Cientistas mostram impacto na saúde como apelo à crise climática

Em dezembro, um relatório da OMS apontou que combater a crise climática salvaria pelo menos um milhão de vidas por ano, tornando-se um imperativo moral agir

Um relatório de especialistas de 27 academias nacionais de ciência mostrou o dano generalizado que o aquecimento global já está causando na saúde das pessoas e os impactos cada vez mais graves esperados no futuro.

Ondas de calor escaldantes e inundações vão exigir mais vítimas, à medida que o clima extremo aumenta, mas também há sérios efeitos indiretos, desde a disseminação de doenças transmitidas por mosquitos até o agravamento da saúde mental.

No entanto, também houve grandes benefícios da ação para reduzir as emissões de carbono, constatou o relatório, especialmente o corte de 350.000 mortes prematuras por poluição do ar todos os anos na Europa causadas pela queima de combustíveis fósseis. “Os benefícios econômicos da ação para abordar os efeitos atuais e futuros da mudança climática na saúde provavelmente serão substanciais”, concluiu o relatório.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou em novembro que a crise climática já era uma crise de saúde. “Não podemos atrasar a ação sobre a mudança climática”, disse ele. “Não podemos mais passar por essa emergência de saúde.” Em dezembro, um relatório da OMS disse que combater a crise climática salvaria pelo menos um milhão de vidas por ano, tornando-se um imperativo moral agir.

O novo relatório, “O Imperativo da Ação Climática para Proteger a Saúde Humana na Europa”, avaliou as evidências científicas dos efeitos do aquecimento global na saúde.
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Condições climáticas extremas, como ondas de calor, inundações e secas, têm impactos diretos de curto prazo, mas também afetam as pessoas a longo prazo. “Os efeitos da saúde mental incluem transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, abuso de substâncias e depressão”, diz o relatório.

Os cientistas também estavam preocupados com o efeito do clima extremo na produção de alimentos, com estudos mostrando um corte de 5 a 25% no rendimento das culturas básicas na região do Mediterrâneo nas próximas décadas. Mas o relatório disse que mesmo pequenos cortes na ingestão de carne podem levar a cortes significativos nas emissões de carbono, bem como benefícios à saúde.

O relatório antecipa a propagação de doenças infecciosas na Europa à medida que as temperaturas aumentam, e aumenta a variedade de mosquitos que transmitem dengue, e carrapatos que causam a doença de Lyme. A intoxicação alimentar também pode aumentar, uma vez que as bactérias salmonelas prosperaram em condições mais quentes, segundo o relatório. Ele também encontrou pesquisas sugerindo que a resistência a antibióticos em E. coli aumenta em condições mais quentes.

“Estamos expondo toda a população mundial às mudanças no clima, e isso é claramente muito preocupante, já que estamos nos movendo para um território inexplorado”, disse Haines, professor de mudança ambiental e saúde pública da Escola de Higiene e Saúde de Londres. Remédio Tropical.

“Estamos sujeitando os jovens e as gerações futuras a esses riscos crescentes [de saúde] por muitas centenas de anos, se não milênios”, disse ele. “Temos que tentar minimizar os efeitos e avançar para uma economia de baixo carbono”.

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“Pensamos que reformular a mudança climática como um problema de saúde pode ajudar a envolver o público porque a maioria das pessoas não está apenas preocupada com sua própria saúde, mas com a saúde de seus entes queridos e seus descendentes.

“Achamos que essa é uma maneira de mobilizar o público e aumentar a preocupação de maneira construtiva e aumentar o impulso para a mudança.”

As emissões globais de carbono ainda estão aumentando, mas cientistas afirmam que cortes rápidos e profundos são necessários para limitar os aumentos de temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais e evitar os piores impactos.

Fonte: Jornal GGN

Mudanças climáticas causam prejuízo de US$ 1 trilhão para grandes empresas, aponta estudo

Relatório divulgado na Alemanha sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno

Mais de 200 das maiores empresas do mundo deverão perder US$ 1 trilhão por causa das mudanças climáticas, grande parte disso apenas nos próximos cinco anos, informa um relatório divulgado na Alemanha. Entre os fatores que afetam os negócios estão o aumento das temperatura, o clima caótico e os preços colocados sobre a emissão de gases do efeito estufa. O alerta é feito no Dia Mundial do Meio Ambiente.

O estudo – realizado pela Organização Não Governamental CDP – sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno, enquanto os cientistas alertam que o clima da terra se encaminha para limites catastróficos caso não haja reduções nas emissões de carbono na atmosfera.

— A maioria das empresas ainda tem muito a caminhar em termos de avaliar adequadamente os riscos relacionados ao clima — afirmou Nicolette Bartlett, diretora para Mudanças Climáticas da CDP e autora do relatório.

Fundada no ano 2000, a CDP (antigamente chamada de Projeto de Transparência do Carbono – nome que originou a sigla em inglês) é um organismo respeitado dentro de uma crescente coalizão de grupos de lobby, administradores de fundos, bancos centrais e políticos que acreditam que as mudanças climáticas representem um risco sistêmico para o sistema financeiro.

Metas climáticas

Ao forçar as empresas a enfrentar os riscos às suas operações, os defensores de mais transparência esperam fazer avançar investimentos suficientes na indústria para reduzir as emissões, a tempo de cumprir as metas climáticas.

O CDP analisou dados de 215 das maiores indústrias do mundo, como Apple, Microsoft, Nestlé, Unilever, China Mobile, Infosys, UBS, Sony e BHP.

Essas empresas já teriam tido prejuízos de US$ 970 bilhões em custos adicionais devido a fatores como o aumento das temperaturas, clima caótico e o preço colocado sobre as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Cerca de 50% desses custos são considerados prováveis ou praticamente certos.

Segundo o relatório, as companhias poderiam obter amplas vantagens com um mundo descarbonizado a tempo de evitar os cenários climáticos mais tenebrosos, que os cientistas acreditam representar um risco existencial para a civilização industrial.

As preocupações com os riscos representados pelo clima aumentaram de modo acentuado, paralelamente ao crescimento do ativismo ecológico em muitos países, enquanto ondas de calor, secas, incêndios florestais e tempestades reforçadas pelo clima se tornam cada vez mais difíceis de serem ignoradas.

Fonte: Gauchazh

Florestas ricas em espécies armazenam duas vezes mais carbono que monoculturas

O nível total de sequestro de carbono e a conseqüente mitigação do aquecimento global só poderão ser alcançados com uma combinação de espécies.

Universidade de Zurique

Em 2009, o projeto BEF-China iniciou um experimento de biodiversidade em uma floresta, com a colaboração de instituições da China, Alemanha e Suíça. O amplo projeto investigou quão importante é a diversidade de espécies de árvores para o bom funcionamento dos ecossistemas florestais. Foram plantados grupos de árvores com diferentes números de espécies, desde monoculturas até terrenos altamente diversificados, com 16 tipos diferentes de árvores em uma área de 670 metros quadrados.

Após oito anos, tais terrenos armazenavam uma média de 32 toneladas de carbono por hectare em biomassa acima do solo. Em contrapartida, as monoculturas acumularam menos da metade disso: uma média de apenas 12 toneladas de carbono por hectare. Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e convertem o carbono em biomassa. Quando uma floresta armazena mais carbono, isso auxilia na redução dos gases de efeito estufa e ao mesmo tempo também indica uma alta produtividade florestal.

Florestas biodiversificadas são mais produtivas

O fato de a biodiversidade aumentar a produtividade já havia sido anteriormente demonstrado através de experimentos em prados na Europa e nos Estados Unidos. Mas como partiram do principio de que todas as espécies de árvores ocupam nichos ecológicos semelhantes, concluíram que a biodiversidade florestal traria um efeito mínimo. Evidentemente, no entanto, esta suposição estava errada. “No experimento de biodiversidade florestal, a biomassa aumentou tão rapidamente quanto nas pradarias. Conseqüentemente, mesmo após apenas quatro anos, se via claras diferenças entre as monoculturas e as florestas ricas em espécies,” explica o Professor Helge Bruelheide da Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg, co-diretor do Centro Alemão para Pesquisa Integrativa em Biodiversidade (iDiv), o qual supervisionou os experimentos de campo junto com o Instituto de Botânica da Academia Chinesa de Ciências. Tais diferenças continuaram a se intensificar nos quatro anos seguintes.

“Estas descobertas têm grande relevância ecológica e econômica,” afirma o Professor Bernhard Schmid, da Universidade de Zurique, autor sênior na equipe de redação, composta de 60 pessoas, da presente publicação na Science. Um estudo anterior já havia encontrado uma correlação positiva entre a biodiversidade e o armazenamento de carbono. Contudo, ele foi baseado apenas na comparação entre a variação de diversidade de espécies em terrenos naturais. “Portanto, era impossível concluir se a maior biodiversidade era a causa da maior produtividade. Mas agora nós chegamos à mesma conclusão com um experimento sob condições controladas: uma floresta com um grande número de espécies de árvores é mais produtiva que uma monocultura,” acrescenta o Professor Dr. Keping Ma, da Academia Chinesa de Ciências e co-gestor do projeto.

Maior produtividade, melhor proteção climática

Em todo o mundo, há planos para grandes programas de reflorestamento, com o objetivo de proteger o clima através do plantio de novas florestas. Somente na China, entre 2010 e 2015, foram plantadas anualmente 1.5 milhão de hectares de novas florestas, ainda que a maior parte constituída de monoculturas de rápido crescimento. “Nosso novo estudo mostra que as florestas não são todas iguais no quesito proteção climática: as monoculturas não fornecem nem metade dos serviços ambientais desejados. O nível total de sequestro de carbono e a conseqüente mitigação do aquecimento global só poderão ser alcançados com uma combinação de espécies.

Além disso, florestas ricas em espécies também contribuem para proteger a ameaçada biodiversidade do planeta,” explica Bernhard Schmid. “Infelizmente, o conceito errôneo de que produtividade e biodiversidade se excluem mutuamente ainda é muito difundido. Mas o oposto é verdadeiro.” As florestas ricas em espécies também são menos vulneráveis à doenças ou fenômenos meteorológicos extremos, que estão se tornando cada vez mais freqüentes devido à mudança climática.

Se os efeitos observados no experimento forem extrapolados para as florestas existentes no mundo, pode-se concluir que uma redução de 10% das espécies de árvores levaria à perdas de produção mundiais no valor de 20 bilhões de dólares, por ano. Tal resultado mostra que, de acordo com os pesquisadores, o reflorestamento com uma combinação de diferentes espécies é economicamente vantajoso.

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Fonte: Portal EcoDebate

Reduzir o aquecimento global requer esforço sem precedentes, diz ONU

Enquanto o Brasil começava a conhecer alguns de seus novos governantes na noite deste domingo, 7 de outubro, na Coreia do Sul, uma reunião com cientistas e autoridades de diversos países ligadas à ONU divulgou notícias que dizem respeito a todos os brasileiros, e demais habitantes do planeta, embora poucos se deem conta.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, traçou os objetivos a serem atingidos pelas nações para evitar que o aquecimento global chegue ao final do século abaixo dos 2°C, com uma meta ideal de 1,5°C.

Em seguida, encomendou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) um estudo que colocasse em números o desafio de atingir a meta, e as possíveis consequências de não fazê-lo. São milhares de cientistas trabalhando de forma colaborativa, analisando os mesmos conjuntos de dados e estudos, para chegar a um consenso. Um trabalho de anos para chegar aos resultados divulgados na manhã coreana, e eles não são muito animadores.

“Uma das principais mensagens que saem deste relatório é que já estamos vendo as consequências de 1°C de aquecimento global através de condições climáticas mais extremas, aumento do nível do mar e diminuição do gelo do Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, co-presidente do Grupo de Trabalho do IPCC I.

Vamos começar pelas boas notícias: é possível atingir a meta. Se começarmos a reduzir drasticamente a emissão de dióxido de carbono, o CO2, até zerar por volta de 2050, e de outros gases, como metano, talvez consigamos impedir que a temperatura global ultrapasse 1,5°C. Mas quando reduzir drasticamente não é força de expressão. Com 45% do corte já até 2030.

O problema é que estamos muito aquém do necessário. Se as emissões continuarem do jeito que estão, chegaremos a 1,5°C em 2040. Mesmo se atingidos os objetivos das nações individualmente com o Acordo de Paris, que no caso do Brasil é de reduzir 37% das emissões de carbono até 2025 e “possível” redução de 43% até 2030, chegamos ao ano 2100 acima dos 3°C.

Com o aquecimento limitado em 1,5°C, o impacto será principalmente sentido pelas populações mais pobres. A agricultura perde produtividade, acarretando aumento dos preços dos alimentos, insegurança alimentar e fome. Fortes ondas de calor e inundações costeiras podem obrigar deslocamentos de populações. Mais de 100 milhões de pessoas podem entrar para a pobreza. O número de pessoas subnutridas no mundo poderia ser de 25 milhões a menos até o final do século do que sob o aquecimento de 2°C.

“Todo aquecimento importa, especialmente a partir de 1,5°C. Aumenta o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas”, disse Hans-Otto Pörtner, copresidente do IPCC – grupo de trabalho II.

Problemas graves, mas que são possíveis de contornar. Basta que a humanidade queira. Mas, se chegar a 2°C, aí não vai ter muito o se que fazer. Países que são compostos por pequenas ilhas, como Tuvalu e Kiribati, vão desaparecer. A maioria das ondas de calor vai provocar sérios impactos à sociedade, com mortes, incêndios florestais e perdas de produção. Em países tropicais, como o Brasil, ondas de calor vão ocupar pelo menos metade do verão.

Poluição

Limitar a elevação da temperatura a 1,5°C, em comparação com os 2°C, pode prevenir cerca de 153 milhões de mortes prematuras por poluição do ar em todo o mundo até 2100 – cerca de 40% das mortes nos próximos 40 anos. Esse é um benefício tão grande que, em termos econômicos, pode até ser maior do que o custo total de reduzir as emissões de carbono na maioria dos principais países emissores.

À medida que as temperaturas sobem, as áreas protegidas começam a desaparecer. Em 2°C, 25% das 80.000 espécies de plantas e animais nas áreas mais ricas do mundo, como a Amazônia e Galápagos, podem enfrentar a extinção local até o final do século. Temperaturas de aquecimento podem afetar o comportamento de insetos e animais, causando um efeito cascata que afeta ecossistemas inteiros.

Sendo isso só uma pequena parte de uma longa lista de consequências que não deixam ninguém ileso. É preciso mudar, e agora, recomenda o IPCC. “Limitar o aquecimento a 1,5°C é possível dentro das leis da química e da física, mas isso exige mudanças sem precedentes”, disse Jim Skea, copresidente do IPCC – grupo de trabalho III.

Para começar, o uso de combustível fóssil deve cair rapidamente. Principalmente o carvão, que deve ser quase totalmente eliminado por volta de 2040. O uso de petróleo também precisa cair ao longo do século.

Alcançar o 1,5 °C será muito mais fácil, mais barato e menos prejudicial se os governos tomarem medidas imediatas para mudar para energia limpa. O investimento contínuo em usinas de combustível fóssil significaria que futuros cortes teriam que ser mais drásticos. Se a energia eólica e solar continuar crescendo entre 25% e 30% por ano até 2030, então pode começar a crescer mais devagar, de 4% a 5%. Assim, o setor de energia elétrica estaria completamente descarbonizado na metade do século.

A indústria, diretamente responsável por 21% das emissões globais, deve encontrar meios de cortar suas emissões até 2050, e o transporte tem de passar a ser elétrico. Se cerca de 70% dos veículos forem elétricos até 2050, as emissões globais anuais de dióxido de carbono cairiam para o equivalente a cerca de 8% das emissões totais atuais. Mas isso não basta. É preciso planejamento urbano, de modo que diversas formas de transporte, como caminhada, bicicleta, trem, bonde, ônibus, se integrem para atender de forma fácil o cidadão, além de políticas públicas que desestimulem o uso do carro.

No prato
Nossa comida também precisa mudar. O que as pessoas comem é um fator importante que determina o estado da floresta e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por quase 60% das emissões relacionadas aos alimentos, apesar de contribuir com apenas 37% de proteína e 18% de calorias.

Quanto mais carne, peixe, laticínios e ovos as pessoas comem, mais difícil será limitar o aquecimento a 1,5°C. Mudar o hábito de comer mais de 100 gramas de carne por dia para comer menos de 50 gramas pode reduzir as emissões da comida de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia reduzir as emissões em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir as emissões em 60%.

Florestas
Proteger os ecossistemas e prevenir a destruição de florestas são formas importantes de reduzir as emissões de carbono. O desmatamento deve ser zerado. Como as árvores e plantas absorvem CO2, o plantio florestal em grande escala e a restauração de ecossistemas danificados, como pântanos e mangues, também são métodos potencialmente significativos de remover carbono da atmosfera e também trazem muitos benefícios, incluindo filtração melhorada de água, proteção contra inundações, saúde do solo e habitat da biodiversidade.

Atualmente o solo libera mais gases de efeito estufa do que absorve, sendo responsável por cerca de 24% das emissões. Alguns cientistas sugeriram que esse processo, chamado de “Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono” (BECCS), poderia ser uma forma relativamente barata de remover o carbono da atmosfera. Mas a tecnologia ainda está em fase de testes e o uso da BECCS em larga escala pode ter sérias conseqüências para o uso da terra e da água doce, a biodiversidade e o funcionamento dos sistemas naturais.

Passando por diversos aspectos das nossas vidas, o relatório IPCC tem o objetivo de servir de base para que governantes e idealizadores de políticas públicas pelo planeta construam uma sociedade que vá de encontro a uma economia de carbono neutro. Uma medida urgente e inadiável, embora pensar nisso seja difícil na noite em que o candidato à Presidência da República mais votado do primeiro turno das eleições, com mais de 49 milhões de votos, Jair Bolsonaro (PSL), declara abertamente sua intenção de acabar com o Ministério do Meio Ambiente, fazendo uma fusão com o Ministério da Agricultura.

A cobertura especial de GALILEU no relatório do clima conta com o apoio institucional de ClimaInfo.

Fonte: Revista Galileu

Especialistas em clima e inovação tecnológica vencem Nobel de Economia

William Nordhaus e Paul Romer adotam questões atuais na análise macroeconômica

O prêmio Nobel de Economia de 2018 foi concedido aos economistas norte-americanos William Nordhaus, 77, e Paul Romer, 62, por pesquisas que contribuíram para a compreensão dos fatores que garantem o crescimento sustentável no longo prazo.

Nordhaus, da Universidade Yale, foi citado por seu estudo pioneiro sobre os efeitos econômicos do aquecimento global, enquanto Romer, da NYU Stern School of Business, foi reconhecido por investigar como a inovação tecnológica requer condições específicas para surgir e prosperar.

“Os laureados ampliaram o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o clima”, afirmou a Academia Real Sueca de Ciências, no comunicado divulgado nesta manhã, em Estocolmo.

A tecnologia e o meio ambiente são, hoje, considerados temas essenciais para a compreensão do desenvolvimento econômico. Ao analisar as causas e as consequências da inovação e das mudanças climáticas, os dois economistas melhoraram a compreensão sobre políticas que podem contribuir para o crescimento sustentável.

Nordhaus é, por exemplo, um dos principais defensores da cobrança de um imposto sobre as emissões de carbono com o propósito de diminui-las. O modelo desenvolvido pelo pesquisador de Yale integrou resultados de diferentes áreas –como física e química– para compreender a evolução conjunta entre a economia e o clima.

Entre as produções bibliográficas de Nordhaus, consta a conhecida obra “Economics”, escrita com Paul Anthony. Editado desde 1948, o livro tornou-se um clássico que contribuiu e ainda contribui para o ensino da economia nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Já Romer foi o primeiro a inverter uma linha clássica de investigação acadêmica. Pesquisadores em macroeconomia costumavam analisar o impacto da evolução tecnológica sobre o crescimento.

O economista da NYU resolveu, então, focar no contrário, ou seja, em como o ambiente econômico determina as condições para a criação de novas tecnologias, contribuindo para o estudo de regulações que incentivam a inovação.

No ano passado, o prêmio foi atribuído ao americano Richard Thaler por seus estudos sobre a influência de certas características humanas, como a racionalidade limitada, as preferências sociais e a falta de autocontrole, nos comportamentos dos consumidores ou investidores.

O Nobel da Economia celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de ciências econômicas.

OCDE diz que taxas de energia de países desenvolvidos não bastam para combater mudança climática

As taxas de energia cobradas nas grandes economias desenvolvidas não estão bastando para reduzir o consumo, melhorar a eficiência energética e impulsionar a adoção de fontes de baixa emissão de carbono, alertou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na última quarta-feira (14).

Impostos sobre o uso de energia e a produção de bens são usados por muitos governos para fazer os consumidores pagarem pelos custos da poluição, de forma a reduzir as danosas emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.

A OCDE examinou as taxas de uso de energia entre 2012 e 2015 em 42 economias da organização e do G20, que representam cerca de 80 por cento do consumo global de energia e das emissões de carbono resultantes.

O estudo não incluiu os preços do mercado de carbono, como no Sistema de Troca de Emissões da União Europeia, mas a OCDE disse que eles pouco alteram as descobertas do relatório.

Segundo a OCDE, quase todas as taxas são baixas demais para ajudar a combater a mudança climática quando comparadas com um nível referencial de 30 euros por tonelada de dióxido de carbono (CO2) — uma estimativa mínima conservadora do dano causado pela emissão de uma tonelada de CO2.

“Uma visão panorâmica das taxas efetivas de CO2 por tonelada em todos os países revela que mal se nota alguma mudança no índice de taxas sobre emissões fora do setor de transporte rodoviário”, disse o relatório.

“As taxas continuam a ser muito mal alinhadas aos custos ambientais e climáticos do uso de energia em todos os países”, acrescentou.

No setor de transporte rodoviário, 97 por cento das emissões são taxadas e os índices ficaram acima dos 50 euros por tonelada de CO2 em 47 por cento das emissões em 2015 — em 2012 foram de 37 por cento.

Em outros setores, que coletivamente representam 95 por cento das emissões de carbono provocadas pelo uso de energia, 81 por cento das emissões não foram taxadas e os índices ficaram abaixo dos 30 euros por tonelada de CO2 em 97 por cento das emissões.

Fonte: Reuters

EUA publicam novos padrões para lidar com mudanças climáticas

A Casa Branca publicou no dia 16 de agosto novos padrões sobre as emissões de gases de efeito estufa e a eficiência dos combustíveis dos veículos médios e pesados, com o objetivo de melhorar a sua eficiência e reduzir as emissões de carbono. Esta é a medida mais recente tomada pelo governo de Barack Obama para lidar com as mudanças climáticas.

Os Estados Unidos planejam alcançar em 2025 a meta de reduzir 26%-28% das emissões com base no ano de 2005. Os novos padrões publicados no mesmo dia fazem parte dos esforços do país para alcançar a meta. Os EUA incentivam desenvolver veículos médios e pesados menos poluentes e mais eficientes energeticamente.

Segundo a Agência de Proteção Ambiental do país, espera-se que a implementação dos novos padrões possa ajudar o país a reduzir 1,1 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, economizar US $ 170 bilhões de despesas de combustível para os proprietários de carros de todo o país, e trazer US $ 230 bilhões de lucro líquido para a sociedade norte-americana.

Os dados demonstraram que, atualmente, no setor de transporte dos EUA, os camiões pesados respondem por cerca de 20% das emissões totais de gases de efeito estufa e do consumo total de petróleo e gás.

Tradução: Cecília Ma – Revisão: Filipe Hu

Fonte: CRI Online

Morte no ar

A poluição atmosférica matou cerca de 7 milhões de pessoas em 2012, afirma a Organização Mundial da Saúde. Só na China, 4 mil indivíduos morrem diariamente por esse motivo, aponta um estudo americano. No Brasil também há regiões com um poder letal similar

O ar que possibilita a vida é o mesmo que vem matando muita gente ao redor do planeta. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, em 2012, cerca de 7 milhões de pessoas morreram no mundo em consequência da exposição à poluição atmosférica. Isso equivalente a 12,5% das mortes no perío­do e 5 milhões a mais de mortes do que as provocadas pelo cigarro. Segundo a OMS, esses números representam mais do que o dobro das estimativas anteriores e reforçam a ideia de que a poluição do ar constitui hoje o maior risco ambiental à saúde. Reduzi-la, portanto, não é apenas uma ajuda para conter o aquecimento global: vai contribuir decisivamente para salvar milhões de vidas.

O drama dos efeitos da poluição atmosférica é facilmente perceptível e quantificável na China, grande líder mundial quando o assunto é ar sujo, graças sobretudo a velhas usinas movidas a carvão. Ano após ano, especialmente no inverno, cidades inteiras atingidas pelo smog (a mistura de nevoeiro e poluição) praticamente somem nas fotos. Na Olimpíada de 2008, em Pequim, os governantes chineses tiveram de recorrer a medidas radicais, como circulação restrita de veículos e paralisação das atividades em fábricas poluidoras, para tentar garantir um ar respirável aos esportistas e visitantes.

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Fonte: Revista Planeta – Texto Edson Franco

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