Mudança climática, mesmo que moderada, aumentará demanda global de energia

Temperatura média da superfície da Terra está a caminho de aquecer 4ºC até 2100

A mudança climática, mesmo que seja moderada, aumentará a demanda global de energia em até um quarto antes da metade do século, e em quase 60% se a humanidade não conseguir reduzir as emissões de gases do efeito estufa, disseram pesquisadores nesta segunda-feira. Na medida em que essa energia vem de combustíveis fósseis, a energia extra necessária para resfriar indústrias, residências e lojas de varejo nas próximas décadas contribuirá para o aquecimento, segundo o estudo publicado na revista Nature Communication.

Em 2018, o petróleo e o gás representaram dois terços da geração global de eletricidade, enquanto a energia solar e eólica contribuíram com menos de 10%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Mesmo sob cenários otimistas, as energias renováveis não podem ser ampliadas com rapidez suficiente para substituir os combustíveis fósseis até 2050, mesmo se as necessidades de energia mais altas devido à mudança climática forem deixadas de fora.

As energias hídrica e nuclear – que não emitem CO2 – alimentam um quarto da eletricidade global, mas também têm potencial limitado para aumentar rapidamente. “Se o uso de energia aumentar e levar a emissões adicionais de gases do efeito estufa, o aumento do consumo de energia para ar-condicionado pode tornar mais difícil e custoso atenuar o aquecimento futuro”, afirmou a coautora Ian Sue Wing, pesquisadora da Universidade de Boston.

As necessidades de energia aumentarão mais rapidamente no sul da Europa, na China, nos Estados Unidos e, especialmente, em países mais pobres dos trópicos, disse a pesquisadora. O mercado de ares-condicionados de unidade única na Índia, por exemplo, deverá passar de 30 milhões para um bilhão de unidades até 2050, de acordo com pesquisas anteriores. Globalmente, as unidades de ar-condicionado devem consumir até três vezes mais energia até 2050, e exigiriam eletricidade adicional equivalente à capacidade combinada de 2018 dos EUA, da União Europeia e do Japão, calculou a AIE.

Estimativas anteriores de novas necessidades de energia sob diferentes cenários de mudança climática foram limitadas a alguns países, a um setor específico ou a um ou dois modelos climáticos. O novo estudo combina projeções de temperatura global de 21 modelos climáticos com cinco projeções diferentes para os crescimentos econômico e populacional. Na metade do século, as mudanças climáticas aumentarão a demanda global de energia em entre 11% e 27% com um aquecimento moderado, e em entre 25% e 58% com um aquecimento “vigoroso”, descobriram os pesquisadores.

No acordo de Paris sobre o clima, de 2015, 195 nações se comprometeram a limitar o aquecimento global “bem abaixo” de dois graus Celsius em comparação com os níveis do meio do século XIX. Com apenas 1°C de aquecimento até agora, o mundo registrou um aumento de ondas de calor, clima instável e tempestades gigantescas, que se tornaram mais destrutivas pelo aumento do nível dos mares.

Nas tendências atuais, a temperatura média da superfície da Terra está a caminho de aquecer 4ºC até 2100, uma receita certa para a miséria humana generalizada, dizem os cientistas. Os países pobres da África, Ásia e Oriente Médio terão dificuldades para se adaptar, de acordo com o autor sênior Bas van Ruijven, um pesquisador do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA).

“Aumentos de temperatura até 2050 podem expor meio bilhão de pessoas nos países de rendas mais baixas a aumentos na demanda de energia de 25% ou mais”, disse. “Em áreas que têm fornecimento de eletricidade não confiável, ou carecem de conexões de rede, o aumento da exposição a dias quentes aumenta o risco de doenças e mortalidade relacionadas ao calor”.

Cerca de 850 milhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso à eletricidade, de acordo com um relatório recente divulgado em conjunto pela AIE, as Nações Unidas e o Banco Mundial.

Fonte: Correio do Povo

Como fazer a mudança climática virar uma boa limonada, analisa Julia Fonteles

revenir é mais barato

PIB do país pode cair 83% até 2100

A maioria dos estudos sobre mudança climática, invariavelmente, chega à conclusão de que é muito mais barato adotar medidas preventivas para conter os efeitos do aquecimento global do que pagar o prejuízo causado por desastres naturais. Isso significa que se o preço para um mundo descarbonizado parece alto hoje, o custo para reconstruir danos causados pela mudança climática será muito maior. Mais do que isso, vários países já identificam que o clima é uma ótima oportunidade de investimento e crescimento econômico.

Pesquisas mostram que os efeitos do aumento na temperatura impactam diversos aspectos da sociedade. Entre os principais deles, a economia. Estudo realizado pela Universidade de Stanford, em 2015, mediu o impacto econômico da mudança climática em cada país até o ano de 2100. No Brasil, a mudança climática pode reduzir o valor do PIB em até 83%. O cálculo leva em conta o impacto da mudança climática nos principais fatores econômicos.

A agricultura está entre as atividades mais afetadas pela alta da temperatura e países que dependem da exportação de commodities, como o Brasil, têm as piores projeções. Já em países com o clima mais frio, economias diversificadas e mais desenvolvidos em questões climáticas como a Noruega, o efeito do aquecimento global estimado no PIB é zero.

Devido aos riscos associados à crise, a necessidade de mudar o status quo pode ser vista como um fator positivo para estimular o crescimento econômico. Dá para fazer desse limão uma deliciosa limonada. Encarar a crise climática como uma oportunidade, em vez de um fardo, resultará em impactos positivos para o crescimento do PIB. Com foco em inovação e tecnologia, é possível estimular o investimento privado e gastos públicos para movimentar capital e assegurar crescimento a longo e curto prazo.

O alto investimento em pesquisa e tecnologia aumenta o custo benefício de futuras inovações. Países como Estados Unidos, Japão, Noruega e Alemanha investem bilhões de dólares todos os anos para o aperfeiçoamento dessas técnicas. Na área de pesquisas e desenvolvimento, a Alemanha gastou, só em 2018, US$ 357milhões em energia renovável, US$ 283 milhões em energia nuclear e US$ 149 milhões em tecnologia de armazenamento.

Vale ressaltar que o investimento contínuo e duradouro em projetos de pesquisa e desenvolvimento nesses países ocorre justamente porque são tratados como projetos de longo prazo. Ao assumir o compromisso de inovação, é importante reconhecer que leva tempo para que o custo benefício dessas tecnologias valha a pena. Placas solares, por exemplo, levaram mais de 30 anos para desenvolverem sua capacidade de eficiência e se tornarem acessíveis para a população. Graças a incentivos de mercado e aos aperfeiçoamentos da tecnologia, a energia solar conseguiu atingir um preço competitivo, no ano passado.

Outro investimento a longo prazo é o capital humano. Nada adianta o desenvolvimento de tecnologias de ponta sem mão de obra qualificada. No Reino Unido, cursos de ensino superior em energia e meio ambiente estão cada vez mais concorridos. O engenheiro Arun Majumdar, professor na universidade de Stanford, acredita que cada vez mais universidades e escolas devam adotar uma noção básica de cursos sobre energia. Segundo ele, foram seus alunos que o incentivaram a se especializar em energia renovável. Majumdar diz que todos os jovens devem se preparar para encarar os novos desafios da economia.

O aumento nos investimentos públicos é outro fator que estimula o crescimento do PIB. Projetos de infraestrutura green geram novos empregos, aumentam o consumo privado e aceleram o movimento do capital. Além de oferecerem uma expansão a curto prazo, são extremamente necessários para assegurar a transição energética. No estado de Washington, no noroeste norte-americano, a revolução da indústria de energia eólica gerou novos empregos, atraiu investimentos e, atualmente, o setor está avaliado em US$ 6 bilhões.

Olhar para as medidas contra a mudança climática como uma oportunidade está fazendo a diferença em muitos países, essa é a lição a ser seguida. A busca por soluções oferece oportunidades viáveis de crescimento econômico. Uma alta em investimentos green, gastos públicos em infraestruturas sustentáveis e uma melhora na qualidade do capital humano têm efeitos expansivos para economia e para a qualidade de vida. Ignorar essa receita é apostar no atraso.

Fonte: Poder 360

Destruição da natureza ameaça a humanidade tanto quanto a mudança climática

Cientistas e diplomatas de mais de 130 países estão reunidos até sábado em Paris para adotar a primeira avaliação mundial dos ecossistemas em 15 anos

A mensagem transmitida nesta segunda-feira na abertura de uma conferência mundial sobre a biodiversidade é clara: a destruição da natureza ameaça o bem-estar do homem “ao menos tanto” quanto a mudança climática e merece, portanto, tanta atenção quanto para evitar impactos devastadores.

Cientistas e diplomatas de mais de 130 países estão reunidos até sábado em Paris para adotar a primeira avaliação mundial dos ecossistemas em 15 anos, um sombrio panorama da natureza vital para a humanidade.

“As provas são inegáveis: nossa destruição da biodiversidade e do serviços do ecossistema alcançaram níveis que ameaçam nosso bem-estar ao menos tanto quanto as mudanças climáticas induzidos pelo homem”, declarou Robert Watson, o presidente da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

O grupo de especialistas trabalhou durante três anos em um relatório de 1.800 páginas, que deve se tornar a verdadeira referência científica sobre a biodiversidade, assim como os do IPCC para o clima.

Se a palavra “biodiversidade” às vezes parece abstrata, diz respeito a todas as espécies animais ou vegetais que vivem no planeta, incluindo aquela que se coloca em perigo ao destruir a natureza: o Homem.

E o Homem não pode viver sem essa natureza que lhe presta serviços inestimáveis, desde insetos polinizadores a florestas e oceanos absorvendo CO2, passando pelos medicamentos ou a água potável.

Quanto ao clima, “este mês de abril de 2019 pode marcar o início de uma ‘virada parisiense’ semelhante para a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas”, estimou Watson.

Muitos esperam que a avaliação sirva de prelúdio para a adoção de metas ambiciosas na reunião em 2020 na China dos Estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP15).

Quase nenhuma das 20 metas previamente estabelecidas para 2020, que visam uma vida “em harmonia com a natureza”, até 2050, será alcançada, de acordo com resumo preliminar do relatório obtido pela AFP. O relatório final será discutido, alterado e adotado linha a linha pelos delegados antes de sua publicação em 6 de maio.

“O patrimônio ambiental global (…) está sendo alterado a um nível sem precedentes”, adverte este texto.

De acordo com o resumo preliminar, várias “evidências independentes apontam para uma rápida aceleração iminente da taxa de extinção de espécies (…) mesmo se os fatores (desta extinção) não tenham se intensificado”.

Um quarto das 100.000 espécies avaliadas – uma porção mínima das 8 milhões estimadas na Terra – já estão sob ameaça de extinção, sob pressão da agricultura, da pesca, da caça, ou ainda da mudança climática.

E com a aceleração esperada da taxa de extinção, entre 500.000 e um milhão devem estar em risco, “muitas delas nas próximas décadas”.

Morrendo
Projeções em consonância com o que alguns cientistas vêm descrevendo há anos: o início da sexta “extinção em massa”, a primeira desde o aparecimento dos homens no planeta.

“Este relatório fundamental lembrará todos nós desta verdade: as gerações de hoje têm a responsabilidade de legar às gerações futuras um planeta que não seja irreparavelmente danificado pelas atividades humanas”, disse Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco que hospeda a reunião.

“A ciência nos diz o que os nossos sábios vem reportando há décadas: a Terra está morrendo”, disse José Gregorio Mirabal, presidente da COICA, uma organização que reúne organizações indígenas da bacia amazônica.

“Nós pedimos urgentemente um acordo internacional para a natureza, para restaurar metade do mundo natural o mais rápido possível”, acrescentou, à medida que este relatório global leva em conta pela primeira vez os problemas e prioridades dos povos indígenas.

O texto liga claramente as duas principais ameaças que são o aquecimento global e a destruição da natureza, identificando algumas causas semelhantes, em particular práticas agrícolas e desmatamento, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2, bem como danos diretos aos ecossistemas.

Mas dada a escala das reformas a serem implementadas, que implicam uma verdadeira transformação de nossos estilos de vida em um planeta cada vez mais populoso, a resistência pode ser ainda mais forte do que a na luta contra a mudança climática.

Fonte: Folha de Pernambuco

A influência humana na mudança climática remonta ao século XIX

A mudança climática representa um sério desafio para a sociedade humana e geralmente acredita-se que os seres humanos são os culpados. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas concluiu que, com alta confiança, as atividades humanas são responsáveis pelo contínuo aumento da temperatura média do ar na superfície desde os anos 50.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

Um artigo recente publicado na revista Nature Sustainability por Duan et al. tem mostrado que a influência humana sobre as mudanças climáticas pode ser rastreada até o final do século 19 com base na diferença de temperatura entre verão e inverno. Esta pesquisa foi realizada por cientistas do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, em colaboração com os principais especialistas em pesquisa climática do Reino Unido e da Alemanha.

“É bem sabido que os seres humanos estão conduzindo o aquecimento global, mas quando isso começou?” disse o principal autor, Dr. Jianping Duan, “Nosso estudo mostrou que a influência antropogênica na mudança climática começou muito antes do que acreditávamos anteriormente”.

A mudança climática antropogênica é geralmente focada no aumento da temperatura do ar na superfície, ou seja, o aquecimento global e o aumento dos extremos climáticos. Duan et al. (2019) descobriram que a amplitude das flutuações da temperatura sazonal tem diminuído amplamente, e essa tendência pode ser rastreada até o final do século XIX.

Eles descobriram que a sazonalidade da temperatura tem sido estável até a década de 1860, da qual tem havido contínuas tendências de queda nas latitudes médias do hemisfério norte. Uma análise formal de detecção e atribuição usando as mais recentes simulações do modelo climático mostrou que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa e os aerossóis antrópicos são os principais contribuintes para as tendências de queda observadas.

Fonte: EcoDebate

Aquecimento global mudará a cor dos oceanos até o final do século

Acor que nós vemos hoje nos oceanos pode mudar até o final deste século. É o que mostra um estudo publicado na Nature Communications, que afirma que os mares tropicais ficarão mais azuis e brilhantes, enquanto águas frias e ricas em nutrientes estarão mais verdes e escuras.

Isso acontecerá porque a mudança climática afeta populações de pequenos organismos aquáticos, chamados de fitoplânctons, que convertem a luz solar em energia química através da fotossíntese. “Da mesma forma que as plantas em terra são verdes, o fitoplâncton também é verde, então a quantidade e os diferentes tipos de fitoplâncton afetam a cor da superfície do oceano”, diz Anna Hickman, co-autora da pesquisa, que acredita que ser capaz de detectar mudanças nos níveis de tais organismos é mutio importante.

“Estamos interessados ​​no fitoplâncton porque são pequenas plantas marinhas que contribuem com cerca de metade da fotossíntese global e são a base da cadeia alimentar marinha”, afirma Hickman para o periódico britânico The Guardian.

Os pesquisadores relatam que chegaram a essas conclusões utilizando um modelo computacional que prevê como fatores como temperatura, correntes oceânicas e acidez do oceano afetam o crescimento e os tipos de fitoplâncton na água, bem como os níveis de outras matérias orgânicas coloridas e detritos. Além disso, eles analisaram como tais mudanças afetariam a absorção e reflexão da luz na superfície do oceano.

Os resultados revelam que se a temperatura da superfície do mar global subir 3ºC até 2100 — como esperado do cenário atual — a cor de mais da metade dos oceanos mudará.

No entanto, a diferença na cor não será algo drástico de ser observado. “Eu provavelmente preveria que a mudança de cor não será perceptível a olho nu”, afirma Hickman.

Fonte: Revista Galileu

Mudança climática na América Latina

Governos da região vão ter de lutar muito para responder aos desafios de atenuar seu impacto

Em outubro o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas divulgou relatório sugerindo que mesmo que os signatários do Acordo de Paris cumprissem todos os compromissos assumidos a temperatura planetária subiria mais de dois graus Celsius (2°C) até o fim do século. Evitá-lo demandaria uma ação política global, cada vez mais improvável. Vale a pena perguntar qual será o futuro econômico da América Latina ante as mudanças climáticas e que recursos políticos seus dirigentes têm para proteger a população dos efeitos das mudanças.

Apesar de mais de 75% dos latino-americanos reconhecerem a gravidade do problema, há indícios de que esse tema se está politizando. No Brasil, o novo governo anunciou a intenção de sair do Acordo de Paris e o País já não sediará a próxima rodada de conversações sobre o clima patrocinadas pela ONU, a COP-25. Jair Bolsonaro prometeu abrir as florestas tropicais à exploração comercial, apesar de o aumento do desmatamento ter consequências mundiais em curto prazo.

Alguns setores da economia latino-americana são mais vulneráveis que outros a ter seus ativos desvalorizados ou inutilizados pela mudança climática e pelas políticas adotadas para mitigá-la. Por exemplo, grandes reservas de combustível fóssil não deverão ser explorados se a América Latina pretender cumprir o que foi firmado no Acordo de Paris – que exige que quase 50% das reservas de petróleo e gás da região e 75% das de carvão permaneçam enterradas.

A agricultura é o desafio mais problemático para os planos de adaptação da região ao clima. No Brasil, os efeitos da mudança climática sobre a disponibilidade de água serão variados: estudo recente concluiu que o norte do País deve sofrer uma redução de 40% no volume de chuvas, mas no sul elas aumentariam 30%. Como resultado, a produção de grãos como trigo e soja deve cair, mas em âmbito continental haverá aumentos, limitados, em zonas hoje marginais à produção de commodities. Culturas como café e vinho sofrerão mais. Está claro que a adaptação tem um custo e desafiará a capacidade dos governantes.

Mas se há riscos para a América Latina, também há oportunidades. Nenhuma região do mundo produz mais energia de fontes renováveis do que a América Latina, mas mais de 75% dessa energia vem de imensas hidrelétricas, que são vulneráveis à mudança do clima. Secas severas já causaram extensos apagões em bacias que apostaram seu futuro energético no poder hídrico – especialmente no Brasil.

Em termos de recursos naturais e vontade política, o Chile talvez seja o país em melhor posição na região para se beneficiar de um futuro com base em energia renovável. O país possui exatamente o tipo de recursos que o tornarão uma potência em energia renovável: em nenhum outro lugar há uma irradiação solar de longo prazo maior que no Deserto de Atacama. Se a energia solar que chega ao Atacama fosse plenamente aproveitada, já seria o suficiente para prover eletricidade para toda a América Latina, nos níveis atuais.

O Atacama e a área em torno dele – que abrange Chile Bolívia e Argentina – também abrigam mais da metade do suprimento global de lítio, elemento crucial para as baterias usadas em veículos elétricos e que armazena energia produzida por fontes eólicas e solares. Desenvolver recursos do lítio e se capacitar para criar produtos com valor agregado, eis uma vasta fonte potencial de renda para as nações andinas que desejem aproveitar o movimento global de abandono dos combustíveis fósseis.

Se o Deserto do Atacama é o futuro epicentro da produção de lítio e energia solar, a costa atlântica do Brasil pode rivalizar com ele com a energia eólica. Beneficiando-se de ventos constantes e unidirecionais, a região atraiu altos investimentos externos entre 2009 e 2015. As sucessivas crises políticas e econômicas sufocaram a produção, mas os leilões de energia marcados pelo governo brasileiro para 2019 e 2020 têm previsão de trazer mais 15 gigawatts de energia eólica para a rede elétrica.

As economias sul-americanas estão, portanto, em excelente posição para lucrar com a mudança econômica global na direção da economia verde. Naturalmente, isso vai exigir que governos e atores privados reconheçam a urgência de fazer esses investimentos, agora, enquanto ainda existe uma chance – cada vez menor – de limitar o aquecimento a 1,5°C. As diferenças entre 1,5°C e 2°C de aquecimento são dramáticas. Consideremos dois cenários diferentes para o futuro da América Latina, um em que a temperatura global aumenta 1,5° e outro em que esse aumento chega a 2°.

No primeiro caso, uma seca na América do Sul duraria em média um mês. Mas num cenário de 2° de aumento a seca duraria três meses. Isso significa que, enquanto 18 milhões de pessoas sofreriam com a escassez de água no caso de um aquecimento climático de 1,5°, se o aumento for de 2° serão 25 milhões.

O clima extremo – que compromete as condições de crescimento das regiões afetadas – aumenta exponencialmente à medida que a temperatura sobe, com diferenças notáveis entre cenários de 1,5° e 2°. A Região Amazônica, por exemplo, sofrerá um aumento de 258% das situações climáticas de calor extremo sob 1,5° a mais, mas será de 737% num cenário de 2°. O Cone Sul registraria um aumento de 188% das situações de calor extremo num cenário de 1,5° de a mais da temperatura, e 553%, se ela exceder os 2°.

A estabilidade política e econômica da América Latina dependerá da capacidade da região de atenuar os impactos sobre os pobres marginalizados de um admirável mundo novo de secas e temperaturas extremas, mesmo procurando beneficiar-se das oportunidades de negócios que poderão surgir. A mudança climática, como a globalização, terá seus vencedores e perdedores. A América Latina já é a região com mais desigualdades no mundo. Como os efeitos da mudança climática atingem mais duramente os mais vulneráveis, os governos se verão diante de desafios que terão de lutar muito para lhes responder.

Fonte: Estadão

Aquecimento global afeta crescimento e regeneração da floresta Amazônica, diz estudo

Segundo pesquisadores, algumas espécies de árvores não conseguem crescer com a mudança climática.

Uma equipe de mais de 100 cientistas avaliou o impacto do aquecimento global em milhares de espécies de árvores em toda a Amazônia para descobrir os vencedores e perdedores de 30 anos de mudança climática. Sua análise descobriu que os efeitos das mudanças climáticas estão alterando a composição das espécies arbóreas da floresta tropical, mas não o suficiente para acompanhar o ambiente em mudança.

A equipe, liderada pela Universidade de Leeds em colaboração com mais de 30 instituições em todo o mundo, usou registros de longo prazo de mais de cem parcelas como parte da Rede de Inventário da Floresta Amazônica (RAINFOR) para rastrear as vidas de árvores individuais em a região amazônica.

Seus resultados mostraram que, desde a década de 1980, os efeitos das mudanças ambientais globais – secas mais fortes, aumento da temperatura e níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera – afetaram lentamente o crescimento e a mortalidade de espécies específicas.

Em particular, o estudo descobriu que as espécies de árvores que preferem a umidade estão morrendo mais freqüentemente do que outras espécies e aquelas adequadas para climas mais secos não foram capazes de substituí-las.

A autora do estudo, Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds, disse: “A resposta do ecossistema está atrasada em relação à taxa de mudança climática. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amazônica nas últimas décadas tiveram sérias consequências a composição da floresta, com maior mortalidade em espécies arbóreas mais vulneráveis ​​a secas e crescimento compensatório insuficiente em espécies melhor equipadas para sobreviver a condições mais secas.”

A equipe também descobriu que árvores maiores – predominantemente espécies de dossel nos níveis superiores das florestas – estão competindo com plantas menores. As observações da equipe confirmam a crença de que as espécies do dossel florestal seriam “vencedores” da mudança climática, pois se beneficiam do aumento do dióxido de carbono, o que pode permitir que cresçam mais rapidamente. Isso sugere ainda que concentrações mais altas de dióxido de carbono também têm um impacto direto na composição da floresta tropical e na dinâmica da floresta – a forma como as florestas crescem, morrem e mudam.

Além disso, o estudo mostra que as árvores pioneiras – árvores que brotam rapidamente e crescem em clareiras deixadas para trás quando as árvores morrem – estão se beneficiando da aceleração da dinâmica da floresta.

O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da rede RAINFOR, disse: “O aumento em algumas árvores pioneiras, como a cecropia de crescimento extremamente rápido, é consistente com as mudanças observadas na dinâmica da floresta, que também pode em última análise, ser impulsionado pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono”.

O co-autor Dr. Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, disse: “O impacto das alterações climáticas nas comunidades florestais tem importantes consequências para a biodiversidade das florestas tropicais. As espécies mais vulneráveis ​​às secas estão duplamente em risco, pois são tipicamente as mais restritas para menos locais no coração da Amazônia, o que os torna mais propensos a serem extintos se esse processo continuar”.

“Nossas descobertas destacam a necessidade de medidas rigorosas para proteger as florestas intactas existentes. O desmatamento para agricultura e pecuária é conhecido por intensificar as secas nesta região, o que está exacerbando os efeitos já causados ​​pela mudança climática global”, disse Dexter.

Fonte: G1

Brasil deve permanecer no Acordo de Paris, defende INTL FCStone

Os benefícios da permanência do Brasil no Acordo de Paris para o agronegócio nacional mais do que compensam seus custos, conforme análise exclusiva realizada pela consultoria INTL FCStone. A avaliação aponta vantagens para o país em futuras negociações comerciais ou em outras áreas.

“Considerando que o aquecimento global deve ser cada vez mais uma parte essencial da pauta de negociações globais, se o Brasil quiser se manter e até aumentar sua participação em futuros acordos internacionais (comerciais ou de outra natureza) é de suma importância que o país se mantenha como participante do Acordo de Paris e concentre seus esforços no cumprimento da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) estabelecida para 2025, que é de redução em 37% nas emissões em comparação com 2005”, diz relatório da consultoria INTL FCStone.

O Brasil se destaca mundialmente pelo respeito ao meio ambiente, tendo registrado desempenho melhor do que países como Estados Unidos e Alemanha, com intensidade de carbono 44% abaixo da média global e mais de 60% abaixo de outras economias emergentes como China e México. “Esta vantagem é resultado, pelo menos em parte, da ampla presença de fontes renováveis na matriz energética nacional, que é a maior do mundo”, destaca a consultoria.

No entanto, para que o Brasil continue sendo capaz de reduzir suas emissões e, com isso, atinja a meta estabelecida no Acordo de Paris, é necessário um esforço redobrado para a redução no uso de combustíveis fósseis e a adoção de práticas agrícolas e industriais que levem a menores emissões.

Nesse sentido, o agronegócio brasileiro posiciona-se com estratégia eficiente para o cumprimento destas metas, através de práticas agropecuárias ambientalmente corretas, sendo o setor cada vez mais apto a crescer em produtividade sem aumentar o desmatamento, assim como por meio da produção de biocombustíveis, com destaque para o etanol e o biodiesel. “Para que a meta seja cumprida, precisaremos aumentar ainda mais os volumes gerados destes produtos”, observa a INTL FCStone.

O grupo ainda ressaltou que as exportações da agropecuária nacional estariam entre os primeiros que poderiam ser alvo de barreiras não tarifárias caso o país saia do Acordo. Fora do Acordo de Paris, e caso reverta medidas como a moratória da soja e os esforços para a redução do desmatamento, o Brasil deve perder o acesso a importantes consumidores, o que prejudicaria o agronegócio nacional e conferiria vantagem a outros importantes competidores.

O agronegócio brasileiro também pode ser vítima das mudanças climáticas, com a inviabilização de regiões que hoje são produtivas no país. “Se os esforços globais para estabelecer um limite no aquecimento global não forem bem-sucedidos, é possível que o Brasil perca a enorme vantagem que hoje possui na produção agrícola por contar com um enorme território de solo e clima aptos para o plantio”, afirmou. Isso porque, com o aumento das temperaturas, parte destas áreas se tornariam inadequadas para a agricultura, enquanto novos territórios poderiam ganhar produtividade em países concorrentes mais próximos dos polos, como Rússia e Canadá.

Fonte: AgroemDia

Bill Gates investe em fundo da União Europeia contra o aquecimento global

Bill Gates anunciou nesta quinta-feira (18) um investimento de € 50 milhões em um fundo voltado para o combate ao aquecimento global. A iniciativa foi criada em parceria com a União Europeia e visa fomentar projetos de energia limpa em países do Velho Continente, principalmente entre startups e empresas inovadoras do setor.

O projeto, ainda, passa a fazer parte do Breakthrough Energy, um grupo criado por Gates e que conta com a participação de bilionários como Jeff Bezos, da Amazon; Jack Ma, da Alibaba; e Michael Bloomberg, fundador da empresa de mídia de mesmo nome e ex-prefeito de Nova York. A ideia da iniciativa é semelhante a do acordo com a União Europeia, com todos trabalhando no financiamento de iniciativas que possam reverter as mudanças climáticas por meio de novas tecnologias de energia renovável.

No total, o acordo tem valor de € 100 milhões, com a segunda metade desse montante sendo aplicada pela Horizon 2020, um programa de pesquisa e inovação da própria União Europeia. Assim como no caso de Gates, o investimento atual é um dos maiores já realizados pelo programa, criado em 2014 e com previsão de mais de € 80 bilhões em investimentos no setor até 2020, quando serão realizados estudos para verificar a viabilidade das iniciativas e seus impactos iniciais sobre a mudança climática.

O acordo foi assinado pelo cofundador da Microsoft ao lado de Carlos Moedas, comissário de pesquisa, inovação e ciência da União Europeia. A cooperação foi firmada em Bruxelas, na Bélgica, e cria um fundo piloto para investimento na região como forma de incentivar não apenas o empreendedorismo na área, mas também financiar pesquisas que levem a novas formas de gerar energia sem a utilização de combustíveis fósseis e a emissão de poluentes.

Essa, afirmou Gates, é justamente a razão para a criação da Breakthrough Energy, que agora passa a ter um braço essencialmente europeu. Em todo o mundo, a ideia é colocar mais de US$ 1 bilhão em pesquisas e trabalhos dessa categoria, voltados, principalmente, na aplicação prática dos estudos no mundo real e garantir a escala necessária para que as iniciativas locais tenham um verdadeiro impacto contra a mudança climática.

Na visão do fundador da Microsoft, transportada como ponto central de sua iniciativa de investimentos, o problema da mudança climática deve ser abordado em etapas, com os setores de energia, agricultura e pecuária recebendo o maior investimento por serem, também, os maiores poluidores. Depois, estão os segmentos de manufatura e transportes, com a construção civil e a climatização de edifícios e armazenamento de alimentos aparecendo na última colocação.

É por esse tipo de prioridade, também, que os investimentos da Breakthrough Energy devem ser divididos, de forma a abordar, primeiro e de forma mais agressiva, os problemas maiores. Essa ordenação também tem a ver com o fato de que as pesquisas imaginadas pelo fundo levam anos, às vezes décadas, para gerarem frutos, e mais tempo ainda para fazerem diferença real. E como o relógio está contando contra nós, algo precisa ser feito de maneira bastante rápida. Alguns bilhões de euros, é claro, ajudam bastante nesse trabalho.

Fonte: Canal Tech

9 cidades africanas querem se tornar “carbono zero” até 2050

O continente africano está na linha de frente dos piores efeitos das mudanças climáticas e algumas cidades estão querendo mudar seu destino

Nenhum continente será tão fortemente atingido pelos impactos da mudança climática quanto a África. Dada a sua localização geográfica, suscetível às maiores variações de temperatura, e a capacidade de adaptação consideravelmente limitada e exacerbada pela pobreza generalizada, o continente africano é um campo minado de tragédias potenciais.

Decididas a mudar esse futuro, nove cidades africanas resolveram agir, e se comprometeram, recentemente, a entregar sua parcela de redução de emissões de carbono para atingir os objetivos do Acordo de Paris. A meta? Alcançar economias “carbono zero” em pouco mais de 30 anos, de forma que a mesma quantidade de CO2 liberado seja reduzida e compensada com ações específicas.

Na linha de frente estão as cidades de Accra, capital de Gana, Dar es Salaam na Tanzânia, Addis Ababa na Etiópia, Lagos na Nigéria, Dakar no Senegal e quatro na África do Sul: Durban, Tshwane, Joanesburgo e Cidade do Cabo, que enfrenta a pior crise hídrica de sua história.

Para alcançar esse objetivo ambicioso, as cidades desenvolverão planos de ação para os setores da economia mais intensivos em emissões: transporte, gestão de resíduos e produção de energia. Esse planos estão sendo desenvolvidos com ajuda do C40 Cities, uma rede de cidades do mundo que luta contra a mudança climática.

Não será uma tarefa fácil. Entre as dez megacidades globais com as menores emissões, apenas uma, Joanesburgo, está atualmente na África, destaca a Reuters. Tampouco será uma investida barata, já que envolve mudanças de tecnologias e padrões produtivos.

Mas ninguém duvida que se trata de uma tarefa importante, já que o Banco Mundial projeta que quase 70% da população mundial viverá em cidades até 2050, e que a África poderá responder por metade do crescimento da população global nos próximos 30 anos. Cada vez mais, soluções locais tornam-se fundamentais para enfrentar os desafios do clima.

Até o momento, prefeitos de mais de 40 cidades entre as 96 afiliadas à rede C40 comprometeram-se publicamente a desenvolver e começar a implementar ambiciosos planos de ação climática até 2020 que vão além dos compromissos nacionais, a fim de atingir os objetivos mais altos do Acordo de Paris em nível local, demonstrando que o futuro está sendo moldado nas megacidades do mundo.

Fonte: Exame

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