IPCC indica necessidade de redução drástica das emissões até 2040

Para limitar o aumento da temperatura global em 2°C e garantir um clima minimamente estável às futuras gerações, será preciso reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa até 2040 e, a partir daí, retirar carbono da atmosfera em grandes quantidades. Esse é o principal alerta que o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) revelou.

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC, explica como o planeta chegou a esse ponto crítico em relação às mudanças climáticas e os efeitos já percebidos no Brasil e no mundo. O cientista aponta também os principais desafios dos acordos globais de clima para conseguir criar uma governança comum e evitar que o termômetro ultrapasse 2°C.

Embora as previsões sejam preocupantes, Artaxo afirma que “a ciência já tem as ferramentas para reduzir essas emissões drasticamente. O grande problema são as decisões políticas, que precisam ser feitas pelos governos de maneira a garantir a sustentabilidade da economia do planeta como um todo nas próximas décadas” Confira a entrevista completa:

Qual é a principal mensagem do novo relatório do IPCC?

A principal mensagem, sem sombra de dúvida, é de que se nós tivermos que limitar o aumento da temperatura em 2°C e se nós quisermos ter um sistema climático minimamente estável para as futuras gerações, temos que mudar radicalmente a maneira como utilizamos os recursos naturais do nosso planeta, em particular, a redução de emissões de combustíveis fósseis e a eliminação do desmatamento em regiões tropicais, em particular, na Amazônia.

Esse carácter de urgência já apareceu em relatórios anteriores do IPCC?

A cada relatório do IPCC, esse cárater de urgência vai se intensificando devido à falta de ações concretas de redução de emissão de gases de efeito estufa. Então, apesar desse caráter de urgência já ter sido mencionado em outros relatórios do IPCC, agora a urgência é muito maior. Por exemplo, as necessidades de redução de emissões imediatas hoje já são muito mais radicais do que apresentadoantes nos demais relatórios do IPCC. Basicamente, agora, a necessidade é de zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2040 e, a partir de 2040, retirar CO2 da atmosfera em grandes quantidades com tecnologias que a gente ainda não conhece.

Como a humanidade chegou a este ponto crítico?

Nós chegamos a este ponto crítico devido à ausência de ações tanto de governos, quanto de setores empresariais em contribuir para políticas de redução de emissões de gás de efeito estufa. Há mais de 25 anos o IPCC e vários outros órgãos internacionais deixam muito claro que temos que reduzir emissões o mais rápido possível e da maneira mais drástica possível. Essa questão não foi atendida até o momento e isso faz com que a urgência da redução se torne cada vez mais importante.

Por que você acredita que governos e setor empresarial não se mobilizaram o suficiente?

Eles não se mobilizaram porque evidentemente os interesses econômicos prevalecem sobre os interesses da população. Evidentemente, todos os governos e as grandes empresas sabem, há várias décadas, dos potenciais impactos das mudanças climáticas na sociedade, na economia e no meio ambiente. Os interesses econômicos das companias de petróleo falaram mais alto, no exterior. No do Brasil, os interesses econômicos do agronegócio falaram mais alto do que a necessidade de redução de emissões, que é algo quase unânime na sociedade brasileira em geral, com exceção dos pecuaristas do agronegócio. Portanto, na verdade, isso é o governo respondendo mais aos interesses de pequenos grupos econômicos do que aos interesses da população em geral.

Quais são as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa no mundo e, especialmente, no Brasil?

No mundo, globalmente falando, as principais fontes de emissão de gás de efeito estufa são a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. Hoje, essa proporção está em torno de 90% para queima de combustíveis fósseis e 10% para o desmatamento. No Brasil, as duas maiores fontes de emissões são o desmatamento na Amazônia e o setor agropecuário.

Quais efeitos das mudanças climáticas já são percebidos hoje no mundo e no Brasil?

O aumento médio da temperatura no Brasil, ao longo dos últimos 100 anos, já é de 1.5°C. Algumas regiões como, por exemplo, o Nordeste brasileiro, se aqueceram mais do que isso e outras regiões se aqueceram menos. O aquecimento no Brasil já está causando perturbações no ciclo hídrico, na chuva, onde nós vemos uma redução muito drástica da precipitação no Nordeste e na bacia do rio São Francisco. Há também um aumento da precipitação na bacia Prata e no sul do Brasil. Os eventos climáticos extremos, como chuvas muito pesadas, são cada vez mais frequentes em cidades como São Paulo, onde a quantidade de enchentes e chuvas acima de 100 milímetros por dia aumentaram significativamente. Isso representa uma série de aumento na frequência de desastres naturais, como o deslizamento de encostas, que acontece quase todo ano em Petropólis, por exemplo, e em áreas vulneráveis do Brasil.

Os efeitos das mudanças do clima já são muito bem documentados em todas as regiões brasileiras. No caso da Amazônia, também foi muito forte o efeito das secas de 2005 e 2010 no balanço de carbono da floresta. A floresta acabou emitindo uma quantidade grande de carbono para a atmosfera, como decorrência desses eventos climáticos extremos (secas de 2005 e 2010).

Quais as previsões desses efeitos para os próximos anos?

As projeções são razoavelmente sombrias, para ser honesto com você. Veja, se nós continuarmos a emitir combustíveis fósseis na faixa que estamos emitindo hoje, globalmente, que é de 40 giga toneladas de CO2 por ano, nós podemos esperar, ao longo dos próximos 30 ou 40 anos, um aumento adicional da temperatura de mais uns 3 ou 4°C. Isso iria desestabilizar a produção de alimentos no planeta como um todo, porque causaria alterações no padrão de chuva e redução na produtividade primária da maior parte das culturas. É preocupante, por temos que alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 e o clima pode ser muito menos favorável para a produção agrícola do que o que nós temos hoje.

Existe algum estudo que estime em termos econômicos, em valores, as perdas para a agricultura desse aumento de temperatura?

Sim, a EMBRAPA fez uma série de simulações de potenciais quebras de safra do café, algodão, milho e assim por diante e, obviamente, os prejuízos econômicos são muito significativos. Essas estimativas financeiras ainda têm grandes incertezas porque na verdade ninguém tem bola de cristal para saber como é que, ao longo dos próximos 10, 20 ou 30 anos nós teremos a evolução desse quadro. Mas apesar das incertezas, sabemos e temos certeza de uma coisa: os prejuízos econômicos e sociais vão ser muito grandes.

Se houvesse uma mobilização hoje de todo o setor produtivo para resolver o problema das mudanças climáticas, por onde ele deveria iniciar esse trabalho na área de agricultura e de florestas?

A primeira questão muito simples é eliminar o desmatamento ilegal. Em 2017, o Brasil desmatou cerca de 8 mil km² de florestas primárias. Mesmo nesse cenário catastrófico, ainda estamos destruindo florestas que são cruciais para o nosso próprio futuro. Temos uma necessidade urgente de redução de desmatamento na Amazônia. Além disso, temos que ampliar o uso de energia solar e eólica, em particular no Nordeste brasileiro. Há um potencial de geração de eletricidade muito grande que não é aproveitado adequadamente. Esperamos que o próximo governo brasileiro reverta esse quadro e que implemente medidas que tornem o desenvolvimento socioeconômico do Brasil sustentável.

Qual é o papel de práticas de agricultura de baixo carbono nesse contexto?

Desenvolver uma nova agricultura com baixas emissões de carbono é fundamental. Hoje, a agricultura responde globalmente por cerca de 30% das emissões de gases de efeito estufa, onde a maior parte dessas emissões se dá através do metano que é emitido na criação do gado. A agricultura de baixo carbono é fundamental também para garantir mercados futuros e o desenvolvimento econômico do Brasil.

Se o Brasil se dedicasse a acabar com o desmatamento ilegal e a investir em práticas de agricultura de baixo carbono e em outras fontes de energia (como a bioenergia, solar e eólica) seria suficiente para cumprir seu compromisso no Acordo de Paris?

Isso depende das metas que o país colocar para si mesmo. No caso da NDC brasileira do Acordo de Paris, o país se comprometeu a reduzir em 42% as suas emissões. Entretanto, o último relatório do IPCC, tentando limitar o aumento da temperatura em 1.5°C, mostra que essa redução tem que ser 80% nos próximos 20 anos e a emissão líquida de gases de efeito estufa em 2040 tem que ser zero. São metas muito ambiciosas, mas são absolutamente necessárias se a gente quiser garantir uma mínima estabilidade no sistema climático terrestre.

O que podemos esperar da próxima Conferência do Clima (COP 24) agora que já foi publicado este novo relatório do IPCC?

Agora, ficou mais claro que é absolutamente necessário aos países do nosso planeta que precisamos começar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa o mais cedo possível, provavelmente em 2020. Isso significa que teríamos dois anos para planejar como essa redução vai ser feita e, a partir daí, começar a reduzir drasticamente, principalmente com a implantação de grandes centrais de geração de eletricidade por usinas solares e eólicas. Essa tecnologia já existe e é compatível economicamente com as tecnologias atuais. Basta vontade política para que isso seja implementado. Não precisamos de nenhum desenvolvimento tecnológico novo. A ciência já tem as ferramentas para reduzir essas emissões drasticamente. O grande problema são as decisões políticas que tem que ser feitas pelos nossos governos de maneira a garantir a sustentabilidade da economia do planeta como um todo nas próximas décadas. Existem sérias dificuldades tanto nos EUA, quanto no Brasil, quanto também em alguns países europeus, do ponto de vista de redução de emissões.

Com tantos países e setores envolvidos, como seria possível estruturar a governança de um esforço global para reduzir as emissões?

Estamos extremamente atrasados na governança porque a ONU não foi estruturada para tratar de problemas destas dimensões e não há nenhum organismo internacional com a competência e o mandato necessários para lidar com uma questão tão complexa como as mudanças climáticas globais. Isso ainda vai ter que ser construído e nós vamos ter que começar essa discussão o mais rápido possível. Quem vai punir um país que não cumpra suas metas? Quem vai coletar eventuais multas? Como será o mecanismo financeiro para adaptação dos países em desenvolvimento? São questões ainda completamente em aberto, mas urgentes que precisam de respostas urgentes.

Como você vê a posição de países como os Estados Unidos, que já anunciaram que vão sair do Acordo de Paris, e as polêmicas sobre esse tema que circularam durante as eleições brasileiras?

Os Estados Unidos são um caso diferente dos demais países porque muitos estados americanos não concordam com a política de Donald Trump e já estão implementando políticas de emissão zero de gases de efeito estufa, ao longo de 2040 e 2050, como é o caso da Califórnia e de Massachusetts.

No caso brasileiro, obviamente toda a política de redução de emissões é dada pelo governo federal. Nós vamos depender muito da sustentabilidade do próximo governo na implementação de medidas que possam reduzir as emissões brasileiras, integrar mais fortemente as metas do Acordo de Paris e reforçá-las a partir dessa próxima COP e para garantir um clima minimanente estável para o próprio Brasil. É interesse do país reduzir suas emissões de gases e garantir a sustentabilidade da economia brasileira no futuro.

Fonte: Coalizão Brasil

Cronograma pode levar Brasil ao topo da produção mundial de biodiesel, diz Erasmo Carlos Battistella

A deliberação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de aumentar gradualmente a mistura de biodiesel ao diesel derivado de petróleo tem potencial para transformar o Brasil no maior mercado desse combustível no mundo. Para Erasmo Carlos Battistella, presidente do Conselho de Administração da APROBIO, a medida é bem-vinda e tratá uma série de benefícios ao setor.

“A adoção de um cronograma de aumento anual da mistura tem sido uma das principais bandeiras defendidas pela APROBIO, pois dá previsibilidade ao mercado e permite um melhor planejamento de todos os agentes envolvidos. Certamente essa decisão do CNPE vai alavancar novos investimentos e tem potencial para transformar o Brasil no maior produtor e consumidor de biodiesel no mundo”, avalia Battistella.

Em 2018, o país deve produzir e consumir 5,4 bilhões de litros de biodiesel, dos quais cerca de 70% são produzidos a partir do óleo de soja. Esse volume fica atrás apenas do mercado dos Estados Unidos, e supera outros países, como Alemanha e Argentina.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o cronograma elevaria a produção de biodiesel no Brasil para mais de 10 bilhões de litros anuais, entre 2018 e 2023. Esse crescimento representa um aumento de 85% da demanda doméstica.

Estima-se que a cadeia produtiva do biodiesel brasileiro empregue mais de 200 mil profissionais, além de ser um importante indutor da agricultura familiar e responsável pela redução de até 70% nas emissões de poluentes, em comparação com o diesel fóssil.

Pela proposta do CNPE, a mistura vai subir dos atuais 10% (B10) para 11% (B11) em junho de 2019, e aumentará em 1 ponto porcentual nos próximos anos, até atingir o B15 previsto pela legislação em março de 2023. Essa evolução está condicionada à conclusão e resultados dos testes determinados, previstos para março de 2019.

Secretário-geral da ONU chama o mundo para a urgência do combate ao aquecimento do planeta

Em um discurso contundente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou governos, empresas e cidadãos de todo o mundo a agir com força e rapidamente para combater o aquecimento global e as mudanças decorrentes no clima do nosso planeta.

Estas foram as principais mensagens do discurso:

  • O secretário-geral convocou a todos para soar o alarme. Está faltando ainda, mesmo depois do Acordo de Paris, liderança, senso de urgência e um compromisso verdadeiro com uma resposta multilateral decisiva.
  • O mundo está em um curso equivocado. Se continuarmos no caminho atual, até 2030, perderemos o ponto no qual poderemos evitar uma descontrolada mudança climática, que terá consequências desastrosas para as pessoas e todos os sistemas naturais que nos sustentam.
  • Os cientistas nos alertam há décadas que a mudança climática está acontecendo. Mas muitos líderes se recusaram a ouvir.
  • Chegou a hora de nossos líderes mostrarem que se importam com as pessoas cujo destino elas têm nas mãos. Precisamos deles para mostrar que se importam com o futuro – e com o presente.
  • O Acordo de Paris estabeleceu metas que buscam manter o aumento da temperatura global o mais próximo possível de 1,5 graus Celsius.
  • Mas, de acordo com um estudo feito pela ONU, os compromissos assumidos até agora pelas Partes do Acordo de Paris representam apenas um terço do que é necessário.
  • O Acordo de Paris e a Convenção Clima são as bases para os esforços globais para enfrentarmos a mudança climática. Os governos nacionais, no entanto, não podem fazê-lo sozinhos. As partes interessadas não-partes podem aumentar significativamente a ação climática e influenciar a ambição em nível nacional.
  • Existe uma oportunidade real, agora, de promover a prosperidade econômica, ao mesmo tempo em que reduzimos as emissões e fortalecemos a resiliência climática. Temos a oportunidade de descartar as formas antigas e criar um novo caminho para um futuro melhor.
  • Os benefícios da ação climática superam em muito os custos da inação. O Relatório da Nova Economia Climática concluiu que a ação sobre as mudanças climáticas resultaria em uma economia de US$ 26 trilhões até 2030, em comparação com os negócios de sempre.
  • Abandonar os combustíveis fósseis e abraçar as energias renováveis economiza dinheiro e, também, cria novos empregos, reduz o desperdício de água, aumenta a produção de alimentos e limpa o ar.
  • Há um dever moral de agir sobre as mudanças climáticas. As nações mais ricas do mundo são as mais responsáveis pela crise climática, mas os efeitos serão sentidos primeiro e mais fortemente pelas nações mais pobres e pelas pessoas e comunidades mais vulneráveis.
  • Mulheres e meninas, em particular, pagarão um preço mais elevado – não apenas porque suas vidas se tornarão mais difíceis, mas porque, em tempos de desastre, as mulheres e meninas sempre sofrem desproporcionalmente.
  • O secretário-geral convocará uma Cúpula do Clima para levar a ação climática ao topo da agenda internacional. A cúpula ocorrerá um ano antes de os países terem que melhorar suas promessas climáticas no âmbito do Acordo de Paris. O secretário-geral pede a todos os líderes mundiais que participem da Cúpula do Clima do próximo ano, preparados para relatar não só o que estão fazendo, mas o que mais pretendem fazer em 2020, quando os países atualizarão seus planos climáticos nacionais.
  • A Cúpula se concentrará em áreas que estão no núcleo do problema – os setores que mais geram emissões e as áreas onde a resiliência em construção fará a maior diferença.

O discurso do secretário-geral foi um apelo a todos que tenham qualquer responsabilidade de liderança no mundo para entender que a mudança climática é um problema para todos e que “o mundo está contando com você para enfrentar o desafio antes que seja tarde demais”.

Fonte: ClimaInfo

Animação mostra anomalias climáticas de 191 países entre 1880 e 2017

O meteorologista finlandês Antti Lipponen publicou na rede social Flickr uma animação que mostra anomalias na temperatura média de cada ano desde 1880 até agora, registradas em 191 países. No começo, os azuis (que indicam temperaturas mais baixas) são predominantes. Aos poucos, os vermelhos (temperaturas mais quentes) vão se intensificando até que, em 2017, tudo fica vermelho e laranja.

A animação tem como base dados coletados pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Na página pessoal de Lipponen, é possível ver as consequências do aquecimento global e do efeito estufa de outra forma. O gráfico animado mostra em quais anos a temperatura do planeta ficou acima ou abaixo da média observada entre 1880 e 2017. A última vez em que o índice ficou abaixo da média foi 1976. Um jeito claro e direto de ver que o mundo precisa mudar essa trajetória o quanto antes!

Fonte: Climainfo e Flickr

Mumbai quer ser uma ‘diocese verde’ para combater as mudanças climáticas

A mudança climática “já está em andamento. Não há dúvidas sobre isso. Não há necessidade de nos convencer de que a mudança climática existe. Nós somos vítimas disto há muito tempo”, afirmou à AsiaNews Dom Allwyn D’Silva, da arquidiocese de Mumbai e secretário do Departamento para as Mudanças Climáticas da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (Fabc).

Dom Allwyn D’Silva foi escolhido pelo cardeal Oswald Gracias – presidente da Conferência Episcopal Indiana, da Fabc e arcebispo da metrópole indiana – para conduzir uma verdadeira reviravolta nos próximos anos da qual a arquidiocese será a protagonista: tornar-se “verde”, ou seja, respeitosa com o meio ambiente.

A iniciativa foi lançada pelo purpurado em 15 de agosto e implementada a partir de 1º de setembro, em concomitância com o Dia de Oração pelo Cuidado da Criação.

 

Crise ambiental, questão moral para os católicos de hoje

Na apresentação do projeto, o cardeal Gracias escreveu que “a Igreja, alarmada pelos sinais do nosso tempo, reconhece que a crise ecológica é o maior desafio do mundo de hoje. Responder a esta crise é parte integrante da missão da Igreja. Quer pelo respeito à criação de Deus quanto pelas preocupações suscitadas por aqueles que foram atingidos por devastações, a crise ambiental é a questão moral dos católicos hoje”.

O projeto nasceu como uma resposta à Encíclica “Laudato si” do Papa Francisco. O cardeal admite que os efeitos da mudança só serão vistos a longo prazo.

Mais tarde, ele acrescenta que isso “deve incluir uma abordagem que combine espiritualidade e educação com a tomada de consciência”. Por fim, convida todos a cuidar “da nossa casa comum. Que possam os nossos corações estar abertos à contemplação do dom da criação”.

 

Decênio mais quente da história da Índia

Dom D’Silva, por sua vez, informa que “a década de 2008-2017 foi a mais quente da história da Índia. Isso, aliado à má gestão das reservas de água, levou a secas e escassez de água”.

O bispo revela que o próprio “Banco Mundial identificou recentemente a mudança climática como a mais grave ameaça ao crescimento potencial da economia indiana e previu uma diminuição nos padrões de vida de quase metade dos habitantes, devido a mudanças nas temperaturas e nas precipitações. O povo indiano merece muito mais que este futuro angustiado”.

 

Poluição atmosférica

Ele também alerta para outro fenômeno: “a principal causa da mudança climática – a combustão de combustíveis fósseis como o carvão – causa uma miríade de outros problemas que causam enorme sofrimento aos indianos”, como “a poluição do ar. Ironicamente – observa – em muitas partes da Índia, cada respiração a mais equivalente a um passo em direção à morte. Em 2018, cerca de 1,8 milhão de indianos morreram devido à poluição do ar”. “Fechar nossos olhos para essa realidade significa evitar o olhar de nossa consciência”.

Fonte: Vatican News

Elevação das concentrações de carbono na atmosfera ameaça a nutrição humana

A emissão de CO2 está alterando não apenas o clima global, mas também a composição nutricional de plantas que fazem parte da base alimentar de bilhões de pessoas no mundo, alerta estudo publicado nesta segunda-feira na revista “Nature Climate Change”. Cálculos estimam que o empobrecimento de culturas como arroz e trigo pode, por exemplo, provocar deficiência de zinco em 175 milhões de pessoas e de proteínas em 122 milhões, até 2050. A pesquisa aponta ainda que mais de 1 bilhão de mulheres e crianças podem perder grande parte das fontes de ferro, aumentando o risco de anemia e outras doenças.

— Nossa pesquisa deixa claro que decisões que tomamos diariamente; em como aquecemos nossas casas, o que comemos, como nos transportamos e o que compramos; estão tornando nossos alimentos menos nutritivos, colocando em risco outras populações e as gerações futuras — alertou Samuel Myers, pesquisador da Universidade de Harvard e autor principal do estudo.

Hoje, mais de 2 bilhões de pessoas têm deficiência em um ou mais nutrientes. Em geral, as plantas respondem pela maior parte dos nutrientes-chave para os humanos: 63% das necessidades de proteínas; 81%, de ferro; e 68%, de zinco. Pesquisas demonstram que concentrações maiores de CO2 resultam em plantas menos nutritivas. Em ambientes com concentrações do gás em 550 partes por milhão (ppm), as perdas de proteínas, zinco e ferro variam entre 3% e 17%, em comparação com níveis em torno de 400 ppm, como os atuais.

Com essas informações, Myers e seus colegas analisaram o peso dessas perdas para a saúde humana em 151 países, com informações de bancos de dados detalhados sobre os padrões alimentares por idade e sexo, com 225 alimentos diferentes.

Fonte: O Globo

Estudo liga exposição crônica à poluição a redução nos níveis de inteligência

A exposição crônica à poluição do ar está associada a danos à inteligência, revela um novo estudo conduzido por pesquisadores da China e dos Estados Unidos.

pesquisa identificou que a relação entre poluição e performance cognitiva aumenta com a idade e afeta especialmente homens com menor nível de educação.

Foram usados dados de 20 mil pessoas que vivem na China e que, em 2010 e 2014, fizeram testes de matemática e de linguagem como parte da CFPS (sigla em inglês para Painel de Estudos da Família da China), uma pesquisa nacional conduzida anualmente e financiada pelo governo chinês com famílias e indivíduos.

“A pesquisa (CFPS) também fornece informações exatas sobre as localizações geográficas e as datas das entrevistas, o que nos permite comparar as pontuações dos testes com os dados da qualidade do ar local com mais precisão”, explicam os autores do estudo, divulgado pela publicação acadêmica americana PNAS.

O estudo comparou os resultados dos testes de performance cognitiva com medições de dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e de partículas menores que 10 micrômetros de diâmetro dos locais onde os participantes viviam quando fizeram as provas.

Não está claro o quanto cada um desses três poluentes seria culpado pela perda na performance. Monóxido de carbono, ozônio e partículas maiores não foram incluídos na análise.

Fonte: BBC Brasil

Economia verde avança no mundo, apesar de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu mais um golpe contra o meio ambiente. Desta vez, substituiu os regulamentos sobre o carvão natural de seu antecessor, Barack Obama, por sua Regra de Energia Limpa Financiável (ACE, na sigla em inglês), colocando uma parcela maior da regulamentação das usinas elétricas a carvão nas mãos dos governos estaduais, em vez do federal.

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) alega que a proposta cumprirá a meta de Trump de “dominância energética”, ao criar novos empregos e impulsionar a economia nacional em 400 milhões de dólares adicionais por ano.

Ao mesmo tempo, porém, a EPA admite que o plano poderá provocar 1.400 mortes prematuras a mais até o ano 2030, devido à poluição atmosférica – não estando incluídos os efeitos climáticos das emissões adicionais de gases-estufa.

Esse mais recente retrocesso ambiental se encaixa numa série de ações de Trump para esvaziar as proteções ambientais. Dela também faz parte a retirada do Acordo do Clima de Paris, em junho de 2017, complementada pela eliminação de “mudança climática” e “aquecimento global” dos websites governamentais.

Mas especialistas apontam que, apesar dessas iniciativas para reverter a política de combate à poluição, o mercado global segue mantendo um curso mais verde, apostando em energia limpa e investimentos social e ambientalmente responsáveis.

O que pode acontecer se a temperatura da Terra aumentar dois graus?

Farzana Hoque, consultora de pesquisa e comunicações do Fórum para Investimento Sustentável e Responsavel (US-SIF) , confirma que essa tendência se faz notar, apesar da promessa de Trump de dar fim à “guerra contra o carvão”.

“Os investimentos contra a mudança climática cresceram mais de cinco vezes entre 2014 e 2016, chegando a 1,42 trilhão de dólares nos EUA.” As companhias de energia solar e eólica empregam quase dez vezes mais funcionários do que as de carvão, enquanto os investimentos americanos em combustíveis fósseis caíram na mesma proporção, nos últimos anos.

Em janeiro de 2018, a cidade de Nova York anunciou que excluiria todos os combustíveis fósseis de seu multibilionário fundo de aposentadoria pública – uma iniciativa significativa na atual onda de avanço das fontes limpas.

Em junho, a Goldman Sachs Asset Management, sediada nos EUA, lançou o fundo de ações JUST, para investir em empresas americanas que priorizem salários justos e doações de caridade, e apresentam baixas emissões de gases-estufa, entre outras medidas ambientais, sociais e de governança.

No dia de seu lançamento, o fundo JUST movimentou mais de 250 milhões de dólares em ativos, tornando-se o mais bem-sucedido lançamento desse tipo na história, fato que fortaleceu a confiança dos investidores.

“Muitos investidores veem a motivação moral e empresarial para apostar na energia limpa. Embora o governo Trump venha fazendo retroceder os regulamentos ambientais, as companhias e outras entidades se engajam para reduzir as emissões carbônicas”, relata Hoque.

Firmas e entidades em várias partes do mundo estão igualmente acentuando a importância dos fatores ambientais e sociais em suas agendas. O maior banco europeu, o HSBC, proibiu o financiamento de usinas de carvão em diversos países, além de reduzir o investimento em novos projetos de petróleo e gás natural offshore no Ártico.

O Japão anunciou em 2017 que triplicaria o peso dos fatores ambientais, sociais e de governança em seu fundo de investimento para pensões governamentais, de 3% para 10%. O país possui o maior fundo do gênero do mundo, totalizando cerca de 1,3 trilhão de dólares.

Críticos como Colin Vance enfatizam os desafios de investir na economia verde. Para o vice-diretor do departamento de meio ambiente e recursos do Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica, na Alemanha, esse tipo de investimento nem sempre compensa em termos econômicos.

Como exemplo, ele afirma que, apesar de ter gasto, desde o ano 2000, quase 100 bilhões de dólares para reduzir duas emissões de gases do efeito estufa, a Alemanha não conseguirá alcançar a meta autoimposta de cortá-las em 40% até 2020.

Por outro lado, recentemente a União Europeia elevou para 45% até 2030 o seu próprio compromisso de diminuir as emissões de gases-estufa. Além disso, dentro do mesmo prazo quer chegar a produzir 27% de sua energia a partir de fontes renováveis.

Vem tendo também sucesso o sistema de comércio de emissões na UE. Os preços das licenças ainda são considerados baixos demais, porém uma reforma regulatória a entrar em vigor no começo de 2019 os impulsionou. Segundo relatório da iniciativa de monitoração Carbon Tracker, o preço da tonelada de carbono deverá chegar a 25 euros no fim de 2018 e até exceder os 35 euros em 2023.

A expectativa é que esse encarecimento altere a forma como a Alemanha e outros países da UE consomem energia, tornando mais economicamente viável a transição do carvão para formas mais limpas de energia, no combate à mudança climática global. “A Europa está indo em direção a fixar o preço justo, através de impostos e medidas que reflitam os custos verdadeiros”, afirma Vance.

Fonte: Brasilagro

Revista científica publica estudo sobre benefícios do biodiesel para a saúde pública

A revista científica que tem como temática estudos sobre a poluição do ar em megacidades (Megacity Air Pollution Studies), artigo que tem como base pesquisa desenvolvida pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em julho de 2015, com apoio da APROBIO. O estudo mostra que um maior uso de biodiesel em substituição ao diesel fóssil pode contribuir com a redução de mortes e internações hospitalares provocadas por doenças relacionadas à poluição do ar.

O paper “Avaliação dos impactos na saúde e sua valoração devido à implementação progressiva do componente biodiesel na mistura da matriz energética de transportes” é de autoria dos pesquisadores Evangelina Vormittag e Cristina Guimarães Rodrigues, do Instituto Saúde e Sustentabilidade; e Paulo Afonso de André e Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo (USP).

 

De acordo com o estudo, o uso da mistura de 20% de biodiesel ao combustível vendido nas bombas poderia evitar até 13 mil mortes, quando se estuda o período entre 2015, ano em que a pesquisa foi realizada e quando o Brasil adotava o B5, e 2025. Os benefícios ambientais do B20, com a redução da poluição, se estendem à economia de despesas hospitalares, já que 28 mil internações por doenças respiratórias deixariam de ocorrer no período.

Para os autores do artigo, esses resultados “indicam a importância desse estudo em orientar decisões governamentais, levando-se em conta o quanto essas medidas no nível local podem gerar significativos benefícios para a população exposta à poluição do ar”.

Clique AQUI para acessar o relatório da pesquisa

Observatório do Clima lança relatório sobre emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)

Novo relatório do SEEG analisa o perfil das emissões brasileiras de gases do efeito estufa até 2016 e mapeia suas implicações políticas

O Observatório do Clima lança hoje (14) relatório “Emissões de GEE no Brasil e suas implicações para políticas públicas e a contribuição brasileira para o Acordo de Paris”, síntese dos 4 relatórios analíticos setoriais do SEEG – Sistema de Estimativas de Emissões de Gases para as emissões brasileiras até o ano de 2016. O documento traz uma dura mensagem para o próximo presidente do Brasil: o país não está na trilha de cumprir sua promessa para o clima, e mudanças recentes na política ambiental tendem a afastá-lo ainda mais de seus compromissos.

O novo relatório traz uma análise técnica das emissões brasileiras em cinco  setores e faz um análise política da situação. A intenção do OC é a de oferecer à sociedade brasileira informações importantes que explicam a trajetória recente de nossas emissões e  transmitir recomendações aos candidatos nas eleições de 2018. Mudanças climáticas são o maior desafio ao desenvolvimento de qualquer nação neste século, e quem pretende comandar o país pelos próximos quatro anos precisa apresentar planos robustos para enfrentar o problema.

Para o OC, os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris devem ser traduzidos em propostas concretas, já que o próximo presidente será responsável por apresentar resultados ante nossas metas obrigatórias. As recomendações do OC contidas no relatório síntese são apresentadas em 10 tópicos:

  1. Definição de uma nova governança climática do Brasil que seja orientada pela ciência e os compromissos no contexto do Acordo de Paris
  2. Suspensão de propostas e de negociações com setores do Parlamento que possam levar a retrocessos ou flexibilizações na legislação ambiental
  3. Revisão dos compromissos do Brasil para alinhá-los às metas do Acordo de Paris para 2025 e 2030, buscando de evitar aquecimento global além de 1,5°C
  4. Rediscussão do papel do petróleo na economia brasileira nos próximos 20 anos e das políticas de subsídio para essa fonte fóssil de energia
  5. Ampliação do Programa de Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC) e inclusão de emissões nos critérios do sistema de subsídios federais do setor
  6. Aceleração do processo de implementação de mecanismo(s) de precificação de carbono no Brasil, a partir do diálogo entre Governo e sociedade civil
  7. Adequação de políticas públicas e planos de desenvolvimento (em infraestrutura, energia, agropecuária e indústria) à Política Nacional sobre Mudança do Clima
  8. Aprimoramento da gestão e planejamento da Política Nacional sobre Mudança do Clima com efetiva participação da sociedade
  9. Estabelecimento de uma lei de responsabilidade climática que consolide pactos internos para cumprir as metas assumidas pelo Brasil e as aprofunde
  10. Ampliação da agenda climática do país, com direcionamento de recursos para institutos de pesquisa em mudança do clima e fortalecimento de programas locais

As propostas estão todas discutidas em mais detalhe no novo relatório do SEEG. Clique aqui para baixar o documento.

 

Fonte: Observatório do Clima

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