Para brasileiro, mudança climática é maior ameaça à segurança

América Latina e na África, regiões do planeta que mais devem sofrer com os graves impactos das transformações causadas pelo clima, registram preocupação acima da média; levantamento de organização americana ouviu mais de 40 mil pessoas em 38 países

Os brasileiros consideram a mudança climática a principal ameaça à segurança do país e do planeta – acima do terrorismo e da economia. Os dados são de uma pesquisa de opiniãodivulgada na última terça-feira pelo Pew Research Center, um instituto de pesquisa sobre tendências globais com sede em Washington. O país é uma das sete nações latino-americanas ouvidas, que colocaram as mudanças climáticas como a ameaça mais relevante da atualidade. Situação semelhante foi registrada na África, onde quatro dos seis países analisados pelo estudo destacaram as transformações no clima como o perigo mais relevante do país.

O levantamento mapeou o grau de sensibilidade de 38 países a oito graves ameaças globais: ataques cibernéticos, situação da economia global, poderio americano, poderio chinês, refugiados, influência russa, ameaça do Estado Islâmico e das mudanças climáticas. No total, foram ouvidas 41.953 pessoas.

A Espanha lidera o ranking geral dos países que colocaram as ameaças climáticas no topo das preocupações nacionais. Estima-se que 89% dos espanhóis considerem as alterações ambientais como a ameaça mais importante para a nação. O país já sofre com os efeitos da mudança no clima e teme que a diminuição das chuvas e a elevação do nível do mar afetem o turismo, uma das principais fontes de renda da população. Atrás da Espanha, no ranking geral, aparece a Suécia (64%), seguida pelo Canadá (60%). O Brasil ocupa a 11a posição global, e os Estados Unidos, a 27a.

A América Latina e a África foram os dois blocos de países que demonstraram maior preocupação com as mudanças climáticas. Os chilenos são os latino-americanos mais preocupados (86%) com o clima, seguidos pelos peruanos (79%) e argentinos (76%). Já no continente africano, o ranking é liderado pelo Quênia (76%), seguido pela Tanzânia (64%), África do Sul (59%) e Senegal (56%).

O alto índice de preocupação de países da África e da América Latina se explica especialmente pelas dificuldades com a produção de alimentos, o aumento da incidência de doenças e a intensificação dos eventos climáticos extremos. O Brasil aparece na lista dos dez países mais afetados pelas mudanças do clima, ao lado de países africanos, de acordo com o último relatório da ONG Germanwatch, que monitora as políticas climáticas de diversos países. E, ainda que a África produza menos de 5% das emissões de gases de efeito estufa, será um dos mais atingidos pela miséria acentuada pelas alterações no clima, revela o Global Climate Risk Index, o Índice Global de Risco Climático.

“O Brasil é muito vulnerável e o brasileiro já seu deu conta disso. Mas existe um abismo entre o mundo real, a opinião pública e o comportamento do presidente Michel Temer e da bancada ruralista”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Temer decidiu ignorar o mundo real e a opinião pública e troca favores por proteção da bancada ruralista. O resultado é a ameaça de o Brasil se tornar um problema maior para o clima do planeta que Donald Trump e o os republicanos do Congresso americano.”

Fonte: Observatório do Clima

Estudo sobre mudanças climáticas é cancelado… Por mudanças climáticas

“Uma segunda semana de atraso significaria que nossos objetivos de pesquisa simplesmente não poderiam ser alcançados com segurança”, disse em comunicado oficial o chefe da expedição, David Barber.

Os especialistas creem que o gelo é originário do Ártico e que situações como essa se tornarão cada vez mais comuns com o aquecimento global, com o desprendimento de grandes porções de gelo das placas localizadas nos polos. A missão terá que ser deixada para o ano que vem, já que muitos dos cientistas foram prejudicados pelo atraso causado pelo problema.

Em documento final, G20 isola EUA ao afirmar que Acordo de Paris é irreversível

O acordo foi assinado a ocasião pelo ex-presidente Barack Obama, mas, em junho

Reunidos em Hamburgo, na Alemanha, para discutir os principais desafios econômicos globais, os representantes políticos das 20 maiores economias mundiais (G20) reafirmaram, no documento final da cúpula, a determinação de enfrentar conjuntamente questões como a pobreza, o terrorismo, o deslocamento forçado de populações, o desemprego, a desigualdade de gênero e as mudanças climáticas.

Ao abordar a questão ambiental, no entanto, o comunicado final do encontro deixou evidente a divergência entre os Estados Unidos e os demais membros do G20, com críticas à saída dos norte-americanos do Acordo de Paris, firmado em 2015 durante a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21) com compromissos globais de enfrentamento às mudanças climáticas.

O acordo foi assinado a ocasião pelo ex-presidente Barack Obama, mas, em junho, o atual mandatário, Donald Trump, decidiu retirar o apoio dos Estados Unidos à iniciativa.

“Os líderes dos outros membros do G20 afirmam que o Acordo de Paris é irreversível e reiteram a importância de que sejam cumpridos os termos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima”, diz o documento, em nome dos demais 19 países do grupo. O texto também destaca a importância das potências econômicas ajudarem financeiramente os países mais pobres a implementarem ações que os ajudem a se desenvolver economicamente preservando ao máximo o meio ambiente.

Segundo a agência de notícias alemã DPA, a menção de reconhecimento à intenção dos Estados Unidos de, mesmo se retirando do Acordo de Paris, ajudar outros países “na utilização de combustíveis fósseis mais limpos e eficientes” gerou controvérsia e só foi incluída no documento final para agradar a delegação norte-americana.

Terrorismo

Os líderes do G20 também divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques terroristas e o financiamento destes “atos abomináveis que reforçam nossa determinação de cooperar para melhorar nossa segurança e para protegermos nossos cidadãos”. No texto, os países defendem a eliminação dos “refúgios terroristas” de todos os países, mas destacam a importância do respeito ao direito internacional, incluindo os direitos humanos.

“Clamamos pela implementação dos compromissos internacionais existentes em matéria de combate ao terrorismo e o cumprimento de resoluções relevantes e sanções específicas do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]. Comprometemo-nos a continuar a apoiar os esforços da ONU para prevenir e combater o terrorismo e trataremos da ameaça crescente associada aos combatentes terroristas estrangeiros que retornam de zonas de conflito, como o Iraque e a Síria, e continuaremos empenhados em impedir que esses combatentes estabeleçam ponto de apoio em outros países e regiões ao redor do mundo”, apontam os líderes do G20 na declaração.

Os países também se comprometem, segundo a declaração, a facilitar a troca de informações entre os serviços de inteligência nacionais e a fortalecer a cooperação internacional a fim de detectar a movimentação de suspeitos de terrorismo, entre outras medidas de segurança.

Fonte: Agência Brasil

Setor energético tem grande importância nas mudanças climáticas, diz especialista do Banco Mundial

Para o especialista sênior no Brasil do Banco Mundial, Christophe de Gouvello, não há como falar de mudanças climáticas sem abordar o setor energético. A importância da atuação de políticas públicas para as questões climáticas foi tema da palestra “Agenda da Luta contra as Mudanças Climáticas no Brasil: alguns elementos de contribuição do Banco Mundial”, ministrada por Gouvello na última sexta-feira (23/06), em Brasília.

Para o especialista, o Brasil fez grandes avanços na questão do combate a emissão de gases do efeito estufa. Entre 2009 e 2014, o Brasil foi o único país de grande porte que cortou suas emissões absolutas pela metade nos últimos anos.

“Mas boa parte deste avanço aconteceu devido a redução do desmatamento, especialmente na Amazônia. Com isso, o setor energético passa a representar uma maior porcentagem no quadro de emissões brasileiro”, disse.

O especialista apresentou pesquisas feitas nos últimos anos e, tendo em vista a parceria mantida no âmbito do Projeto de Assistência Técnica dos Setores de Energia e Mineral (Projeto META), entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Banco Mundial, proporcionou a explanação dos resultados destas.

Em um dos estudos, Gouvello ressaltou que o setor elétrico brasileiro, atualmente, é vulnerável ao clima e às questões hidrológicas. Para solucionar este problema, é necessário maior incentivo a pesquisa e a energias renováveis.

Desafios

Segundo o especialista, o Banco Mundial identificou dois grandes desafios para o Brasil. Um deles é migrar a ciência sofisticada que já existe no país para a capacidade de prever possíveis danos. O segundo grande desafio seria manter a trajetória de baixo carbono e acelerar a curva de aprendizagem de energias limpas, incentivando o mercado para o crescimento de fontes renováveis.

Projeto META

O Projeto META tem como principal objetivo contribuir para ampliação e consolidação do avanço dos setores energético e mineral brasileiro, dando apoio à competitividade e ao crescimento econômico no país.

As ações do Projeto META contemplam áreas estratégicas vinculadas ao MME. Com investimentos de aproximadamente US$ 53 milhões, o META prevê atender até o final de 2018 um total de 45 subprojetos/ações. Entre as propostas, estão a iniciativa Gás Para Crescer, estudos para a elaboração do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), suporte à modernização tecnológica do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e do Departamento Nacional de Política Mineral (DNPM), entre outros.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social – Ministério de Minas e Energia

Grupo de 45 prefeitos pede esforço do G20 para o clima

Prefeitos de 45 metrópoles do Grupo C40 de Liderança Climática, a principal rede mundial de cidades que analisa questões climáticas, querem a manutenção dos compromissos de combate ao aquecimento global acertados no Acordo de Paris, apesar da desistência dos Estados Unidos. O pedido é reiterado em uma carta aberta aos líderes do G20, que se reúnem no início de julho na Alemanha. O texto é publicado nesta segunda-feira (26) pela imprensa internacional.

Três prefeitos brasileiros – do Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador – assinam a carta, ao lado de colegas de Paris, Washington, Tóquio e Vancouver, entre outros.

A iniciativa partiu de 300 cidades americanas indignadas com a decisão do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris. Na carta endereçada aos outros líderes do G20, eles prefeitos reafirmam o compromisso com as metas negociadas e lembram que um grande número de municípios americanos, além de universidades e empresas, manterão ações para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Esse grupo trabalha agora na chamada “Promessa americana”, um esforço sem precedentes para consolidar a redução de gases poluentes.

A carta faz um apelo para que investidores privados e fundações se mobilizem ao lado dos poderes municipais, a fim de facilitar a transição energética para uma economia de baixo carbono. Contrariamente ao que diz o presidente americano, a substituição gradual dos combustíveis fósseis traz ótimas oportunidades econômicas, na avaliação dos prefeitos.

Investimentos na economia de baixo carbono

Estudos demonstram que cidades que apostarem no transporte público de massa nos próximos 15 anos poderão economizar US$ 3 trilhões em investimentos de infraestrutura. Os prefeitos pedem aos líderes do G20 que garantam aos municípios os repasses de fundos internacionais e de bancos de investimento para que possam realizar os projetos necessários na área.

O grupo C40 é considerado o maior do mundo em sua categoria. A rede reúne ao todo 91 municípios, que representam 650 milhões de habitantes e são responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa.

Assinam a carta publicada no jornal francês Les Echos a socialista Anne Hidalgo, prefeita de Paris, e 44 colegas. Nos últimos dez anos, a prefeitura da capital francesa tem multiplicado as iniciativas para tirar carros das ruas e fazer de Paris uma cidade mais saudável para se viver.

Fonte: rfi

Frear aquecimento global afetaria 30% dos investimentos de petroleiras

Pesquisadores alertaram nesta quarta-feira que 30% dos investimentos planejados pelas principais empresas de petróleo e gás para a próxima década poderiam ser desperdiçados se a economia mundial se readaptar para limitar o aquecimento global a 2º C, conforme prevê o Acordo de Paris sobre o clima.

Projetos no valor de US$ 2,3 trilhões podem se tornar não lucrativos à medida que o setor energético se volta para as renováveis e se os preços dos combustíveis fósseis se estagnarem, de acordo com o relatório, que analisa os investimentos até 2025 de 69 companhias de petróleo e gás.

A companhia americana ExxonMobil é a mais exposta, visto que entre 40% e 50% dos seus investimentos são destinados a projetos suscetíveis de decepcionar os acionistas na perspectiva de um aquecimento global limitado a 2º C, concluíram os pesquisadores.

 Entre os seis gigantes do setor (ExxonMobil, Shell, Total, Chevron, Eni, BP), a britânica BP é a menos exposta, com um montante estimado de entre 20% e 30% de seus investimentos considerados desnecessários, e portanto arriscados para a empresa.

A Shell, Chevron, Total e Eni colocariam entre 30% e 40% dos seus gastos futuros em risco.

Segundo o relatório, um terço de todos os investimentos petrolíferos previstos no mundo deveriam ser abandonados, assim como dois terços dos projetos relativos ao gás na América do Norte.

No outro extremo da escala, 14 empresas – incluindo a gigante estatal Saudi Aramco – foram vistas como bem alinhadas com o cenário de 2º C.

“Este relatório é um divisor de águas para o futuro do envolvimento entre empresas e investidores”, disse Nathan Fabian, diretor de política e pesquisa do PRI, uma rede de investidores apoiada pela ONU que supervisiona US$ 62 trilhões em ativos.

“Os investidores em companhias de petróleo e gás estiveram no escuro em relação à sua exposição ao risco climático, e agora eles poderão enfrentar as empresas com informações precisas”, acrescentou.

O PRI produziu o relatório em colaboração com o Carbon Tracker, um think tank financeiro que avalia o impacto das mudanças climáticas nos mercados de capitais e no investimento.

Fonte: AFP 

Mudanças climáticas, mitigação de emissões e a agropecuária

O setor agropecuário ainda aparece tímido nas discussões sobre as implicações do Acordo de Paris, embora já venha assimilando medidas mitigadoras de emissões, inclusive por iniciativa própria dos agricultores, por exemplo, ao adotar o plantio direto. Ao mesmo tempo, parcela significativa das emissões a serem reduzidas são originadas de atividades agropecuárias e os compromissos assumidos pelo Brasil naquele fórum impõem a adoção de medidas para mitigação das emissões.

Na última década, pelos dados do Sirene (Sistema de Registro Nacional de Emissões)/MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), houve redução significativa de emissões totais, principalmente pela evolução descendente no componente de mudança do uso de solo e florestas que, em 2001, era de 1.261.220 Gg de CO2 equivalente GWP¹ e caiu, em 2010, para 349.176. A composição das emissões brasileiras evidencia que a agropecuária foi, em média, nessa década, a segunda fonte mais importante de contribuição para as emissões de gases de efeito estufa (GEE), alcançando, em 2010, segundo esses dados oficiais, 407.072 Gg de CO2 equivalente GWP.

Nesse componente de emissões pelo setor agropecuário, destaca-se o papel das atividades de pecuária bovina, principalmente a de corte. Quando se fala em emissões pelo setor agropecuário, em 2010, 57,6% eram decorrentes da fermentação entérica dos animais, seguidas pelas emissões dos solos agrícolas, com 34,5%, manejo de dejetos animais, com 4,3%, cultivo de arroz (devido à irrigação por inundação), com 2,4% e 1,3% da queima de resíduos agrícolas.

Como já mencionado, contudo, parte do setor agropecuário vem, há vários anos, adotando técnicas e formas de manejo que auxiliam, de modo geral, a gerir melhor os recursos naturais e, mais especificamente, a reduzir as emissões. Pode-se citar, por exemplo, a expansão do uso do cultivo mínimo e do plantio direto, sendo que este, além de reduzir o número de operações no preparo do solo, também diminui o uso de fertilizantes e de defensivos agrícolas.

Outro exemplo interessante é o do avanço no manejo de dejetos, dentre os quais se destaca o caso da suinocultura, que tem, também pela imposição da Resolução Conama n. 237/1997, favorecido a redução das emissões de gás metano há alguns anos. Outras estratégias de manejo cuja presença vem aumentando no Brasil também já contribuem para que o aumento da produção ocorra em moldes menos intensivos em emissões, como é o caso do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio no plantio da soja, o que reduz a necessidade da adubação nitrogenada.

Nesse contexto de mudanças e avanços tecnológicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Social (MDAS), a partir de 2009, coordenam e executam, em parceria com outros órgãos do governo federal, o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, ou, como vem sendo chamado, Plano ABC, fundamentado na lei n. 12.187/2009 e instituído no decreto n. 7.390/2010. Este Plano prevê ações para incentivar os produtores a absorverem tecnologias sustentáveis de produção, que têm potencial de contribuir para os compromissos brasileiros de redução de emissões de GEE no setor agropecuário.

Ao se discutir opções de mitigação para os setores emissores de GEE, como propõe o Acordo de Paris, pode-se ressaltar que o setor agropecuário, embora tímido na internalização das discussões sobre estes objetivos, já vem se movendo em direção a um modelo mais sustentável estimulado por esse Plano e seus programas. Algumas das ações propostas, como a recuperação de pastagens, claramente beneficiam o produtor rural, já que permitem obter produtividade mais alta na pecuária, reduzindo a idade de abate dos animais, propiciando não só vantagens ambientais, mas melhor sustentabilidade econômica para a pecuária.

Dentre as metas estabelecidas para 2020 pelo Plano ABC, não só para sua adoção, mas também para a redução de emissões, destacam-se: a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; o incremento de 4 milhões de hectares com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta; expansão de 8 milhões de hectares em plantio direto e 5,5 milhões de hectares com fixação biológica de nitrogênio; aumento de 3 milhões de hectares de florestas plantadas e de 4,4 milhões de m3 de dejetos tratados.

A implementação do Plano ABC ainda é desafiada por entraves operacionais e é preciso avaliar, de fato, todo o percurso entre a liberação do crédito pelo governo federal, passando pela etapa de apresentação de projeto técnico, operacionalização dentro do sistema bancário e, finalmente, identificar se os produtores mais necessitados estão sendo alcançados pelo Plano. Desde o seu lançamento até o último ano, é certo que houve avanços relevantes, não somente no montante desembolsado pelos programas, que saltou de R$ 1,6 bilhão na safra 2011/12, segundo o Observatório ABC, para R$ 3,7 bilhões na safra 2014/15 (embora caindo para R$ 2 bilhões em 2015/16), mas também no maior e melhor alcance setorial. De fato, em meio à necessidade de avançar no debate sobre opções de mitigação das emissões, este Plano é relevante contribuição do setor agropecuário.

Apesar de a questão ambiental suscitar sempre a preocupação do produtor rural com potenciais elevações de seu custo de produção sem haver compensação na receita, a pecuária bovina pode se beneficiar muito com a consecução das metas de melhoria das pastagens e com a redução da idade dos animais para abate. A melhoria das pastagens deve permitir uma taxa de lotação maior, além do alcance dos objetivos de redução da degradação ambiental, contribuindo, assim como outras medidas, para que os animais sejam abatidos mais novos. Nessas condições, a produção de proteína animal deverá aumentar no médio prazo, por meio de processo que permitirá reduzir as emissões por tonelada de carne produzida.

É claro que há muitos outros componentes a serem inseridos nesta discussão, mas parece haver, de fato, uma gama de medidas que podem ser incentivadas na agropecuária brasileira e que não acarretariam custos elevados no curto e médio prazos, quando comparadas a outras medidas de intervenção clássica da política ambiental, como as que se discutem para os demais setores emissores (energia, transporte, indústria). Tal discussão deve levar em consideração, ainda, que há projeções de médio e longo prazos de aumento da produção e exportação brasileira de produtos agropecuários ou derivados de suas matérias-primas.

É certo, também, que o momento de crise deixa em segundo plano temas estruturais não só para este setor, mas nos demais da economia. As experiências internacionais de intervenção para redução de GEE no setor agropecuário ainda não são tão numerosas quanto aquelas identificadas para os setores industriais e de energia, à exceção do setor florestal, que se mostra mais amadurecido nesse debate. É certo, também, que a matriz energética brasileira com alta participação da biomassa também já reflete uma contribuição adicional do setor, na interface com a política energética e de combustíveis. Porém, não é possível permanecer alijado da discussão que se inicia e que, após o momento de crise, tende a ser retomada com ênfase. A agropecuária, mais do que uma visão de passivo ambiental nas emissões, pode e deve ser vista como uma fonte rica de possibilidades de mitigação, em processos que podem ser “ganha-ganha” para o negócio agropecuário e para o ambiente.

Texto de Sílvia Helena Galvão de Miranda-Professora da Esalq/USP-Pesquisadora da Cepea. 

Mudança climática deve intensificar ondas de calor fatais

A partir de 37ºC, mecanismos de termorregulação ficam comprometidos, e umidade agrava o perigo. Segundo cientistas do Havaí, mortes por calor podem mais do que dobrar até o fim do século, dependendo dos níveis de CO2.

Atualmente, cerca de 30% da população mundial já é exposta, durante pelo menos 20 dias por ano, a temperaturas e umidade atmosférica que comprometem significativamente a termorregulação do organismo, com potencial fatal.

Em artigo para a revista especializada Nature Climate Change, a equipe liderada por Camilo Mora, da Universidade do Havaí em Manoa, Honolulu, alerta que, devido ao aquecimento global, essa taxa poderá crescer nas próximas décadas.

Devido à mudança climática, até o ano 2100 poderá chegar a 48% da população a porcentagem dos seres humanos ameaçados pela morte devido ao calor, mesmo que haja uma redução drástica das emissões globais de dióxido de carbono. Caso estas se mantenham no nível atual, então até 74% da população poderá estar exposta a ondas de calor extremas.

Escolha entre o ruim e o horrível

Mora e sua equipe avaliaram estudos sobre mortes por calor publicados entre 1980 e 2014. Em 783 relatos compilados em 164 cidades de 36 países, sobretudo da Europa Meridional e centro-leste dos Estados Unidos, eles detectaram um incremento do nível de mortalidade relacionada a temperaturas altas.

Por exemplo, durante uma onda de calor na Europa em 2003, milhares de pessoas morreram na França e na Alemanha. Em 2010, mais de 10 mil sucumbiram ao calor em Moscou. Em Chicago, em 1995, o número de vítimas foi de 740. Também Nova York, Londres, Tóquio e Toronto, entre outras, sofreram com condições meteorológicas extremas.

A fim de determinar a partir de que ponto extremos de calor passam a ser fatais, os pesquisadores do Havaí analisaram em detalhe as condições climáticas durante as épocas em questão – temperatura, umidade, velocidade do vento e níveis de radiação –, comparando-as com fases moderadas. Sua conclusão é que temperatura e umidade relativa do ar são os fatores decisivos.

Quando a temperatura externa ultrapassa a média do corpo humano, de cerca de 37ºC, ele não consegue mais liberar calor, hiperaquecendo-se. Além disso, se a umidade atmosférica é alta, deixa de funcionar o principal mecanismo de regulação térmica do organismo, a transpiração. Nesse caso, também temperaturas menos elevadas podem ser mortais.

A visão de futuro de Camilo Mora é pessimista: “No tocante a ondas de calor, temos a escolha entre ruim e horrível.” Já em 2015, pesquisadores divulgaram um prognóstico sombrio para os Estados do Golfo Pérsico: devido à mudança climática, dentro de poucas décadas as temperaturas na região poderão ultrapassar regularmente os 60ºC – mesmo para indivíduos saudáveis, um calor humanamente insuportável.

Fonte: Deutsche Welle publicado em UOL Notícias.

Brasil deve ter liderança nas discussões sobre mudanças climáticas

O presidente da FAPESP, José Goldemberg, defendeu a realização no Brasil de uma reunião de chefes de estado dos principais países emissores de gases estufa, para “reafirmar o que se avançou em 1992 no Rio de Janeiro e em Paris em 2015”.

“Essa seria uma forma de o Brasil voltar a assumir uma posição de liderança na área, como ocupou em 1992”, disse em sessão da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) no Senado Federal no dia 12 de junho.

Goldemberg destacou que a Conferência de Paris de 2015 coroou o sucesso inicial da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio 92) e que “nem mesmo a posição anticientífica do presidente dos Estados Unidos vai impedir que os compromissos lá assumidos sejam atingidos”.

“O Acordo de Paris é um acordo entre países adultos e responsáveis os quais voluntariamente decidiram que reduzir as emissões serve o interesse nacional e como fazê-lo”, disse Goldemberg. Ele lembrou que após a Revolução Industrial o problema passou a ser a qualidade do ar, que só começou a ser resolvido a partir de 1972 após a Conferência de Estocolmo. “Foi a partir dela que surgiram os Ministérios de Meio e Ambiente no mundo todo”, disse.

“Sem água, ar limpo e esgoto, cidades não são viáveis e hoje mais de 70% da população mundial vive em zonas urbanas. Todos esses problemas podem ser atacados e resolvidos a nível local, regional e nacional”, disse. Mas no fim do século 20 foi identificado cientificamente um novo problema, o aquecimento global, provocado pelas emissões de gases resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis.

“Esses gases não conhecem fronteiras e os problemas que causam só podem ser atacados a nível internacional. Isso é o que a Convenção do Clima no Rio de Janeiro tentou fazer”, disse Goldemberg. Ele destacou que, em 1992, mais de cem chefes de estado “sinalizaram de forma inequívoca o caminho a seguir que era o de promover um desenvolvimento moderno e pouco poluente”.

“Tive o privilégio de participar deste esforço como secretário de Meio Ambiente da Presidência da República junto com o secretário geral do Itamaraty, Marcos Azambuja, em uma missão que foi a Washington, Nova Délhi, Tóquio e Beijing convencer os chefes de Estado da importância da Convenção do Clima, o que na época não foi uma tarefa trivial, mas que teve sucesso”, disse.

A sessão no Senado contou com a presença do senador Jorge Viana (presidente da CMMC), do senador Fernando Collor (presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal), da deputada Bruna Furlan (presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados), de Marcos Azambuja (ex-embaixador do Brasil na França e coordenador da a Rio 92), de Carlos Moreira Garcia (ex-embaixador do Brasil na Espanha).

Participaram também da mesa Paulo Tarso Flecha de Lima (ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores), Izabella Mônica Vieira Teixeira (ex-ministra do Meio Ambiente), Erik Solheim (diretor executivo da ONU Meio Ambiente), Alfredo Syrkis (ex-deputado federal e secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas) e o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho (subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia).

O discurso de Goldelberg pode ser lido em: www.fapesp.br/11062.

Fonte: FAPESP

Recorde de renováveis ainda não dá conta do desafio climático

Apesar do crescimento, a transição energética não está acontecendo rápido o suficiente para atingir as metas do Acordo de Paris

As fontes renováveis estão mudando o tabuleiro energético mundial. O ano de 2016 foi recorde: a capacidade de geração a partir das energias renováveis registrou o maior aumento da história, com 161 gigawatts (GW) instalados, um aumento de 9% em relação a 2015, levando a capacidade global total para aproximadamente 2.017 GW.

A energia solar fotovoltaica contribuiu com cerca de 47% da capacidade adicional no ano passado, seguida pela energia eólica com 34% e pela energia hidroelétrica com 15,5%.

Os dados são da edição 2017 do estudo REN21 Renewable Energy Global Status Report, relatório de referência para o setor lançado neste mês, que fornece o panorama anual mais abrangente da situação desse mercado no mundo.

Segundo o estudo, as emissões globais de CO2 relacionadas com o setor energético provenientes dos combustíveis fósseis e da indústria permaneceram estáveis pelo terceiro ano consecutivo, apesar do crescimento de 3% na economia mundial e da procura crescente por energia.

Os analistas atribuem esse processo principalmente ao declínio do carvão, mas também ao crescimento da capacidade de energia renovável e das melhorias na eficiência energética.

Ritmo insuficiente

Apesar da tendência positiva, a transição energética não está acontecendo rápido o suficiente para atingir as metas do Acordo de Paris e,  com a saída dos Estados Unidos do pacto, as perspectivas para o setor preocupam.

No ano passado, os investimentos em novas instalações de energia renovável caíram 23% face a 2015. A maior baixa foi sentida nos mercados em desenvolvimento e emergentes, onde o investimento em energia renovável caiu 30%, para 116 bilhões de dólares.

Nos países desenvolvidos, o investimento em novas instalações caiu 14% para 125 bilhões de dólares. O investimento continua a ser fortemente focado nas energias eólica e solar fotovoltaica, no entanto, o estudo defende que todas as tecnologias de energia renovável precisam ser utilizadas para manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC até o fim do século.

Segundo o relatório, é preciso maior compromisso dos setores de transportes, aquecimento e refrigeração, que ainda dependem, em muito, de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo.

Um entrave são os subsídios às fontes poluentes, que continuam a superar dramaticamente os das tecnologias renováveis, ao lado dos subsídios à energia nuclear.

No final de 2016, mais de 50 países comprometeram-se a eliminar gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis, e algumas reformas ocorreram, mas não o suficiente para dar conta do desafio climático.

Fonte: Exame

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