Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

APROBIO discute papel da palma de óleo para o biodiesel em reunião de câmara setorial

A palma de óleo é matéria-prima bastante utilizada no mundo para a produção no biodiesel, mas no Brasil ainda tem um alto potencial de crescimento. Além disso, a produção nacional é feita de forma sustentável e sem agressão ao meio ambiente, justamente por prever a recuperação de áreas previamente degradadas por meio da introdução da nova cultura.

Esses foram alguns dos aspectos levados pela APROBIO à 27ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Palma de Óleo, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realizada na quinta-feira (16) em Belém do Pará. O diretor superintendente Julio Minelli e o assessor técnico Antonio Ventilii participaram do encontro.

Ventilii apresentou dados do potencial da palma de óleo para o biodiesel com o início do RenovaBio. Em nome da APROBIO, Minelli participou da elaboração do documento Diagnóstico da Produção Sustentável da Palma de Óleo, sugerido pela associação como resposta às críticas vindas da União Europeia. No Brasil, essa cultura não só cumpre diretrizes de sustentabilidade como ajuda a recuperar áreas degradas e pode, sim, ser mais um aliado a favor do meio ambiente.

Para acessar a íntegra do documento elaborado pela Câmara Setorial, clique AQUI

Pesquisa genética desenvolve mamona atóxica capaz de alimentar animais

Cientistas conseguiram resolver um dos maiores desafios para o uso da mamona (Ricinus communisL.) na alimentação animal. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) desenvolveram uma mamona sem ricina, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas que chega a ser citada na Convenção Internacional para Proibição de Armas Químicas. Os pesquisadores preveem que o novo material deve demorar, no mínimo, quatro anos para estar disponível no mercado.

Proteína presente na semente da planta, a ricina inviabiliza o uso da torta de mamona, subproduto do processamento do óleo de mamona, na alimentação animal. A proteína também apresenta riscos de intoxicação durante o processo de obtenção do óleo, produto valorizado na indústria por sua alta qualidade e empregado em cosméticos, tintas, lubrificantes e vários outros produtos.

Por isso, mesmo sendo potencialmente interessante para a alimentação animal, a torta de mamona passou a ser descartada pelos produtores rurais por causa da substância tóxica que é encontrada exclusivamente no endosperma (tecido de armazenamento de nutrientes) das sementes da planta.

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Fonte: Embrapa News

Embrapa lista os desafios da agricultura do país até 2030

Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura; intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção; mudança do clima; riscos; agregação de valor nas cadeias produtivas; protagonismo dos consumidores; e convergência tecnológica e de conhecimentos.

Foi em torno desses sete eixos principais que a Embrapa preparou o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, lançado ontem em Brasília como parte das comemorações de seu 45º aniversário. Realizado ao longo de 18 meses, o trabalho foi costurado com a participação de cerca de 370 colaboradores da estatal e de instituições parceiras.

Considerada fundamental para o avanço do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, sobretudo por ter ajudado a tornar viável e competitiva a produção de grãos no Cerrado, a Embrapa vive um período de transformações para tentar manter sua relevância em meio à crescente necessidade de capital para desenvolver suas pesquisas.

Daí porque o documento lançado ontem teve um significado especial para a empresa. Presidida pelo engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes desde outubro de 2012, a Embrapa vive desde então um processo de mudança que inclui racionalização de gastos e ações capazes de ampliar as receitas – incluindo a criação de um braço privado, de capital fechado, para comercializar tecnologias e estabelecer parcerias com empresas privadas, cujo projeto se encontra parado no Congresso. A estatal prevê que 86% de seu orçamento de R$ 3,4 bilhões de 2018 será gasto com pessoal.

Para Lopes, a Embrapa precisa se reestruturar e se conectar cada vez mais rapidamente às mudanças globais. E esse processo envolve novas demandas como o desenvolvimento da indústria da gastronomia, transformações digitais, novos padrões de consumo de alimentos, aumento da produtividade em áreas já abertas e preocupação com o bem-estar animal.

“Se as instituições permanecerem com o mesmo modelo de operação de 15 anos atrás, não vão sobreviver. E as mudanças da Embrapa vêm no sentido de reinventar a empresa nessa linha”, disse Lopes ao Valor. “Esse é um movimento natural de uma instituição de ciência que está olhando para o futuro com a necessidade de seguir se reinventando”.

Para encarar esses desafios, o presidente da empresa pública defende novas parcerias “mais ágeis” com empresas e o setor produtivo. “Estamos buscando aproximação com muitos financiadores do Brasil e internacionais interessados em investir na produção de alimentos no país”, acrescentou.

No horizonte da estatal estão as projeções de aumento do consumo global de água (50%), energia (40%) e alimentos (35%) até 2030, derivadas das tendências de expansão da população, aumento da idade média, avanço da urbanização e incremento do poder aquisitivo, principalmente na Ásia, na África e na América Latina.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que, segundo projeções da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, a produção global de alimentos deverá crescer 20% na próxima década, e que, para que isso se torne realidade, a oferta brasileira terá de aumentar 40%. “Ou seja, o protagonismo do país nessa terá de ser ainda maior do que já é”, afirmou o ex-ministro.

“Nesse contexto, a agricultura brasileira passa por profundas transformações econômicas, culturais, sociais, tecnológicas, ambientais e mercadológicas, que ocorrem em alta velocidade e em direções distintas, impactando de forma substancial o mundo rural”, afirma o estudo da Embrapa.

No que tange às mudanças socioambientais e espaciais na agricultura, o trabalho destaca, por exemplo, que a tendência é que a produção de grãos do país se concentre ainda mais no Cerrado, mas identifica forte potencial de expansão na região Norte, onde a logística de escoamento de commodities como soja e milho tem recebido investimentos bilionários.

Em tempos de queda de disponibilidade de mão de obra no campo, realça que a abertura de postos de trabalho com maior nível de qualificação continuará crescente, ao mesmo tempo que a pobreza continuará sendo uma mazela a ser combatida.

Diante da maior limitação de recursos naturais e das crescentes restrições ambientais, a Embrapa alerta que será necessário acelerar os esforços no sentido de intensificar a produção preservando a sustentabilidade das cadeias. Para isso, prevê a expansão de sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta, agricultura orgânica, recuperação de pastagens degradadas e otimização de irrigação.

“A intensificação, viabilizando de dois a três cultivos por ano em um mesmo local, será incrementada ainda mais pela inovação tecnológica, gerando maiores benefícios sociais, econômicos e ambientais. A demanda crescente por energia impulsionará ainda mais a produção de agroenergia – biocombustíveis e biogás – e das energias eólica e solar no ambiente rural. Em substituição às fontes fósseis, essas energias renováveis estarão vinculadas à intensificação agrícola e deverão amplificar as oportunidades regionais de emprego e renda”.

Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira

Estudo coordenado pela Embrapa analisando tendências, sinais e desafios para a sustentabilidade da agricultura brasileira nos próximos anos. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/documents/10180/9543845/Vis%C3%A3o+2030+-+o+futuro+da+agricultura+brasileira/2a9a0f27-0ead-991a-8cbf-af8e89d62829

Olhares para 2030: desenvolvimento sustentável

Lideranças nacionais e internacionais apresentam expectativas e projeções para a agricultura e a alimentação frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/olhares-para-2030

Fonte: BrasilAgro com informações Embrapa

Lucro Social da Embrapa é de R$ 37,18 bilhões em 2017

Para cada real aplicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 2017 foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade. Os dados são do Balanço Social 2017 da Empresa, que apontou um lucro social de R$ 37,18 bilhões, gerado a partir da adoção, pelo setor agropecuário, de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares avaliadas na publicação.

“O lucro social, no caso da Embrapa, é derivado dos benefícios econômicos gerados em função dos lucros líquidos obtidos por aqueles que adotam as tecnologias disponibilizadas pela Empresa. Quando relacionamos esses benefícios econômicos com a receita operacional líquida anual, temos o que chamamos de retorno social ou lucro social”, explica Antonio Flavio Dias Avila, pesquisador e supervisor de Avaliação de Desempenho Institucional da Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI) e líder dos estudos de avaliação de impacto na Embrapa. Se considerarmos o fluxo de benefícios econômicos e de custos das tecnologias que estão no Balanço Social a taxa interna de retorno média é de 36,2%.

Para chegar ao resultado de R$ 11,06 devolvidos à sociedade, o Balanço Social da Embrapa relaciona os Indicadores Laborais, Sociais e as Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade que geraram benefícios de R$ 37,18 bilhões em 2017 com a Receita Operacional Líquida de R$ 3,36 bilhões, recursos que a Empresa obteve no ano a partir de receitas geradas com vendas e serviços e os subvenções para custeio, convênios e doações.

Destacam-se no conjunto de tecnologias e cultivares do Balanço Social de 2017 a contribuição da Empresa na tropicalização do trigo, com o desenvolvimento do cultivar BRS 404, específica para cultivo em sequeiro nos cerrados do Brasil. A cultivar de soja BRS 7380RR resistente aos principais nematoides de solos do País – vermes microscópicos que levam os agricultores a abandonarem áreas inteiras infestadas por eles – posiciona a Empresa na liderança numa área que havia sido dominada pela genética importada.

No âmbito da produção animal, uma parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Olimpo Informática, permitiu a criação da Plataforma de Qualidade – Carne Bonificada, ferramenta que integra todos os elos da cadeia da qualidade da carne nacional e simplifica a adesão dos produtores aos diversos protocolos de raças e às exigências dos diferentes mercados importadores. Ao atender os requisitos estabelecidos nos Programas de Certificação de Raças Bovinas, os bois abatidos recebem selos de qualidade que proporcionam ao produtor o pagamento de uma bonificação.

Na agricultura familiar, o Balanço Social de 2017 destaca o desenvolvimento da BRS Zamir, cultivar que já ocupa 10% da área plantada com tomate-cereja, mais produtiva, tolerante ao principal fungo que ataca o tomateiro e com alto teor de licopeno.

Na busca pelo fortalecimento de ações e iniciativas para a popularização da ciência e tecnologias nacionais, o Balanço Social destaca a Base de Dados da Pesquisa Agropecuária (BDPA) e o Programa de Rádio Prosa Rural. A Embrapa disponibiliza sua produção técnico-científica em repositórios diretamente na internet. Só em 2017, o total de downloads dos conteúdos alcançou 24,5 milhões. Já o Programa Prosa Rural ganhou diversas versões na Web, inclusive um aplicativo para celular.

Um novo olhar sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira

O maior destaque do Balanço Social de 2017 é a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pela Embrapa Territorial de cerca de 4 milhões de propriedades rurais. Foi constatado que um total de 176.806.937 hectares estava destinado à preservação e à manutenção da vegetação nativa. Isso equivale a 20,5% do território nacional, a contribuição da agricultura brasileira na preservação do meio ambiente.

O relatório também apresenta várias contribuições da Empresa ao desenvolvimento agrícola do Brasil, como os dez anos da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano), e para a redução das emissões de gases de efeito estufa e o cumprimento pelo País dos compromissos da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (ONU-COP15) com as tecnologias de fixação biológica de nitrogênio (FBN) na cultura da soja e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Estima-se que essas duas tecnologias juntas contribuíram para a redução das emissões de carbono na safra 2016/2017 na ordem de 65 milhões de toneladas de carbono.

A função social da pesquisa pública

Para o pesquisador Antonio Flavio Dias Avila, os dados do Balanço Social demonstram o impacto da contribuição da Embrapa e da pesquisa pública para atender às prioridades nacionais e apoiar a implementação de políticas públicas. “A Embrapa possui um custo para a sociedade, na medida em que gera basicamente bens públicos, produtos que, na sua maioria, não são vendidos, o que impacta negativamente em seus resultados, se analisarmos pela ótica estritamente financeira e contábil”, afirma.

Por isso, esses resultados presentes no Balanço Social vão além das três centenas de tecnologias e cultivares monitoradas ao longo desses 21 anos, cujos impactos foram avaliados neste Balanço Social. Os bens públicos produzidos pelos centros de pesquisa da Embrapa não se restringem aos impactos positivos na geração de renda no meio rural. Esses centros contribuem, sobretudo, para o aumento da oferta e qualidade dos alimentos, que chegam à mesa dos consumidores brasileiros nas áreas urbanas, contribuindo para a redução dos preços da cesta básica.

E a esses impactos ainda possível agregar outros benefícios à economia brasileira, como a geração de saldo na balança comercial, o aumento na arrecadação de impostos e aos empregos adicionais gerados ao longo das cadeias produtivas envolvidas na sua agenda de pesquisa.

Modelo Embrapa de Balanço Social

O modelo de Balanço Social da Empresa é baseado na metodologia definida pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e um grupo de empresas estatais, entre elas a Embrapa, e já está sendo adotado pelas organizações estaduais de pesquisa agropecuária de quatro estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo e obteve reconhecimento internacional por parte da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de diversos países vizinhos.

A Corpoica, a Embrapa da Colômbia, acaba de publicar seu primeiro Balanço Social na comemoração dos seus 25 anos completados agora em março 2018. Da mesma forma, as organizações de pesquisa agropecuária da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão sendo capacitados por técnicos da SDI Embrapa para também publicarem suas versões de Balanços Sociais.

Para saber mais sobre o Balanço Social da Embrapa acesse – http://bs.sede.embrapa.br/2017/

Fonte: Embrapa

Embrapa completa 45 anos e investe em mudanças para enfrentar novos desafios

Uma conquista da ciência brasileira, liderada pela Embrapa, universidades e iniciativa privada, permitiu ao País  desenvolver um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja. Essa inovação permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa – apenas na última safra, sem precisar gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes serão anunciados em uma solenidade hoje (24), em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

 

 

“O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro”, afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical – e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

“Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. “A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos”, diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para “dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

“Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade”, conclui o presidente Maurício Lopes.

Serviço:
Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa

  • Data: 24 de abril de 2018
  • Horário: 15 horas
  • Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF
  • Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Fonte: Embrapa

Resíduos do dendê são usados como substrato para cultivar cogumelos comestíveis

Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Embrapa Agroenergia (DF) encontraram uma alternativa para produzir cogumelos comestíveis, como o Pleurotus ostreatus, ou shimeji, no Brasil a baixo custo e, assim, tornar seu consumo acessível a grande parte da população. Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo.

Segundo o pesquisador Marcos Enê Oliveira, o shimeji encontra condições ideais para se desenvolver nos resíduos industriais do dendê produzido no Brasil, especialmente no Pará, onde a indústria gera três toneladas de resíduos sólidos e uma tonelada de efluentes líquidos.

Oliveira explica que as biomassas residuais são fibras e substâncias ricas em proteína, lipídeos, carboidratos e minerais, que podem nutrir cogumelos comestíveis como o shimeji, conhecido também como cogumelo-ostra, produto bastante apreciado na culinária nacional e internacional.

Atualmente, comprar shimeji no mercado brasileiro é para poucos. O quilo do produto sai entre R$ 48,00 e R$ 80,00 porque grande parte dele vem do exterior e tem alto custo de importação. Só de frete, paga-se em torno de dois reais por quilo. Além disso, é preciso cuidado redobrado no transporte e na conservação do produto.

Cultivo de cogumelos

O pesquisador destaca que o cultivo desses cogumelos comestíveis é possível devido à sua versatilidade em se desenvolver em diferentes condições climáticas e substratos. “Esse fungo tem uma enorme capacidade de quebrar fibras lignocelulósicas, consideradas complexas quimicamente, e extrair delas os nutrientes necessários para o seu crescimento e frutificação”, conta o especialista, explicando que o cultivo imita o que ocorre na natureza ao oferecer resíduos vegetais em um substrato formado por fibras e pelo efluente gerado.

Para se chegar à mistura ideal, os pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), Félix Siqueira e Simone Mendonça testam formulações de substratos com diferentes concentrações de resíduos, entre eles, a cinza de caldeira, também oriunda do processamento do óleo de dendê.   O substrato é esterilizado em autoclave industrial para, depois, inocular o fungo. A fase de colonização, que é o crescimento do fungo no substrato, leva em torno de 25 a 30 dias em uma câmara escura, a fim de imitar a natureza onde os cogumelos crescem ao abrigo da luz em serapilheiras ou troncos de arvores.

Efluente rico

O efluente líquido do processamento do dendê, conhecido pela sigla Pome (palm oil mill effluent), é constituído, principalmente, de água, minerais e matéria orgânica, e atualmente seu destino são as lagoas de estabilização, conforme orienta a legislação. “Algumas experiências têm indicado a utilização desse efluente líquido como fertilizante para os plantios de dendê, mas essa aplicação ainda está sendo estudada para assegurar que não haja impacto ambiental”, esclarece o pesquisador Félix Siqueira.

Os valiosos resíduos do dendê

O Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de óleo de dendê. Em 2017, por exemplo, o estado produziu cerca de 480 mil toneladas desse óleo, gerando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de resíduos sólidos e líquidos. De acordo com Roberto Yokoyama, diretor da empresa Dendê do Pará (Denpasa) e presidente da Câmara Setorial da Palma de Óleo, o custo médio da tonelada de óleo bruto produzido no Brasil está por volta de US$ 610 a US$ 650, e o investimento necessário para se montar uma usina de beneficiamento é de um milhão de reais para cada tonelada de cacho processado, sendo que pelo menos 30% desse valor está diretamente ligado aos resíduos.

Na indústria de beneficiamento do óleo, os resíduos são o cacho vazio; o efluente líquido (Pome); a fibra e a casca do fruto, (resultante da prensagem); a borra, partículas sólidas geradas na separação entre o óleo e a água; e a torta de palmiste, resíduo da prensagem da amêndoa. Yokoyama conta que alguns deles já são utilizados para outros fins, como alimentação animal e geração de energia, mas o volume produzido ainda é grande. “Mesmo com alguns usos, o resíduo gerado ainda é um problema para a indústria”, afirma.

A Embrapa divulgou em comunicado que, para cada tonelada de cacho de fruto fresco (CFF) que entra na agroindústria, são produzidos em média 220 kg de cacho vazio, 120 kg de fibra de prensagem, 50 kg de casca, 20 kg de torta de palmiste, 60 kg de borra e 650 kg a 1.000 kg de efluentes. Esses resíduos são basicamente compostos por celulose e lignina, um material fibroso complexo, cujas ligações conseguem ser quebradas pelos fungos do gênero pleurotus, divulgou a Embrapa.

Fonte: Farming Brasil

Empresários e cientistas discutem o papel da agricultura na bioeconomia

Bioeconomia, agricultura, inovações tecnológicas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram os destaques da terceira edição da série “Academia – Empresa”, promovida pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo objetivo é integrar acadêmicos e empresários.
Com o título “A Agricultura Brasileira na Emergente Bioeconomia”, o encontro foi realizado na última segunda-feira (5) na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). Estiveram presentes pesquisadores e gestores da Embrapa, parlamentares, representantes de ministérios, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e de empresas do mercado de inovações tecnológicas, entre elas, Monsanto, John Deere e Oxitec do Brasil.
“Faz todo sentido discutir essa interação e essa interface da agricultura com a bieconomia nesse momento em que a sustentabilidade ganha o topo da agenda de prioridades da sociedade, em todo o mundo. Estamos todos preocupados em pensar e viabilizar um modelo de desenvolvimento seguro, de baixa emissão, de baixo impacto, que utilize a base de recursos naturais de forma prudente e inteligente. Esse movimento pela sustentabilidade está muito marcado, incrustado na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a agenda 2030, que tem um impacto enorme para a agricultura e para a agropecuária no presente e terá um impacto ainda maior no futuro”, destacou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na abertura do evento.
A sessão inicial contou ainda com a participação do presidente e vice-presidente da ABC, Luiz Davidovich e João Fernando Gomes de Oliveira, respectivamente; e de Jorge Guimarães, presidente da Embrapii. Guimarães destacou a necessidade de ampliar a participação do agro na dinâmica de financiamentos de projetos da Embrapii. “Do total de projetos que temos hoje, apenas 2,5% são do setor agroindustrial. Nossa expectativa é que novas organizações participem da Embrapii a partir de eventos como esses que estamos realizando hoje”, enfatizou o dirigente ao apresentar estudo sobre o número de empresas contratantes de projetos gerenciados pela Embrapii.
A missão da empresa é apoiar instituições de pesquisa tecnológica em áreas de competência selecionadas, para que executem projetos de desenvolvimento de pesquisa tecnológica para inovação, em cooperação com a indústria. Possui uma carteira de 417 projetos com 298 empresas parceiras, que movimentaram R$ 676 milhões em financiamentos no ano passado.
A Embrapii atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação.
O evento
Além da sessão de abertura, o encontro foi composto por três painéis: Agricultura e Sociedade na Nova Economia; Cenários e Futuros Possíveis para a Bioeconomia no Brasil; A Bioeconomia e o Mercado de Inovações Tecnológicas no Brasil. Também representaram a Embrapa o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares; o secretário de Inteligência e Relações Estratégicas, Renato Rodrigues; o gerente de Inteligência Estratégica e coordenador do Agropensa, Edson Bolfe; e os pesquisadores Elíbio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Eliseu Alves, ex-presidente da Empresa.
Para Lopes, a combinação do setor público com o privado faz com que o agronegócio brasileiro tenha protagonismo no cenário mundial, sendo capaz de se destacar como provedor de alimentos não só para a sociedade brasileira, mas para o mundo. O presidente reconhece, no entanto, que ainda há muito a ser feito. “Há questões emergindo na agenda da sociedade que vão exigir mais inovação, mais conhecimento, novas empresas, mais empreendedorismo. Não há dúvida alguma que essa vertente da bioeconomia dialogando com a agenda 2030 é um caminho que a agricultura brasileira precisará trilhar para que consiga dialogar com a agenda da sociedade que está emergindo”, disse, durante sua participação no painel sobre o papel da agricultura e da sociedade na nova economia.
Apesar de a bioeconomia ainda ser um tema emergente no País, já existem inovações tecnológicas na agricultura em perfeita sintonia com a proposta: o Brasil é líder no desenvolvimento de modelos de baixo impacto, possui serviços ecossistêmicos e ambientais exemplares, além de ter um Código Florestal moderno e uma política pública consistente para a agricultura de baixo carbono.
“O Brasil está fazendo talvez a grande revolução na agropecuária e no cinturão tropical do globo, com o conceito da intensificação sustentável integrando lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta. Não estamos partindo do zero na bioeconomia. Estamos partindo para um modelo de produção integrada, sistêmica, onde a agricultura dialoga com a natureza, provê serviços ambientais e dialoga com o desafio de desenvolver produtos inovadores que correspondam aos anseios da sociedade, uma sociedade que quer alimento de baixo impacto, de baixa emissão de carbono, produzido de forma segura, de forma inteligente”, destacou Lopes.
Cleber Soares, coordenador do primeiro painel, afirmou que o desafio é fazer a conexão da bioeconomia com a inovação digital. Para ele, a inovação digital deve estar presente em todo o processo, visando, por exemplo, o fortalecimento das cadeias produtivas e da indústria agrícola. “É necessário que a bioeconomia se conecte e traga a economia digital para seus processos mínimos”, disse.
Além de apontar convergências entre as inovações tecnológicas da Embrapa e a bioeconomia, como a relação direta da produção de alimentos com a nutrição e a saúde, Lopes também destacou a importância da atuação integrada da ciência com a cultura, a tradição, a gastronomia e o turismo nos diversos territórios brasileiros. “Portanto, há um grande número de dimensões e áreas onde a agricultura, a bioeconomia e a agenda global dos ODS terão oportunidade de atuarem em sinergia”.
Também participaram do evento, compondo os painéis, o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Márcio Miranda, os deputados federais Hugo Leal (PSB-RJ) e Celso Pansera (MDB-RJ), o presidente para a América do Sul da Monsanto, Rodrigo Santos, o diretor-executivo da Oxitec do Brasil, Jorge Espanha, o presidente da John Deere, Paulo Herrmann, e Elisabeth Farina, diretora-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Fonte: Embrapa Notícias

Embrapa realiza I Workshop para Validação da RenovaCalc

A Embrapa Meio Ambiente em parceria com o Ministério de Minas e Energia – MME, Agência Nacional do Petróleo – ANP, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT, Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – CTBE, Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e Agroicone, promoverão nos dias 28 de fevereiro e 1 de março de 2018, nas dependências da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), o I Workshop para Validação da RenovaCalc, a ferramenta do RenovaBio, que permitirá o cálculo da intensidade de carbono dos biocombustíveis.

Neste momento, o evento será orientado à participação de técnicos das áreas de sustentabilidade agrícola e industrial de unidades produtoras de biocombustíveis, uma vez que objetiva validar a RenovaCalc, identificando eventuais dificuldades de entendimento e de inserção de dados, e colhendo sugestões de melhoria dos potenciais futuros usuários da calculadora.

Em 28 de fevereiro técnicos das unidades produtoras de etanol de cana-de-açúcar, etanol 2G e etanol de milho discutirão as rotas tecnológicas inerentes à cadeia. Já no dia 1 de março, as mesmas ações serão oportunizadas aos técnicos das unidades produtoras de biodiesel e biogás.

O Workshop é parte dos trabalhos de regulamentação do programa, a partir da sanção presidencial da Lei 13.576/ 2017, que instituiu a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). O cronograma prevê que esta primeira etapa de validação seja finalizada até o final do mês de março de 2018.

A Renovacalc foi estruturada para estimar os índices de desempenho ambiental dos combustíveis do Programa RenovaBio. Para tal, faz uso de um conjunto de parâmetros técnicos fornecidos pelo produtor para calcular as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do ciclo de vida do biocombustível.

Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta para avaliação de impactos ambientais baseada na contabilidade de material e energia consumidos pelos processos produtivos e emitidos para o meio ambiente durante todo o ciclo de vida de um determinado produto, desde a fase de obtenção de recursos naturais, passando pelos processos de transformação, transporte, fase de uso e descarte do produto.

Conforme explicou a pesquisadora da Embrapa, Marília Folegatti, que coordena o grupo técnico que está elaborando a ferramenta, “a expectativa é que o evento seja um espaço para apresentação e discussão da RenovaCalc, buscando colher sugestões do setor produtivo para a melhoria da ferramenta”.

Para Marcelo Morandi, chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, o workshop é mais um passo importante na construção do RenovaBio, “agora já em fase de materialização para o público-alvo, no entendimento das métricas que serão solicitadas para ingresso no Programa”.

Fonte: Embrapa

Semente de soja é opção para produzir cianovirina usada no combate à AIDS

Desenvolvida pela Embrapa, Instituto Nacional de Saúde dos EUA, Universidade de Londres e Conselho de Pesquisa da África do Sul pesquisa premiada pelo Consórcio Federal de Laboratório norte-americano deverá baratear a produção

Pesquisa desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês), a Universidade de Londres e o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul (CSIR – sigla em inglês) foi premiada pelo Consórcio Federal de Laboratórios (FLC, sigla em inglês) pela excelência na transferência de tecnologia na área de saúde e serviços humanos em todo o território norte-americano.

O estudo comprovou que sementes de soja geneticamente modificadas constituem a biofábrica mais eficiente e opção viável para produzir em larga escala a cianovirina – proteína muito eficaz no combate à AIDS. A pesquisa que já havia sido premiada no ano passado na região do Médio-Atlântico (FLC MAR), recebeu, agora, o prêmio nacional. O consórcio congrega mais de 300 laboratórios de renomadas instituições de pesquisa e ensino norte-americanas, como o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e as Universidades de Cornell, Carolina do Norte e Maryland, entre outras.

O prêmio será entregue durante a reunião nacional do FLC, no dia 25 de abril, em Rockville, Maryland. O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Elibio Rech, coordenador da participação brasileira nos estudos, receberá a outorga, juntamente com os representantes das instituições internacionais que participaram do projeto.

Para Rech, além do reconhecimento científico, esse prêmio comprova a importância da cooperação técnica para o desenvolvimento de pesquisas de ponta na área de biotecnologia. “Essa homenagem coroa uma pesquisa de mais de uma década, que obteve excelentes resultados graças à parceria com os institutos internacionais”, comemora.

Além de inovadora, a pesquisa tem forte componente humanitário e, por isso, países em desenvolvimento com altos índices de propagação da AIDS, terão licença de produção e de uso livres do pagamento de royalties. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), na Zâmbia e África do Sul, cerca de 20% de toda população têm a doença. No Brasil, segundo estimativas da ONU, o índice de novos portadores do vírus subiu 3%, entre 2010 e 2016, ao contrário da média mundial, que sofreu contração de 11%.

A pesquisa, que começou a ser desenvolvida em 2005, se baseia na introdução da cianovirina, uma proteína que está presente em algas e que é capaz de impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano, em sementes de soja geneticamente modificadas para produção em larga escala. O objetivo é o desenvolvimento de um gel (com propriedades viricidas) para prevenir a contaminação.

O pesquisador destacou que as sementes geneticamente modificadas serão cultivadas em condições controladas de contenção dentro de casas de vegetação ou estufas. Ele explica que os efeitos positivos da cianovirina estão comprovados desde 2008, a partir de testes realizados com macacos pelo instituto norte-americano. A capacidade natural dessa proteína, extraída da alga azul-verde (Nostoc ellipsosporum), de se ligar a açúcares impedindo a multiplicação do vírus é conhecida pela comunidade científica mundial há mais de 15 anos. “O que faltava era descobrir uma forma eficiente e econômica para produzir a proteína em larga escala”, completa.

O faturamento da biotecnologia na indústria farmacêutica mundial cresceu muito nas últimas décadas e alcança aproximadamente 10 bilhões de dólares por ano. Os produtos biotecnológicos estão em franco desenvolvimento e hoje representam cerca de 10% dos novos produtos atualmente no mercado.

A expectativa da Embrapa ao investir em pesquisas com biofármacos, como explica Rech, é fazer com que esses medicamentos cheguem ao mercado farmacêutico com menor custo, já que são produzidos diretamente em plantas, bactérias ou no leite dos animais. Existem evidências de que a utilização de biofábricas pode reduzir os custos de produção de proteínas recombinantes em até 50 vezes.

Fernanda Diniz (MTb 4685/DF) 
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia 
cenargen.nco@embrapa.br 
Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: MAPA

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