Investimentos globais em energias renováveis apresentam queda em 2017

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou para uma pausa que considera “preocupante” na transformação do setor energético global depois que o investimento em renováveis caiu 7%, para US$ 318 bilhões, no ano passado. A AIE prevê a continuidade desta queda em 2018.

Também em 2017, o investimento em carvão caiu drasticamente, mas foi compensado por um aumento nos investimentos em petróleo e gás. A AIE diz que, pela primeira vez desde 2014, aumentou no ano passado a participação dos combustíveis fósseis nos investimentos feitos para a expansão da oferta de energia, para US$ 790 bilhões, fato que “desempenhará um papel significativo nas tendências atuais por anos”.

A AIE também mostra que a indústria do petróleo e do gás está direcionando seus investimentos para projetos de curto prazo e para reservas em final de produção. Isto significa que a visão de longo prazo perdeu a importância e sinaliza um mercado cada vez mais volátil no futuro.

Veja mais em:

https://www.theguardian.com/business/2018/jul/17/iea-warns-of-worrying-trend-as-global-investment-in-renewables-falls

https://www.iea.org/wei2018/

Fonte: Clima  Info

Irlanda deve ser primeiro país a deixar de investir em combustíveis fósseis

Lei aprovada na última semana deve ser sancionada pelo primeiro-ministro

A Irlanda vai zerar, em até 5 anos, todos os investimentos estatais em companhias que produzem combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural. Uma lei aprovada na câmara inferior do Parlamento irlandês na última quinta-feira (12) fará com que o país seja o primeiro do mundo a cumprir o ‘desinvestimento’ em empresas do tipo.

De acordo com a legislação, o fundo nacional de investimentos da Irlanda terá de vender ações em companhias produtoras de combustível fóssil, avaliadas hoje em 8 bilhões de euros (cerca de R$ 36 bilhões) até 2023. O fundo soberano da Noruega também tem feito desinvestimentos semelhantes, mas não há previsão de vender as ações por inteiro.

Mudanças de investimento

Autor do projeto de lei, o deputado independente Thomas Pringle comemorou o resultado. Antes de virar legislação, o projeto ainda será votado na câmara superior do Parlamento, mas a tendência é que ele seja aprovado e colocado em prática até o fim deste ano.

“O desinvestimento manda uma mensagem clara, de que o público irlandês e a comunidade internacional estão prontos para agir e pensar além de interesses de curto prazo. Estamos mostrando que existe a necessidade de parar de investir nessa indústria antes que as consequências climáticas se tornem irreversíveis”, disse o parlamentar.

O projeto define que uma companhia de combustível fóssil é aquela que tem 20% ou mais de sua receita baseada na exploração, extração ou refino de combustíveis como petróleo e gás natural. Outro artigo prevê que a Irlanda pode investir em empresas desse tipo se os fundos forem usados para que elas mudem para outras fontes de combustível.

Exemplo da Costa Rica

A mudança de legislação da Irlanda, até então considerado o segundo pior país da Europa em termos de ações ambientais, é semelhante à política adotada pela Costa Rica, que pretende zerar suas emissões de carbono até 2021.

Em maio, o novo presidente do país, Carlos Alvarado, anunciou o plano para a ‘descarbonização’ completa até o ano em que a Costa Rica completa 200 anos de independência. O país já produz 99% de sua eletricidade com formas renováveis, como energia solar, eólica e hidrelétrica.

Em seu discurso da vitória, Alvarado disse que quer remover completamente a gasolina e o óleo diesel dos meios de transporte costarriquenhos.

Fonte: The New York Times

Novos empreendimentos solares devem gerar investimentos de R$ 8 bilhões

Os 49 novos empreendimentos solares contratados nos últimos leilões de energia A-4 devem gerar investimentos de R$ 8 bilhões até 2021 e garantir mais 1,8 (GWp) gigawatts-pico de potência no Brasil. Desses empreendimentos, sete já receberam a outorga de autorização para implantação. A previsão é que até o mês de outubro de 2018 todos já estejam com outorga liberada.

Das novas usinas solares, 29 foram contratadas em abril de 2018, demandando investimento de R$ 4,2 bilhões, com previsão de entrada em operação até janeiro de 2022. Os outros 20 projetos foram firmados no final de 2017, movimentando R$ 3,9 bilhões para início de suprimento até janeiro de 2021.

Unidades consumidoras com geração distribuída: comercial, iluminação pública, industrial, poder público, residencial, rural, serviço público

A energia solar também se destaca na geração distribuída, quando o consumidor gera sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis. Só nos últimos doze meses* a fonte evoluiu 1342% na capacidade instalada, passando de 9 mil usinas em 2017 para mais de 25 mil em 2018. Segundo dados da Agência Nacional do Energia Elétrica (Aneel), esse número pode crescer exponencialmente se considerar a projeção total para geração distribuída, estimada para atender mais de 1,2 milhão de pessoas até 2024, equivalente a 4,5 (GW) de potência instalada.

Usina Solar no edifício do MME

No edifício-sede do Ministério de Minas e Energia (MME) em Brasília, o sistema de geração distribuída solar fotovoltaica instalado no telhado compensa parte da eletricidade que consome através de geração própria, por meio do Sistema de Compensação de Energia Elétrica, incentivo disponível a toda a população brasileira. Foram instalados 154 painéis solares com investimento viabilizado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), reduzindo entre 5% e 7% do consumo do edifício.

Visite a usina solar do MME

*Dados do Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico do mês março

Fonte: MME

Obstáculos políticos à energia limpa

O futuro da energia renovável está aqui, mas não foi distribuído igualmente por questões de interesses políticos

Peter Thiel, investidor do Facebook e apoiador de Donald Trump, é, segundo tudo que nós sabemos, uma pessoa horrível. Ele bolou, porém, uma frase clássica sobre os desapontamentos causados pela tecnologia moderna: “Nós queríamos carros voadores e, em vez disso, ganhamos 140 caracteres.” Ok, hoje são 280, mas quem está contando?

O ponto da piada dele foi que, embora nós tenhamos descoberto jeitos cada vez mais bem bolados de espalhar pedaços de informação, nós ainda vivemos em um mundo material – e o nosso comando desse mundo tem avançado muito menos do que a maioria das pessoas imaginava algumas décadas atrás. Onde estão as tecnologias para transformar a maneira como nós lidamos com a realidade física?

Bem, há uma área da tecnologia física, a energia renovável, na qual nós realmente estamos vendo este tipo de progresso – progresso de uma natureza tal que poderia tanto mudar quanto salvar o mundo. Infelizmente, as pessoas que o Sr. Thiel apoia estão tentando impedir esse progresso de acontecer.

Há não muito tempo, apelos por uma transição para as energias eólica e solar foram amplamente percebidos como inviáveis, quando não considerados bobagem riponga. Uma parte deste desprezo se mantém; minha impressão é que muitos políticos e alguns executivos ainda pensam em energia renovável como algo marginal, e continuam achando que homens de verdade queimam coisas e que gente séria foca no bom e velho combustível fóssil.

Mas a verdade é praticamente o oposto, certamente quando se trata de gerar energia. Adeptos da supremacia dos combustíveis fósseis, em particular o carvão, são nossos encurralados tecnológicos atuais; eles, e não os esquerdistas tolos, são nossos luditas contemporâneos. Infelizmente, eles ainda podem causar um estrago grande.

Sobre a tecnologia: ainda em 2010, custava consistentemente mais gerar energia a partir do sol e dos ventos do que de combustíveis fósseis. Mas este vão já foi eliminado, e este é só o começo. O uso generalizado da energia renovável ainda é algo novo, o que significa que, mesmo sem grandes inovações tecnológicas, nós podemos esperar ver grandes reduções de custo adicional à medida em que as indústrias “avançam na curva de aprendizado” – isto é, descobrem jeitos melhores e mais baratos de operar enquanto acumulam experiência.

Recentemente, David Roberts, do Vox.com, deu um exemplo muito bom: turbinas eólicas. Moinhos de vento existem há mais de mil anos, e têm sido usados para gerar energia desde o fim do século 19. Mas fazer turbinas realmente eficazes requer torná-las muito grandes e altas; altas o suficiente para explorar os ventos mais rápidos e mais constantes que sopram em alturas mais elevadas.

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Fonte: Exame

Expansão das renováveis na Europa exige investimento de 59 bilhões de euros por ano

Agência internacional de energias renováveis indica que até 2030 a União Europeia poderá expandir de 17% para 34% a quota das fontes limpas no seu consumo de energia.

A Europa conseguirá alcançar uma incorporação de renováveis no consumo de energia de 34% até o ano 2030, mas para isso precisará investir cerca de 59 bilhões de euros por ano, indica um estudo divulgado na última terça-feira (20) pela IRENA, a Agência Internacional de Energias Renováveis.

O estudo indica que a União Europeia tem ao seu alcance uma duplicação da quota de renováveis no consumo energético, que em 2015 se situava em 17%. E todos os países europeus terão potencial para reforçar a penetração das fontes limpas na sua matriz energética.

Segundo o documento, “alcançar uma quota de 34% de renováveis até 2030 exigiria um investimento médio em energias renováveis estimado em 73 bilhões de dólares por ano”, o equivalente, ao câmbio atual, a 59 bilhões de euros anuais.

De acordo com a IRENA, em 2016 a Europa investiu entre 50 e 56 bilhões de dólares (40/45 bilhões de euros) em energias renováveis.

Embora os investimentos para aumentar a quota das renováveis sejam elevados, a agência internacional nota que os efeitos macroeconômicos seriam ainda mais significativos, com um impacto positivo ao nível do emprego gerado. A IRENA indica que as renováveis empregam atualmente 1,2 milhões de pessoas na Europa.

Para atingir os 34% de fontes renováveis no consumo final de energia, a Europa poderá recorrer a um conjunto diversificado de soluções.

Segundo a IRENA, o leque de opções inclui investimentos indutores de poupanças mais acentuadas, como a energia eólica, solar, hídrica e geotérmica, mas também investimentos geradores de poupanças mais moderadas, como bombas de calor, veículos elétricos e energia solar térmica na indústria. Mas a agência identifica também hipóteses que teriam custos adicionais, como a biomassa na indústria, o bio-etanol e o bio-querosene.

Fonte: Expresso

Piauí recebe novos investimentos em energias renováveis

Em reunião, no Palácio de Karnak, na última quinta-feira (1º), o governador Wellington Dias recebeu representantes da Enel Green Power, maior empresa de energia solar da América Latina. A multinacional já atua no Piauí e agora amplia investimentos para os municípios de Lagoa do Barro e São Gonçalo do Gurguéia. Na ocasião, foi apresentado o potencial de geração elétrica de novos investimentos e discutida a parceria para a capacitação de pessoal e infraestrutura necessária.

Com a maior área de exploração de energias renováveis ofertada no último leilão da União, o Piauí tem ampliado os investimentos na geração de energia solar e eólica. “Foram apresentados os investimentos em São Gonçalo do Gurguéia, que será um grande parque solar da região, duas vezes maior do que a de Ribeira do Piauí (Usina de Nova Olinda), e em outras regiões como Lagoa do Barro e Queimada Nova”, informou o secretário de Estado da Mineração e Energias Renováveis, Luís Coelho.

Para o gestor, a energia solar rapidamente irá chegar a 1 gigawat devido às novas aberturas de usinas fotovoltaicas no território piauiense e ao novo leilão da União previsto para 4 de abril. O Piauí possui mais de 1,3 GW só de energia eólica o que, de acordo com o governo, já é maior que o consumo de todo o estado.

Em São Gonçalo do Gurguéia, a planta deve entrar em operação no início de 2021 e gerar mais de 850 GWh de energia renovável por ano quando estiver em plena operação. O Grupo Enel investirá cerca de 355 milhões de dólares na construção dessa planta, em linha com os investimentos previstos no plano estratégico da companhia.

Na região de Lagoa do Barro, a produção regulada, estabelecida em leilão, é 510 megawatts e vai se extender para os municípios de Queimada Nova e Dom Inocêncio. Uma vez em plena operação, a planta será capaz de gerar, por ano, mais de 2.400 GWh de energia renovável. Com capacidade instalada total de 618 MW, o investimento para a construção da planta, que contará com duas unidades menores no território da Bahia, equivale a aproximadamente 750 milhões de dólares.

Juntos, os novos investimentos da empresa multinacional chegam a U$ 1,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões.

“Fizemos uma reunião de trabalho para priorizar a contratação de empresas, de pessoas, cuidar da qualificação, da segurança, do licenciamento e da regularização fundiária. E da integração entre os dois municípios e os outros da região”, explicou o governador Wellington Dias.

Fonte: Ascom

Maior complexo de energia solar do mundo nasce no Egito

Com um investimento de 83 milhões de euros por parte do Reino Unido, Benban deve abrigar a construção daquele que virá a ser o maior complexo de energia solar do mundo. 

O Reino Unido anunciou um investimento de 97 milhões de dólares (83 milhões de euros) no parque solar de Benban, no sul do Egito, que será o maior complexo de energia solar do mundo. A construção do complexo faz parte de um plano do governo egípcio para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que agora representam cerca de 90% da geração de eletricidade do país.

O investimento britânico, que será feito através da empresa estatal CDC Group, fornecerá um poder de 400 megawatts, o que corresponde a 20% da capacidade total de geração de energia do projeto, que atingirá 1,8 gigawatts, de acordo com uma declaração da embaixada britânica no Cairo.

Este plano de investimento faz parte de um acordo de financiamento assinado ontem (30/10) pelo Governo egípcio junto da Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla em inglês), parceiro ao Banco Mundial, por 653 milhões de dólares, com o qual serão financiadas treze plantas solares dentro de Benban.

O complexo será construído na cidade de Assuão, no sul do Egito, que também incluirá empresas como a Acciona, que anunciou um investimento de 180 milhões de dólares há duas semanas para construir instalações com uma capacidade total de 150 megawatts.

Fonte: Jornal Econômico

BNB financiará R$ 1,3 bilhão para projetos de energia solar e energia eólica

O Banco do Nordeste financiará R$ 1,326 bilhão em três empreendimentos de energias renováveis localizados no Nordeste por meio do FNE Infraestrutura, linha de crédito com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

A assinatura dos contratos com Enel Green Power Brasil Participações, CPFL Renováveis e Apodi Energia foi realizada nesta terça (24/10), na sede do Banco do Nordeste, em Fortaleza, com a presença do presidente Marcos Costa Holanda. Serão financiados pelo FNE Infraestrutura R$ 678,7 milhões para implantação de três parques de energia fotovoltaica da Enel Green Power Brasil Participações, subsidiária de energia renovável da Enel.

Os empreendimentos, com um total de capacidade instalada de 553 megawatts, estão localizados, respectivamente, nos municípios baianos de Bom Jesus da Lapa e Tabocas do Brejo Velho, e em Ribeira do Piauí (PI).

A empresa investirá cerca de 585 milhões de dólares nos três parques. O contrato foi assinado pelo presidente da Enel no Brasil, Carlo Zorzoli.

A usinas de geração de energia fotovoltaica Apodi, das empresas norueguesas Scatec Solar e a Statoil, e brasileira Kroma Energia, contarão com R$ 477,4 milhões do FNE e R$ 187,4 milhões de recursos próprios das empresas.

O empreendimento, com capacidade de 132 megawatts (MW), será implantado no município de Quixeré, na região do Vale do Jaguaribe, no Ceará. Esteve presente no evento o presidente do Conselho de Administração da Apodi Energia, Rodrigo Mello.

A CPFL Renováveis assinou contrato para o financiamento das usinas eólicas Pedra Cheirosa I e II, com 48,3 megawatts de capacidade, no município de Itarema, a 237 quilômetros de Fortaleza. Serão financiados R$ 170,1 milhões pelo fundo constitucional e a empresa investirá R$ 76,1 milhões de recursos próprios.

FNE Infraestrutura

A linha de financiamento FNE Infraestrutura tem objetivo de promover a ampliação de serviços de infraestrutura econômica, dando sustentação às atividades produtivas da Região.

O produto, lançado em abril deste ano, financia implantação, ampliação, modernização e reforma de empreendimentos, incluindo as Zonas de Processamento de Exportação (ZPE), contemplando créditos para investimentos e capital de giro associado ao investimento. São setores atendidos pelo programa: energia, oferta de água, infraestrutura de transporte e logística, telefonia e exploração de gás natural.

No setor energético, o recurso tanto pode ser utilizado para expansão da rede de distribuição de energia elétrica, como para a geração, transmissão e distribuição de energia oriunda de fontes convencionais e de fontes renováveis.

Fonte: Ambiente Energia

Países do G20 destinam quatro vezes mais recursos públicos para combustíveis poluidores do que para energias limpas

“Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” parece ser o lema dos países do G20, que terão um encontro de cúpula no final desta semana em Hamburgo, na Alemanha. Um relatório divulgado hoje revela que todos os anos as 20 maiores economias do planeta destinam quase quatro vezes mais recursos financeiros públicos para combustíveis fósseis do que para energia limpa. No total, o financiamento público dos países do G20 para combustíveis fósseis atingiu uma média de US$ 71,8 bilhões ao ano. Entre 2013 e 2015 (período coberto pelo estudo) foram US$ 215,3 bilhões que favoreceram petróleo, gás e carvão. Quase dois anos depois do histórico Acordo de Paris, 50% de todas as finanças públicas do G20 para energia ainda são destinadas para produção de petróleo e gás.

“Nossa pesquisa mostra que o G20 não faz o que defende quando se trata da transição para energias limpas. Se os governos do G20 quiserem ser sérios na resistência à negação do clima de Trump e no cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris, eles precisam parar de apoiar a indústria de combustíveis fósseis com dinheiro público”, alertou Alex Doukas, Senior Campaigner da Oil Change International e um dos autores do relatório. “A melhor ciência do clima aponta para uma necessidade urgente de transição para a energia limpa, mas as finanças públicas dos governos do G20 nos arrastam na direção oposta. Nós devemos parar de financiar fósseis e mudar esses subsídios”.

O relatório detalha o apoio público aos projetos de energia das instituições de finanças públicas do G20, como agências de ajuda ao desenvolvimento no exterior e agências de crédito à exportação, além de bancos de desenvolvimento multilaterais. E conclui que apenas 15% desse financiamento energético apoia projetos de energia limpa, enquanto dezenas de bilhões de dólares são canalizados todos os anos para produtores de petróleo, gás e carvão.

A melhor ciência disponível indica que pelo menos 85% das reservas de combustíveis fósseis devem permanecer no solo para atender aos objetivos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. No entanto, dos US$ 71,8 bilhões em financiamento de combustíveis fósseis, US$ 13,5 bilhões são destinados a atividades que levam a fase de exploração para reservas ainda mais inseguras de petróleo, gás e carvão. Essas descobertas expõem uma contradição direta com os objetivos adotados no acordo climático de Paris por esses mesmos governos, o que exige especificamente que os países alinhem os fluxos financeiros com o desenvolvimento econômico de baixas emissões de gases de efeito estufa.

O relatório mostra que o financiamento público para combustíveis fósseis tem um efeito triplicado nos esforços para enfrentar as mudanças climáticas. Primeiro, ele atua como um “preço negativo do carbono” que ajuda a subsidiar e incentivar mais produção de combustíveis fósseis. Em segundo lugar, ajuda a gerar o bloqueio de alto carbono, tornando a transição para a energia limpa mais difícil e dispendiosa. Em terceiro lugar, essas finanças públicas tornam econômica a energia suja não econômica, permitindo projetos de “energia zumbi” que nunca mais conseguirão funcionar sem esse apoio.

“Os líderes do G20 podem gostar de falar sobre o clima, mas ao que parece é conversa fiada”, disse Kate DeAngelis, analista de política internacional da Friends of the Earth dos Estados Unidos. “Enquanto se elogiam mutuamente por investir em energia renovável em seus países, eles financiam projetos de bilhões de dólares de combustíveis fósseis poluidores nos países em desenvolvimento. O que os líderes do G20 destinam a empresas de combustíveis fósseis destrói a saúde das pessoas e do planeta. Os países do G20 devem comprometer-se a migrar do marrom para o verde de uma vez por todas “.

Intitulado “Conversa barata: como os governos do G20 estão financiando as catástrofes climáticas”, o relatório foi elaborado pela Oil Change International, Amigos da Terra dos EUA, Sierra Club e WWF European Policy Office e aprovado pela CAN-Europe, Urgewald (Alemanha), Re: Common (Itália), Legambiente (Itália), FOE-Japan, Kiko Network (Japão), JACSES (Japão) e KFEM (Coreia). Utilizando informações da base de dados de Oil Change International’s Shift the Subsidies, ele inova ao analisar o apoio proveniente de instituições de finanças públicas – as instituições controladas ou apoiadas por governos, como agências de crédito à exportação e instituições financeiras de desenvolvimento. Ele avalia especificamente a provisão de subsídios, eqüidade, empréstimos, garantias e seguros por parte de instituições estatais majoritárias para exploração e produção nacional e internacional de combustíveis fósseis. Desta forma, apresenta uma imagem detalhada das finanças públicas para toda energia – limpa, combustível fóssil ou outras.

“Quando os países do G20 se comprometeram com o Acordo de Paris, eles fizeram um pacto com o mundo de que tomariam medidas significativas para reduzir suas emissões de carbono em um esforço para evitar os piores efeitos da crise climática”, disse Nicole Ghio, representante sênior das campanhas do Sierra Club. “Mas, como sabemos agora, esses países estão falando uma coisa e fazendo outra. É inconcebível que qualquer país continue a desperdiçar fundos públicos em combustíveis fósseis quando fontes de energia limpas como o vento e a energia solar não estão apenas disponíveis, mas são mais rentáveis e saudáveis para famílias e comunidades em todo o mundo. Já está na hora das nações do G20 pararem de subsidiar os combustíveis fósseis de uma vez por todas”.

“O Acordo de Paris deve levar os formuladores de políticas a reorientar as finanças públicas em poupanças de energia e energia renovável sustentável, que realmente oferecem soluções efetivas para nossos futuros desafios energéticos”, disse Sebastien Godinot pelo WWF European Policy Office.

O relatório pode ser baixado em: Http://priceofoil.org/2017/07/05/g20-financing-climate-disaster

Fonte: Portal Porto Seguro Notícias

Frear aquecimento global afetaria 30% dos investimentos de petroleiras

Pesquisadores alertaram nesta quarta-feira que 30% dos investimentos planejados pelas principais empresas de petróleo e gás para a próxima década poderiam ser desperdiçados se a economia mundial se readaptar para limitar o aquecimento global a 2º C, conforme prevê o Acordo de Paris sobre o clima.

Projetos no valor de US$ 2,3 trilhões podem se tornar não lucrativos à medida que o setor energético se volta para as renováveis e se os preços dos combustíveis fósseis se estagnarem, de acordo com o relatório, que analisa os investimentos até 2025 de 69 companhias de petróleo e gás.

A companhia americana ExxonMobil é a mais exposta, visto que entre 40% e 50% dos seus investimentos são destinados a projetos suscetíveis de decepcionar os acionistas na perspectiva de um aquecimento global limitado a 2º C, concluíram os pesquisadores.

 Entre os seis gigantes do setor (ExxonMobil, Shell, Total, Chevron, Eni, BP), a britânica BP é a menos exposta, com um montante estimado de entre 20% e 30% de seus investimentos considerados desnecessários, e portanto arriscados para a empresa.

A Shell, Chevron, Total e Eni colocariam entre 30% e 40% dos seus gastos futuros em risco.

Segundo o relatório, um terço de todos os investimentos petrolíferos previstos no mundo deveriam ser abandonados, assim como dois terços dos projetos relativos ao gás na América do Norte.

No outro extremo da escala, 14 empresas – incluindo a gigante estatal Saudi Aramco – foram vistas como bem alinhadas com o cenário de 2º C.

“Este relatório é um divisor de águas para o futuro do envolvimento entre empresas e investidores”, disse Nathan Fabian, diretor de política e pesquisa do PRI, uma rede de investidores apoiada pela ONU que supervisiona US$ 62 trilhões em ativos.

“Os investidores em companhias de petróleo e gás estiveram no escuro em relação à sua exposição ao risco climático, e agora eles poderão enfrentar as empresas com informações precisas”, acrescentou.

O PRI produziu o relatório em colaboração com o Carbon Tracker, um think tank financeiro que avalia o impacto das mudanças climáticas nos mercados de capitais e no investimento.

Fonte: AFP 

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