G20: Líderes dos Brics afirmam estar comprometidos com os objetivos do Acordo de Paris

Em nota conjunta divulgada na última sexta-feira (28), durante reunião das maiores economias do mundo, líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul mantiveram compromisso com as metas estabelecidas no pacto, que visam a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC

Líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os chamados Brics, divulgaram, nesta sexta-feira (28), uma nota conjunta na qual se comprometem a implementar medidas para atingir as metas estabelecidas no Acordo de Paris, que visam a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC.

O anúncio foi feito durante o encontro do G20, no Japão, que reúne as maiores economias do mundo.

No documento, os países afirmam estar “comprometidos com a plena implementação do Acordo de Paris, incluindo os princípios das responsabilidades comuns mas diferenciadas, à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Os líderes reconhecem, ainda, a “importância de fontes variadas de energia e avanços tecnológicos para alcançar um futuro de baixa emissão [de gases estufa], como energia solar, bioenergia sustentável e gás natural no transporte”.

Dizem, também, reafirmar o comprometimento com o desenvolvimento sustentável e pedem aos países desenvolvidos que forneçam apoio financeiro e tecnológico para auxiliar países em desenvolvimento a se adaptarem e mitigarem os efeitos das mudanças climáticas.

O Acordo de Paris, assinado em 2015, reiterou o combinado de que os países ricos deveriam garantir um financiamento de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 382 bilhões) por ano, até 2020, para atender às necessidades dos países em desenvolvimento relacionadas às adaptações climáticas.

Formalização

Encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente francês Emmanuel Macron — Foto: TV Globo

Encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente francês Emmanuel Macron — Foto: TV Globo

A nota divulgada nesta sexta (28) ratifica a sinalização que o presidente Jair Bolsonaro deu ao líder francês, Emmanuel Macron, de que o Brasil permaneceria no Acordo de Paris.

Na quinta-feira (27), Macron havia dito que não assinaria nenhum acordo comercial com o Brasil se o país se retirasse do acordo climático, ameaçando colocar um entrave nos trabalhos das negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul.

Durante a campanha eleitoral, no ano passado, Bolsonaro havia dito que, se eleito, poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris. Em janeiro, o presidente afirmou que, por ora, o Brasil não iria deixar o acordo climático.

Confira outros pontos da declaração conjunta dos líderes dos Brics:

Líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul divulgaram, nesta sexta-feira (28), nota conjunta na qual se comprometem com os objetivos do Acordo de Paris, durante reunião do G20 no Japão. — Foto: Mikhail Klimentyev/AP

Líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul divulgaram, nesta sexta-feira (28), nota conjunta na qual se comprometem com os objetivos do Acordo de Paris, durante reunião do G20 no Japão. — Foto: Mikhail Klimentyev/AP

  • Os líderes se comprometem com um comércio internacional transparente, não discriminatório, aberto, livre e inclusivo;
  • Condenam os ataques terroristas, inclusive contra os países dos Brics, em todas as formas e manifestações, onde quer que sejam ou por quem quer que sejam cometidos;
  • Os países permanecem comprometidos com o combate à corrupçãoreconhecem que ela é um desafio global que pode afetar de forma negativa o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

Por fim, elogiam o Brasil por “identificar o crescimento econômico para um futuro inovador” como o tema do ano de 2019, período em que o país é o líder temporário do grupo. O próximo encontro dos Brics será em novembro, em Brasília.

Fonte: G1

Metas do Acordo de Paris estimulam investimento em desenvolvimento sustentável

Uma das prioridades do Brasil, avanços serão discutidos durante a cúpula do G20, na Argentina

Os avanços no cumprimento das metas do Acordo de Paris serão levadas para discussão pelo presidente da República, Michel Temer, para discussão na 14ª Cúpula do G20, marcada para sexta (30) e sábado (1º/12). Para o Brasil, as regras previstas estimulam o investimento no desenvolvimento sustentável.

Entre os temas previstos para discussão, estão mudança no clima e formas para garantir a alimentação da população. “Nada do que foi previsto nas metas brasileiras interrompe o desenvolvimento econômico. É um estímulo para construção de uma agenda de investimento em atividade de desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário de Mudanças no Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes.

Redução de gases

De acordo com o secretário, as metas do Brasil foram construídas em um amplo processo de discussão entre o setor privado, o governo e a comunidade acadêmica. Elas se tornaram oficiais após passarem por promulgação presidencial em julho de 2017.

No Acordo de Paris, o País se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. Para 2030, a previsão é a diminuição em 43%. Entre 2016 e 2017, o Brasil reduziu 2,6 bilhões de toneladas de carbono, o que antecipa em três anos o cumprimento de sua meta para 2020 em relação à Amazônia e ao Cerrado.

Também aceitou aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, além de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.

Nas energias renováveis, a previsão é que o Brasil alcance uma participação estimada de 45% na composição da matriz energética em 2030.

Economia

Sancionada pelo presidente da República em dezembro de 2017, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) contribui para o cumprimento das metas brasileiras assumidas no Acordo de Paris e incentiva a produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e biogás, além de garantir a redução da emissão de gases do efeito estufa e a eficiência energética.

Segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, o Brasil já tem cerca de 45% de toda demanda de gasolina no Brasil atendida pelo etanol. “Isso não tem precedente em lugar nenhum do mundo”, disse Thiago Mendes.

Preservação

A implantação do Código Florestal e do Cadastro Ambiental Rural também é referência mundial. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, são mais de 6 milhões de propriedades cadastradas que preservam mais de 100 milhões de florestas nativas no Brasil.

Além disso, o Brasil tem investido em novas fontes de energia e faz parte da Plataforma para o Biofuturo, que abrange alguns dos países mais relevantes para mercados e inovação em biocombustíveis avançados e biomateriais.

Fonte: Planalto, com informações do MMA 

Coalizão global de empresas cobra ação acelerada do G20 sobre o clima

Países do bloco econômico representam 74% das emissões globais de CO2

Dois anos depois da adoção do Acordo de Paris, uma aliança de 54 empresas globais de todos os continentes e de diversos segmentos industriais, demandou, por meio de uma declaração conjunta divulgada nesta segunda-feira (15/01), que os líderes do G20 implementem uma ambiciosa ação em relação ao clima como base para o sucesso econômico futuro.

O documento é destinado, particularmente, aos líderes dos 20 países mais industrializados do mundo, que representam 74% das emissões globais de gases do efeito estufa. O objetivo é que o G20 venha a se tornar um fórum de elaboração de medidas concretas em longo prazo para acelerar a ‘descarbonização’ global, ao mesmo tempo em que convida outras nações a unir esforços.

As medidas incluem uma eliminação progressiva dos subsídios para os combustíveis fósseis até 2025, preço adequado para o carbono e clareza sobre os riscos financeiros relacionados ao clima.

Na declaração, que tem a Natura como representante brasileira, as empresas exigem ainda condições de atuação que lancem as bases para um caminho que limite o aumento da temperatura global em bem menos do que 2°C e permita-lhes contribuir ativamente para a implementação do Acordo de Paris.

Inovação e empreendedorismo
A aliança argumenta que um desenvolvimento com baixo teor de carbono assegurará empregos e prosperidade, iniciando uma nova onda de inovação e empreendedorismo. As empresas que compõem a declaração representam mais de 1,9 milhão de funcionários em todo o mundo e receita total de mais de 676 bilhões de euros, o equivalente a um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) da França e mais de duas vezes do PIB da Dinamarca.

Ao mesmo tempo, as empresas signatárias reafirmam o compromisso de abordar de forma proativa as mudanças climáticas em suas próprias atividades e políticas, além de levar em consideração diretrizes que apoiem ações sobre o clima em nível comercial, como precificação interna do carbono, a implementação de Forças-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês) em seus próprios relatórios, bem como implementação de metas a partir de indicadores científicos.

Práticas sustentáveis
“A Natura reforça o seu compromisso com o clima e trabalha por meio de práticas sustentáveis em sua cadeia produtiva para diminuir o efeito das mudanças climáticas. Há mais de dez anos é uma empresa carbono neutro, com redução de um terço das suas emissões entre 2007 e 2013, e compromisso de redução em mais um terço até 2020. Estamos certos que a união de vários países e empresas é o caminho para alcançar uma economia de baixo carbono”, afirma João Paulo Ferreira, presidente da empresa de cosméticos.

As empresas que assinam a declaração endereçada ao G20 são as seguintes: Acciona, Adidas, AIDA Cruises, Allianz, Arcadis, Innovations Avant Garde, Bausparkasse Schwäbisch Hall, Capricorn Investment Group, DAIKIN Ar condicionado Alemanha, Deutsche ROCKWOOL, Diageo, DSM, Econet Group, Energetica, EPSON Europa, Fórmula E, Gegenbauer Holding, Groupe ADP, H & M, Hangzhou Minsheng Pharm, Grupo IBA, IBERDROLA, Interface, Jiahe Agricultural Stockbreeding, Kering, LafargeHolcim, LeasePlan, Marks & Spencer, MICHELIN, Natura Cosméticos, Grupo Otto, Outokumpu, Philips, Philip Morris International, PUMA, Qingdao Double Whale Pharmaceutical, RTE, Saint-Gobain, Salesforce, Schneider Electric, Schüco International, Shandong Zhongcheng Feed Technology, Shenzhen Ausa Pharmed, Simble Solutions Ltd, Solvay, South Pole Group, Sun Daily Farm, UC Rusal, Unilever, Venture Garden Group, Virgin Group, Woolworths, Wuhan Dangdai Ciência e Tecnologia Indústrias, Yukou Poultry.

Fonte: Correio do Povo

Argentina deve defender exportações agrícolas e América Latina em presidência do G20

BUENOS AIRES (Reuters) – A Argentina vai usar seu papel de primeiro país sul-americano a comandar o G20, que reúne as principais economias do mundo, para combater o protecionismo, uma vez que a região exportadora de produtos agrícolas busca assegurar acesso de mercado para seus bens, disseram autoridades nesta quinta-feira.

Tanto a Argentina quanto Brasil, também do G20, transicionaram para governos amigáveis ao mercado nos últimos anos. O presidente Mauricio Macri assumiu a Presidência da Argentina como uma chance de marcar a ascensão do país como um “lugar importante” no mundo e para impulsionar o perfil da América Latina.

“Nós vamos colocar no centro do G20 as aspirações e preocupações da região em desenvolvimento, que é entusiasmada por novas oportunidades”, disse Macri durante um evento na capital Buenos Aires ao inaugurar formalmente a presidência da Argentina no G20.

A defesa veemente da globalização ocorre no momento em que a Presidência de Donald Trump nos Estados Unidos e a iminente saída do Reino Unido da União Europeia levantam questões sobre o comprometimento de grandes economias ao livre comércio.

Medidas protecionistas em países mais desenvolvidos poderiam ameaçar o sucesso de agendas pró-comércio em países sul-americanos cujas economias dependem de exportações agrícolas.

O bloco comercial Mercosul, que engloba Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, está enfrentando resistência de produtores europeus, uma vez que busca impulsionar as exportações de carne bovina como parte de um acordo com a UE que espera selar até o fim do ano.

Mais cedo neste ano, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre importações de biodiesel da Argentina, um de seus maiores produtos agrícolas de exportação.

“O G20 é um lugar ideal para continuar reafirmando os benefícios de laços comerciais melhores, especialmente para países como Argentina que querem exportar seus produtos agrícolas”, disse o ministro do Tesouro, Nicolas Dujovne, durante coletiva de imprensa após o discurso de Macri.

Fonte: Reuters

Em documento final, G20 isola EUA ao afirmar que Acordo de Paris é irreversível

O acordo foi assinado a ocasião pelo ex-presidente Barack Obama, mas, em junho

Reunidos em Hamburgo, na Alemanha, para discutir os principais desafios econômicos globais, os representantes políticos das 20 maiores economias mundiais (G20) reafirmaram, no documento final da cúpula, a determinação de enfrentar conjuntamente questões como a pobreza, o terrorismo, o deslocamento forçado de populações, o desemprego, a desigualdade de gênero e as mudanças climáticas.

Ao abordar a questão ambiental, no entanto, o comunicado final do encontro deixou evidente a divergência entre os Estados Unidos e os demais membros do G20, com críticas à saída dos norte-americanos do Acordo de Paris, firmado em 2015 durante a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21) com compromissos globais de enfrentamento às mudanças climáticas.

O acordo foi assinado a ocasião pelo ex-presidente Barack Obama, mas, em junho, o atual mandatário, Donald Trump, decidiu retirar o apoio dos Estados Unidos à iniciativa.

“Os líderes dos outros membros do G20 afirmam que o Acordo de Paris é irreversível e reiteram a importância de que sejam cumpridos os termos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima”, diz o documento, em nome dos demais 19 países do grupo. O texto também destaca a importância das potências econômicas ajudarem financeiramente os países mais pobres a implementarem ações que os ajudem a se desenvolver economicamente preservando ao máximo o meio ambiente.

Segundo a agência de notícias alemã DPA, a menção de reconhecimento à intenção dos Estados Unidos de, mesmo se retirando do Acordo de Paris, ajudar outros países “na utilização de combustíveis fósseis mais limpos e eficientes” gerou controvérsia e só foi incluída no documento final para agradar a delegação norte-americana.

Terrorismo

Os líderes do G20 também divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques terroristas e o financiamento destes “atos abomináveis que reforçam nossa determinação de cooperar para melhorar nossa segurança e para protegermos nossos cidadãos”. No texto, os países defendem a eliminação dos “refúgios terroristas” de todos os países, mas destacam a importância do respeito ao direito internacional, incluindo os direitos humanos.

“Clamamos pela implementação dos compromissos internacionais existentes em matéria de combate ao terrorismo e o cumprimento de resoluções relevantes e sanções específicas do Conselho de Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]. Comprometemo-nos a continuar a apoiar os esforços da ONU para prevenir e combater o terrorismo e trataremos da ameaça crescente associada aos combatentes terroristas estrangeiros que retornam de zonas de conflito, como o Iraque e a Síria, e continuaremos empenhados em impedir que esses combatentes estabeleçam ponto de apoio em outros países e regiões ao redor do mundo”, apontam os líderes do G20 na declaração.

Os países também se comprometem, segundo a declaração, a facilitar a troca de informações entre os serviços de inteligência nacionais e a fortalecer a cooperação internacional a fim de detectar a movimentação de suspeitos de terrorismo, entre outras medidas de segurança.

Fonte: Agência Brasil

Debate climático domina G20 e faz de Trump antagonista na cúpula

Quando se reunirem na cidade alemã de Hamburgo nessa sexta (7), na cúpula do G20, líderes das principais economias do mundo vão discutir outra cidade: Paris.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na capital francesa por 195 partes, deve dominar os debates do fórum global. Enfraquecido pela crise política, o Brasil não será um dos protagonistas.

Confira mais sobre o tema aqui.

Fonte: Folha de S.Paulo

Países do G20 destinam quatro vezes mais recursos públicos para combustíveis poluidores do que para energias limpas

“Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” parece ser o lema dos países do G20, que terão um encontro de cúpula no final desta semana em Hamburgo, na Alemanha. Um relatório divulgado hoje revela que todos os anos as 20 maiores economias do planeta destinam quase quatro vezes mais recursos financeiros públicos para combustíveis fósseis do que para energia limpa. No total, o financiamento público dos países do G20 para combustíveis fósseis atingiu uma média de US$ 71,8 bilhões ao ano. Entre 2013 e 2015 (período coberto pelo estudo) foram US$ 215,3 bilhões que favoreceram petróleo, gás e carvão. Quase dois anos depois do histórico Acordo de Paris, 50% de todas as finanças públicas do G20 para energia ainda são destinadas para produção de petróleo e gás.

“Nossa pesquisa mostra que o G20 não faz o que defende quando se trata da transição para energias limpas. Se os governos do G20 quiserem ser sérios na resistência à negação do clima de Trump e no cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris, eles precisam parar de apoiar a indústria de combustíveis fósseis com dinheiro público”, alertou Alex Doukas, Senior Campaigner da Oil Change International e um dos autores do relatório. “A melhor ciência do clima aponta para uma necessidade urgente de transição para a energia limpa, mas as finanças públicas dos governos do G20 nos arrastam na direção oposta. Nós devemos parar de financiar fósseis e mudar esses subsídios”.

O relatório detalha o apoio público aos projetos de energia das instituições de finanças públicas do G20, como agências de ajuda ao desenvolvimento no exterior e agências de crédito à exportação, além de bancos de desenvolvimento multilaterais. E conclui que apenas 15% desse financiamento energético apoia projetos de energia limpa, enquanto dezenas de bilhões de dólares são canalizados todos os anos para produtores de petróleo, gás e carvão.

A melhor ciência disponível indica que pelo menos 85% das reservas de combustíveis fósseis devem permanecer no solo para atender aos objetivos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. No entanto, dos US$ 71,8 bilhões em financiamento de combustíveis fósseis, US$ 13,5 bilhões são destinados a atividades que levam a fase de exploração para reservas ainda mais inseguras de petróleo, gás e carvão. Essas descobertas expõem uma contradição direta com os objetivos adotados no acordo climático de Paris por esses mesmos governos, o que exige especificamente que os países alinhem os fluxos financeiros com o desenvolvimento econômico de baixas emissões de gases de efeito estufa.

O relatório mostra que o financiamento público para combustíveis fósseis tem um efeito triplicado nos esforços para enfrentar as mudanças climáticas. Primeiro, ele atua como um “preço negativo do carbono” que ajuda a subsidiar e incentivar mais produção de combustíveis fósseis. Em segundo lugar, ajuda a gerar o bloqueio de alto carbono, tornando a transição para a energia limpa mais difícil e dispendiosa. Em terceiro lugar, essas finanças públicas tornam econômica a energia suja não econômica, permitindo projetos de “energia zumbi” que nunca mais conseguirão funcionar sem esse apoio.

“Os líderes do G20 podem gostar de falar sobre o clima, mas ao que parece é conversa fiada”, disse Kate DeAngelis, analista de política internacional da Friends of the Earth dos Estados Unidos. “Enquanto se elogiam mutuamente por investir em energia renovável em seus países, eles financiam projetos de bilhões de dólares de combustíveis fósseis poluidores nos países em desenvolvimento. O que os líderes do G20 destinam a empresas de combustíveis fósseis destrói a saúde das pessoas e do planeta. Os países do G20 devem comprometer-se a migrar do marrom para o verde de uma vez por todas “.

Intitulado “Conversa barata: como os governos do G20 estão financiando as catástrofes climáticas”, o relatório foi elaborado pela Oil Change International, Amigos da Terra dos EUA, Sierra Club e WWF European Policy Office e aprovado pela CAN-Europe, Urgewald (Alemanha), Re: Common (Itália), Legambiente (Itália), FOE-Japan, Kiko Network (Japão), JACSES (Japão) e KFEM (Coreia). Utilizando informações da base de dados de Oil Change International’s Shift the Subsidies, ele inova ao analisar o apoio proveniente de instituições de finanças públicas – as instituições controladas ou apoiadas por governos, como agências de crédito à exportação e instituições financeiras de desenvolvimento. Ele avalia especificamente a provisão de subsídios, eqüidade, empréstimos, garantias e seguros por parte de instituições estatais majoritárias para exploração e produção nacional e internacional de combustíveis fósseis. Desta forma, apresenta uma imagem detalhada das finanças públicas para toda energia – limpa, combustível fóssil ou outras.

“Quando os países do G20 se comprometeram com o Acordo de Paris, eles fizeram um pacto com o mundo de que tomariam medidas significativas para reduzir suas emissões de carbono em um esforço para evitar os piores efeitos da crise climática”, disse Nicole Ghio, representante sênior das campanhas do Sierra Club. “Mas, como sabemos agora, esses países estão falando uma coisa e fazendo outra. É inconcebível que qualquer país continue a desperdiçar fundos públicos em combustíveis fósseis quando fontes de energia limpas como o vento e a energia solar não estão apenas disponíveis, mas são mais rentáveis e saudáveis para famílias e comunidades em todo o mundo. Já está na hora das nações do G20 pararem de subsidiar os combustíveis fósseis de uma vez por todas”.

“O Acordo de Paris deve levar os formuladores de políticas a reorientar as finanças públicas em poupanças de energia e energia renovável sustentável, que realmente oferecem soluções efetivas para nossos futuros desafios energéticos”, disse Sebastien Godinot pelo WWF European Policy Office.

O relatório pode ser baixado em: Http://priceofoil.org/2017/07/05/g20-financing-climate-disaster

Fonte: Portal Porto Seguro Notícias

Brasil lidera G20 na redução de emissões de gases de efeitos estufa per capita

Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que estabeleceu um limite absoluto de emissões

O Brasil é um dos líderes na classificação dos países do G20 que menos emitem gases de efeito estufa per capita, tanto quanto às emissões atuais quanto à tendência de redução destas, e, também, em relação ao benchmark “bem abaixo de 2°C”. Apesar de se classificar entre os países que têm um consumo médio de energia per capita, sua quota de energia renovável é, de longe, a mais alta do G20 (38%).

A atratividade do investimento em energias renováveis no país se classifica como média no G20. É certo que a recessão econômica e a instabilidade política levaram a um declínio acentuado na demanda de energia, o que causou o cancelamento do leilão de energia A-3 e do leilão solar de dezembro de 2016. Mas o fim do financiamento de termelétricas a óleo e a carvão anunciado pelo BNDES afetará os investimentos futuros nestas tecnologias sujas.

Estas são algumas das conclusões do relatório Brown to Green elaborado pela parceria internacional Climate Transparency e lançado hoje. O relatório oferece a mais abrangente e concisa análise da performance de transição para uma economia de baixas emissões dos países do G20. Ele classifica as performances dos países do G20 quanto às suas reduções de emissão, políticas públicas climáticas, financiamento e descarbonização.

Especialistas brasileiros reconhecem a boa evolução das políticas brasileiras para o setor energético, mas apontam que a eficiência energética precisa de metas mais ambiciosas. Ainda falta um plano para eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis e um sinal efetivo para o preço do carbono. Os subsídios aos combustíveis fósseis dados pelo país em 2014 totalizaram US$ 27 bilhões, um dos níveis mais altos dentro do G20. O financiamento de projetos de combustíveis fósseis feitos por meio de instituições públicas foi, em média, de US$ 3 bilhões por ano em 2013 e em 2014.

William Wills, do CentroClima da COPPE/UFRJ , diz que “o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que estabeleceu um limite absoluto de emissões e mostrou um forte compromisso de combate à mudança climática. Nosso desafio agora é parar o desmatamento e reduzir ainda mais as emissões. Precisamos, no entanto, de um compromisso dos países industrializados quanto a intensificar o financiamento à ação climática e quanto a fortalecer seus próprios compromissos”.

“As economias do G20 estão ficando mais eficientes – estão começando a se descarbonizar, mais ainda não o suficiente para alcançar os objetivos do Acordo de Paris”, diz Alvaro Umaña, Co-Chair da Climate Transparency e ex-ministro de meio ambiente da Costa Rica.

Fonte: Setor Energético

Depois de Bonn, a luta contra as mudanças climáticas é travada a nível diplomático

Com o fim das negociações de Bonn, os defensores do clima apostam na diplomacia e, em primeiro lugar, no G7 para resolver a questão dos Estados Unidos, que ameaça a luta contra o aquecimento global.

Durante dez dias, os negociadores de 196 países se reuniram na sede da Convenção da ONU para as Mudanças Climáticas para discutir como implementar o Acordo de Paris. Uma tarefa difícil, considerando que o segundo país em emissões de gases de efeito estufa, os Estados Unidos, ameaça abandonar o processo.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu durante sua campanha que iria retirar seu país do pacto global adotado no final de 2015 para desacelerar um aquecimento global sem precedentes. Desde então hesitante, anunciou finalmente que não iria se pronunciar antes da sua primeira reunião do G7, a ser realizada na Sicília, em 26 e 27 de maio.

Mais do que em Bonn, “é nas cúpulas que o impulso político se traduz”, afirma David Levaï, do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável (IDDRI). “O G7 será o indicativo das novas parcerias”.

“Se Donald Trump não vê de forma clara as implicações de suas decisões, então cabe aos outros líderes do G7 se certificar de que ele compreenderá”, argumenta Mohamed Adow, responsável pelo clima da ONG Christian Aid.

Canadá, Alemanha e França são considerados pilares essenciais. No entanto, não há garantias que esta questão será incluída na declaração final.

E então virá o G20, em julho, em Hamburgo.

“Trabalhamos duro com muitos amigos em todo o mundo para convencer os Estados Unidos de permanecerem no Acordo de Paris”, afirmou Jochen Flasbarth, secretário de Estado alemão para o Meio Ambiente.

Em Bonn foi elaborado um texto sobre o clima para o G20. Os americanos acrescentaram uma nota de suas “reservas”, indicou Flasbarth à AFP. “Os Estados Unidos estão revendo sua política climática”, segundo aponta a nota.

“Todo mundo está esperando, é a grande espada de Dâmocles”, ressalta David Levaï. “Mas este período de hesitação americana permitiu que a comunidade internacional, as empresas e os países refinassem os argumentos políticos, diplomáticos e econômicos sobre a importância de seguir” no acordo.

Papa entra no jogo

“Não podemos nos afastar do Acordo de Paris, do quadro jurídico. Mas existem flexibilidades”, afirma Flasbarth. Quais? “é preciso analisar detalhadamente, é muito cedo para dizer”.

“Queremos que os americanos fiquem, mas não a qualquer preço”, insiste Yamide Dagnet, do laboratório americano WRI.

Em particular, a revisão em baixa dos compromissos de redução das emissões firmados por Washington em Paris em 2015, seria desaprovada por alguns.

“Isso seria politicamente e moralmente inaceitável”, considera o negociador do Mali, Seyni Nafo.

Enquanto isso, Donald Trump já anunciou cortes no financiamento da ONU e a revisão dos programas ambientais do governo de Barack Obama.

No momento, é difícil avaliar o impacto nas emissões globais. Perguntado em Bonn durante as reuniões formais, o delegado americano não forneceu quaisquer detalhes sobre as emissões futuras de seu país e disse apenas que a questão “será revista”.

Em qualquer caso, em termos financeiros, Washington só investirá dois dos três bilhões de dólares que havia prometido ao Fundo Verde da ONU, o que afetará o orçamento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Finalmente, teme-se um efeito dominó.

“A decisão americana pode ter um efeito corrosivo sobre a disposição dos outros países”, aponta o especialista americano Elliot Diringer, do laboratório de ideias C2ES. A ação climática “continua a ser um desafio para muitos, e um passo atrás da maior economia do mundo daria asas aos defensores de certos interesses” como, por exemplo, indústrias de combustíveis fósseis.

Neste contexto, a China, maior poluente e em plena ofensiva pró-clima, poderia ter um papel mobilizador, considera Mohamed Adow.

De acordo com observadores, outros compromissos importantes poderiam servir para aumentar a pressão, como a cúpula UE-China em 2 de junho em Bruxelas ou o “Diálogo de Petersberg”, uma reunião ministerial que a Alemanha organiza desde 2010 e que vai reunir 35 países na segunda-feira.

Além disso, Trump vai se reunir em 24 de maio com o papa Francisco, outro fervoroso da luta contra as mudanças climáticas.

Fonte: O Estado de Minas

G20 abre reunião com agenda repleta de pontos de interrogação

O G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, abriu nesta quinta-feira, 16, em Baden-Baden, na Alemanha, encontro que irá até o próximo sábado reunido ministros de Finanças e presidentes dos Bancos Centrais, entre eles o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e o presidente do BC, Ilan Goldfajn.

Os dois representantes brasileiros, contudo, participarão apenas dos dois últimos dias de reunião. Nesta quinta, Meirelles participou de um debate no Instituto de Finanças Internacionais (IFI), em Frankfurt, onde mostrou os avanços conquistados nos últimos meses pelo governo brasileiro, como a convergência da inflação para o centro da meta (4,5%) e as perspectivas de retomada da economia com a aprovação de reformas, entre elas as  a Previdência e a do trabalho. A redução da burocracia e as melhoras no ambiente de negócios foram dois outros aspectos ressaltados no encontro que Meirelles teve com economistas e investidores.

O encontro dos ministros de Finanças servirá de preparação também para a reunião dos chefes de governo do G20, que ocorrerá em setembro, em Hamburgo. Paralelamente à reunião do G20, haverá um encontro entre ministros de Finanças dos países dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A agenda, contudo, está repleta de desafios e incógnitas, especialmente depois da elevação dos juros nos Estados Unidos, agora entre 0,75% e 1%,  a imprevisibilidade da permanência de acordos comerciais, após a posse de Donald Trump com sua política protecionista, e quais serão as medidas de estímulo que os governos terão que promover para o crescimento da economia global. A agenda inclui ainda temas espinhosos como o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos bancos internacionais de desenvolvimento, a regulação do sistema financeiro e os subsídios aos combustíveis fósseis.

O sócio-diretor da E2 Economia.Estratégia, Celso Toledo, diz que o mundo ainda se encontra em uma situação delicada de recuperação e que exige atenção redobrada. Entre esses pontos, um dos que mais preocupa, na opinião de Toledo, é o avanço do protecionismo.

“Essa noção de que o comércio exterior é um jogo de soma zero infelizmente é uma praga. Tem apelo intuitivo, mas está absolutamente errado. Esse avanço do populismo no mundo, e a gente viu na Inglaterra, nos Estados Unidos, esse sentimento crescendo na Europa, no final todo mundo sai perdendo com isso”, diz o analista.

Com relação à elevação dos juros nos EUA — duas altas de dezembro para cá após uma década de taxas estáveis —, Toledo afirma: “O que o Fed faz afeta o mundo inteiro. O lado bom é que foi dentro do esperado. O que provoca instabilidade é quando você tem uma surpresa no movimento, e a sinalização é de que ele vai devagar. Agora não resta dúvida de que aquele mundo de taxa de juro baixíssima não vai acabar amanhã, mas vai acabar.”

Para Toledo, a alta dos juros não trará reflexos imediatos para a economia brasileira a não ser que haja alguma surpresa pelo caminho.

Fonte: Sputnik Brasil

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