Para dar conta do nosso consumo, a Terra teria de ser 70% maior

A data de 2 de agosto marca o dia do ano em que gastamos mais recursos do que o planeta será capaz de repor ao longo de todo 2017

Depois de tanto esgotar as reservas do planeta, o mínimo que a humanidade poderia fazer era criar uma data especial para refletir um pouco sobre o estrago. O Earth Overshoot Day determina a dia exato em que já consumimos todos os recursos que a Terra será capaz de repor no ano atual – e passamos a viver das reservas para o seguinte.

Isso acontece todo ano, desde 1969. O problema é que nunca tínhamos entrado no cheque especial tão cedo: a marca deste ano veio hoje, dia 2 de agosto, cinco meses antes de 2017 acabar de vez. Para dar conta desse ritmo e acompanhar a demanda, estima-se que nosso planeta precisaria ser 70% maior do que é atualmente.

“Isso significa que, em sete meses, emitimos mais CO2 que os oceanos e as florestas dão conta de absorver em um ano. Pescamos mais peixes, desmatamos mais árvores e consumimos mais água que a Terra foi capaz de produzir no mesmo período”, explicam a Global Footprint Network e a WWF(World Wildlife Foundation), responsáveis pelos dados.

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Fonte: Revista Superinteressante

Indústria alemã se compromete a reduzir emissões de carros a diesel

Os empresários da indústria automotiva alemã se comprometeram, nesta quarta-feira (02), a criar uma atualização de software que diminua as emissões de gases poluentes de 5 milhões de veículos. Críticos apontam, contudo, que a medida é apenas paliativa após os escândalos do setor.

Os representantes das fabricantes se reuniram, nesta quarta, com lideranças do governo para buscar soluções concretas para reduzir os níveis de gases contaminantes e evitar a restrição à circulação de veículos a diesel – uma ameça em várias cidades da Alemanha.

Diretores de Volkswagen, Daimler, BMW e Opel prometeram que o acerto reduziria as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) em 25% a 30%. Não ficou claro, contudo, se os 5 milhões de veículos incluem os que já foram consertados após o escândalo de manipulação das emissões de gases poluentes da Volkswagen, em setembro de 2015.

 Ambientalistas afirmam que a reunião não avançou o bastante.

“O upgrade do software de motores a diesel que deveria reduzir as emissões de NOx em 25% é uma medida paliativa bem vinda para ajudar a aliviar as cidades poluídas pelo diesel. Mas essa não é uma solução a longo prazo para o problema da poluição do ar”, afirmou Greg Archer do grupo de lobby Transport and Environment.

“Tampouco tornará o diesel limpo. Além disso, os fabricantes de veículos não estão sendo transparentes acerca dos detalhes do ‘upgrade’ ou se o recall se aplicará em toda a União Europeia e às vans, que também precisam”, completou.

– Diesel proibido? –

A crise do setor começou a aparecer em setembro de 2015, quando a Volkswagen admitiu ter instalado softwares ilegais em 11 milhões de veículos no mundo todo para manipular os testes de emissões de poluentes.

As suspeitas e acusações de fraudes como essa se espalharam para outras construtoras alemãs, como a Daimler (fabricante da Mercedes-Benz) e a BMW.

O contexto ficou ainda mais nebuloso com a revelação de suspeitas de formação de cartel entre as construtoras do país, que teriam, segundo a revista Der Spiegel, se reunido durante duas décadas para decidir temas como a manipulação das emissões.

A Alemanha já foi alertada pela Comissão Europeia por seu nível de qualidade do ar, e agora a opinião pública parece defender a proibição do diesel. Uma pesquisa realizada pelo Greenpeace mostrou que 57% dos alemães são favoráveis à interdição em cidades com baixa qualidade do ar.

A apenas dois meses das eleições, o governo alemão quer ser duro com os fabricantes, mas ao mesmo tempo tem interesse em apoiar um setor que representa um quinto das exportações do país e 800 mil vagas de emprego.

“Trata-se de criticar o que deve ser criticado, mantendo em mente que se trata da indústria estrategicamente importante para a Alemanha”, destacou Ulrike Demmer, porta-voz da chancelaria alemã.

– Sem ‘demonizar o diesel’ –

Nos últimos anos, fabricantes alemães passaram a investir mais em motores a diesel, já que eles emitem menos dióxido de carbono que os movidos a gasolina.

Já os carros elétricos, apesar de serem ecologicamente corretos, são dependem da eletricidade, que, na Alemanha, nem sempre é limpa – cerca de 40% da produção do país vem da combusão de carvão.

Por esses motivos, a chanceler Angela Merkel pede para não “demonizar o diesel”.

O outro lado da moeda da tecnologia do diesel é que ela emite mais NOx, gases que contribuem para a formação de “smog” nas cidades, um nevoeiro de poluição responsável por diversas doenças respiratórias.

A indústria automotiva se colocou “em uma situação muito difícil” e agora tem “uma grande responsabilidade para reconquistar a confiança”, afirmou o ministro de Transporte, Alexander Dobrindt.

Fonte: AFP publicado pelo Jornal Estado de Minas

Chance de limitar aquecimento global a 2ºC é de 5% (estudo)

Há uma chance de 5% de limitar o aquecimento global médio abaixo de dois graus Celsius, o objetivo estabelecido no Acordo de Paris sobre o clima de 2015, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (31/7).

E as chances de atingir a meta preferencial de 1,5º C, também prevista no pacto assinado por 196 países, é de apenas 1%, segundo um estudo publicado na revista Nature Climate Change.

Uma equipe de especialistas baseada nos Estados Unidos usou projeções de crescimento populacional para estimar a produção futura e as emissões de carbono relacionadas com a queima de combustíveis fósseis.

Com base nesses dados, “a provável variação de aumento da temperatura global é de 2º C a 4,9º C, com uma média de 3,2º C e uma chance de 5% de que será inferior a 2º C”, escreveram.

Seus cálculos não foram baseados em previsões do pior cenário de uso inalterado de energia, disse a equipe, e abrangiam os esforços para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

No entanto, não preveem a possibilidade de uma mudança súbita e maciça para as energias renováveis.

“Alcançar o objetivo de menos de 1,5º C de aquecimento exigirá que a intensidade do carbono decline muito mais rápido do que no passado recente”, escreveu a equipe.

As nações do mundo concluíram anos de complicadas negociações há dois anos ao assinarem o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

Elas se comprometeram a manter o aquecimento global “bem abaixo” de 2º C em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial e a lutar para limitar o aumento das temperaturas abaixo de 1,5º C, em uma tentativa de evitar a subida do nível dos mares, as secas, as tempestades e outros efeitos climáticos.

O painel de ciência climática da ONU recomenda um corte de 40-70% nas emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis fósseis até 2050 em relação aos níveis de 2010.

O Acordo de Paris é menos preciso, buscando apenas que as emissões atinjam seu auge “o mais rápido possível”.

A ONU estima que a população mundial aumentará de cerca de 7,5 bilhões hoje para 11,2 bilhões até 2100, aumentando a pressão sobre os recursos energéticos.

Fonte: AFP Notícias

Limite “seguro” de emissões pode ser 40% menor, diz estudo

A quantidade de carbono que a humanidade ainda pode emitir se quiser evitar a catástrofe climática acaba de ficar ainda menor. Um estudo publicado nesta segunda-feira (24) no periódico Nature Climate Change sugere que atmosfera do período pré-industrial já tinha mais carbono do que se poderia imaginar, e já tinha aquecido o planeta em até 0,2° C. Isso significa que o “orçamento de carbono” da humanidade para limitar a temperatura do planeta em 2° Celsius, conforme o Acordo de Paris, ter encolhido em 40%.

O estudo tem coautoria de duas estrelas da ciência do clima: o americano Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia – que ficou famoso na década passada por receber ameaças de morte após ter publicado seu famoso gráfico do “Taco de Hóquei” – e Ed Hawkins, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading. Segundo eles, os cientistas do IPCC, o painel do clima da ONU, subestimam até o momento a quantidade de carbono já emitida no período que antecede a Revolução Industrial.

Segundo o IPCC, para termos pelo menos 50% de chance de cumprir o Acordo de Paris, estabilizando as temperaturas abaixo de 2o C poderíamos despejar na atmosfera, no máximo, até 1,2 trilhão de toneladas de carbono a partir de 1870. Esse é o chamado “orçamento de carbono” da humanidade.

Ocorre que, como péssimos administradores desse orçamento, os seres humanos já gastaram um monte por conta, emitindo outros gases além do dióxido de carbono que esquentam a atmosfera. “O planeta acumula alterações no uso do solo desde 1750, com impactos significativos na temperatura global do planeta”, diz o britânico Ed Hawkins. “O fato é que não partimos do zero, de modo que, se retirarmos o que já havia sido emitido no período pré-industrial, nos restariam 820 bilhões de toneladas de carbono.” Segundo ele, o aquecimento pré-industrial é muito incerto e refém de muita variabilidade.

O IPCC estima que 515 bilhões de toneladas de carbono (GTC) foram emitidas do período pré-industrial até 2011 (desde 1870), o que deixaria 305 GTC ainda a serem emitidos para fechar a conta das 820 bilhões de toneladas. No entanto, assumindo que já havia um aquecimento de, pelo menos 0,1°C devido ao aumento de CO2 entre 1861 e 1880, significa que em torno de 60 GTC do orçamento já foram usados, o que corresponde a cerca de 20% das 305 bilhões de toneladas de carbono (ou 1,098 trilhão de toneladas de CO2) que ainda podemos gastar.

A concentração de gases foi analisada pelos pesquisadores a partir de um modelo que considerou três caminhos diferentes desde 1861, tendo como objetivo projetá-la para 2100. Já a temperatura global entre 1401 a 1800 foi analisada a partir de 23 simulações em sete modelos diferentes, sinalizando que a base de cálculo do período pré-industrial (1850-1900) variou entre 0,03°C e 0,19° C.

De acordo com o americano Michael Mann, o estudo coloca em xeque as emissões do período pré-industrial e reduz a certeza de que o limite dito seguro pelos pesquisadores é de fato seguro. “As chances de chegarmos em meados deste século com a temperatura acima do estabelecido pelo acordo climático cresce exponencialmente”, diz.

Segundo o pesquisador, mesmo em um cenário promissor, que inclua a substituição efetiva dos combustíveis fósseis por fontes renováveis, a probabilidade de excedermos os limiares previstos no acordo internacional do clima varia de 61% a 88% até 2100. “Posso dizer que não partimos do zero e que a ação climática terá de ser ainda maior se o nosso objetivo for um planeta habitável”, diz.

Fonte: Observatório do Clima

Integração reduz gases de efeito estufa na produção de biodiesel de soja

Extração do óleo e fabricação na mesma unidade industrial diminuem emissões na produção de biocombustível

O óleo de soja é a matéria-prima mais utilizada para produção de biodiesel no Brasil, com participação de 75% em média entre 2014 e 2016. Para tornar a produção mais sustentável, pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, verificou as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) durante o cultivo da soja, a extração do óleo, a produção e a distribuição do combustível. O estudo coordenado pelo professor Carlos Eduardo Cerri mostra que integrar a extração do óleo e a fabricação do biodiesel na mesma unidade industrial reduz as emissões na etapa de produção.

O trabalho também recomenda o uso responsável de insumos durante o cultivo da soja, pois fertilizantes e corretivos respondem pela maior parte das emissões da fase agrícola. A avaliação das emissões foi dividida em quatro etapas: agrícola, extração, produção de biodiesel e distribuição. “Neste estudo, foram consideradas duas configurações de produção do biocombustível, o sistema de produção não integrado e o integrado”, explica o professor. “No sistema não integrado, as etapas de extração do óleo de soja e produção do biocombustível ocorrem em unidades industriais diferentes e no sistema integrado, as etapas de extração e produção ocorrem na mesma unidade industrial.”

Para obter os dados da etapa agrícola, o estudo reuniu informações sobre a produção de soja em 114 fazendas no Mato Grosso, entre as safras de 2007/2008 e 2009/2010. “Foram consideradas emissões diretas da produção de soja, que incluem a aplicação de fertilizantes nitrogenados, calcário, insumos orgânicos e defensivos agrícolas, além da produção de sementes e decomposição de resíduos da colheita, e emissões indiretas da aquisição de insumos agrícolas”, observa o professor. “Na etapa de extração, além das emissões diretas provenientes da combustão em geradores, caldeiras e silos, foram consideradas emissões indiretas originadas pela produção e transporte dos insumos industriais e combustíveis e pela aquisição de energia elétrica para armazenamento e processamento dos grãos.”

Na etapa de produção, foram contabilizadas emissões diretas de Gases de Efeito Estufa (GEE) provenientes da combustão estacionária em geradores e caldeiras e emissões indiretas da produção e transporte de insumos industriais e combustíveis e pelo consumo de eletricidade nas fábricas. “Na distribuição, foram levadas em conta emissões diretas da combustão em fontes móveis do transporte rodoviário e marítimo e emissões indiretas da produção e transporte de combustíveis”, afirma Cerri. “A pesquisa considerou quatro rotas de distribuição do biocombustível produzido no Mato Grosso, para Paulínia (interior de São Paulo), visando ao mercado interno, Santos, Paranaguá (Paraná) e de Santos à Europa, para o mercado externo.”

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Fonte: Jornal da USP

Seringueiras são usadas para neutralizar CO2 emitido na atmosfera

Produtores rurais do Noroeste Paulista apostam no fortalecimento do mercado de crédito de carbono para conseguir uma fonte de renda a mais. Cada árvore consegue captar cerca de 150 quilos de CO2.

A emissão de gases poluentes é um dos principais fatores que intensificam o efeito estufa, responsável por mudar o clima e acelerar o aquecimento global. O assunto é visto há muito tempo como um problema sério em todo o mundo.

Entre as ações em andamento, está a criação de projetos para minimizar a emissão dos gases prejudiciais. O incentivo vem com o mercado de crédito de carbono. As florestas de seringueira são apontadas como um dos caminhos para entrar nesse negócio.

Em Potirendaba (SP), o agrônomo Fernando Miqueletti comanda os estudos em uma fazenda há seis meses. Ele usa um aparelho chamado clinômetro para medir o crescimento das árvores e, a partir de outros cálculos e informações, consegue apontar quanto cada uma é capaz de absorver de CO2.

Segundo estimativas, cada hectare de floresta tem capacidade de neutralizar 270 toneladas de gás carbônico em um período de 20 anos. Algumas culturas apresentam uma capacidade maior de absorção. No caso das seringueiras, cada árvore consegue captar, em média, até 150 quilos de CO2.

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Fonte: G1

Despoluir da CNT avalia mais de 155 mil veículos no primeiro semestre

Em época de discussão sobre os impactos negativos da poluição na natureza e na saúde humana, o setor de transportes e a indústria têm buscado formas para oferecer alternativas tecnológicas que dependam cada vez menos de combustíveis fósseis. São modelos de ônibus, carros e caminhões movidos à energia elétrica, biometano (gás advindo da decomposição do lixo) e biocombustível, muitos dos quais que têm se tornado mais numerosos em países como da Ásia, Europa e América do Norte.

No Brasil há avanços, entretanto, as mudanças da matriz energética dos transportes ainda não têm ocorrido na velocidade que se espera. O problema é urgente, como mostra um relatório da OMS – Organização Mundial da Saúde, da ONU, que estima que por ano, em média, o número de mortes relacionadas direta ou indiretamente à poluição é de 6,5 milhões.

Mas, enquanto não há no Brasil uma alteração mais significativa desta matriz energética, é possível colaborar para redução dos índices de poluição pelo transporte por meio de ações simples, mas eficientes, como o controle da qualidade da frota.

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Fonte: Blog do Transporte – Adamo Bazani

Estudo mostra que 100 empresas são responsáveis por 71% da emissão de gases no mundo

Se os índices se mantiverem, a temperatura da Terra pode aumentar 4º até o fim do século

 

 

De todas as emissões de gases de efeito de estufa para a atmosfera, com registro entre 1988 e 2017, a grande maioria delas (71%) são de responsabilidade de apenas 100 empresas espalhadas pelo mundo, revela estudo da Carbon Disclosure Project, organização não-governamental dedicada à proteção da natureza.

Este valor equivale à liberação de 923 milhões de toneladas de gases em menos de 30 anos, com componentes como o carbono e o metano, que têm um efeito nocivo na camada de ozônio. A maior parte destas empresas são produtores de combustíveis fósseis.

O estudo apurou que, nos últimos 27 anos, mais da metade das emissões dos gases de efeito de estufa tiveram como origem o homem, dados aferidos desde 1751 – ano em que teve início a Revolução Industrial na Inglaterra.

O documento revela ainda que o maior emissor de gases poluentes para a atmosfera é a indústria do carvão chinesa e em seguida surge a companhia petrolífera estatal saudita, a Saudi Aramco. Em terceiro lugar vem a Gazprom, a maior empresa de origem russa e a maior exportadora de gás natural do mundo. Entre as cem mais poluentes surgem ainda empresas como a BP, a ExxonMobil e a Shell – cujo CEO declarou que a empresa deverá investir em energia limpa nos próximos anos.
A organização explica que este estudo pretende dar uma nova perspectiva sobre o Acordo de Paris e apelar à responsabilidade social das empresas privadas, não apenas as empresas de estado.

Você conhece o perfil da emissão de gases de efeito estufa de cada Estado do Brasil?

Você saberia indicar a posição que seu Estado ocupa no ranking dos maiores poluidores do país? Conhece a origem dos poluentes? O que cabe ao desmatamento, qual a parte do setor agropecuário e da produção de energia? O mapa interativo do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), uma iniciativa do Observatório do Clima, te ajuda a conhecer um pouco mais sobre o perfil das emissões de cada um dos estados do país. Acesse o SEEG e descubra.

Fonte: Observatório do Clima

Níveis de CO2 estão se expandindo em direção ao seu recorde em mais de 200 milhões de anos

Não há como negar a contribuição indelével da humanidade para a mudança climática. Depois de milhões de anos de estabilidade relativa, apenas algumas centenas de anos de emissões de gases de efeito estufa vão carregar a Terra e suas criaturas em direção a um aquecimento sem precedentes. A descoberta é publicada na revista Nature Communications.

Se não houver redução nos próximos 100 ou 200 anos, as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra subirão ao mais alto nível desde o período Triássico, há 200 milhões de anos. Se o CO2 continuar a aumentar, os próximos 200 a 300 anos se elevarão a um estado de aquecimento sem precedentes geológicos nos últimos 420 milhões de anos.

Para o estudo, a equipe reuniu mais de 1.241 estimativas de concentrações atmosféricas de CO2 de 112 estudos publicados, para criar um registro que remonta a 420 milhões de anos. Sabendo-se que uma medição direta de concentrações antigas de CO2 não é possível, os pesquisadores confiam em “proxies” indiretos para construir um registro. Isso incluiu dados publicados sobre plantas fossilizadas, a composição isotópica de carbono de antigas amostras de solo e a composição isotópica de boro de conchas fósseis.

A acumulação destes proxies revelam uma verdade surpreendente: Enquanto o clima da Terra teve poucas alterações no passado, a velocidade atual da mudança climática é excepcionalmente rápida.

Os níveis atmosféricos de CO2 dependem de uma variedade de fatores, incluindo vulcanismo, metamorfismo, meteorização do carbono orgânico, atividade humana e muitos outros. Evidentemente, houve alterações no registro climático ao longo da história, mas o clima permaneceu relativamente estável por milhões de anos até a Revolução Industrial.

Antes da Revolução Industrial, as concentrações de dióxido de carbono estavam em torno de 280 partes por milhão (ppm). Hoje, esse número aumentou para 400 partes por milhão. Em 2250, isso poderá ultrapassar 2.000 ppm se não houver esforços para mitigar as emissões. Níveis nuca vistos desde o período Triássico (220-200 milhões de anos atrás), com o clima atingindo um estado de calor nunca visto desde o período Devoniano (cerca de 400 milhões anos atrás). O aumento da temperatura é em parte devido à adição de um sol futuro mais quente.

Milhões de anos atrás, o Sol estava mais frio do que é hoje. Isso significa que naquela época sua produção de energia foi menor – com o tempo, ficou mais brilhante e sua intensidade aumentou lentamente. No entanto, se este for o caso, por que há poucas evidências para sugerir um aquecimento semelhante do clima? Isto, dizem os pesquisadores, é um delicado equilíbrio entre um sol brilhante e o declínio dos níveis de dióxido de carbono atmosférico.

“Devido a reações nucleares em estrelas, como nosso Sol, com o passar do tempo se tornam mais brilhantes”, disse o co-autor Dan Lunt, da Universidade de Bristol em um comunicado. “Isso significa que, embora as concentrações de dióxido de carbono tenham sido altas há centenas de milhões de anos atrás, o efeito líquido de aquecimento do CO2 e da luz solar foi menor”.

Ele explicou que seu novo registro de concentração de CO2 mostrou uma queda média de 3 a 4ppm por milhão de anos, o que, segundo ele, agiu como contrapeso ao brilho crescente do Sol.

“Isso pode não parecer muito, mas na verdade é apenas o suficiente para cancelar o efeito de aquecimento causado pelo brilho do sol através do tempo, por isso, a longo prazo, parece que o efeito líquido de ambos foi praticamente constante em média”, ele adicionou.

Esse equilíbrio está agora se quebrando, com o impacto industrial curto, mas poderoso, dos seres humanos nos últimos cem anos. Isto, no entanto, não significa que devemos jogar as mãos para cima e declarar que tudo está perdido. Existem soluções possíveis para mitigar tal futuro climático. As energias renováveis, a redução das emissões de combustíveis fósseis, a proteção do ambiente, a investigação inovadora e o Acordo de Paris constituem possíveis esperanças para mitigar as alterações climáticas. O desafio agora é decretar este futuro antes que o dano seja irreversível.

Fonte: Climatologia Geográfica

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