Por que o futuro do agronegócio depende da preservação do meio ambiente no Brasil

Agrônomos, biólogos e diversas pesquisas científicas alertam: questões ambientais como desmatamento, mudanças climáticas e o uso excessivo de agrotóxicos vão causar prejuízos à produção rural em menos tempo do que se imagina – alguns dos efeitos já podem ser sentidos

Se hoje a bancada ruralista é a principal força pressionando o Congresso para flexibilizar a proteção ambiental, é consenso entre agrônomos e pesquisadores que o futuro do agronegócio depende da preservação ambiental.

Agrônomos, biólogos e entidades como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) alertam que a destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas têm grande potencial para prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil, porque afetam diversos fatores ambientais de grande influência sobre a atividade agrícola.

O principal deles é o regime de distribuição das chuvas, essenciais para nossa produção – apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas. Com o desmatamento e o aumento das temperaturas, serão afetados umidade, qualidade do solo, polinizadores, pragas.

A BBC News Brasil ouviu pesquisadores do agronegócio e nomes ligados ao setor para entender como esses riscos gerados pela destruição do ambiente devem afetar a produtividade das plantações brasileiras e mesmo se safras se tornarão inviáveis.

Eles dizem as notícias sobre o setor ambiental no Brasil não são animadoras: se o ritmo de desmatamento na Amazônia continuar como está, atingiremos em pouco tempo um nível de devastação sem volta. Junho foi o mês com mais desmatamento na Amazônia, 920,4 km², desde o início do monitoramento com sistema de alerta pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em 2015. Foi um aumento de 88% em relação ao mesmo mês no ano passado.

Ao mesmo tempo, as pressões e cobranças internacionais chamam atenção para a agenda ambiental do governo Bolsonaro, que tem flexibilizado a legislação ambiental e diminuído a fiscalização.

A Floresta Amazônica é questão central no debate ecológico internacional
A Floresta Amazônica é questão central no debate ecológico internacional

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Crise iminente

Atualmente, o agronegócio é responsável por 21,6% do PIB brasileiro, segundo o Ministério da Agricultura.

Preocupados com questões como logística, estrutura e desafios comerciais como o vaivém das commodities no mercado internacional, a questão da sustentabilidade acaba não sendo prioridade para o setor como um todo.

“A questão da sustentabilidade, no sentido amplo, é uma preocupação. Mas em primeiro lugar vêm a estrutura e a logística e as questões comerciais”, afirma o agrônomo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura (2003-2006) e coordenador da área de agro da Fundação Getúlio Vargas.

No entanto, os riscos gerados pela devastação ambiental na agricultura são uma ameaça muito mais iminente do que se imagina, segundo o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa.

Alguns estudos, como um feito por pesquisadores das Universidades Federais de Minas Gerais e Viçosa, projetam perdas de produtividade causadas por desmatamento e mudanças climáticas para os próximos 30 anos. Outros não trabalham com tempo, mas com nível de devastação, como o estudo Efeitos do Desmatamento Tropical no Clima e na Agricultura, das cientistas americanas Deborah Lawrence e Karen Vandecar, que afirma que quando o desmatamento na Amazônia atingir 40% do território (atualmente ele está em 20%), a redução das chuvas será sentida a mais de 3,2 mil km de distância, na bacia do Rio da Prata.

O agronegócio corresponde a mais de 20% do PIB brasileiro
O agronegócio corresponde a mais de 20% do PIB brasileiro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Para Assad, que também é professor da FGV Agro e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, os efeitos da destruição do ambiente e das mudanças climáticas já começam a ser sentidos.

Ele cita, por exemplo, o relatório da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) que mostra a perda de mais de 16 milhões de toneladas na safra de soja deste ano devido a seca que atingiu as principais regiões produtoras desde dezembro. “Já há evidências de que as mudanças climáticas aumentaram o número de eventos extremos, como secas e ondas e calor”, afirma Assad.

Há duas ameaças principais, segundo Lawrence e Vandecar. A primeira é o aquecimento global, que acontece em escala global e que é intensificado pelo desmatamento. A outra são os riscos adicionais criados pela devastação das florestas, que geram impactos imediatos na quantidade de chuva e temperatura, tanto em nível local quanto continental.

Deficiência hídrica e temperatura

A maior parte da produção agrícola brasileira depende das chuvas – só 5% da produção total e 10% da produção de grãos são irrigados. Isso significa que mudanças na precipitação afetam diretamente nossa produção.

O regime de chuvas é afetado por uma série de fatores – desde a topografia até as correntes marítimas. Um fator importante é a dinâmica de evaporação e transpiração terrestres, ou seja, a umidade produzida pela respiração das árvores e plantas, explica o agrônomo da USP Gerd Sparovek, professor da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo.

Esse fenômeno, chamado de evapotranspiração, é especialmente alto em florestas tropicais como a amazônica – elas são o ecossistema terrestre que mais movimenta água, transformando a água do solo em umidade no ar e diminuindo a temperatura da atmosfera sobre elas.

“Ao cortar a vegetação natural que, durante o ano inteiro joga água na atmosfera, umas das principais consequências é a formação de menos nuvens no período seco”, explica Assad, da Embrapa. “Um estudo que acabamos de finalizar mostra um aumento significativo de deficiência hídrica do Nordeste ao Centro-Oeste”, diz.

A destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas vão prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil.
A destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas vão prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Isso afeta as chuvas potencialmente até no Sudeste, já que há correntes de ar que normalmente empurram essas nuvens para sul.

A destruição da vegetação nativa afeta até a duração das temporadas de chuvas e estiagem, segundo o estudo de Lawrence e Vandecar, que faz uma revisão da literatura científica e foi publicado em 2014 na revista Nature.

O corte da vegetação nativa também altera a temperatura e clima local, e potencialmente também o de regiões mais distantes, explica Sparovek, da Esalq. “As alterações, nesse caso, são sempre desfavoráveis.”

E isso vale não só para a Amazônia: a remoção do Cerrado, onde hoje se encontra a principal expansão da fronteira produtiva, também eleva a temperatura local.

Esse problema é reforçado pelo aquecimento global, que torna o clima mais instável e aumenta a frequência de extremos, como ondas de calor e estiagens e chuvas em excesso. E o desmatamento só intensifica esse processo.

Risco para o agronegócio é maior quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas
Risco para o agronegócio é maior quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
O risco para o agronegócio é especialmente grande quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas – isso diminui a produtividade das lavouras e pode comprometer safras inteiras, diz o biólogo.

Um efeito adicional do comprometimento da disponibilidade de água tem a ver com a produção de energia elétrica, que também é importante para o agronegócio, aponta Sparovek. Um clima mais seco ou maiores períodos de estiagem podem comprometer a vazão dos rios e dos reservatórios, afetando diretamente a produção de energia, já que nossa matriz energética é em sua maioria dependente de hidroelétricas.

Perda de área produtiva

A retirada total das florestas também gera outros problemas relativos aos recursos hídricos além da chuva, explica o biólogo Jean Paul Metzger, professor da USP e doutor em ecologia de paisagem.

A retirada da vegetação nativa retira a proteção do solo, que não é reposta mesmo se a área virar uma plantação, já que as raízes das plantas cultivadas são muito superficiais. O solo cultivado também tem pouca permeabilidade.

Isso dificulta a infiltração da água no solo, o que gera dois problemas. Um é a falta de reposição da água nos lençóis freáticos. A outra, é um processo de erosão e poluição dos rios.

“A chuva vai escoando superficialmente e levando o solo junto, há uma perda da camada mais fértil, vai tudo para o rio” diz Metzger. “E a partir de um certo momento você não tem como reverter, há uma perda de área produtiva via erosão.”

Reserva Legal

A melhor forma de evitar esse processo é manter a vegetação nativa – inclusive nas propriedades rurais, onde a cobertura florestal pode fazer uma filtragem das enxurradas antes de chegarem ao rio. Metzer aponta que as propriedades produtivas devem ter cerca de 30% de cobertura florestal, na média, para que o ciclo hidrólógico e os chamados serviços ambientais funcionem normalmente.

Serviços ambientais são benefícios trazidos ao cultivo pelo ecossistema, como, por exemplo, a polinização e o controle natural de pragas.

O processo de respiração e transpiração das árvores afeta diretamente o regime de chuvas
O processo de respiração e transpiração das árvores afeta diretamente o regime de chuvas
Foto: Larissa Rodrigues / BBC News Brasil
“Paisagens onde há produção agrícola em desequilíbrio com o ambiente são poucos favoráveis à produção. Os inimigos naturais das pragas e doenças de plantas desaparecem, e a produção passa a depender cada vez mais de agrotóxicos”, diz Sparovek, da Esalq.

Daí, dizem os pesquisadores, vem a importância da manutenção das reservas legais – áreas de mata nativa dentro de propriedades rurais cujo desmatamento é proibido por lei. O índice de proteção exigido é de 80% na Amazônia, de 35% no Cerrado e de 20% nos outros biomas.

O assunto esteve em pauta nos últimos meses, graças a um projeto do senador carioca Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, que quer acabar com as reservas legais, citando o “direito à propriedade”. Pela Constituição, no entanto, nenhum direito à propriedade é absoluto no Brasil – a construção em propriedades urbanas, por exemplo, fica restrita às leis de zoneamento municipais.

Agrotóxicos

O uso indiscriminado de agrotóxicos também é um problema ambiental que acaba se voltando contra o próprio agronegócio.

Ele afeta principalmente os cultivos que dependem da polinização, já que os animais polinizadores – abelhas, besouros, borboletas, vespas e até aves e morcegos – são fortemente afetados por alguns tipos de inseticidas e até por herbicidas usados contra pragas em lavouras, sofrendo desde morte por envenenamento a desorientação durante o voo.

Das 191 culturas agrícolas de produção de alimentos no país, 114 (60%) dependem de polinizadores, segundo o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Em resultado de safra, cerca de 25% da produção nacional é dependente de polinização, segundo Assad, da Embrapa.

Desmatamento e agrotóxicos prejudicam culturas que dependem de polinização
Desmatamento e agrotóxicos prejudicam culturas que dependem de polinização
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Além disso, o uso excessivo de agrotóxicos em espécies resistentes se torna um problema para produtores vizinhos de cultivos que não tem a mesma resistência. Produtores de uva do Rio Grande do Sul têm registrado milhões de reais de prejuízo por causa do herbicida 2,4-D, usado em plantações de soja. Ao se espalhar para as propriedades produtoras de uva, ele chegou a reduzir a colheita de uva em até 70%, segundo produtores do Estado.

O Instituto Brasileiro do Vinho chegou a defender a proibição do uso do agrotóxico na região. O noroeste gaúcho é campeão nacional no uso de agrotóxicos, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Até hoje, olhando a série histórica, a produtividade do agronegócio no Brasil só aumentou. A produção do milho, por exemplo, subiu de 3,6 ton/ha em 2009 para 5,6 ton/ha em 2019 (previsão), de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“O aumento da produção muitas vezes é usado como argumento pra dizer que não está acontecendo nada (em termos de efeitos da mudança climática). Mas a produtividade aumenta porque antes era muito baixa, porque estamos implementando as diversas tecnologias existentes”, afirma Assad, que também é membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. “O teto de produtividade do milho, por exemplo, é de 10 toneladas por hectare considerando a tecnologia existente.”

Isso não quer dizer, diz ele, que os efeitos da devastação não terão um impacto na produtividade.

Segundo cálculos no modelo feito por cientistas das Universidade Federais de Minas Gerais e Viçosa, em 30 anos as perdas na produção de soja podem ir de 25% a 60%, dependendo da região, graças ao desmatamento da Amazônia.

Até a pecuária pode ser afetada, com a produtividade do pasto caindo de 28% a 33% e alguns lugares deixando de ser viáveis para a atividade.

Expansão?

Mas por que ainda há resistência em aceitar a visão de que a devastação do meio ambiente prejudica o agronegócio?

Segundo Sparovek, da Esalq, narrativas que defendem a necessidade de expandir a fronteira agrícola não têm embasamento científico. Ele afirma que “quando se analisa a necessidade de expansão do agronegócio brasileiro prevista pelo próprio setor até 2050, não se vê necessidade alguma de desmatar e expandir a fronteira agrícola.”

“Temos áreas abertas o suficiente para produzir a demanda projetada e ainda restaurar a vegetação em uma quantidade enorme de terras”, diz o agrônomo.

Agrotóxicos afetam polinizadores e podem prejudicar lavouras vizinhas que não são resistentes a eles
Agrotóxicos afetam polinizadores e podem prejudicar lavouras vizinhas que não são resistentes a eles

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Só na Amazônia, há 17 milhões de hectares cortados, desmatados e abandonados, segundo Assad, da Embrapa.

Além das terras abertas existentes, há uma enorme possibilidade de incremento da produtividade através de implementação tecnológica, afirma o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

Assad, da Embrapa, afirma que soluções boas para a produção e para o ambiente – como técnicas de agricultura de baixa emissão de carbono e boas práticas de manejo de solo e água – têm se tornado cada vez mais acessíveis, e que uma maior organização de cooperativas agrícolas é necessária para aumentar o acesso dos pequenos produtores a tecnologias e avanços.

Sparovek afirma que a expansão da fronteira, especialmente na Amazônia, não interessa diretamente, não ajuda a produzir – especialmente com o avanço tecnológico que exige um terreno mais plano pelo tamanho e velocidade das máquinas. “Isso é uma agenda muito mais ligada à valorização imobiliária das terras e à grilagem. Quem se beneficia disso é o especulador do mercado de terras, lícito ou criminoso.”

Segundo Rodrigues, o Brasil é um país gigantesco que não tem “uma agricultura ou um agricultor”, mas diversos grupos com interesses diferentes. A existência de agricultores que não têm preocupação nenhuma com sustentabilidade ou com o longo prazo é “um pouco uma questão de educação, cultura e formação técnica adequada.”

“Temos 4,4 milhões de produtores que seguiram o Código Florestal e fizeram o Cadastro Ambiental Rural (mecanismos de regulação das práticas agrícolas)”, diz Assad. “É 1 milhão de agricultores que fazem essa confusão toda. É só um povo que produz como na idade média (que tem interesse no desmatamento).”

Fonte: Terra

Fumaça emitida por escapamentos de veículos pode poluir meio ambiente e fazer mal para a saúde

Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. Em Itapetininga (SP), 23 motoristas foram autuados por irregularidades na última fiscalização realizada

Quase sete milhões de veículos são abastecidos com diesel apenas no estado de São Paulo, de acordo com um levantamento feito pelo Detran. No entanto, a fumaça emitida pelos escapamentos de caminhões, por exemplo, pode poluir o meio ambiente e também fazer mal para a saúde.

Segundo Frederico César de Oliveira, que é dono de uma mecânica de caminhão, a fumaça é a queima do combustível, que é comum em veículos antigos.

“Mas a fumaça preta em excesso significa anomalia na parte da injeção, alimentação do veículo. É preciso procurar uma oficina especializada, onde vai ser feito o teste para encontrar a causa do problema”, explica.

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Monóxido de carbono e hidrocarbonetos são algumas das substâncias presentes na fumaça, que podem agravar problemas respiratórios.
“Problemas respiratórios, principalmente pessoas que já têm bronquite, asma, sinusite, rinite, asma. Nosso organismo não foi projetado para vivermos na poluição, em meio aos gases que hoje respiramos no dia a dia”, afirma o pneumologista Vidal José de Camargo Barros.

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEMFumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Veículos fabricados a partir de 2012 têm um dispositivo que diminui a emissão das substâncias e do escapamento sai apenas vapor se a mecânica estiver em dia.

A Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. A última operação foi feita em rodovias de todo o estado para verificar a quantidade de fumaça expelida pelos veículos antigos movidos a diesel.

“A gente fica situado em uma posição estratégica na rodovia, onde o técnico utiliza uma escala e o caminhão precisa estar em uma velocidade constante e conseguimos fazer a constatação”, diz Carlos Henrique Lopes, analista de educação ambiental.

Em Itapetininga (SP), na última fiscalização, 23 motoristas foram autuados em R$ 1,5 mil. Mas em todo o estado foram registados 1,1 mil veículos irregulares.

“A penalidade não pontua na carteira de motorista, mas é uma multa ambiental. Mas, no momento do licenciamento, precisa estar em ordem com a companhia ambiental.”

Fonte: G1

Agricultura 4.0 conciliará desenvolvimento com meio ambiente

Diretor de ministério citou biodiesel como exemplo de sucesso

O agricultor que planta até exaurir os recursos do solo virou coisa do passado. Por meio da tecnologia aliada ao respeito ao meio ambiente, o produtor consegue desenvolver o próprio solo, com aumento da produtividade. Essa é a agricultura 4.0, que promete revolucionar a economia verde.

Segundo o diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do Ministério da Agricultura, Avay Miranda Junior, exemplos como esses são cada vez mais comuns e indicam um caminho para o desenvolvimento sustentável do agronegócio. Ele participou de palestra na 1ª Conferência Ministerial Regional das Américas sobre Economia Verde, em Fortaleza.

De acordo com Miranda Junior, a agricultura 4.0 está centrada em três eixos: balanceamento dos minerais do solo, povoamento de micro-organismos do solo e tipo de plantação. Ele ressaltou que, nas últimas décadas, o Brasil passou de importador de tecnologias agrícolas a um dos líderes em inovação na área graças à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a iniciativas em centros de pesquisas e universidades.

“O Brasil seguiu uma trilha que passou por algumas etapas. Na primeira fase, o agricultor encarou o cerrado com tecnologias simples, como a neutralização do solo por calcário. Depois, houve a domesticação de plantas viáveis em outras regiões, como o feijão-soja, até então plantado apenas em regiões subtropicais”, explicou.

O diretor do Ministério da Agricultura também citou a introdução de bactérias fixadoras de nitrogênio nas culturas leguminosas. A técnica, que dispensa o uso de produtos químicos, permite a refertilização do solo por meio da plantação de culturas leguminosas (como vagem, soja, guandu e crolatária) por meio de micro-organismos presentes nas raízes dessas plantas. “Esse procedimento proporciona economia de bilhões de dólares por ano”.

Miranda Junior ressaltou que o uso da tecnologia estimula a preservação de áreas de florestas pelos agricultores e a redução da pobreza em áreas rurais. “A agricultura 4.0 coloca o Brasil não como consumidor do solo, mas como produtor de solo. Sistemas agroflorestais viáveis devem fazer parte de estratégias para redução da pobreza. Um sistema de integração, de rotação de cultura, fixa nitrogênio no solo e aumenta a produtividade. O agricultor moderno preocupa-se com árvores nos terrenos”.

Biodiesel

O diretor do Ministério da Agricultura citou a política brasileira de biodiesel como outro exemplo de sucesso na promoção à economia verde. No modelo em vigor há cerca de 15 anos, a Agência Nacional do Petróleo promove leilões anuais para comprar o biodiesel extraído de óleos vegetais. As empresas que vendem o combustível, no entanto, recebem incentivos fiscais para comprar o óleo produzido por agricultores familiares.

“Atualmente, 10% do diesel brasileiro é misturado ao biodiesel. Nossa meta é chegar a 15%. Tudo com a participação do agricultor familiar, que está preocupado com o meio ambiente”, destacou o representante do Ministério da Agricultura. Ele também disse que o Brasil tem o maior programa mundial de destinação de embalagens de agrotóxicos, que são lavadas três vezes, processadas e transformadas em dutos elétricos. “As pesquisas mostram que esses dutos elétricos não estão contaminados e são inertes aos consumidores”, explicou.

Produtividade

O ex-diretor de Itaipu Binacional Jorge Miguel Samek ressaltou o ganho de produtividade da agricultura brasileira, cuja produção tem subido muito mais que o aumento da área plantada. Segundo ele, a área plantada subiu cerca de 50% nos últimos 40 anos, mas a produtividade ampliou-se em 325%. “Em 2000, o Brasil exportava US$ 20 bilhões de produtos do agronegócio. Em 2018, o valor subiu para US$ 100 bilhões. Isso tem garantido o superávit na balança comercial brasileira, tudo com ganho de produtividade aliado à tecnologia.

A 1ª Conferência Ministerial Regional das Américas sobre Economia Verde começou hoje (24) e vai até quarta-feira (26), na capital cearense. O encontro está sendo organizado pela World Green Economy Organization – Organização Mundial da Economia Verde –, pelo Escritório de Cooperação Sul-Sul da Organização das Nações Unidas e pelo Instituto Brasil África, com apoio do Governo do Ceará e em parceria com o Secretariado das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e com a International Solar Alliance.

É possível engajar nações reticentes na luta ambiental, diz enviado da ONU

Foi numa sala do Fasano, um dos mais chiques hotéis do Rio de Janeiro, que Carlo Pereira, o secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, fez o apelo: “Não temos mais tempo nem dinheiro para ficar discutindo em salas. A gente no Brasil gosta muito de cartas, movimentos, compromissos. Mas acho que as empresas estão clamando por ação”.

Lá reunidos estavam representantes do empresariado brasileiro e o enviado especial da ONU para uma cúpula climática que a organização promoverá em sua sede, em Nova York, daqui a três meses. E o mexicano Luis Alfonso de Alba, adiantou Pereira, queria “mais ouvir do que falar”.

Falou um bocado, é verdade, como ao apontar que uma onda de furacões fez o Caribe perder num único dia o equivalente a um ano de seu PIB, e óbvio que as mudanças climáticas tinham tudo a ver com a força dos ventos.

Mas também escutou demandas do setor que contrastavam com seu discurso otimista de que chegou a hora de todos entenderem que não é mais uma questão de “se”: os reveses do aquecimento global já estão entre nós.

Tá, ponderaram alguns na sala: mas e se mesmo assim os governos resistissem a aderir à agenda ambiental? Os Estados Unidos, afinal, já deram adeus ao Acordo de Paris, que estabelece metas voluntárias para países signatários reduzirem emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa.

O Brasil de Jair Bolsonaro também flertou com a ideia, fora ter desistido de sediar a COP25, conferência anual da ONU para negociar a implementação do Acordo de Paris –que agora ocorrerá no Chile– e quase desistir de sediar um encontro em Salvador pré-COP 25 –o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a dizer que a reunião seria só uma bela oportunidade de comer acarajé.

Vamos ser realistas, argumentaram os convidados. Marina Rocchi, da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), pinçou uma sugestão de Alba sobre taxar mais o Texas pelo excedente de poluição. Ora, não dá para chegar ao empresário brasileiro falando em aumentar impostos. “Não estamos pedindo mais uma taxa, e sim um mercado de carbono.”

Dica a Alba: incentive a indústria a poluir menos em vez de mencionar novo encargo. “Assim você terá mais chance de ter o Brasil e o setor privado ao seu lado”, disse Rocchi, que propôs ainda que a ONU inclua, além do Ministério do Meio Ambiente, também o da Economia na discussão.

Cláudia Jeunon, da Invepar, gestora privada de mobilidade urbana que cuida do aeroporto de Guarulhos e do metrô do Rio, alertou: ambientalistas pregam muito para convertidos. Se ela troca uma ideia com um engenheiro ou químico, eles não sabem como produzir e ser sustentável ao mesmo tempo. Por que não mexer no currículo de cursos da área? Assim se introduziria já na base a necessidade de fazer as coisas de forma diferente.

O enviado da ONU disse à Folha que é possível engajar mesmo as nações mais resistentes na luta verde. Os EUA, por exemplo, podem até dizer que abandonarão o Acordo de Paris. Mas há parcerias locais e temas específicos que podem envolver os americanos, como a busca por novas fontes energéticas.

No próximo dia 30, a ONU realizará um encontro em Abu Dhabi para levantar uma espécie de inventário de propostas concretas para lidar com a crise climática, afirmou Alba.

E o setor privado é um parceiro cobiçado neste momento, disse à reportagem Carlo Pereira. “Já faz um tempo que a ONU está se abrindo a ele. Com a globalização, as empresas ganharam muito poder.”

Se listarmos os 200 gigantes mundiais comparando PIBs e receitas, 157 serão empresas, e não países, apontou o coordenador da Rede Brasil do Pacto Global, uma iniciativa criada em 2000 pela ONU para aproximar corporações de suas causas.

Os EUA ainda lideram o ranking, e a maior empresa do mundo em receitas é o Walmart, que supera nações como Portugal. A soma do faturamento das dez maiores do mundo, aliás, é maior do que a economia dos 180 países mais pobres do mundo.

Pereira até reconhece que o lema do Pacto Global é um pouco, digamos, florido demais (“empresas como força do bem”). Mas a colaboração delas pode ser crucial. “Quem vota [na ONU] são os Estados, mas as empresas influenciam.”

Além de financiamento e lobby político, as corporações (“que não deixam de ser os grandes emissores”) podem contribuir com tecnologia, inovação e capilaridade, afirmou. “Tem grupo industrial no Brasil presente em mil cidades. Quem mais consegue isso?”

Não que o empresariado vá comprar a causa só porque ela é “bonitinha”. Ele é pragmático também. “Quando Donald Trump veio com a discussão de retomar o carvão, a indústria não mexeu um centímetro, porque ninguém mais compra.”

Fonte: Folha de S.Paulo

‘O Meio Ambiente precisa ser preservado de forma integrada’

Semana alusiva ao tema reforça necessidade de engajamento da população

A Semana do Meio Ambiente começa para reforçar ainda mais o apelo pela preservação dos recursos naturais. Neste ano, a “Poluição do Ar” é o tema definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado na próxima quarta-feira, dia 5. No entanto, em meio a um cenário de poluição e degradação cada vez mais preocupante, torna-se mais do que necessário evidenciar o alerta e o pedido de engajamento da população para o cuidado com todo o Planeta Terra.

O Comitê da Bacia do Rio Araranguá e Afluentes Catarinenses do Rio Mampituba é responsável pela gestão dos recursos hídricos. Porém, para ser bem sucedido, esse trabalho caminha lado a lado com a preservação dos demais setores do meio ambiente.

“É preciso proteger o solo, porque em algum momento vai ter chuva, um alagamento, e a contaminação da terra acabará indo para os rios, poluindo as águas. Neste ciclo, quando acontece a evaporação, alguns produtos e reagentes também são transportados para o ar, causando a poluição atmosférica, que por sua vez acaba influenciando na qualidade da água da chuva, muitas vezes a tornando ácida”, explica a assessora técnica do Comitê Araranguá, engenheira ambiental Michele Pereira da Silva.

De acordo com a ONU Meio Ambiente, no mundo, aproximadamente sete milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano devido à poluição do ar. Por isso, o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2019 incentivará governos, indústria, comunidades e indivíduos a se unirem para explorar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em cidades e regiões de todo o planeta.

“E toda essa poluição que vai para o ar, a partir do momento em que existe uma chuva, acaba chegando também no solo e na água, pela composição das partículas, das gotas. Daí a importância do envolvimento da população na busca pela proteção dos recursos naturais como um todo. Essas datas comemorativas são oportunidades que encontramos para reforçar o apelo, é um momento que se discute a necessidade de o meio ambiente ser pensado de maneira integrada”, reforça o presidente do Comitê Araranguá, Luiz Leme.

O importante papel da sociedade

Ainda conforme a ONU Meio Ambiente, 92% das pessoas em todo o mundo não respiram um ar limpo e essa poluição atmosférica custa à economia global o equivalente a 5 trilhões de dólares por ano. Além disso, a estimativa da Organização das Nações Unidas é que poluição do solo pelo ozônio deverá reduzir os rendimentos de cultivos básicos em 26% até 2030.

“Por isso que não podemos pensar na preservação do meio ambiente de forma isolada. Claro que buscamos melhorar a qualidade da água e proteger os recursos hídricos, mas em um cenário como o atual, também é necessário alertar a população de que não é só economizar água ou deixar de jogar sujeira nos rios, mas de que, além disso, é preciso evitar o derramamento de óleo que vai se infiltrar no solo por meio das chuvas, promover a reciclagem e destinação correta do lixo, andar menos de carro e optar por energias mais renováveis. Com uma maior sensibilização da sociedade, essas ações passam a ser incorporadas no dia a dia das pessoas e aplicadas o ano inteiro”, exemplifica a assessora técnica.

A intenção, com a Semana do Meio Ambiente, é que a população compreenda a importância do seu papel, que vai além da cobrança e fiscalização do poder público. “Não posso sempre pensar que alguém precisa resolver o problema, cada pessoa tem que se autoanalisar e pensar em quais atitudes na sua rotina impactam negativamente na Terra. Não temos outro planeta para habitar ou enviar os nossos resíduos, precisamos buscar reduzir a quantidade do que é gerado, para que possamos ter uma boa qualidade de vida, sempre cuidando não só da geração atual, mas também das futuras”, acrescenta o presidente do Comitê.

Programação ao longo da semana

Pensando em levar informações à maior quantidade de pessoas possível, o Comitê Araranguá participará de diversas ações nos próximos dias. Com destaque para a programação de atividades alusivas ao Dia Mundial do Meio Ambiente, na próxima quarta-feira, dia 5, das 9h às 17 horas, no Calçadão do Centro de Araranguá.

No mesmo dia, a partir das 19 horas, acontecerá o II Seminário sobre Licenciamento Ambiental, no auditório do Center Shopping, também em Araranguá. Ambas as ações serão realizadas em parceria com o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), Fundação do Meio Ambiente (FAMA), Administração Municipal, Conselho Ambiental (Coama) e Lions Clube do município.

Já na sexta-feira, dia 7, o presidente do Comitê, acompanhado da secretária Executiva, professora Yasmine de Moura da Cunha, palestrarão na 1ª Conferência de Meio Ambiente de Sombrio, sobre a importância de um Plano Municipal de Recursos Hídricos. O evento ocorrerá das 13 horas às 17h30min, no Centro Integrado da III Idade.

Fonte: Engeplus

Cientistas estudam papel da Floresta Amazônica no clima do planeta

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) coordena mapeamento da Amazônia por terra e por ar. Equipamento gera imagens em três dimensões com alta precisão

Cientistas brasileiros estão fazendo um mapeamento detalhadíssimo da Amazônia por terra e pelo ar para avaliar o papel da floresta no clima do planeta. O repórter Fabiano Villela mostra o que os pesquisadores já descobriram no Pará.

Já pensou em conhecer a maior floresta tropical do planeta da cabeça aos pés? O desafio começa em um pequeno avião, onde o passageiro é uma supermáquina: o computador vai na parte de trás, embaixo uma lente que o técnico controla por meio de um monitor. Durante o voo, o sensor dispara mais de cem mil feixes de laser por segundo sobre a floresta, gerando imagens em três dimensões com alta precisão.

É uma espécie de tomografia da Amazônia. Nos laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que coordena o projeto, é possível notar a diferença do sensor em relação a outros métodos de captura de dados.

“Isso aqui é uma imagem de satélite, do espectro visível, que mostra um rio. Basicamente a gente tem um curso d’água correndo do Sul para o Norte e toda uma área verde. Só que, quando a gente analisa isso usando outros tipos de imagens de satélite, a gente vê que, na realidade, ali não é só uma área verde. A gente vai ver que só tem floresta e, na realidade, não é só isso”, explicou o analista de dados do Inpe Mauro Assis.

A principal vantagem desse tipo de mapeamento é que ele é capaz de reproduzir imagens de todos os ângulos. Além da copa das árvores, o equipamento também registra o tamanho das folhas, dos galhos, dos troncos e até mesmo o relevo do solo. Essa base de dados gigantesca permite aos pesquisadores calcular a biomassa da Floresta Amazônica, ou seja, quanto pesa toda essa vegetação.

São 80 bilhões de toneladas. Metade de todo esse material existente na floresta é carbono, que as árvores absorvem para se desenvolver. Com o corte da mata, esse carbono é liberado e se transforma em dióxido de carbono, o CO2. O gás forma uma espécie de cobertura no globo terrestre e provoca o aquecimento do planeta.

“Quando a gente queima madeira, a gente sabe que sobra um carvãozinho, e o resto vai como calor e como fumaça, então isso leva CO2 para a atmosfera. Então, o mapa que a gente fez contribui, e muito, numa estimativa melhor de quanto, por exemplo, o Brasil emite quando desmata a Amazônia”, avaliou Jean Ometto, coordenador de pesquisa do Inpe.

“No caso do Brasil, 42% de toda a poluição que é causada, que pode influenciar o clima, é por causa do desmatamento. É o dobro de que todo o setor de energia, que inclui queimar combustível fóssil, os veículos que usam combustível, e é nove vezes a todo o setor industrial, a todas as indústrias do Brasil”, afirmou Paulo Barreto, pesquisador do Imazon.

A última estimativa de desmatamento da Amazônia feita pelo Inpe indica que houve uma perda de 7.900 quilômetros quadrados de floresta entre agosto de 2017 e julho de 2018. Isso é cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo e foi a taxa mais alta desde 2008.

Pedro Henrique de Morais, operador técnico, é testemunha de problemas como esse. Ele acompanhou a maioria dos mil voos realizados para produzir as imagens em três dimensões. Mesmo diante das ameaças, o que mais me impressionou foi a beleza da floresta.

ONU lança desafio nas redes sociais e site especial para Dia Mundial do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é a principal data das Nações Unidas para sensibilizar e encorajar ações no mundo todo em prol da proteção ambiental. Tendo “poluição do ar” como tema deste ano, a ONU Meio Ambiente lança um site especial, um mapa interativo de eventos e um desafio digital de comprometimento. O objetivo é chamar a atenção para este problema evitável, mas que demanda ações urgentes e imediatas.

A ONU Meio Ambiente desafia cada cidadão a postar fotos e vídeos nas redes sociais, cobrindo o rosto e a boca, para pedir aos líderes e governos ações por um ar mais limpo. Vale utilizar lenços, máscaras de ar ou outras expressões simbólicas e criativas que remetam à poluição do ar. Saiba como participar.

Nove em cada dez pessoas no mundo estão expostas a altos níveis de poluição do ar, o que excede os números considerados seguros pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este tipo de poluição causa uma série de problemas, afetando não apenas a saúde humana, mas também o crescimento econômico – custa à economia global 5 trilhões de dólares por ano.O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, é a principal data das Nações Unidas para sensibilizar e encorajar ações no mundo todo em prol da proteção ambiental. Tendo “poluição do ar” como tema deste ano, a ONU Meio Ambiente lança um site especial, um mapa interativo de eventos e um desafio digital de comprometimento. O objetivo é chamar a atenção para este problema evitável, mas que demanda ações urgentes e imediatas.

Principalmente nas cidades, as emissões nocivas são um fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, provocando quase um quarto (24%) das mortes por doenças cardíacas, 25% dos óbitos por acidentes vasculares cerebrais (AVCs), 43% por doença pulmonar obstrutiva crônica e 29% por câncer de pulmão. Muitos poluentes atmosféricos também intensificam o aquecimento global.

Plataforma traz história do Dia do Meio Ambiente

Com o objetivo de reunir esforços coletivos em torno do tema e combater a poluição do ar no Brasil, a ONU Meio Ambiente lançou pela primeira vez um site em português. A plataforma traz uma linha do tempo com a história do Dia Mundial do Meio Ambiente, fala sobre o país anfitrião da data, que este ano é a China, apresenta dados sobre poluição do ar, oferece um teste de conhecimento e reúne publicações e uma série de reportagens.

Além de conteúdo informativo, o site também disponibiliza guias práticos com ideias e soluções para a poluição do ar, de modo que cada governo, cidade, escola e universidade, organização da sociedade civil, empresa e indivíduo possa se inspirar e escolher como quer agir para melhorar a qualidade do ar.

A plataforma também oferece um mapa interativo e atualizado em tempo real para registrar eventos. Nele, qualquer atividade pode ser cadastrada, desde um mega evento promovido pelo governo municipal, uma ação nas escolas envolvendo educadores e estudantes, um dia sem carro para engajar funcionários de uma empresa até mesmo uma bicicletada de cinco amigos em prol de um ar mais limpo.

A iniciativa visa unir esforços para combater a poluição do ar, conectando cidadãos e outras partes interessadas. Ao registrar uma atividade, ela ganha visibilidade global e passa a integrar a agenda de ações da ONU para o Dia Mundial do Meio Ambiente. Os organizadores também terão direito a um certificado de liderança da data, emitido pela Organização. O mapa interativo possibilitará que cada cidadão ou parte interessada descubra onde estão os eventos mais próximos.

Desafio da Máscara

A ONU Meio Ambiente também desafia cada cidadão a postar fotos e vídeos nas redes sociais, cobrindo o rosto e a boca, para pedir aos líderes e governos ações por um ar mais limpo. Vale utilizar lenços, máscaras de ar ou outras expressões simbólicas e criativas que remetam à poluição do ar.

O Desafio da Máscara terá duas etapas. Do dia 24 de maio ao dia 4 de junho, usuários de Instagram, Twitter e Facebook são convidados a tirar uma foto ou postar um vídeo cobrindo a boca e o nariz, e assumir um compromisso para reduzir a poluição do ar, marcando três pessoas, organizações ou empresas a fazerem o mesmo.

Já no dia 5 de junho, as mesmas pessoas devem tirar uma foto ou fazer um vídeo registrando o compromisso assumido e postar nas suas redes. Para participar, é importante usar as hashtags #DiaMundialDoMeioAmbiente e #CombataAPoluiçãoDoAr nas publicações e lembrar de marcar a @ONUMeioAmbiente (Facebook e Twitter) ou @onu_meio_ambiente (Instagram).

Fonte: ONU

Dia do Meio Ambiente terá desafio nas redes sociais com foco na poluição do ar

Nove entre dez pessoas no mundo respiram ar poluído, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de mortes causadas pela poluição do ar em ambientes externos em todo o mundo chega a 8,8 milhões de pessoas por ano, segundo cientistas do Instituto alemão Max Plank e da Universidade Johannes Guterberg, em Maiz. Com foco nesse problema, a ONU decidiu que o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente será a “poluição do ar” e lançou, pela primeira vez, um site especial em português, com direito a mapa interativo e atualização em tempo real para registrar os eventos, onde os usuários poderão descobrir onde estão as ações mais próximas.

Ao acessar o site, o cidadão verá uma linha do tempo com a história do Dia Mundial do Meio Ambiente. Saberá mais sobre o país anfitrião da data, que este ano é a China. Além disso, a plataforma contém dados sobre a poluição atmosférica, oferece um teste de conhecimentos sobre o assunto e reúne publicações e uma série de reportagens.

Desafio da Máscara

A ONU Meio Ambiente desafia cada cidadão a postar fotos e vídeos com o rosto e a boca cobertos por lenços, máscaras de ar, e outras expressões criativas nas redes sociais, como forma de pedir aos líderes e governos ações por um ar mais limpo.

O Desafio da Máscara terá duas etapas. A primeira será entre os dias 24 a 04 de junho, onde os usuários do Instagram, Twitter e Facebook poderão postar uma foto ou um vídeo cobrindo a boca e o nariz, além de assumir um compromisso para reduzir a poluição do ar, marcando três pessoas, organizações ou empresas a fazerem o mesmo.

A segunda e última etapa acontecerá no dia 05 de junho. As mesmas pessoas deverão tirar uma foto ou fazer um vídeo sempre usando as hashtags #DiaMundialDoMeioAmbiente, #CombataApoluiçãoDoAr nas publicações e registrando o compromisso assumido e postar nas suas redes sociais. É importante lembrar que ao postar os vídeos e as fotos, as pessoas que aderiram ao Desafio da Máscara deverão marcar a @ONUMeioAmbiente (Facebook e Twitter) ou @onu_meio_ambiente (Instagram).

Fonte: O Eco

G7 do Meio Ambiente se reúne na França para analisar medidas concretas

Encontro no domingo (5) aconteceu na véspera da publicação de um relatório preocupação sobre situação da natureza. Dentre os temas estão desmatamento, poluição de plásticos, sistemas de ar-condicionado limpos e proteção de recifes de corais

Os ministros do Meio Ambiente do G7 começaram neste domingo (5) em Metz, no leste da França, conversações visando a promover medidas concretas, na véspera da publicação de um relatório preocupante sobre a situação da natureza.

“Devemos deixar este G7 com objetivos muito concretos”, afirmou o secretário de Estado francês para a Transição Ecológica, Brune Poirson, na abertura dos debates.

Além dos países do G7 (França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido), delegações do México, Chile (que abrigará a COP25 no final de 2019), Níger, Gabão, Egito estão presentes no encontro, assim como Índia, Indonésia, Ilhas Fiji, Noruega e União Europeia (UE).

Os delegados debaterão até esta segunda-feira (6) sobre uma série de iniciativas, como:

  • combate ao desmatamento;
  • poluição de plásticos;
  • sistemas de ar-condicionado limpos;
  • e proteção de recifes de corais, dentre outras.

A iniciativa deve levar à criação de coalizões de países para impulsionar medidas. O financiamento de ações em favor da biodiversidade também será estudado.

Este G7 do Meio Ambiente deve ser concluído com a adoção, pelos países que desejarem, de um guia de biodiversidade.

“Essas propostas têm todo o nosso apoio”, disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Karmenu Vella.

Na segunda, a versão final de um relatório sobre a situação global dos ecossistemas será publicada em Paris. Até 1 milhão de espécies estariam em perigo, de acordo com uma primeira versão do texto.

Um grupo de integrantes do coletivo Alter G7 protestou perto do local do encontro em Metz usando máscaras de chefes de estado e chefes de governo dos países do G7.

Luta por mudança climática ‘escondeu’ necessidade de proteger biodiversidade

No início da reunião, o ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, afirmou que, com base em estudos científicos, “chegaremos a um acordo sobre os melhores meios para aumentar o lugar da biodiversidade no cenário internacional e alcançar um resultado ambicioso” na conferência internacional sobre biodiversidade na China no final de 2020.

A luta contra a mudança climática escondeu por algum tempo a necessidade de proteger a biodiversidade nas discussões internacionais.

Mas a reunião dos estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre diversidade biológica (COP15) de Kunming, deve definir uma agenda para proteger a biodiversidade após 2020, após o fracasso em cumprir a maioria dos compromissos no período 2011-2020, conhecido como “objetivos de Aichi”.

A França espera conseguir a elaboração de um comunicado final deste G7, apesar das diferenças com os Estados Unidos em relação ao clima.

Em seu primeiro discurso neste domingo, Andrew Wheeler, que dirige a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), lamentou que “muita atenção tenha sido dada aos piores cenários” sobre o clima.

Países são ricos são os que mais poluem

Além deste G7 do ambiente, haverá palestras sobre biodiversidade, mudanças climáticas e transição ecológica para o público.

Para muitas associações, os objetivos estão longes, tanto na luta contra as mudanças climáticas quanto na proteção da biodiversidade.

Os membros do G7 fazem parte dos “países mais ricos e mais desenvolvidos, mas também são os que mais poluem”, informa o Climate Action Network (RAC).

Fonte: G1

Da última vez que houve tanto CO2 na atmosfera, havia árvores na Antártida

Essa mata não cresce da noite para o dia, é claro – mas a comparação demonstra o quanto transformamos o planeta desde a Revolução Industrial

Os líderes políticos do século 21 não estão preparados para encarar o problema do aquecimento global com a urgência que ele exige. Mas a maioria esmagadora da comunidade científica reconhece as mudanças climáticas causadas por seres humanos – e se esforça para prever seus impactos.

Alguns dos cientistas usam simulações de computador sofisticadas para calcular o futuro. Outros tomam o caminho oposto e investigam como era o clima em determinados períodos no passado da Terra – justamente os períodos em que ocorreram mudanças climáticas similares às que estão sendo induzidas pela atividade humana atualmente.

Recentemente, pesquisadores britânicos deram uma atenção especial ao Plioceno, compreendido entre 5,3 e 2,6 milhões de anos atrás. Foi a última vez na história do planeta em que a concentração de dióxido de carbono no ar atingiu um patamar similar ao atual.

Temos 412 partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera. Antes da revolução industrial, o nível era 280 ppm. O mundo do Plioceno é bem diferente do atual: com a temperatura global de 3 a 4 graus Celsius mais alta que a de hoje, quase não havia geleiras no planeta, florestas cresciam ao redor do Polo Sul e o nível do mar era 20 m mais alto.

Nossa situação ainda não é essa, evidentemente, mas pode chegar lá: basta dar tempo ao tempo para que todas as consequências do aumento na concentração de CO2 se manifestem.

Essa conclusão foi apresentada durante um encontro da Sociedade Real de Meteorologia por Martin Siegert, geofísico e cientista de mudanças climáticas do Imperial College de Londres. O pesquisador usa uma metáfora doméstica para explicar por que as transformações não vão ocorrer da noite para o dia. “Se você liga o forno da sua casa e coloca em 200 graus, a temperatura não é alcançada imediatamente, leva um pouco de tempo. E é igual com o clima”, disse em entrevista ao The Guardian.

Ou seja: é bom reduzir as emissões o mais rápido possível. Ou começar a se acostumar com a ideia de uma Antártida verdinha.

Fonte: Super Interessante

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