Para convencer adultos do aquecimento global é necessário educar as crianças

Um novo estudo norte-americano mostra que a melhor forma de convencer adultos resistentes à ideia do aquecimento global é educando as crianças, e enconrajando-as a conversar com os pais e responsáveis sobre o assunto.

A pesquisa analisou o impacto da educação climática em 238 famílias com crianças entre 10 e 14 anos. Os alunos participaram de quatro atividades de sala de aula explorando a mudança climática e uma atividade baseada na aprendizagem, enquanto seus responsáveis foram convidados a explorar os projetos, além de serem entrevistados pelas crianças. As perguntas envolviam quaisquer mudanças climáticas que notaram durante a vida, como a elevação do nível do mar ou alterações na temperatura.

Testes sobre a preocupação dos adultos com o aquecimento global foram feitos antes e depois da atividade. Notavelmente, os pais que participaram da atividade mostraram um aumento na preocupação com o meio ambiente, enquanto um grupo controle — que não participou das atividades escolares — manteve a forma como pensava.

“Este modelo de aprendizagem intergeracional fornece um benefício duplo”, disse a principal autora do artigo, Danielle Lawson, à Scientific American. “[Prepara] as crianças para o futuro, uma vez que vão lidar com o peso do impacto das mudanças climáticas. E capacita-os a ajudar a fazer a diferença na questão agora, fornecendo-lhes uma estrutura para ter conversas com as gerações mais velhas para nos unir para trabalhar na mudança climática.”

A especialista acredita que as conversas sobre mudanças climáticas foram mais fáceis devido ao nível de confiança entre pais e filhos, o que não existe necessariamente entre dois adultos. Os autores também notaram que as meninas foram mais persuasivas que os meninos, e sugerem que as alunas podem ser mais preocupadas e se comuniquem melhor nessa faixa etária.

A publicação, contudo, não mediu alterações no comportamento das famílias, mas, para Lawson, fornece a esperança de “que se pudermos promover essa construção de comunidade e de conversas sobre as mudanças climáticas, podemos nos unir e trabalhar juntos em uma solução”.

Os autores do artigo, no entanto, ressalta que essa não é uma questão necessariamente política. “É sobre educação, não ativismo, e as crianças são ótimas educadoras”, relatou Kathryn Stevenson, co-autora do NC State, em um comunicado à imprensa. “Eles parecem ajudar as pessoas a considerar criticamente maneiras pelas quais estar preocupado com a mudança climática pode estar alinhado com seus valores”.

Fonte: Revista Galileu

Prova significativa dos danos da poluição

EM CRIANÇAS

Dados de 205 pesquisas mostram efeitos fisiológicos e psicológicos

Um estudo realizado por cientistas do Centro de Saúde Ambiental Infantil da Colômbia reuniu um número significativo de evidências dos efeitos prejudiciais da poluição do ar na saúde de crianças. O artigo, publicado recentemente na revista especializada Environmental Research, é a primeira revisão abrangente sobre o tema e revela os impactos da combustão dos combustíveis fósseis em meninos e meninas, incluindo o comprometimento do desenvolvimento cognitivo e a maior vulnerabilidade a cânceres.

“Há uma extensa evidência sobre os muitos danos da poluição do ar na saúde das crianças. Nosso trabalho apresenta essas descobertas de uma maneira que é conveniente ao apoio de políticas de ar limpo e de mudanças climáticas que protejam a saúde delas”, frisa Frederica Perera, diretora do centro e professora de ciências da saúde ambiental.

A equipe revisou 205 estudos publicados entre 1º de janeiro de 2000 e 30 de abril de 2018, que tinham informações sobre a relação entre a concentração de exposições a poluentes do ar e os efeitos na saúde. Os estudos referem-se a subprodutos da queima de combustíveis, como material particulado (PM2.5), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH) e dióxido de nitrogênio (NO2) – todos tóxicos para o corpo humano.

Uma tabela desenvolvida pelos autores fornece informações sobre o risco à saúde para cada tipo de exposição, com base nas pesquisas que abrangeram seis continentes. Eles acreditam que o modelo pode influenciar na decisão de medidas voltadas para o púbico específico. “As políticas para reduzir as emissões de combustíveis fósseis têm dois propósitos: diminuir a poluição do ar e mitigar as mudanças climáticas, com benefícios econômicos e de saúde combinados. Mas como apenas alguns resultados adversos em crianças são considerados, os formuladores de políticas públicas ainda não enxergam a extensão dos benefícios potenciais das políticas de ar limpo e de mudança climática particularmente para a infância”, explica Frederica Perera.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 40% da carga de doenças relacionadas ao meio ambiente e cerca de 90% da carga da mudança climática são suportadas por crianças que têm no máximo 5 anos de idade, embora essa faixa etária constitua apenas 10% da população mundial.

Gravidez interrompida

Pesquisadores da Universidade de Utah Health descobriram que as mulheres têm o risco de sofrer um aborto espontâneo aumentado em 16% após a exposição de curto prazo à elevada poluição do ar. O estudo considerou dados de mais de 1.300 voluntárias, com em média 28 anos e atendidas em hospitais do estado americano devido à interrupção não desejada da gravidez até a vigésima semana. Aquelas que haviam sido expostas a níveis elevados de dióxido de nitrogênio durante uma janela de sete dias apresentaram risco aumentado de perder o filho. Detalhes do trabalho foram divulgados, neste mês, na revista Fertility and Sterility.

Fonte: Correio Braziliense

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