Aquecimento global aumenta a ocorrência de eventos extremos?

Estudo recente mostra que o aumento das emissões de gases do efeito estufa está relacionado com a maior ocorrência de eventos extremos. Esses eventos são ligados ao comportamento do jatos de altos níveis, que está mudando impulsionado, principalmente, pelo rápido derretimento do Ártico

A contínua subida nas taxas de emissões dos gases do efeito estufa estão aumentando a ocorrência de interrupções e quebras nas ondas dos jatos de altos níveis. A corrente de jato possui ondas de Rossby responsáveis por grande parte dos sistemas meteorológicos que atuam em médias e altas latitudes. Interrupções ou amplificações das feições do jato de altos níveis gerariam secas e incêndios mais frequentes no verão, inundações e até maiores eventos de frio no inverno.

Os resultados foram publicados em um trabalho do final do ano passado (2018), que sugere que verões como do de 2018, quando a configuração da corrente de jato induziu eventos extremos em escala sem precedente no Hemisfério Norte, serão 50% mais frequentes no final do século. Esse aumento ocorre em um cenário futuro onde as emissões de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa continuem a aumentar. Em um cenário mais pessimista, a ocorrência de extremos guiados pela corrente de jato poderia triplicar.

Nos últimos 15 anos, as corrente de jatos de ambos hemisférios ficaram mais altas e rápidas. O padrão de ondulação extrema, associado aos eventos meteorológicos mais intensos e catastróficos, é conhecido como amplificação quasi-ressonante. Os eventos extremos que afetaram todo hemisfério Norte durante o verão boreal de 2018 ocorreram devido à amplificação quasi-ressonante da corrente de jato. O resultado foi um ano marcado por incêndios na Califórnia, inundações no leste dos EUA e uma onda de calor de 6 meses em algumas partes da Europa. Segundo o estudo, todos esses eventos levam marcas do aquecimento global.

Adaptado de InsideClimateNews.org

O trabalho ainda explora o efeito de outros poluidores no comportamento do jato, especialmente os aerossóis – partículas microscópicas sólidas ou líquidas proveniente da industria, agricultura, atividades vulcânicas e plantas. O aerossol tem um efeito resfriador que contrabalanceia as mudanças no jato causadas pelos gases do efeito estufa.

Para Daniel Swain, cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, esse trabalho mostra mais evidências da relação entre o derretimento acelerado do Ártico e os eventos extremos em médias latitudes no verão. [entrevista em Inside Climate News]

O derretimento do gelo marinho no verão expõe o oceano, que, ao invés de refletir a radiação solar como o gelo, a absorve. Isso acaba aquecendo mais as porções de terras ao redor aumentando a temperatura média na região. Como a taxa de aquecimento na região ártica é maior que no resto do globo, o contraste de temperatura que mantém a corrente de jato diminui, o tornando mais lento. Isso faz com que torções do jato e ondulações mais amplificadas e lentas fiquem mais frequentes, aumentando os eventos extremos e alongando suas durações.

Fonte: Tempo

Você sabe o que é o Efeito Estufa?

Em si, o Efeito Estufa é um processo natural e necessário para a vida humana. Mas as ações irresponsáveis dos seres humanos têm intensificado esse processo, tornando-o prejudicial para o planeta. Vem que eu te conto mais sobre isso.

O que é o Efeito Estufa?

É um fenômeno natural de aquecimento da Terra, ele é responsável por manter a temperatura do planeta amena, para que nós possamos habitá-la. Resumidamente ele funciona assim: o sol emite radiações que chegam até a superfície da Terra. A superfície absorve parte dessa radiação, cerca de 51%. O restante ela converte e emite em forma de radiação infravermelha.  Essa radiação vai para a atmosfera, que é composta de gases-estufa, esses gases são responsáveis por absorver essa radiação e impedirem que ela volte para o espaço. Se esses gases não existissem, a temperatura média da Terra seria de 18 graus negativos. Esse processo mantém o clima sem grandes variações e possibilita a vida no planeta.

Então qual o problema do Efeito Estufa?

O problema é que as atividades humanas como o desmatamento, a queima de combustíveis fósseis, o uso de certos fertilizantes e o grande desperdício de alimentos têm lançado cada vez mais gases-estufa na atmosfera. Com uma concentração muito grande desses gases na atmosfera, forma-se uma barreira, que faz com que mais radiação infravermelha fique retida e devolvida novamente para a superfície do planeta. Assim o efeito estufa deixou de ser um processo natural e passou a ser o causador do aquecimento global.

Consequências do Efeito Estufa

  • Derretimento das calotas polares, consequentemente aumento do nível do mar. Isso leva a perda de vários ecossistemas costeiros. A longo prazo pode levar ao alagamento de cidades litorâneas.
  • O Efeito Estufa pode levar ao desaparecimento de espécies animais e vegetais.

  • O Efeito estufa gera mudanças climáticas severas, que podem  alterar os cursos naturais das correntes marítimas o que acabaria por provocar a extinção de diversas espécies de peixes e outros animais marinhos.
  • Pode potencializar fenômenos como: furacões, tempestades, secas e enchentes em determinadas regiões.

Fonte: Tri Curioso

2018 registra 4ª maior alta de CO2 na atmosfera

Um sinal de que o mundo não está agindo para frear as emissões de CO2 e mitigar as mudanças climáticas, como prevê acordo global pelo clima

A concentração de gases do efeito estufa liberados na atmosfera da Terra durante o ano 2018 atingiu o quarto maior nível já observado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), desde que os registros começaram, há 60 anos.

Os cientistas medem regularmente a abundância de dióxido de carbono (CO2) em amostras atmosféricas coletadas no Observatório Mauna Loa, no Havaí.

Segundo uma nova análise do observatório, a concentração de CO2 subiu 2,87 partes por milhão (ppm) ao longo do ano passado, saltando de uma média de 407,0 ppm em 1º de janeiro de 2018 para 409,9 ppm em 1º de janeiro de 2019.

Três dos quatro maiores aumentos anuais registrados ocorreram nos últimos quatro anos (de 2015 a 2018), um sinal de que o mundo não está agindo para frear as emissões de CO2 e mitigar as mudanças climáticas, como prevê o Acordo do Clima de Paris.

O aumento observado em 2018 ficou atrás apenas do salto recorde de 2016 de 3,01 ppm, do aumento quase recorde de 2,98 ppm em 2015 e da alta de 2,93 ppm em 1998.

Quanto mais demorarmos para frear as emissões, mais difícil será lidar com os impactos ambientais de um planeta aquecido, de secas severas a inundações extremas.

Pelo Acordo de Paris, assinado em 2015, os países signatários devem atingir a meta de limitar o aquecimento do Planeta a no máximo 2 graus Celsius (ºC) até o final do século, acima do níveis pré-industriais, ou no cenário ideal, a 1,5 ºC.

Sem trégua: gráfico mostra concentrações crescentes de dióxido de carbono na atmosfera (em partes por milhão).

Sem trégua: gráfico mostra concentrações crescentes de dióxido de carbono na atmosfera (em partes por milhão). (NOAA/Reprodução)

Por que isso é importante?

A cada ano, as atividades humanas produzem mais CO2 do que os processos naturais podem absorver. Isso significa que o valor líquido de dióxido de carbono atmosférico nunca diminui. Assim, o acúmulo anual do gás segue subindo a medida que população mundial queima mais e mais combustíveis fósseis, como carvão e petróleo para geração de energia.

O dióxido de carbono é, de longe, o mais importante entre os gases de efeito estufa, tanto na quantidade total quanto na taxa de aumento. Nas últimas duas décadas, a taxa de aumento de CO2 foi aproximadamente 100 vezes mais rápida do que os aumentos ocorridos de forma natural durante a última era glacial (entre 11.000 de 17.000 anos atrás).

“A alta acelerada de CO2 na atmosfera hoje em dia é dominada por atividades humanas”, disse Tans. “Não é de causas naturais”.

Transição energética estagnada

Os novos dados sobre o aumento das concentrações de CO2 coincidem com a divulgação de um estudo preocupante do Forum Econômico Mundial, que alerta: a transição energética global estagnou, em parte devido ao uso contínuo de energia a carvão em todo o mundo e ao lento progresso dos países em eficiência energética.

A constatação é do relatório “Promovendo a energia eficaz de Transição”, divulgado nesta segunda-feira (25). Limitar o aquecimento global depende de uma transição rápida de combustíveis fósseis para fontes de energia mais sustentáveis, como eólica e solar.

Mas enquanto Europa e América do Norte se distanciam do carvão, muitos países na Ásia continuam a depender dessa fonte poluente para atender à crescente demanda por energia de suas populações.

Fonte: Exame

Mudança climática ameaça duas das sete geleiras do Equador

A questão preocupa os especialistas porque afetaria o ecossistemas, reguladores de água e a umidade no país

Equador pode perder duas de suas sete geleiras nos próximos anos devido ao aquecimento global, uma circunstância que preocupa os especialistas porque afetaria o ecossistema de locais ermos, reguladores de água e a umidade no país.

A ameaça mais iminente está sobre as geleiras de Carihuairazo, na província da Chimborazo, e de Iliniza sul, entre as de Pichincha e Cotopaxi.

“Estimativas globais apontam para um aumento da temperatura de 1,5 graus e se estima que o padrão não mudará nos próximos 12 anos”, disse à Agência Efe Estefanía Ávalos, subsecretária de Mudança Climática do Ministério de Meio Ambiente do Equador (MAE).

Este aumento já gerou “evidências notáveis” em nível geral, mas segundo outro analista, Bolívar Cáceres, do Instituto Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Inamhi), a ameaça é iminente.

Fonte: Exame

ONU: 5 meios para usar a ciência comportamental na luta contra as mudanças climáticas

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne é um dos passos para uma economia de baixo de carbono. Foto: Força Aérea dos Estados Unidos

Comer menos carne, voar menos de avião ou escolher energias renováveis podem acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, com menos emissões de gases que causam o efeito estufa e o aquecimento global. Mas por que mais pessoas não estão fazendo isso? Quais são as barreiras ao consumo baixo de carbono?

A ciência comportamental pode ajudar a entender como pessoas processam, respondem e compartilham informações, a fim de identificar o que transforma conscientização em ação e ação em mudança de comportamento.

A ONU Meio Ambiente reuniu cinco maneiras pelas quais esse ramo da pesquisa científica pode promover escolhas diárias mais sustentáveis entre as pessoas:

  • Fazer da escolha padrão a melhor escolha. Mudar a escolha padrão para a doação de órgãos, transformando o “doador” em opção de praxe e o “não doador” em exceção, aumentou as taxas de doação de órgãos. Se fosse igual com medidas de compensação de carbono, com opções em sites de companhias áreas, por exemplo, isso poderia ter um efeito similar.
  • Mudar como as escolhas são apresentadas para favorecer o comportamento sustentável. Comerciantes desde o início dos tempos entenderam os princípios da arquitetura de escolhas: o vinho de preço médio será o mais vendido; o item caro irá vender mais se o preço do item médio for aumentado. Em um clássico estudo de caso, a revista The Economist teve um aumento em assinaturas digitais e físicas – a opção mais cara – quando apresentou uma nova estratégia de preços.
  • Remover inteiramente a opção “insustentável”. Legisladores podem acelerar uma década de lentas mudanças comportamentais ao aplicarem proibições diretas, capazes de mudar comportamentos do dia para a noite. Foi o caso da proibição de sacolas plásticas no Quênia. O comportamento habitual, que envolve a dependência de sacolas plásticas, é forçado a mudar para uma alternativa sustentável. A sacola reutilizável se tornou a nova norma dentro de dias e não de décadas.
  • Remover o fator ‘dificuldades’. Faça a pessoa dar 20 passos a menos para fazer a coisa certa e não 20 passos a mais. Você só consegue um prato vegetariano numa companhia aérea se der alguns passos a mais para pedi-lo com antecedência. Vamos mudar isso e servir a opção de “macarrão” ou “curry” (ambas vegetarianas), deixando os amantes de carnes livres para pedir uma opção carnívora no momento da compra das passagens.
  • Personalize para ganhar. Dados e análises podem informar quais mensagens “cutucam” comportamentos de forma mais persuasiva dentro de um segmento específico. Essa estratégia deveria ser a primeira, e não a última, a ser utilizada em campanhas de informação pública, incluindo campanhas políticas, envolvendo as mudanças climáticas. Mensagens personalizadas e segmentadas podem, por exemplo, alcançar indivíduos economicamente motivados, trazendo dados sobre benefícios econômicos, respondendo às suas preocupações e abordando as barreiras que eles enfrentam.

“Pessoas em geral estão (com atitudes) positivas (em relação) à mudança climática e à neutralidade de carbono, mas esses podem ser conceitos abstratos e distantes para as vidas cotidianas de muitas pessoas”, afirma o especialista em mudança climática da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg.

Por isso, na avaliação do especialista, a ciência comportamental é essencial, pois consegue promover mudanças concretas de práticas e hábitos.

Um número crescente de governos está incorporando a ciência comportamental em muitos aspectos de suas políticas – desde completar impostos de renda a tempo e diminuir acidentes automobilísticos até promover a reciclagem e reduzir o lixo plástico.

A publicação Consuming Differently, Consuming Sustainably (lançada pela ONU Meio Ambiente, com apoio da Comissão Europeia e autoria da consultoria ideas42) lança luz sobre o potencial da ciência comportamental para melhorar a eficácia de políticas de consumo sustentável.

As demandas humanas de recursos naturais da Terra ultrapassaram o que pode ser produzido. Nós consumimos, em menos de nove meses, mais recursos do que o nosso planeta produz em um ano e a nossa taxa de consumo continua crescendo.

Além disso, o crescimento de economias emergentes está impulsionando um aumento no consumo em todo o planeta. Um número crescente de domicílios em economias em desenvolvimento está se juntando à classe consumidora. Especialistas estimam que, até 2050, haverá de 2 a 3 bilhões de consumidores a mais de classe média.

“Alcançar o consumo sustentável irá exigir um grande esforço global – é crítico que usemos todas as ferramentas à nossa disposição. Ao usar o entendimento profundo sobre a tomada de decisões fornecido pela ciência comportamental, legisladores podem criar políticas mais eficazes para alterar padrões de consumo e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, diz o relatório.

O relatório da ONU Meio Ambiente apresenta três recomendações para legisladores alcançarem melhores resultados em políticas de consumo sustentável:

  • Incorporar a ciência comportamental em processos e ferramentas políticos;
  • Construir capacidade interna de políticas comportamentais dentro de entidades políticas;
  • Expandir esforços e a disseminação de pesquisas de ciência comportamental.

Fonte: Nações Unidas do Brasil

As mudanças climáticas podem trazer múltiplos desastres simultâneos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

As emissões contínuas e crescentes de gases de efeito estufa (GEE) estão provocando mudanças climáticas desastrosas não só para toda a humanidade, mas também para todos os seres vivos do Planeta.

 

impactos dos riscos climáticos sobre a humanidade

[EcoDebate] São, cada vez, mais notórios os sinais de caos climático e ambiental, como os furacões, tufões e ciclones que atingiram diversas partes do mundo em 2018 (Jebi no Japão, Mangkhut na Filipinas e China, Florence e Michael nos EUA, etc.), as ondas de calor que sufocam as pessoas, as queimadas que destruíram casas e vegetações na Europa e principalmente na Califórnia, secas que provocaram fome em diversas partes do mundo, enchentes que destruíram propriedades, plantações e custaram a vida de milhares de pessoas, etc. Acontecimentos assim acontecem periodicamente em distintos territórios do globo.

Porém, o que está ruim tende a piorar. Em um futuro não muito distante, os desastres não virão um de cada vez e um em cada local. Em vez disso, poderá ocorrer, simultaneamente, uma cascata de catástrofes, algumas graduais, outras abruptas, mas todas agravadas e potencializadas pelo aquecimento global e pela degradação dos ecossistemas.

Artigo de Camilo Mora et. al., “Broad threat to humanity from cumulative climate hazards intensified by greenhouse gas emissions”, publicado na prestigiosa revista Nature climate change (19/11/2018), mostra que as mudanças climáticas trarão múltiplos desastres de uma só vez. “Enfrentar essas mudanças climáticas será como entrar em uma briga com Mike Tyson, Schwarzenegger, Stallone e Jackie Chan – tudo ao mesmo tempo”, disse o principal autor do estudo, que descreve os inúmeros impactos que devem atingir a civilização nos próximos anos.

No total, os pesquisadores identificaram 467 maneiras distintas em que a sociedade já está sendo impactada pelo aumento dos extremos climáticos e, em seguida, expuseram como essas ameaças provavelmente se acumularão umas nas outras nas próximas décadas (ver gráfico acima). Se algo não for feito para reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa, em vez de lidar com um único grande risco de cada vez, as pessoas em todo o mundo podem ser forçadas a lidar com três a seis ao mesmo tempo.

Para chegar a essa conclusão, a equipe de 23 cientistas analisou mais de 3.000 artigos científicos revisados por pares. Eles examinaram o impacto na saúde humana, suprimentos de alimentos, água, economia, infraestrutura e segurança de múltiplos fatores, incluindo aumento de temperatura, seca, ondas de calor, incêndios florestais, precipitações, inundações, tempestades poderosas, aumento do nível do mar e mudanças na cobertura da terra. química do oceano.

A Universidade do Havaí em Manoa, onde vários dos cientistas estão baseados, chamou o trabalho de “uma das avaliações mais abrangentes de como a humanidade está sendo impactada pela simultânea ocorrência de múltiplos riscos climáticos fortalecidos pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa”. Enquanto a maioria dos estudos se concentra em uma ou duas ameaças da mudança climática, este artigo agrega os impactos e mostra como as ameaças não são isoladas, mas sim uma sobre a outra.

Mas a despeito das boas intenções do Acordo de Paris, assinado em 2015, e das Conferências das Partes (COPs), as emissões globais estão aumentando e os compromissos dos países estão sendo insuficientes para atingir os objetivos acordados na capital francesa. Está cada vez mais difícil alcançar a trajetória de decrescimento das emissões de GEE, como mostrou o Relatório de Emissões de 2018, apresentado no final de novembro pela ONU Meio Ambiente.

Isto reforça as conclusões do estudo de Camilo Mora et. al. (19/11/2018), quando afirma que até 2100 a população mundial ficará exposta, especialmente algumas áreas costeiras, até seis perigos ambientais simultâneos. Isto quer dizer, também, que o desenvolvimento sustentável está se tornando um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema.

Em vez de aumentar a resiliência das populações, a humanidade está ficando cada vez mais exposta à múltiplos riscos e se mantendo cada vez mais vulnerável.

Fonte: EcoDebate

Metas do Acordo de Paris estimulam investimento em desenvolvimento sustentável

Uma das prioridades do Brasil, avanços serão discutidos durante a cúpula do G20, na Argentina

Os avanços no cumprimento das metas do Acordo de Paris serão levadas para discussão pelo presidente da República, Michel Temer, para discussão na 14ª Cúpula do G20, marcada para sexta (30) e sábado (1º/12). Para o Brasil, as regras previstas estimulam o investimento no desenvolvimento sustentável.

Entre os temas previstos para discussão, estão mudança no clima e formas para garantir a alimentação da população. “Nada do que foi previsto nas metas brasileiras interrompe o desenvolvimento econômico. É um estímulo para construção de uma agenda de investimento em atividade de desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário de Mudanças no Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes.

Redução de gases

De acordo com o secretário, as metas do Brasil foram construídas em um amplo processo de discussão entre o setor privado, o governo e a comunidade acadêmica. Elas se tornaram oficiais após passarem por promulgação presidencial em julho de 2017.

No Acordo de Paris, o País se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. Para 2030, a previsão é a diminuição em 43%. Entre 2016 e 2017, o Brasil reduziu 2,6 bilhões de toneladas de carbono, o que antecipa em três anos o cumprimento de sua meta para 2020 em relação à Amazônia e ao Cerrado.

Também aceitou aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, além de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.

Nas energias renováveis, a previsão é que o Brasil alcance uma participação estimada de 45% na composição da matriz energética em 2030.

Economia

Sancionada pelo presidente da República em dezembro de 2017, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) contribui para o cumprimento das metas brasileiras assumidas no Acordo de Paris e incentiva a produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e biogás, além de garantir a redução da emissão de gases do efeito estufa e a eficiência energética.

Segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, o Brasil já tem cerca de 45% de toda demanda de gasolina no Brasil atendida pelo etanol. “Isso não tem precedente em lugar nenhum do mundo”, disse Thiago Mendes.

Preservação

A implantação do Código Florestal e do Cadastro Ambiental Rural também é referência mundial. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, são mais de 6 milhões de propriedades cadastradas que preservam mais de 100 milhões de florestas nativas no Brasil.

Além disso, o Brasil tem investido em novas fontes de energia e faz parte da Plataforma para o Biofuturo, que abrange alguns dos países mais relevantes para mercados e inovação em biocombustíveis avançados e biomateriais.

Fonte: Planalto, com informações do MMA 

Lista dos gases do efeito estufa

Enquanto o dióxido de carbono é emitido no volume mais alto, o metano e o óxido nitroso são mais potentes em seus potenciais de aquecimento

Um gás de efeito estufa é um gás na atmosfera que absorve e emite radiação. Eles causam um “efeito estufa” e o resultante aquecimento da superfície da Terra a uma temperatura acima da sua faixa normal.

Os gases de efeito estufa presentes na atmosfera são vapor d’água, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, clorofluorcarbonetos e ozônio. As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera são determinadas pelo equilíbrio entre as fontes de gases de efeito estufa e sua remoção da atmosfera.

Gases do efeito estufa

Vapor de Água (H2O)

O vapor de água, embora pareça bastante inocente, é um dos maiores contribuintes para a mudança climática global. Curiosamente, o vapor de água não é diretamente emitido pela atividade humana. É em resposta a temperaturas já crescentes.

À medida que a atmosfera se torna mais alta, a taxa de evaporação da água também aumenta. Esse vapor de água tende a permanecer na atmosfera mais baixa, onde absorve a radiação infravermelha e a empurra para a superfície da Terra, fazendo com que as temperaturas já elevadas continuem subindo.

Ozônio (O3)

O ozônio apresenta-se em duas formas: estratosférica e troposférica. O ozônio estratosférico ocorre naturalmente. O ozônio troposférico, no entanto, é um gás com efeito estufa que contribui para as alterações climáticas.

Os seres humanos produzem este gás através de plantas industriais, solventes químicos e queima de combustíveis fósseis. Antes da industrialização, o ozônio troposférico concentrava-se em 25 partes por bilhão na atmosfera. Hoje, é aproximadamente 34 partes.

Quando o O3 se mistura com o monóxido de carbono, a combinação resulta em smog, uma nuvem escura e venenosa. Usar o transporte público, evitar pesticidas e comprar produtos de limpeza naturais são formas de reduzir a produção de ozônio.

Trifluoreto de Nitrogênio (NF3)

O trifluoreto de nitrogênio é produzido por empresas industriais de gases e produtos químicos. É reconhecido pelo Protocolo de Kyoto como um gás de efeito estufa que contribui para a mudança climática global.

Tem uma vida atmosférica entre 550 a 740 anos. Sob este tratado ambiental, os países membros se comprometeram a reduzir as emissões desse gás.

Hexafluoreto de enxofre (SF6)

O hexafluoreto de enxofre é um isolante elétrico, e geralmente é usado na forma de um gás comprimido liquefeito.

Não é muito solúvel em água, mas se dissolve em solventes orgânicos. Tem uma vida atmosférica de 3.200 anos e potencial de aquecimento global 23.900 vezes mais forte que o dióxido de carbono.

O SF6 é considerado um dos gases de efeito estufa mais perigosos conhecidos. É banido em muitos países e está limitado a aplicações de alta tensão.

Hexafluoretano (C2F6)

O hexafluoretano é um fluorocarbono usado na indústria de semicondutores e é derivado de subprodutos dos processos de produção de alumínio. Tem uma vida útil de 10.000 anos e um potencial de aquecimento global de 9.200. Antes da industrialização, esse gás não existia na atmosfera.

Tetrafluorometano (CF4)

O tetrafluorometano é um gás não inflamável que pertence à família dos fluorocarbonetos. A utilização na produção de alumínio resulta neste gás.

Além disso, é usado como gás refrigerante. O CF4 é um forte gás de efeito estufa que contribui para a mudança climática e tem uma vida útil atmosférica de 50.000 anos.

Devido ao seu baixo nível de concentração na atmosfera, atualmente não se acredita que tenha um efeito significativo de forçamento radiativo, o que leva ao aumento das temperaturas globais. No entanto, sua presença está aumentando constantemente, o que levará ao aquecimento global. Não esgota o ozônio.

Clorodifluorometano (CHClF2)

O clorodifluorometano pertence à família dos hidroclorofluorcarbonetos e é mais comumente usado como gás refrigerante e propelente. Este gás de efeito estufa contribui significativamente para o esgotamento do ozônio e o aquecimento global.

Apesar dos perigos associados ao seu uso, o CHCIF2 é algumas vezes usado no lugar de outros gases com maior potencial de destruição do ozônio. No entanto, a União Europeia proibiu a fabricação deste gás, bem como proibiu seu uso na manutenção de equipamentos de refrigeração e ar condicionado, e apenas o clorodifluorometano reciclado é permitido.

Qualquer equipamento quebrado deve ser substituído por uma alternativa que não contenha este gás. A mesma estratégia de redução e eliminação tem sido empregada nos Estados Unidos.

Diclorodifluormetano (CCl2F2)

Mais comumente referido como Freon-12, o diclorodifluormetano é usado em latas de aerossol e como gás refrigerante. Acredita-se que tenha uma vida atmosférica de aproximadamente 102 anos, quando é finalmente degradado pela radiação solar.

Após o Protocolo de Montreal, a fabricação deste gás de efeito estufa tornou-se ilegal devido a seus efeitos desastrosos sobre a camada de ozônio. É, no entanto, ainda permitido para em veículos aéreos e submarinos.

Óxido nitroso (N2O)

O óxido nitroso é produzido por indústrias, pela combustão de combustíveis fósseis e pela decomposição de fertilizantes agrícolas.

Além disso, ocorre naturalmente no solo. O óxido nitroso é um gás comprimido liquefeito que tem uma vida atmosférica de 114 anos e um potencial de aquecimento global que é 298 vezes mais forte que o dióxido de carbono.

Este gás tem vários usos, incluindo como um oxidante de motor de foguete, como um impulsionador de velocidade de motores de combustão interna, como um propulsor de aerosol, e como um analgésico cirúrgico.

Metano (CH4)

O metano é 25 vezes mais forte que o dióxido de carbono em termos de seu potencial de aquecimento global. Também tem uma vida útil de 12 anos. Este gás ocorre naturalmente e como resultado da atividade humana.

Naturalmente, origina-se em zonas úmidas, vulcões, animais produtores de metano e dentro do solo oceânico. A atividade humana, como queimar combustíveis fósseis, criar gado, cultivar arroz e despejar lixo em aterros, está contribuindo para aumentar a presença desse gás.

Dióxido de Carbono (CO2)

Talvez o gás de efeito estufa mais conhecido seja o dióxido de carbono. Ocorre naturalmente em vulcões, fontes termais, lençóis freáticos e geleiras. Como essas formações geológicas liberam dióxido de carbono, as plantas confiam nele para realizar a fotossíntese, o que resulta na produção de oxigênio.

Hoje, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis, a produção de cimento, o desmatamento, a agricultura e o desenvolvimento, contribuem para o aumento da produção de dióxido de carbono.

Atualmente, existem 388.500 partes por bilhão de CO2 na atmosfera, o que representa um aumento de 108.500 desde antes da industrialização.

Fonte: Escola Educação

Agricultura brasileira e redução dos gases de efeito estufa

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de ações humanas têm aumentado desde o início da Era Industrial e chegamos a um ponto em que é possível constatar o maior volume de concentrações de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano dos últimos 800 mil anos na atmosfera. Esse impacto contribui decisivamente para a mudança do clima.

Em período um pouco mais recente, nos últimos 50 anos, a demanda global por alimentos aproximadamente triplicou. O rápido crescimento ocorreu devido ao aumento da população mundial — que dobrou no período —, ao aumento do consumo per capita e à elevação do padrão de vida.

A agricultura alimenta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas também é causa de impactos ambientais. Ela é responsável por 25% a 33% de todas as emissões de gases de efeito estufa; essa é uma atividade que ocupa grande parte da superfície de terra do planeta, usa defensivos agrícolas e fertilizantes nitrogenados, muitas vezes de forma irresponsável. O uso de práticas inadequadas contribui para o desmatamento — que, por sua vez, resulta em perda de biodiversidade — e para a eutrofização e acidificação de corpos d’água.

Diante desse conjunto de dados, é imperativo desenvolver uma agricultura mais consciente e sustentável, e o Brasil é um grande player do cenário mundial, sendo observado com atenção por quem importa alimentos. De acordo com a FAO, nosso país alcançará a maior produção agrícola da próxima década e será o maior exportador de alimentos e fibras do planeta.

Em 2009, na COP15, realizada em Copenhagen, Dinamarca, o governo brasileiro assumiu compromisso voluntário junto à Convenção de Mudança do Clima. Nesse compromisso, está prevista a redução, até 2020, de entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa. E, para alcançar essa meta, foram criados os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

De modo a fortalecer ainda mais o compromisso global no enfrentamento da mudança do clima, durante a COP21, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, no qual o Brasil apresentou sua proposta de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Por ela, buscaremos a redução das emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis registrados em 2005, até 2025, alcançando 43% em 2030. O Brasil se comprometeu, entre outras medidas, a aumentar a área com adoção de agricultura de baixo carbono no país.

Nesse âmbito, há uma revolução acontecendo na agricultura brasileira. A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) se consolidou como a principal tecnologia para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de uma estratégia que visa a produção sustentável, integrando atividades agrícolas, florestais e pecuárias realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotativo, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os sistemas integrados são capazes de promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa devido à menor necessidade de uso de fertilizante nitrogenado e pela oferta de pasto de melhor qualidade ao animal, que melhora a digestibilidade e reduz as emissões de metano. A tecnologia ainda aumenta o estoque de carbono e nitrogênio no solo e na biomassa acima do solo.

O Brasil tem feito o dever de casa. As pesquisas sobre sistemas integrados começaram na Embrapa na década de 1980. Na década passada, 2010, esses sistemas eram adotados em algo como 4 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 600 pesquisadores envolvidos e mais de 14 milhões de hectares com algum tipo de ILPF. Ainda existem entre 50 e 60 milhões de hectares com solos degradados e disponíveis para avançarmos.

Há muito a fazer, mas a experiência atual mostra que a participação da agricultura brasileira não está apenas em produzir alimentos, mas também em contribuir com um planeta mais sustentável.

Fonte: Portal DBO

Veja as conclusões provisórias do IPCC sobre o clima

Paris, 1 Out 2018 (AFP) – O impacto da mudança climática será muito diferente, dependendo do aumento da temperatura, esperado entre +1,5ºC e +2ºC, segundo versões provisórias do relatório do grupo de especialistas em clima da ONU, reunido na Coreia do Sul.

– Em que ponto estamos? -Se as emissões de gases causadores do efeito estufa gerados pelo homem mantiverem o ritmo atual, o aquecimento médio terrestre ultrapassará +1,5ºC em relação ao nível pré-industrial por volta de 2040.

Se todas essas emissões cessarem imediatamente, é provável que o mundo permaneça abaixo do limite crítico de 1,5ºC. No entanto, os gases já emitidos continuariam a gerar alguns impactos, especialmente em termos de elevação do nível do mar.

– Que impactos são previstos? -Os riscos são menores se o aumento for de +1,5ºC em vez de +2ºC, tanto em número de eventos extremos, ondas de calor, chuvas diluvianas, incêndios florestais, invasões e extinções de espécies, produtividade dos oceanos, rendimento agrícola e perda de permafrost, os solos gelados de altas altitudes.

No entanto, reduzir o aumento dos termômetros a +1,5ºC entre hoje e 2100 pode ser insuficiente para frear a desestabilização das calotas glaciais da Antártida e da Groenlândia. Isso significaria uma elevação significativa no mar nos próximos séculos.

– O que fazer? -Estabilizar o aquecimento a +1,5ºC exige alcançar uma neutralidade nas emissões de CO2 (em 80% a partir da combustão de energias fósseis) em meados do século, ou seja, deixar de emitir para a atmosfera mais do que somos capazes de retirar. Isso também envolve reduzir as emissões remanescentes, especialmente o metano. E as chances de sucesso aumentam, se isso acontecer até 2030.

Mas o resumo provisório sugere, em seus gráficos, que o máximo de emissões globais de CO2 será atingido em 2020.

O que fazer? “Não há uma resposta simples”, segundo o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

A transição deve ser “rápida e abrangente” e deve acontecer entre os próximos 10 e 20 anos, em termos de energia, sistemas urbanos, industriais…

A maioria dos cenários estudados pelos especialistas para permanecer em +1,5% inclui procedimentos de absorção de CO2 (principalmente por meio de solos e florestas).

Mas o conhecimento atual não permite captar, ou armazenar CO2 e em grande escala. A melhor opção é, portanto, uma rápida redução de emissões, segundo especialistas.

Fonte: UOL Notícias – Ciência e Saúde

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