaborar. Jogar lixo na rua, por exemplo, é uma das ações que Barrêto descreveu como prejudiciais para o sistema inteiro. Os resíduos sólidos entopem bueiros e impedem que a água escorra pelo caminho por onde deveria percorrer.

“Estamos no caminho inverso da adaptação às mudanças climáticas, não dando importância a elas e reduzindo os investimentos nessa área. Mais mortes vão acontecer, além dos prejuízos sociais e econômicos. Dos econômicos a gente corre atrás, mas quando se perde a vida, não há mais o que fazer”, declarou.

Fonte: Veja

Mudanças climáticas abalaram a vida de 62 milhões só no ano passado, diz relatório da OMM

Planos concretos, realistas, não apenas discursos bonitos para servirem como plataforma política, é o que pede Antonio Guterres, secretário geral da ONU, aos líderes que vão se reunir em setembro na cúpula das Nações Unidas, em Nova York. Guterres faz este apelo não à toa. É que há muito o que fazer para que verdadeiras mudanças nos níveis de produção e consumo, de fato, comecem a fazer diferença. Por enquanto, pouco se vê como resultado prático dos encontros que debatem o clima. Para ilustrar com mais estudos a preocupação do chefe da ONU, na semana passada a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório que constata que 62 milhões de pessoas foram afetadas pelas mudanças do clima somente em 2018. E mais: a temperatura global, segundo os estudos, já subiu 1º grau acima do período pré-industrial.

É preciso cortar as emissões globais de gases do efeito estufa em 45% até 2030, sob pena de que as inundações, as ondas de calor e os instantâneos de frio prolongados devastem ainda mais vidas em todo o mundo. Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, na apresentação do relatório, lembra que o Ciclone Tropical Idai, que massacrou Moçambique, Zimbábue e Malaui com inundações devastadoras, pode ser considerado, até agora, um dos mais mortíferos desastres relacionados ao clima a atingir o Hemisfério Sul.

“Idai atingiu a cidade de Beira, uma cidade em rápido crescimento e baixa altitude, num litoral vulnerável a tempestades e já enfrentando as consequências da subida do nível do mar. As vítimas de Idai personificam por que precisamos da agenda global sobre desenvolvimento sustentável, adaptação às mudanças climáticas e redução do risco de desastres”, disse Taalas.

Os céticos do clima começam a se mexer na cadeira, estou certa disso. Hão de dizer que é impossível atribuir toda a culpa do que está acontecendo nos países africanos – em Moçambique já se registra um caso de cólera – às mudanças climáticas. São países pobres, que não têm estrutura para suportar eventos extremos de qualquer magnitude, diriam. Isto também é verdade, já que para os países ricos é muito mais fácil se livrar de tais problemas. Assim mesmo, sabemos bem o que acontece aos habitantes dos Estados Unidos, a nação mais rica, quando são atingidos por furacões.

Fato é que quando a primeira edição do relatório anual da OMM foi divulgada, há quinze anos, os níveis de dióxido de carbono estavam em 357 partes por milhão. Em 2017, eles atingiram 406 partes por milhão, com especialistas esperando números ainda maiores para 2018 e 2019.

Os cientistas, estes mesmos que têm sido tão fortemente aplaudidos e reverenciados quando descobrem formas de melhorar a vida da humanidade, é quem dizem, com base em nada menos do que seis mil estudos, que as emissões de gases do efeito estufa estão por trás do aquecimento e das mudanças climáticas. São eles também, não custa lembrar, que em outubro do ano passado lançaram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) advertindo que o mundo precisa de mudanças sem precedentes para alcançar a meta traçada no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.

Voltemos ao relatório recentemente divulgado pela OMM. Segundo ele, as enchentes atingiram mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo em 2018. A seca também afetou nove milhões de pessoas, áreas do Quênia, Afeganistão e América Central, além de ter provocado migrações em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

“Esses extremos estão piorando a fome, que está aumentando novamente após um declínio prolongado. Em 2017, o número de pessoas subnutridas foi estimado em 821 milhões. Quarenta países continuam a depender de assistência externa para o fornecimento de alimentos, dos quais 31 estão na África”, diz a reportagem sobre o relatório no site Climate Home News.

O Relatório da OMM deixa claro que as variações climáticas e os eventos extremos – seca, tempestades, furacões, ciclones – estão impulsionando as crises alimentares no mundo.

Segundo o relatório, 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado. E não foram poucas as implicações disto na vida de pessoas comuns. Somente em setembro de 2018, seca, inundações e tempestades provocaram o deslocamento de dois milhões no mundo.

Japão foi castigado por uma forte onda de calor, seguida de tempestades que causaram enchentes. Um recorde de temperatura alta: 41.1 graus registrados na cidade de Kumagaya no dia 23 de julho.

Ondas de calor trouxeram incêndios florestais. Na Suécia, mais de 25 mil hectares foram queimados, o que também atingiu Letônia, Noruega, Alemanha, Reino Unido e Irlanda. Em Atenas, no dia 23 de julho, o fogo se espalhou rapidamente por causa de uma fortíssima ventania. Na Europa Central, o transporte fluvial foi interrompido várias vezes por causa da seca, que também castigou a Austrália, parte da Indonésia e muito severamente o Afeganistão, Paquistão, Uruguai, Argentina. Na América Latina houve neve fora do comum no Chile, Bolívia, Peru e Uruguai. Uma forte tempestade atingiu o Mar Mediterrâneo em setembro, com proporções de ciclone tropical.

As informações sobre os impactos negativos das mudanças climáticas estão à disposição e podem, também, ser lidas com ceticismo quanto ao papel da atividade humana neste processo. É por isso que, já não é de hoje, outro grupo de cientistas se esforça para alterar a Escala do Tempo Geológico, propondo que se entenda a era atual como Antropoceno. Mas esta é uma história mais complexa, que será contada pelo economista José Eli da Veiga em seu novo livro, “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” (Ed. 34), sobre o qual trarei notícias em breve.

Fonte: G1

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