Reunião preparatória para COP25 começa sob alerta de emergência climática

O SB50, a reunião preparatória para a conferência do clima de Santiago (COP25), começou nesta segunda-feira (17) em Bonn, Alemanha, com o tradicional descasamento entre a urgência em atacar a crise do clima e a modorra das discussões técnicas.

A urgência foi reforçada na última sexta-feira por uma das poucas lideranças ambientais que sobraram no planeta após a ascensão da extrema-direita: o papa Francisco. O chefe da Igreja Católica se reuniu com investidores da indústria fóssil em Roma e declarou que o mundo está numa “emergência climática” e que falhar em agir imediatamente seria “um brutal ato de injustiça com os pobres e as futuras gerações”.

A mensagem papal foi ecoada pela secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, a mexicana Patricia Espinosa. Numa entrevista coletiva após a abertura da reunião, ela voltou a usar a expressão “emergência climática” e disse que o mundo precisa começar a agir imediatamente para se tornar carbono neutro em 2050. “Nós estamos literalmente numa emergência climática e esta é a batalha das nossas vidas”, disse. “A única opção que temos hoje é caminhar para um futuro de baixas emissões.”

Espinosa também fez referência indireta ao movimento de estudantes iniciado pela adolescente sueca Greta Thunberg, e que já levou a duas greves globais pelo clima. Em maio, 1,5 milhão de crianças e jovens foram às ruas em 120 países, inclusive no Brasil, para repetir a mensagem que Thunberg deu a líderes globais no Fórum Econômico Mundial: “Nossa casa está pegando fogo e eu quero que vocês entrem em pânico”.

“Se seu filho chega na cozinha e diz que tem um incêndio na casa todo mundo vai tomar providências. É isso o que os jovens estão dizendo hoje”, afirmou Espinosa.

Greta Thunberg no parlamento europeu. Foto: European Parliament/Flickr.

A primavera na antiga capital alemã se despede com forte calor: nesta terça-feira a previsão é de que a temperatura chegue a 30ºC. Dentro das salas de reunião onde os diplomatas conduzem as negociações técnicas, porém, o clima é morno, quase frio. A Arábia Saudita já começou o encontro querendo impedir que o relatório do IPCC sobre aquecimento global de 1,5ºC (aquele que diz que temos apenas 11 anos para evitar que a estabilização das emissões em 1,5ºC seja perdida) fosse discutido em Bonn.

Por pressão saudita, americana e venezuelana, o relatório acabou não sendo acolhido no livro de regras do Acordo de Paris, negociado no ano passado na Polônia. Há em Bonn a intenção de dar mais destaque ao alerta dos cientistas na implementação do acordo, que será objeto da COP25. Os árabes não querem. Mas Argentina, Brasil e Uruguai fizeram uma manifestação defendendo a discussão do documento e ganharam a parada.

Os debates em Bonn serão travados em torno de dois temas principais. Um é o financiamento ao combate à mudança do clima. O mundo está a um ano do prazo para os países desenvolvidos começarem a botar US$ 100 bilhões por anos em finança climática a partir de 2020. “Nem todos cumpriram a promessa, então precisamos lembrá-los do compromisso porque estamos a apenas um ano da meta”, disse Espinosa.

O segundo e mais conflituoso tema é o dos mercados de carbono, principal item do livro de regras do Acordo de Paris que ficou sem conclusão. No ano passado, na COP de Katowice (Polônia), esse item, previsto no artigo 6 do Acordo de Paris, foi bloqueado pelo Brasil, o que estendeu a COP24 em dois dias. Terminou em impasse e com o Brasil sendo visto como vilão nesse tema. O principal resultado esperado de Bonn é avançar na negociação técnica do artigo 6 para que ele possa ser adotado na COP de Santiago.

“Pelo Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, qualquer país, governo local ou mesmo empresa que adote ações de redução de emissões pode vender esse resultado como crédito de carbono.”

A briga está em torno do item 4 do artigo 6, que cria o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um substituto para o MDL, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, acordo antecessor de Paris. Pelo MDS, qualquer país, governo local ou mesmo empresa que adote ações de redução de emissões pode vender esse resultado como crédito de carbono.

O Brasil diz que esses resultados devem ser adicionais, ou seja, avançar além, das metas nacionais (NDCs) submetidas à Convenção do Clima. Mas tem se recusado a admitir que compradores desses créditos façam os chamados “ajustes correspondentes” em suas metas para evitar dupla contagem. Alguns países têm acusado o Brasil de querer com isso empurrar créditos do MDL, de que o Brasil era um grande vendedor, para o MDS. Os negociadores brasileiros dizem que estão interessados apenas na integridade ambiental do mecanismo.

Falando nesta segunda-feira em nome do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), o chefe da delegação brasileira, Leonardo Cleaver, disse que o grupo está interessado em concluir em Santiago a negociação do artigo 6, de forma a “mandar uma mensagem forte para o setor privado”. Ele afirmou, porém, que está faltando em Bonn um compromisso mais firme dos países desenvolvidos com o financiamento climático, conhecido no jargão diplomático pela expressão “meios de implementação”. “Falar de ambição sem prover meios de implementação é um ato oco.”

Fonte: O Eco

Cientistas renovam compromisso com o enfrentamento das mudanças climáticas

Pesquisadores refletem sobre dez anos de pesquisa e discutem estratégias para avançar no conhecimento e no convencimento da sociedade sobre as ameaças do aquecimento global

O recado da ciência é claro e já vem sendo dado há algum tempo: o aquecimento global é um problema real, causado pelo homem, com consequências climáticas gravíssimas, e que precisa ser atacado com urgência por todos os países, pelo bem da humanidade.

Mas nunca é demais repetir, o que muitos parecem não querer ouvir: “Estamos numa situação de emergência planetária, ponto”, diz o especialista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e co-coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, que recentemente completou dez anos e agora busca renovar sua agenda de pesquisa para a próxima década.

Criado em agosto de 2008, o programa multiplicou por cinco os investimentos da Fapesp em pesquisas sobre mudanças climáticas, de uma média de aproximadamente R$ 4 milhões por ano até 2007, para mais de R$ 20 milhões anuais, desde 2008. O resultado foi um aumento igualmente expressivo da produção científica paulista sobre o tema, de aproximadamente 15 artigos publicados por ano em 2007 para 280 artigos, em 2018 (Figuras 1 e 2); grande parte deles feita em parceria com pesquisadores de outros Estados e países.

“Uma característica dessa área é que ela envolve muita colaboração”, destacou o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, em entrevista ao Jornal da USP. Entre os resultados científicos de maior destaque do programa, segundo ele, estão as previsões de aumento do nível do mar no litoral paulista e a caracterização dos chamados “rios voadores” da Amazônia, que levam umidade da floresta para outras regiões do Brasil.

Figura 1: Valores contratados pela Fapesp para pesquisas sobre mudanças climáticas globais. Figura 2: Evolução da produção científica de autores baseados em São Paulo sobre o tema das mudanças climáticas globais. Em ambos os gráficos é possível notar o aumento a partir de 2008 – Fonte: Diretoria Científica, Fapesp

Ainda assim, mesmo após uma década de pesquisa, ainda há muitas lacunas a serem preenchidas. Razão pela qual centenas de pesquisadores se reuniram na semana passada (dias 20 e 21), na sede da Fapesp, para fazer uma reflexão sobre a primeira década do programa e, em cima disso, iniciar um processo de revisão e planejamento de prioridades para os próximos dez anos.

Além da necessidade de aprofundar o conhecimento científico sobre diversos fenômenos naturais ligados às mudanças climáticas, um dos principais desafios identificados pelos pesquisadores na reunião foi a necessidade de uma melhor comunicação com a sociedade (e com seus atores econômicos e políticos) sobre os riscos e os impactos associados a essas mudanças — principalmente no que diz respeito aos impactos locais e sociais, que afetam diretamente a vida das pessoas.

“Vocês acham que alguém vai mudar seu estilo de vida por causa de urso polar?”, desafiou o médico Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) e professor da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ele, a ciência precisa inovar na forma de se comunicar com a sociedade sobre o tema das mudanças climáticas, apostando em narrativas que combinem desafios globais com benefícios locais e individuais. Por exemplo, destacando os efeitos da poluição urbana sobre a saúde pública. “As pessoas mudam de comportamento mais quando vão para a UTI do que para a igreja”, disse. “Temos que fazer a mensagem chegar no cidadão, se não vamos continuar sempre pregando para convertidos.”

Acima, as zonas noroeste (em verde) e sudeste (azul) de Santos serão as mais afetadas pela elevação do nível do mar, segundo pesquisa publicada em 2018 – Fotos: Reprodução Google Earth / Projeto Metrópole via revista Pesquisa Fapesp
Simulações de inundação por elevação do nível do mar em Santos – Fotos: Reprodução Google Earth / Projeto Metrópole via revista Pesquisa Fapesp

“Precisamos de excelência na ciência e também na comunicação com a sociedade, que sofre os impactos desse fenômeno”, disse Brito Cruz, segundo a Agência Fapesp. “Não é questão de opinião, é uma questão comprovada por pesquisa, medição, teste e verificação há muitos anos por cientistas em todo o mundo. O que eu percebo é que nós, brasileiros, mas também cientistas americanos, franceses e ingleses, não estamos conquistando os corações e mentes.”

Fator humano

Pesquisadores de diversas áreas, da biologia marinha à agricultura, exaltaram a necessidade de uma maior interação com as ciências sociais, no sentido de olhar não somente para a atmosfera, para os oceanos e as florestas, mas também para os seres humanos, e para a maneira como eles interagem com esses sistemas naturais — uma interação que muitas vezes passa despercebida, pelo fato da maior parte das pessoas viver hoje nas cidades.

José Antonio Puppim de Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas, especialista em economia política do desenvolvimento sustentável, destacou que mais de 70% das emissões de carbono no mundo estão ligadas a atividades de produção e consumo nas cidades. O Estado de São Paulo, por exemplo, é o maior consumidor de madeira tropical do mundo, o que acaba contribuindo para o desmatamento da Amazônia e para as emissões de carbono resultantes desse desmatamento.

O enfrentamento do aquecimento global, portanto, passa obrigatoriamente por uma série de mudanças nos padrões de comportamento social, econômico e político, que equivalem a uma “revolução copernicana no funcionamento do mundo”, disse a pesquisadora Marta Arretche, professora do Departamento de Ciência Política e diretora do Centro de Estudos da Metrópole da USP. Mudanças estas que, segundo ela, costumam ocorrer num ritmo muito mais lento do que o necessário para responder ao desafio imediato das mudanças climáticas. “A literatura mostra que apenas em situações de guerra há mudanças estruturais de comportamento capazes de gerar respostas rápidas”, disse. A situação é agravada aqui pelo fato de que “a maior parte das cidades brasileiras ainda está no século 19”, destacou Marta, mostrando mapas do atraso nacional na universalização de serviços básicos, como coleta de esgoto e tratamento de água.

Torre Atto ajuda nos estudos sobre mudanças climáticas na Amazônia. Vários estudos feitos na torre são financiados pela Fapesp – Foto: Divulgação / Ascom Inpa

No ambiente rural também é preciso trabalhar com novas narrativas e novas abordagens de pesquisa, disse o pesquisador Giampaolo Pellegrino, coordenador do Portfólio de Pesquisa em Mudanças Climáticas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo ele, é importante que as pesquisas busquem não apenas identificar novos problemas, mas também apresentar soluções para os problemas que já são conhecidos e que impactam diretamente a vida do produtor rural.

“O que comove o agricultor não é baixar emissões de carbono, é se manter na atividade; é produzir”, disse Pellegrino, criticando o uso de narrativas que simplesmente jogam a culpa pelo aquecimento global na agricultura. Do ponto de vista técnico, ele cobrou o desenvolvimento de modelos climáticos mais customizados ao cenário brasileiro. “Somos muito prejudicados pelos modelos globais do IPCC que não refletem a realidade nacional”, disse, referindo-se ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas — colegiado internacional de cientistas que estuda o tema, vinculado às Nações Unidas.

Modelagem

A necessidade de melhorar a capacidade de modelagem nacional foi um dos tópicos prementes da reunião, que certamente aparecerá na lista de prioridades do programa para os próximos anos. “A ciência das mudanças climáticas está cada vez mais baseada em modelos”, disse o pesquisador Marcos Heil Costa, coordenador do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Hoje em dia tudo é modelagem”, afirmou. O termo refere-se ao uso de computadores para simular sistemas complexos e, dessa forma, fazer diagnósticos e previsões sobre o comportamento do clima e outras variáveis.

Costa também enfatizou a necessidade da busca de soluções. “A gente já sabe que o cenário é catastrófico”, disse. O desafio maior agora, segundo ele, é encontrar maneiras de evitar que essas mudanças catastróficas aconteçam, ou pelo menos se adaptar a elas. “Como desviar dessa bala? A gente ainda não tem essa resposta.”

Gases de combustão lançados por chaminés – Foto: Pixabay-CC

O físico José Goldemberg destacou a necessidade de zelar pela sustentabilidade da matriz energética brasileira, que teve sua reputação parcialmente manchada nos últimos anos pela “má gestão dos reservatórios” das hidrelétricas — forçando, por consequência, o acionamento de usinas termelétricas, movidas a combustíveis fósseis, com alta emissão de carbono. Algumas hidrelétricas recentes foram feitas de forma “desastrosa”, segundo ele, incluindo a de Belo Monte, na Amazônia. Para Goldemberg, o aumento da população e da demanda por energia elétrica representa uma encruzilhada para o País: ou melhora-se o planejamento e o gerenciamento das hidrelétricas (energia limpa), ou aumenta-se o uso de termelétricas (energia suja). “É um problema científico”, disse.

Os biocombustíveis também não poderiam ficar fora do cardápio. Um estudo publicado no ano passado estimou que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro tem potencial para substituir cerca de 14% do petróleo consumido no mundo atualmente, sem competir por terras com a produção de alimentos ou a conservação ambiental. “Os biocombustíveis têm de ser considerados seriamente para uma transição rápida (da matriz energética)”, disse a pesquisadora Glaucia Souza, professora do Instituto de Química da USP e coordenadora do Programa Fapesp de Bioenergia (Bioen).

Planejamento

Ao final das apresentações, os cientistas se reuniram em cinco grandes grupos temáticos para a produção de relatórios, com recomendações, que serão discutidas numa série de workshops ao longo dos próximos dois meses, para a concepção do novo “plano científico” do programa.

Usina termoelétrica em Camaçari, Bahia – Fotos Gov/Ba via Wikimedia Commons

A revisão ocorre num momento de mudanças significativas no posicionamento político do Brasil sobre o tema das mudanças climáticas, no sentido de minimizar ou até mesmo negar a gravidade do problema. Seguindo o exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro criticou diversas vezes o Acordo de Paris (acordo internacional de combate ao aquecimento global) e, antes mesmo de tomar posse, retirou a oferta do Brasil de sediar a reunião deste ano da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 25). Uma atitude que repercutiu muito mal no cenário internacional, segundo Thelma Krug, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente do IPCC. “Foi uma sinalização muito negativa”, disse. “Agora temos que tentar melhorar nossa imagem lá fora. Não está fácil.”

Em contraponto a alguns de seus colegas de Esplanada, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, disse em entrevista ao Jornal da USP que as mudanças climáticas representam “um dos maiores desafios da humanidade” e que o Brasil não pode se dar ao luxo de ignorá-las. “Está claro para nós que esse problema vai muito além da questão ambiental”, disse o coordenador geral de Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Márcio Rojas da Cruz, que acompanhou a reunião da Fapesp. O papel da ciência nesse processo, segundo ele, “é capital”.

Fonte: Jornal da USP

França quer Bolsonaro comprometido na luta contra aquecimento global

A França espera que o futuro governo do Brasil continue comprometido com a luta contra o aquecimento global.

O comentário do governo francês foi emitido após o presidente eleito Jair Bolsonaro ter renunciado a organizar a cúpula sobre o clima COP 25 em 2019, registra o “UOL“.

Ao apresentar as prioridades da presidência francesa do G7 em 2019, O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, declarou:

Contamos com o Brasil para que continue junto a nós comprometido com este desafio mundial, junto com o México e tantos outros sócios latino-americanos.

O Brasil desistiu, no fim de novembro, de organizar a COP 25 em 2019, uma decisão na qual participou o futuro chefe do Executivo, cético em relação à agenda globalista.

Bolsonaro explicou que a cúpula custaria meio bilhão aos cofres públicos e ainda ressaltou o fato de que o evento poderia forçar o Brasil a seguir o mesmo caminho diplomático de governos anteriores, sem um período de “análise e estudo”, conforme noticiou a Renova.

Fonte: Renova Mídia

COP24: países definem regras para implementar Acordo de Paris

Com a adoção das regras a partir de 2020, as nações signatárias deverão trabalhar juntas para enfrentar o aquecimento global sob o Acordo de Paris

Os representantes de mais de 150 países que se reuniram na Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP24), em Katowice, na Polônia, definiram executar uma série de regras que permitem a implementação do Acordo de Paris. A decisão foi unânime.

Com a adoção das regras a partir de 2020, as nações signatárias deverão trabalhar juntas para enfrentar o aquecimento global sob o Acordo de Paris.
Pelas medidas aprovadas, todas as nações, incluindo os países em desenvolvimento, devem detalhar os esforços em curso para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O primeiro relatório deve ser apresentado até o final de 2024.
Outra decisão é que as nações industrializadas informem às Nações Unidas a ajuda financeira que planejam fornecer aos países em desenvolvimento. Esses relatórios devem ser apresentados a cada dois anos. Este item ainda pode ser modificado.
As nações insulares e alguns outros países queriam metas mais elevadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Mas os participantes não concordaram com esse artigo.
COP25
O Chile será o país-sede da COP25, marcada para o período de 11 a 22 de novembro de 2019. Inicialmente, a conferência estava prevista para ocorrer no Brasil. Mas o governo brasileiro abriu mão da organização do evento por “restrições fiscais e orçamentárias”. Em sua conta no Twitter, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou ontem (15) que sua administração abriu mão de sediar “a Conferência Climática Mundial da ONU pois custaria mais de R$ 500 milhões ao Brasil”.
A organização do evento fica sempre a cargo de uma região diferente, de maneira rotativa, e no ano que vem será a vez da América Latina – neste ano, a cúpula foi realizada no Leste Europeu.
*Com informações da NHK, agência pública de notícias do Japão // Colaborou Ana Cristina Campos

Brasil assina declaração de apoio ao Acordo de Paris em reunião informal entre líderes dos Brics

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reafirmaram compromisso com a ‘plena implementação do Acordo de Paris’.

Os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul assinaram nesta sexta-feira (30) uma declaração conjunta na qual, entre outros pontos, se comprometem com a “plena implementação do Acordo de Paris”. O encontro dos Brics ocorreu paralelamente à cúpula do G20.

O gesto do atual presidente Michel Temer marca posição distinta em relação ao governo eleito. No começo de setembro, durante a campanha eleitoral, Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris(assinado por 195 países com o objetivo de reduzir o aquecimento global) porque, no entendimento dele, o Brasil teria de abrir mão de 136 milhões de hectares na Amazônia e isso afetaria a soberania nacional.

Na quarta (28), Bolsonaro voltar a citar o tema da soberania com a justificativa da chamada teoria do “Triplo A”. O presidente eleito ainda afirmou que pediu a retirada do Brasil como sede da COP 25.

Declaração dos Brics

Na declaração, os presidentes dos Brics mostraram expectativa quanto ao Programa de Trabalho do Acordo de Paris durante a COP-24, que começa na próxima semana na Polônia.

Além do presidente brasileiro, participaram da reunião líderes dos outros quatro países dos Brics: Putin (Rússia); Cyril Ramaphosa (África do Sul); Xi Jinping (China) e Narendra Modi (Índia).

“Com respeito à mudança do clima, comprometemo-nos à plena implementação do Acordo de Paris, adotado sob os auspícios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, incluindo os princípios das responsabilidades comuns porém diferenciadas e das respectivas capacidades, e instamos os países desenvolvidos a proverem aos países em desenvolvimento apoio financeiro, tecnológico e de capacitação, para aumentar suas capacidades de mitigação e adaptação. Invocamos todos os países a atingirem um resultado equilibrado sob o Programa de Trabalho do Acordo de Paris durante a COP-24, que permita a operacionalização e a implementação do Acordo de Paris. Ressaltamos a importância e a urgência de conduzir um primeiro processo bem-sucedido e ambicioso de reabastecimento do Fundo Verde do Clima.”

Último discurso

Durante a reunião, Temer fez seu último discurso defendendo a união dos cinco países contra o que chamou de desafios “que passam por tendências ao protecionismo”.

“Passados 10 anos daquela crise economia [de 2008] enfrentamos mais uma vez momentos desafiadores. Não são os mesmos desafios, mas são desafios também coletivos, que passam por tendências ao protecionismo, ao isolacionismo e ao unilateralismo e que portanto exigem como antes respostas coletivas. Exigem que nos mantenhamos apegados à mesma ideia singela mas poderosa, ideia singela de unirmos esforços”, disse Temer.

Fonte: G1

COP-24 quer regular Acordo de Paris

Com a missão de criar um plano de ação para implementar o Acordo de Paris, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-24, foi aberta neste domingo, 2, em Katowice, na Polônia. O encontro, que seguirá até o dia 14, reúne cerca de 30 mil delegados de 197 países.

“Não devemos esquecer as razões pelas quais estamos aqui. Estamos aqui para articular a ação global contra mudanças climáticas. Nenhum governo sozinho pode resolver esse problema. É hora de dar vida ao Acordo de Paris”, declarou o polonês Michal Kurtyka, presidente da COP-24, na abertura.

Assinado em 2015, o Acordo de Paris tem o objetivo de conter as emissões de gases de efeito estufa e manter o aumento da temperatura do planeta abaixo de 2ºC, se possível em até 1,5°C. No centro da COP deste ano está o financiamento das ações necessárias, considerando a meta de doação de pelo menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 386 bilhões) por ano de países desenvolvidos para as nações de menor renda.

Entre as ações que devem ser promovidas está a proteção de ecossistemas que absorvem gases causadores do efeito estufa, como as florestas, além do fortalecimento de iniciativas de adaptação e de redução da vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas.

A organização da COP-24 também espera estimular que os países criem planos para iniciar o cumprimento das metas a partir de 2020, data estabelecida pelo Acordo de Paris. A expectativa é de que os países acordem como serão feitos os registros e como os governos reportarão suas emissões de gases de efeito estufa.

Neste ano, a delegação brasileira, representada por integrantes do Itamaraty, do Ministério do Meio Ambiente, da academia e da sociedade civil, está menor e, para especialistas, deverá ter uma atuação diferente da dos anos anteriores, em razão das posições do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e da desistência do futuro governo de sediar, em 2019, a COP-25.

“A delegação brasileira vai estar profundamente constrangida e inibida com a situação. E o Brasil, que sempre foi vanguarda nos processos negociadores, sempre teve um grande papel de articulação dos outros países, possivelmente será o mais discreto possível”, afirma o coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Alfredo Sirkis.

Para ele, a COP deste ano terá importância política. Sirkis afirma que terão peso durante as discussões o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos sairão do Acordo de Paris, além de aceno semelhante feito por Bolsonaro.

Também deve influenciar o clima político a recém realizada reunião do G-20 em Buenos Aires. Nela, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que os acordos comerciais do seu país estão condicionados ao compromisso dos governos da América Latina em relação ao Acordo de Paris. Na ocasião, os presidentes dos países latino-americanos, entre eles Michel Temer, reforçaram a adesão ao Acordo de Paris.

De acordo com o secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, o Brasil apresentará 42 projetos de empresas e da sociedade civil que promovem baixas emissões de CO2. “Isso é muito inovador. Não vimos nenhum país trabalhando nessa linha, com número de casos tão vasto e tão diverso.”

Mendes também afirmou que serão apresentados “dados sólidos” da redução do desmatamento no País dos últimos dez anos. “Mesmo tendo variações, caímos de mais de 20 mil m2 (desmatados) para 7,9 mil m2 por ano.” No fim de novembro, o governo divulgou aumento de 13,7% no desmate entre agosto de 2017 e julho de 2018, em comparação ao ciclo anterior.

Tradicionalmente associada à exploração de carvão e à indústria pesada, a pequena Katowice, com 300 mil habitantes, foi a escolhida para sediar a COP-24. A mineração de carvão, principal base energética da Polônia, foi revitalizada no município, que se tornou referência por adotar novas tecnologias, modernizar o setor de negócios e atrair investimentos sustentáveis. Mesmo assim, a organização da COP-24 espera forte presença do lobby dos combustíveis. (Com agências internacionais).

Fonte: Istoé

Comissão sobre mudanças do clima debate candidatura do Brasil a sede da COP-25

A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) realiza na quarta-feira (8), a partir das 14h30, uma audiência pública para debater a candidatura do Brasil para sediar a Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (COP-25) em 2019. Será o quarto evento mundial sobre mudanças climáticas desde que o Acordo de Paris foi firmado, em dezembro de 2015.

Os países signatários do acordo se comprometeram a limitar as emissões de poluentes para conter o aumento da temperatura global em menos de dois graus Célsius. Um dos compromissos do Brasil é cortar 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025, e 43% até 2030.

A CMMC deve trabalhar para que o Brasil seja sede do evento. Essa é a sugestão do relator, senador Jorge Viana (PT-AC). Segundo ele, o Brasil tem todos os pré-requisitos para sediar um evento mundial como a COP e o país seria mais uma vez protagonista em assuntos ambientais.

Foram convidados para a reunião o embaixador José Antonio de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores; Thiago Mendes, secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente; Alfredo Sirkis, coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC); Sarney Filho, ex-ministro do Meio Ambiente e um representante da hidrelétrica Itaipu.

Candidatura

A proposta de o Brasil sediar a COP-25 foi feita em novembro, durante a última conferência do clima (COP-23), em Bonn, na Alemanha. No evento, o então ministro do Meio Ambiente Sarney Filho ofereceu o Brasil como sede da COP. A oferta foi registrada no final da COP-23 em documento divulgado no site da convenção (UNFCCC).

As Nações Unidas adotam um sistema de rodízio entre regiões do mundo para sediar conferências do gênero. Conforme regulamento da organização, a próxima deveria ocorrer em um país da América Latina e Caribe. Para isso, deve haver consenso no grupo.

Segundo a rede de entidades da sociedade civil Observatório do Clima, a Venezuela vem barrando todas as nomeações e indicações no âmbito da ONU que venham do chamado Grupo de Lima, conjunto de 14 países latino-americanos e caribenhos formado em 2017. O grupo não reconhece a Constituinte venezuelana e tem se manifestado contra a “ruptura da ordem democrática” na Venezuela. O Brasil participa do grupo junto a países como Peru, Chile e Colômbia.

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: 
http://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania:
senado.leg.br/ecidadania
Alô Senado (0800-612211) 

Fonte: Agência Senado

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