Passado dos oceanos ajuda na análise de mudanças climáticas

Instituto Oceanográfico da USP apresenta trabalhos sobre mudanças climáticas em evento internacional

Entre os dias 15 e 20 de setembro acontece a 17ª Reunião da Associação Internacional de Nanoplâncton (INA17), em Santos (SP). Organizado pelo Instituto Oceanográfico (IO) da USP, em parceria com a Associação Internacional de Nanoplâncton, o encontro conta com a participação de estudiosos de mais de 30 países. Pela primeira vez sediado em uma cidade do Hemisfério Sul, o evento vai reunir especialistas em estudar o passado dos oceanos, por meio dos nanofósseis e nanoplânctons calcários, compostos de organismos marinhos microscópicos, algas marinhas unicelulares que flutuam pelas águas dos oceanos. O Jornal da USP no Ar conversa com o presidente da Comissão Organizadora do INA17, professor Felipe Toledo, coordenador do Laboratório de Paleoceanografia do Atlântico Sul (LaPAS) do IO.

Os oceanos são fundamentais para o sistema climático, uma vez que reciclam metade do oxigênio que respiramos e absorvem metade do CO2 que emitimos através da queima de combustíveis fósseis. Os oceanos acumulam 97% da água da Terra e 95% de todo o carbono móvel, fornecendo alimento e oportunidades de sustento para garantir o bem-estar na Terra. “Estamos falando em controle climático global. Os oceanos funcionam como nosso termostato. Eles nos mantêm aquecidos, como podem esfriar o planeta”, comenta Toledo.

Por meio dos nanoplânctons calcários, os pesquisadores conseguem estudar as variações climáticas ao longo do tempo. “O cientista atua como um detetive do passado”, comenta Toledo. O professor explica que os nanoplânctons calcários ocupam todos os oceanos, “produzindo florações gigantescas que podem ser observadas do espaço”. A partir dos nanofósseis desses organismos, é possível estabelecer a idade de sedimentos marinhos, reconstruir o clima da época e, até mesmo, realizar projeções ambientais.

Alguns desses organismos microscópicos podem atuar como geradores de petróleo, ao transportar matéria orgânica para o fundo do oceano, explica Toledo. No entanto, o mais importante para a indústria do petróleo é, justamente, a datação dos sedimentos marinhos. “Ao determinar a idade de uma rocha, a indústria tem um guia para saber em que camada será possível encontrar óleo e gás”, esclarece o professor.

A vinda da Reunião da Associação Internacional de Nanoplâncton para o Hemisfério Sul é resultado do trabalho de pesquisa realizado no Instituto Oceanográfico. “Conseguimos construir uma massa crítica para trazer o evento para cá”, destaca o presidente da Comissão Organizadora.

Fonte: Jornal da USP

Bioenergia pode ajudar a conter as mudanças climáticas, diz ONU

No entanto, o aumento desordenado da produção de culturas energéticas pode degradar a terra, impactar a segurança alimentar e o uso de recursos hídricos

A bioenergia pode ajudar na mitigação das mudanças climáticas globais contribuindo para diminuir a queima de carvão, petróleo e gás natural para geração de energia e, consequentemente, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera.

Pesquisadores brasileiros e estrangeiros que têm estudado o assunto defendem ser possível expandir o uso de bioenergia sem degradar o solo, comprometer a segurança alimentar ou os recursos hídricos.

O tema foi abordado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) no seu mais recente relatório especial, lançado no dia 8 de agosto com o tema “Mudanças climáticas e uso da terra”, e em seu respectivo sumário para os formuladores de políticas.

A abordagem do relatório sugere que, entre cientistas e negociadores de governos, o antagonismo entre a produção de biocombustíveis e o cultivo de alimentos começa a se dissipar.

Mas ressalva que o aumento generalizado e desordenado da produção de bioenergia no mundo pode resultar em uma grande expansão de áreas de cultivo de culturas energéticas em detrimento do cultivo de alimento, além de aumentar o uso de água para irrigação.

“Alguns cenários do IPCC apontam que, com o aumento da demanda por energia, poderia ocorrer um incremento de mais de 25 milhões de hectares por ano da área voltada ao cultivo de culturas para produção de bioenergia no mundo. Isso poderia pressionar áreas de vegetação nativa ou voltadas à produção de alimentos”, disse Luís Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária e um dos autores do capítulo transversal sobre bioenergia e tecnologias de captura e armazenamento de CO2 – as chamadas BECCS (Bionergy Carbon Capture and Storage) – em cenários de mitigação, à Agência FAPESP.

“Mas, para chegar a taxas de expansão de uso da terra para bioenergia dessa ordem, precisaria ter um mercado internacional pujante, que pagasse não só por esse tipo de energia, mas também pelo serviço ambiental de captura e armazenamento do carbono. E isso ainda é muito incipiente”, ponderou Barioni. (Leia mais em http://agencia.fapesp.br/31178/).

Ação de cientistas brasileiros

A declaração final sobre o papel da bioenergia no combate às mudanças climáticas no sumário para tomadores de decisão reflete a ação de diplomatas e funcionários do governo brasileiro, apoiados a distância por cientistas, na reunião do IPCC, em Genebra, na Suíça.

Durante o evento, os delegados nacionais de 190 países discutiram o texto até entrar em um acordo para que o documento pudesse ser fechado, de acordo com Gláucia Mendes Souza, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

A versão preliminar do sumário refletia de modo impreciso as conclusões do relatório e apresentava restrições controversas e enviesadas em relação à bioenergia, afirmam pesquisadores brasileiros que acompanharam as discussões a distância.

“O sumário apresentava dados que só depreciavam a bioenergia, baseados em valores equivocados de produtividade e de área necessária para produzir biocombustíveis para atender as necessidades da transição energética global”, acrescentou Luiz Augusto Horta Nogueira, pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp).

Fonte: Exame

Cientistas renomados se reúnem na USP para discutir poluição do ar

Pesquisadores participarão da Escola de Ciência Avançada, que abordará impactos dos aerossóis na atmosfera

A poluição do ar é um dos maiores problemas do mundo, tanto de saúde quanto do ponto de vista ambientalista. Inclusive, por isso, é uma das áreas de pesquisa com mais relevância atualmente. Há uma necessidade de se desenvolver estudos e possíveis soluções. Embalado pela urgência do tema, a USP reunirá, entre os dias 22 de julho e 2 de agosto, cerca de 150 cientistas em início de carreira, estudantes de pós-graduação, para entrar em contato com pesquisadores renomados na área do mundo inteiro.

A Escola de Ciência Avançada é uma iniciativa nova na Universidade e está sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “A Fapesp tem um programa financiador há dez anos para escolas avançadas de diferentes áreas do conhecimento. Sempre através de eventos únicos que causem um grande impacto na comunidade científica local e internacional”, explica o professor Henrique Barbosa, do Instituto de Física (IF) da USP, um dos organizadores do evento.

Ele comenta que o objetivo é trazer pesquisadores de altíssimo nível, junto aos melhores alunos e cientistas em início de carreira que puderam reunir; assim pretendem dar oportunidades para essas pessoas e incentivar a produção científica sobre o tema. Nessa ocasião, a ideia inicial era receber 100 alunos, porém a demanda foi tão alta que acabaram com quase 150 inscritos de 34 países diferentes dos cinco continentes. Entre os pesquisadores, Barbosa diz que receberão 12 pesquisadores de peso na área da poluição do ar, sendo sete deles estrangeiros.

Serão tratadas cinco vertentes dos estudos sobre poluição do ar e mudanças climáticas. Uma delas estudará as propriedades e medidas das partículas de aerossol em suspensão na atmosfera. Também estudarão os aerossóis, que têm origem por ação do homem, e seus efeitos na saúde. Além disso, as modificações e implicações climáticas que a interação entre aerossóis e nuvens podem ter serão tema de painel. Assim como a possibilidade de se medir essas partículas a partir de sensores a bordo de satélites. Concluindo o evento, serão tratadas as mudanças climáticas causadas por aerossóis do ponto de vista da modelagem.

O professor destaca ainda uma mesa-redonda que discutirá três aspectos dos efeitos da poluição do ar na saúde humana. Nesse momento, a convidada Simone Georges, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentará um documento, lançado mês passado, chamado Poluição do Ar e Saúde, assinado por cinco academias nacionais de ciência de diferentes países. Ele conta com recomendações sobre o que deve ser feito para se remediar e quais os possíveis impactos na saúde da poluição do ar.

“A USP é realmente um dos líderes mundiais na área de pesquisa de poluição do ar e efeitos na saúde. Esperamos que isso seja uma grande oportunidade de não apenas estabelecer uma rede de colaboração dos alunos entre si, mas também com os grandes pesquisadores de ponta”, conclui.

Fonte: Jornal USP

Como neutralizar as emissões de carbono, segundo estes 5 países

O que nações da Europa e das Américas já começaram a fazer para se tornarem países mais sustentáveis

Não são poucos os países que começam a se comprometer em zerar suas emissões de CO2 nos próximos anos. A ambição faz parte do discurso de  potências européias e também de pequenos notáveis latino-americanos. Mas como tornar o sonho realidade? O que precisa ser feito para, de fato, reduzir e até zerar as emissões de gases poluentes na atmosfera? O Fórum Econômico Mundial apresentou o plano de 5 países que estão comprometidos em transformar o discurso em ação.

1. Irlanda

Dublin, na Irlanda (Foto: Thinkstock)

Até 2030 espera-se que 70% da energia seja renovável, meta a ser alcançada por meio de ações de incentivo da microgeração de energia. Assim, cidadãos devem, por exemplo, passar a usar painéis solares que permitam que cada casa gere toda a energia que consome (e ainda venda o excedente). No mesmo período, a Irlanda pretende banir do país itens de plástico de uso único, como canudos e copos.

Outras apostas são: o plantio de 8 mil hectares de floresta por ano e ações de conscientização nos órgãos públicos, que, também anualmente, devem adotar ao menos uma medida para combater o aquecimento global.

2. Reino Unido
O Big Ben e o Parlamento britânico em Londres, Reino Unido (Foto: Shutterstock)

O Reino Unido já é o líder mundial em energia eólica offshore, mas para cumprir sua ambiciosa meta de levar a emissão de gases do efeito estufa a zero até 2050 será preciso ir além — e, segundo o chanceler Phillip Hammond, investir algo em torno de £1 trilhão.

As medidas planejadas pelo governo envolvem não só a redução, mas também a compensação das emissões. Por isso, faz parte do plano plantar cerca de 11 milhões de árvores até 2022, além de destinar recursos para a captura de carbono e para a aquisição de tecnologias de combate à mudança climática.

3. Costa Rica

Costa Rica prédios litoral cidade (Foto: Adrianna Calvo/Pexels)

A Costa Rica também pretende zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050. Para tanto, o foco principal é o transporte. O país planeja a criação de uma nova linha de trem elétrico, que deve circular na capital,  San José, e a transição de todos os ônibus e táxis do país para modelos elétricos. O governo também deve trabalhar para reverter o desmatamento.

4. Chile
Chile (Foto:  Marcelo Hernandez/LatinContent/Getty Images)

O país sul-americano é outro que promete neutralizar suas emissões de carbono até o meio do século. O trabalho deve começar pela geração de energia. A proposta é fechar as primeiras oito usinas de carvão do país até 2024, e todas as outras nos próximos 21 anos. Um desafio enorme, uma vez que, excluídas as hidrelétricas, o carvão  gerou mais energia do que todas as outras fontes de energia do país em 2016.

O governo chileno também quer que todas as indústrias sejam neutras em emissão até 2050, gerando apenas a quantidade de CO2 que puderem absorver.

5. Suécia

Estocolmo, capital da Suécia; país um dos países mais abertos da OCDE a imigrantes com alta escolaridade ou empreendedores (Foto: Getty Images via BBC News Brasil)

Frequentemente apontada como líder na geração de energia renovável, a Suécia já gera mais da metade da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, segundo dados do Eurostat. Mas o país nórdico não deve parar por aí. Entre outras ações há, por exemplo, uma política de embaixadores. São mais de 200 “consultores de energia e clima” que se espalham pelo país oferecendo aconselhamento gratuito e imparcial sobre como tornar tudo mais sustentável, como a substituição de janelas ou das luzes, por exemplo.

O plano da Suécia, como em outros países do mundo, é se tornar um país neutro em carbono até 2050.

Fonte: Época Negócios

Por que ainda duvidam da mudança climática?

Miami lançou projeto contra enchentes

4 morreram por alta temperatura na Índia

Quase por unanimidade, a comunidade científica confirma a veracidade da mudança climática. Eis os principais fatos. A média da temperatura global aumentou 0,9˚ C desde o século 19. O estudo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) mostra que, nos últimos 100 anos, a temperatura da superfície do oceano aumentou 0,13˚C por década. Entre 1993 e 2016, as geleiras da Groenlândia e Antártica perderam em média, 286 e 127 bilhões de toneladas de gelo, respectivamente. Todo esse gelo derretido causou o aumento de 20,32 cm no nível do mar e consequentemente elevou o risco da ocorrência de furacões, ciclones e tsunamis.

Mesmo diante de tantas evidências atestadas pela ciência, tem muita gente que não acredita na mudança climática. Assim como em pleno século 21 existem os terraplanistas, pessoas que não acreditam em vacinas e aqueles que duvidam que o homem pousou na lua, duvidar da mudança climática é como viver em um universo paralelo.

Figuras predominantes na política como o presidente Donald Trump, e o secretário de estado americano, Mike Pompeo, são conhecidos por negar esse fenômeno. Em vídeo propagado no Twitter, o deputado Eduardo Bolsonaro insiste no velho discurso de que é preciso ver para acreditar. Ele aposta na ideia simplista de que se os invernos continuam frios e os verões quentes, portanto, não existiriam provas suficientes para acreditar no aquecimento global.

A verdade é que milhões de pessoas já sofrem as graves consequências dos seus efeitos da mudança do clima. E pouco importa se houve mais ou menos neve em um ano. A mudança climática trata da variação dos padrões do clima. É a desorganização de um sistema, com impactos diversos no planeta. Em Miami, o governo lançou um projeto de infraestrura que custou USD 400 milhões para prevenir enchentes devido ao aumento do nível do mar. No Oriente Médio, as secas estão cada vez mais dominantes, o que está levando ao desaparecimento de rios. No continente africano, fazendeiros estão sendo forçados a migrar devido à baixa produtividade das lavouras e o risco de enchente.

O argumento que atividades humanas não são responsáveis pelo aquecimento global também é bastante comum. Segundo uma pesquisa realizada este ano pela Universidade de Yale, 14% dos eleitores americanos não acreditam que atividades humanas causem o aquecimento global.

De acordo com a NASA, a emissão de CO2 na atmosfera registra elevação desde a Revolução Industrial e hoje atinge os níveis mais altos da história. Negar que o CO2 é um gás de efeito estufa (GEE) e que contribui para o aumento da temperatura na atmosfera é como acreditar que a terra é plana. Em uma tentativa de impor o conceito de plausible deniability, o cidadão que acredita nessa tese se livra da responsabilidade de mudar seus próprios hábitos. A mudança de hábito, afinal, exige novas atitudes e custa dinheiro, dois fatores que geram resistência.

Outro ponto utilizado pelos céticos da mudança climática é jogar para o futuro os danos causados pelo fenômeno. Basta observar vídeos de geleiras derretendo para perceber que a mudança climática está acontecendo agora. Nos últimos dias, as temperaturas chegaram a 48˚ C na Índia e quatro pessoas morreram dentro de um trem sem ar condicionado. Muitos estudos revelam que o custo benefício da prevenção é muito maior do que o custo para reparar os efeitos devastadores do aquecimento global. Vale a pena investir na prevenção.

Não acreditar na mudança climática é obscurantismo. Acreditar que a crise climática está no futuro distante é ignorância. Negar que as atividades humanas interferem no aquecimento global é se acomodar.  Os fatos são claros e as informações estão disponíveis. É preciso agir.

Fonte: Poder 360

Mudanças climáticas causam prejuízo de US$ 1 trilhão para grandes empresas, aponta estudo

Relatório divulgado na Alemanha sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno

Mais de 200 das maiores empresas do mundo deverão perder US$ 1 trilhão por causa das mudanças climáticas, grande parte disso apenas nos próximos cinco anos, informa um relatório divulgado na Alemanha. Entre os fatores que afetam os negócios estão o aumento das temperatura, o clima caótico e os preços colocados sobre a emissão de gases do efeito estufa. O alerta é feito no Dia Mundial do Meio Ambiente.

O estudo – realizado pela Organização Não Governamental CDP – sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno, enquanto os cientistas alertam que o clima da terra se encaminha para limites catastróficos caso não haja reduções nas emissões de carbono na atmosfera.

— A maioria das empresas ainda tem muito a caminhar em termos de avaliar adequadamente os riscos relacionados ao clima — afirmou Nicolette Bartlett, diretora para Mudanças Climáticas da CDP e autora do relatório.

Fundada no ano 2000, a CDP (antigamente chamada de Projeto de Transparência do Carbono – nome que originou a sigla em inglês) é um organismo respeitado dentro de uma crescente coalizão de grupos de lobby, administradores de fundos, bancos centrais e políticos que acreditam que as mudanças climáticas representem um risco sistêmico para o sistema financeiro.

Metas climáticas

Ao forçar as empresas a enfrentar os riscos às suas operações, os defensores de mais transparência esperam fazer avançar investimentos suficientes na indústria para reduzir as emissões, a tempo de cumprir as metas climáticas.

O CDP analisou dados de 215 das maiores indústrias do mundo, como Apple, Microsoft, Nestlé, Unilever, China Mobile, Infosys, UBS, Sony e BHP.

Essas empresas já teriam tido prejuízos de US$ 970 bilhões em custos adicionais devido a fatores como o aumento das temperaturas, clima caótico e o preço colocado sobre as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Cerca de 50% desses custos são considerados prováveis ou praticamente certos.

Segundo o relatório, as companhias poderiam obter amplas vantagens com um mundo descarbonizado a tempo de evitar os cenários climáticos mais tenebrosos, que os cientistas acreditam representar um risco existencial para a civilização industrial.

As preocupações com os riscos representados pelo clima aumentaram de modo acentuado, paralelamente ao crescimento do ativismo ecológico em muitos países, enquanto ondas de calor, secas, incêndios florestais e tempestades reforçadas pelo clima se tornam cada vez mais difíceis de serem ignoradas.

Fonte: Gauchazh

Mudanças Climáticas: o ser humano pode interferir na temperatura da Terra?

Confira posicionamentos de engenheiros ambientais e climatologistas na Semana do Meio Ambiente

Os termos “aquecimento global” e “mudanças climáticas” ganharam força em conferências ambientais ainda no século XX. O cientista norte-americano Wallace Smith popularizou o aquecimento global em 1975, quando a Terra passou por uma mudança de temperatura.

A partir dali cientistas, ambientalistas e organizações realizaram conferências e debates para discutir o que poderia causar esse aquecimento, e dessa forma, ajudar os países a prevenirem extinção de animais, e encontrar formas de proteger a natureza e a água potável.

Na década de 1980, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O objetivo era coletar os estudos produzidos por pesquisadores e gerar relatórios de evidências sobre as mudanças do clima. Depois disso foram assinados protocolos e acordos entre os países para prevenir e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

De acordo com a engenheira ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Maria Fernanda Pelizzon, o termo “aquecimento global” deixou de ser utilizado porque apenas em algumas partes do mundo o clima fica mais quente. A expressão foi substituída por “mudanças climáticas”, já que, segundo Pelizzon, há lugares que esfriam mais para o sistema manter o equilíbrio.

A engenheira ambiental explica que as mudanças climáticas acontecem em tempo geológico, mas defende que por conta de processos industriais as alterações estão acontecendo de forma muito mais rápida. “A gente fala da grande influência humana com o aumento do consumo de combustível fóssil e o desmatamento. Estamos mudando um processo que acontecia em milhares de anos, para questão de séculos ou até meio séculos”, argumenta.

Em 2018, o IPCC divulgou relatório que analisa as perspectivas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. O Painel continuou a alertar para a necessidade crítica de uma ação climática urgente.

Extinção e problemas sociais
Ainda no relatório do IPCC, os pesquisadores fizeram um desafio para proteger 30% do planeta, para que a natureza esteja amparada até 2030, e metade da terra até 2050. O Greenpeace, que é uma organização que realiza ações não violentas para denunciar ameaças ao meio ambiente, se pronunciou e divulgou que reduzir a emissão de gases é o nível mínimo seguro para a forma como os seres humanos vivem.

A coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace Brasil, Fabiana Alves, explica que o aumento da temperatura global é uma das principais causas para extinção de animais. “Um exemplo clássico é o Polo Norte e o Polo Sul. Com o derretimento do Ártico e da Antártida, você tem uma migração dos animais, que de qualquer maneira não sobrevivem em outras áreas”, afirma Alves.

Para a entidade, que acredita na influência humana no clima, é necessário criar políticas públicas nos países para ampliar os compromissos com a comunidade global, adotando medidas necessárias para proteger a Terra dos impactos que podem estar acontecendo.

Fabiana Alves reforça que não só entre os animais, o problema pode ser social e pode prejudicar também famílias com menores condições de vida. “Quando você tem consequências de mudanças climáticas sendo vistas como o aumento de inundações causadas por chuvas mais fortes e mais concentradas e num período de tempo menor, furacões e ciclones fora do Brasil, elas vão atingir pessoas que estão em áreas mais vulneráveis e que têm menos dinheiro”, pondera a coordenadora.

Clima x Meio Ambiente
Apesar de todos os relatórios divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, especialistas ao redor do mundo, ambientalistas e ativistas que lutam para reduzir os danos das emissões de gases de efeito estufa na Terra, há especialistas que não acreditam nessa teoria e dizem que o aquecimento global é uma farsa.

De acordo com o Ricardo Felício, meteorologista e professor de climatologia da Universidade de São Paulo, o homem não tem o poder de controlar o clima, e por isso, não pode interferir criando mudanças climáticas.

Ele afirma que o clima, que é um padrão de elementos na atmosfera da Terra, existe por si só, e não tem nenhuma ligação com o meio ambiente que são fatores físicos, biológicos e químicos que fazem parte da vida dos seres vivos. “Do mesmo jeito que a gente não pode alterar o clima, nós também não podemos consertá-lo. Porque clima não é uma máquina”, explica o professor.

Felício explica que as mudanças climáticas foram inventadas para que os países não se desenvolvam, e defende que as nações precisam da geração de energia. “Quando você encarece a geração de energia, você quebra todo um ciclo tanto de produção quanto de bem-estar social. Quando eles falam que estão prometendo tirar as pessoas da pobreza, pelo contrário, eles vão levar mais ainda as pessoas à pobreza”, defende.

Fonte: Agência do Radio Mais

Código Florestal Brasileiro, um obstáculo para a produção agrícola ou um diferencial de mercado?

Em artigo, o consultor em gestão da sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio Barreto, comenta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ser consideradas um dos principais desafios de nível planetário que põem em dúvida o modelo atual de vida de nossa sociedade. Esse fenômeno é entendido como as alterações no clima de todo o planeta Terra, causadas pelas atividades humanas que emitem CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) para a atmosfera. Essas alterações têm consequências diretas no nosso dia a dia, causando, por exemplo, alterações nos padrões de temperatura e eventos climáticos de alta intensidade, como secas, inundações e picos de temperaturas altas e baixas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em Inglês), já foi registrada uma elevação média de 0,8 oC na temperatura do planeta, e é imprescindível cessar as emissões de gases de efeito estufa até 2100 para estabilizar o aquecimento global em 2 oC. Uma mudança climática acima desse patamar pode colocar em risco toda a vida no planeta.

tiago-egydio-barreto-fundacao-espaco-eco (Foto: Divulgação/FEE)

Essa preocupação global gerou a formulação de um compromisso com esforço coletivo para a redução das emissões de carbono que foi assinado em 2015, na Conferência das Partes (COP 21), por 195 países, ficando conhecido como Acordo de Paris. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 °C e, se possível, limitar a 1,5 °C. Cada país que ratificou o acordo assumiu metas que foram chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC – sigla em Inglês). Atualmente, as emissões globais estão próximas de 37 gigatoneladas/ano de GEE (fonte: https://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/).

As metas assumidas por cada país no Acordo de Paris começam a ser válidas em 2020. O Brasil, que está entre as dez nações que mais emitem gases de efeito estufa, comprometeu-se a reduzir suas emissões em 37% em relação a 2005. A data-limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. A principal fonte das emissões do Brasil é a mudança e conversão de uso do solo em virtude do desmatamento ilegal de nossos remanescentes de vegetação nativa (Cerrado e Floresta Amazônica), que corresponde a aproximadamente 46% do total. No setor produtivo, a atividade que mais tem contribuído para a emissão dos gases de efeito estufa é a atividade agropecuária, com aproximadamente 23% do total das emissões do país, segundo dados do observatório do clima.

Diante desse cenário, referente às emissões brasileiras oriundas das atividades agropecuárias, permito realizar algumas observações que buscam avaliar alguns aspectos de mercado e as leis ambientais do Brasil.

Quanto ao mercado, cada vez mais o tema da sustentabilidade permeia os diferentes setores produtivos. Parte disso se deve ao tema de emissões de GEE. Hoje, é comum encontrarmos na internet textos sobre economia de baixo carbono. Isto é, ao meu ver, esperado, visto que quase a totalidade dos países ratificaram o Acordo de Paris e se comprometeram com suas NDCs.

Na prática, segundo dados do Banco Mundial, 51 países já possuem seus mecanismos de precificação de carbono, e isso quer dizer que o custo das consequências das mudanças climáticas, que outrora não era contabilizada no balanço do custeio dos países e empresas, passará a ser valorada, e as fontes emissoras dos GEE passarão a ter suas emissões reguladas, seja por impostos ou por sistema de comércio de emissões, dado o marco legal de 2020, em que começará a entrar em vigor o Acordo de Paris. Ou seja, o custo do carbono entrará no orçamento das empresas e governos, de forma oficial, nesses países.

Olhando para o setor do agronegócio brasileiro, que produz riquezas, mas também é uma importante fonte de emissão de GEE, ressalto a importância das leis ambientais brasileiras para apoiar no equilíbrio dessa relação entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Em específico, refiro-me ao Código Florestal – leis federais 12.651 e 12.727, de 2012 –, que propõe um zoneamento da propriedade rural. Entre as categorias previstas está a Reserva Legal, que determina um percentual de área que pode variar de 20% a 80% e deve ser destinada à conservação ambiental, com possibilidade de exploração sustentável dos recursos naturais.

Na prática, isso quer dizer que os produtores rurais que atendem a esse requisito legal devem contabilizar as emissões de seu negócio, reduzindo o que é sequestrado de carbono, considerando sua área de Reserva Legal. Outros países adotam sistemas diferentes para impor regras para o uso da terra na propriedade rural, mas pode ser dito que o modelo de Reserva Legal previsto na lei ambiental do Brasil é um caso diferenciado, quando comparado com os de outros países.

Cerca de 55% do território brasileiro ainda é coberto por algum tipo de vegetação nativa, e boa parte desse montante está localizada nas propriedades rurais – o que reforça o protagonismo do produtor rural para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Outros países, como a Rússia, possuem maiores áreas territoriais cobertas por áreas naturais. Contudo, é importante discernir que boa parte da Rússia não possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de práticas agrícolas, e no Brasil temos um cenário oposto, em que teoricamente não há restrições climáticas para o desenvolvimento de agricultura, do norte ao sul do país.

O Brasil tem como base de sua produção agrícola as commodities, principalmente relacionadas ao cultivo de cereais e à pecuária. Esses produtos seguem mercados cada vez mais exigentes quanto à qualidade e aos critérios de produção socioambientais. Neste momento da nossa história, em que os mercados estão cada vez mais conectados e o carbono virou uma “moeda”, em vez de considerar a área de Reserva legal como uma barreira para aumentar a produtividade, ela pode ser vista como uma oportunidade única para atender às exigências de mercado e configurar a produção de commodities agrícolas do Brasil como uma das mais sustentáveis do mundo.

Para ilustrar essa colocação, pego um caso real. O óleo de palma e o óleo de palmiste são originados da extração do óleo existente na fruta e na semente dos dendezeiros e são os óleos mais consumidos no mundo. A produção desse cultivar está concentrada principalmente em dois países: Indonésia e Malásia. Visto que, ao longo do tempo, muitas áreas de vegetação nativa nesses países foram convertidas para o cultivo do dendezeiro, a biodiversidade local tornou-se vulnerável, e espécies entraram na lista de ameaça de extinção, como os orangotangos. Além disso, o cultivo dos dendezeiros ocorre normalmente em turfeiras, solos ricos em estoque de carbono. Assim, as emissões de GEE também viraram um ponto de atenção. Dadas essas e outras questões que envolvem a produção do óleo de palma e palmiste, houve uma reação e mobilização de mercado, e as empresas que demandam essas matérias-primas precisavam garantir as boas práticas nos seus processos produtivos. Assim, nesse caso, a certificação da produção dos respectivos óleos com critérios socioambientais adequados foi a solução para garantir que as grandes empresas atendessem às exigências dos consumidores e outros elos da cadeia de valor.

Ocorre que no Brasil também há produção de dendezeiros, porém é pouco expressiva, considerando a demanda e a produção mundial. Aqui, a produção ocorre principalmente no estado do Pará, e os produtores do dendezeiro devem seguir o Zoneamento Econômico Ambiental, que determina as regras para o plantio dessa cultura, como a proibição de conversão de floresta nativa para o plantio e o uso de áreas de pastagens degradadas para esse fim, além de respeitar o percentual exigido de Reserva Legal, que, nesses casos, é de 50% da área da propriedade.

Observa-se que essas regras ambientais vão ao encontro da proposta da certificação do óleo de palma e palmiste, por garantir uma pegada ambiental positiva em relação às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade. Atualmente, as empresas compradoras desses óleos possuem metas quanto ao consumo de matérias-primas certificadas, e a demanda possivelmente será de 100% em um futuro próximo. Em um mundo cada vez mais conectado, as “vozes” dos diferentes elos da cadeia de valor fazem com que os mercados se atentem a elas para suas tomadas de decisão. Esse contexto se aplica a outras commodities agrícolas, como a soja. A plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies) monitora anualmente as áreas de plantio de soja no Brasil, identificando possíveis locais que foram desmatados, plantados em terras indígenas ou Unidades de Conservação, apoiando o mercado a atender às suas demandas e às exigências da cadeia de valor.

Nota-se que a questão de conservar áreas naturais vai além de exigências legais. Os acordos globais e o posicionamento do mercado indicam a direção a seguir de muitos setores produtivos, e é notório que o tema de conservação de florestas nativas é tendência em sustentabilidade. Todas as grandes empresas possuem metas de redução de CO2. A lei ambiental brasileira firma-se como uma oportunidade, e não como um obstáculo, trazendo um diferencial para nossa agricultura. Que cadeias produtivas poderiam se beneficiar com esse posicionamento? Em que mercados o Brasil deveria investir mais e como se posicionar?

Fonte: Globo Rural

Mudanças climáticas serão tragédia para mundo, alerta chefe da ONU

Secretário convida países com propostas para combater aquecimento global e rechaça discursos

O secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que, se não forem contidas, as mudanças climáticas serão uma tragédia para mundo e, por isso, se tornará uma batalha central na organização internacional, quatro anos após o Acordo de Paris. Visando à cúpula que será realizada em 23 de setembro na ONU para intensificar os esforços para combater as mudanças climáticas, o dirigente português visita esta semana a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico, onde o aumento do nível do mar ameaça a existência de pequenos países.

“Continuamos perdendo a batalha”, alerta Guterres. “A mudança climática está indo mais rápido do que nós e, se não invertermos essa tendência, será uma tragédia para o mundo”, completou. Em sua carta-convite à cúpula, o secretário-geral da ONU anunciou uma reunião preparatória de 30 de junho a 1º de julho nos Emirados Árabes Unidos. Nela, serão discutidas as melhores propostas para combater o aquecimento global.

A mensagem pede aos países que não participem da reunião “com discursos”, mas com “planos concretos e realistas” para reduzir os gases causadores do efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e eliminá-los completamente até 2050. “O que a gente quer é que os países aumentem suas ambições para 2025 e 2030, seja na cúpula, seja em 2020”, diz Nick Mabey, do think tank E3G, que insiste na necessidade de alcançar compromissos que permitam, por exemplo, acabar com o carvão poluente.

Em sua visita a Fiji, ou a Vanuatu, Guterres se reunirá com famílias, cujas vidas são ameaçadas por furacões, inundações, ou por outros eventos climáticos extremos. Fiji tem trabalhado para construir uma coalizão de mais de 90 países do Caribe, da África e da Ásia para enfrentar melhor as crises causadas pelo aquecimento global.

Desdém americano

“Esperamos que o secretário-geral encontre em sua visita uma inspiração para ir mais longe, mais rápido e mais fundo na cúpula”, disse a embaixadora das Fiji na ONU, Satyendra Prasad. “Esperamos que este cúpula marque um ponto de inflexão”, afirmou. Segundo o enviado para o clima da ONU, Luis Alfonso de Alba, a cúpula poderá ter sucesso apesar da posição contrária dos Estados Unidos. “Há cinco, ou dez anos, os países observavam o que seu vizinho estava fazendo antes de agir e, hoje, todos estão conscientes de que há uma necessidade urgente de intervir”, disse De Alba.

A disposição de Guterres de se envolver pessoalmente na luta contra a mudança climática ocorre em um momento em que os Estados Unidos, o maior contribuinte financeiro da ONU, são céticos quanto à realidade do fenômeno e às suas causas. Desde a partida de Nikki Haley, em dezembro, Washington não tem embaixador na ONU. Trump nomeou Kelly Knight Craft para sucedê-la, mas o Senado ainda não deu seu aval para a nomeação da atual embaixadora no Canadá.

Casada com um empresário do setor do carvão, no passado, ela disse acreditar que os cientistas “de ambos os lados” falam sobre o impacto humano no aquecimento global, o que faz prever alguns pontos em comum com Guterres. “O desdém do governo Trump pela diplomacia relacionada ao clima deixou a China como principal garantidora do Acordo de Paris”, disse o diretor da ONU no grupo de especialistas do International Crisis Group, Richard Gowan.

Apesar das críticas à posição sobre direitos humanos, segundo ele, Pequim se tornou indispensável nas negociações sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015 entre 195 Estados-membros da ONU e assinado em 2016, o Acordo de Paris tem como principal objetivo impedir que a temperatura média do planeta aumente mais de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. A partir de 2020, contudo, os Estados Unidos vão deixar o pacto formalmente por decisão de Trump.

Fonte: Correio do Povo

As ideias inusitadas e radicais testadas por cientistas para conter as mudanças climáticas

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as mudanças climáticas, alertam cientistas

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

“O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema”, disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo “geoengenharia”.

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será “resolver o problema climático”. “Não podemos falhar nisso”, disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes impensáveis, argumentam pesquisadores (Foto: NASA, via BBC News Brasil)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. “Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos”, disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta
Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é “iluminar” as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.

graf_clima 1 (Foto: Reprodução/BBC)
Reciclagem de CO2
Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.

graf_clima 2 (Foto: Reprodução/BBC)
Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

“Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina”, disse ele à BBC News. “Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos.”

Estimular a produção de algas nos oceanos
Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.

graf_clima 3 (Foto: Reprodução/BBC)

Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

“No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais”, disse Roberts.

“Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa.”

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

“No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor”, disse Roberts.

Pensando o impensável
Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

“Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera”, disse Wadhams.

“Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global.”

Fonte: Época Negócios

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