As mudanças climáticas podem trazer múltiplos desastres simultâneos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

As emissões contínuas e crescentes de gases de efeito estufa (GEE) estão provocando mudanças climáticas desastrosas não só para toda a humanidade, mas também para todos os seres vivos do Planeta.

 

impactos dos riscos climáticos sobre a humanidade

[EcoDebate] São, cada vez, mais notórios os sinais de caos climático e ambiental, como os furacões, tufões e ciclones que atingiram diversas partes do mundo em 2018 (Jebi no Japão, Mangkhut na Filipinas e China, Florence e Michael nos EUA, etc.), as ondas de calor que sufocam as pessoas, as queimadas que destruíram casas e vegetações na Europa e principalmente na Califórnia, secas que provocaram fome em diversas partes do mundo, enchentes que destruíram propriedades, plantações e custaram a vida de milhares de pessoas, etc. Acontecimentos assim acontecem periodicamente em distintos territórios do globo.

Porém, o que está ruim tende a piorar. Em um futuro não muito distante, os desastres não virão um de cada vez e um em cada local. Em vez disso, poderá ocorrer, simultaneamente, uma cascata de catástrofes, algumas graduais, outras abruptas, mas todas agravadas e potencializadas pelo aquecimento global e pela degradação dos ecossistemas.

Artigo de Camilo Mora et. al., “Broad threat to humanity from cumulative climate hazards intensified by greenhouse gas emissions”, publicado na prestigiosa revista Nature climate change (19/11/2018), mostra que as mudanças climáticas trarão múltiplos desastres de uma só vez. “Enfrentar essas mudanças climáticas será como entrar em uma briga com Mike Tyson, Schwarzenegger, Stallone e Jackie Chan – tudo ao mesmo tempo”, disse o principal autor do estudo, que descreve os inúmeros impactos que devem atingir a civilização nos próximos anos.

No total, os pesquisadores identificaram 467 maneiras distintas em que a sociedade já está sendo impactada pelo aumento dos extremos climáticos e, em seguida, expuseram como essas ameaças provavelmente se acumularão umas nas outras nas próximas décadas (ver gráfico acima). Se algo não for feito para reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa, em vez de lidar com um único grande risco de cada vez, as pessoas em todo o mundo podem ser forçadas a lidar com três a seis ao mesmo tempo.

Para chegar a essa conclusão, a equipe de 23 cientistas analisou mais de 3.000 artigos científicos revisados por pares. Eles examinaram o impacto na saúde humana, suprimentos de alimentos, água, economia, infraestrutura e segurança de múltiplos fatores, incluindo aumento de temperatura, seca, ondas de calor, incêndios florestais, precipitações, inundações, tempestades poderosas, aumento do nível do mar e mudanças na cobertura da terra. química do oceano.

A Universidade do Havaí em Manoa, onde vários dos cientistas estão baseados, chamou o trabalho de “uma das avaliações mais abrangentes de como a humanidade está sendo impactada pela simultânea ocorrência de múltiplos riscos climáticos fortalecidos pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa”. Enquanto a maioria dos estudos se concentra em uma ou duas ameaças da mudança climática, este artigo agrega os impactos e mostra como as ameaças não são isoladas, mas sim uma sobre a outra.

Mas a despeito das boas intenções do Acordo de Paris, assinado em 2015, e das Conferências das Partes (COPs), as emissões globais estão aumentando e os compromissos dos países estão sendo insuficientes para atingir os objetivos acordados na capital francesa. Está cada vez mais difícil alcançar a trajetória de decrescimento das emissões de GEE, como mostrou o Relatório de Emissões de 2018, apresentado no final de novembro pela ONU Meio Ambiente.

Isto reforça as conclusões do estudo de Camilo Mora et. al. (19/11/2018), quando afirma que até 2100 a população mundial ficará exposta, especialmente algumas áreas costeiras, até seis perigos ambientais simultâneos. Isto quer dizer, também, que o desenvolvimento sustentável está se tornando um oximoro e o tripé da sustentabilidade virou um trilema.

Em vez de aumentar a resiliência das populações, a humanidade está ficando cada vez mais exposta à múltiplos riscos e se mantendo cada vez mais vulnerável.

Fonte: EcoDebate

Metas do Acordo de Paris estimulam investimento em desenvolvimento sustentável

Uma das prioridades do Brasil, avanços serão discutidos durante a cúpula do G20, na Argentina

Os avanços no cumprimento das metas do Acordo de Paris serão levadas para discussão pelo presidente da República, Michel Temer, para discussão na 14ª Cúpula do G20, marcada para sexta (30) e sábado (1º/12). Para o Brasil, as regras previstas estimulam o investimento no desenvolvimento sustentável.

Entre os temas previstos para discussão, estão mudança no clima e formas para garantir a alimentação da população. “Nada do que foi previsto nas metas brasileiras interrompe o desenvolvimento econômico. É um estímulo para construção de uma agenda de investimento em atividade de desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário de Mudanças no Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes.

Redução de gases

De acordo com o secretário, as metas do Brasil foram construídas em um amplo processo de discussão entre o setor privado, o governo e a comunidade acadêmica. Elas se tornaram oficiais após passarem por promulgação presidencial em julho de 2017.

No Acordo de Paris, o País se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. Para 2030, a previsão é a diminuição em 43%. Entre 2016 e 2017, o Brasil reduziu 2,6 bilhões de toneladas de carbono, o que antecipa em três anos o cumprimento de sua meta para 2020 em relação à Amazônia e ao Cerrado.

Também aceitou aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, além de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.

Nas energias renováveis, a previsão é que o Brasil alcance uma participação estimada de 45% na composição da matriz energética em 2030.

Economia

Sancionada pelo presidente da República em dezembro de 2017, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) contribui para o cumprimento das metas brasileiras assumidas no Acordo de Paris e incentiva a produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e biogás, além de garantir a redução da emissão de gases do efeito estufa e a eficiência energética.

Segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, o Brasil já tem cerca de 45% de toda demanda de gasolina no Brasil atendida pelo etanol. “Isso não tem precedente em lugar nenhum do mundo”, disse Thiago Mendes.

Preservação

A implantação do Código Florestal e do Cadastro Ambiental Rural também é referência mundial. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, são mais de 6 milhões de propriedades cadastradas que preservam mais de 100 milhões de florestas nativas no Brasil.

Além disso, o Brasil tem investido em novas fontes de energia e faz parte da Plataforma para o Biofuturo, que abrange alguns dos países mais relevantes para mercados e inovação em biocombustíveis avançados e biomateriais.

Fonte: Planalto, com informações do MMA 

Lista dos gases do efeito estufa

Enquanto o dióxido de carbono é emitido no volume mais alto, o metano e o óxido nitroso são mais potentes em seus potenciais de aquecimento

Um gás de efeito estufa é um gás na atmosfera que absorve e emite radiação. Eles causam um “efeito estufa” e o resultante aquecimento da superfície da Terra a uma temperatura acima da sua faixa normal.

Os gases de efeito estufa presentes na atmosfera são vapor d’água, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, clorofluorcarbonetos e ozônio. As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera são determinadas pelo equilíbrio entre as fontes de gases de efeito estufa e sua remoção da atmosfera.

Gases do efeito estufa

Vapor de Água (H2O)

O vapor de água, embora pareça bastante inocente, é um dos maiores contribuintes para a mudança climática global. Curiosamente, o vapor de água não é diretamente emitido pela atividade humana. É em resposta a temperaturas já crescentes.

À medida que a atmosfera se torna mais alta, a taxa de evaporação da água também aumenta. Esse vapor de água tende a permanecer na atmosfera mais baixa, onde absorve a radiação infravermelha e a empurra para a superfície da Terra, fazendo com que as temperaturas já elevadas continuem subindo.

Ozônio (O3)

O ozônio apresenta-se em duas formas: estratosférica e troposférica. O ozônio estratosférico ocorre naturalmente. O ozônio troposférico, no entanto, é um gás com efeito estufa que contribui para as alterações climáticas.

Os seres humanos produzem este gás através de plantas industriais, solventes químicos e queima de combustíveis fósseis. Antes da industrialização, o ozônio troposférico concentrava-se em 25 partes por bilhão na atmosfera. Hoje, é aproximadamente 34 partes.

Quando o O3 se mistura com o monóxido de carbono, a combinação resulta em smog, uma nuvem escura e venenosa. Usar o transporte público, evitar pesticidas e comprar produtos de limpeza naturais são formas de reduzir a produção de ozônio.

Trifluoreto de Nitrogênio (NF3)

O trifluoreto de nitrogênio é produzido por empresas industriais de gases e produtos químicos. É reconhecido pelo Protocolo de Kyoto como um gás de efeito estufa que contribui para a mudança climática global.

Tem uma vida atmosférica entre 550 a 740 anos. Sob este tratado ambiental, os países membros se comprometeram a reduzir as emissões desse gás.

Hexafluoreto de enxofre (SF6)

O hexafluoreto de enxofre é um isolante elétrico, e geralmente é usado na forma de um gás comprimido liquefeito.

Não é muito solúvel em água, mas se dissolve em solventes orgânicos. Tem uma vida atmosférica de 3.200 anos e potencial de aquecimento global 23.900 vezes mais forte que o dióxido de carbono.

O SF6 é considerado um dos gases de efeito estufa mais perigosos conhecidos. É banido em muitos países e está limitado a aplicações de alta tensão.

Hexafluoretano (C2F6)

O hexafluoretano é um fluorocarbono usado na indústria de semicondutores e é derivado de subprodutos dos processos de produção de alumínio. Tem uma vida útil de 10.000 anos e um potencial de aquecimento global de 9.200. Antes da industrialização, esse gás não existia na atmosfera.

Tetrafluorometano (CF4)

O tetrafluorometano é um gás não inflamável que pertence à família dos fluorocarbonetos. A utilização na produção de alumínio resulta neste gás.

Além disso, é usado como gás refrigerante. O CF4 é um forte gás de efeito estufa que contribui para a mudança climática e tem uma vida útil atmosférica de 50.000 anos.

Devido ao seu baixo nível de concentração na atmosfera, atualmente não se acredita que tenha um efeito significativo de forçamento radiativo, o que leva ao aumento das temperaturas globais. No entanto, sua presença está aumentando constantemente, o que levará ao aquecimento global. Não esgota o ozônio.

Clorodifluorometano (CHClF2)

O clorodifluorometano pertence à família dos hidroclorofluorcarbonetos e é mais comumente usado como gás refrigerante e propelente. Este gás de efeito estufa contribui significativamente para o esgotamento do ozônio e o aquecimento global.

Apesar dos perigos associados ao seu uso, o CHCIF2 é algumas vezes usado no lugar de outros gases com maior potencial de destruição do ozônio. No entanto, a União Europeia proibiu a fabricação deste gás, bem como proibiu seu uso na manutenção de equipamentos de refrigeração e ar condicionado, e apenas o clorodifluorometano reciclado é permitido.

Qualquer equipamento quebrado deve ser substituído por uma alternativa que não contenha este gás. A mesma estratégia de redução e eliminação tem sido empregada nos Estados Unidos.

Diclorodifluormetano (CCl2F2)

Mais comumente referido como Freon-12, o diclorodifluormetano é usado em latas de aerossol e como gás refrigerante. Acredita-se que tenha uma vida atmosférica de aproximadamente 102 anos, quando é finalmente degradado pela radiação solar.

Após o Protocolo de Montreal, a fabricação deste gás de efeito estufa tornou-se ilegal devido a seus efeitos desastrosos sobre a camada de ozônio. É, no entanto, ainda permitido para em veículos aéreos e submarinos.

Óxido nitroso (N2O)

O óxido nitroso é produzido por indústrias, pela combustão de combustíveis fósseis e pela decomposição de fertilizantes agrícolas.

Além disso, ocorre naturalmente no solo. O óxido nitroso é um gás comprimido liquefeito que tem uma vida atmosférica de 114 anos e um potencial de aquecimento global que é 298 vezes mais forte que o dióxido de carbono.

Este gás tem vários usos, incluindo como um oxidante de motor de foguete, como um impulsionador de velocidade de motores de combustão interna, como um propulsor de aerosol, e como um analgésico cirúrgico.

Metano (CH4)

O metano é 25 vezes mais forte que o dióxido de carbono em termos de seu potencial de aquecimento global. Também tem uma vida útil de 12 anos. Este gás ocorre naturalmente e como resultado da atividade humana.

Naturalmente, origina-se em zonas úmidas, vulcões, animais produtores de metano e dentro do solo oceânico. A atividade humana, como queimar combustíveis fósseis, criar gado, cultivar arroz e despejar lixo em aterros, está contribuindo para aumentar a presença desse gás.

Dióxido de Carbono (CO2)

Talvez o gás de efeito estufa mais conhecido seja o dióxido de carbono. Ocorre naturalmente em vulcões, fontes termais, lençóis freáticos e geleiras. Como essas formações geológicas liberam dióxido de carbono, as plantas confiam nele para realizar a fotossíntese, o que resulta na produção de oxigênio.

Hoje, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis, a produção de cimento, o desmatamento, a agricultura e o desenvolvimento, contribuem para o aumento da produção de dióxido de carbono.

Atualmente, existem 388.500 partes por bilhão de CO2 na atmosfera, o que representa um aumento de 108.500 desde antes da industrialização.

Fonte: Escola Educação

Agricultura brasileira e redução dos gases de efeito estufa

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de ações humanas têm aumentado desde o início da Era Industrial e chegamos a um ponto em que é possível constatar o maior volume de concentrações de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano dos últimos 800 mil anos na atmosfera. Esse impacto contribui decisivamente para a mudança do clima.

Em período um pouco mais recente, nos últimos 50 anos, a demanda global por alimentos aproximadamente triplicou. O rápido crescimento ocorreu devido ao aumento da população mundial — que dobrou no período —, ao aumento do consumo per capita e à elevação do padrão de vida.

A agricultura alimenta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas também é causa de impactos ambientais. Ela é responsável por 25% a 33% de todas as emissões de gases de efeito estufa; essa é uma atividade que ocupa grande parte da superfície de terra do planeta, usa defensivos agrícolas e fertilizantes nitrogenados, muitas vezes de forma irresponsável. O uso de práticas inadequadas contribui para o desmatamento — que, por sua vez, resulta em perda de biodiversidade — e para a eutrofização e acidificação de corpos d’água.

Diante desse conjunto de dados, é imperativo desenvolver uma agricultura mais consciente e sustentável, e o Brasil é um grande player do cenário mundial, sendo observado com atenção por quem importa alimentos. De acordo com a FAO, nosso país alcançará a maior produção agrícola da próxima década e será o maior exportador de alimentos e fibras do planeta.

Em 2009, na COP15, realizada em Copenhagen, Dinamarca, o governo brasileiro assumiu compromisso voluntário junto à Convenção de Mudança do Clima. Nesse compromisso, está prevista a redução, até 2020, de entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa. E, para alcançar essa meta, foram criados os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

De modo a fortalecer ainda mais o compromisso global no enfrentamento da mudança do clima, durante a COP21, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, no qual o Brasil apresentou sua proposta de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Por ela, buscaremos a redução das emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis registrados em 2005, até 2025, alcançando 43% em 2030. O Brasil se comprometeu, entre outras medidas, a aumentar a área com adoção de agricultura de baixo carbono no país.

Nesse âmbito, há uma revolução acontecendo na agricultura brasileira. A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) se consolidou como a principal tecnologia para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de uma estratégia que visa a produção sustentável, integrando atividades agrícolas, florestais e pecuárias realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotativo, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os sistemas integrados são capazes de promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa devido à menor necessidade de uso de fertilizante nitrogenado e pela oferta de pasto de melhor qualidade ao animal, que melhora a digestibilidade e reduz as emissões de metano. A tecnologia ainda aumenta o estoque de carbono e nitrogênio no solo e na biomassa acima do solo.

O Brasil tem feito o dever de casa. As pesquisas sobre sistemas integrados começaram na Embrapa na década de 1980. Na década passada, 2010, esses sistemas eram adotados em algo como 4 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 600 pesquisadores envolvidos e mais de 14 milhões de hectares com algum tipo de ILPF. Ainda existem entre 50 e 60 milhões de hectares com solos degradados e disponíveis para avançarmos.

Há muito a fazer, mas a experiência atual mostra que a participação da agricultura brasileira não está apenas em produzir alimentos, mas também em contribuir com um planeta mais sustentável.

Fonte: Portal DBO

Veja as conclusões provisórias do IPCC sobre o clima

Paris, 1 Out 2018 (AFP) – O impacto da mudança climática será muito diferente, dependendo do aumento da temperatura, esperado entre +1,5ºC e +2ºC, segundo versões provisórias do relatório do grupo de especialistas em clima da ONU, reunido na Coreia do Sul.

– Em que ponto estamos? -Se as emissões de gases causadores do efeito estufa gerados pelo homem mantiverem o ritmo atual, o aquecimento médio terrestre ultrapassará +1,5ºC em relação ao nível pré-industrial por volta de 2040.

Se todas essas emissões cessarem imediatamente, é provável que o mundo permaneça abaixo do limite crítico de 1,5ºC. No entanto, os gases já emitidos continuariam a gerar alguns impactos, especialmente em termos de elevação do nível do mar.

– Que impactos são previstos? -Os riscos são menores se o aumento for de +1,5ºC em vez de +2ºC, tanto em número de eventos extremos, ondas de calor, chuvas diluvianas, incêndios florestais, invasões e extinções de espécies, produtividade dos oceanos, rendimento agrícola e perda de permafrost, os solos gelados de altas altitudes.

No entanto, reduzir o aumento dos termômetros a +1,5ºC entre hoje e 2100 pode ser insuficiente para frear a desestabilização das calotas glaciais da Antártida e da Groenlândia. Isso significaria uma elevação significativa no mar nos próximos séculos.

– O que fazer? -Estabilizar o aquecimento a +1,5ºC exige alcançar uma neutralidade nas emissões de CO2 (em 80% a partir da combustão de energias fósseis) em meados do século, ou seja, deixar de emitir para a atmosfera mais do que somos capazes de retirar. Isso também envolve reduzir as emissões remanescentes, especialmente o metano. E as chances de sucesso aumentam, se isso acontecer até 2030.

Mas o resumo provisório sugere, em seus gráficos, que o máximo de emissões globais de CO2 será atingido em 2020.

O que fazer? “Não há uma resposta simples”, segundo o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

A transição deve ser “rápida e abrangente” e deve acontecer entre os próximos 10 e 20 anos, em termos de energia, sistemas urbanos, industriais…

A maioria dos cenários estudados pelos especialistas para permanecer em +1,5% inclui procedimentos de absorção de CO2 (principalmente por meio de solos e florestas).

Mas o conhecimento atual não permite captar, ou armazenar CO2 e em grande escala. A melhor opção é, portanto, uma rápida redução de emissões, segundo especialistas.

Fonte: UOL Notícias – Ciência e Saúde

Deixado de lado pelos presidenciáveis nas entrevistas, combate a mudanças climáticas divide programas de governo

Ainda que a maioria dos candidatos defenda o Acordo de Paris, poucos se comprometem a reduzir combustíveis fósseis

Eles quase não tocaram no assunto. Com tantas crises urgentes no país, o aquecimento global ainda parece um assunto frio para a disputa eleitoral. Mas os programas de governo dos presidenciáveis marcam posição sobre o compromisso com o clima: Geraldo Alckmin, João Amoêdo, Guilherme Boulos, Ciro Gomes e Marina Silva prometem cumprir o Acordo de Paris — assinado por 195 países com o objetivo de neutralizar as emissões de gases causadores do efeito-estufa até 2050. Apenas Jair Bolsonaro se posicionou contra o acordo, em declarações à imprensa.

A análise das propostas climáticas dos presidenciáveis também denota escolhas para o desenvolvimento do país. Todos o candidatos analisados defendem investimentos em energia renovável, como hidrelétricas, solar e eólica. Por outro lado, a maioria, à exceção de Marina Silva, não se compromete explicitamente a retirar investimentos dos combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel. Embora não sejam o principal culpado pelas emissões de carbono brasileiras, os combustíveis estão entre as pautas urgentes para o próximo presidente, que já em janeiro terá de decidir se continua ou não com o subsídio ao diesel dado por Temer, em resposta à recente greve dos caminhoneiros.

O grande responsável pelas emissões de gases-estufa no Brasil continua sendo o desmatamento, em grande parte associado à abertura de novas pastagens para a pecuária – o setor tem representação cada vez mais expressiva no Congresso, através da bancada ruralista. Embora o Brasil tenha apresentado à ONU a sua meta nacionalmente determinada de zerar o desmatamento ilegal até 2030, apenas dois candidatos, Boulos e Marina, citam em seus programas metas de desmate zero.

O que seu candidato vai fazer a respeito do aquecimento global?

O que os presidenciáveis prometem no combate a desmatamento, promoção da energia limpa e outros tópicos ligados à mudança climática

De um lado, promessas de desmatamento zero, reforma fiscal verde, cumprimento do Acordo de Paris e reconhecimento dos direitos da natureza na Constituição. De outro, propostas como acomodar o meio ambiente em uma pasta dedicada à agropecuária e acelerar licenças ambientais. Quando o tema é meio ambiente e clima, os programas dos sete principais candidatos à Presidência da República em 2018 são heterogêneos. O Observatório do Clima mapeou as propostas para o tema nos planos de governo de sete candidatos a presidente e produziu um resumo de como cada um se posiciona.

A mudança climática é o principal desafio ambiental e econômico a ser enfrentado pela humanidade, já que a elevação da temperatura global depende de um modelo de desenvolvimento que hoje é dominante e, e suas consequências afetam virtualmente todos os países. O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chegou a afirmar que este é o “desafio moral de nossa geração”.

Para saber como os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas lidam com o assunto, resumimos as propostas para o clima nos programas de governo protocolados na Justiça Eleitoral por Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jair Bolsonaro (PSL) João Amoêdo (NOVO), Lula/Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (REDE).

Há candidatos que dedicam capítulos inteiros à questão em seus planos de governo – caso de Marina Silva, Lula/Haddad e Boulos. Os três planos trazem um contexto mais detalhado sobre desmatamento, matriz energética com baixa emissão de gases de efeito estufa e sobre com utilizar os recursos naturais como motores do desenvolvimento e inclusão social.

Aparecem menções sobre incorporar estratégias de tributação verde para incentivar tecnologias mais sustentáveis, revisão de carga tributária – o programa de Lula/Haddad fala em reduzir o custo fiscal  para investimentos verdes em 46,5%; Marina fala em “descarbonização” da estrutura tributária, com aperfeiçoamento da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE, tributo que incide sobre combustíveis), de acordo com as emissões de carbono e, no médio prazo, incorporar uma taxa de carbono ao sistema de impostos, no contexto de uma ampla reforma tributária.

Boulos, por sua vez, propõe abandonar o uso de combustíveis fósseis, em uma transição energética que cederá lugar para as fontes eólica e solar, sem dar continuidade à construção de grandes hidrelétricas e ao projeto de Angra 3. Mas a decisão de banir os fósseis da matriz energética esbarra no pré-sal: o programa de Boulos fala na anulação dos leilões já realizados e invoca a retomada dos investimentos pela Petrobras, o que contradiz o objetivo inicial.

Apesar dos planos detalhados em relação aos tópicos relacionados às energias renováveis, os programas dos três candidatos apresentam poucas metas concretas de cumprimento dos objetivos – exceto para instalação de painéis fotovoltaicos, onde Marina fixa o objetivo de 1,5 milhão de telhados solares fotovoltaicos de pequeno e médio porte até 2022. O programa de Lula/Haddad propõe instalar kits de geração de energia solar em 500 mil residências por ano.

Metas para desmatamento

Quando se trata de mudanças de uso da terra, Boulos fala em zerar o desmatamento em todos os biomas nos próximos dez anos; Lula/Haddad diz que vai assumir compromisso com uma taxa zero de desmatamento líquido (compensar o desmatamento de novas áreas com o reflorestamento) até 2022; já Marina fala em “atingir o desmatamento zero no Brasil no menor prazo possível, com data limite em 2030”. Tanto Boulos quanto Marina estabelecem prazos que vão além do mandato presidencial de quatro anos, mas não afirmam se criarão decretos para fixá-los. Poucos programas especificam se estão falando de desmatamento em todos os biomas ou apenas na Amazônia.

Com um programa de governo mais enxuto, o candidato Ciro Gomes não chega a dedicar um capítulo ao tema meio ambiente/clima, mas o relaciona com sua política de desenvolvimento. O presidenciável do PDT afirma que “a maior parte dos conflitos observados na política de meio ambiente é fruto de uma oposição artificial entre dois conceitos interligados, a ecologia e a economia”, e afirma que seu governo tratará de desenvolvimento econômico, reindustrialização, agricultura e infraestrutura com olhar para a preservação ambiental. Seu plano de governo fala em ações para conter o desmatamento e cumprir metas climáticas até 2020, mas não fornece detalhes de quais ações serão feitas na prática para cumprir esses objetivos.

No espectro mais liberal, Alckmin e Amoêdo dedicam poucas linhas a meio ambiente e clima, prometendo honrar os compromissos assumidos no Acordo de Paris (sem detalhar metas e estratégias) e aplicar o Código Florestal (Lei 12.651/2012) como forma de harmonizar produção agrícola e conservação de florestas. Nenhuma proposta mais ousada para a área aparece no rol dos candidatos, que parecem confortáveis em cumprir as leis e compromissos que já existem.

Bolsonaro é o candidato que dedica menos atenção ao assunto: ambiente apenas aparece como um dos itens subordinados ao ministério que pretende criar, fundindo agropecuária e recursos naturais. Não há qualquer menção a clima, mudanças climáticas ou Acordo de Paris – embora o candidato do PSL tenha afirmado em entrevistas que, se eleito, retiraria o Brasil do compromisso por entendê-lo como uma ameaça à “soberania nacional”. Apenas na área de energia o candidato acena ao tema em seu plano, ao dizer que pretende estimular fontes renováveis como eólica e solar fotovoltaica, especialmente na região Nordeste. O candidato do PSL propõe reduzir o papel regulador e fiscalizador do Ministério do Meio Ambiente, reduzindo a pasta a uma instância subordinada ao novo ministério de agropecuária que pretende criar.

A maior parte dos presidenciáveis fala em envidar esforços para o cumprimento do Acordo Paris, mas sem a fixação de estratégias e metas claras. O acordo global, firmado em 2015 por 195 países junto às Nações Unidas com o objetivo de frear o aquecimento global, foi ratificado no ano seguinte pelo Brasil, o que significa que o país terá de cumprir os compromissos nele assumidos. Sair dele, como pretende o candidato do PSL, também não é uma alternativa simples – a ratificação foi aprovada pela Câmara dos Deputados e Senado, que teriam igualmente de aprovar a saída do país do compromisso.

Adaptação à crise do clima

Uma preocupação verificada pelo OC é que, embora a mudança climática seja pouco mencionada na agenda política, seus efeitos já podem ser sentidos. O ano de 2017 foi considerado o mais quente da história, segundo a NOAA, agência americana dos oceanos e atmosfera. No Brasil, o agravamento de eventos extremos, como secas e inundações, também é realidade: 48,6% dos municípios sofreram com secas nos últimos quatro anos, segundo o IBGE. O litoral está vulnerável ao aumento do nível do mar: 18 das 42 regiões metropolitanas brasileiras se situam nas zonas costeiras, onde o mar poderá subir até 40 cm até 2050, no cenário mais pessimista. Rio de Janeiro, Santos, Recife, Fortaleza, Salvador e o Vale do Itajaí (SC) estão entre as regiões mais sujeitas a inundações e eventos extremos de clima. O clima também deve ter impacto em diferentes cultivares, incluindo soja, cana e café.

A vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas, porém, recebe pouco espaço nos programas de governo – Marina Silva fala em apoiar os municípios para que coloquem em prática planos de contingência e monitoramento de extremos climáticos, com o objetivo de prevenir e mitigar os impactos de desastres naturais (secas, alagamentos, enxurradas e deslizamentos). O plano de Lula/Haddad também fala em “resiliência urbana” para diminuição do risco de desastres, por meio de medidas que promovam a adaptação às mudanças climáticas. Cita ações como investimentos em defesa urbana, drenagem, controle e mitigação de riscos de enchentes, despoluição de rios, contenção de encostas em áreas de risco e fortalecimento de sistemas de monitoramento e alerta de desastres naturais. Os dois programas não elencam metas de adaptação para as cidades brasileiras mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.

Apesar de a mudança climática ser tema crucial para planejar o desenvolvimento do país, porém, o tema tem recebido pouca atenção no debate eleitoral de 2018. Com o mapeamento de propostas que o OC oferece aqui, gostaríamos de incentivar que as equipes de campanha e a imprensa dêem a questão climática a importância que ela merece na corrida presidencial.

Veja abaixo as principais propostas dos candidatos à Presidência da República para os eixos clima, energia, desmatamento e agricultura.

CIRO GOMES

Clima

  • Colocar em operação ações para implementar as metas climáticas, de redução da emissão dos gases de estufa até 2020, definidas pelo Acordo de Paris
  • Articular com outros países para o cumprimento das metas do Acordo de Paris
  • Desenhar modelo de precificação da poluição (definição de formas de taxação para quem polui ou aprimoramento do mercado de certificados de emissão de carbono), com a criação de mecanismos de compensação financeira para atividades de impacto
  • Desenvolver um sistema com informações sobre a emissão de carbono no país, por emissor

Energia

  • Estimular adoção de energias renováveis como biocombustíveis, biomassa, hidráulica, solar e  eólica, por meio de políticas públicas
  • Promover a coordenação entre os atuais sistemas e linhas de financiamento destinadas à pesquisa ambiental e de sustentabilidade, incluindo a área de energia
  • Petróleo: recomprar todos os campos de petróleo brasileiros vendidos ao exterior após a Lei da Partilha, pagando indenizações

Desmatamento

  • Desenhar estratégia para redução do desmatamento
  • Implementar as Unidades de Conservação (UCs) já criadas no Brasil com as devidas indenizações e/ou reassentamentos
  • Elaborar plano de formação de arranjos produtivos locais no entorno dessas unidades, voltados para a prestação de serviços às mesmas, bem como o desenvolvimento do turismo sustentável
  • Criar concessões à iniciativa privada de áreas e equipamentos de uso público para exploração econômica de serviços permitidos em UCs
  • Apoiar gestão das associações produtivas das comunidades da floresta e a implantação da infraestrutura necessária ao desenvolvimento das cadeias produtivas

Agricultura

  • Ordenar uso e ocupação das terras no Brasil, destinando áreas a sistemas produtivos em regiões já modificadas pela ação humana
  • Compatibilizar as agendas Marrom (Política Nacional de Meio Ambiente), Verde (Novo Código Florestal) e Azul (Política Nacional de Recursos Hídricos)
  • Desenvolver defensivos agrícolas específicos para as nossas culturas, de menor conteúdo tóxico para pessoas e o meio ambiente; incentivar a adoção de sistemas de controle alternativos na agricultura

GERALDO ALCKMIN

Clima

  • Perseguir “com afinco” as metas assumidas no Acordo de Paris
  • Usar os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) como referência no relacionamento externo brasileiro

Energia

  • Priorizar políticas que permitam às regiões Norte e Nordeste desenvolver suas potencialidades em áreas como energias renováveis, turismo, indústria, agricultura e economia criativa

Desmatamento

  • Nada consta

Agricultura

  • Reforçar a liderança do Brasil na agricultura pela transformação do Plano Safra em um plano plurianual para dar previsibilidade às regras da política agrícola
  • Garantir a paz e a segurança agrícola no campo

GUILHERME BOULOS

Clima

  • Honrar os compromissos assumidos no Acordo de Paris: reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e restaurar 120 mil km² de florestas até 2030
  • Reconhecer os “direitos da natureza” na Constituição, como foi feito por países como Equador e Bolívia

Energia

  • Superar o uso dos combustíveis fósseis e realizar a transição para energias renováveis de baixo carbono (como a eólica e a solar), proibir o fraturamento hidráulico do gás de xisto, que tem alto impacto ambiental
  • Transportes: modernizar o setor, priorizar o transporte coletivo e sob trilhos (para carga e passageiros); reverter a cultura do automóvel nas grandes cidades
  • Estimular o carro elétrico e reduzir a demanda de petróleo
  • Usinas nucleares: manter as Usinas Angra 1 e 2 em operação até o fim de sua vida útil; suspender as obras e rediscutir com a sociedade civil a continuidade do projeto de Angra 3
  • Usinas hidrelétricas: suspender as construções de novas usinas
  • Pré-sal: reverter toda a legislação de privatização da exploração do petróleo e da Petrobras
  • Transformar a Petrobras de uma empresa de petróleo em uma empresa de energia pública “democraticamente gerida”, com um setor voltado para desenvolver energias renováveis

Desmatamento

  • Zerar o desmatamento em todos os biomas em uma década: para isso, será preciso estabelecer meta para restaurar florestas com espécies nativas
  • Estabelecer política de estímulo ao aumento da produtividade agrícola nas áreas já desmatadas
  • Promover aumento da eficácia na fiscalização da atividade agropecuária e grilagem de terra; confiscar bens associados a crimes ambientais
  • Criar novas áreas protegidas
  • Usar a tributação para o estímulo à conservação, com o combate à sonegação do imposto territorial rural (ITR)

Agricultura

  • Criar incentivos financeiros para aumentar a produtividade e alterar a matriz produtiva agropecuária
  • Fomentar a agricultura de alimentos saudáveis, priorizando vegetais, “voltada para a segurança alimentar do povo brasileiro”
  • Limitar a produção de commodities para exportações

JAIR BOLSONARO

Clima

  • Nada consta; candidato afirmou à imprensa que pretende retirar o Brasil do Acordo de Paris, por ele representar “ameaça à soberania nacional”

Energia

  • Desenvolver o potencial do Nordeste em fontes renováveis: solar e eólica; expandir a produção de energia e toda a cadeia relacionada, como produção, instalação e manutenção de painéis fotovoltaicos
  • Realizar o licenciamento ambiental de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) no prazo máximo de três meses
  • Aumentar o papel do gás natural na matriz elétrica nacional

Desmatamento

  • Nada consta

Agricultura

  • Criar uma nova estrutura federal agropecuária, responsável por: política e economia agrícola (inclui comércio); recursos naturais e meio ambiente rural; defesa agropecuária e segurança alimentar; pesca e piscicultura; desenvolvimento rural sustentável; inovação tecnológica

JOÃO AMOÊDO

Clima

  • Nada consta

Energia

  • Ampliação da energia renovável na matriz energética
  • Dar fim aos subsídios à energia não renovável, como gasolina e diesel

Desmatamento

  • Eliminar o desmatamento ilegal
  • Reduzir definitivamente o desmatamento ilegal na Amazônia Legal, com mais tecnologia e scalização (sic)

Agricultura

  • Aplicar o Código Florestal
  • Avançar no Cadastro Ambiental Rural e promover mais cooperação entre órgãos envolvidos

LULA/FERNANDO HADDAD

Clima

  • Introduzir agenda estratégica de transição ecológica, que colocará as políticas ambientais, territoriais, regionais, produtivas, tecnológicas, científicas e educacionais como aliadas
  • Realizar uma reforma fiscal verde, com aumento progressivo do custo da poluição e prêmio à inovação de baixo carbono;
  • Desonerar investimentos “verdes” (isenção de IPI, dedução de tributos embutidos em bens de capital e recuperação imediata de ICMS e PIS/COFINS), reduzindo o custo tributário do investimento verde em 46,5%
  • Sem elevar a carga tributária, criar um tributo sobre carbono, que já foi adotado em vários países para aumentar o custo das emissões de gases de efeito estufa
  • Apoiar e incentivar os estados e municípios a adotarem uma política de gestão ambiental urbana que proporcione redução do consumo de energia, da emissão de poluentes que afetam a qualidade do ar, solo e água e de gases de efeito estufa

Energia

  • Construir um modelo energético que terá como diretrizes: 1) a retomada do controle público, interrompendo as privatizações; 2) ampliação dos investimentos para expandir a geração com energias renováveis (solar, eólica  e biomassa); 3) tarifas justas; e 4) participação social
  • Retomar o papel estratégico da Eletrobrás e da Petrobras
  • Instalar kits fotovoltaicas em 500 mil residências por ano
  • Impulsionar a micro e mini geração de energia renovável pela possibilidade de venda do excedente de energia produzido por residências e empresas
  • Modernizar o sistema elétrico existente: usinas geradoras, substituição de combustíveis líquidos e carvão por gás natural e biocombustível, incorporação das tecnologias de futuro nas redes de transmissão (smart grid)
  • Perseguir o aumento da eficiência energética
  • Fortalecer o Programa Reluz e estender o Programa Luz para Todos para localidades isoladas na Amazônia
  • Retomar investimentos em infraestrutura de transporte limpa, com diversificação dos meios de transporte, incluindo ferrovias, hidrovias e meios menos poluentes

Desmatamento

  • Assumir compromisso com a taxa de desmatamento líquido zero até 2022 e com o fim da expansão da fronteira agropecuária
  • Fiscalizar o cumprimento do Código Florestal, incluindo o Cadastramento Ambiental Rural
  • Fortalecer a proteção das unidades de conservação e dos demais bens da natureza
  • Aperfeiçoar os mecanismos de governança em relação à Amazônia, por meio do diálogo federativo e participação social nos processos decisórios

Agricultura

  • Criar instrumentos que valorizem a produção e a comercialização de produtos agropecuários de forma sustentável; promover a valoração econômica da preservação de recursos naturais nas propriedades rurais
  • Utilizar, para a expansão da produção agropecuária, os mais de 240 milhões de hectares já abertos para agricultura e pastagens
  • Implementar o Código Florestal com prazos, “sem mais prorrogações ou atrasos”
  • Promover uma nova geração de políticas e programas voltados à questão agrária, agricultura familiar e agroecologia no Brasil, com reforma no ambiente institucional.
  • Desenvolver, em parceria com organizações públicas, universidades e sociedade civil projetos estratégicos para os assentamentos rurais

MARINA SILVA

Clima

  • Alinhar políticas públicas (econômica, fiscal, industrial, energética, agrícola, pecuária, florestal, da gestão de resíduos e de infraestrutura) aos objetivos do Acordo de Paris
  • Cumprir os compromissos assumidos pelo Brasil com uma estratégia de longo prazo de descarbonizarão da economia, com emissão líquida zero de gases de efeito estufa até 2050
  • Descarboninzar a estrutura tributária: no curto prazo, aperfeiçoar a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE, tributo que incide sobre combustíveis), com um adicional segundo a intensidade de carbono
  • No médio prazo, incorporar uma taxa de carbono ao sistema tributário nacional, no contexto de uma ampla reforma tributária
  • Implementar o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões e outros mecanismos para introduzir a precificação das emissões de gases de efeito estufa
  • Promover desenvolvimento urbano que inclua a redução de gases de efeito esfufa entre as prioridades
  • Apoiar os municípios a implementar planos de contingência e monitoramento de extremos climáticos para a prevenção e mitigação dos impactos

Energia

  • Mobilidade urbana: desenvolver políticas que estimulem modais com baixa emissão de poluentes, geração de energia limpa, renovável e com eficiência energética; substituir veículos movidos a combustíveis fósseis pelos elétricos e movidos a biocombustíveis
  • Eletrobrás: privatização será analisada no contexto da política energética nacional; deverá modernizar suas estratégias a fim de incorporar energias renováveis
  • Petrobras: assumirá papel de liderança nos investimentos em energias limpas
  • Potencializar a eficiência energética, por meio do estímulo regulatório com incentivos e metas em todas as etapas: geração, transmissão e distribuição até os consumidores
  • Massificar a instalação de unidades de geração de energia solar fotovoltaica distribuída nas cidades e comunidades vulneráveis: meta é 1,5 milhão de telhados solares fotovoltaicos de pequeno e médio porte até 2022, representando 3,5 GW de potência operacional
  • Renovabio: implementar o programa de biocombustíveis, que deverá criar 1,4 milhão de empregos até 2030

Desmatamento

  • Atingir o desmatamento zero no Brasil, no menor prazo possível, com data limite em 2030
  • Valorizar a floresta em pé, com o desenvolvimento de uma economia florestal e das comunidades tradicionais vinculadas à sua utilização e conservação
  • Ampliar o sistema de monitoramento de desmatamento, degradação e mudanças na cobertura do solo
  • Recuperar 12 milhões de hectares de florestas nativas até 2030, como manda o Acordo de Paris e gerar empregos nessa atividade

Agricultura

  • Ampliar práticas de agricultura de baixo carbono nos Planos Safra anuais, com redução da burocracia e estabelecendo atrativos para adesão ao sistema
  • Desenvolver programas de compensação financeira que beneficiem comunidades tradicionais e agricultores familiares pela conservação da biodiversidade e ecossistemas.

Fonte: Portal Observatório do Clima

Secretário-geral da ONU chama o mundo para a urgência do combate ao aquecimento do planeta

Em um discurso contundente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou governos, empresas e cidadãos de todo o mundo a agir com força e rapidamente para combater o aquecimento global e as mudanças decorrentes no clima do nosso planeta.

Estas foram as principais mensagens do discurso:

  • O secretário-geral convocou a todos para soar o alarme. Está faltando ainda, mesmo depois do Acordo de Paris, liderança, senso de urgência e um compromisso verdadeiro com uma resposta multilateral decisiva.
  • O mundo está em um curso equivocado. Se continuarmos no caminho atual, até 2030, perderemos o ponto no qual poderemos evitar uma descontrolada mudança climática, que terá consequências desastrosas para as pessoas e todos os sistemas naturais que nos sustentam.
  • Os cientistas nos alertam há décadas que a mudança climática está acontecendo. Mas muitos líderes se recusaram a ouvir.
  • Chegou a hora de nossos líderes mostrarem que se importam com as pessoas cujo destino elas têm nas mãos. Precisamos deles para mostrar que se importam com o futuro – e com o presente.
  • O Acordo de Paris estabeleceu metas que buscam manter o aumento da temperatura global o mais próximo possível de 1,5 graus Celsius.
  • Mas, de acordo com um estudo feito pela ONU, os compromissos assumidos até agora pelas Partes do Acordo de Paris representam apenas um terço do que é necessário.
  • O Acordo de Paris e a Convenção Clima são as bases para os esforços globais para enfrentarmos a mudança climática. Os governos nacionais, no entanto, não podem fazê-lo sozinhos. As partes interessadas não-partes podem aumentar significativamente a ação climática e influenciar a ambição em nível nacional.
  • Existe uma oportunidade real, agora, de promover a prosperidade econômica, ao mesmo tempo em que reduzimos as emissões e fortalecemos a resiliência climática. Temos a oportunidade de descartar as formas antigas e criar um novo caminho para um futuro melhor.
  • Os benefícios da ação climática superam em muito os custos da inação. O Relatório da Nova Economia Climática concluiu que a ação sobre as mudanças climáticas resultaria em uma economia de US$ 26 trilhões até 2030, em comparação com os negócios de sempre.
  • Abandonar os combustíveis fósseis e abraçar as energias renováveis economiza dinheiro e, também, cria novos empregos, reduz o desperdício de água, aumenta a produção de alimentos e limpa o ar.
  • Há um dever moral de agir sobre as mudanças climáticas. As nações mais ricas do mundo são as mais responsáveis pela crise climática, mas os efeitos serão sentidos primeiro e mais fortemente pelas nações mais pobres e pelas pessoas e comunidades mais vulneráveis.
  • Mulheres e meninas, em particular, pagarão um preço mais elevado – não apenas porque suas vidas se tornarão mais difíceis, mas porque, em tempos de desastre, as mulheres e meninas sempre sofrem desproporcionalmente.
  • O secretário-geral convocará uma Cúpula do Clima para levar a ação climática ao topo da agenda internacional. A cúpula ocorrerá um ano antes de os países terem que melhorar suas promessas climáticas no âmbito do Acordo de Paris. O secretário-geral pede a todos os líderes mundiais que participem da Cúpula do Clima do próximo ano, preparados para relatar não só o que estão fazendo, mas o que mais pretendem fazer em 2020, quando os países atualizarão seus planos climáticos nacionais.
  • A Cúpula se concentrará em áreas que estão no núcleo do problema – os setores que mais geram emissões e as áreas onde a resiliência em construção fará a maior diferença.

O discurso do secretário-geral foi um apelo a todos que tenham qualquer responsabilidade de liderança no mundo para entender que a mudança climática é um problema para todos e que “o mundo está contando com você para enfrentar o desafio antes que seja tarde demais”.

Fonte: ClimaInfo

Califórnia lidera luta contra a mudança climática nos EUA de Trump

Apesar da luta contra a mudança climática ter deixado de ser prioritária para o Governo dos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Presidência, o estado da Califórnia surgiu como uma referência mundial com compromissos tão ambiciosos como usar 100% de energia limpa em sua rede elétrica em 2045.

Este acordo, aprovado recentemente pelas duas câmaras legislativas, está à espera da assinatura do governador, Jerry Brown, que na próxima semana será um dos anfitriões da Cúpula Mundial de Ação Climática, que será realizada em São Francisco, por isso que especula-se que o anúncio sobre o tema nos próximos dias.

“Quando o governador assinar a lei, a Califórnia se transformará na maior economia do mundo com a meta de gerar toda sua eletricidade de forma limpa”, explicou à Agência Efe o senador e impulsor da medida Kevin de León. “De fato, acredito que alcançaremos este objetivo inclusive antes, em 2035”, acrescentou.

O estado mais populoso dos EUA foi um dos que mais notou durante os últimos anos os efeitos da mudança no clima: a Califórnia sofreu a pior seca em mais de mil anos (2012-2016), seguida por devastadores episódios de fortes chuvas (2017), que multiplicaram os deslizamentos de terras e criaram as condições para os gigantescos incêndios florestais deste ano.

O compromisso adquirido por este estado tem um grande simbolismo dado o contexto em nível nacional, onde a luta contra a mudança climática, da qual o ex-presidente Barack Obama (2009-2017) tinha feito um de seus pilares, foi praticamente abandonada pela atual Administração liderada por Trump.

O episódio mais famoso desta mudança de posicionamento foi a retirada dos EUA do Acordo de Paris, adotado por 195 países em 2015 e em virtude do qual Washington se comprometia a reduzir para 2025 as emissões de gases do efeito estufa entre 26% e 28% com relação aos níveis de 2005.

Além disso, a Casa Branca também anunciou medidas para eliminar o Plano de Energia Limpa contra as emissões, cortar políticas ambientais, expandir as zonas abertas a perfurações petrolíferas, reduzir os parques naturais e relaxar as restrições de emissões aos veículos.

Em meio a tudo isso, a Califórnia já obteve 29% de sua eletricidade no ano passado mediante fontes renováveis, o que significou praticamente triplicar o número de 2007, graças em grande medida à indústria que cada vez mais aposta com mais força pela energia solar, eólica e geotérmica.

“Era necessária uma lei para mostrar compromisso e motivar ainda mais investimentos no setor privado”, apontou De León, que explicou que uma vez superada a data limite de 2045, a lei contempla medidas punitivas para aqueles produtores que não tenham passado completamente à energia limpa.

A lei, que recebe o nome de SB 100, prevê avançar passo a passo em relação com a meta final, com um objetivo de 50% de energias limpas para 2016; 60% para 2013; e finalmente 100% para 2045.

Esses 100%, por sua vez, devem incluir pelo menos 60% de energias renováveis – solar, eólica, geotérmica, e geração hidrelétrica de pequena escala -, e 40% restantes, que pode provir de fontes limpas, mas não estritamente renováveis, o que inclui nuclear, grandes hidrelétricas, e plantas de gás natural que capturem e armazenem o dióxido de carbono.

Longe do forte partidarismo com o qual as questões ambientais são frequentemente tratadas em Washington, na Califórnia inclusive o ex-governador republicano e ator de Hollywood Arnold Schwarzenegger apoiou a medida no Twitter. “Somos californianos. Não esperamos. Construímos a economia do futuro aqui”, publicou.

Fonte: UOL Notícias

Animação mostra anomalias climáticas de 191 países entre 1880 e 2017

O meteorologista finlandês Antti Lipponen publicou na rede social Flickr uma animação que mostra anomalias na temperatura média de cada ano desde 1880 até agora, registradas em 191 países. No começo, os azuis (que indicam temperaturas mais baixas) são predominantes. Aos poucos, os vermelhos (temperaturas mais quentes) vão se intensificando até que, em 2017, tudo fica vermelho e laranja.

A animação tem como base dados coletados pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Na página pessoal de Lipponen, é possível ver as consequências do aquecimento global e do efeito estufa de outra forma. O gráfico animado mostra em quais anos a temperatura do planeta ficou acima ou abaixo da média observada entre 1880 e 2017. A última vez em que o índice ficou abaixo da média foi 1976. Um jeito claro e direto de ver que o mundo precisa mudar essa trajetória o quanto antes!

Fonte: Climainfo e Flickr

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