Entenda como o crescimento da aquicultura influencia o mercado mundial de soja

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

Se eu perguntar ao cidadão brasileiro qual a carne mais produzida e consumida no mundo, dificilmente alguém responderá que é a carne de peixe. No entanto, ela não apenas é a mais produzida (220 milhões de toneladas – Mt), como representa quase o dobro da segunda colocada, a carne suína (120 Mt).

Ao estranhar, mas finalmente conformar-se com esta realidade, o cidadão deve logo atribuir ao pescado (o peixe capturado em rios, lagos e oceanos), como sendo o principal responsável por toda essa quantidade. Errado. A carne de pescado, que durante séculos dominou o mercado das carnes no mundo, atualmente responde por 80 Mt contra 140 Mt da aquicultura (produção de peixes em confinamento).

O que chama a atenção na carne de peixe, além do grande volume produzido, é a evolução relativa do pescado em contraste com a aquicultura. Enquanto esta evoluiu de 20 Mt em 1990, para uma previsão atual de 140 Mt previstos para proximamente, a produção de pescado permaneceu quase inalterada em cerca de 80 Mt e existem indicativos de que a produção desta carne continuará estacionada, enquanto a produção aquícola continuará crescendo no alucinante ritmo das últimas décadas.

Atualmente, a carne de peixe proveniente da aquicultura encabeça a produção mundial de carnes, liderança que se consolidará nos anos vindouros visto ser, a aquicultura, uma atividade econômica relativamente recente, principalmente nos países do ocidente, entre eles o Brasil.

O Continente Asiático, principalmente China, Indonésia, Índia, Vietnã e Filipinas, responde por mais de 70% da produção aquícola mundial. No entanto, o Ocidente está percebendo a vantagem do negócio e muitos países, incluindo o Brasil, estão investindo na área e sinalizando que, num futuro não muito distante, a aquicultura alcançará grande importância na região.

No Brasil, grandes empreendimentos aquícolas já podem ser encontrados no âmbito de cooperativas agropecuárias como a CVale e a Coopacol no Paraná, ou em empreendimentos privados do Mato Grosso, como em Sorriso e adjacências.

A crescente demanda por proteína animal (carnes, leite e ovos), consequência do aumento da renda per capita dos cidadãos, além do aumento e do envelhecimento da população, ajuda a explicar a crescente demanda por soja (farelo), particularmente por parte da China, visto que este país precisa dela para alimentar, não só seu enorme plantel de suínos e aves, mas, também, sua crescente indústria de peixes.

Como os peixes provenientes da aquicultura se alimentam de ração, cuja principal matéria prima é o farelo de soja, quanto maior for a produção de peixes em cativeiro, provavelmente maior será a demanda de soja.

Peixes confinados também se alimentam de soja, intuindo que a demanda deste grão continuará aquecida, não apenas por conta do consumo de bovinos, suínos e aves, mas também dos peixes, cujo consumo cresce em paralelo com a economia.

Fonte: Canal Rural

Especialistas em clima e inovação tecnológica vencem Nobel de Economia

William Nordhaus e Paul Romer adotam questões atuais na análise macroeconômica

O prêmio Nobel de Economia de 2018 foi concedido aos economistas norte-americanos William Nordhaus, 77, e Paul Romer, 62, por pesquisas que contribuíram para a compreensão dos fatores que garantem o crescimento sustentável no longo prazo.

Nordhaus, da Universidade Yale, foi citado por seu estudo pioneiro sobre os efeitos econômicos do aquecimento global, enquanto Romer, da NYU Stern School of Business, foi reconhecido por investigar como a inovação tecnológica requer condições específicas para surgir e prosperar.

“Os laureados ampliaram o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o clima”, afirmou a Academia Real Sueca de Ciências, no comunicado divulgado nesta manhã, em Estocolmo.

A tecnologia e o meio ambiente são, hoje, considerados temas essenciais para a compreensão do desenvolvimento econômico. Ao analisar as causas e as consequências da inovação e das mudanças climáticas, os dois economistas melhoraram a compreensão sobre políticas que podem contribuir para o crescimento sustentável.

Nordhaus é, por exemplo, um dos principais defensores da cobrança de um imposto sobre as emissões de carbono com o propósito de diminui-las. O modelo desenvolvido pelo pesquisador de Yale integrou resultados de diferentes áreas –como física e química– para compreender a evolução conjunta entre a economia e o clima.

Entre as produções bibliográficas de Nordhaus, consta a conhecida obra “Economics”, escrita com Paul Anthony. Editado desde 1948, o livro tornou-se um clássico que contribuiu e ainda contribui para o ensino da economia nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Já Romer foi o primeiro a inverter uma linha clássica de investigação acadêmica. Pesquisadores em macroeconomia costumavam analisar o impacto da evolução tecnológica sobre o crescimento.

O economista da NYU resolveu, então, focar no contrário, ou seja, em como o ambiente econômico determina as condições para a criação de novas tecnologias, contribuindo para o estudo de regulações que incentivam a inovação.

No ano passado, o prêmio foi atribuído ao americano Richard Thaler por seus estudos sobre a influência de certas características humanas, como a racionalidade limitada, as preferências sociais e a falta de autocontrole, nos comportamentos dos consumidores ou investidores.

O Nobel da Economia celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de ciências econômicas.

Soja já representa 25% do valor da produção agropecuária brasileira

Estimativas do ministério mostram que, em 2011, a participação era de 17%

O Ministério da Agricultura voltou a elevar sua estimativa para o valor bruto da produção (VBP) agropecuária do país em 2018. Graças a uma visão ainda mais otimista sobre o mercado de soja, carro-chefe do agronegócio nacional, a Pasta passou a prever o VBP do campo em R$ 565,6 bilhões este ano, R$ 2,1 bilhões a mais que em 2017 mas montante ainda 2,5% menor que o de 2017.

Embalada por mais uma safra recorde, valorizada pela quebra da produção na Argentina e pelas disputas comerciais entre Estados Unidos e China, a soja deverá representar quase 25% do valor total.

O ministério aumentou sua previsão para o VBP da oleaginosa para R$ 139,9 bilhões, um novo recorde 10,6% superior ao anterior, de 2017. Desde 2011 o VBP da soja só faz crescer. Naquele ano, o grão respondeu por 16,7% do VBP total.

Em relação apenas ao valor da produção das 21 culturas agrícolas que fazem parte do levantamento, a fatia da soja deverá crescer de 25,3%, em 2011, para 36,4% em 2018 — o Ministério da Agricultura projeta o VBP da agricultura brasileira este ano em R$ 384,23 bilhões, 1,2% abaixo do resultado do ano passado.

Essa queda, apesar do avanço da soja e dos expressivos crescimentos dos valores das produções de algodão (44,4%, para R$ 33,5 bilhões), de café (7,9%, para R$ 24,3 bilhões) e de trigo (79,2%, para R$ 4,9 bilhões), está sendo determinada por resultados negativos previstos para cana, milho, laranja, mandioca, banana, arroz e feijão, que em geral amargaram quedas de preços.

Dessa lista, o maior tombo projetado pelo ministério é o do feijão (30,2%, para R$ 6,2 bilhões). Em seguida aparecem a laranja (queda de 19,4%, para 12,3 bilhões), o arroz (R$ 18%, para R$ 9,7 bilhões), a mandioca (17,8%, para R$ 10,6 bilhões), o milho (10,8%, para R$ 45,7 bilhões), a cana (10,7%, para R$ 65,1 bilhões) e a banana (8,7%, para R$ 10,6 bilhões).

Para as cinco principais cadeias da pecuária brasileira, o Ministério da Agricultura elevou sua estimativa para o VBP para R$ 181,3 bilhões. Mas, ainda que seja R$ 1,6 bilhão superior ao valor previsto em agosto, o novo montante ainda é 5,1% menor que o calculado para 2017. E o peso para essa baixa é exercido por todas as cadeias produtivas do segmento.

Em época de problemas na economia, o consumo de proteínas animais normalmente sofre mais, e neste ano as exportações não estão compensando a queda, que também sofre a influência da greve dos caminhoneiros em maio — a paralisação prejudicou especialmente os segmentos de leite e frango. Mesmo os ovos, que estão com demanda bastante aquecida, não têm apresentado altas de preços capazes de impulsionar seu VBP.

Conforme o ministério, na pecuária a maior retração do valor da produção será:

– suínos (19%, para R$ 13,9 bilhões);
– ovos (12,1%, para R$ 10,6 bilhões);
– frango (5,1%, para R$ 50,5 bilhões);
– leite (4,3%, para R$ 31,1 bilhões), e,
– bovinos (1,2%, para R$ 75,2 bilhões).

Ainda que o recuo do VBP dos bovinos seja modesto, é o terceiro seguido, o que mostra a relação do consumo do produto com o crescimento da economia.

Fonte: Valor Econômico

https://www.valor.com.br/agro/5880449/soja-ja-representa-25-do-valor-da-producao-agropecuaria-brasileira

Comissão de Mudanças Climáticas vai debater economia de baixo carbono

A Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas promove na terça-feira (3) audiência pública interativa para debater a economia de baixo carbono, que incentiva a redução da emissão de poluentes e a geração de energia limpa. A reunião tem início às 14h30 na sala 7 da Ala Alexandre Costa.

Para o debate foram convidados o coordenador do Projeto PMR Chinês, Liu Wenbo; o diretor-geral da MexiCO2 Plataforma Mexicana de Carbono, Eduardo Piquero; e o chefe da Divisão de Fiscalização da Superintendência do Meio Ambiente do Governo do Chile, Juan Pablo Rodriguez.

O debate também deverá contar com a participação do secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Alfredo Sirkis; do diretor da Keyassociados, Marco Antônio Fujihara; e do advogado especialista em Direito Ambiental Ludovino Lopes.

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: 
http://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania:
www.senado.gov.br/ecidadania
Alô Senado (0800-612211) 

Fonte: Agência Senado

Energia solar, limpa e renovável, pode gerar grande economia para empresas

No Brasil, a energia solar fotovoltaica corresponde a aproximadamente 80 megawatts (MW) operacionais na matriz energética. No ano de 2016, houve crescimento de 320% da geração distribuída desta fonte – um salto de 1.827 sistemas para mais de 7.600 sistemas de micro e minigerações distribuída solar fotovoltaica. Em outubro de 2016, as energias renováveis tiveram participação de 43,2% na matriz energética brasileira, dois pontos percentuais a mais que no ano anterior, segundo dados do Boletim Mensal de Energia elaborado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME).

De acordo com dados da Cushman & Wakefield, o mercado de galpões e armazéns industriais em uso no Brasil possui uma área total estimada em 12 milhões de metros quadrados. Isso representa um potencial de investimentos de R$ 6,8 bilhões para a geração solar fotovoltaica no Brasil, segundo estimativa conservadora da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Ainda de acordo a entidade, se a metade da área dos telhados de todos os galpões e armazéns ocupados no Brasil fosse aproveitada para gerar energia fotovoltaica, a potência instalada seria de cerca de mil MW, o suficiente para suprir as necessidades energéticas de aproximadamente dois milhões de brasileiros. Os empregos diretos gerados com o investimento seriam da ordem de 30 mil postos de trabalho. Considerado a estimativa, o potencial de geração de eletricidade seria de 1,7 mil megawatts/hora ao ano, correspondente a uma economia de aproximadamente R$ 900 milhões na conta de luz e uma redução de emissões de CO2 de aproximadamente 132,7 mil toneladas por ano. O payback para esses investimentos é estimado em 7,5 anos.

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Fonte: Jornal Canal da Bioenergia

Horário de Verão deve economizar R$ 147 milhões

A economia de energia com a próxima edição do horário de verão, que começa no dia 16 de outubro, deverá ser de R$ 147,5 milhões, por causa da redução do uso de energia de termelétricas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a redução da demanda máxima de energia no horário de pico (entre 18h e 21h) deverá ser 3,7% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 4,8% no Sul com a mudança de horário.

A previsão de economia, divulgada durante reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), é menor que a do ano passado, quando a adoção do horário de verão possibilitou uma economia de R$ 162 milhões. O horário de verão será adotado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, até o dia 19 de fevereiro de 2017.

O comitê também voltou a debater hoje a redução da vazão da barragem da Usina Hidrelétrica de Sobradinho para o Rio São Francisco. Depois da autorização para a execução de testes para uma nova redução de vazão, será feita uma reunião nesta semana na Casa Civil sobre o tema.

Durante a reunião, o Ministério de Minas e Energia informou que encaminhou ofício a todas as distribuidoras de energia solicitando a elaboração de um plano de operação para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos dias 5 e 6 de novembro. O ministério vai disponibilizar uma equipe técnica para acompanhamento e atuação em casos de necessidade.

Fonte: Portal Brasil

O impacto da poluição do ar na economia

Ar mais poluído afeta o rendimento de trabalhadores, mesmo os de escritório, o que pode gerar prejuízos nas cidades

Para qualquer um que tenha tentado fazer uma caminhada em uma cidade de ar poluído, os impactos fisicamente desgastantes da poluição atmosférica podem não ser nenhuma surpresa. Mas a poluição não atrapalha somente corredores, ela afeta os trabalhadores também. Uma pesquisa de Tom Chang da Universidade do Sul da Califórnia e de seus colegas descobriu que embaladores de peras trabalhando em ambientes fechados foram afetados pela poluição atmosférica mesmo em níveis bem abaixo dos padrões atuais de qualidade do ar.

Em um segundo estudo, Chang e seus colegas analisaram a China, onde o ar poluído é um grande problema. A China divulga diariamente um Índice de Poluição Atmosférica (API, sigla em inglês) – também referido como Índice de Qualidade do Ar – que mede a qualidade do ar baseada nos riscos que pode representar para a saúde. Qualquer valor acima de 100 é preocupante.

Em Xangai, o índice periodicamente atinge 150, colocando a saúde de todos em risco. Para estabelecer uma correlação entre produtividade e poluição atmosférica, os autores focaram em trabalhadores de escritório em dois call centers em Xangai e Nantong, onde a produtividade pode ser medida através da contagem do número de ligações feitas por dia por cada trabalhador.

Os resultados não foram bons. Em dias de alta poluição atmosférica, trabalhadores gastaram mais tempo em intervalos e completaram menos ligações. Em média, um aumento de 10% no API esteve associado a uma redução de 0,35% no número de chamadas por dia. Estima-se que trabalhadores nos call centersestudados são 6% mais produtivos em dias de baixa poluição atmosférica do que em dias que a poluição é alta. O provável culpado para esses trabalhadores é o material particulado, que pode entrar facilmente nos edifícios por janelas e saídas de ar. A menor dessas partículas entra na corrente sanguínea e no sistema nervoso central, afetando a concentração e a performance mental.

A atividade no setor de serviços somam 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Chang e seus colegas reconhecem que uma redução de 10 pontos no API pode impulsionar a produção do trabalhador da China em pelo 15 bilhões de yuans (US$ 2,2 bilhões) por ano. Os efeitos nocivos do material particulado na produtividade também podem ser maiores em profissões cognitivamente mais exigentes – sugerindo que os benefícios da redução da poluição atmosférica podem ser ainda maiores.

As implicações se estendem para além da China, já que os danos da poluição atmosférica ocorrem também nas grandes cidades no Ocidente. Em 2014, a poluição do ar em Los Angeles excedeu a marca de 100 pontos no API por 90 dias, em uma média de 21 pontos. Se a poluição atmosférica fosse reduzida para 100 em todos esses dias, o setor de serviços poderia ter produzido US$ 374 milhões a mais, calculam os autores do estudo. Um ar mais limpo possibilitaria que patrões e empregados respirassem melhor.

Fonte: Opinião & Notícia

Futuro sustentável vai depender da parceria entre conservação e progresso

O planeta está em uma encruzilhada. Com esse mote, mais de 10 mil pessoas passaram dez dias em Honolulu, no Havaí, nos Estados Unidos, discutindo soluções para sair dela. Na madrugada de domingo (11), a diretora-geral da União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN), Inger Andersen, encerrou o congresso com otimismo: “Demos os primeiros passos para pegar a rota certa em direção a um futuro sustentável, em que natureza e progresso humano apoiem um ao outro”.

“Por ignorância, obstinação, complacência ou corrupção, continuamos a degradar os ecossistemas e os serviços que eles prestam, esgotando a biodiversidade e corroendo as relações bioculturais tradicionais. Uma abordagem alternativa é que a conservação da natureza e o progresso humano não são mutuamente exclusivos, mas podem ser parceiros essenciais para alcançar o desenvolvimento sustentável”, alerta o documento resultante da reunião.

Intitulado Navegando a Ilha Terra, o documento lista uma série de oportunidades para promover uma “cultura da conservação” que lide com as formas como as sociedades humanas estão mudando o mundo.

Os mais de 10 mil líderes de governos, da sociedade civil, de comunidades indígenas, religiosos e ligados a tradições espirituais e do setor privado definiram a agenda dos próximos quatro anos, quando ocorrerá o próximo congresso, e um caminho para implementar acordos históricos de 2015, como a definição dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris para o combate às mudanças climáticas.

Também foram adotadas mais de cem moções de apoio às mais diversas medidas de conservação. Elas pedem, por exemplo, urgência na proteção dos oceanos, ampliação das áreas marinhas protegidas e integração de soluções baseadas na natureza para combater as mudanças climáticas.

Diretamente relacionadas ao Brasil, foram aprovadas moções de apoio à criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e de amparo à lista vermelha brasileira de espécies ameaçadas. Essa proposta é importante por causa das tentativas de tirar algumas espécies dessa lista, em especial peixes, por parte do Congresso brasileiro.

Comércio do marfim

Um dos pontos mais conflituosos foi a moção que pede o fechamento de mercados domésticos do marfim de elefante. Apesar de o comércio internacional ter sido banido em 1989, em decisão da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), a matança continua ocorrendo, o que tem dizimado a espécie.

Um censo divulgado em agosto sobre o número de animais que vivem na savana africana estimou que a espécie sofreu uma redução de 30% entre 2007 e 2014 por causa da caça.

Alguns países, como Japão, Namíbia e África do Sul, apresentaram mais de uma dúzia de emendas que enfraqueciam os termos da moção, mas a maioria do congresso votou por sua aceitação na íntegra. Foi a última moção definida no evento.

O texto incentiva governos a encerrarem seus comércios domésticos, pelo fato de criarem oportunidades para a “lavagem” do marfim ilegal. A expectativa no congresso é de que a moção sirva como pressão na próxima reunião da Cites, que ocorrerá em Johannesburgo, na África do Sul, no fim do mês, para que lá seja estabelecida uma decisão com poder de lei.

Outras recomendações

Sobre os povos indígenas, o congresso adotou uma nova categoria de membros da IUCN para incorporar organizações de povos indígenas, como reconhecimento do papel dos índios na conservação da natureza.

Em relação a áreas proibidas, foi definida moção de apoio para que as áreas terrestres e marinhas protegidas fiquem fora dos limites de atividades industriais com potencial de dano, como mineração, petróleo e agricultura, e de projetos de infraestrutura.

O congresso também ressaltou a necessidade de identificar florestas intactas e ecossistemas críticos para ficarem resguardados da rápida expansão da indústria de óleo de palma.

Fonte: As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mortes causadas pela poluição do ar custam US$ 225 bi à economia global

Pesquisa foi divulgada pelo Banco Mundial e se refere a dados de 2013.
Estudo busca estimar custos de mortes prematuras em força de trabalho.

As mortes causadas por doenças ocasionadas pela poluição do ar custaram à economia mundial US$ 225 bilhões em 2013 por perdas de rendimento de trabalho, segundo pesquisa feita pelo Banco Mundial e pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME, sigla em inglês).

A pesquisa, que estima que naquele ano a poluição do ar tenha causado cerca de 5,5 milhões de mortes, busca estimar os custos de mortes prematuras motivadas por esse problema, para ajudar na decisão de ações em cenários de recursos escassos.

A pesquisa aponta que as perdas anuais em força de trabalho causadas por mortes decorrentes da poluição do ar custam o equivalente a 0,83% do Produto Interno Bruto (PIB) do sul asiático. No leste da Ásia e no Pacífico, que passam por um processo de aumento da proporção da população idosa, as perdas de rendimentos de trabalho representam 0,25% do PIB. Já na África Subsaariana, onde a poluição do ar prejudica o potencial de ganhos das populações mais jovens, as perdas anuais representam o equivalente a 0,61% do PIB.

Perda de bem-estar

Crianças usando máscaras contra poluição atravessam a rua em Jinan, na província de Shandong, na China, nesta quinta-feira (24) (Foto: AFP)
Crianças usando máscaras contra poluição atravessam a rua em Jinan, na província de Shandong, na China (Foto: AFP)

A pesquisa aponta que, se consideradas todas as faixas etárias e as “perdas de bem-estar”, o custo total de mortes prematuras à economia mundial em 2013 foi de US$ 5 trilhões. No Leste e no Sul da Ásia, as perdas de bem-estar relacionadas com a poluição do ar foram o equivalente a cerca de 7,5% do PIB.

“A poluição do ar é um desafio que ameaça o bem-estar humano básico, prejudica o capital natural e físico, e restringe o crescimento econômico”, disse em nota Laura Tuck, vice-Presidente da área de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial. “Esperamos que este estudo irá traduzir o custo de mortes prematuras em uma linguagem econômica que ressoe com os responsáveis políticos, para que mais recursos sejam direcionados à melhoria da qualidade do ar.”

Fonte: G1

Um caminho (sem volta) para descarbonizar a economia

Abrir mão do carvão em 2030, do petróleo em 2040 e chegar a 2050 com uma matriz energética livre de combustíveis fósseis. Utopia? Mas é um cenário possível de alcançar, segundo o relatório [R]evolução Energética, elaborado pelo Greenpeace e lançado na última terça (23) em São Paulo.

Feito com o apoio de especialistas de universidades e institutos de pesquisa como Unicamp, UFRJ e International Energy Initiative (IEI), o relatório traça cenários de como o país poderá substituir os combustíveis fósseis e os passos necessários para chegar em 2050 com 100% de sua energia gerada por fontes limpas.

O documento sugere o abandono da energia nuclear e dos projetos hidrelétricos na Amazônia, e a adoção de políticas mais agressivas de eficiência energética, como redes inteligentes de distribuição.

O relatório também compara dois cenários que mostram como a matriz energética brasileira poderá ser em 2050.   O cenário base reflete a continuidade das políticas do governo para o setor. Já o cenário [Rjevolução Energética é a projeção feita pelo Greenpeace para o mesmo período.

“Há uma mudança na lógica atual de produção, já que boa parte dos consumidores passará a gerar sua própria energia”, diz o relatório, que pondera que esse resultado só será possível se houver vontade política.

Embora o horizonte até 2050 seja longo, ter 100% de energia renovável e banir completamente os combustíveis fósseis da matriz é “uma meta improvável”, diz Luiz Pinguelli Rosa, professor da UFRJ e ex-secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Para ele, o país não pode depender totalmente de energia eólica e solar, “que são fontes intermitentes”.

Já Carlos Rittl, presidente-executivo do Observatório do Clima, rede de ONGs que acompanha o tema das mudanças climáticas, lembra que há um compromisso assumido por 195 países no acordo de Paris de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, como forma de evitar que a temperatura da Terra suba mais que 1,5º C.

“A descarbonização das economias é um caminho sem volta. A velocidade depende de vários fatores, mas basta ver como os investimentos em inovação têm sido direcionados para tecnologias de baixo carbono.”

No caso brasileiro, diz, será preciso redirecionar investimentos e políticas públicas para alcançar isso.

Texto Andréa Vialli 

Fonte: Folha de S.Paulo

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