ANP publica esclarecimentos sobre o preço do diesel.

Em relação ao preço do diesel, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis esclarece:

– A Petrobras praticava o preço de R$ 2,10 por litro após o início da greve dos caminhoneiros, em razão do desconto de 10%, que correspondia a R$ 0,23 a partir do dia 23 de maio de 2018. O preço antes da greve era de R$ 2,33 por litro. Ressalte-se que o desconto da Petrobras era limitado a quinze dias, para que o governo pudesse negociar com os caminhoneiros, e não seria mantido após esse período.

– Na segunda fase da subvenção econômica ao óleo diesel, o Poder Executivo optou por fixar os preços por região e substituir a média aritmética constante no Decreto n° 9.392, de 30 de maio de 2018, pela média ponderada por região, conforme o Decreto n° 9.403, de 7 de junho de 2018. O quadro abaixo resume as informações:

Decreto
Local
Preço sem subvenção (R$ por litro)
Preço com subvenção de R$ 0,30 por litro (R$ por litro)
Data-base
9.392, de 30 de maio de 2018
Território Nacional
2,3316
2,0316
21/05/2018
9.403, de 7 de junho de junho de 2018
Estados da Região Norte, exceto Estado do Tocantins
2,2681
1,9681
21/05/2018
Estado do Tocantins e Estados da Região Nordeste
2,3065
2,0065
21/05/2018
Estados da Região Centro-Oeste e Sudeste e Distrito Federal
2,4055
2,1055
21/05/2018
Estados da Região Sul
2,3462
2,0462
21/05/2018

– Como mostrado na tabela a seguir, o valor do diesel no mercado brasileiro, em 1º de agosto de 2018, estaria R$ 0,2422 por litro mais caro se não houvesse subvenção econômica:

Base Regionalizada
Preço na refinaria sem subvenção (R$ por litro) em 1° de agosto de 2018
Preço na refinaria com subvenção (R$ por litro) em 1° de agosto de 2018
Diferença entre o preço sem subvenção e com subvenção
Estados da Região Norte, exceto Estado do Tocantins
2,2103
1,9681
0,2422
Estado do Tocantins e Estados da Região Nordeste
2,2487
2,0065
0,2422
Estados da Região Centro-Oeste e Sudeste e Distrito Federal
2,3477
2,1055
0,2422
Estados da Região Sul
2,2884
2,0462
0,2422

– A partir do dia 31 de agosto de 2018, o preço de referência do óleo diesel será calculado com a metodologia estabelecida pela ANP e não pela atualização do preço de referência definido pelo Poder Executivo no Decreto n° 9.403 de 2018, tendo em vista a determinação do Decreto n° 9.454 de 2018. Dessa forma, está em consulta pública a proposta da ANP (a audiência pública ocorrerá no dia 17 de agosto de 2018).

– A tabela abaixo apresenta os resultados das simulações de preço para o dia 1° de agosto, usando a proposta da Agência em consulta, que indica o preço de paridade de importação do diesel colocado nos terminais dos principais portos das regiões mencionadas:

Base Regionalizada
Preço na refinaria sem subvenção (R$ por litro) em 1° de agosto de 2018
Preço na refinaria com subvenção (R$ por litro) em 1° de agosto de 2018
Preço na refinaria com subvenção (R$ por litro) em 1° de agosto de 2018 com a nova regulação da ANP
Estados da Região Norte, exceto Estado do Tocantins
2,2103
1,9681
1,8405
Estado do Tocantins e Estados da Região Nordeste
2,2487
2,0065
1,8747
Estados da Região Centro-Oeste e Sudeste e Distrito Federal
2,3477
2,1055
1,9045
Estados da Região Sul
2,2884
2,0462
1,8757

O preço simulado com a nova regulamentação da ANP considera uma subvenção de R$ 0,30/l.

Fonte: ANP

Após editar MP que garante desconto no diesel, governo afirma que preço do combustível vai acompanhar mercado internacional

A Medida Provisória 847, que renova o subsídio ao óleo diesel até 31 de dezembro de 2018, foi assinada na terça-feira, dia 31 de julho de 2018, e publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, dia 1.º de agosto.

O decreto para regulamentar o subsídio ao combustível a partir deste mês, e assim sustentar o desconto de R$ 0,46 no preço do litro, ainda será editado.

Com o desconto garantido, o preço do diesel vai passar a variar segundo o mercado internacional a partir do dia 31 de agosto, com previsão de cinco reajustes até o fim dezembro, a cada 30 dias. A base será o preço de referência estabelecido pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) para o primeiro dia de cada período.

Segundo a MP, a Petrobrás e demais fornecedores do combustível serão ressarcidos pela União, que contingenciou R$ 9,5 bilhões para bancar o que ficou conhecido como “bolsa caminhoneiro”, decorrente do acordo realizado pela União para por fim à greve no setor.

Na edição da MP, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que o compromisso que o governo tinha com os caminhoneiros era manter o desconto de R$ 0,46 até 31 de dezembro de 2018. “Vencido o primeiro período em que haverá revisão do preço, variações podem ser positivas ou negativas, e aí teremos o novo preço”, afirmou Padilha.

Além do desconto do diesel, outro ponto do acordo com os caminhoneiros permanece em discussão: a tabela do frete mínimo. Uma comissão na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) discute com representantes dos caminhoneiros e da indústria para chegar a um acordo. Ainda segundo o ministro Padilha, “o grande nó que está sendo implantado pela ANTT é ter os termos, os preços da nova tabela, isso está sendo construído de forma colegiada entre as várias partes”.

Fonte: Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes – Diário do Transporte

A poluição na Grande São Paulo

A redução da poluição ambiental na região depende fundamentalmente de se atingir as metas fixadas pela Lei 16.802/18

Que os veículos pesados movidos a óleo diesel — ônibus e caminhões — são os principais responsáveis pela poluição atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo é fato há muito sabido. Mas agora que uma pesquisa conseguiu calcular isso com precisão, fica-se sabendo que o problema é mais grave do que se imaginava: aqueles veículos, embora representem apenas 5% da frota que circula na região, respondem por metade da poluição. E a solução para esse problema se revela ao mesmo tempo mais difícil e mais urgente.

Como mostra reportagem do Estado, a novidade do trabalho feito por sete cientistas brasileiros — com base em amostras colhidas durante três meses — e publicado na revista Scientific Reports é que ele conseguiu separar, para efeito de medição, os gases emitidos por ônibus e caminhões dos gerados por veículos leves movidos por outros combustíveismenos poluentes. Os próprios pesquisadores se surpreenderam com o tamanho da contribuição dos veículos movidos a diesel para a degradação das condições ambientais da região metropolitana.

Segundo um dos pesquisadores, Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), há soluções para o problema e elas não custam caro — considerando-se os benefícios para a saúde da população –, mas dependem todas de “políticas públicas coerentes de longo prazo para serem implementadas”. Uma delas é o uso de filtros disponíveis no mercado que reduzem a emissão de poluentes de ônibus em até 95%, a um custo de R$ 10 mil a R$ 20 mil por veículo. Para os 14,4 mil ônibus da capital o custo seria de no máximo R$ 300 milhões.

Os meios legais para promover a redução da poluição causada pelos veículos pesados já existem, embora num prazo considerado longo por muitos ambientalistas — 20 anos. A Lei Municipal 16.802/18, sancionada em janeiro deste ano, estabelece que a redução de poluentes dos veículos de transporte público deve ser de 50% até 2028 e de 100% até 2038. Lei anterior (14.933/09), modificada pela 16.802/18, estabelecia que até 2018 nenhum daqueles veículos deveria mais usar combustível fóssil, por ser muito poluente. Houve, portanto, um atraso considerável.

Continue lendo aqui.

 

Fonte: O Estado de S.Paulo – Coluna Opinião 

Pesquisa dá aval a uso de B20, B30 e B100 em motores Euro VI

Uma pesquisa recente entre fabricantes de veículos comerciais mostra que muitos caminhões, ônibus e outros veículos pesados podem rodar com misturas de biodiesel acima dos níveis em vigor. Mesmo os mais recentes motores Euro VI podem ser operados com misturas de biodiesel padronizadas de 20%, 30% (B20 ou B30, norma EN 16709) e biodiesel puro (B100, norma EN 14214).

Três entidades internacionais, incluindo a alemã AGQM, publicaram uma lista de veículos aprovados para o uso dessas misturas mais altas de biodiesel.

“Nossa lista de aprovação mostra que o uso de biodiesel no setor de veículos comerciais é tecnicamente possível, mesmo com os padrões de emissão atualmente mais exigentes”, disse Richard Wicht, diretor da AGQM. “É particularmente útil usar um produto amigável ao meio ambiente como o biodiesel porque não há alternativa adequada aos combustíveis líquidos a longo prazo.”

A pesquisa abrangeu 14 fabricantes de veículos comerciais e grandes fabricantes de motores diesel e pode ser acessada aqui.

Fonte: Biodiesel Magazine (em inglês)

Audiência Pública discute Projeto que proíbe a circulação de veículos movidos a diesel

A fumaça de caminhões e ônibus movidos a diesel é um dos principais poluentes do ar em São Paulo. O projeto de lei em tramitação na câmara proíbe a circulação de veículos de passageiros movidos a diesel no município, a partir de 2023. Os veículos pesados que também dependem desse combustível serão proibidos de circular a partir de 2025. O representante da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo acredita que o projeto precisa de aprimoramento.

Antonio Ventilii, Assessor Técnico, esteve presente representando a Aprobio e compartilhando informações relevantes sobre os benefícios da utilização de um maior volume de biodiesel na mistura ao combustível fóssil.

Confira aqui a reportagem da TV Câmara.

Fonte: Câmara de Vereadores de SP com adaptações Aprobio

Milão, na Itália, quer proibir circulação de carros a diesel a partir de 2019

O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” de poluentes

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, anunciou que pretende proibir a circulação na cidade de carros a diesel mais poluentes a partir do dia 21 de janeiro de 2019. O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” (Lez). A proibição deverá seguir a escala do padrão europeu de emissões, norma que disciplina a poluição de veículos da União Europeia (UE), que vai de 0 a 6.

De acordo com Sala, de segunda a sexta-feira, a circulação de veículos a diesel zero a três será proibida. Em outubro de 2019, o plano é estender a proibição para o nível quatro e, em seguida, haverá um plano para o diesel cinco.

O monitoramento será feito com centenas de câmeras que vão ser instaladas nos acessos para Milão. Além disso, sinalizações serão colocadas no trajeto com todas as proibições.

“Vamos começar agora porque será um processo de quatro anos que os cidadãos terão que se acostumar. Nossa filosofia não é feita de proibições, mas é um acompanhamento”, disse Sala.

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Fonte: Época Negócios

Como o pré-sal poderia ajudar o Brasil a usar menos diesel

Com número recorde de empresas inscritas, mais uma área do pré-sal vai a leilão nesta quinta-feira. A 4ª rodada de partilha de produção colocou quatro campos em oferta, dois na bacia de Santos, dois na bacia de Campos, uma área de cerca de 4,2 mil km², o equivalente a três vezes o tamanho do município de São Paulo.

O aumento do preço do petróleo no mercado internacional e a alta produtividade das reservas brasileiras atraíram 16 petroleiras, entre as quais gigantes como Shell, Statoil e Exxon Mobil.

Um recurso do pré-sal que não é chamariz para essas multinacionais – o gás natural -, contudo, poderia ser aliado importante para o Brasil reduzir a dependência do diesel e aumentar a participação de fontes renováveis em sua matriz energética no médio e longo prazo.

O gás natural está associado ao óleo nas áreas de exploração, dissolvido ou como uma capa sobre os reservatórios. O menos poluente entre os combustíveis fósseis, na Europa e nos Estados Unidos ele vem sendo cada vez mais usado como combustível de caminhões e de navios – neste último caso, como um caminho para que os países cumpram as metas de redução da emissão de gases poluentes pelo transporte marítimo.

No Brasil, o gás natural é usado para consumo doméstico, em setores industriais e nas usinas termelétricas. Ele também poderia ser aproveitado, entretanto, como combustível alternativo para os ônibus nas grandes metrópoles do país e para dar flexibilidade à geração eólica e solar – ou seja, como “backup” para fornecer energia quando essas fontes, que são intermitentes, não estivessem produzindo -, ressaltam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

Gasoduto
Direito de imagemGETTY IMAGES Image captionInfraestrutura para distribuição do gás explorado pelas plataformas marítimas exige pesados investimentos

Até 2026, justamente por causa da exploração do pré-sal, a oferta de gás natural na malha integrada de gasodutos do país deve crescer quase 40%, de 43 milhões de metros cúbicos por dia para 59 milhões, conforme as estimativas feitas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) com base nas reservas já conhecidas.

Apesar do aumento, a diversificação do uso do gás natural enfrenta obstáculos que vão desde a baixa demanda interna, que dificulta a criação de um mercado com preços que atraiam empresas para a exploração do combustível, à falta de infraestrutura de gasodutos para a distribuição.

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Fonte: BBC Brasil

Desconto no preço do diesel pode chegar a R$ 0,50 por litro na bomba, diz secretário da Receita Federal

Segundo Jorge Rachid, o impacto da redução de R$ 0,46 nas refinarias pode ser maior para o consumidor porque muda também o cálculo do ICMS cobrado sobre o diesel.

O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou nesta quarta-feira (6) que o desconto no preço do diesel pode chegar a R$ 0,50 por litro do preço do diesel, maior, portanto, do que os R$ 0,46 anunciados pelo governo federal nas refinarias. (clique aqui para visualizar a reportagem)

O governo decidiu reduzir o preço do diesel em R$ 0,46 por litro, como parte das ações para encerrar a greve dos caminhoneiros, que durou 11 dias e provocou desabastecimento em todo o país.

“Houve a redução efetiva nas refinarias [de R$ 0,46 por litro do diesel]. A redução poderá alcançar R$ 0,50 nos postos porque os R$ 0,46 são retirados da base de cálculo do ICMS [tributo estadual]. Esse é o nosso papel. Dai pra frente, toda essa discussão está sendo tratada pela ANP [Agência Nacional de Petróleo]”, declarou Rachid em evento em Brasília para destruição de mercadorias apreendidas.

Na última terça-feira (5), a diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP) aprovou a abertura de uma consulta pública para discutir a periodicidade do repasse dos reajustes dos preços dos combustíveis.

De acordo com o chefe do Fisco, é possível que o desconto atinja a marca de R$ 0,50 por litro do diesel nos postos mesmo considerando que há biodiesel na mistura – que não sofreu redução de tributos.

“Agregando margem, mesmo com o acréscimo dos 10% do biodiesel é possivel chegar a uma media de R$ 0,49 a R$ 0,50 na bomba”, declarou.

Em entrevista ao “Jornal da CBN” na manhã desta quarta-feira (6), o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, disse que a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel para o consumidor “não é imediata”.

Segundo Padilha, a diminuição do valor até esse nível depende de os postos de combustível esgotarem o estoque de diesel comprado antes de 1º de junho, quando a Petrobras ainda não havia reduzido o preço nas refinarias.

Outro fator para se chegar aos R$ 0,46, de acordo com o ministro, é os estados aplicarem a redução do valor do diesel na pauta de tributação (tabela) do ICMS. Ele afirmou que isso deve acontecer até o dia 15.

Fonte: G1

APROBIO – Nota de Esclarecimento

Nota de Esclarecimento da APROBIO Associação de Produtores de Biodiesel do Brasil

A APROBIO repudia veementemente que o Biodiesel seja empecilho para que as distribuidoras e postos de combustíveis reduzam o preço final do diesel em R$ 0,46, como acordado entre o Governo Federal e o movimento grevista dos caminhoneiros. Afirmações nesse sentido não têm fundamento e pressupõem falta de informação ou outros intuitos a serem esclarecidos.

Como amplamente divulgado pela imprensa, o Governo Federal baixou o PIS/Cofins e a Cide em R$ 0,16 por litro de combustível, além de oferecer subvenção de R$ 0,30. Tais reduções se refletem no preço do diesel A, de origem fóssil, na saída da refinaria. Ou seja, esse abatimento de R$ 0,46 pode ser repassado diretamente ao consumidor pelos revendedores sem prejuízo de suas margens de lucro, independentemente do nível de mistura de Biodiesel no produto final.

Outro ponto omitido pelos que resistem a conceder o desconto de R$ 0,46 é que o ICMS, tributo cobrado pelos Governos Estaduais, incide sobre o preço final do produto. Assim, também este imposto terá seu valor reduzido, já que o litro do diesel na bomba ficará pelo menos R$ 0,46 mais barato – dependendo do estado, essa redução no preço final pode ser ainda maior. Hoje, o ICMS médio do diesel, incluindo a mistura de 10% de Biodiesel atualmente em vigor, é de 16% e só pode ser alterada por decisão de cada Governo Estadual.

Em decisão que merece mais debate e explicações, o Governo Federal não concedeu as mesmas condições aos produtores de Biodiesel, um combustível verde com diversos benefícios ambientais e sociais: emissão de gases de efeito estufa 69% menor que o diesel fóssil, geração de emprego e renda para produtores rurais dos insumos do combustível e substituição de combustível importado por produto nacional, beneficiando a balança comercial e o PIB nacional.

Por sinal, o Biodiesel já tem uma política de reajuste de preços a cada 60 dias, como reivindicaram os caminhoneiros em relação ao custo final do diesel na bomba dos postos. Ou seja, mais uma vez constata-se ser injusto e indevido atribuir ao Biodiesel qualquer entrave a uma política de preços de maior previsibilidade aos agentes econômicos, ao contrário do que vinha ocorrendo com o diesel fóssil.

Cabe observar, ainda, que em muitos estados o Biodiesel é mais barato que o diesel fóssil, em função das condições de produção e logística. O Centro-Oeste é um exemplo, visto que a região é grande produtora da soja, insumo de cerca de 70% do Biodiesel nacional, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relativos ao mês de março. A APROBIO e demais representantes do setor inclusive propuseram ao Governo Federal a adoção da mistura B15 (15% de biodiesel acrescido ao diesel fóssil) nos estados do Centro-Oeste de maneira imediata, o que resultaria em combustível R$ 0,13 mais barato no preço cobrado na bomba dos postos.

Está claro, portanto, que é infundada qualquer tentativa de atribuir ao Biodiesel a responsabilidade pela decisão dos revendedores de combustível de não cumprir com o acordo de redução do preço do diesel em R$ 0,46. Ao contrário, o Biodiesel vem cumprindo um importante papel econômico, social e ambiental no Brasil, e tem plena capacidade produtiva e tecnológica de contribuir para uma matriz de combustíveis mais limpa e eficiente.

Erasmo Carlos Battistella
Presidente da APROBIO

Governo diz que país caminha para normalidade com fim da greve dos caminhoneiros

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) – Após 11 dias de bloqueios e manifestações de caminhoneiros por rodovias de todo país, o governo anunciou nesta quinta-feira(31/5) que o Brasil está retornando à normalidade com o fim da paralisação da categoria, que teve suas principais demandas atendidas por meio de um pacote com impacto bilionário.

Pela primeira vez, desde o início da paralisação dos caminhoneiros em 21 de maio, não houve registro de pontos de aglomeração de pessoas e veículos, ou qualquer outra anormalidade no fluxo normal de veículo, em estradas do país, de acordo com balanço da Polícia Rodoviária Federal, por volta do meio-dia desta quinta-feira.

“Brasil está rodando e voando normalmente”, afirmou o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, a jornalistas, após reunião no Palácio do Planalto do grupo instaurado pelo governo para acompanhar a situação do desabastecimento provocado pela paralisação.

“Hoje de manhã operações importantes foram levadas a efeito, trazendo as últimas boas notícias. Nós terminamos o dia ontem e iniciamos hoje com o país voltando à normalidade”, acrescentou.

O ministro reconheceu que o cenário ainda é de “filas em alguns lugares”, mas considerou que não houve “interrupção dramática” nos abastecimento de gêneros de primeira necessidade.

O movimento dos caminhoneiros, que no auge das paralisações chegou a realizar mais de 1.000 bloqueios em estradas de todos os Estados e no Distrito Federal, provocou um desabastecimento generalizado e afetou diversos setores da economia. Voos foram cancelados, filas gigantescas se formaram em postos de gasolina e muitas empresas chegaram a interromper a produção.

A greve começou a perder força na segunda-feira, depois que um segundo acordo proposto pelo governo, desta vez atendendo à maior parte das demandas dos caminhoneiros após uma recusa inicial da categoria a uma proposta anterior, e finalmente representantes do movimento recomendaram o fim da paralisação.

Os caminhoneiros em greve vinham mantendo resistência em encerrar o movimento mesmo após o governo acionar o uso das Forças Armadas para desbloquear rodovias e ameaçar impor multas a quem se recusasse a desobstruir as vias.

A principal concessão feita pelo governo foi a redução do preço do litro do óleo diesel em 46 centavos até o fim do ano por meio de redução de impostos e por uma subvenção de 9,5 bilhões de reais da União, que irá ressarcir a Petrobras <PETR4.SA> por perdas com o diesel.

Para tapar o buraco, o governo anunciou uma série de medidas, como reduções de benefícios tributários para exportadores, empresas de refrigerantes e petroquímicas, além de cortes de gastos públicos em áreas como saúde e educação.

Na avaliação do governo, a paralisação dos caminhoneiros teria chegado ao fim antes não fosse por um locaute promovido por empresas distribuidoras de combustíveis e transportadoras que se aproveitaram do movimento para realizar um locaute, quando empresários impedem funcionários de trabalhar, para aumentar seus ganhos.

O Porto de Santos, o maior da América Latina, voltou a ter movimentação de cargas nesta manhã por meio de uma operação coordenada pelo Exército, após vários dias seguidos de bloqueios, e cerca de 70 por cento do abastecimento de combustível do país já tinha voltado ao normal, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No entanto, um representante da operadora de logística Maersk Line disse que o acesso a Santos havia sido liberado, mas os portões continuavam fechados. “Vimos algumas importações-chave sendo liberadas de terminais no complexo de Santos. Ainda assim, esperamos que os volumes de exportações do Brasil continuarão sendo seriamente impactos pelas próximas semanas”, disse Antonio Dominguez, diretor para da costa leste da América do Sul da Maersk.

Nesta quinta-feira a Polícia Federal prendeu um empresário acusado de locaute no Rio Grande do Sul, na primeira operação resultante de investigações realizadas durante a paralisação.

Segundo o ministro Etchegoyen, não houve nenhum ato de violência por parte do governo no emprego da força contra aqueles que sabotaram o final da greve dos caminhoneiros. O ministro lamentou a morte de um caminhoneiro com uma pedrada lançada por um manifestante em Rondônia.

Ao participar de uma reunião com líderes evangélicos nesta quinta, o presidente Michel Temer ressaltou que não houve confrontos entre as forças de segurança e os grevistas, e ressaltou a importância do diálogo para solucionar a crise.

Temer disse que se sentia “iluminado por Deus” por participar de evento com religiosos no mesmo dia que o país começava a retornar à normalidade. “Acho que fui chamado no dia de hoje iluminado por Deus… para comemorar a pacificação do país, acho que foi isso que nós fizemos”, afirmou.

PETROLEIROS

Além do fim da paralisação dos caminhoneiros, também foi anunciada nesta quinta-feira a suspensão da greve de 72 horas convocadas por petroleiros contra o que afirmam ser um processo de privatização da Petrobras <PETR4.SA>, assim como contra a política de preços adotada pela estatal.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) recomendou aos sindicatos da categoria o fim da greve depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) declarou a greve ilegal e estabeleceu multas de 2 milhões de reais por dia de paralisação.

De acordo com os sindicatos, 21 plataformas da Petrobras na Bacia de Campos –responsável por cerca de metade da produção de petróleo do Brasil– tinham aderido à greve, que também atingiu refinarias e terminais.

Em comunicado após o anúncio da FUP, a estatal confirmou que a greve de petroleiros acabou e que todas suas unidades estão operando, acrescentando que não houve impacto sobre a produção e nem risco de desabastecimento.

ANP diz que 70% do abastecimento de combustível no país voltou ao normal

Cerca de 70 por cento do abastecimento de combustíveis do país voltou ao normal com o enfraquecimento da paralisação dos caminhoneiros, e a Região Sul é a que ainda tem mais atrasos na distribuição, disse neste sábado o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Aurélio Amaral.

Segundo Amaral, ainda há bloqueios em estradas nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. “Os dois estão liderando manifestações e por lá tem mais problemas do que no resto do Brasil”, disse o diretor da ANP à Reuters.

De acordo com balanço da Polícia Rodoviária Federal deste sábado, foram registrados apenas nove pontos em todo país com pequenas aglomerações de pessoas e veículos localizadas em locais próximos às rodovias federais, sendo oito deles no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

No auge das paralisações dos caminhoneiros foram registrados mais de 1.000 bloqueios em estradas em todos os Estados do país, o que provocou um desabastecimento generalizado e afetou diversos setores da economia.

O diretor da ANP estimou que a situação do abastecimento deve estar totalmente normalizada durante o fim de semana.

“Não temos mais nenhuma localidade em nível vermelho, agora só em estado de atenção“, afirmou. “Ainda falta produto em algumas localidades especialmente no Sul, mas já estão recebendo combustível“.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

Fonte: Reuters

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