Estudo alerta para dano irreversível nos polos mesmo com aquecimento moderado

Um modesto aumento da temperatura global poderia bastar para que durante este século o degelo dos polos seja “irreversível”, advertiu nesta segunda-feira uma equipe de cientistas em um novo estudo.

O Acordo de Paris contra as mudanças climáticas pretende limitar o aumento da temperatura abaixo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial e, se possível, abaixo de 1,5ºC, uma meta que para ser atingida requer uma mudança radical na indústria e nos modos de vida atuais em nível planetário.

Em comparação, se continuarmos emitindo no mesmo ritmo os gases de efeito estufa, a temperatura subirá 4ºC, segundo os cientistas.

Os cientistas afirmavam, até agora, que as calotas polares da Groenlândia e da Antártica sobreviveriam com um aumento contido de entre 1,5 e 2ºC, mas uma nova análise publicada na revista científica Nature Climate Change estima que mesmo um aquecimento global modesto poderia causar um dano irreversível, contribuindo para o aumento do nível do mar.

“Acreditamos que (um aumento de) entre 1,5ºC e 2ºC é praticamente o limite para evitar novos efeitos dramáticos nos polos”, disse à AFP Frank Pattyn, diretor do departamento de Geociências da Universidade Free de Bruxelas e responsável pelo estudo.

Sua equipe chegou à conclusão de que tanto a Groenlândia como a Antártica atingirão um “ponto de inflexão” por volta de 2ºC, o que “implica que as mudanças nas calotas polares serão potencialmente irreversíveis”.

O degelo na Groenlândia já provocou um aumento anual de 0,7 milímetros do nível do mar desde meados dos anos 1990.

E os polos estão aquecendo mais rapidamente que o resto da Terra: desde esse período, a Groenlândia é agora 5ºC mais quente no inverno e 2ºC no verão.

Embora os cientistas acreditem que seriam necessários séculos para o derretimento total dos polos, mesmo que haja um grande aumento da temperatura global, o estudo desta segunda-feira levanta uma nova preocupação sobre o Acordo de Paris, o único plano da humanidade para frear as mudanças climáticas.

Fonte: EM

Meio ambiente é essencial para cidades inteligentes, aponta estudo

IESE – Cidades em Movimento 2018 analisou nove dimensões de 165 cidades pelo mundo

O uso da tecnologia é vital para uma cidade se tornar inteligente, uma vez que a automatização de processos, a ampliação de acessos e a geração de dados são importantes para melhorar a qualidade de vida da população. Entretanto, há muitos outros aspectos que devem ser levados em consideração quando se trata de democratizar o uso dos serviços públicos e prover uma gestão urbana eficiente. É isso que o IESE – Cidades em Movimento 2018 considera no momento de analisar se uma cidade é inteligente ou não. O estudo realizado pela IESE – Business School da Universidade de Navarra (Espanha), que chega a sua 5.ª edição, usa como base 83 indicadores divididos em nove dimensões para classificar o índice de inteligência de 165 cidades de todo o mundo.

Segundo o diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Fernando Matesco, esse é um dos mais completos estudos sobre a área porque considera o planejamento estratégico dos centros urbanos como um todo. Para Matesco, um dos destaques do material é a inclusão de fatores ambientais como primordiais para elevar a classificação de uma cidade como inteligente. Entre os itens da dimensão estão a emissão de CO2 e metano, o acesso à água, a quantidade de partículas no ar, o nível de poluição, a previsão de aumento de temperatura e até o volume de lixo gerado por pessoa. “O desenvolvimento tem que ser sustentável. Não adianta apenas ter tecnologia. É importante que as cidades estejam preparadas para serem globais e inovadoras, mas respeitando seus limites e também os limites do meio ambiente”, destaca o diretor.

Os benefícios de manter e ampliar áreas verdes numa cidade avançam também para a área da saúde: em palestra ministrada no IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), a pesquisadora sueca Matilda Van den Bosch afirmou que a interação das pessoas com o meio ambiente melhora fatores como estresse, depressão e doenças mentais. Além disso, as mudanças climáticas apresentam riscos à saúde e a manutenção de áreas verdes nas cidades é essencial para reverter esse quadro negativo do aquecimento global. Ela alertou: “Podemos nos adaptar a um aumento de temperatura, mas sempre há um limite humano e algumas cidades sofrerão muito com isso futuramente”.

As nove dimensões analisadas na pesquisa da IESE incluem indicadores relacionados ao capital humano, aspectos sociais, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, acesso a serviços internacionais e tecnologia. “Capital humano é a primeira dimensão tratada no estudo exatamente porque as pessoas são essenciais para tornarem uma cidade inteligente. A participação do cidadão é o que vai fazer a diferença para encontrar as soluções mais efetivas para problemas comuns. Também vale citar que a educação exerce um papel importante nesse cenário: um nível maior de escolaridade ajuda no entendimento da sociedade e nos direitos e deveres individuais e coletivos”, ressalta Matesco.

Na área de tecnologia, o estudo abrange indicadores como o índice de inovação da cidade (classificação realizada pelo Programa de Cidades Inovadoras), quantidade de casas com acesso à internet e até quantos habitantes estão inscritos em redes sociais como Twitter, LinkedIn e Facebook. Segundo o diretor técnico do ICI, essas inclusões podem gerar estranhamento em algumas pessoas, entretanto, elas são importantes para destacar a liberdade de expressão e acesso à informação. “As redes sociais são canais livres de comunicação. Qualquer um pode gerar conteúdo e divulgá-lo mundo afora. Essa inclusão é interessante porque ressalta exatamente como essas cidades permitem que as pessoas se comuniquem”, finaliza.

Fatores ambientais

Para o biólogo Fabiano Melo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-doutor pela University of Wisconsin (EUA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o meio ambiente é essencial para uma cidade ser considerada inteligente. “Há uma infinidade de benefícios e vantagens, em maior ou menor escala. Os diversos benefícios que isso pode trazer incluem o bem-estar humano; a qualidade de vida atrelada a uma rotina mais saudável; serviços ecossistêmicos prestados pela natureza, como a manutenção da qualidade do ar em bons níveis (minimamente toleráveis e adequados), a polinização de hortas e jardins (em especial de árvores frutíferas que mantemos em nossos quintais), entre outros”, explica.

Segundo o especialista, muitas cidades ainda não colocam o cuidado com o meio ambiente como um fator vital de desenvolvimento. A falta de reciclagem e otimização de recursos é um dos exemplos. A ampliação de áreas verdes e dos próprios espaços entre residências é outro. “Em países desenvolvidos, é comum ter jardins e bons espaços entre as residências de bairros de classe média/alta. Aqui no Brasil, mesmo os condomínios de classe alta, que estão sendo consolidados recentemente, apresentam imóveis pequenos, com espaços estreitos entre as casas e que acabam não permitindo uma arborização adequada. Sem falar em outros tipos de loteamentos que consomem áreas verdes; um completo absurdo e contrassenso”, analisa.

O biólogo ainda reforça a importância de pensar no meio ambiente para possibilitar mais qualidade de vida aos cidadãos. “Plantas, áreas verdes, florestas em geral e cursos d’água potável são sonhos de consumo aqui no Brasil e devem compor a demanda futura por cidades inteligentes. Se isso não ocorrer, não conseguiremos acompanhar essa nova demanda e adoeceremos com as próprias cidades, uma vez que não teremos condições de manter altos e bons níveis de saúde, seja pelo ar poluído, pelo estresse do trânsito caótico, pela combinação de infraestrutura e falta de escoamento de água da chuva (com enchentes e alagamentos), com a manutenção de velhos problemas de saúde, como transmissão de zoonoses bem conhecidas por nós”, conclui.

Ranking – IESE – Cidades em Movimento 2018

Cidades mais inteligentes (ranking geral)

Nova Iorque (Estados Unidos) – 100
Londres (Reino Unido) – 99.27
Paris (França) – 90.20

Cidades mais inteligentes (ranking Brasil)

São Paulo (SP) – 44.63
Rio de Janeiro (RJ) – 41.89
Curitiba (PR) – 37.09
Brasília (DF) – 36.05
Salvador (BA) – 31.65
Belo Horizonte (BH) – 30.21

Ranking por dimensão

Capital Humano 1. Londres (Reino Unido)

Aspectos Sociais 1. Helsínquia (Finlândia)

Economia 1. Nova Iorque (Estados Unidos)

Governança 1. Bern (Suíça)

Meio ambiente 1. Reiquiavique (Islândia)

Mobilidade e transporte 1. Paris (França)

Planejamento Urbano 1. Nova Iorque (Estados Unidos)

Acesso a Serviços Internacionais 1. Paris (França)

Tecnologia 1. Hong Kong (China)

Sobre o ICI

O ICI – Instituto das Cidades Inteligentes é uma organização criada em 1998, com atuação em todo o território nacional, referência em pesquisa, integração, desenvolvimento e implementação de soluções completas de TIC para a gestão pública. Mais informações: www.ici.curitiba.org.br.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas de Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fonte: Segs

Estudo revela novo perfil da agricultura no nordeste paulista

Nos últimos 30 anos, pastagens, grãos e citros deixaram de ocupar cerca de 1,5 milhão de hectares nas bacias dos rios Mogi-Guaçu e Pardo, no nordeste do estado de São Paulo. A cana-de-açúcar foi a lavoura que ocupou a maior parte desse espaço, já que ganhou cerca de 1,3 milhão de hectares. Mas outras culturas também conquistaram terreno na região: é o caso das florestas de eucalipto, de seringueiras e lavouras de cafés de alta qualidade. Cresceram, ainda, as áreas de florestas nativas, que hoje ocupam 20% do território – atrás apenas da cana.

O novo retrato da agricultura no nordeste paulista e os fatores que motivaram as mudanças estão em um estudo recentemente concluído pela Embrapa Territorial, que comparou imagens de satélite de 125 municípios, em uma área de 52 mil km², de 1988 até 2016. Os pesquisadores também foram a campo para conferir informações e levantar dados socioeconômicos que explicassem as mudanças e revelassem mais do que as imagens.

As áreas com culturas anuais – milho e soja, principalmente – regrediram e caíram de 936 mil para 352 mil hectares. A porção norte da área de estudo tinha mais da metade das terras ocupadas por esse tipo de lavoura no fim dos anos 1980. Atualmente, a parcela destinada a elas chega, no máximo, a 20% em alguns municípios. As culturas anuais ficaram concentradas em dois polos de agricultura irrigada, no entorno dos municípios de Casa Branca e Guaíra.

Busca por maior rentabilidade

Alternativas mais rentáveis do que os cultivos de sequeiro ganham espaço nessas condições, a exemplo da batata e da produção de sementes de soja e milho. Chama a atenção também o investimento em milho verde, para consumo humano, em vez do milho seco para o competitivo mercado de rações. “Com a irrigação, os agricultores antecipam a colheita com o milho verde e plantam, logo em seguida, feijão e, depois, batata, por exemplo. Fazendo isso, conseguem uma renda maior do que com a cana”, constata o pesquisador Carlos Cesar Ronquim, da Embrapa Territorial, que coordenou o estudo.

Não se tratou, contudo, de uma mudança promovida pelos agricultores para fazer frente ao avanço da cana. Os sítios e fazendas naquelas áreas já haviam investido na irrigação e mercados com maior valor de venda e, por isso, não tiveram interesse em ocupar áreas com cana-de-açúcar. “Esse agricultor utiliza tecnologia e está obtendo resultados porque consegue tirar três safras no ano”, esclarece o pesquisador.

As culturas anuais, especialmente a soja e o amendoim, também ganham espaço durante a renovação dos canaviais. A cada cinco anos, a cana precisa ser replantada e, no intervalo entre um plantio e outro, muitos proprietários ou usinas disponibilizam terreno para o cultivo de leguminosas. É uma área considerável, já que a cana-de-açúcar ocupa 2,2 milhões de hectares no nordeste paulista.

Para a soja, a produção é pouco significativa no contexto brasileiro, comparando-se às grandes lavouras do Centro-Oeste e de outras regiões. No caso do amendoim, porém, essa prática coloca o estado de São Paulo, de modo especial a cidade de Jaboticabal, no topo da produção nacional.

Pastagens encolheram e vegetação nativa aumentou

A área dedicada à pecuária foi, de longe, a que mais perdeu espaço no nordeste paulista. Há 30 anos, as pastagens estavam em primeiro lugar na ocupação de terras na região, cobrindo 27% da área rural. Em 2015, com 13% do espaço, aparecem atrás não só da cana-de-açúcar, mas também das reservas de vegetação nativa.

No caso da pecuária de leite, a oportunidade de rendimentos com o arrendamento para a cana-de-açúcar chegou no momento em que os produtores e cooperativas paulistas encontravam dificuldade para concorrer com outras regiões do País. Até a introdução da tecnologia do leite longa vida, na década de 1990, eles não sofriam concorrência com outros estados, já que o prazo de validade do produto era muito curto. Com o “leite de caixinha”, a situação mudou, segundo explica o cientista da Embrapa.

A maior parte dos pecuaristas que conseguiram se manter no setor leiteiro são pequenos. Isso porque o tamanho reduzido das propriedades dificulta a logística das usinas, que não se interessam por arrendá-las. Além disso, costumam dispor de mão de obra familiar e evitam os custos da contratação de funcionários. A adoção de sistemas específicos para suas condições, como o do projeto Balde Cheio, da Embrapa, também contribuiu para que muitos se mantivessem na atividade. Poucos produtores de médio e grande porte optaram por permanecer no segmento. Os que o fizeram investiram fortemente em tecnologias de otimização, escala e controle da produção, observa Ronquim.

Criadores de gado para abate também deixaram áreas no nordeste de São Paulo e migraram para regiões de fronteira com terras mais baratas. Quem permanece normalmente investe na intensificação da produção, com práticas de confinamento e semiconfinamento.

Novo panorama dos citros

A queda na área de citros ultrapassou os 180 mil hectares, mas, ainda assim, foi significativamente menor do que a dos grãos (584 mil ha) e a de pastagens (700 mil ha). Os baixos rendimentos, a necessidade da colheita manual e as dificuldades de combate às doenças que acometem os pomares, especialmente o greening, são os principais fatores que levaram muitos agricultores a desistirem da citricultura. Cidades, antes grandes produtoras, como Bebedouro e Itápolis, hoje têm a maior parte do território ocupada pela cana-de-açúcar.

Ainda assim, a produção total das frutas na região manteve-se estável, graças aos ganhos de produtividade. O maior rendimento dos pomares pode ser creditado à adoção de técnicas de manejo, principalmente por meio do adensamento nos novos plantios. Em 1980, havia, em média, 360 pés de laranja por hectare; atualmente, a densidade passou para 668 plantas, segundo dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). De modo geral, há uma concentração da produção em grandes propriedades.

Alguns municípios foram na contramão da tendência de queda de área e ampliaram os pomares de citros, de olho no mercado de frutas in natura dos grandes centros urbanos de que estão próximos. É o caso de Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Casa Branca e Conchal.

Hegemonia da cana

A expansão mais significativa é a da cana-de-açúcar, que cobre 44% das terras no nordeste paulista. Na região, o setor foi responsável por metade de todo o valor de produção agropecuária, que atingiu R$ 9,5 bilhões em 2016. A participação é maior do que a média estadual, que é de 35%. Apenas cinco dos 125 municípios estudados não possuem canaviais: Águas de Lindoia, Lindoia, Águas da Prata, Santo Antônio do Jardim e Divinolândia. Nos outros 120, o volume de terras cultivado com cana aumentou. A exceção é Ribeirão Preto, onde a atividade cedeu espaço para a expansão urbana.

Em números absolutos, as áreas de vegetação nativa são as que mais cresceram, depois da cana. Elas já ocupavam 870 mil hectares e, agora, chegam perto de um milhão de hectares. O pesquisador da Embrapa aponta que esse aumento não se deu por plantio, mas por regeneração espontânea e, timidamente, pela melhor conservação das áreas de preservação permanente.

Para os próximos anos, a expectativa é de mais crescimento, tendo em vista o novo Código Florestal e a proibição da colheita manual da cana, o que, na prática, inviabiliza a produção em áreas com declividade acima de 12%. O monitoramento por satélite revela 150 mil hectares de canaviais nessa condição, o equivalente a 7,1% da área das bacias analisadas.

As florestas plantadas também aumentaram: 17 mil novos hectares para o eucalipto e perto de 12 mil para as seringueiras. Essas últimas tiveram o crescimento relativo mais expressivo, já que, em 1988, ocupavam menos de 200 hectares. Mesmo com esse salto, a heveicultura segue pouco expressiva na região. O eucalipto chegou a 157 mil hectares, mas também tem pouca participação do valor de produção agropecuária, ficando à frente apenas da pecuária leiteira.

Potencial para avanço de cafés especiais

O que surpreendeu os pesquisadores foi a expansão do café: a área quase dobrou, passando de 67 mil para 123 mil hectares. O fenômeno se deu na região da Mogiana, próxima a Minas Gerais, com destaque para Pedregulho, Caconde, Franca e Cristais Paulista. Nos 26 principais municípios produtores de café, localizados no leste da região de estudo, foi observada uma área de café de 114.367 ha, o que representa cerca de 90% de toda a produção cafeeira da região de estudo e mais de 50% da produção de café no estado de São Paulo. Em visita ao local, a equipe constatou que o investimento se deu na produção de cafés especiais, que são favorecidos pelo relevo e clima da região. Cerca de 90% desses cafezais estão em terrenos com altitude superior a 800 metros. “O café de qualidade produzido tem maior valor no mercado. Com a margem de lucro ampliada, os produtores conseguem permanecer na atividade e até expandir as plantações”, analisa Ronquim.

O estudo da Embrapa Territorial mostra que a região tem potencial para novos avanços de cafezais, já que há muitas pastagens em altitude elevada, em terrenos com declividade inferior a 20%. O cenário econômico também é favorável: o consumo de café cresce internacionalmente, sendo o Brasil o segundo maior mercado do mundo.

A Embrapa encaminhou os mapas comparativos da ocupação das áreas rurais para as casas da agricultura dos 125 municípios do estudo. Para Ronquim, acompanhar e compreender a dinâmica da agricultura pode ajudar o planejamento dos governos locais e das cooperativas.

Fonte: Grupo Cultivar

Pesquisa genética desenvolve mamona atóxica capaz de alimentar animais

Cientistas conseguiram resolver um dos maiores desafios para o uso da mamona (Ricinus communisL.) na alimentação animal. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) desenvolveram uma mamona sem ricina, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas que chega a ser citada na Convenção Internacional para Proibição de Armas Químicas. Os pesquisadores preveem que o novo material deve demorar, no mínimo, quatro anos para estar disponível no mercado.

Proteína presente na semente da planta, a ricina inviabiliza o uso da torta de mamona, subproduto do processamento do óleo de mamona, na alimentação animal. A proteína também apresenta riscos de intoxicação durante o processo de obtenção do óleo, produto valorizado na indústria por sua alta qualidade e empregado em cosméticos, tintas, lubrificantes e vários outros produtos.

Por isso, mesmo sendo potencialmente interessante para a alimentação animal, a torta de mamona passou a ser descartada pelos produtores rurais por causa da substância tóxica que é encontrada exclusivamente no endosperma (tecido de armazenamento de nutrientes) das sementes da planta.

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Fonte: Embrapa News

O que é o fenômeno ‘Terra estufa’ e por que estamos caminhando para ele, segundo novo estudo

Aquecimento acima de 2ºC de níveis pré-industriais pode levar planeta a caminho sem volta, dizem cientistas

Pode parecer o nome de um filme B de ficção científica, mas cientistas diz que estamos perto de viver na “Terra Estufa”.

Pesquisadores dizem que podemos estar próximos a entrar num patamar que nos levará a viver em meio a temperaturas cada vez mais altas e com um nível do mar cada vez mais elevado nos próximos séculos.

Mesmo que os países consigam atingir suas metas de redução de emissão de carbono, ainda assim podemos estar em um “caminho sem volta”.

O estudo, publicado no periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, mostra que isso pode ocorrer caso a temperatura global suba 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Os cientistas envolvidos no trabalho dizem que o aquecimento ocorrido até agora e o que deve provavelmente ocorrer nas próximas décadas podem mudar radicalmente algumas das forças naturais da Terra que hoje nos protegem e transformá-las em nossas inimigas.

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Fonte: BBC News

Dois graus não são mais vistos como ideal para o aquecimento global, diz estudo

Um mundo que aquece 2ºC (3,6 graus Fahrenheit) pode gerar um deslocamento em massa, devido à escassez de alimentos, água doce e à perda de espécies animais e vegetais,  muito mais rápido do que o previsto no Acordo de Paris

Limitar o aquecimento global a dois graus Celsius não impedirá impactos climáticos destrutivos e fatais, como esperado, dezenas de especialistas concluíram em uma série de estudos científicos divulgados na segunda-feira (02).

Um mundo que aquece em 2 ° C – há muito tempo considerado como o teto de temperatura para um planeta seguro para o clima – poderia ver o deslocamento em massa, devido à elevação dos mares, uma queda na renda per capita, escassez regional de alimentos frescos, água e a perda de espécies animais e vegetais, acontecer bem antes do que o esperado.

Os países pobres e emergentes da Ásia, África e América Latina serão os mais afetados, de acordo com os estudos da Royal Society of London. “Estamos detectando grandes mudanças nos impactos climáticos em um mundo 2ºC e, portanto, devemos tomar medidas para evitar isso”, disse o principal editor, Dann Mitchell, professor assistente da Universidade de Bristol.

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Fonte: Opinião Goiás

A maior ameaça ambiental para a sua saúde? O ar que você respira

A poluição do ar é um assassino invisível, diz estudo universitário.

É sabido que a poluição do ar é perigosa para os seres humanos. Contudo, um relatório divulgado recentemente, fornece um cenário mais alarmante ao que a generalidade das pessoas está habituada, transformando a poluição do ar numa espécie de assassino invisível. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que sete milhões de mortes prematuras por ano podem estar ligadas à poluição do ar: milhares de pessoas morrem todos os anos nos Estados Unidos devido à exposição a partículas lançadas na atmosfera pelas fábricas. De acordo com o novo Índice de Desempenho Ambiental 2018 (EPI), a poluição do ar é a maior ameaça ambiental à saúde pública.

O novo relatório é produzido por cientistas das universidades de Yale e Columbia em colaboração com o Fórum Econômico Mundial e classifica 180 países sob 24 indicadores de desempenho em 10 categorias, que se centram em torno da saúde ambiental e da vitalidade do ecossistema. No topo da lista está a Suíça, seguida pela França, Dinamarca, Malta e Suécia. No final da lista estão a Índia, Bangladesh, Burundi, República Democrática do Congo e Nepal.

O EPI mostra que a poluição do ar é a principal ameaça para a saúde pública. O objetivo não é assustar o público, mas, alertar que o problema tem o potencial de afetar verdadeiramente as pessoas. E conscientizar os governos, que servem ou deveriam servir, para nos defender.

“À medida que a comunidade mundial persegue novos objetivos de desenvolvimento sustentável, os decisores políticos precisam saber quem lidera e quem está atrasado nos desafios ambientais e de energia”, disse Daniel C. Esty, diretor do Yale Center for Environmental Law & Policy, num comunicado de imprensa citado pela CNN.

“O EPI de 2018 confirma que o sucesso em relação ao desenvolvimento sustentável requer investimentos econômicos para gerar recursos em infraestruturas ambientais, além de uma gestão cuidadosa da industrialização e urbanização”.

A poluição do ar tem sido associada diretamente ao desenvolvimento inicial do cérebro, causando efeitos graves e assustadores para a saúde nos seres humanos. À medida que a população mundial aumente, é provável que esse quadro apenas piore se medidas mais drásticas não forem tomadas.

Fonte: Jornal Econômico

Petrobras estuda produzir biodiesel a partir de microalgas

A Petrobras trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia pioneira para produzir biodiesel de microalgas – alternativa aos combustíveis derivados do petróleo, que pode ser usada em carros e ou qualquer outro veículo com motor a diesel.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, a gerente de Biotecnologia do Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, Juliana Vaz, ressaltou o pioneirismo do projeto que, em sua avaliação, “vai contribuir para a construção de um futuro mais sustentável. É um projeto de vanguarda, pioneiro no Brasil e que logo vai estar à disposição de todos”.

Gerente de Biotecnologia JULIANA VAZ BEVILAQUA, 24/01/2018. Cenpes, Rio de Janeiro - RJ - Brasil.
Os resultados são promissores , segundo a gerente de Biotecnologia do Centro de Pesquisa (Cenpes) da Petrobras, Juliana VazFrancisco Alves de Souza/Banco de Imagens Petrobras

Fabricado a partir de fontes renováveis (entre elas óleo de soja, gordura animal e óleo de algodão) ou do sebo de animais, o biocombustível emite menos poluentes que o diesel. Do processo biológico das microalgas é produzida uma biomassa usada para se extrair o óleo, que será matéria prima para a produção do biocombustível.

A estatal almeja chegar a produzir o combustível feito a partir da microalga em escala comercial. “O biodiesel produzido já foi submetido a testes de qualificação em laboratório, sob os padrões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e os resultados preliminares mostraram ser promissores”, diz Juliana.

As microalgas têm como principal vantagem o fato de não ter sazonalidade (períodos de safra) e não depender de condições específicas – de solo, por exemplo – para sua produção. Sua fabricação possibilita colheitas “quase que semanais”, com uma produtividade até 40 vezes maior do que a da biomassa feita de vegetais terrestres. “As microalgas têm uma produtividade muito maior do que a soja e cana”,  afirmou a pesquisadora.

Benefícios para o meio ambiente

A produção a partir da microalga traz ainda vantagens ecológicas, já que contribui para a redução de gás carbônico (CO2) do ar, um dos geradores do efeito estufa, que causa o aquecimento global, uma das maiores preocupações atuais com o meio ambiente.

Cada uma tonelada de microalgas usadas para a produção de biodiesel pode retirar até 2,5 toneladas de gás carbônico do ar, taxa “muito maior que a de outros vegetais normalmente utilizados para a produção de biodiesel – seja a soja ou da cana-de-açúcar”, disse Juliana, ressaltando que esse gás carbônico ainda será aproveitado para a produção de um substituto dos combustíveis fósseis.

Ainda dentro do contexto de maximizar a tecnologia, também está em estudo a possibilidade de cultivar microalgas em águas oriundas da produção de petróleo, contribuindo no tratamento dessa água para descarte ou para reúso. “As microalgas utilizam as substâncias presentes na água de produção, como nitrogênio e fósforo, como insumos para a conversão em biomassa”, explica a pesquisadora.

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Fonte: Agência Brasil

Diversidade pode tornar sistemas de cultivo de microalgas mais seguro

Um bom bocado da pesquisa a respeito do uso de microalgas na produção de biocombustíveis tem focado na identificação – e otimização – de uma variedade superprodutiva. Acontece, para pesquisadores da Universidade do Michigan, essa pode ter sido a aposta errada o tempo todo. Segundo esses cientistas, há mais potencial na diversidade do que na monocultura.

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Fonte: BiodieselBr

Pesquisa com matéria-prima para fabricação de biodiesel

Uma lei sancionada em março deste ano elevou a porcentagem da adição de biodiesel no diesel, que passará de 7% para 8% até 2017 e chegará a 10% em 2019. No ano passado, o país produziu 3,9 bilhões de litros de biodiesel – um crescimento de 15% em relação a 2014 –, ficando em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos e na frente da Alemanha e da Argentina.

A demanda esperada para 2020 é de 7 bilhões de litros. Em 2015, 76,5% do biodiesel no Brasil foi feito com soja, 19,4% com gordura animal, 2% com algodão e mais 2,4% com outros tipos de matérias-primas, como óleo de cozinha usado, dendê, entre outros. A produção desse biocombustível se dá por meio de um processo químico chamado de transesterificação, em que é misturado um óleo vegetal ou gordura de origem animal ao metanol, um álcool extraído do gás natural, e mais um catalisador, uma substância química. Para cada mil litros de óleo são necessários 300 litros de metanol.

O aumento da participação do biodiesel no diesel vai estimular a demanda por matérias-primas para o fabrico do óleo vegetal. As opções são muitas. A mais recente, que é objeto de estudo de várias instituições de pesquisa brasileiras, é o óleo do fruto da macaúba, uma palmeira encontrada em quase todo Brasil, do norte de Minas Gerais até o norte da Argentina. Ela é a mais nova promessa para a produção de biodiesel. O que atrai na planta é a quantidade de óleo que essa cultura sem nenhum melhoramento agronômico produz num espaço de 10 mil metros quadrados ou 1 hectare (ha): até 4 mil litros (l). A título de comparação, a soja rende 500 l/ha.

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Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

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