G7 do Meio Ambiente se reúne na França para analisar medidas concretas

Encontro no domingo (5) aconteceu na véspera da publicação de um relatório preocupação sobre situação da natureza. Dentre os temas estão desmatamento, poluição de plásticos, sistemas de ar-condicionado limpos e proteção de recifes de corais

Os ministros do Meio Ambiente do G7 começaram neste domingo (5) em Metz, no leste da França, conversações visando a promover medidas concretas, na véspera da publicação de um relatório preocupante sobre a situação da natureza.

“Devemos deixar este G7 com objetivos muito concretos”, afirmou o secretário de Estado francês para a Transição Ecológica, Brune Poirson, na abertura dos debates.

Além dos países do G7 (França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido), delegações do México, Chile (que abrigará a COP25 no final de 2019), Níger, Gabão, Egito estão presentes no encontro, assim como Índia, Indonésia, Ilhas Fiji, Noruega e União Europeia (UE).

Os delegados debaterão até esta segunda-feira (6) sobre uma série de iniciativas, como:

  • combate ao desmatamento;
  • poluição de plásticos;
  • sistemas de ar-condicionado limpos;
  • e proteção de recifes de corais, dentre outras.

A iniciativa deve levar à criação de coalizões de países para impulsionar medidas. O financiamento de ações em favor da biodiversidade também será estudado.

Este G7 do Meio Ambiente deve ser concluído com a adoção, pelos países que desejarem, de um guia de biodiversidade.

“Essas propostas têm todo o nosso apoio”, disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Karmenu Vella.

Na segunda, a versão final de um relatório sobre a situação global dos ecossistemas será publicada em Paris. Até 1 milhão de espécies estariam em perigo, de acordo com uma primeira versão do texto.

Um grupo de integrantes do coletivo Alter G7 protestou perto do local do encontro em Metz usando máscaras de chefes de estado e chefes de governo dos países do G7.

Luta por mudança climática ‘escondeu’ necessidade de proteger biodiversidade

No início da reunião, o ministro francês da Transição Ecológica, François de Rugy, afirmou que, com base em estudos científicos, “chegaremos a um acordo sobre os melhores meios para aumentar o lugar da biodiversidade no cenário internacional e alcançar um resultado ambicioso” na conferência internacional sobre biodiversidade na China no final de 2020.

A luta contra a mudança climática escondeu por algum tempo a necessidade de proteger a biodiversidade nas discussões internacionais.

Mas a reunião dos estados membros da Convenção das Nações Unidas sobre diversidade biológica (COP15) de Kunming, deve definir uma agenda para proteger a biodiversidade após 2020, após o fracasso em cumprir a maioria dos compromissos no período 2011-2020, conhecido como “objetivos de Aichi”.

A França espera conseguir a elaboração de um comunicado final deste G7, apesar das diferenças com os Estados Unidos em relação ao clima.

Em seu primeiro discurso neste domingo, Andrew Wheeler, que dirige a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), lamentou que “muita atenção tenha sido dada aos piores cenários” sobre o clima.

Países são ricos são os que mais poluem

Além deste G7 do ambiente, haverá palestras sobre biodiversidade, mudanças climáticas e transição ecológica para o público.

Para muitas associações, os objetivos estão longes, tanto na luta contra as mudanças climáticas quanto na proteção da biodiversidade.

Os membros do G7 fazem parte dos “países mais ricos e mais desenvolvidos, mas também são os que mais poluem”, informa o Climate Action Network (RAC).

Fonte: G1

Da última vez que houve tanto CO2 na atmosfera, havia árvores na Antártida

Essa mata não cresce da noite para o dia, é claro – mas a comparação demonstra o quanto transformamos o planeta desde a Revolução Industrial

Os líderes políticos do século 21 não estão preparados para encarar o problema do aquecimento global com a urgência que ele exige. Mas a maioria esmagadora da comunidade científica reconhece as mudanças climáticas causadas por seres humanos – e se esforça para prever seus impactos.

Alguns dos cientistas usam simulações de computador sofisticadas para calcular o futuro. Outros tomam o caminho oposto e investigam como era o clima em determinados períodos no passado da Terra – justamente os períodos em que ocorreram mudanças climáticas similares às que estão sendo induzidas pela atividade humana atualmente.

Recentemente, pesquisadores britânicos deram uma atenção especial ao Plioceno, compreendido entre 5,3 e 2,6 milhões de anos atrás. Foi a última vez na história do planeta em que a concentração de dióxido de carbono no ar atingiu um patamar similar ao atual.

Temos 412 partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera. Antes da revolução industrial, o nível era 280 ppm. O mundo do Plioceno é bem diferente do atual: com a temperatura global de 3 a 4 graus Celsius mais alta que a de hoje, quase não havia geleiras no planeta, florestas cresciam ao redor do Polo Sul e o nível do mar era 20 m mais alto.

Nossa situação ainda não é essa, evidentemente, mas pode chegar lá: basta dar tempo ao tempo para que todas as consequências do aumento na concentração de CO2 se manifestem.

Essa conclusão foi apresentada durante um encontro da Sociedade Real de Meteorologia por Martin Siegert, geofísico e cientista de mudanças climáticas do Imperial College de Londres. O pesquisador usa uma metáfora doméstica para explicar por que as transformações não vão ocorrer da noite para o dia. “Se você liga o forno da sua casa e coloca em 200 graus, a temperatura não é alcançada imediatamente, leva um pouco de tempo. E é igual com o clima”, disse em entrevista ao The Guardian.

Ou seja: é bom reduzir as emissões o mais rápido possível. Ou começar a se acostumar com a ideia de uma Antártida verdinha.

Fonte: Super Interessante

Relatório oficial do Canadá sobre as mudanças climáticas revela severos impactos, agora e no futuro

Canadá: Cenários estimam ondas de calor, acidez do oceano, diminuição do gelo marinho e cobertura de neve sazonal, e o risco de escassez de água

Canada’s Changing Climate Report*

O clima do Canadá aqueceu e vai aquecer ainda mais no futuro, impulsionado pela influência humana. As emissões globais de dióxido de carbono da atividade humana determinarão em grande parte quanto o aquecimento do Canadá e do mundo experimentará no futuro, e esse aquecimento é efetivamente irreversível. {2,3, 3,3, 3,4, 4,2}

O aquecimento passado e futuro no Canadá é, em média, o dobro da magnitude do aquecimento global . O norte do Canadá se aqueceu e continuará aquecendo a mais que o dobro da taxa global. {2.2, 3.3, 4.2}

Os oceanos que cercam o Canadá se aqueceram, tornaram-se mais ácidos e menos oxigenados, o que é consistente com as mudanças oceânicas globais observadas no último século. O aquecimento dos oceanos e a perda de oxigênio se intensificarão com novas emissões de todos os gases de efeito estufa, enquanto a acidificação dos oceanos aumentará em resposta às emissões adicionais de dióxido de carbono. Essas mudanças ameaçam a saúde dos ecossistemas marinhos. {2.2, 7.2, 7.6}

Os efeitos do aquecimento generalizado são evidentes em muitas partes do Canadá e prevê-se que se intensifiquem no futuro . No Canadá, esses efeitos incluem mais calor extremo, menos frio extremo, estações de crescimento mais longas, estações de cobertura de neve e gelo mais curtas, fluxo de pico de primavera mais cedo, geleiras mais finas, descongelamento de permafrost e aumento do nível do mar. Como algum aquecimento adicional é inevitável, essas tendências continuarão. {4.2, 5.2, 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 6.2, 7.5}

Prevê-se que a precipitação aumente na maior parte do Canadá, em média, embora as chuvas de verão possam diminuir em algumas áreas. A precipitação aumentou em muitas partes do Canadá, e houve uma mudança para menos neve e mais chuvas. Prevê-se que a precipitação anual e de inverno aumentará em todo o Canadá no século XXI. No entanto, as reduções nas chuvas de verão são projetadas para partes do sul do Canadá sob um cenário de alta emissão no final do século. {4.3}

A disponibilidade sazonal de água doce está mudando, com um aumento do risco de escassez de abastecimento de água no verão. Os invernos mais quentes e o derretimento de neve mais cedo se combinarão para produzir fluxos de inverno mais altos, enquanto que os snowpacks menores e a perda de gelo de geleiras durante este século se combinarão para produzir vazões de verão mais baixas. Verões mais quentes aumentarão a evaporação das águas superficiais e contribuirão para reduzir a disponibilidade de água no verão no futuro, apesar de mais precipitação em alguns lugares. {4.2, 4.3, 5.2, 5.4, 6.2, 6.3, 6.4}

Um clima mais quente intensificará alguns extremos climáticos no futuro. Temperaturas quentes extremas tornar-se-ão mais frequentes e mais intensas. Isso aumentará a gravidade das ondas de calor e contribuirá para o aumento dos riscos de secas e incêndios florestais. Enquanto as inundações no interior resultam de múltiplos fatores, chuvas mais intensas aumentarão os riscos de enchentes urbanas. É incerto como as temperaturas mais quentes e os snowpacks menores se combinam para afetar a freqüência e a magnitude das inundações relacionadas à neve derretida. {4.2, 4.3, 4.4, 5.2, 6.2}

As áreas canadenses dos oceanos Ártico e Atlântico experimentaram condições mais longas e mais generalizadas de gelo marinho. Estima-se que as áreas marinhas canadenses do Ártico, incluindo o Mar de Beaufort e a Baía de Baffin, tenham períodos extensos livres de gelo durante o verão de meados do século. A última área em todo o Ártico, com o gelo do mar no verão, é projetada para o norte do Arquipélago Ártico Canadense. Esta área será um importante refúgio para espécies dependentes do gelo e uma fonte contínua de gelo potencialmente perigoso, que irá derivar para as águas canadenses. {5.3}

Espera-se que as inundações costeiras aumentem em muitas áreas do Canadá devido à subida do nível do mar local. Mudanças no nível do mar local são uma combinação da subida do nível do mar global e subsidência da terra local ou elevação. Prevê-se que o nível do mar local aumente, e aumente as inundações, ao longo da maior parte das costas do Atlântico e do Pacífico, no Canadá, e da costa de Beaufort, no Árctico, onde a terra está a diminuir ou a ser lentamente edificante. A perda de gelo marinho no Ártico e no Canadá Atlântico aumenta ainda mais o risco de danos à infraestrutura costeira e ao ecossistema como resultado de ondas e tempestades maiores. {7.5}

A taxa e a magnitude da mudança climática sob cenários de alta versus baixa emissão projetam dois futuros muito diferentes para o Canadá. Cenários com aquecimento grande e rápido ilustram os profundos efeitos no clima canadense do crescimento contínuo das emissões de gases do efeito estufa. Cenários com aquecimento limitado só ocorrerão se o Canadá e o resto do mundo reduzirem as emissões de carbono para perto de zero no início da segunda metade do século e reduzir substancialmente as emissões de outros gases de efeito estufa. Projeções baseadas em uma gama de cenários de emissão são necessárias para informar a avaliação de impacto, o gerenciamento de riscos climáticos e o desenvolvimento de políticas. {todos os capítulos}

* Nota: para acessar o relatório oficial clique aqui.

Fonte: EcoDebate

O que a ciência do clima tem a dizer para o Brasil?

As cientistas do INPE Thelma Krug e Lúbia Vinhas, e os cientistas Jean Ometto e Luiz Aragão, da mesma instituição, propõem neste texto uma visão técnica baseada na ciência do clima do papel que deve ser exercido pelo Brasil frente às questões climáticas globais. O texto faz contrapontos gerais aos argumentos apresentados pelo negacionista Molion e seus colaboradores em carta abertaendereçada ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 09/03/2019.

Neste documento, inicialmente, demonstramos as evidências existentes da atribuição de um papel significativo da ação humana nos padrões climáticos atuais. Na sequência, sumariamos de que forma podemos determinar as causas das mudanças climáticas e as consequências da negação da existência de um processo tão crítico quanto as mudanças climáticas antropogênicas. Esclarecemos que o problema vai além do dióxido de carbono (CO2) e concluímos com informações que levam a um maior conhecimento do problema para que o Brasil atinja um patamar de destaque na implementação de um modelo moderno de desenvolvimento econômico e sustentável.

Duas perguntas centrais são aqui abordadas:

1) Existem evidências para associarmos mudanças climáticas a ações antrópicas?

2) As ações de mitigação reprimem o crescimento econômico do país e sua reputação internacional?

As evidências físicas são robustas e suficientes para atribuir a influência humana no clima global

A evidência de que as mudanças generalizadas observadas no sistema climático, desde os anos 50, são atribuíveis a influências antrópicas tem crescido exponencialmente. A conexão entre a influência humana e as mudanças climáticas é analisada e discutida com base em uma extensa literatura cientifica. São mais de 15.000 artigos científicos abordando o tema “human influence” e “climate” na base do Google Acadêmico.

Essas evidências são compiladas pelos densos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC). Inclusive, esses relatórios passam por revisão aberta não apenas de especialistas, mas da sociedade civil e governos. O efeito das influências antrópicas no clima tem se intensificado nas últimas quatro décadas. As evidências resultam da avaliação dos inúmeros estudos que incluem dados obtidos por institutos de pesquisa do mundo todo, compondo séries históricas e indicadores. Dentre esses indicadores climáticos, podemos citar: as temperaturas próximas à superfície; o conteúdo de umidade atmosférica; a precipitação pluviométrica sobre a Terra; o conteúdo de calor oceânico; a salinidade oceânica; o nível do mar; o gelo marinho do Ártico e a intensidade e frequência de extremos climáticos.

As avaliações de atribuição e incertezas indicam que é extremamente provável que as atividades humanas tenham causado, diretamente, mais da metade do aumento observado na temperatura média global de superfície de 1951 a 2010. Ressalta-se que mecanismos de retroalimentação (feedbacks) do sistema natural podem potencializar a forçante antrópica. Como dito, essa avaliação é apoiada por evidências robustas de vários estudos científicos usando diferentes métodos. As incertezas nos diagnósticos também são contabilizadas de forma transparente e formal, a partir de análises exploratórias profundas dos dados, dos resultados de projeções e da performance dos modelos. Os dados dos modelos, antes de qualquer projeção, são confrontados e calibrados com dados derivados de observações, incorporando assim as informações mais recentes, obtidas com maior exatidão por redes de coletas de dados de superfície distribuídas no mundo todo. Esses dados atualmente são ainda complementados pelos provenientes de um arsenal de satélites operacionais de Observação da Terra, onde a contribuição do Brasil é crítica, não só para o mundo e o clima, como também para manter a soberania sobre seus recursos naturais e sua economia.

A consistência das mudanças observadas e modeladas em todo o sistema climático, incluindo o aquecimento da atmosfera e do oceano, a elevação do nível do mar, a acidificação dos oceanos e as mudanças no ciclo da água, na criosfera e nos extremos climáticos apontam para alterações em escala global, inclusive alterando o balanço energético na atmosfera e alterando a temperatura média da Terra, resultante principalmente do aumento de emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE).

As emissões antrópicas aumentam as concentrações dos GEE na atmosfera, resultando em um aquecimento planetário proporcional a elas. Isso se deve a que esses gases têm o potencial de absorver o calor emitido pela Terra na direção do espaço e reemiti-lo, aquecendo o planeta. É importante notar que o CO2 não é o único gás de efeito estufa. Naturalmente, os GEE estão distribuídos na atmosfera na forma de vapor d’água (95%), CO2 (3,6%) e outros (1,4%). As emissões antrópicas estão distribuídas em 84% (CO2), 9% Metano (CH4), 5% Oxido nitroso, 2% outros. Apesar de o CO2 ser o gás mais importante, devido a sua contribuição majoritária nas emissões antrópicas, o CH4 tem um potencial de aquecimento global 28-36 vezes superior, e o oxido nitroso (N2O) têm um potencial 265-298 vezes maior que o CO2. Portanto, mesmo em quantidades inferiores a outros gases os GEE têm potencial de alteração do comportamento atmosférico e sua interação com a radiação provinda do Sol e da Terra.

As variações naturais na incidência de radiação solar são historicamente conhecidas e incorporadas nas análises. Os resultados dessas análises indicam que este forçamento natural, e suas flutuações, têm contribuição relativa muito menor que a alteração na composição química da atmosfera, determinada pelo aumento de emissões de GEE e outros poluentes. Esse fato se reforça pelo resfriamento estratosférico e aquecimento troposférico, sendo o primeiro diretamente relacionado a incidência de radiação solar e o segundo à sua composição química.

Nas análises de atribuição das alterações climáticas observadas, outros processos naturais são também considerados. A Oscilação Multi-decadal Atlântica (AMO), ou a oscilação Decadal do Pacífico são dois processos oceânicos de baixa frequência bem conhecidos. Estes têm, certamente, influência na variação natural do clima, entretanto, inúmeros estudos científicos evidenciam um desacoplamento da variação atual no aquecimento da atmosfera dessas flutuações. Estudos que encontram um papel significativo para, por exemplo a AMO, mostram que sua flutuação não se projeta fortemente nas séries de temperatura da atmosfera recente, no período de 1951-2010.

Torna-se importante ressaltar que as variações na composição química da atmosfera, em especial pela presença de compostos de carbono (como CO2 e CH4), esteve associada às grandes mudanças de clima no passado (dados derivados de estudos paleoclimáticos). Quando os níveis de CO2 subiram abruptamente (derivados de processos naturais de larga escala) o aquecimento global foi altamente disruptivo e causou grandes extinções de espécies. Um diferencial seríssimo que vivenciamos, é que a curva de aumento das concentrações de CO2 na atmosfera vem se alterando positivamente e exponencialmente. As taxas de mudança observadas atualmente são muito mais elevadas que as observadas em períodos pretéritos da história da Terra.

O ponto de discussão atual não é se as mudanças climáticas são causadas ou não pelos seres humanos, e sim que o clima está mudando e seus impactos climáticos atuais e futuros afetam e continuarão afetando diretamente a humanidade.

Como determinamos as causas das mudanças observadas

O clima da Terra está sempre mudando, afirmou Molion e colaboradores. Sim, não existe surpresa nisto. Isso pode ocorrer por vários motivos. Para determinar as principais causas das mudanças observadas, deve-se primeiro determinar se uma mudança observada no clima é diferente de outras flutuações que ocorrem sem qualquer forçamento. A variabilidade climática sem forçamento – chamada de variabilidade interna – é a consequência de processos que ocorrem dentro do sistema climático. A variabilidade oceânica em grande escala, por exemplo as flutuações do El Niño-Southern Oscilation(ENSO) no Oceano Pacífico, é a principal fonte de variabilidade climática interna nas escalas de tempo decenais a centenárias. A mudança do clima também pode resultar de forçantes naturais externas ao sistema climático, como erupções vulcânicas ou mudanças na irradiância solar. Forças como essas são responsáveis pelas enormes mudanças no clima que estão claramente documentadas no registro geológico. Forças causadas pelo homem também afetam o clima e estão relacionadas às emissões de gases de efeito estufa ou poluição particulada atmosférica (aerossóis). Qualquer uma dessas forças, provenientes de causas naturais ou humanas, pode afetar a variabilidade interna, bem como causar uma mudança no clima médio.

Estudos de atribuição tentam determinar as causas de uma mudança detectada no clima observado. Ao longo do século passado, dados científicos indicam que a temperatura média global aumentou, portanto, se a mudança observada for forçada, então a força principal deve ser aquela que causa o aquecimento, e não o resfriamento. Estudos formais de atribuição de mudanças climáticas são realizados usando experimentos controlados com modelos climáticos. As respostas simuladas por modelos para forças climáticas específicas são frequentemente chamadas de impressões digitais dessas forçantes. Um modelo climático deve simular de forma confiável os padrões de impressões digitais associados a forçantes individuais, bem como os padrões de variabilidade interna não forçada, a fim de produzir uma avaliação significativa da atribuição de mudanças climáticas. Nenhum modelo pode reproduzir perfeitamente todas as características do clima, mas muitos estudos detalhados indicam que simulações usando modelos atuais são de fato suficientemente confiáveis para realizar avaliações de atribuição. Inclusive ressalta-se a constante atualização nas representações dos modelos dos processos físicos, assim como a capacidade computacional. Um exemplo simples, refere-se à previsão do tempo (e não clima), hoje tem-se muito mais confiabilidade na previsão de tempo que se tinha décadas atrás.

As simulações que incluem os forçamentos naturais e antrópicos fornecem uma representação muito melhor da taxa temporal de mudança (inferior à esquerda) e do padrão espacial (inferior à direita) da alteração da temperatura observada de superfície. Ambos painéis à esquerda mostram que os modelos computacionais reproduzem o resfriamento da superfície naturalmente forçado, observado por um ou dois anos após grandes erupções vulcânicas, tais como as ocorridas em 1982 e 1991. Simulações com forçantes naturais captam as mudanças de temperatura de curta duração após erupções, mas apenas as simulações com forçantes natural + humana simulam a tendência de aquecimento de maior duração. Uma avaliação mais completa de atribuição examinaria a temperatura acima da superfície, e possivelmente outras variáveis climáticas, além dos resultados de temperatura de superfície mostrados na Figura 3. Os padrões da impressão digital associados a forçamentos individuais tornam-se mais fáceis de distinguir quando mais variáveis são consideradas na avaliação. Não é possível simular corretamente as mudanças climáticas observadas recentemente sem incluir a resposta às forçantes antrópicas, incluindo gases de efeito estufa, ozônio estratosférico e aerossóis. Causas naturais de mudança ainda estão em ação no sistema climático, mas as tendências recentes de temperatura são em grande parte atribuíveis ao forçamento causado pelo homem.

A importância do engajamento e da consciência da sociedade sobre a urgência nas mudanças no padrão de uso dos recursos naturais

Lê-se na carta aberta de Molion e colaboradores que “A hipótese do aquecimento “antropogênico” é um desserviço para a Ciência e um risco para as políticas públicas”. Primeiramente, a metodologia científica ensina que hipóteses não podem ser refutadas sem evidências geradas a partir de metodologias consolidadas. A negação da contribuição antrópica para o aquecimento global contradiz os resultados em milhares de estudos publicados em todo o mundo por cientistas de diferentes nacionalidades e trabalhando em diferentes instituições, com contribuições importantes de pesquisadores brasileiros. Uma análise no buscador Google Acadêmico, mostrou que existem 2 milhões de artigos publicados sobre o tema “Aquecimento Global”. Quando a busca é feita com o tema “Mudanças Climáticas” chega-se a um número superior a 3 milhões de artigos científicos. Portanto, é notório que apesar da necessidade de mais estudos, existe um volume significativo de informações que direcionam as atuais conclusões e ações.

As análises integradas sobre impactos antrópicos no ambiente indicam que a redução das emissões de gases de efeito estufa de natureza antrópica pode contribuir não só para mitigar as mudanças no clima, mas também para atingir vários objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 30 das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. Os cenários de mitigação que resultam em baixa concentração de gases de efeito estufa até o final deste século indicam custos reduzidos para se alcançar a melhoria da qualidade do ar, os objetivos de segurança energética, a segurança alimentar, a segurança hídrica, com significativos co-benefícios para o bem-estar, a saúde humana e os ecossistemas.

Precisamos buscar os cobenefícios das ações humanas em relação ao clima e ao ambiente de forma geral. Por exemplo, no Brasil há um enorme potencial de contribuição para a redução de emissões de gases de efeito estufa, particularmente o CO2, que pode ser atendido pela ampliação da geração de bioenergia (e biocombustíveis) e reflorestamentos em larga escala, contribuindo para métricas de sustentabilidade. Estas ações têm efeitos positivos diretos, tanto nas atividades da indústria brasileira, na economia nacional e na modernização do modelo social brasileiro.

Ao indicar o negacionismo à mudança do clima e particularmente a influência humana, o Brasil perderá inúmeras oportunidades nos mercados internacionais e possibilidades de cooperação internacional, aceita pelos países membros do IPCC como o viabilizador crítico da implementação de atividades de mitigação e adaptação por países em desenvolvimento. Isto já foi demostrado pelo recente desembolso de US$ 100 milhões pelo Fundo Verde do Clima da Convenção do Clima, pelos esforços do Brasil em reduzir as emissões pelo desmatamento no país.

Torna-se imperativo destacar que todas as ações de mitigação e adaptação devem obrigatoriamente ser implementadas considerando co-benefícios para a sociedade, incluindo erradicação da pobreza, educação, saneamento básico, fontes alternativas de energia, acesso a água potável, educação e transporte. O modelo de desenvolvimento baseado em baixo carbono, portanto, não só permite a estabilização dos processos climáticos, garantindo a manutenção da produção agrícola do país, como também incentiva a indústria de inovação, reduz gastos hospitalares e coloca o país em uma posição resiliente quanto a dependência de fontes energéticas baseadas em combustíveis fósseis.

Assim, torna-se evidente que há inúmeras sinergias entre ações de mitigação da mudança do clima com o desenvolvimento econômico nacional e outros compromissos internacionais, como a Agenda 30, a Convenção da Biodiversidade, entre outros.

Uma estratégia focada em baixas emissões de CO2 não desvia atenções e recursos das emergências reais

Não existe, de forma alguma, uma obsessão pelo CO2 e sim uma mobilização de diversos segmentos da sociedade para tomar ações, preventivas, baseadas em um conjunto extensivo de dados e pesquisas. O CO2 vem sendo utilizado como referência à trajetória de alteração na composição da atmosfera, e a consequente mudança no balanço energético do planeta. A alteração na composição da atmosfera inclui vários outros compostos que não apenas o CO2, desta forma ações na redução de emissões de GEE (que, como dito no arquivo Molion), oferece oportunidades importantes para o Brasil, sob o ponto de vista comercial e ambiental, se adequadamente feitas.

O Brasil tem potencial e características importantes para ser referência global no desenvolvimento equilibrado com o ambiente, na produção massiva de energias renováveis, produtos da biodiversidade, agricultura com impacto reduzido ao meio (que inclui não apenas ações que reduzam emissões de GEE, mas também otimização no uso de fertilizantes, agroquímicos, etc). Várias dessas alternativas podem ser financiadas internacionalmente, e ainda ser uma oportunidade para o Brasil no mercado internacional (por exemplo para produtos agrícolas). Há oportunidades em todos os setores. Por exemplo, o Brasil já está avançando neste modelo desenvolvimentista de vanguarda, respeitado mundialmente. A Política Nacional sobre Mudança do Clima contempla uma redução dos resíduos sólidos e efluentes (financiamento para acabar com os lixões no país, para aumentar a quantidade e tratamento de resíduos líquidos urbanos e aumento da eficiência energética). Interessantemente, as tecnologias nacionais também estão voltadas para auxiliar a manutenção do funcionamento ambiental. Como exemplo, nossa tecnologia de satélites, comunicação e nossa ciência em geral já foca no desenvolvimento sustentável. Será que temos que dar uma guinada em tudo que já foi construído e estabelecido nacionalmente e internacionalmente em prol de ideias contraditórias?

Como os outros países, o Brasil tem que identificar os seus nichos para estimular a inovação. No Japão, por exemplo, foram identificadas 10 tecnologias inovadoras até 2050. Existe a necessidade de sinalização para o setor privado de investimentos relevantes, com ou sem parceria internacional. Um exemplo recente advém do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto, que gerou investimentos importantes para o Brasil, particularmente no setor Resíduos e Energia. Seria muito ingênuo não enxergar as enormes oportunidades que o Brasil tem de ajudar o esforço global de mitigar a mudança do clima, simultaneamente buscando o desenvolvimento sustentável. Inovação, oportunidades, identificação de nossos nichos, envolvimento do setor privado – são algumas palavras chave que precisam ser reforçadas.

Melhor conhecimento e maior resiliência

A ciência das mudanças climáticas se preocupa exatamente com isso. Quanto maior o conhecimento sobre o problema mais a sociedade e os indivíduos estarão informados e preparados para eventos climáticos extremos (como chuvas extremas, inundações, secas) e as consequências econômicas e sociais desses eventos. O aprimoramento da capacidade da meteorologia nacional é certamente relevante, entretanto mudanças no clima tem que ser vistas e tratadas de forma integrada e com amplitude socioeconômica e socioambiental. O exemplo claro desta afirmação é a economia brasileira. Um terço das exportações do Brasil, que mantém a balança comercial positiva e o crescimento do país, é derivada de produtos “naturais”.

Portanto, se não tivermos ações para minimizar qualquer possível impacto climático sobre nosso país, nossa economia pode ruir. Este é um lado da história. Devido à preocupação global com as mudanças climáticas, essas exportações são dependentes de certificações demonstrando que os produtos não estão relacionados com a degradação ambiental (por exemplo advindos de áreas desmatadas). Se as políticas se direcionarem de forma contrária a manutenção das funções ambientais, perderemos uma fração significativa de nossas exportações.

Esta ação de cunho ambiental reprimiu o crescimento econômico e as exportações do país? Não. O desmatamento amazônico diminuiu em aproximadamente 70%, reduzindo assim as emissões de CO2 e outros GEE, melhorando a saúde respiratória da população. A produção de soja, por outro lado, praticamente dobrou de 56.699.617 toneladas em fevereiro de 2007 para 113.393.434 toneladas em fevereiro de 2019 (IBGE). A imposição de restrições, permite a reformulação de modelos obsoletos de desenvolvimento e incentiva a inovação com desenvolvimento de biotecnologia, tecnologia agrícola, tecnologia de monitoramento e processamento de dados.

Com isso, terminamos a avaliação nos posicionando a favor do desenvolvimento sustentável do país baseado em conhecimento técnico e científico robusto. Temos todas as condições para demonstrar para o mundo que existem formas inovadoras e modernas de se desenvolver.

Fonte: Climainfo

ONU: 5 meios para usar a ciência comportamental na luta contra as mudanças climáticas

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso? Quais são as barreiras ao consumo baixo de carbono?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização em ação e ação em mudança de comportamento.

A ONU Meio Ambiente reuniu cinco maneiras pelas quais esse ramo da pesquisa científica pode promover escolhas diárias mais sustentáveis entre as pessoas:

  • Fazer da escolha padrão a melhor escolha. Mudar a escolha padrão para a doação de órgãos, transformando o “doador” em opção de praxe e o “não doador” em exceção, aumentou as taxas de doação de órgãos. Se fosse igual com medidas de compensação de carbono, com opções em sites de companhias áreas, por exemplo, isso poderia ter um efeito similar.
  • Mudar como as escolhas são apresentadas para favorecer o comportamento sustentável. Comerciantes desde o início dos tempos entenderam os princípios da arquitetura de escolhas: o vinho de preço médio será o mais vendido; o item caro irá vender mais se o preço do item médio for aumentado. Em um clássico estudo de caso, a revista The Economist teve um aumento em assinaturas digitais e físicas – a opção mais cara – quando apresentou uma nova estratégia de preços.
  • Remover inteiramente a opção “insustentável”. Legisladores podem acelerar uma década de lentas mudanças comportamentais ao aplicarem proibições diretas, capazes de mudar comportamentos do dia para a noite. Foi o caso da proibição de sacolas plásticas no Quênia. O comportamento habitual, que envolve a dependência de sacolas plásticas, é forçado a mudar para uma alternativa sustentável. A sacola reutilizável se tornou a nova norma dentro de dias e não de décadas.
  • Remover o fator ‘dificuldades’. Faça a pessoa dar 20 passos a menos para fazer a coisa certa e não 20 passos a mais. Você só consegue um prato vegetariano numa companhia aérea se der alguns passos a mais para pedi-lo com antecedência. Vamos mudar isso e servir a opção de “macarrão” ou “curry” (ambas vegetarianas), deixando os amantes de carnes livres para pedir uma opção carnívora no momento da compra das passagens.
  • Personalize para ganhar. Dados e análises podem informar quais mensagens “cutucam” comportamentos de forma mais persuasiva dentro de um segmento específico. Essa estratégia deveria ser a primeira, e não a última, a ser utilizada em campanhas de informação pública, incluindo campanhas políticas, envolvendo as mudanças climáticas. Mensagens personalizadas e segmentadas podem, por exemplo, alcançar indivíduos economicamente motivados, trazendo dados sobre benefícios econômicos, respondendo às suas preocupações e abordando as barreiras que eles enfrentam.

“Pessoas em geral estão (com atitudes) positivas (em relação) à mudança climática e à neutralidade de carbono, mas esses podem ser conceitos abstratos e distantes para as vidas cotidianas de muitas pessoas”, afirma o especialista em mudança climática da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg.

Por isso, na avaliação do especialista, a ciência comportamental é essencial, pois consegue promover mudanças concretas de práticas e hábitos.

Um número crescente de governos está incorporando a ciência comportamental em muitos aspectos de suas políticas – desde completar impostos de renda a tempo e diminuir acidentes automobilísticos até promover a reciclagem e reduzir o lixo plástico.

A publicação Consuming Differently, Consuming Sustainably (lançada pela ONU Meio Ambiente, com apoio da Comissão Europeia e autoria da consultoria ideas42) lança luz sobre o potencial da ciência comportamental para melhorar a eficácia de políticas de consumo sustentável.

As demandas humanas de recursos naturais da Terra ultrapassaram o que pode ser produzido. Nós consumimos, em menos de nove meses, mais recursos do que o nosso planeta produz em um ano e a nossa taxa de consumo continua crescendo.

Além disso, o crescimento de economias emergentes está impulsionando um aumento no consumo em todo o planeta. Um número crescente de domicílios em economias em desenvolvimento está se juntando à classe consumidora. Especialistas estimam que, até 2050, haverá de 2 a 3 bilhões de consumidores a mais de classe média.

“Alcançar o consumo sustentável irá exigir um grande esforço global – é crítico que usemos todas as ferramentas à nossa disposição. Ao usar o entendimento profundo sobre a tomada de decisões fornecido pela ciência comportamental, legisladores podem criar políticas mais eficazes para alterar padrões de consumo e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, diz o relatório.

O relatório da ONU Meio Ambiente apresenta três recomendações para legisladores alcançarem melhores resultados em políticas de consumo sustentável:

  • Incorporar a ciência comportamental em processos e ferramentas políticos;
  • Construir capacidade interna de políticas comportamentais dentro de entidades políticas;
  • Expandir esforços e a disseminação de pesquisas de ciência comportamental.

Fonte: Nações Unidas do Brasil

WGS 2019: Harrison Ford — As mudanças climáticas são a maior crise moral de nossa época

ator e conservacionista Harrison Ford afirmou que as mudanças climáticas representam a maior e mais urgente crise moral da humanidade no século XXI em um emocionado discurso proferido hoje na VII Cúpula Mundial de Governos (World Government Summit, WGS 2019), realizada em Dubai.

Este comunicado de imprensa inclui multimédia. Veja o comunicado completo aqui: https://www.businesswire.com/news/home/20190212005968/pt/

Ford disse que importantes cidades do mundo, dentre elas Dubai, Londres, Los Angeles e Hong Kong, estão sob a ameaça da elevação do nível do mar causada pelo aquecimento dos oceanos.

“Ds maiores cidades, 75% estão localizadas no litoral. O nível do mar se eleva com o aquecimento dos oceanos, o que coloca em perigo populações, ameaça economias e sua própria existência. Todos nós — ricos ou pobres, com ou sem poder — vamos sofrer os efeitos das mudanças climáticas”, alertou o vice-presidente da Conservation International, 76 anos, diante de um plenário lotado no Madinat Jumeirah, em Dubai.

Ele argumentou que o mundo já se demonstrou lamentavelmente inadequado no tocanteàproteção dos oceanos ao afirmar: “A Terra e os mares são o legado que deixamos para nossos filhos. Em 10 anos, poderá ser tarde demais.”

Os Emirados Árabes Unidos são o primeiro país de todo o mundo a ter um Ministério de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente, cujo ministro, Dr. Thani Al Zeyoudi, apresentou Ford.

Ford advertiu os delegados do evento: “Estamos diante do que acredito ser a maior crise moral de nossa época. Precisamos exigir que governos, empresas e comunidades ajam investindo em seu meio ambiente e em nosso futuro. Se a natureza não se mantiver saudável, a humanidade não sobreviverá. É simples assim”.

“Se desejamos sobreviver neste planeta — por nosso clima, nossa segurança e nosso futuro —, precisamos da natureza mais do que nunca. Porque a natureza não precisa das pessoas; nós é que precisamos dela.”

“Portanto, vamos trabalhar juntos, vamos arregaçar as mangas. Vamos agir”, ele concluiu.

Com três dias de duração, a Cúpula Mundial de Governos de 2019 é realizada até 12 de fevereiro no Madinat Jumeirah, em Dubai. O importante evento reuniu mais de quatro mil participantes de 140 países, inclusive chefes de Estado e governos, além de importantes representantes de 30 organizações internacionais.

Fonte: Terra

Dicas para ter uma vida mais sustentável e ajudar o meio ambiente

Salvar o planeta parece uma grande meta certo? E, em essência, é. Mas há muitas maneiras simples que você pode fazer para ajudar

Salvar o planeta parece uma grande meta certo? E, em essência, é. Mas há muitas maneiras simples que você pode fazer para ajudar.

Está na hora de que uma mudança de mentalidade e de hábitos facilite e melhore a situação para as gerações futuras.

Centenas de exemplos que conhecemos, e que nem sempre colocamos em prática, contribuem para tornar mais sustentável e habitável o planeta.

Confira esta lista de algumas maneiras fáceis de tornar-se um pouco mais amigo do ambiente. Abaixo algumas atitudes que qualquer um pode e deve tomar para ajudar a reduzir o efeito de anos de abuso.

1 – Repense seu consumo de água

A água engarrafada é útil quando você está em movimento, mas por que não comprar uma garrafa e, em seguida, reabastecê-la com a torneira ou com o bebedouro do seu trabalho.

Cerca de 90% das garrafas de água acabam se decompondo em aterros em vez de serem reciclados.

2 – Compartilhe um banho

Sentindo-se um pouco amorosa e quer limpar um pouco para o seu parceiro? As chances são de que eles se sintam exatamente iguais.

Por que não tomar banho juntos – use metade da quantidade de água e talvez até comece a diversão lá!

3 – Compre em segunda mão

Muitas coisas podem ser adquiridas em segunda mão. Coisas que têm um curto período de uso devido ao crescimento, por exemplo, a bicicleta de uma criança, podem ser apanhadas em segunda mão em condições fantásticas e também por uma fração do preço.

Isso economiza seu dinheiro e ajuda a reduzir os materiais de embalagem.

4 – Plante sua própria árvore

Existem vários benefícios para o plantio de uma árvore em seu jardim. É bom para o ambiente tanto a terra como o ar, pode sombrear a sua casa e reduzir o uso do ar condicionado e até aumentar o valor da sua propriedade.

Você poderia torná-lo um evento anual onde cada membro da família planta uma nova árvore.

5 – Invista em uma caneca de viagem

Ter uma caneca de viagem mantém seu café / chá quente por mais tempo, o que significa menos desperdício e menos re-ferver a chaleira!

Algumas cadeias de café ainda oferecem um desconto para encher o seu próprio copo, em vez de emitir um papel. Certas cafeteiras de gotejamento também vêm com canecas de viagem gratuitas.

6 – Mantenha seu abafador de lareira fechado

Se você não estiver usando sua lareira a qualquer momento, mantenha o amortecedor fechado.

Ter o amortecedor aberto é como ter uma janela de quarenta e oito polegadas aberta o tempo todo! Imagine as centenas de dólares que você está desperdiçando com o aquecimento do ar que depois é sugado pela sua chaminé.

7 – Não use bolsas de transporte de plástico

As sacolas plásticas não são biodegradáveis nem recicláveis. Eles se sentam em aterros onde frequentemente acabam poluindo o oceano e se infiltrando em fontes de alimento. Use uma sacola reutilizável e forte.

Como vê, todos nós podemos fazer nossa parte. Não espere mais para começar.

Fonte: Diário da Amazônia

Brasil pode liderar o mundo na transição para caminho de baixas emissões

A questão que mais se destacou em 2018 para as perspectivas de crescimento econômico dos países foi o impacto devastador da negligência ambiental e da mudança climática induzida pelo homem. Para o Brasil a escolha se coloca entre buscar um crescimento econômico anual no curto prazo de 3% a 4% em detrimento do meio ambiente, ou se empenhar no crescimento sustentado de longo prazo por meio de ações ambientais e climáticas. Esta última opção é muito melhor para o País, mas é preciso ter vontade política para ser posta em prática.

Quando há uma estagnação no crescimento econômico, é tentador pôr a culpa nas regulamentações ambientais e nas ações climáticas. Porém está claro que crescer à custa da destruição do meio ambiente não produziu o avanço econômico sustentado no Brasil. Uma estratégia de crescimento de longo prazo precisa de investimentos e cuidado, não apenas em relação ao capital físico e humano, mas também ao capital natural, especialmente num país como o Brasil, com a riqueza de seus recursos naturais.

Além disso, as recentes inundações, tempestades, secas e ondas de calor que bateram recordes alertam que o aumento das emissões de carbono vai acelerar a mudança climática, prejudicando vidas e meios de subsistência e reduzindo o crescimento econômico. Com a sua extensa costa e diversos tipos de solo, o Brasil é altamente vulnerável a enchentes e secas.

Os perigos estão aqui e agora. Os cientistas vêm alertando que a maior probabilidade da ocorrência desses eventos extremos está associada às emissões de carbono e mudanças no clima. Em 2018 houve chuvas intensas na cidade de São Paulo e a precipitação em apenas uma hora no Rio de Janeiro correspondeu à de um mês inteiro. O Sudeste foi atingido recentemente por uma prolongada seca, exacerbada pelo desmatamento e as mudanças climáticas. Enquanto isso, a Argentina e o Uruguai sofreram secas recordes. Nos Estados Unidos houve grandes destruições provocadas por enchentes monumentais e pelos piores incêndios florestais da história do país.

O Brasil é o 11.º maior emissor de dióxido de carbono, mas tem sido também um dos líderes na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Como maior mercado de energia renovável da América Latina, o País pode se tornar altamente competitivo em energia eólica, solar e hídrica. Energia renovável pode ser o maior nicho das contribuições do Brasil e um motor de crescimento econômico.

Contudo, após os avanços registrados desde 2005, houve um recente e acentuado aumento do desmatamento e das emissões de carbono – o que vai em sentido contrário ao compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris de reduzir a zero o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira em 2030. Em agosto de 2018 o País derrubou três vezes mais árvores do que a área devastada no mesmo período do ano anterior.

A importância do Acordo de Paris é que todos os países, ao imporem limites às emissões de carbono, criaram um instrumento valioso, como o estabelecimento do preço de uma matéria-prima, para modificar e compartilhar o uso do ar, que, por ser livre, acaba sendo mal utilizado. A adoção dessa medida por todos os interessados acarretará grandes benefícios para a economia brasileira.

Com milhões de hectares de terras abandonadas ou subutilizadas, o Brasil pode usar os solos degradados para expandir a fronteira agrícola, sem precisar se aventurar em novas áreas. Afinal, o desmatamento ilegal é, em sua maior parte, a apropriação privada de recursos públicos, com impacto econômico negativo. O crescimento de baixo carbono na agropecuária também se estende ao transporte, no qual é possível depender menos de novas estradas e mais de ferrovias e hidrovias.

Outros países também necessitam realizar profundas mudanças. As emissões da China continuam a aumentar, embora o país esteja investindo em energia renovável. A atual administração dos Estados Unidos vem desmontando as políticas de proteção do meio ambiente, substituindo-as por ações favoráveis aos combustíveis fósseis, que poderão provocar um grande aumento das emissões de carbono – o que prejudica a vida dos americanos e constitui um crime contra o desenvolvimento global.

Enquanto isso, algumas soluções políticas e tecnológicas estão sendo adotadas em âmbito local. O número de cidades no mundo que utilizam energia limpa duplicou nos últimos três anos. Uma lei de 2018 aprovada na Califórnia exige que toda a eletricidade seja proveniente de fontes renováveis ou sem emissões de carbono até 2045, com metas intermediárias para 2026 e 2030. Chile, Alemanha, México, África do Sul e Reino Unido estão começando a cobrar impostos sobre o carbono.

Relatórios das Nações Unidas e do governo dos Estados Unidos, divulgados no ano passado, sugerem que se está reduzindo rapidamente a expectativa do alcance de um nível máximo das emissões globais em 2020, passando, na sequência, a uma queda acentuada, para manter o aumento da temperatura abaixo de dois graus centígrados. Se os países principais emissores, incluindo o Brasil, seguirem a rota de aumento para as emissões de carbono, o aquecimento atingirá de fato mais de dois e até três graus Celsius, impedindo assim todas as perspectivas de crescimento econômico.

A pergunta crucial não é se o Brasil vai retomar o crescimento, mas como esse crescimento se pode concretizar incorporando as ações sobre o clima. O País é altamente vulnerável às mudanças climáticas e tem todo o incentivo para liderar o mundo na transição para um caminho de baixas emissões de carbono.

Fonte: Brasil Agro

#10yearchallenge ganha novo significado nas redes: o meio ambiente

Desafio da internet, que consistia em mostrar aparência dos internautas após 10 anos, passou a divulgar impactos negativos no planeta terra

O desafio que anda circulando pelas redes sociais nos últimos dias, #10yearchallenge, ganhou um significado maior para alguns internautas. A princípio, a brincadeira consistia em divulgar fotos onde os usuários apareciam mais jovens, para mostrar a diferença na aparência em uma década. No entanto, algumas pessoas mudaram o objetivo da atividade: decidiram lembrar do impacto negativo que os hábitos dos seres humanos causaram ao meio ambiente.

Aquecimento global, desmatamento, degradação dos animais, aumento de lixo, guerras e desastres ambientais como o de Mariana (MG) foram algumas das imagens divulgadas pelos internautas para fazer a comparação do antes e depois.

A cantora Anitta chegou a aderir a ideia e usou seu perfil no Instagram para compartilhar os efeitos negativos no planeta. “Todo mundo se esforçando pra melhorar de vida e de aparência a cada dia. E nossa casa (a única que temos) só se degradando. Quanta destruição aconteceu em apenas 10 anos”, lamentou.

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Prabhuraj@_raj94

This made me feel sad on #10yearchallenge

150
 · Hyderabad, India

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Muniba Mazari

@muniba_mazari
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Aprenda a Valorizar@Avalorizar

Impactos ambientais concentram preocupações de longo prazo para a economia global

Novo relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que economistas e investidores continuam preocupados com ameaças relacionadas a meio ambiente e mudança do clima à economia global, que podem afetar o crescimento econômico negativamente em 2019

Riscos associados à mudança do clima e meio ambiente continuam liderando o ranking de preocupações para a economia global, aponta a nova edição do Relatório sobre Riscos Globais produzido pelo Fórum Econômico Mundial e publicado hoje (16/1).  O relatório incorpora os resultados da Pesquisa Global de Percepção de Riscos, que ouviu aproximadamente mil especialistas e tomadores de decisão. Para eles, os riscos ambientais continuam dominando suas preocupações de médio e longo prazos: todos os riscos ambientais que o relatório aponta estão novamente na categoria de alto impacto e alta probabilidade – perda de biodiversidade; eventos climáticos extremos; falha na mitigação e adaptação às mudanças climáticas; desastres provocados pelo homem; e desastres naturais.

“O ano passado foi marcado por incêndios históricos, inundações contínuas e aumento das emissões de gases de efeito estufa. Não é surpresa que, em 2019, os riscos ambientais dominem mais uma vez a lista das principais preocupações”, aponta Alison Martin, diretora de risco do Zurich Insurance Group. “Para responder efetivamente às mudanças climáticas, é necessário um aumento significativo da infraestrutura para se adaptar a esse novo ambiente e passar para uma economia de baixo carbono”.

De acordo com Martin, até 2040, a lacuna de investimento em infraestrutura global está estimada em US$ 18 trilhões contra uma necessidade projetada de US$ 97 trilhões. “Nesse contexto, recomendamos fortemente que as empresas desenvolvam uma estratégia de adaptação e resiliência climática e que trabalhem nisso o quanto antes”.

Os riscos ambientais também apresentam problemas para a infraestrutura urbana e seu desenvolvimento. Com a elevação do nível do mar, muitas cidades precisam encarar soluções extremamente caras para problemas que vão desde a extração limpa de água subterrânea até barreiras contra super-tempestades. A escassez de investimento em infraestruturas críticas, como transporte, pode levar a falhas em todo o sistema, bem como exacerbar os riscos sociais, ambientais e os relacionados à saúde humana.

“O subfinanciamento persistente de infraestrutura crítica em todo o mundo está dificultando o progresso econômico, deixando empresas e comunidades mais vulneráveis tanto a ataques cibernéticos quanto a catástrofes naturais, incapazes de aproveitar ao máximo a inovação tecnológica”, argumenta John Drzik, presidente de risco global e digital da Marsh. “A alocação de recursos para o investimento em infraestrutura, em parte por meio de novos incentivos para parcerias público-privadas, é vital para a construção e o fortalecimento de fundações físicas e redes digitais que permitirão às sociedades crescer e prosperar”.

O relatório aponta ainda para uma deterioração das condições econômicas e geopolíticas globais em 2019, resultado das dificuldades enfrentadas pela cooperação internacional para promover ação coletiva para enfrentar as principais urgências atuais do mundo, como a mudança do clima. Essa piora na qualidade das relações internacionais também afeta as trocas comerciais, algo que foi bastante sensível em 2018, com a intensificação das “guerras comerciais” entre as grandes potências, especialmente entre Estados Unidos e China.

“Com o comércio global e o crescimento econômico em risco em 2019, existe uma necessidade mais urgente de renovar a arquitetura da cooperação internacional”, disse Børge Brende, presidente do Fórum Econômico Mundial. “Não temos condições para lidar com o tipo de desaceleração que a dinâmica atual pode nos levar. Precisamos de ação coordenada e concertada para sustentar o crescimento e enfrentar as graves ameaças que o nosso mundo enfrenta hoje”.

Fonte: NeoMondo

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