O presidente e a Amazônia

Evaristo de Miranda, doutor em Ecologia

As eleições presidenciais trouxeram debates e polêmicas também sobre ocupação e preservação da Amazônia. Visões alarmistas denunciaram a iminente devastação florestal, o abandono das políticas de conservação e a agropecuária como vetor de devastação. Até a revista britânica The Economist vaticinou sobre o tema. Mas qual a situação efetiva da proteção e da preservação da vegetação nativa no bioma Amazônia? Qual o papel das políticas públicas na manutenção das florestas? Qual a parte do mundo rural na preservação?
Pesquisa recente da Embrapa traz respostas objetivas a essas indagações e aponta o real desafio amazônico do novo presidente da República.

A proteção da vegetação nativa – No Brasil, o bioma Amazônia ocupa cerca de 4,2 milhões de quilômetros quadrados, praticamente a metade do País (49,4%). Ele engloba Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de parte de Mato Grosso, Maranhão e Tocantins.

As unidades de conservação de proteção integral, como estações ecológicas e parques nacionais, são 204 no bioma Amazônia e totalizam uma área superior a 76 milhões de hectares. Elas recobrem 18% do bioma, excluem a presença humana e não admitem nenhuma atividade produtiva. Reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável não fazem parte desse conjunto de proteção integral.

Também há 330 terras indígenas legalmente atribuídas no bioma Amazônia, sob a gestão da Funai. Elas totalizam quase 107 milhões de hectares e recobrem 25,4% do bioma.

Existem sobreposições entre as 534 áreas atribuídas a meio ambiente e povos indígenas. Descontadas as sobreposições, elas totalizam 171,5 milhões de hectares de áreas protegidas e 40,8% do bioma.

As áreas militares, cadastradas com florestas nacionais, totalizam cerca de 2,7 milhões de hectares e 0,6% do bioma Amazônia. No total, unidades de conservação integral, terras indígenas e áreas militares protegem hoje 174,2 milhões de hectares ou 41,4% do bioma.

A preservação da vegetação nativa – Até o advento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a contribuição dos agricultores, pecuaristas e extrativistas à preservação ambiental na Amazônia era subestimada e pouco conhecida. Criado e exigido pelo Código Florestal (Lei 12.651/12), esse registro eletrônico obrigatório tornou-se um relevante instrumento de planejamento agrícola e socioambiental.

Até agosto de 2018, no bioma Amazônia registraram-se no CAR mais de 468 mil imóveis rurais, incluindo reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável. A Embrapa Territorial analisou esse big data geocodificado. E mapeou com dez metros de detalhe a área dedicada à preservação da vegetação nativa em terras extrativistas e de agropecuária, em cada imóvel rural, município, microrregião, estado e no bioma (www.embrapa.br/car). Uma área total de 103,1 milhões de hectares está dedicada à preservação da vegetação nativa pelo mundo rural. Isso corresponde a 24,6% do bioma Amazônia e a 64% da área dos imóveis. Ou seja, o mundo rural preserva, em meio às suas atividades produtivas, um quarto do bioma Amazônia e dois terços de seus imóveis.

Um bioma protegido e preservado – Em resumo, as 534 áreas de proteção mais estrita (unidades de conservação integral e terras indígenas) totalizam 171,5 milhões de hectares e alcançam 40,8% do bioma Amazônia. Com as áreas militares essa porcentagem chega a 41,4%. Em mais de 468 mil imóveis rurais, pelos dados do CAR, as áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa totalizam 103,1 milhões de hectares ou 24,6% do bioma.

O total de áreas legalmente protegidas e preservadas, devida e detalhadamente mapeadas, é de 277,3 milhões de hectares, 66,1% ou dois terços da Amazônia. Para o mundo rural e para os órgãos governamentais, isso implica um grande custo operacional e patrimonial, ainda por calcular.

Sem descontar áreas urbanas e de mineração, cuja dimensão é muito pequena em relação ao total da região, existem ainda cerca de 83,8 milhões de hectares passíveis de ocupação no bioma Amazônia. Em sua maioria, são áreas inundáveis, superfícies hídricas do Rio Amazonas e terras pouco propícias ao extrativismo e à agropecuária, sem acesso logístico. Em boa parte, trata-se de terras devolutas.

O real desafio – Mesmo diante da hipótese muito pouco provável de uma futura ocupação integral dessas áreas pelo mundo rural, o Código Florestal já impõe o limite de 20% para uso e exploração (desmatamento legal). A área de reserva legal prevista para a vegetação nativa é de 80%. Assim, cerca de adicionais 67 milhões de hectares, ou 16% da região, já estão prévia e legalmente destinados à preservação, por exigência do Código Florestal.

O País já abriu mão de explorar e usar 82% do bioma Amazônia, com todas essas áreas legalmente destinadas à proteção e à preservação da vegetação nativa. Uma área maior do que a Índia! Esse fato precisa ser mais bem conhecido e reconhecido. Que outro país no mundo dedica 3,5 milhões de quilômetros quadrados à preservação? Tente alguém propor essa área em preservação aos Estados Unidos, ao Canadá, à Rússia ou à China. A proteção ambiental da Amazônia é um exemplo sem equivalente no planeta, em valores absolutos e relativos, como atestam documentos internacionais (IUCN, 2016. Protected Planet Reports).

O desafio do presidente Jair Bolsonaro não é criar mais áreas de conservação, mas, sim, fazer cumprir o Código Florestal e garantir a gestão das áreas já atribuídas, públicas e privadas. E encontrar meios de cobrar dos beneficiários, urbe et orbi, pelos serviços ambientais da preservação da nossa Amazônia. Manter a integridade desse imenso patrimônio natural, sobretudo em face de atividades ilegais, exige mais recursos e menos alarme.

*DOUTOR EM ECOLOGIA, EVARISTO DE MIRANDA É CHEFE-GERAL DA EMBRAPA TERRITORIAL

Fonte: O Estado de S.Paulo

Governo prevê US$ 100 bi em exportações do agronegócio em 2018

Valor representa uma alta de 4% em relação às exportações do setor em 2017

As exportações do agronegócio do Brasil deverão atingir a marca recorde de 100 bilhões de dólares em 2018, no que seria um crescimento de 4% ante o ano passado, disse nesta quarta-feira, 10, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “É uma marca que vínhamos perseguindo e, agora, vamos alcançar”, afirmou, durante posse do novo presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa.

A previsão ocorre em um ano em que as exportações do complexo de soja (grão, farelo e óleo) devem atingir um recorde de 38,3 bilhões de dólares, segundo informação veiculada pela associação Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais).

O setor de soja vem sendo beneficiado por forte demanda da China e, bons preços diante de um câmbio favorável para exportações, além de uma safra histórica neste ano. A soja é principal produto da pauta de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

Além de soja, o Brasil é o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, tabaco, carne de frango e bovina, e um dos maiores fornecedores globais de milho.

Fonte: Veja

Solenidade de posse do novo presidente da Embrapa, em Brasília

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura (MAPA), Julio Cesar Minelli, participou nesta quarta-feira (10) da posse de Sebastião Barbosa, pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na presidência da estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Barbosa assume no lugar de Maurício Antônio Lopes, que estava na função desde 2012.

(A esquerda: Julio Cesar Minelli com o Guy Capdeville, Chefe-Adjunto de PD&I da Embrapa Agroenergia, e a direita: Eumar Roberto Novacki, Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Julio Cesar Minelli, da APROBIO)

Sebastião é engenheiro agrônomo, especialista em Entomologia (estudo dos insetos) e foi contratado pela Embrapa em 1976, atuando em programas de controle e erradicação de pragas. Por 17 anos, trabalhou na Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), no Serviço de Proteção de Plantas, em Roma, Itália; e no escritório para a América Latina e o Caribe, em Santiago, Chile. Coordenou a cooperação internacional da Embrapa e foi Chefe-Geral da Embrapa Algodão, centro de pesquisa localizado em Campina Grande – Paraíba, além de outras atividades exercidas na estatal.

Na imagem principal: a esquerda – Julio Cesar Minelli, diretor superintendente da associação e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Oleaginosas e Biodiesel, no centro – Sebastião Barbosa, presidente da Emrapa, e a direita – Antônio César Salibe, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool.

Diretor Superintendente da APROBIO representa Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel do Mapa no V Encontro de Pesquisa e Energia da Embrapa

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Julio Cesar Minelli, participa nesta terça-feira (9) do V Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia, realizado entre hoje e amanhã na sede da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília.

Na mesa de abertura, o chefe geral da Embrapa Energia, Guy de Capdville, destacou a importância que o Encontro vem atingindo ao discutir cada vez mais a necessária integração entre Políticas Públicas, Ciência e Tecnologia e o mercado. Walter Rezende, da CNA, destacou os avanços do agronegócio no Brasil e o potencial da biomassa para a matriz energética do país.

O diretor-executivo da Embrapa, Celso Moretti, fechou a mesa de abertura e apresentou o primeiro painel do dia, com as Perspectivas para o Agro na Bioeconomia Brasileira.

Nesta terça e quarta-feira (10), o encontro prossegue na sede da CNA.

Os temas das mesas redondas que se dividem em subtemas serão Políticas Globais para Biocombustíveis frente às demandas por sustentabilidade, Bioprodutos a partir da Biomassa no conceito de Biorrefinaria, Biotecnologia para aumento de produção e enfrentamento das mudanças climáticas e Biomassa para Bioneregia – A Visão do Setor Produtivo.

Embrapa leva para o ESALQSHOW tecnologias de três unidades de SP

Tecnologias de diversas linhas de pesquisa, entre elas sustentabilidade do meio ambiente, tecnologias da informação e comunicação (TICs), nanotecnologia e agricultura de precisão, desenvolvidas por três unidades da Embrapa localizadas no estado de São Paulo serão apresentadas na 2ª. edição do ESALQSHOW. O Fórum de Inovação para o Agronegócio Sustentável ocorre entre 9 e 11 de outubro, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

Além de soluções tecnológicas, a Embrapa participará de debates no evento, que reúne entidades de ensino e pesquisa, estudantes, lideranças do setor do agronegócio, executivos de empresas, investidores e aceleradoras, que possam apoiar o desenvolvimento de startups no setor agropecuário. O fórum tem a proposta inovadora de conectar a academia com o setor produtivo.

O diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares, integra o “Encontro de Lideranças em Agricultura”, que vai discutir o tema central do ESALQSHOW “O futuro da agricultura tropical para a sociedade”. O debate será no dia 9, às 14 horas, no Salão Nobre, Edifício Central.

Tecnologias visam à sustentabilidade do meio ambiente

Uma tecnologia inovadora que será demonstrada pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) é a RenovaCalc – ferramenta base para a determinação da Intensidade de Carbono de Biocombustíveis utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para a contabilidade da intensidade de carbono de biocombustíveis, com ênfase na categoria de impacto de Mudanças Climáticas, aplicável ao etanol, biodiesel, bioquerosene e biometano.

A calculadora mensura as emissões de Gases de Efeito Estufa do ciclo de vida dos biocombustíveis, gerando um índice de desempenho em g CO2eq/MJ de biocombustível. Logo, aqueles que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono terão acesso a maior volume de créditos de descarbonização, os CBIOs. A ACV tem sido utilizada por organizações para avaliarem a performance de seus produtos e o atendimento à atual demanda do mercado em termos de sustentabilidade, orientando os gestores nas tomadas de decisão.

Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, com o apoio da Rede ILPF, do Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC), o aplicativo AgroTag foi projetado para a coleta de dados e informações das propriedades que, uma vez processadas na base de operações, retornam aos diversos atores da cadeia produtiva ou interessados em agricultura de baixo carbono em forma de informações estratégicas diretamente nos celulares ou tablets. Foi concebido inicialmente para apoiar a Rede ILPF no monitoramento da adoção e da qualificação de sistemas Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF) no País, e, a partir de então, servir como uma ferramenta de apoio ao monitoramento da adoção da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

A Embrapa desenvolveu métodos para auxiliar a avaliação de impactos em várias dimensões da sustentabilidade relacionadas ao trabalho no ambiente rural. Dois deles, o Ambitec-Agro e o APOIA-NovoRural também serão apresentados no ESALQSHOW. Estes métodos compreendem procedimentos para a previsão, a análise e a mitigação dos efeitos ambientais de projetos, planos e políticas de desenvolvimento que impliquem em alteração da qualidade ambiental.

O Ambitec-Agro consiste de um conjunto de matrizes multi-critério que integram indicadores do desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais em determinado empreendimento. Os dados obtidos no campo e junto ao administrador do empreendimento são aplicados em matrizes de ponderação, nas quais são automaticamente transformados em índices de impacto e representados graficamente.

Os resultados permitem averiguar quais práticas de manejo produzem maior impacto no desempenho das atividades testadas. O objetivo do sistema é prover uma avaliação simples e de baixo custo dos impactos socioambientais de inovações tecnológicas e atividades rurais, introduzidas em determinado sistema de produção.

Já o Sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-NovoRural) tem como foco avaliar o desempenho socioambiental de estabelecimentos rurais de acordo com determinados padrões de qualidade. Ele permite uma avaliação objetiva de qualidade ambiental e sustentabilidade das práticas de manejo em estabelecimentos rurais.

O sistema compõe-se de um conjunto 62 indicadores, obtidos em levantamentos de campo realizados com instrumentação analítica e dados gerenciais registrados por meio de diálogos com o produtor rural ou responsável pelo estabelecimento. Estão organizados em abordagem multi atributo, agrupados em cinco dimensões de sustentabilidade:  Ecologia da paisagem, Qualidade Ambiental, Valores Econômicos, Valores socioculturais e Gestão e Administração. Os indicadores são verificados com instrumental analítico e dados técnicos dos estabelecimentos rurais, para compor relatórios de gestão ambiental.

Cooperação resulta em tecnologias pioneiras

Alinhada com a concepção do evento, a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) abre espaço para empresas vinculadas a seus projetos, como a startup Agrorobótica, cuja cooperação resultou no AGLIBS para análise de solos, e a Produquímica, com o fertilizante MicroActive.

Agritechs com pesquisas em desenvolvimento na área de nanotecnologia, pós-colheita e agricultura de precisão, além de outras empresas do setor produtivo vinculadas ao Centro de Pesquisa também estarão presentes no estande da Embrapa, no Espaço Inovar Esalq & Cia, que traz como tema central o “Futuro da agricultura tropical para a sociedade”.

O AGLIBS é um equipamento com tecnologia de última geração para a análise de solos de forma rápida, limpa e economicamente acessível ao produtor rural. Usa laser e inteligência artificial para a análise de solos em larga escala, não gera resíduos químicos e é capaz de analisar 1.500 amostra por dia, fornecendo dados de quantidade de carbono orgânico do solo, textura (teores de areia, silte e argila), além de pH. A tecnologia está sendo empregada de forma pioneira no Brasil e permite a avaliação em tempo real, em laboratório, enquanto que as análises convencionais demoram alguns dias para fornecer os resultados.

O MicroActive é um exemplo bem-sucedido de inovação aberta que envolveu a empresa do setor produtivo Produímica/Compass Minerals. A parceria resultou numa película formada por micronutrientes em grande concentração, que recobre de forma homogênea grânulos dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK. Com isso, o agricultor terá um produto completo para aplicar na lavoura com nutrientes balanceados e potencial de aumentar a produtividade e reduzir aplicações de fertilizantes.

Desenvolvido no âmbito da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, o MicroActive tem a função de recobrir a superfície do grão, que vai ser usado para levar o outro fertilizante. Entre as vantagens da tecnologia estão a redução no número de aplicações de fertilizantes, impactando diretamente nos custos da produção agrícola, além de ter o potencial de fornecer as condições ideais de nutrição para as plantas; a formulação pode aumentar a produtividade, porque o fornecimento de macro e micronutrientes de modo simultâneo permite às plantas produzirem próximo ao seu potencial genético.

As duas tecnologias – AGLIBS e MicroActive – lançadas recentemente, já estão disponíveis no mercado, em formatos diferenciados, conforme a linha mercadológica de cada empresa.

Tecnologias da informação e comunicação (TIC) aplicadas à agropecuária

A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) vai levar ao ESALQSHOW 2018 soluções em tecnologia da informação e comunicação (TIC) aplicada à agropecuária. Também serão divulgadas iniciativas voltadas ao fomento à inovação, como o ambiente SitIoT, junção da palavra sítio e da sigla IoT (internet das coisas), dedicado a empresas e startups parceiras interessadas em testar em campo suas tecnologias, sejam sensores, equipamentos e software.

Serão demonstradas tecnologias como o aplicativo móvel Roda da Reprodução, desenvolvido para facilitar a gestão do rebanho leiteiro que acaba de ganhar uma nova versão. Por meio do aplicativo o produtor tem acesso a vários recursos que permitem acompanhar o ciclo de reprodução dos animais, desde o momento da cobertura ou inseminação artificial da novilha até o parto, e ajudam a planejar melhor o manejo do rebanho. A nova versão do aplicativo, lançada no último dia 4, conta ainda com uma nova ferramenta (Roda do Crescimento) que possibilita ao produtor gerenciar os animais de recria, indicando se as bezerras e as novilhas estão abaixo ou acima do peso ideal desde o dia do nascimento até chegar à fase reprodutiva.

O sistema WebAmbiente e as plataformas online SATVeg e WebAgritec também serão apresentados no evento. O WebAmbiente foi criado para auxiliar na tomada de decisão no processo de adequação ambiental da paisagem rural. Ele oferece estratégias para recomposição da vegetação nas propriedades rurais e contempla o maior banco de dados produzido no Brasil sobre espécies nativas, englobando todos os biomas brasileiros.

Outra tecnologia é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação) que permite a observação de séries temporais de índices de vegetação por meio de imagens de satélite, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental em todo o território brasileiro. A partir dele é possível observar a frequência com que as áreas agrícolas do País sofrem alterações e acompanhar o ciclo de uma cultura agrícola e sua intensificação.

Já o Webagritec é voltado principalmente para apoiar extensionistas e agentes de desenvolvimento rural no trabalho de orientação técnica junto aos agricultores. A ferramenta engloba as culturas de soja, milho, arroz, feijão e trigo e conta com oito módulos com informações para o planejamento e condução dos cultivos. Traz, por exemplo, informações sobre o zoneamento agrícola, cultivares mais adequadas, recomendações de adubação, previsão do tempo, monitoramento da produtividade e diagnóstico de doenças. A tecnologia já vem sendo utilizada pelas empresas de assistência técnica e extensão rural dos estados de Goiás e Minas Gerais.

Palestras

Os pesquisadores Lineu Neiva Rodrigues da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) e Eduardo Assad da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) participarão como palestrantes no Agtech Valley Summit, respectivamente, nos dias 10 e 11 de outubro pela manhã. Rodrigues falará no painel temático “Gestão de Sistemas Integrados em Agricultura” sobre o Uso de Água em Agricultura: situação atual e perspectivas e Assad participará do painel “Agricultura Tropical e a Sociedade do Futuro” no assunto Cenários de Mudanças Climáticas e o Futuro da Agricultura.

ESALQSHOW

Com os objetivos de propor, revelar e debater tendências de inovação e tecnologia do setor agropecuário, além de promover o empreendedorismo por meio de parcerias, buscando intensificar colaborações entre a universidade e a sociedade, o evento pretende melhorar a integração entre a universidade e os demais setores do agronegócio, além de dar maior visibilidade às iniciativas acadêmicas para o mercado nacional e internacional, gerando novas oportunidades.

É um fórum dedicado a estimular inovações e empreendedorismo na agricultura, frente a produtos, serviços, últimas tendências do mercado, futuros desafios e novas ideias. Os eventos são realizados pela Esalq/USP e contam com a colaboração e presença de profissionais de diferentes setores, de acadêmicos e pesquisadores consagrados, líderes de empresas renomadas e de startups, e estudantes, vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior.

Compondo o fórum haverá quatro eventos simultâneos: o Encontro de Lideranças na Agricultura, com o tema “Futuro da Agricultura Tropical Para a Sociedade”; o Agtech Valley Summit (palestras, debates e mesas-redondas); Espaço Inovar Esalq & Cia (espaço dinâmico para discutir problemas, soluções e tendências, estimulando o networking e promovendo novas ideias, tecnologias, produtos e serviços) e a Vitrine Esalq (exposição e demonstração de projetos e serviços).

Em 2017, quando ocorreu pela primeira vez, o evento teve um público estimado em 3 mil pessoas, com 67 expositores, 55 palestrantes e 51 projetos apresentados em 14 vitrines.

Fonte: Grupo Cultivar

Agronegócio também preserva, diz Embrapa

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro e equivalem a R$ 3,1 trilhões em patrimônio imobilizado, mostra um mapeamento inédito feito pela Embrapa. “Sabia-se que havia uma contribuição dos agricultores na preservação, porém os números dessa participação eram desconhecidos”, afirma Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Territorial. “Mapeamos os dados do Brasil inteiro e constatamos que não há país do mundo no qual o setor agrícola dedique tanto patrimônio e recursos à preservação do meio ambiente.”

O levantamento foi possível graças ao Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), o registro público obrigatório de todos os imóveis rurais, que identificou as áreas de preservação permanente, de uso restrito, reservas legais, remanescentes de florestas e outras formas de vegetação nativa. A partir desse cadastro, a expectativa do governo é aumentar controles, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e o combate ao desmatamento. “Ao registrar o CAR, o produtor fez uma espécie de imposto de renda no qual, além de declarar seu ‘apartamento’, foi obrigado a detalhar seus limites, a documentar a planta do imóvel e a disposição dos móveis, com o compromisso de não mexer mais neles”, diz Miranda.
Até janeiro, 4,8 milhões de produtores haviam feito seu cadastro o equivalente a 94% dos imóveis registrados no Censo Agropecuário de 2006. A base de dados foi construída sobre imagens de satélite. “A precisão é impressionante: com um zoom, é possível verificar onde estão as nascentes, a extensão e a largura dos rios e riachos, os tipos de vegetação, as áreas de preservação excedentes”, diz.
Monitoramento
O trabalho da Embrapa não analisou, nem fiscalizou a qualidade dessa preservação. Aliás, segundo o Prodes, o programa que acompanha o desmatamento da Amazônia e demais biomas e é monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quase metade do cerrado brasileiro foi desmatado e é hoje ocupado por atividades ligadas ao agronegócio. O Prodes mostra a evolução desse avanço ano a ano: só em 2017, 7,5 mil km ² foram desmatados na região. Na Amazônia, 62% das terras abertas estão sendo usadas pela pecuária e 6% pela agricultura. “Percebe-se, ao longo dos anos, que existe um avanço do desmatamento em direção à região Norte do cerrado”, diz Claudio Almeida, coordenador do Prodes.
Essa expansão foi constatada também no trabalho da Embrapa. O número de imóveis rurais cadastrados no SiCAR na região Norte superou o que havia sido identificado pelo Censo Agrícola em 35%. Já a área aumentou em 240% no período. Só no Amazonas, o salto da área foi de 801%. Há duas explicações: A primeira é que o CAR considera em sua base também as reservas extrativistas, regiões enormes e com grande presença no Norte, não contabilizadas no censo. Outra é que agricultores com condições precárias de posse usaram o cadastro para tentar formalizar suas ocupações, mesmo com o fato de o documento não valer para regularização fundiária.
A Embrapa calculou a receita que o agronegócio teria, caso as reservas legais fossem exploradas. “A intenção não é aumentar o desmatamento, mas medir a contribuição financeira do agronegócio para a preservação”, diz Miranda. Se as reservas legais fossem usadas para a produção de milho, uma cultura presente em todo o País, a receita obtida seria de R$ 6 bilhões no ano, com a geração de 74 mil empregos.
Fonte: O Estado de S. Paulo
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agronegocio-tambem-preserva-diz-embrapa,70002521092?from=whatsapp

Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

APROBIO discute papel da palma de óleo para o biodiesel em reunião de câmara setorial

A palma de óleo é matéria-prima bastante utilizada no mundo para a produção no biodiesel, mas no Brasil ainda tem um alto potencial de crescimento. Além disso, a produção nacional é feita de forma sustentável e sem agressão ao meio ambiente, justamente por prever a recuperação de áreas previamente degradadas por meio da introdução da nova cultura.

Esses foram alguns dos aspectos levados pela APROBIO à 27ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Palma de Óleo, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realizada na quinta-feira (16) em Belém do Pará. O diretor superintendente Julio Minelli e o assessor técnico Antonio Ventilii participaram do encontro.

Ventilii apresentou dados do potencial da palma de óleo para o biodiesel com o início do RenovaBio. Em nome da APROBIO, Minelli participou da elaboração do documento Diagnóstico da Produção Sustentável da Palma de Óleo, sugerido pela associação como resposta às críticas vindas da União Europeia. No Brasil, essa cultura não só cumpre diretrizes de sustentabilidade como ajuda a recuperar áreas degradas e pode, sim, ser mais um aliado a favor do meio ambiente.

Para acessar a íntegra do documento elaborado pela Câmara Setorial, clique AQUI

Pesquisa genética desenvolve mamona atóxica capaz de alimentar animais

Cientistas conseguiram resolver um dos maiores desafios para o uso da mamona (Ricinus communisL.) na alimentação animal. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) desenvolveram uma mamona sem ricina, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas que chega a ser citada na Convenção Internacional para Proibição de Armas Químicas. Os pesquisadores preveem que o novo material deve demorar, no mínimo, quatro anos para estar disponível no mercado.

Proteína presente na semente da planta, a ricina inviabiliza o uso da torta de mamona, subproduto do processamento do óleo de mamona, na alimentação animal. A proteína também apresenta riscos de intoxicação durante o processo de obtenção do óleo, produto valorizado na indústria por sua alta qualidade e empregado em cosméticos, tintas, lubrificantes e vários outros produtos.

Por isso, mesmo sendo potencialmente interessante para a alimentação animal, a torta de mamona passou a ser descartada pelos produtores rurais por causa da substância tóxica que é encontrada exclusivamente no endosperma (tecido de armazenamento de nutrientes) das sementes da planta.

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Fonte: Embrapa News

Embrapa lista os desafios da agricultura do país até 2030

Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura; intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção; mudança do clima; riscos; agregação de valor nas cadeias produtivas; protagonismo dos consumidores; e convergência tecnológica e de conhecimentos.

Foi em torno desses sete eixos principais que a Embrapa preparou o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, lançado ontem em Brasília como parte das comemorações de seu 45º aniversário. Realizado ao longo de 18 meses, o trabalho foi costurado com a participação de cerca de 370 colaboradores da estatal e de instituições parceiras.

Considerada fundamental para o avanço do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, sobretudo por ter ajudado a tornar viável e competitiva a produção de grãos no Cerrado, a Embrapa vive um período de transformações para tentar manter sua relevância em meio à crescente necessidade de capital para desenvolver suas pesquisas.

Daí porque o documento lançado ontem teve um significado especial para a empresa. Presidida pelo engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes desde outubro de 2012, a Embrapa vive desde então um processo de mudança que inclui racionalização de gastos e ações capazes de ampliar as receitas – incluindo a criação de um braço privado, de capital fechado, para comercializar tecnologias e estabelecer parcerias com empresas privadas, cujo projeto se encontra parado no Congresso. A estatal prevê que 86% de seu orçamento de R$ 3,4 bilhões de 2018 será gasto com pessoal.

Para Lopes, a Embrapa precisa se reestruturar e se conectar cada vez mais rapidamente às mudanças globais. E esse processo envolve novas demandas como o desenvolvimento da indústria da gastronomia, transformações digitais, novos padrões de consumo de alimentos, aumento da produtividade em áreas já abertas e preocupação com o bem-estar animal.

“Se as instituições permanecerem com o mesmo modelo de operação de 15 anos atrás, não vão sobreviver. E as mudanças da Embrapa vêm no sentido de reinventar a empresa nessa linha”, disse Lopes ao Valor. “Esse é um movimento natural de uma instituição de ciência que está olhando para o futuro com a necessidade de seguir se reinventando”.

Para encarar esses desafios, o presidente da empresa pública defende novas parcerias “mais ágeis” com empresas e o setor produtivo. “Estamos buscando aproximação com muitos financiadores do Brasil e internacionais interessados em investir na produção de alimentos no país”, acrescentou.

No horizonte da estatal estão as projeções de aumento do consumo global de água (50%), energia (40%) e alimentos (35%) até 2030, derivadas das tendências de expansão da população, aumento da idade média, avanço da urbanização e incremento do poder aquisitivo, principalmente na Ásia, na África e na América Latina.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que, segundo projeções da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, a produção global de alimentos deverá crescer 20% na próxima década, e que, para que isso se torne realidade, a oferta brasileira terá de aumentar 40%. “Ou seja, o protagonismo do país nessa terá de ser ainda maior do que já é”, afirmou o ex-ministro.

“Nesse contexto, a agricultura brasileira passa por profundas transformações econômicas, culturais, sociais, tecnológicas, ambientais e mercadológicas, que ocorrem em alta velocidade e em direções distintas, impactando de forma substancial o mundo rural”, afirma o estudo da Embrapa.

No que tange às mudanças socioambientais e espaciais na agricultura, o trabalho destaca, por exemplo, que a tendência é que a produção de grãos do país se concentre ainda mais no Cerrado, mas identifica forte potencial de expansão na região Norte, onde a logística de escoamento de commodities como soja e milho tem recebido investimentos bilionários.

Em tempos de queda de disponibilidade de mão de obra no campo, realça que a abertura de postos de trabalho com maior nível de qualificação continuará crescente, ao mesmo tempo que a pobreza continuará sendo uma mazela a ser combatida.

Diante da maior limitação de recursos naturais e das crescentes restrições ambientais, a Embrapa alerta que será necessário acelerar os esforços no sentido de intensificar a produção preservando a sustentabilidade das cadeias. Para isso, prevê a expansão de sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta, agricultura orgânica, recuperação de pastagens degradadas e otimização de irrigação.

“A intensificação, viabilizando de dois a três cultivos por ano em um mesmo local, será incrementada ainda mais pela inovação tecnológica, gerando maiores benefícios sociais, econômicos e ambientais. A demanda crescente por energia impulsionará ainda mais a produção de agroenergia – biocombustíveis e biogás – e das energias eólica e solar no ambiente rural. Em substituição às fontes fósseis, essas energias renováveis estarão vinculadas à intensificação agrícola e deverão amplificar as oportunidades regionais de emprego e renda”.

Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira

Estudo coordenado pela Embrapa analisando tendências, sinais e desafios para a sustentabilidade da agricultura brasileira nos próximos anos. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/documents/10180/9543845/Vis%C3%A3o+2030+-+o+futuro+da+agricultura+brasileira/2a9a0f27-0ead-991a-8cbf-af8e89d62829

Olhares para 2030: desenvolvimento sustentável

Lideranças nacionais e internacionais apresentam expectativas e projeções para a agricultura e a alimentação frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/olhares-para-2030

Fonte: BrasilAgro com informações Embrapa

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