Agricultores brasileiros agora querem fim da guerra comercial

Depois de lucrarem com a guerra comercial entre Estados Unidos e China no ano passado, os produtores brasileiros de soja agora torcem para uma trégua.

Os prêmios pagos pela soja nos portos brasileiros não compensam a rápida queda dos preços globais da oleaginosa, provocada pelo impasse das negociações entre as duas superpotências. Enquanto os prêmios pagos para embarques em julho no porto de Paranaguá subiram 20 centavos de dólar por bushel desde meados de abril, os contratos futuros para entrega em julho despencaram 80 centavos de dólar por bushel na Bolsa de Chicago.

“Neste momento a guerra comercial é ruim para o Brasil”, disse Daniele Siqueira, analista da AgRural. “Os agricultores brasileiros não podem mais torcer pela guerra comercial entre a China e os EUA.”

Trata-se de uma situação bem diferente da do ano passado, quando os prêmios no Brasil atingiram um recorde devido à guerra comercial.

Os preços no mercado brasileiro estão sendo afetados pelo enfraquecimento da demanda, disse Siqueira. As importações de soja da China devem cair 6 milhões de toneladas este ano, sob o impacto da febre suína africana. Na Argentina, onde a seca reduziu a produção em 2018, a safra de soja deve subir 45%. Ao mesmo tempo, os estoques nos EUA estão cheios.

“A gente precisava que essa briga tivesse terminado”, disse Endrigo Dalcin, produtor de soja no município de Nova Xavantina, em Mato Grosso. “Acredito que o fim da guerra comercial poderia trazer ânimo ao mercado brasileiro.” Um acordo poderia provocar uma reação nos preços em Chicago e, como consequência, uma alta nos valores oferecidos aos agricultores brasileiros.

Enquanto espera melhores preços para vender os 40% da produção deste ano que ainda não foram comercializados, Dalcin diz que as incertezas envolvendo o mercado de soja dificultam os preparativos para a próxima safra, cujo plantio começa em setembro.

“Estou assustado com o planejamento da próxima safra. Os custos estão subindo, e os preços caindo”, disse. “Como podemos tomar decisões com tantas incertezas?”

Fonte: Brasil Agro

Oferta farta reduz espaço para alta do preço da soja

Um eventual acordo entre Estados Unidos e China para encerrar suas disputas comerciais não será suficiente para abrir espaço para altas expressivas dos preços internacionais da soja nos próximos meses. Isso porque, como lembram analistas, não há armistício que possa se sobrepor à lei da oferta e da demanda. Enquanto a oferta conjunta de Brasil e EUA, que lideram as exportações mundiais do grão, é ampla, a demanda da China, que responde por 60% das importações, arrefeceu diante de um crescimento menor de sua economia e dos problemas causados pela peste suína africana.

A última janela de onde ainda se vislumbrava uma possível valorização relevante aos poucos está se fechando. Por causa de inundações em regiões produtoras de grãos do Meio-Oeste americano, as estimativas de redução da área plantada no país na safra 2019/20, em decorrência dos preços pouco atraentes na bolsa de Chicago, começam a ser revistas. Na semana passada, a consultoria AgriCensus ainda apontava para uma redução de 1,2 milhão de hectares em relação à temporada 2018/19, para 34,9 milhões, em detrimento do plantio de milho, cuja área foi projetada em 37 milhões de hectares, um aumento de 890 mil. Ocorre que o milho é plantado antes da soja nos EUA e as inundações tendem a limitar essa migração.

Se essa expectativa se confirmar, o copo, que já está cheio, poderá transbordar. No mercado, estima-se que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontará, em relatório que será divulgado na sexta-feira, que os estoques americanos de soja estavam com 73,1 milhões de toneladas de soja no início deste mês, 15,7 milhões de toneladas a mais que em 1º de março de 2018. Esse volume se somará ao atual forte ritmo de vendas de Brasil e Argentina – que ontem derrubou as cotações em Chicago, mas que também tende a arrefecer diante do enfraquecimento da demanda chinesa.

O USDA calcula que nesta temporada internacional 2018/19, que terminará em agosto, a oferta total de soja no mundo, somando-se estoques iniciais e produção, alcançará 458,6 milhões de toneladas, ante uma demanda de 348,5 milhões. Dessa forma, os estoques finais no ciclo deverão chegar a 107,2 milhões de toneladas, quase 10 milhões a mais que no fim do ciclo 2017/18.

Diante dessa enxurrada, no Brasil, a Abiove, que representa as indústrias exportadoras, projeta que os embarques do grão ficarão em 70,1 milhões de toneladas em 2019, quase 13 milhões a menos que no ano passado. Na mesma comparação, calcula a entidade, a receita das vendas recuará 20%, para US$ 33,2 bilhões. O cenário já se reflete nos prêmios pagos pela soja do país. Esses explodiram nos primeiros meses das disputas de Pequim e Washington e compensaram as quedas das cotações em Chicago – que acusa sobretudo a realidade dos EUA -, mas já voltaram a níveis considerados normais.

20190328 SojaPrecoChicago GRAFICO

“Os contratos de soja não vão chegar a US$ 10 o bushel [27,2 quilos] apenas com um acordo comercial entre EUA e China. Há ainda uma oferta muito grande”, afirma Luiz Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. Ontem, com a queda observada, os futuros de segunda posição de entrega do grão fecharam a US$ 9,01 o bushel, com quedas de 1% neste mês e de 12,6% nos últimos 12 meses, de acordo com cálculos do Valor Data.

No que depender dos mais recentes movimentos dos fundos especulativos que atuam nesse mercado, novas quedas estão por vir. Segundo o relatório divulgado na sexta-feira pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), no dia 19 os investidores institucionais detinham uma posição líquida de venda de 63.992 contratos. O número corresponde à diferença entre o número de posições compradas (com as quais os fundos tentam lucrar com a alta dos preços) e o de posições vendidas (com os quais tentam ganhar com a queda). No fim de 2018, o saldo líquido vendido era de 18.136 contratos.

“Essas apostas indicam que os fundos não acreditam numa retomada concreta de compras da China”, diz Roque. “E mais da metade dos contratos negociados em Chicago estão nas mãos dos fundos, o que indica que dificilmente a soja subirá expressivamente”. O analista avalia que, em caso de acordo entre as potências, o grão pode chegar aos US$ 9,50 por bushel, mas dificilmente a escalada superará muito esse platô.

A China não ajuda a tornar o cenário menos baixista. Com o surto de peste suína africana – que eleva a demanda por carne, mas reduz as compras de soja para a produção de ração – e a desaceleração da economia, o país asiático importou 11,8 milhões de toneladas do grão no primeiro bimestre do ano, queda de 14,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Em 2018/19, projeta o USDA, as importações chinesas ficarão em 88 milhões de toneladas, 6,5% menos que na safra passada.

Conforme Steve Bruce, analista da Walsh Trading sediada em Chicago, o mundo está diante de uma oferta confortável de soja e de proteína animal. “Do lado micro, isso ajuda a explicar a posição vendida dos fundos. Mas ele ressalva que esses fundos estão suscetíveis a um rally de preços, já que estão em nível “vendido o suficiente”. Mas não significaria muito mais que um alento para as cotações. Noves fora, concordam os analistas, é bom não esperar muito da visita da delegação americana à Pequim, no fim desta semana, nem da delegação chinesa que desembarcará em Washington na semana que vem. Se a soja disparar em razão de um acordo, será um voo de galinha.

Fonte: BiodieselBR

Exportação de soja do Brasil inicia ano com média diária 70,6% maior, diz Secex

SÃO PAULO (Reuters) – A média diária de exportações de soja do Brasil na primeira semana do ano foi 70,6 por cento maior na comparação com o registrado em todo o janeiro de 2017, informou nesta segunda-feira a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os embarques ainda firmes de oleaginosa brasileira ocorrem após o país ter vendido um recorde de quase 84 milhões de toneladas de soja em 2018, na esteira de um forte apetite da China em meio à guerra comercial com os Estados Unidos.

Conforme a Secex, até a primeira semana de janeiro, o que compreende apenas três dias úteis, foram exportadas 121,3 mil toneladas de soja por dia, totalizando 363,9 mil toneladas. Há um ano, a média diária de embarques foi de 71,1 mil toneladas.

Em dezembro, contudo, o Brasil exportou mais, com cerca de 211,6 mil toneladas de soja por dia, ainda de acordo com os dados da secretaria.

A expectativa é de que esses negócios aumentem a partir de agora, tendo em vista que já há áreas com colheita de soja.

No caso do milho, houve incremento de 57,3 por cento na comparação anual, para uma média diária de 216,1 mil toneladas até a primeira semana de janeiro. Segundo a Secex, o total enviado ao exterior foi de 648,3 mil toneladas do cereal.

Em dezembro, o Brasil embarcou 200,7 mil toneladas de milho ao dia.

Fonte: R7

País vê sinais positivos em trégua entre EUA e China

Guerra comercial começou quando Trump decidiu sobretaxar produtos vendidos nos EUA. Neste fim de semana, governo americano suspendeu por 3 meses a sobretaxa para produtos chineses.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Abrão Neto, avaliou nesta segunda-feira (3) que há “sinais positivos” na trégua entre os Estados Unidos e a China.

A guerra comercial entre os dois países começou quando o presidente americano, Donald Trump, decidiu sobretaxar produtos vendidos nos Estados Unidos, incluindo os chineses.

Neste sábado (1º), Trump anunciou a suspensão do plano de subir de 10% para 25% as tarifas americanas a produtos chineses. A suspensão vale enquanto os Estados Unidos negociam com a China “mudanças estruturais” na política econômica.

Trump também anunciou que a China aceitou reduzir e eliminar as tarifas dos automóveis importados dos Estados Unidos. Os mercados acionários reagiram positivamente aos anúncios.

De acordo com o secretário de Comércio Exterior do MDIC, apesar dos sinais positivos, ainda não há um “retorno ao estado anterior”.

“Foi divulgado um congelamento no avanço da escalada de tensão comercial, só isso já é um sinal positivo. Obviamente, há muitos capítulos dessa conversa comercial e esperamos que eles conduzam a um cenário mais previsível no comércio internacional”, declarou.

Segundo Abrão Neto, do MDIC, essa pausa na guerra comercial é “boa no contexto em que pode vislumbrar um desfecho positivo” para as tratativas. Ele observou que, no curto prazo, o Brasil acabou tendo ganhos nas exportações de soja para a economia chinesa.

Fonte: G1

China quase dobra importações de soja do Brasil em outubro por disputa com EUA

Chineses geralmente compram a maior parte de sua soja dos EUA no 4º trimestre, mas tarifa de 25% mudou resultado deste ano; exportações brasileiras estão atipicamente fortes

As importações chinesas de soja do Brasil quase dobraram em outubro em relação ao ano anterior, mostraram dados da alfândega nesta segunda-feira (26), enquanto os compradores buscaram o produto por preocupações com escassez em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos, um importante fornecedor.

A China normalmente compra a maior parte de sua soja dos Estados Unidos no quarto trimestre, quando os embarques norte-americanos dominam o mercado após a colheita dos EUA e as safras brasileiras ainda estão se desenvolvendo.

Os importadores chineses agora estão evitando a soja norte-americana, no entanto, devido a preocupações após a tarifa de 25% que Pequim impôs aos grãos norte-americanos em 6 de julho, em resposta às taxas norte-americanas sobre produtos chineses.

A China importou 6,53 milhões de toneladas de soja brasileira em outubro, ante 3,38 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Administração Geral das Alfândegas.

O volume, 94% das importações totais da China de 6,92 milhões de toneladas para outubro, caiu em relação aos 7,59 milhões de toneladas de setembro, com as compras diminuindo devido aos grandes estoques.

De outro lado, as exportações brasileiras estão atipicamente fortes para esta época, e os embarques totais do Brasil deverão superar 80 milhões de toneladas em um ano pela primeira vez na história.

As importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram para apenas 66,9 mil toneladas, ante 1,33 milhão de toneladas um ano antes.

As grandes compras pela China do produto brasileiro nos últimos meses levaram a enormes estoques de soja e farelo de soja, que aliviaram as preocupações com a escassez para a indústria de rações no país, dono do maior rebanho de suínos do mundo.

Os estoques nacionais de soja alcançaram um recorde no início de outubro em 9 milhões de toneladas, enquanto os estoques de farelo de soja também foram maiores do que em anos anteriores.

As importações de soja da Rússia em outubro foram de 92,8 mil toneladas, alta de 60% ante um ano antes, segundo cálculos da Reuters.

E a China trouxe 127,6 mil toneladas de soja do Uruguai em outubro, abaixo das 258,8 mil toneladas do ano anterior.

As importações de soja da Argentina em outubro foram de 33,2 mil toneladas, abaixo das 772,7 mil toneladas no mesmo mês do ano passado.

Fonte: G1

Guerra comercial converte mercado mundial de soja em carrossel

A guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, com a China está transformando o mercado global da soja em um carrossel.

Como as exportações brasileiras estão diminuindo nesta época do ano, os traders estão tendo que ser criativos para abastecer o maior comprador do mundo. Uma estratégia é levar a soja americana para a Argentina e enviar a produção do país sul-americano para a China, evitando assim a tarifa de 25 por cento que o país asiático deve pagar pelo produto americano.

Três navios estão programados para carregar soja argentina com destino à China depois que uma remessa partiu no início deste mês, segundo dados da Agencia Marítima Nabsa. Embora a Argentina normalmente envie parte de sua produção para a China, os traders não esperavam nenhuma exportação nesta época do ano por causa de uma seca que reduziu as colheitas.

“A Argentina está comprando grãos dos EUA para o mercado doméstico e exportando sua própria produção para a China”, disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities da corretora de futuros e opções INTL FCStone, por telefone.

Os navios Rosco Banyan, Sunshine Bliss e Seacon 9 deverão carregar um total de 167.740 toneladas de soja argentina de 23 de setembro a 1º de outubro, segundo dados da Nabsa. Um navio partiu no início deste mês transportando 36.119 toneladas de soja argentina e um pouco da oferta uruguaia.

A Argentina normalmente produz mais soja do que a que consome, deixando de 8 milhões a 9 milhões de toneladas para os mercados de exportação. Mas neste ano uma seca reduziu a produção em 31 por cento, obrigando as esmagadoras do país a importar. Os traders dos EUA venderam 840.000 toneladas de soja para a Argentina na semana encerrada em 13 de setembro, contra zero no mesmo período do ano passado, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Há uma “boa margem” para importar soja dos EUA para esmagar na Argentina, disse Ammermann.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), do Brasil, afirmou no início deste ano que o país poderia acabar importando até 1 milhão de toneladas de soja dos EUA como resultado da guerra comercial.

Fonte: Bloomberg

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721