Pesquisadores estudam a Macaúba para recuperação de áreas degradadas

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Federal, começaram a desenvolver trabalhos que utilizam a Macaúba como parte do estudo.

O laboratório é ao ar livre e se encontra no município de Olaria, Minas Gerais. Se trata de duas pesquisas na mesma área que se relacionam, sendo uma delas o Projeto de Restauração Florestal usando técnicas de nucleação, que é uma parceria com o Núcleo de Biologia do IF com o laboratório de Ecologia da UFJF.
A outra é realizada pelo Departamento de Fitotecnia da UFV, o qual o objetivo é criar uma área demonstrativa já dentro de uma unidade de produção, que seria uma fazenda produtiva, exemplificando as modalidades de uso da integração da Macaúba com os sistemas de cultivos tradicionais como pastagens e cultivos anuais, visando a recomposição de APP’s (Áreas de Preservação Ambiental).
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Fonte: Portal Macaúba

Os 20 Benefícios da Macaúba Para a Saúde

 A Macaúba (nome científico Acrocomia aculeata) é uma palmeira pertencente à família Arecaceae é pode alcançar até 20 metros de altura, sendo bastante resistente a queimadas e secas. Ela pode ser encontrada em quase todo o Brasil e por isso é também conhecida por outros nomes, como coco-baboso, bocaiuva e coco-de-espinho.

Os benefícios da Macaúba são extraordinários pois, o fruto contém nutrientes que auxiliam na saúde geral do corpo, além de equilibrar os hormônios, visto que é uma planta rica em proteínas.

Conheça aqui mais razões para consumir o produto: 

1. Estimula o apetite:

Se você tem um apetite fraco, ela é uma ótima opção para melhorá-lo. Estudos têm comprovado que ela pode relaxar a tensão do estômago, o que, em seguida, estimula o apetite.

2. Fortalece as Articulações:

Ela ajuda a manter uma boa saúde das articulações e prevenir lesões durante a prática de exercícios físicos, que forçam muito as articulações.

 

3. Ganho de Massa Muscular:

As proteínas presentes nela são essenciais para a manutenção e aumento da massa muscular, pois para o músculo crescer é preciso ter, além da prática de atividade física regular, um consumo adequado de proteínas de boa qualidade, como as encontradas na Macaúba.

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Fonte: Portal Macaúba

Produtores investem na versatilidade da Macaúba em Minas Gerais

Fonte de matéria-prima para alimentos, fármacos, cosméticos e até biocombustível, uma palmeira rústica está ganhando espaço nas plantações em Minas Gerais e tem se mostrado com um enorme potencial para desenvolvimento no agronegócio. A Macaúba, segundo especialistas, tem tudo para ser o “ouro verde” brasileiro e os mineiros estão saindo na frente nos estudos e projetos com a planta. O principal produto extraído é o óleo que substitui o azeite de dendê, usado em cerca de 60% dos produtos vendidos nos supermercados, mas há ainda a questão ambiental. As plantações podem conviver com o gado e ajudam na conservação do solo.

Minas Gerais começa a ter programas de cultivo da Macaúba. Capitaneados pela Prefeitura de Juiz de Fora, pelo menos 38 municípios da Zona da Mata, Sul e Vertentes já manifestaram interesse em aderir ao plantio. “A gente tem percebido o agronegócio, neste momento de crise no país, como o único segmento que tem dado resultado, segurando números expressivos. Assim sendo, temos esse projeto pare recuperar nascentes com reflorestamento e vislumbrando a possibilidade de aumentar as rendas dos produtores locais com grandes negócios”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de Juiz de Fora, João de Matos.

A Zona da Mata tem hoje 400 hectares de Macaúba plantados em uma propriedade em Lima Duarte, mas a expectativa é ampliar. Por isso, estão sendo oferecidos cursos para mostrar o potencial da planta e a Prefeitura de Juiz de Fora está mostrando aos agricultores as possibilidades de consórcios. O objetivo é ambiental: além de desenvolver o agronegócio, estudos mostram que seria possível recuperar as fontes de água do município. Segundo João de Matos, não há projeções do quanto esse cultivo pode ser ampliado, mas só Juiz de Fora tem mil quilômetros de área rural. “Logicamente não vamos conseguir 100%, mas o importante é como o entorno da Zona da Mata é carente de projetos, entendemos que esse plano vai ajudar economicamente”.

O coordenador do projeto Macaúba, Jackson Moreira, diz que a produção é potencializada pelo fato de a planta ser nativa, de alta produtividade e competitiva em topografias acidentadas. Ele ressalta que há ainda interesse de companhias aéreas de usar o produto da planta como biocombustível, dentro de um projeto para reduzir a emissão de gás carbono.

Quem confirma todo este potencial é o coordenador da Rede Macaúba de Pesquisa (Rmape) da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike. De acordo com ele, a Macaúba despontou no programa de domesticação de espécies nativas com potencial para produção de óleo. “É uma planta que pode substituir no futuro o azeite de dendê, que corresponde a 40% de toda a gordura vegetal que o homem utiliza. Ele está na margarina, no chocolate, no sorvete, até na vela. Se você for no supermercado, 60% dos produtos tem óleo de dendê, então, hà uma importância muito grande para o ser humano”, diz.

A diferença, segundo Motoike, é que a macaúba cresce em um ambiente muito menor e precisa da metade da chuva necessária ao dendê para produzir. “O potencial de Minas é enorme, porque tem muita área degradada e é nesta área que a macaúba pode ser cultivada”, disse. Sérgio Motoike trabalha para que as plantações sejam integradas às pastagens, de modo a produzir frutos na parte de cima e permitir que o gado continue ali. “Não vamos destruir a pecuária, mas melhorar o solo com o cultivo da macaúba e incrementar a atividade com uma produção extra, que seria o fruto da macaúba.”

Para se ter uma ideia, segundo Motoike, são produzidas de quatro a seis toneladas de óleo por hectare. Comercializado a US$ 800 a tonelada, o produtor tem, só de óleo de macaúba, uma renda de pelo menos US$ 3,2 mil por hectare ao ano. E a macaúba ainda tem outros produtos, como ração animal e carvão. Na indústria farmacêutica, pode servir para extrair vitaminas D e A, na de cosméticos pode ser base para shampoos, cremes e batons.

Em João Pinheiro, região Noroeste de Minas Gerais, a empresa Soleá, que enxergou na macaúba seu caminho de investimento seguro, já plantou 520 hectares e pretende expandir em mais 150 hectares a plantação até o fim de 2017. Mas o projeto para a Macaúba é ainda mais ousado. Eles têm uma propriedade de 2,6 mil hectares e, pensando no potencial de venda, projetam chegar a ter 5 mil hectares de macaúba até 2020. Para dar mais solidez ao projeto, a empresa comprou a Acrotech em 2012 para ter acesso à tecnologia e desenvolver conhecimento agrícola que garantam sucesso ao empreendimento.

A escolha pela macaúba, segundo o CEO da Soleá/Acrotec Felipe Morbi, foi feita depois de um estudo comparativo com outras culturas que constatou que a plantação tem menos gastos para desenvolvimento e um potencial muito maior de produção. “O manejo é muito simples.

Ao contrário de culturas anuais, como soja e milho, você faz a implantação no primeiro ano e depois tem somente de duas a três adubações por ano e controle de ervas. O valor médio gerado pela macaúba é de R$ 250 por tonelada. Estamos falando de algo em torno de R$ 9 mil de receita bruta por hectare enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil por hectare”, conta.

Segundo o CEO, a colheita dura seis meses, de outubro a março, e o grande diferencial é que a macaúba pode ser cultivada em áreas mais desvalorizadas. Há ainda a questão ambiental, já que não é preciso desmatar para ampliar a produção. Quanto à produtividade, a conta é que para cada hectare de macaúba são necessários 14 hectares de soja. “Além disso, a macaúba gera muito emprego regional. A demanda é de um emprego para cada 10 hectares, isso sem contar nos empregos indiretos que são criados”, diz Felipe Morbi.

As grandes companhias descobriram que a macaúba é uma solução em termos de fornecimento de óleos de palma, que em grande parte eram importados da Malásia. O maior gargalo da cadeia produtiva, porém, segundo o empresário, é que ainda existem poucos plantios comerciais. Por isso, há uma demanda reprimida pela criação de indústrias processadoras. “O mercado está muito interessado na macaúba pela qualidade dos seus óleos e farelos e pela versatilidade dos seus produtos que acabam estimulando outras cadeias regionais. É um ganho exponencial. Antes tínhamos que convencer que a macaúba era uma oportunidade ao país, hoje as pessoas vêm até nós, a macaúba já está acontecendo”, comemora.

O projeto da Soleá começou em 2009 e o plantio foi iniciado em 2015. São 460 plantas por hectare e, em um cenário conservador, uma média de 36 toneladas de fruto por hectare. Com o crescimento do potencial da macaúba, a ideia é estimular outros produtores. “Vimos que outros projetos que começaram já com os produtores não funcionaram, então quisemos construir uma empresa âncora para mostrar aos produtores que a macaúba é um investimento certo”, disse.

Fonte: Portal BiodieselBR

Macaúba é aposta para gerar biocombustível no Nordeste

A Embrapa estuda o cultivo da macaúba em consórcio com grãos e leguminosas para obter matéria-prima

Produzir agroenergia e alimentos na mesma área pode ser um negócio lucrativo e viável. É o que tem demonstrado pesquisa feita por meio de parceria entre a Embrapa e o World Agroforestry Centre (Icraf). As instituições estudam o cultivo da macaúba em consórcio com grãos e leguminosas para obter alimentos e matéria-prima de qualidade para biocombustíveis.

Segundo a Embrapa, a ideia é, no futuro, incluir a pecuária no sistema, a fim de demonstrar que a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) também pode atender o mercado de agroenergia, conferindo ainda mais sustentabilidade ao setor e gerando renda para a agricultura familiar.

Agroenergia

Os experimentos estão sendo conduzidos em dois locais: Parnaíba, no litoral do Piauí, e em Barbalha, no Ceará, interior do Nordeste. A macaúba gera frutos com volume de óleo comparável ao do dendê, que é campeão em produtividade. Esse óleo pode atender à produção de combustíveis de origem renovável como o biodiesel, já presente no Brasil, e o bioquerosene de aviação, um produto ainda em consolidação, com grande potencial de mercado.

O projeto da Embrapa e do Icraf no Nordeste faz parte um programa internacional para desenvolvimento de cultivos alternativos para produção de biocombustíveis, com ações também na África e na Ásia. As atividades são lideradas pelo Icraf, com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad). No Brasil, a Embrapa conta, na condução do projeto, com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, em esfera federal, do Instituto Federal, Emater, e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, além da interação com comunidades extrativistas locais.

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Fonte: SF Agro

CTBE organiza workshop sobre o potencial da macaúba

A macaúba é uma palmeira nativa com ampla distribuição pelo território brasileiro. Embora a espécie ainda não tenha sido completamente domesticada a ponto de permitir seu plantio comercial, as pesquisas indicam que ela tem o potencial para se tornar uma séria concorrente em relação à palma-de-óleo em termos produtividade – podendo chegar a quatro toneladas de óleo por hectare ao ano.

Há cerca de 10 anos, o Brasil vem aumentando os investimentos em pesquisas com a espécie. A palmeira tem sido uma apontada como uma das melhores apostas nos sistemas lavoura-pecuária-floresta podendo ajudar na recuperação de pastagens degradadas ao mesmo tempo em que agrega renda à atividade pecuária.

Apesar disso tudo, a macaúba só é plantada comercialmente em Minas Gerais. No restante do país, a produção apenas em bases extrativistas.

Pelo lado dos desafios existe a necessidade de mecanização da produção, melhor entendimento de aspectos biológicos e agronômicos, regulação e desenvolvimento da cadeia produtiva.

Por esse motivo, o CTBE e a Instituto Agronômico (IAC) decidiram organizar um evento onde pretendem reunir pesquisadores e empresas que vem investindo na consolidação dessa nova cultura. O encontra acontecerá em Campinas (SP).

SERVIÇO
Macaúba, oportunidades e desafios

Quando: 07 de junho
Onde: Campinas – SP
Informações: pages.cnpem.br/wectbe
Organização: CTBE e IAC

Fonte: BiodieselBR

Trabalhos com óleo da macaúba são apresentados pela Embrapa Agroenergia

Armazenamento dos frutos da macaúba, controle da quantidade e qualidade do óleo são temas pesquisados pela Embrapa Agroenergia que estarão no Congresso de Óleos e Gorduras, que acontece hoje (10) e amanhã, em Campinas/SP.

Serão dois trabalhos. Um deles avalia o tempo ideal para armazenagem do fruto. De acordo com Simone Favaro, pesquisadora da Embrapa Agroenergia responsável pelos trabalhos, essa é uma demanda antiga do setor que trabalha com macaúba, pois o teor de óleo presente no fruto aumenta depois da colheita. “Nós estamos estudando o tempo necessário para ter o máximo desse aumento sem deixar que os frutos percam qualidade”, explica.

Esta pesquisa integra as ações do projeto MacSaf que estuda a inserção dessa palmeira em Sistemas Agroflorestais (SAF’s) e no contexto da integração, lavoura, pecuária e florestas (iLPF). Além disso, a palmeira é estudada como alternativa para diversificar as matérias-primas para produção do biodiesel, já que a soja, seguida da gordura animal são as fontes majoritárias nessa produção.

O segundo trabalho tem como foco a caracterização do potencial nutricional do óleo de polpa de macaúba de ocorrência natural em Mato Grosso do Sul nos biomas Cerrado e Pantanal. Foram analisadas 40 espécies diferentes.

Ambos os estudos serão apresentados em forma de pôsteres no Congresso nesta quarta-feira (10). O evento tem como foco compartilhar experiências no desenvolvimento de gorduras funcionais e estratégias a estruturação de óleos como alternativas à utilização de gorduras parcialmente hidrogenadas na formulação de alimentos, entre outros tópicos de interesse para todos os profissionais da área de óleos e gorduras. Mais informações sobre o Congresso acompanhe no site https://congressooleosegorduras.wordpress.com

Simone conta que aproveitará a ida a Campinas para visitar a fábrica da Scott Tech que desenvolve equipamentos para extração de óleo. Para saber mais das a respeito pesquisas realizadas pela Embrapa Agroenergia acesse www.embrapa.com.br/agroenergia.

Fonte: Embrapa Agroenergia – texto de Daniela Collares

Macaúba: uma palmeira com potencial

De biodiesel a cosmético, o fruto da macaúba pode alavancar a economia

Uma palmeira nativa do Brasil tem tudo para ser o “ouro verde” do país. A macaúba (Acronomia aculeata) gera um fruto composto por quatro partes: casca, polpa, endocarpo (parte dura que envolve a semente) e amêndoa.

A polpa produz um óleo recomendado para biodiesel e bioquerosene, e tem as mesmas propriedades do óleo de dendê. O óleo de amêndoa tem características ideais para a fabricação de cosméticos. “O óleo de macaúba, por exemplo, é nobre demais”, diz o biólogo Sergio Motoike, professor da Universidade Federal de Viçosa. “Ele tem vocação para uso na alimentação humana, na oleoquímica e na cosmética, que pagam bem mais que o mercado de biocombustíveis.” O processamento dos frutos e da casca gera uma torta rica em proteínas, boa para alimentar o gado. Além disso, o endocarpo pode virar carvão ativado, usado para purificar gases e líquidos.

No sexto para o sétimo ano de vida, a macaúba já gera de três a quatro toneladas de óleo de polpa por hectare. A soja, que é a principal matéria-prima para biocombustível no país, produz 600 kg de óleo por hectare.

Mas o que está faltando para macaúba ter sucesso? Segundo Haroldo César de Oliveira, consultor do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, a macaúba é pouco coletada por não existir mercado comprador.

Outra questão seria a ausência de sementes padronizadas para venda, os chamados “cultivares comerciais”. “Os plantios realizados até o momento são de mudas de sementes de plantas nativas”, diz Carlos Colombo, engenheiro agrônomo e pesquisador da área de genética do Instituto Agronômico de Campinas. Além disso, a legislação nacional não permite a comercialização de sementes e mudas que não estejam registradas no Ministério da Agricultura. O registro só pode ser feito por meio de lançamento do cultivar, após experimentação de campo e outros passos.

Segundo Felipe Morbi, diretor da Acrotech, empresa que implantou até o momento 520 hectares da palmeira em João Pinheiro (MG), ainda não há uma unidade entre pesquisadores, iniciativa privada e órgãos governamentais no intuito de criar uma agenda para a consolidação da palmeira.

A macaúba tem potencial. Por isso, espera-se que ela não dê errado como a cultura da mamona, que foi encampada pelo governo Lula (2003 – 2010) para a produção de biodiesel. O problema da mamona foi a falta de capital e investimento em tecnologias de produção.

Fonte: Portal Opinião e Notícia

A palmeira que desponta como novo \’ouro verde\’ do Brasil

Uma planta de uso múltiplo, no ponto para explodir comercialmente. Cotada no início dos anos 2000 como fonte promissora de biocombustível, a macaúba ultrapassou expectativas dos pesquisadores, que agora apostam no seu potencial além da produção de energia.

“O óleo de macaúba, por exemplo, é nobre demais”, diz Sergio Motoike, biólogo e professor da Universidade Federal de Viçosa.”Ele tem vocação para uso na alimentação humana, na oleoquímica e na cosmética, que pagam bem mais que o mercado de biocombustíveis.”

Dessa forma, diz Motoike, não haveria a frustração ocorrida, por exemplo, com a mamona. A cultura, encampada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) para produção de biodiesel, naufragou por falta de capital e investimentos em produção.

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Exploração da macaúba e babaçu é tema de seminário

A busca por uma matriz energética cada vez mais limpa é uma realidade global.  No Brasil, a macaúba e o babaçu têm se destacado como matérias-primas que diversificam a produção de energia renovável. Nesse contexto, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA-CE), com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-CE) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realiza, a de 08 até o dia 10 de fevereiro, o Seminário Sobre Exploração da Macaúba e Babaçu no Nordeste Brasileiro.

O diretor da Coordenação-Geral de Agroecologia e Energias Renováveis da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Andre Luiz Lemes Martins, vai participar da abertura e explicar sobre o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). “Hoje o Programa é mais concentrado na soja, oleaginosa com maior representatividade na produção do biodiesel brasileiro e um dos nossos objetivos é aumentar a diversificação da produção a partir de matérias-primas como a macaúba. O extrativismo também é muito importante, pois toda matéria-prima vendida às empresas produtoras de biodiesel é contabilizada para o Selo Combustível Social”, explica.

Após a abertura oficial do evento, ontem (08), o consultor da Coordenação-Geral da Sead, Haroldo Oliveira, palestrou sobre a importância dos produtos para o Extrativismo do Nordeste Brasileiro, desde o plantio até a extração do óleo da amêndoa da Macaúba.

Há 537 km de Fortaleza, em Crato, o evento vai receber cerca de 20 extrativistas e representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (Ifce), Eco Brasil do Maranhão, vão participar do evento que terá seminários, visitas experimentais e cursos sobre plantio, produção de frutos, óleos e derivados, comercialização e industrialização da macaúba e do babaçu.

Acesse aqui para saber mais sobre o PNPB e o Selo Combustível Social

Fonte: Assessoria MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário

Óleo para o biodiesel

Com o futuro aumento da produção do biocombustível, várias alternativas de matérias-primas deverão ser utilizadas

Um decreto presidencial de abril deste ano elevou a porcentagem da adição de biodiesel no diesel, que passará de 7% para 8% até 2017 e chegará a 10% em 2019. No ano passado, o país produziu 3,9 bilhões de litros de biodiesel – um crescimento de 15% em relação a 2014 –, ficando em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos e na frente da Alemanha e da Argentina. A demanda esperada para 2020 é de 7 bilhões de litros.

Em 2015, 76,5% do biodiesel no Brasil foi feito com soja, 19,4% com gordura animal, 2% com algodão e mais 2,4% com outros tipos de matérias-primas, como óleo de cozinha usado, dendê, entre outros. A produção desse biocombustível se dá por meio de um processo químico chamado de transesterificação, em que é misturado um óleo vegetal ou gordura de origem animal ao metanol, um álcool extraído do gás natural, e mais um catalisador, uma substância química. Para cada mil litros de óleo são necessários 300 litros de metanol.

Palmeira macaúba Foto: Léo Ramos

O aumento da participação do biodiesel no diesel vai estimular a demanda por matérias-primas para o fabrico do óleo vegetal. As opções são muitas. A mais recente, que é objeto de estudo de várias instituições de pesquisa brasileiras, é o óleo do fruto da macaúba, uma palmeira encontrada em quase todo Brasil, do norte de Minas Gerais até o norte da Argentina. Ela é a mais nova promessa para a produção de biodiesel. O que atrai na planta é a quantidade de óleo que essa cultura sem nenhum melhoramento agronômico produz num espaço de 10 mil metros quadrados ou 1 hectare (ha): até 4 mil litros (l). A título de comparação, a soja rende 500 l/ha.

“A macaúba será extremamente importante para o futuro do biodiesel em alguns anos. É a cara do Brasil porque é uma planta nativa que está sendo muito pesquisada e em pouco tempo vai ganhar mercado”, comenta Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), que reúne os produtores. Ele garante que, com a capacidade industrial atual, é possível aumentar a oferta de biodiesel aos poucos, até atingir os 15% na composição com o diesel. Isso é possível porque quase toda a matéria-prima para o biodiesel é de subprodutos, como óleo de soja, gordura animal e óleo do caroço do algodão. Existe ainda o óleo de fritura, por exemplo, segundo Tokarski, uma fonte quase inexplorada. Dependendo da região, compra-se o litro por valores que vão de R$ 0,40/l a R$ 1,80/l.

Para o futuro, ainda existe a cultura do dendê, que pode render 4 mil l/ha. Também chamada de palma, essa cultura ainda não atingiu um volume de produção para o biocombustível e certamente terá um custo mais favorável na região Norte do país, onde é plantada e se adapta melhor. A previsão em relação à macaúba é que em quatro anos os produtores terão mudas para plantio e em mais seis anos, o óleo para a venda.

A planta (Acrocomia aculeata) é uma palmácea nativa presente no Cerrado, na região Centro-Oeste, Pantanal e até na parte oeste e sul da região amazônica. “Não existe na história brasileira uma planta nativa que tenha atraído tantos pesquisadores em tão pouco tempo”, avalia o engenheiro agrônomo Carlos Augusto Colombo, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). “São mais de 100 pesquisadores no Brasil estudando o melhoramento genético da macaúba e as características químicas do óleo.”

No IAC, análise do óleo é importante para a escolha dos melhores frutos – Foto: Leo Ramos

O trabalho no IAC começou em 2006, quando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e outros órgãos de fomento incentivaram por meio de editais a pesquisa com oleaginosas para a produção de biodiesel. Colombo teve um projeto financiado pela FAPESP, em que levantou e identificou plantas de macaúba em vários locais do estado de São Paulo. “Foi uma coleta de sementes dos frutos para que pudéssemos estudar a variabilidade genética na população e fazer cruzamentos entre elas para uma futura formação de cultivares para plantio.” Depois de 10 anos, Colombo anuncia que em mais quatro anos o IAC poderá lançar no mercado agrícola uma variedade para plantio voltada à produção de óleo.

Lembrança do pinhão
“O óleo de macaúba é muito estável e tem ácido láurico, um importante ingrediente para a indústria de cosméticos. Na natureza, a planta gera de 3 a 4 mil litros de óleo/ha/ano. Com o nosso melhoramento, atingiremos de 8 a 9 mil l/ha”, afirma Colombo. Entre os projetos em que participa está um do Banco Mundial, junto com a Universidade Leuphana, da Alemanha, que financia a plantação de macaúba em 2.000 ha em Patos de Minas (MG) com apoio do IAC e que funciona em consórcio com a criação de gado. Esse tipo de associação contribui para recuperar pastagens.

Colombo diz que toma todos os cuidados para que não ocorra com a macaúba o que aconteceu há alguns anos com o pinhão-manso (Jathopha curcas): um excesso de otimismo entre produtores de biodiesel antes mesmo de existirem pesquisas e o estabelecimento de dados agronômicos sobre a cultura. “O pinhão-manso não apresentava plantas de porte baixo, o que dificulta a colheita. Tem frutos grandes, pequenos e amadurecimento em épocas distintas em pés diferentes na mesma plantação”, lembra. Para evitar essa situação, os pesquisadores estão identificando as melhores plantas de macaúba, com porte baixo, mais produtivas e com maiores teores de óleo. A macaúba pode produzir por mais de 20 anos.

Outra frente de estudo e produção de variedades para plantio de macaúba está na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, onde o agrônomo Sergio Motoike coordena um projeto desde 2005, que teve financiamento da Petrobras e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Inicialmente o grupo estudou o dendê (Elaeis guineenses) e chegou a um sistema de micropropagação (multiplicação), que recebeu financiamento do CNPq e da empresa Agropalma. “Conseguimos fazer 20 clones da melhor planta, que agora estão em testes.” O dendê ainda é pouco utilizado na produção do biodiesel. O óleo produzido no país vai para a indústria alimentícia e de cosméticos. O mesmo acontece com a mamona, embora pese contra o óleo dessa planta um alto teor de viscosidade que dificulta o processo de obtenção de biodiesel. “Com relação ao dendê, a área plantada está sendo expandida no Pará para que, quando houver excedente de óleo, em alguns anos, ele possa ser destinado ao biodiesel”, conta Motoike.

“A produção de biodiesel a partir da macaúba tem boas perspectivas, não só devido à alta produção de óleo por hectare, mas também pelas propriedades físico-químicas que resultam em um biodiesel de alta qualidade”, explica a engenheira de alimentos Aldara da Silva César, professora e coordenadora do Grupo de Análise de Sistemas Agroindustriais da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Volta Redonda (RJ). Apesar disso, para ela, o óleo produzido poderia ser direcionado, principalmente para as indústrias farmacêutica e de cosméticos. “Atualmente, os retornos financeiros nesses setores são maiores do que se fossem usados para fazer biodiesel. Entretanto, desenvolver a coleta extrativista nas regiões onde a macaúba é nativa poderia incentivar a inclusão social que também é foco do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel”, sugere Aldara.

“Agora estamos selecionando os melhores exemplares de macaúba até chegar a uma variedade definitiva e produtiva”, explica Motoike. Isso é feito por cruzamento tradicional entre as melhores e mais produtivas plantas. Um dos estudos realizados em Viçosa é sobre a quebra da dormência das sementes de macaúba, um passo importante para o estabelecimento de uma cultura dessa palmácea. “Isso foi em 2007. A germinação das sementes chegava a 3% do total e, com o nosso método, que resultou em uma patente, atingimos 80%”, conta. A técnica usa um hormônio na semente que leva à pré-germinação.

Preservação do fruto

Um fator que pode prejudicar o óleo de macaúba é a rápida acidificação do fruto. “O tempo para processar é de dois dias, depois eles começam a acidificar”, explica a microbiologista Elisa Costa Cavalcanti, pós-graduanda do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em um grupo coordenado pela professora Denise Freire, Elisa conta que foram realizados vários experimentos para que o fruto da macaúba pudesse ser preservado por mais dias. “O método mais adequado é o autoclave, em que o fruto é aquecido e passa por secagem em uma estufa. Assim é possível estocar por 180 dias”, afirma.

Aprender a preservar o fruto é importante também para competir com a soja, grão que pode ser estocado sem cuidados especiais por até seis meses e que tem um amplo mercado externo e interno. “Seu principal produto é o farelo, uma proteína, tanto para a indústria alimentícia como para a alimentação animal. Para obter o farelo é preciso espremer os grãos; o óleo é um subproduto desse processo, que é usado cada vez menos na cozinha”, explica o engenheiro agrônomo Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina.

Há 10 anos, a esperança da produção do biodiesel eram as algas. Já existiam experimentos demonstrando que a massa de gordura extraída do cultivo de algas pode chegar a 50 mil l/ha. Mas o freio veio na área econômica. Em 2007 e 2008, várias empresas foram criadas, principalmente nos Estados Unidos, e a expectativa era de que o custo do processo de produção de biodiesel com algas iria cair. Houve redução de custos, mas não o suficiente para tornar o processo competitivo. 

“O biocombustível de algas ficou inviável”, diz Sergio Goldemberg, sócio da Algae, empresa paulistana que desenvolveu tecnologia para a produção de gordura com microalgas cultivadas na vinhaça, um resíduo da produção de etanol de cana-de-açúcar (leia em Pesquisa FAPESP nº 186). Goldemberg agora procura outras aplicações para a produção das microalgas que se alimentam de vinhaça, como ração para animais e aditivos para cosméticos.

Enquanto a macaúba e o dendê não se tornarem alternativas viáveis, o biodiesel provavelmente continuará sendo produzido com subprodutos da agricultura e da indústria. Falta, segundo os especialistas, aproveitar o potencial do óleo de fritura utilizado em residências, restaurantes e indústrias do país. O que não é usado é jogado nos ralos e esgotos ou mesmo em cursos d´água. “A coleta de óleo é um desafio porque ainda é muito pulverizada em pequenas unidades ao longo de uma cidade”, analisa Aldara.

Projetos
1. Desenvolvimento de bibliotecas enriquecidas com locos ssr e caracterização da estrutura genética populacional de macaúba (Acrocomia aculeata) (nº 2005/56931-6);Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Carlos Augusto Colombo (IAC); Investimento R$ 77.126,93.
2. Diversidade genética e seleção de matrizes com testes de progênies da palmeira macaúba para produção de biodiesel (nº 2011/13182-4); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular – Programa Pesquisa em Bioenergia (Bioen); Pesquisador responsável Carlos Augusto Colombo (IAC); Investimento R$ R$ 236.494,57.
3. Seleção de matrizes de macaúba para a formação de jardim de sementes e produção de mudas comerciais visando ao biodiesel com preservação de variabilidade genética (nº 2014/23591-7); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Carlos Augusto Colombo (IAC); Investimento R$ 555.424,25 e US$ 40.078,03.

Fonte: Revista FAPESP

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