Brasil exportou biodiesel em janeiro

Tem algo de diferente acontecendo no mercado brasileiro de biodiesel. Em janeiro foi registrada a exportação de 97,5 toneladas do biocombustível com destino aos Estados Unidos. Com mais este embarque já são quatro meses seguidos de presença brasileira no mercado internacional – algo que já não acontecia desde a primeira metade de 2014.

Houve ainda um embarque isolado em julho passado. Também para o mercado norte-americano.

Ainda não dá para falar que as exportações que estão acontecendo agora tenham escala comercial. Todas elas estão na faixa das dezenas de toneladas sendo que a maior foi justamente a de janeiro. Somando os cinco negócios registrados no ano passado tivemos 194,7 toneladas de biodiesel exportado por um total de US$ 342,7 mil – o equivalente a R$ 1,28 milhão pela cotação desta sexta-feira (08).

A última exportação de bom porte feita pelo Brasil foi em dezembro de 2015 quando 10 mil toneladas foram embarcadas para a Holanda por um total de US$ 7,6 milhões. No total, as exportações brasileiras de biodiesel se restringem a 80,3 mil toneladas e faturamento de US$ 74,9 milhões.

Para fins de comparação, apenas no ano passado a Argentina exportou 1,14 milhão de toneladas de biodiesel e recebeu US$ 794,3 milhões.

Roteiro parecido

O roteiro de cada um desses negócios que vem acontecendo desde julho tem sido similar: o biodiesel é sempre embarcado a partir do Porto de Santos e tem seu estado de origem declarado como sendo de São Paulo. Os preços praticados nos três últimos meses também foram praticamente idênticos com a tonelada. Em dezembro, a tonelada de biodiesel foi vendida por US$ 1.794,20.

Isso parece indicar que temos pelo menos uma usina ou companhia de trading testando a rentabilidade do biodiesel brasileiro no mercado norte-americano.

Fonte: BiodieselBR

Exportação de soja do Brasil inicia ano com média diária 70,6% maior, diz Secex

SÃO PAULO (Reuters) – A média diária de exportações de soja do Brasil na primeira semana do ano foi 70,6 por cento maior na comparação com o registrado em todo o janeiro de 2017, informou nesta segunda-feira a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Os embarques ainda firmes de oleaginosa brasileira ocorrem após o país ter vendido um recorde de quase 84 milhões de toneladas de soja em 2018, na esteira de um forte apetite da China em meio à guerra comercial com os Estados Unidos.

Conforme a Secex, até a primeira semana de janeiro, o que compreende apenas três dias úteis, foram exportadas 121,3 mil toneladas de soja por dia, totalizando 363,9 mil toneladas. Há um ano, a média diária de embarques foi de 71,1 mil toneladas.

Em dezembro, contudo, o Brasil exportou mais, com cerca de 211,6 mil toneladas de soja por dia, ainda de acordo com os dados da secretaria.

A expectativa é de que esses negócios aumentem a partir de agora, tendo em vista que já há áreas com colheita de soja.

No caso do milho, houve incremento de 57,3 por cento na comparação anual, para uma média diária de 216,1 mil toneladas até a primeira semana de janeiro. Segundo a Secex, o total enviado ao exterior foi de 648,3 mil toneladas do cereal.

Em dezembro, o Brasil embarcou 200,7 mil toneladas de milho ao dia.

Fonte: R7

Começou a colheita da safra 2018/19 de soja no Brasil

Começou a colheita da soja da safra 2018/19 no Brasil! Como já era esperado, a nova temporada foi antecipada em cerca de 30 dias este ano e os trabalhos de campo já foram iniciados em alguns pontos de Mato em Grosso.

No município de Nova Ubiratã, a colheita de uma soja de ciclo de 90 dias está sendo iniciada. O plantio foi iniciado em 15 de setembro, dia de finalização do vazio sanitário. As condições de clima foram bastante adequadas, as chuvas se anteciparam e chegaram bem distribuídas, em bom volume, e favoreceram a safra.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) trouxe, na semana passada, sua estimativa atualizada para a safra brasileria em 120,1 milhões de toneladas, projetando um crescimento da área plantada de 1,8% em relação ao ano anterior. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foi um pouquinho mais adiante e corrigiu seu número de 120,5 para 122 milhões de toneladas no último boletim mensal de oferta e demanda.

Algumas consultorias nacionais e até internacionais chegam a estimar a nova safra do Brasil podendo alcançar até mesmo 130 milhões de toneladas.

USDA vê safra de soja do Brasil em 122 mi t, eleva previsão de exportação

CHICAGO (Reuters) – A safra de soja 2018/19 do Brasil, praticamente toda plantada, deve alcançar um recorde de 122 milhões de toneladas, projetou nesta terça-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que em novembro apostava em colheita de 120,5 milhões de toneladas.

O volume, que veio acima das expectativas do mercado, de 120,88 milhões de toneladas, faz parte do relatório mensal de oferta e demanda do órgão do governo norte-americano.

Maior exportador global da oleaginosa, o Brasil também deve observar envios recordes no ano comercial de 2018/19, com 81 milhões de toneladas, de 77 milhões previstos no levantamento de novembro, de acordo com o USDA.

Produtores brasileiros têm sido beneficiados nos últimos meses pela disputa comercial entre Estados Unidos e China, que levou Pequim a taxar a soja norte-americana em julho. Com isso, os chineses impulsionaram as compras da commodity do Brasil.

Os próprios EUA devem embarcar um total de 51,71 milhões de toneladas de soja em 2018/19, aquém dos 57,95 milhões em 2017/18, segundo o USDA.

O governo dos EUA estima a safra norte-americana da oleaginosa em 125,18 milhões de toneladas, em 18/19.

Com relação ao milho, a temporada 2018/19 do Brasil deve totalizar 94,50 milhões de toneladas, estável frente a previsão passada, mas acima dos 94,41 milhões estimados por analistas.

Para o cereal, a expectativa do USDA é de exportação de 29 milhões de toneladas pelo Brasil em 2018/19, estável ante novembro.

ESTADOS UNIDOS

O USDA deixou sua estimativa para a oferta de soja nos EUA inalterada.

Os estoques finais de soja no país para o ano comercial de 2018/19 foram estimados em 955 milhões de bushels, disse o governo em seu relatório mensal de oferta e demanda.

O USDA aumentou sua visão dos estoques finais de soja em seus cinco relatórios mensais anteriores.

Analistas esperavam que o governo mostrasse estoques finais de 945 milhões de bushels, de acordo com a média das estimativas de uma pesquisa da Reuters.

Se concretizados, os estoques de soja atingiriam um recorde, com a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, com a China, cortando drasticamente a demanda de suprimentos dos EUA.

Os estoques de milho para 2018/19 foram vistos em 1,781 bilhão de bushels, acima da previsão de novembro, de 1,736 bilhão de bushels. O USDA previu estoques de trigo de 974 milhões de bushels, acima das perspectivas de novembro, de 949 milhões de bushels.

Com recorde em soja, Brasil deve ter safra de grãos 18/19 de 238,4 mi t

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil deve produzir um recorde de 120,06 milhões de toneladas de soja na atual safra 2018/19, cujo plantio foi praticamente encerrado, e a cultura deve contribuir para que o país tenha uma colheita também histórica de grãos e oleaginosas, num total de 238,4 milhões de toneladas, projetou a Conab nesta terça-feira.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, a estimativa para a produção de soja é cerca de 2 milhões de toneladas superior ao ponto médio do intervalo previsto em novembro e também fica acima dos 119,3 milhões de toneladas registrados em 2017/18.

Maior exportador global, o Brasil semeou 1,8 por cento mais soja neste ano, com quase 36 milhões de hectares, disse a Conab.

Conforme a companhia, outras culturas também deverão ter incremento de produção.

No caso do milho, a safra total 2018/19 está estimada agora em 91,10 milhões de toneladas, de 90,48 milhões considerados em novembro e 80,78 milhões no ciclo anterior, que foi marcado por adversidades climáticas.

Do total previsto para a temporada vigente, 27,36 milhões de toneladas deverão ser de primeirasafra, colhida no verão, e 63,73 milhões de segunda safra, a “safrinha”, que ainda será plantada e terá sua colheita realizada em meados do próximo ano.

A produção de algodão (pluma), segundo a Conab, também deverá aumentar, para um recorde de 2,36 milhões de toneladas, ante expectativa de 2,24 milhões em novembro e 2 milhões no ano passado.

Com isso, a safra total de grãos e oleaginosas do Brasil em 2018/19 deve alcançar um recorde de 238,4 milhões de toneladas, superando a maior marca anterior, de 237,67 milhões, vista em 2016/17. Em novembro, a Conab falava em uma colheita total de 235,8 milhões de toneladas.

“Os principais produtos responsáveis por esses números são soja, milho, arroz e algodão, as maiores culturas do país, que juntas correspondem a 95 por cento da produção total”, resumiu a Conab em seu levantamento.

A companhia também disse que “as condições climáticas apresentadas até agora, em todas as regiões produtoras de grãos, estão influenciando positivamente nas produtividades”.

Fonte: Notícias Agrícolas

Brasil voltou a exportar biodiesel para os Estados Unidos em novembro

O Brasil embarcou mais uma carga de biodiesel com destino aos Estados Unidos novembro. A informação faz parte da mais recente atualização dos dados do comércio exterior brasileiro publicada esta semana pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Ainda não estamos falando de volumes comercialmente relevantes. Em novembro foram embarcados cerca de 38,9 toneladas de biodiesel – aproximadamente 44,2 metros cúbicos – que saíram do Porto de Santos no mês passado. Ao menos nominalmente, o produto teve São Paulo como origem.

O valor recebido pela venda foi de US$ 69,7 mil. Isso dá US$ 1,58 por cada litro de biodiesel exportado ou cerca de R$ 6,19 se convertido pela cotação desta sexta-feira (07). Encerrado ontem, o L64 o litro de biodiesel foi negociado, em média, por R$ 2,66.

Recorrente

O que chama a atenção nesse novo negócio é que ele está se tornando recorrente. Essa já é a terceira exportação de biodiesel para os EUA no segundo semestre, totalizando 88,5 m³.

O embarque de novembro foi o maior. Em julho, foram 22 m³ e, em outubro, 22,5 m³. Isso sugere um trabalho ativo de prospecção de oportunidades no mercado norte-americano.

O timing dessa prospecção é favorável. Nos últimos anos, os EUA se consolidaram como um grande importador com 2,62 bilhões de litros de biodiesel entrando no país em 2016. Isso mudou depois que o governo norte-americano passou a tarifar as importações biocombustível da Argentina e da Indonésia em 2017.

Importação

Os dados do MDIC também mostram biodiesel vindo de fora entrando no Brasil em novembro.

Foram 25 quilos – menos de 29 litros – de biodiesel fabricado na Alemanha que chegaram o país pelo Aeroporto de Guarulhos. Antes, a única outra importação de biodiesel havia acontecido em meados de 2016 com 360 kg de biocombustível vindos da França.

Fonte: BiodieselBR

Safra de soja tem potencial para recorde de 129 mi t, diz Agroconsult

A produção de soja do Brasil na temporada 2018/19 tem potencial para atingir um recorde de 129 milhões de toneladas, após a safra ter tido o seu melhor início da história no atual ciclo, com um clima favorável, previu a Agroconsult nesta quinta-feira.

Tal potencial produtivo poderia se confirmar se as condições climáticas continuarem boas, e dependendo dos investimentos feitos pelos produtores nas lavouras, afirmou o sócio-diretor da consultoria André Pessôa.

Considerando uma linha de tendência histórica, a produção de soja do Brasil, maior exportador global da oleaginosa, poderia atingir na safra atual os mesmos 120 milhões de toneladas da temporada anterior (2017/18).

Contudo, com a expectativa de aumento de 3 por cento na área plantada na comparação com o ciclo anterior, para 36,2 milhões de hectares, a safra poderia atingir 123 milhões de toneladas, na hipótese de as produtividades médias de 2017/18 se repetirem.

As exportações no ano calendário 2018 foram estimadas em 82,1 milhões de toneladas, um recorde histórico em meio à disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que tem favorecido o Brasil.

No ano passado, os embarques brasileiros somaram 68,5 milhões de toneladas.

Para 2019, quando será escoada a produção deste ano, a expectativa de exportação é menor, de 73,2 milhões de toneladas, uma vez que o Brasil iniciará o ciclo com estoques baixíssimos, comentou Pessôa, durante apresentação feita em evento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

Para o analista, é improvável que os embarques brasileiros no próximo ano superem os de 2018.

“Não vai haver praticamente grãos restantes”, disse ele, referindo-se aos baixos estoques, após exportações volumosas em 2018, com os chineses evitando a soja norte-americana.

Ele observou que alguns operadores estão cautelosos, evitando tomar posições para novas vendas antecipadas de soja, devido às incertezas geradas pela guerra comercial EUA-China.

Se os dois países chegarem a um acordo, a importação chinesa poderia voltar-se para os EUA.

De todo modo, ele disse acreditar que o cenário é favorável para 2019/20, comentando que o plantio no Brasil poderia crescer 3 por cento.

MILHO E ALGODÃO

A Agroconsult também projeta uma grande safra de milho no Brasil na safra 2018/19, com 95,3 milhões de toneladas, contra 80,8 milhões de toneladas na safra anterior, quando o clima não favoreceu as produtividades.

As exportações brasileiras de milho devem subir para 31 milhões de toneladas no próximo ano, contra 22 milhões de toneladas projetadas para 2018, retomando um patamar visto em 2017.

O Brasil tem sido o segundo maior exportador de milho em anos de boas safras.

Apesar da grande safra, o país já produziu maiores volumes do que os esperados para a temporada atual —98,7 milhões de toneladas de milho na safra 2016/17, segundo a Agroconsult.

A produção de algodão do Brasil também tem sido favorecida por clima favorável e bons preços, e a safra caminha para um recorde de 2,47 milhões de toneladas (pluma), ante 2,05 milhões no ciclo anterior.

Fonte: Brasil Agro

Emissões globais de metano podem estar subestimadas

Mudanças recentes na compreensão sobre o comportamento do metano na Terra, além de dificuldades para fazer amplas medições do que é emitido pelos oceanos, podem ter feito com que as emissões globais do gás – cujas moléculas retêm 25 vezes mais calor do que as de gás carbônico – tenham sido subestimadas.

As consequências dessa emissão maior vão desde um aumento ainda mais acentuado nas temperaturas globais até a concretização da chamada hipótese da bomba de clatrato (estrutura cristalina). Segunda essa hipótese, o metano hoje depositado no subsolo marinho poderia subir à atmosfera e gerar uma extinção em massa como as que ocorreram na transição dos períodos Permiano e Triássico (há cerca de 250 milhões de anos) e no fim do Paleoceno e início no Eoceno (há 55 milhões de anos, aproximadamente).

“Com o derretimento do Ártico e da Antártica, provocado pelo aquecimento global, muito desse metano que estava preso embaixo das geleiras, na forma de hidrato de gás, começa a ser liberado”, disse Antje Boetius, pesquisadora do Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, em Bremen, na Alemanha.

Boetius foi uma das participantes da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Metano, realizada em Ilhabela de 16 a 23 de outubro e encerrada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, no dia 26.

“A ideia da Escola foi conseguir avançar nas novas fronteiras do conhecimento dessa área da ciência, principalmente em relação aos microrganismos que produzem metano na natureza”, disse Vivian Pellizari, professora do Instituto Oceanográfico da USP e organizadora do evento. Além de palestrantes brasileiros e estrangeiros, participaram da Escola 73 alunos de pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado de 13 países além do Brasil.

“Para poder controlar as emissões é preciso conhecer a parte básica do metabolismo dos microrganismos e dos seus hospedeiros. Novos grupos desses microrganismos têm sido descritos nos últimos anos e ainda precisam ser mais bem compreendidos”, disse Pellizari à Agência FAPESP.

No Brasil, os maiores responsáveis pelas emissões de metano são a criação de gado e as áreas alagadas, presentes na Amazônia e no Pantanal. Elas acumulam matéria orgânica em decomposição, reduzindo a concentração de oxigênio e gerando metano.

O gado, por sua vez, emite o gás como resultado do processo de digestão. Além disso, mudanças no uso do solo também impactam a proporção entre o metano que é liberado na atmosfera e o que é consumido.

Os microrganismos do ambiente desempenham um grande papel na emissão global de metano. Embora recentes avanços tenham dado origem a novos conhecimentos, ainda há mais perguntas do que respostas em relação à quantidade global do gás, ciclagem biogeoquímica e microbiologia da metanogênese (geração) e da metanotrofia (consumo).

Atualmente, a busca por organismos que geram e consomem metano vai de ambientes criados pelo homem a alguns dos locais mais extremos na Terra. Na Escola também foram discutidas metodologias que poderão ser usadas para detectar presença de metano fora da Terra, como em luas de Júpiter. O metano seria um possível indicador de vida extraterrestre.

“O metano é um elemento-chave para a Astrobiologia e para conhecer mais sobre a origem da vida”, disse Ken Takai, da Jamstec, agência japonesa para ciência e tecnologia marinha e terrestre e um dos palestrantes no evento.

Além disso, outro tema discutido foi a recente aplicação do conhecimento em produção de bioenergia, gerenciamento de resíduos e em Agronomia.

“O metano formado no solo dificilmente chega à atmosfera se houver uma atividade biológica que consome esse gás. Mas, quando há desequilíbrio entre produção e consumo, acaba havendo liberação para a atmosfera. Para agricultura e solo, essa é uma das principais discussões colocadas aqui”, disse Fernando Dini Andreote, professor da Esalq-USP.

Gelo que queima

O hidrato de clatrato (ou hidrato de gás) é um cristal de água que encapsula gases, a maior parte metano, e que queima com facilidade. Por isso, é considerado pelo setor de energia como um possível combustível no futuro. Quando no subsolo marinho, sob baixas temperaturas, ele mantém estável o gás em seu interior.

“No entanto, temos evidências de que houve uma grande mudança no nível do mar ao longo da nossa história. A diminuição da pressão dos oceanos decorrente disso, além do aquecimento da água, é uma forma de liberar esse hidrato de gás. Como sabemos que houve um aumento das temperaturas marinhas, estamos provavelmente chegando a uma era ou período em que nunca antes na história humana houve tanto hidrato de gás sendo exposto”, disse Boetius.

A cientista alerta que no Ártico o quadro é especialmente preocupante, já que há muitos depósitos de hidrato de gás em partes rasas, apenas alguns metros abaixo do gelo.

“O Ártico tem muitos e muitos quilômetros de mares rasos e eles podem ter grandes depósitos desses hidratos de gás. Atualmente, a maior parte do Ártico está congelado, mas não sabemos se estará até o fim do século”, disse.

Investimento em pesquisa

Além da quantidade de hidrato de gás, a própria emissão de metano dos oceanos como um todo é apenas estimada. Embora métodos para fazer as medições sejam conhecidos, seriam precisos muito mais pontos de medição do que os poucos existentes atualmente.

“Para esse tipo de levantamento precisamos de navios, robôs e engenheiros. É um esforço de muita alta tecnologia. Logo, poucos países no mundo têm condições de fazer esse trabalho, embora devessem medir emissões pelo menos em sua própria zona econômica exclusiva. Por isso, temos muito poucos dados”, disse Boetius.

A quantidade de metano emitida, portanto, pode estar subestimada, o que é dito nos últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC): “Temos apenas estimativas baseadas em poucos dados científicos”.

Mudar esse quadro exige altos investimentos em pesquisa. No entanto, os Estados Unidos, segundo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, atrás apenas da China, recuou seus investimentos nos últimos dois anos.

“Os Estados Unidos têm um impacto desproporcional no clima por causa do estilo de vida, do jeito que gerimos nossa indústria. Contribuímos bastante para a quantidade de metano no mundo. Por conta disso, temos responsabilidade de fazer algo sobre isso”, disse Brendan Bohanann, da University of Oregon, um dos organizadores da Escola.

“Ao mesmo tempo, o financiamento para ciência nos Estados Unidos tem sido estável ou mesmo tem caído ao longo do tempo. Isso sem contar que tem havido uma queda geral na importância da ciência em determinar políticas no nível federal e isso é uma grande preocupação. Infelizmente, quando os Estados Unidos tomam uma decisão em nível nacional, isso tem um impacto global. Espero que o Brasil tome os Estados Unidos como um mau exemplo e não faça a mesma coisa”, disse Bohanann.

Além de assistir a palestras, apresentar trabalhos e realizar atividades em grupo os participantes fizeram visitas técnicas à Esalq e ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena).

Mais informações sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Metano: http://spsasmethane.com

Fonte: Agência FAPESP

Economia brasileira será uma das mais impactadas pelo aquecimento global

O principal argumento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para desmantelar vários regulamentos ambientais do país é econômico. Ao justificar medidas como a retirada dos EUA do Acordo de Paris, ele afirma que o aumento das emissões de carbono não tem impacto imediato na economia — realizar projetos para mitigar impactos ambientais, por sua vez, custa caro. Em seus discursos, o presidente chegou a sugerir que o aquecimento global seria uma farsa criada pela China para punir a economia dos Estados Unidos.

A explicação de Trump pode até soar extremamente egoísta — estudos demonstraram ser benéfico para os países ricos uma economia embasada em combustíveis fósseis, enquanto os prejuízos se acumulam dos menos desenvolvidos. Mas, além disso, ela também não faz nenhum sentido econômico, de acordo com uma recente pesquisa publicada na Nature Climate Change.

Um grupo de pesquisadores dos EUA e da Itália analisaram diversas fontes de dados, como os mais modernos modelos de projeção do clima, estimativas de impacto gerado por mudanças climáticas, e previsões socioeconômicas de 200 países para determinar o custo para cada um da emissão de uma tonelada de carbono na atmosfera do planeta, que chamaram de Custo Social do Carbono.

Os resultados mostram que a economia da Índia, quarta que mais emite gases de efeito estufa (se for considerar a União Europeia como um país só), é a mais vulnerável à emissão global de dióxido de carbono, com o custo de US$ 86 por tonelada. Os EUA, segundo maior poluidor, vem logo atrás, com o custo de US$ 48 por tonelada de CO² emitida.

Segundo os pesquisadores, locais com o clima mais ameno, como na União Europeia e na Rússia, apesar de serem estarem na terceira e quinta colocação do infame ranking dos maiores poluidores, a economia não deve sofrer grandes impactos.

A China se beneficia por motivo diferente. País que mais contribui com emissões de carbono na atmosfera, é apenas a quinta onde o custo do carbono é mais alto, com US$ 24 por tonelada. Por outro lado, a Arábia Saudita, 14º maior emissor de CO2, é a terceira economia mais impactada, com US$ 47.

O Brasil, como costuma fazer em rankings negativos, não podia ficar de fora. A economia brasileira tem um prejuízo médio de US$ 24 por tonelada de carbono na atmosfera, o que a coloca como a quarta mais prejudicada.

Os resultados mostram que até o dado utilizado pelo governo norte-americano para embasar suas decisões, da Agência de Proteção Ambiental (EPA), estão incorretos. Da estimativa de US$ 12 a US$ 62 por tonelada de COw prevista para 2020, a nova pesquisa estima um custo global que varia de de US$ 180 a US$ 800. Com base nas emissões globais de 2017, é um peso de mais de US$ 16 trilhões para a economia global.

“Nossa análise demonstra que o argumento de que os principais beneficiários de reduções nas emissões de dióxido de carbono seriam outros países é um mito total”,disse a principal autora, Kate Ricke, da Universidade da Califórnia San Diego, se referindo aos EUA.

“Faz muito sentido, porque quanto maior a sua economia, mais você tem a perder. Ainda assim, é surpreendente quão consistentemente os EUA são um dos maiores perdedores, mesmo quando comparados a outras grandes economias.”

Os autores concluem que muitos países ainda não reconheceram o risco representado pelas mudanças climáticas. No entanto, uma compreensão mais clara dos impactos domésticos pode desempenhar um papel no incentivo às nações a unirem forças para agir, em seu próprio interesse, para mitigar a mudança climática.

“Todos sabemos que o dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis afeta pessoas e ecossistemas ao redor do mundo, hoje e no futuro, mas esses impactos não são incluídos nos preços de mercado, criando uma externalidade ambiental em que os consumidores de energia fóssil não pagam e desconhecem os verdadeiros custos de seu consumo “, concluiu Ricke

Fonte: Revista Galileu, edição outubro/2018

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/economia-brasileira-sera-uma-das-mais-impactadas-pelo-aquecimento-global.html

Safra de soja vai a 127,2 milhões de toneladas nos EUA

Volume ficou acima da estimativa por causa da previsão de alta na produtividade nas lavouras

As estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) apontou uma safra recorde de 127,2 milhões de toneladas de soja. A safra anterior tinha ficado em 119,53 milhões.

O volume, que ficou acima da estimativa média do mercado, ocorreu devido à previsão do órgão americano de uma alta de 2,3% na produtividade das lavouras.

Com safras recordes nos Estados Unidos e em outros produtores, como o Brasil, a produção total de soja deverá subir para 369 milhões de toneladas no mundo, 10% mais do que no ano anterior.

Os estoques finais da safra 2018/19 dos americanos aumentam para 23 milhões de toneladas, 114% mais do que os da safra anterior. Apesar da elevada produção e das restrições da China à compra de soja americana, os Estados Unidos esperam manter um patamar elevado de exportações.

O volume previsto é de 56,1 milhões de toneladas, um pouco abaixo dos 58 milhões de 2017/18.

Etanol As vantagens que o combustível tem sobre a gasolina elevam o consumo nacional para patamares recordes. Com demanda aquecida e preços favoráveis aos consumidores, a produção de álcool dispara.

Volume  Desde o início da safra 2018/19, as usinas do centro-sul já produziram 14,1 bilhões de litros de etanol hidratado, 62% mais do que na safra anterior. A produção total, incluindo o etanol anidro, soma 20,5 bilhões de litros na safra.

Café Com o bom volume exportado no mês passado, o Brasil já colocou 20,5 milhões de sacas no mercado externo até agosto, com receitas de US$ 3,1 bilhões (R$ 13 bilhões). O volume aumentou 4,5%, e as receitas caíram 7,5%, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo

Cúpula em São Francisco busca soluções para a dura realidade climática

São Francisco – Governadores, prefeitos, diretores de empresas e filantropos milionários se reúnem esta semana em São Francisco para atacar o problema do aquecimento global, numa época em que o mundo toma consciência da ameaça da mudança climática que se torna realidade.

Na Cúpula Global de Ação pelo Clima, centenas de cidades, regiões e empresas que valem centenas de milhões se comprometerão a adotar a energia solar ou eólica nas próximas décadas. O governador da Califórnia e anfitrião, Jerry Brown, que começou sua cruzada pelas energias limpas na década de 1970, deu o exemplo na segunda-feira ao aprovar uma legislação de referência, que obriga o estado a eliminar o dióxido de carbono de sua rede elétrica até 2045.

“Temos a oportunidade e a obrigação de fazer nossa parte para lutar contra as mudanças climáticas”, disse à AFP horas antes de transformar o projeto em lei.

“Esta cúpula vai ser uma vitrine para o mundo todo em termos de ação climática”, disse Ethan Elkind, chefe do programa sobre o clima do Centro de Direito, Energia e Meio Ambiente da Universidade da Califórnia, Berkeley.

– ‘Potencial alentador’ – A promessa relacionada com a eletricidade da Califórnia “mostra que é possível ‘descarbonizar’ enquanto a economia continua crescendo e gerando trabalhos”, afirmou à AFP.

Mas a avalanche de promessas e declarações promissoras apontam direto para duas realidades duras e inflexíveis: uma política e outra arraigada na física de um planeta em aquecimento.

Até o momento, a soma de todas as iniciativas locais de redução de emissões de carbono mostra um “potencial alentador”, mas não foram alcançados compromissos mais profundos por parte dos governos nacionais, disse na segunda-feira Erik Solheim, chefe da ONU para o Meio Ambiente.

Depois de permanecerem estáveis por três anos, gerando esperanças de ter atingido seu ponto mais alto, as emissões de dióxido de carbono voltaram a crescer em 2017 até níveis sem precedentes.

“Se não conseguimos mudar a tendência para 2020, corremos o risco de perder o ponto no qual podemos evitar a mudança climática descontrolada”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em um discurso nesta segunda-feira, no qual advertiu sobre um “futuro obscuro e perigoso”.

O acordo de Paris, assinado em 2015 por 196 países, busca limitar o aquecimento global abaixo de 2°C, ou de 1,5°C se possível.

Mas mesmo se os países honrarem o compromisso assumido em um anexo ao tratado, a tendência vai em direção a 3,5°C de aquecimento em nível global.

– Fora do Acordo de Paris – Com apenas um grau Celsius de aumento desde a era pré-industrial, nosso planeta já está lidando com um impacto crescente do clima, incluindo secas mortais, chuvas e grandes tempestades, inundações e aumentos do nível do mar. A política que obstaculiza a transição a uma economia global alimentada por energias limpas em vez de combustíveis fósseis vem da Casa Branca e rejeita as mudanças climáticas por considerá-las uma mentira.

O presidente americano, Donald Trump, retirou o país do Acordo de Paris e criticou as políticas climáticas nacionais e internacionais de seu predecessor, Barack Obama. Como consequência, é pouco provável que os Estados Unidos cumpram suas promessas de redução de emissões de carbono.

Mais preocupante, dizem os especialistas, é o impacto que suas ações podem ter fora do país.

Ainda participando das negociações climáticas da ONU que em dezembro deveria terminar de regulamentar as normas do Acordo de Paris, o governo Trump apresentou na semana passada demandas que poderiam desestabilizar as frágeis negociações.

Até o momento, os Estados Unidos são o único país que abandonou o tratado histórico. Mas o candidato presidencial Jair Bolsonaro disse que também retirará o Brasil do acordo se for eleito em outubro.

Os copresidentes da cúpula climática de São Francisco incluem o ex-prefeito de Nova York e filantropo Michael Bloomberg, a diretora de clima da ONU, Patricia Espinosa, e o principal funcionário do governo chinês para o clima, Xie Zhenhua.

Fonte: UOL Notícias Ciência e Saúde

Estados Unidos oficializam taxas de até 72% sobre importação de biodiesel proveniente da Argentina e da Indonésia

Nesta quinta-feira (04), os Estados Unidos oficializaram a imposição de taxas compensatórias de até 72% sobre as importações de biodiesel provenientes da Argentina. O país norte-americano alega que a sua indústria local do combustível está “materialmente prejudicada por importações subsidiadas”.

A Comissão de Comércio Internacional (TIC, na sigla em inglês) determinou que qualquer ingresso do produto proveniente da Argentina e também da Indonésia será objeto das medidas compensatórias, segundo as resoluções C-357-821 e C-560-831.

Essa porcentagem se estende para o biodiesel que foi importado desde 28 de agosto de 2017, data na qual o Departamento de Comércio publicou as determinações preliminares a respeito do assunto.

As taxas são de 72,28% para a Dreyfus Corporation, de 71,45% para a Vicentín e de 71,87% para as demais empresas que exportam biodiesel aos Estados Unidos.

Em novembro, as autoridades argentinas haviam anunciado que o país irá recorrer ao Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Tradução: Izadora Pimenta do Notícias Agrícolas

Fonte: AgroVoz

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