Demanda por eficiência energética nos transportes aumentou 180% em 16 anos

Demanda por energia no setor aumentou 180% e o consumo por passageiro mais do que triplicou em 16 anos. Além disso, país utiliza 80% de combustíveis não renováveis e precisa incentivar alternativas menos poluentes

No Brasil, 80% da energia utilizada nos transportes é de origem não renovável, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mundo, o setor de transportes foi responsável por 28% do total do consumo final de energia global em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Entre 2000 e 2016, houve um aumento de 8% da demanda por energia no setor de transportes em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nos países emergentes, como o Brasil, o aumento chegou a 180% no período, e o consumo energético por passageiros mais que triplicou. A justificativa está na redução do número de passageiros por carro e no aumento de veículos próprios, além de uma mudança entre modos de transporte, com a priorização de automóveis e veículos individuais em detrimento dos transportes coletivos.

A pesquisadora da FGV Energia Tamar Roitman diz que a busca constante pelo aumento de eficiência energética nos transportes é incontestável, pois a demanda por mobilidade cresce em reflexo da expansão econômica e de outros fatores. “A maior eficiência permite tal crescimento sem implicar em um impacto de igual tamanho no consumo de combustíveis, além de reduzir custos e evitar emissões desnecessárias”, argumenta.

De acordo com ela, as pesquisas e as ações para melhoria da eficiência energética no setor de transportes brasileiro, em geral, estão mais voltadas para soluções que acabam por manter o mesmo padrão de comportamento, se concentrando em melhorar a eficiência de combustíveis, veículos e motores. “As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”, diz Roitman.

Segundo a pesquisadora, o primeiro passo é o olhar mais atento para a demanda por mobilidade, com uma melhor gestão e planejamento urbano, de forma a evitar o crescimento da demanda por transporte individual. Ela cita iniciativas como pedágio urbano, rodízio de carros, remoção de estacionamentos gratuitos e estabelecimento de áreas exclusivas para pedestres com o intuito de desincentivar o uso de carros por parte da população.

Além disso, é preciso promover mudanças no sistema de transportes. “É necessário reduzir a dependência do setor rodoviário e fazer maior uso de dutos e ferrovias. A greve dos caminhoneiros (em maio de 2018) trouxe à tona a busca por novos modais. O serviço de cabotagem aumentou depois da paralisação, porque, quando temos problemas nas rodovias, percebemos que não podemos depender de um único modal”, explica. Segundo ela, a cabotagem no Brasil é pouco explorada e possui um enorme potencial, devido à abundância de rios existentes no país.

Ainda na categoria do verbo “mudar”, a pesquisadora acredita que iniciativas como a construção de linhas de trem e metrô, a implantação de corredores expressos para ônibus, como o Bus Rapid Service (BRS) e o Bus Rapid Transit (BRT), são medidas que mudam o foco do veículo individual para o transporte coletivo. “Outra iniciativa no mesmo sentido é o compartilhamento de veículos (car sharing, em inglês), que nada mais é do que um serviço de aluguel de veículos e que contribui para a redução do número de automóveis nas ruas.” Tamar cita, ainda, a adoção de veículos não motorizados, como bicicletas e patinetes, de baixo custo.

Medidas para melhorar o padrão de eficiência energética dos veículos também são importantes. “O incentivo à otimização de motores, ao uso de combustíveis menos poluentes e ao desenvolvimento de novas tecnologias de veículos é fundamental. Nesse sentido, podem ser adotadas medidas regulatórias, como o estabelecimento de padrões de eficiência energética em veículos”, explica.

Avanço

O setor de transportes liderou o avanço da demanda energética em 2017, segundo o último Balanço Energético Nacional da EPE (2018). O segmento teve uma expansão de 1,9 milhão de toneladas equivalentes de petróleo (tep), em virtude do aumento de 2,7% do consumo de óleo diesel, resultado da maior atividade de transporte de carga. No caso dos veículos leves, houve crescimento de 0,5% na produção de gasolina automotiva e o consumo desse combustível aumentou 2,6%. O etanol, porém, apresentou comportamento inverso, com queda de 2% na produção e de 0,2% no consumo.

Em 2017, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 435,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2-eq), grande parte (199,7 Mt CO2-eq) gerada no setor de transportes. Os transportes de carga e de passageiros respondem por aproximadamente 32,7% do consumo total de energia do país.

De acordo com o professor de engenharia da Universidade de Brasília (UnB), Augusto César de Mendonça Brasil, a tecnologia automotiva melhora gradativamente, e os veículos se tornam mais eficientes, consomem menos combustíveis e emitem menos poluentes. “Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”, explica.

Segundo ele, o ideal é investir em veículos híbridos, que são uma junção do motor a combustão e do motor elétrico. “A combinação dos dois gera uma boa eficiência energética. Apostar na transição dos veículos de combustão interna para os veículos híbridos já seria um grande avanço”. Além disso, o professor explica que otimizar vias, implementar BRT e faixas exclusivas para ônibus são medidas que melhoram o ciclo de velocidade dos veículos e acabam influenciando um melhor desempenho energético. “Priorizar o uso do transporte público em detrimento dos particulares também é um caminho”.

Alto custo

Para Mendonça Brasil, o alto custo dos veículos elétricos ainda é um fator limitante para a popularização desse tipo de veículo. “Além disso, o consumidor não tem tanta confiança no veículo elétrico para aderir. Os pontos de recarga ainda são escassos, e isso afeta na decisão de quem está comprando um carro. Posto de gasolina tem em todo lugar, pontos de recarga de carro elétrico, não. Mas não é isso que promoverá o uso de carros elétricos”, afirma.

O professor diz que combustíveis alternativos, como álcool e biogás, devem ser incentivados, inclusive o uso do hidrogênio como combustível complementar nos veículos híbridos. “Eu acredito que o que define o consumo energético não é tanto a tecnologia. As nossas melhores soluções estão mais voltadas para o comportamento e para a cultura do que para a tecnologia”, sustenta.

As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”
Tamar Roitman, pesquisadora da FGV Energia

Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”
Augusto César de Mendonça Brasil, professor da UnB

Fonte: Correio Braziliense

Seminário Frotas & Fretes Verdes enfoca sustentabilidade no transporte de cargas e de passageiros

Em sua sétima edição, o Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes, realizado pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia (Ibesc) e do qual a APROBIO é conselheira, retoma a proposta de apresentar e discutir técnicas que aumentem a eficiência energética no uso de combustíveis, materiais e boas práticas para o transporte de cargas e de passageiros.

O evento será nos dias 7 e 8 de novembro, no Hotel Meliá – São Paulo, e seu objetivo é compartilhar experiências que aumentem a competitividade das empresas que contribuem para a economicidade, sustentabilidade e eficiência energética no transporte de cargas e de passageiros.

“Transportar mais, gastando menos” é o lema do seminário e será desdobrado em cerca de 20 palestras, com a participação de especialistas, empresários, dirigentes de instituições representativas do setor de transportes e autoridades no assunto. O presidente de honra do evento é Christopher Podgorski, presidente da Scania Latin America.

Os temas a serem abordados incluem “Inovação disruptiva”, “Agro Brasil e a influência da logística no agronegócio”, “Eficiência energética no transporte: Brasil x mundo”, “Tecnologias para otimização da logística”, “O perfil do profissional de logística na era da transformação digital”, “Boas práticas para emissão de CO2”, “Mobilidade Corporativa”, “Benefícios da multimodalidade nos meios de transporte”, “Preparação para o futuro sem combustível fóssil”, entre outros.

O Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes se propõe a discutir e propor formas sustentáveis para lidar com o cenário do transporte brasileiro. A preocupação com o meio ambiente é um problema tratado com seriedade e prioridade durante os dois dias de palestras, provocando reflexões e compartilhando boas práticas que contribuam para que se consiga “transportar mais com menos”, recorrendo à eficiência energética e a alternativas logísticas.

O evento também terá uma publicação com artigos e estudos de diversos setores envolvidos no seminário. Um dos textos é de autoria do presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, sobre o cenário do biodiesel brasileiro e as perspectivas diante da aplicação do RenovaBio, política nacional para os biocombustíveis.

Troféu Frotas & Fretes Verdes – O seminário só acontece em novembro, mas está aberta a votação para escolha dos vencedores do Troféu Frotas & Fretes Verdes 2018. Serão premiados os destaques nas categorias: Empresa com sustentabilidade em processo ou produto, Executivo Destaque, Pesquisador individual, e Influenciador para mobilidade sustentável. Os vencedores da premiação serão conhecidos na solenidade de abertura do seminário, no dia 7 de novembro.

O VII Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes é uma realização do Instituto Besc de Humanidades e Economia. Com sede em Belo Horizonte, a instituição tem a missão de colaborar com a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil e com as políticas de investimento público-privado que se destinam ao crescimento e inserção de todas as regiões brasileiras no universo global do conhecimento, do saber e do bem-estar social.

 

Serviço

Evento: Frotas & Fretes Verdes 2018 – Eficiência energética no transporte de cargas e de passageiros. Transportar mais gastando menos.

Data: 7 e 8 de novembro

Local: Hotel Meliá Paulista – São Paulo

Inscrições: www.frotas.institutobesc.org/2018

EDP disponibiliza R$ 60 milhões para projetos de eficiência energética em empresas

A EDP, empresa que atua em todos os segmentos do setor elétrico no País, vai disponibilizar R$ 60 milhões para companhias dos setores industrial, comercial e de serviços que queiram modernizar seus sistemas de iluminação, climatização, refrigeração, ar comprimido ou motores elétricos.

O chamado Programa de Investimentos em Eficiência Energética (PIEE) vai selecionar projetos de eficiência energética empresarial que, por alguma razão, ainda não foram implementados.

Depois de avaliar a viabilidade técnica e econômica das propostas, a EDP realizará o investimento necessário para a implantação das medidas.

O aporte mínimo será de R$ 300 mil por projeto, considerando todos os gastos, como plano de engenharia, instalações, gestão e equipamentos.

Os projetos deverão ser implementados no prazo máximo de 12 meses após a assinatura do contrato. Só após a conclusão desse trabalho a empresa beneficiada realizará pagamentos mensais fixos pelo serviço prestado.

Caso as empresas candidatas não tenham um projeto consolidado, o PIEE disponibiliza em seu site um check list para identificar a melhor solução de eficiência com base nas informações enviadas.

Além disso, consultores e empresas de engenharia que possuam projetos mapeados também poderão submetê-los em nome de seus clientes.

“Esta é mais uma oportunidade que a EDP oferece para que as empresas de médio e grande porte possam tornar seu consumo de energia mais eficiente e sustentável”, afirma o vice-presidente de Novos Negócios da Companhia, Carlos Andrade.

“Para os clientes, é uma possibilidade de reduzir seus custos e modernizar sua infraestrutura sem ter que fazer grandes investimentos iniciais”.

EDP Soluções em Energia

A EDP Soluções em Energia é responsável pelo desenvolvimento de negócios e serviços integrados de energia para clientes do segmento comercial – com projetos de eficiência energética em iluminação e ar condicionado –, e da indústria – com projetos de geração de vapor com biomassa e centrais de utilidades.

Em 2017, foram realizados 23 projetos de eficiência energética, que contribuíram para a economia de 51,85 GWh nos clientes, além de evitar a emissão de 30.457 toneladas de CO2 e gases de efeito estufa.

A rede atacadista Makro, por exemplo, encontrou em um projeto apresentado pela EDP a solução para reduzir sua conta de luz e se tornar ainda mais sustentável.

Com o investimento de R$ 60 milhões para a substituição do sistema de iluminação antigo por LED nas áreas internas e externas de 69 lojas espalhadas por 24 estados do Brasil, foi possível diminuir o consumo de energia em iluminação em até 55% ou 17,5 mil megawatts-hora (MWh) – o equivalente ao consumo médio de 7,3 mil famílias. Após a implantação do projeto, mais de 1.431 toneladas de gás carbônico deixaram de ser lançadas na atmosfera.

Já a modernização do sistema de climatização, com automação dos chillers e motobombas, do complexo hoteleiro Costa do Sauípe, na Bahia, permitiu poupar 2.965 MWh ao ano, cerca de 34% mais do que a economia projetada.

As empresas interessadas devem cadastrar suas propostas no site edp.com.br/piee até o dia 30 de julho.

Fonte: Ambiente Energia

Brasil precisa de metas ambiciosas de eficiência energética, dizem participantes de audiência

O país precisa trabalhar com metas ambiciosas de eficiência energética, afirmaram os especialistas ouvidos nesta quinta-feira (3) pela Comissão Senado do Futuro. A iniciativa da audiência foi do senador Hélio José (Pros-DF), segundo o qual o Brasil precisa melhorar a sua eficiência na produção, distribuição e consumo de energia elétrica. O parlamentar ressaltou que “energia não pode ser jogada fora”, especialmente com a expectativa de retomada do crescimento econômico.

— Deve-se aumentar os índices de eficiência energética para podermos ter uma retomada do crescimento de maneira saudável. Devemos trabalhar para reduzir as perdas elétricas. Devemos educar os jovens para que aprendam a não desperdiçar energia, a poupar energia — disse o senador.

Urbanista e especialista em eficiência energética, Alexandra Albuquerque Maciel, coordenadora de mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente, destacou que a máquina pública tem uma importante parcela no consumo de energia no país. Ela explicou que o ministério está realizando projetos de redução do consumo de energia em várias instalações do governo. Alexandra também afirmou que a legislação do Brasil para o setor é considerada avançada, mas é preciso colocá-la em prática.

Hélio José lembrou que atualmente, o Brasil produz apenas um gigawatt de energia a partir de fontes renováveis, como a eólica e a fotovoltaica. E que a China, que tem 30% menos de captação solar que o Brasil, produz 100 gigawatts somente nessas duas fontes não-poluentes e renováveis.

Em resposta, a coordenadora de eficiência energética do Ministério das Minas e Energia, Samira Sana Carmo explicou que o Brasil trabalha com as metas do Acordo de Paris, que preveem o aumento da participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para 18% até 2030. Além disso, o país mira na economia de energia, disse Samira.

— Estamos trabalhando para em 2030 termos poupado quase um terawatt na produção brasileira. Isso é quase o produzido por uma hidroelétrica como Itaipu — declarou.

Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Conservação de Energia (Abesco), o engenheiro Alexandre Sedlacek Moana lembrou que a eficiência energética é realizar o mesmo trabalho com menos energia. E salientou que os países que tiveram políticas que determinaram a eficiência energética, como o Japão, conseguiram reduzir seus custos e seus desperdícios.

— Programas como a etiquetagem dos eletrodomésticos, como Procel [Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica], tiveram grande efeito nos fabricantes e nos consumidores. Devemos fazer o mesmo na área de consumo, como em indústrias e no comércio, com metas e planos de eficiência para a redução do consumo — completou.

Fonte: Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Transformação global de energia: um roteiro para 2050

A energia renovável precisa ser ampliada pelo menos seis vezes mais rápido para que o mundo atinja os objetivos de descarbonização e mitigação climática estabelecidos no Acordo de Paris, diz Global Energy Transformation: Um roteiro para 2050 .

O acordo climático histórico de 2015 visa, no mínimo, limitar a elevação da temperatura global média a “bem abaixo de 2 ° C” no século atual, em comparação com os níveis pré-industriais. Como este novo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), energia renovável e eficiência energética podem, em conjunto, fornecer mais de 90% das necessárias reduções de emissões de Co², relacionados com a energia.

Além disso, isso pode acontecer usando tecnologias seguras, confiáveis, acessíveis e amplamente disponíveis. Embora caminhos diferentes possam mitigar as mudanças climáticas, as energias renováveis ​​e a eficiência energética fornecem o caminho ideal para a maioria dos cortes de emissões necessários e dentro da velocidade ideal.

As atuais tendências de emissão de dióxido de carbono (CO 2 ) ainda não estão no caminho certo. De acordo com as políticas atuais e planejadas (incluindo Contribuições Nacionalmente Determinadas sob o Acordo de Paris), o mundo esgotaria seu orçamento de carbono relacionado à energia em menos de 20 anos. Mesmo assim, os combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, continuariam a dominar o mix global de energia nas próximas décadas.

O “orçamento de carbono” para manter o aquecimento global abaixo de 2 o C se esgotará em menos de 20 anos.

O orçamento de carbono para manter o aquecimento global abaixo de 2o C se esgotará em menos de 20 anos.

Manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (° C) é tecnicamente viável. Também seria mais econômica, social e ambientalmente benéfica do que o caminho resultante dos planos e políticas atuais, conhecido no relatório como o Caso de Referência. No entanto, o sistema energético global deve passar por uma profunda transformação, substituindo o atual sistema que é amplamente baseado em combustíveis fósseis.

A quota total de energias renováveis ​​deve aumentar de cerca de 18% do consumo total de energia final (em 2015) para cerca de dois terços até 2050. No mesmo período, a quota de energias renováveis ​​no setor da energia aumentaria de cerca de um quarto para 85%, principalmente através do crescimento da geração de energia solar e eólica. A intensidade energética da economia global terá que cair cerca de dois terços, reduzindo a demanda de energia em 2050 para um pouco menos que os níveis de 2015. Isso é possível, apesar do crescimento populacional e econômico significativo, melhorando substancialmente a eficiência energética, segundo o relatório.

As energias renováveis ​​podem representar dois terços do mix energético até 2050, com uma intensidade energética significativamente melhorada.

As energias renováveis ​​podem representar dois terços do mix energético até 2050, com uma intensidade energética significativamente melhorada.

Embora o setor energético já tenha visto uma descarbonização significativa, esse progresso deve ser acelerado. Como a eletricidade de baixo carbono se torna a principal fonte de energia, a parcela de eletricidade consumida nos setores de uso final (edifícios, aquecimento e transporte) precisaria dobrar, passando de aproximadamente 20% em 2015 para 40% em 2050. As renováveis ​​também devem se expandir significativamente como fonte para usos diretos, incluindo combustíveis para transporte e calor direto, acrescenta o relatório. A análise é baseada no mapa global da IRENA para aumentar as energias renováveis, conhecido como REmap .

A transformação global da energia faz sentido econômico. No entanto, exige mais investimentos em tecnologias de baixo carbono sem demora. Compreender sua pegada socioeconômica, entretanto, é essencial. A mudança para as energias renováveis ​​deve criar mais empregos energéticos do que aqueles perdidos nas indústrias de combustíveis fósseis, mostra a análise da IRENA. Também impulsionaria o PIB global em 1% em 2050 e melhoraria significativamente o bem-estar geral.

A transição energética geraria mais de 11 milhões de empregos adicionais em energia até 2050.

A transição energética geraria mais de 11 milhões de empregos adicionais em energia até 2050.

Fonte: IRENA

Agência Internacional de Energia Renovável prevê crescimento até 2050

Aumentar a velocidade de adoção das energias renováveis em escala global em pelo menos seis vezes é fator crítico para atender às necessidades de redução de emissões relacionadas à energia pelo Acordo de Paris e pode limitar o aumento da temperatura global a dois graus, de acordo com a última edição do cenário de energia renovável de longo prazo da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

Transformação Energética Global: Um Roteiro para 2050, lançado hoje (18) durante o Diálogo sobre Transição Energética de Berlim, também conclui que um aumento cumulativo do investimento no sistema energético em 30% até 2050 em favor de energia renovável e eficiência energética pode criar mais de 11 milhões de empregos no setor energético, compensando completamente as perdas no segmento de combustíveis fósseis.

A ação imediata também reduzirá a escala e o valor dos ativos ociosos relacionados à energia no futuro. O estudo prevê até US$ 11 trilhões de ativos de energia ociosos até 2050 – um valor que pode dobrar se a ação sofrer mais atrasos.

“A energia renovável e a eficiência energética formam a base da solução mundial para as emissões de CO2 relacionadas à energia e podem fornecer mais de 90% das reduções de emissão de CO2 relacionadas à energia necessárias para manter o aumento da temperatura global em dois graus”, destacou o Diretor Geral da IRENA, Adnan Z. Amin.

“Se quisermos descarbonizar a energia global com rapidez suficiente para evitar os impactos mais severos da mudança climática, as energias renováveis ​​devem representar pelo menos dois terços da energia total até 2050. A transformação não apenas apoiará objetivos climáticos, como também resultados sociais e econômicos positivos em todo o mundo, tirando milhões da pobreza energética, aumentando a independência energética e estimulando o crescimento sustentável do emprego”, acrescentou Amin.

“Existe uma oportunidade para aumentar o investimento em tecnologias de baixo carbono e mudar ainda na nossa geração o paradigma de desenvolvimento global – passando de um de escassez, desigualdade e competição para um de prosperidade compartilhada. Essa é uma oportunidade que devemos aproveitar, adotando políticas fortes, mobilizando capital e impulsionando a inovação em todo o sistema energético”.

Os planos atuais dos governos ficam aquém das necessidades de redução de emissões. Na trajetória de hoje, o mundo exauriria seu “orçamento de carbono” (CO2) relacionado à energia para 2oC em menos de 20 anos, apesar do contínuo e forte crescimento nas adições de capacidade renovável.

No final de 2017, a capacidade de geração renovável global aumentou em 167 GW e atingiu 2.179 GW em todo o mundo – um crescimento anual de 8,3%. No entanto, sem um aumento de escala, os combustíveis fósseis como petróleo, gás natural e carvão continuariam a dominar o mix energético global até 2050.

A análise da IRENA delineia um sistema energético no qual as energias renováveis ​​respondem por dois terços do consumo final total de energia e 85% da geração de energia até 2050 – acima de 18% e 25%, respectivamente hoje.

Para conseguir isso, é necessária uma aceleração de pelo menos seis vezes da energia renovável, tanto por meio do aumento da eletrificação do transporte e dos sistemas de aquecimento, quanto pelo uso mais direto de fontes renováveis.

A eletrificação e a energia renovável são os principais impulsionadores descritos no relatório, com a capacidade solar e eólica liderando a transformação de energia.

Clique aqui e faça o download do Global Energy Transformation: um roteiro para 2050

Fonte: Ambiente Energia

Países de América Latina e Caribe fortalecerão base regional de dados sobre eficiência energética

Representantes de 15 países da América Latina e Caribe e de 13 organismos multilaterais concordaram em impulsionar a implementação de políticas sobre eficiência energética. Reunidas em Buenos Aires no início de dezembro (6), delegações definiram uma série de recomendações sobre o tema para a Comissão Econômica da ONU para a região, a CEPAL. Nações planejam aprimorar produção de dados sobre gasto de energia.

Entre as principais orientações acordadas, está o fortalecimento do programa Base de Indicadores de Eficiência Energética (BIEE). Estados-membros solicitaram à CEPAL que concentre seus esforços de apoio técnico para os países participantes da iniciativa. A ampliação da assistência deverá ter por objetivo a desagregação de estatísticas por setor. Outras metas incluem a melhoria da plataforma, para que seja possível realizar avaliações precisas e úteis dos contextos nacionais.

Com investimentos renovados, os países esperam ainda que o BIEE seja utilizado para a concepção e monitoramento das contribuições nacionalmente determinadas (NDC) — nome técnico dado às metas de cada Estado-membro da ONU para o cumprimento do Acordo de Paris.

A expectativa é de que, ao longo do tempo, as metodologias do BIEE sejam adotadas dentro das nações, com o envolvimento dos setores acadêmico e privado e da sociedade civil. O Brasil faz parte do programa da CEPAL.

Os representantes reunidos na capital argentina também convocaram a Comissão da ONU a avaliar e aproveitar as experiências do Brasil e, no futuro, do Chile, no que tange aos investimentos em energia renovável para complementar a oferta doméstica de energia. Iniciativas podem ser estudadas para inclusão no projeto ECOSUD, outro programa da CEPAL, criado para difundir modelos de adoção de fontes sustentáveis.

Delegações lembraram ainda que, em 2018, será lançado o Observatório Regional sobre Energias Sustentáveis, organismo sob responsabilidade da CEPAL. Para os países presentes no encontro em Buenos Aires, entidade precisará escutar as propostas operativas de cada Estado-membro da agência regional das Nações Unidas.

O Observatório terá, como função, coordenar esforços de pesquisa e análise de dados e de políticas em matéria de acesso a energias renováveis e eficiência energética. Atividades visam ao monitoramento do cumprimento por cada país do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU de nº 7, sobre energia acessível, segura, sustentável e moderna para todos.

Fonte: ONU

Governo inclui Itaipu nas discussões da nova política automotiva brasileira

Comitiva integrada por representantes de vários órgãos conheceu o Programa VE nesta semana

A experiência da Itaipu Binacional na área de mobilidade elétrica vai servir de base para as discussões do governo federal na elaboração da nova política automotiva do País, chamada de Rota 2030 – Mobilidade e Logística.

O trabalho é coordenado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), com a participação de outros ministérios e órgãos públicos e também da iniciativa privada. O novo plano, que substituirá o Inovar-Auto, de 2013, está previsto para entrar em vigor em janeiro de 2018.

Na última terça-feira, 11, uma comitiva integrada por representantes do Mdic, Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da agência de cooperação Brasil-Alemanha (GIZ) participou de uma visita técnica à usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR).

O grupo foi recebido pelo coordenador brasileiro do Programa Veículo Elétrico (VE) de Itaipu, engenheiro Celso Novais, e conheceu o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Elétricos (CPDM-VE). Novais falou sobre o programa e apresentou as principais linhas de pesquisa.

Coordenador geral do setor da indústria automotiva do Mdic, Marcelo Saraiva explicou que a nova política será de longo prazo, com três ciclos de cinco anos cada um, e contemplará vários temas – como segurança veicular, investimentos em P&D e engenharia, conectividade e eficiência energética.

Neste último item, foi criado um subgrupo para tratar especificamente de veículos elétricos. “O objetivo é fazer um grande nivelamento de informações do estado da arte dessa discussão de veículos elétricos no Brasil e uma das iniciativas propostas foi justamente a visita técnica à Itaipu, para conhecer o Programa VE e o know-how da empresa neste setor”, disse Saraiva.

O diretor de desenvolvimento produtivo da ABDI, Miguel Nery, afirmou que há uma forte tendência de aumento na participação dos veículos elétricos na frota dos países e, por isso, um capítulo dedicado a essa tecnologia na nova política industrial brasileira é fundamental.

“Quando discutimos a introdução de veículos elétricos no Brasil, o fato que considero relevante é a expectativa de desenvolver uma indústria nacional. Por isso a importância da nossa visita: Itaipu já vem há mais de dez anos pesquisando tanto soluções para o veículo elétrico em si, como, particularmente, para o seu maior gargalo, que é o armazenamento de energia [a bateria]”, pontuou.

“Estar na Itaipu significa dizer que estamos buscando encontrar e entender o que está sendo feito de melhor em termos de tecnologia. E que certamente irá contribuir para a concepção de uma política de desenvolvimento da indústria de veículos elétricos no Brasil”, completou.

Carlos Alexandre Pires, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do MME, comentou que as discussões sobre veículo elétrico abrem a perspectiva para questões que vão além da mobilidade – como eficiência energética, armazenamento, geração distribuída e proteção ao meio ambiente.

Outra questão é a saúde: estima-se que o País gaste em torno de R$ 30 bilhões por ano para tratar de doenças respiratórias – e o transporte tem um grande peso nesse quadro. “Ou seja, além de ter investimentos equivocados, você tem custos decorrentes do investimento equivocado”, avaliou Ubiratan Castellano, assessor da Secretaria de Planejamento do MME.

O assessor especial do gabinete do ministro Fernando Coelho Filho (MME), Guilherme Syrkis, lembrou que o governo federal busca atrelar o planejamento do setor de energia ao Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário e que tem metas audaciosas para redução das emissões de carbono do planeta. “Queremos construir um ambiente em que a melhor tecnologia, com a maior eficiência e a menor emissão de carbono, possa crescer no País.”

O próprio Coelho Filho tem contribuído para divulgar a eletromobilidade – no último mês, o ministro recebeu de Itaipu um veículo elétrico para ser utilizado em seus deslocamentos em Brasília. “Usa todos os dias”, assegurou Syrkis.

Celso Novais salientou que as ações na área de mobilidade elétrica estão conectadas com a missão empresarial da Itaipu – gerar energia de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil e no Paraguai.

Segundo ele, “é gratificante compartilhar nossas experiências para ajudar a promover o desenvolvimento industrial do Brasil e a construção de soluções sustentáveis que contribuam para a preservação do planeta para as próximas gerações”.

Fonte: Click Foz

Governo de São Paulo irá criar cursos em energias renováveis e eficiência energética nas Etecs e Fatecs

Grade curricular está sendo trabalhada para a criação dos primeiros cursos de nível técnico e superior tecnológico sobre o tema no Brasil

A Secretaria de Energia e Mineração de São Paulo e o Centro Paula Souza, assinaram um termo de cooperação para implantação de dois cursos para formação de profissionais na área de energias renováveis e eficiência energética nas Escolas Técnicas Estaduais – Etecs e Faculdades de Tecnologia de São Paulo – Fatecs. O documento foi publicado na última sexta-feira, 7 de julho, no Diário Oficial do Estado.

“O Governo de São Paulo está incentivando as empresas e a população a realizar a geração distribuída e a eficientização de sistemas, por meio da instalação de placas fotovoltaicas, troca de iluminação antiga por LED, entre outras ações. Isso fará com que a necessidade de profissionais capacitados aumente cada vez mais, principalmente em sistemas para a geração de energia em indústrias, comércios e residências, o que abrirá espaço para esse novo mercado, estimulando a geração de emprego e o aumento de renda da população”, explica o secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles.

O acordo tem duração de 12 meses e prevê a colaboração entre as instituições para desenvolver a matriz curricular de três cursos regulares, que irão capacitar profissionais de nível técnico e superior tecnológico para o mercado.

O curso técnico de Sistemas de Energias Renováveis será oferecido na modalidade semipresencial, com aulas presenciais nas Etecs e em um ambiente virtual com o suporte de um professor orientador. Também será oferecido curso de Especialização Técnica de nível médio de Gestão de Energia, voltado a quem busca obter conhecimentos mais específicos na área. O curso superior tecnológico das Fatecs será o de Gestão de Energia/Eficiência Energética.

“Os novos cursos também terão um papel estratégico na produção de pesquisas para atender às demandas tecnológicas do setor”, destaca a diretora-superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá.

A previsão é que as futuras modalidades sejam oferecidas no processo seletivo de 2018. O grupo que está montando a grade curricular definirá também em quais unidades serão disponibilizados esses cursos.

O curso técnico, com duração de três semestres, englobará temas como instalações elétricas, eficiência energética, energias renováveis, sistemas fotovoltaicos e solares térmicos. Já o tecnólogo em Gestão de Energia estará apto a projetar, manter e gerenciar sistemas baseados em energias renováveis nas indústrias, comércios e residências. O profissional também estará capacitado a coordenar programas de uso racional de energia, indicar tecnologias e traçar estratégias para promover a eficiência energética.

Sobre o Centro Paula Souza

Autarquia do Governo do Estado de São Paulo vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, o Centro Paula Souza administra as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e as Escolas Técnicas (Etecs) estaduais, além das classes descentralizadas – unidades que funcionam com um ou mais cursos técnicos, sob a supervisão de uma Etec –, em mais de 300 municípios paulistas. Nas Etecs, o número de matriculados nos Ensinos Médio, Técnico integrado ao Médio e no Ensino Técnico, para os setores Industrial, Agropecuário e de Serviços, ultrapassa 211 mil estudantes. As Fatecs atendem mais de 80 mil alunos nos cursos de graduação tecnológica.

Fonte: Portal Segs

Mato Grosso cresce em produção de energia renovável

Com inscrições esgotadas, Seminário de Energia começa nesta segunda (22), às 19h30, com as participações do governador e vice-governador de MT e do ministro de Minas e Energia, e termina na quarta-feira (24)

A produção de energia primária renovável e a produção de energia secundária, especificamente a eletricidade, cresceram a taxas de 4,9 e 7,9% ao ano, respectivamente. É o que revela, entre outras informações, o Balanço Energético do Estado de Mato Grosso e Mesorregiões (BEEMT- 2015), que será apresentado no 8º Seminário de Energia – Ideias Sustentáveis e Eficiência Energética programado para ser realizado de 22 a 24 de maio, no auditório da Fiemt, em Cuiabá.

De acordo com o BEEMT-2015, um estudo produzido pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), pela Sedec-MT (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso) e pela Uniselva (Fundação de Apoio e Desenvolvimento da UFMT) e que atualiza os dados da série histórica do último balanço estadual publicado em 2009, a produção de energia primária cresceu principalmente pelo incremento do biodiesel nos cinco anos finais da série (2004 a 14).

As cinco mesorregiões do estado são distintas nos aspectos geográfico, social e energético. E, dentre elas, a sudoeste caracteriza-se por ser exportadora dos principais recursos energéticos renováveis. Segundo o BEEMT-2015, essa mesorregião destaca-se pelos derivados de cana-de-açúcar e a hidroeletricidade. É nos limites desse território que se encontra a maior usina de açúcar e álcool do estado. E detém a maior parcela de produção de energia primária de MT.

Já a mesorregião norte é a mais próspera entre as cinco e também a responsável pela maior produção de grãos do estado, o que a torna a maior consumidora de óleo diesel no setor agropecuário, nos processos de preparação e plantio, e no setor de transportes, para o escoamento da safra. Esse território é o maior produtor de energia elétrica de origem hidráulica e tem um parque industrial responsável pelo maior consumo de eletricidade de Mato Grosso.

O Balanço Energético do Estado de Mato Grosso e Mesorregiões (BEEMT- 2015) será entregue oficialmente, pelo Niepe (Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Estratégico) da UFMT para o Governo do Estado de Mato Grosso, na cerimônia de abertura do 8º Seminário de Energia, evento do Sindenergia (Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso), a partir de 19h30 desta segunda.

Fonte: Cenário MT

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