Brasil propõe estratégias para diminuição de CO²

O assunto “meio ambiente e mudanças climáticas” não poderá jamais ser desprezado. Basta ver que o planeta Terra é o mesmo há milhões de anos, e será ocupado por cerca de 10 bilhões de pessoas que disputarão espaços, ondas magnéticas, alimentos, água, ar, e que vai gerar monumentais volumes de lixo, além dos abissais desperdícios, como por exemplo, alimentos.

A 24° conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24) aconteceu na Polônia, em dezembro de 2018 – aliás, um dos países admirados, citado pelo nosso novo Chanceler Ernesto Araújo – e lá, o nosso secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, fez sucesso revelando o progresso brasileiro em ações concretas, por empresas e governo, registrando a diminuição do desmatamento nos últimos dez anos, que cai de 20 mil km² para 7,9 mil km² ao ano.

Nos termos do Acordo de Paris, todos os países se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C e o mais próximo possível de 1,5°C.

Temos muito a fazer nos nossos seis biomas: pampa, mata atlântica, caatinga, cerrado, pantanal e Amazônia. Estados como Mato Grosso e Tocantins têm decrescido o desmatamento ilegal de forma considerável, na casa de 80% nos últimos 15 anos.

Na Polônia, apresentamos 42 projetos, com a participação da sociedade civil, possibilitando diminuição da emissão de dióxido de carbono – CO². Dentre eles, que consideramos vital e estratégico para o Brasil, será o crescimento do sistema de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), e como o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli tem dito e trabalhado, o produtor rural do futuro será também produtor de água; um gestor da água com irrigação sustentável administrada.

Uma das iniciativas do Brasil não foi aprovada, que era criar um mecanismo de incentivo às ações da iniciativa privada sobre a diminuição do aquecimento global. Ideia com a qual concordo totalmente, pois a soma do PIB das cinco mil maiores corporações privadas do planeta as colocam dentro das três maiores economias do mundo.

E, sem dúvida, seremos cada vez mais dependentes de uma forte governança das corporações, que impactam hoje muito mais do que os governos.

Portanto, o Brasil precisa insistir no mecanismo de estímulo às iniciativas privadas na emissão de CO².

Fonte: Campo Grande News

Documentário mostra casos de brasileiros que sofrem hoje os impactos das mudanças climáticas

Se não bastassem os alertas dados pelos cientistas, se não bastassem os apelos da comunidade internacional para o Brasil não abandonar o Acordo de Paris, que em 2015 acordou planejamentos produtivos no sentido de baixar as emissões de gases do efeito estufa. Se não bastassem os sinais evidentes de dias mais quentes ou muito frios, secas que tornam solos inviáveis para a agricultura, tempestades e furacões que devastam tudo e tiram vidas humanas. Há quem ainda se dê o direito de negar o impacto das atividades humanas sobre as mudanças climáticas. Atribuir ao Sol a maioria dos problemas, remontar a eras passadas que já testemunharam o avanço do gelo sobre a superfície terrestre, é a opção dos negacionistas.

Estes preferem deixar tudo como está, sem mudanças de paradigma. Fecham os olhos e ouvidos às evidências que já submetem milhares de pessoas a uma vida cheia de privações por não conseguirem chamar a atenção de autoridades, ou mesmo da sociedade civil como um todo, para suas tragédias. Cada vez estão mais perto de nós os casos que mostram que aquele “amanhã” anunciado nos anos 80, por exemplo, pelo famoso Relatório Brundtland, também chamado de “Nosso Futuro Comum”, já chegou. É dever de todos, nem que seja por uma atitude solidária, dar atenção a esses relatos.

Com este objetivo, sete organizações da sociedade civil fizeram um documentário de 24 minutos chamado “O Amanhã É Hoje”, mostrado em dezembro, na Polônia, durante a Conferência das Partes sobre o Clima (COP24) convocada pelas Nações Unidas. Os efeitos das mudanças do clima sobre a vida de brasileiros, expostos na tela, são capazes de tirar o fôlego até dos menos sensíveis.

Para começar, falemos sobre desmatamento. Por mais cético que seja o cidadão, é impossível não perceber que o verde faz falta, mesmo nas cidades. Havia um descontrole sobre árvores derrubadas que chegaram a registrar 27 mil quilômetros quadrados/ano de desmatamento em 2004. O efeito de um bom patrulhamento e de informações sobre a necessidade, para os humanos, de manter a floresta em pé, sem visar somente ao lucro produzido pelas madeiras, acabou dando resultado. Até que, em 2012, comemorou-se uma baixa, dos 27 mil para 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento.

Ricardo Abramovay, professor titular de economia da FEA/USP, um dos entrevistados para o documentário, lembra que depois deste gol o país voltou a mostrar um desmatamento preocupante:

“De 2012 para cá, já estamos com 7 mil quilômetros quadrados de desmatamento. De julho a novembro de 2018 as queimadas na Amazônia cresceram 36%. E o Brasil, apesar do progresso que viveu (em termos ambientais) entre 2004 e 2012, hoje já é o sétimo maior emissor de gases do efeito estufa”, disse ele.

O cenário é triste, devastador. Um pequeno grupo de indígenas Krikati formou uma brigada voluntária contra incêndios e tem tido muito trabalho. O fogo se alastra com uma facilidade aterrorizante, estimulado pela falta de chuvas e pelo desmatamento. Isto, quando não é criminoso, como costuma acontecer também no Maranhão, mas em outra parte, onde as quebradeiras de coco babaçu ficam sem sua principal fonte de renda quando as palmeiras são queimadas por quem as considera apenas um entrave ao gado e à monocultura. Esta história é contada com detalhes nesta reportagem.

Em 2017 o país registrou mais de 275 mil incêndios, sendo 132 mil só na Amazônia. Celiana Krikati, a única mulher da brigada de sua aldeia, fala para a câmera do documentário e não consegue segurar as lágrimas, principalmente quando se lembra da precariedade de ferramentas de que dispõem para combater o fogo:

“O fogo estragou áreas de cultivo, de caça, de pesca. A gente combatia o fogo com chinelos, chiteiras. A gente ainda não tem todo o material completo, estamos lutando por isso. Não recebemos recursos, a brigada é constituída por pais de família e está sendo protetora da terra indígena. Tudo isso é um trabalho que é do estado porque esse risco também é para a comunidade.”

A Terra Indígena Krikati sofre com as queimadas há tempos. Incêndios levaram embora, de 2009 a 2011, 60% das aldeias.

De Norte a Sul, os impactos das mudanças climáticas já alcançam os brasileiros. Esta é a principal mensagem do documentário, que foi também ouvir a agricultora Maria José Rocha, de São José do Egito, no sertão de Pernambuco. Ela sobreviveu a seis anos de uma seca cruel, que levou dali as chances de bons cultivos. Havia árvores frutíferas, cabras…

“A gente via os animais morrendo sem poder fazer nada. Tentávamos dar, mesmo de graça, mas ninguém queria porque ninguém tinha condições de alimentá-los ou dar-lhes água. Isso foi em 2012, quando felizmente, ao menos, as crianças não morreram. Tínhamos o dinheiro do Bolsa Família que nos ajudava a comprar água”, disse ela.

Da seca às enchentes. Ouve-se também o drama de quem viveu a tormenta em Nova Friburgo, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro, que em 2011 foi devastada por temporais que deixaram centenas de mortos. No litoral catarinense, os produtores de ostras dão conta mudanças no nível do mar que põem em risco seus negócios.

“A situação mais gritante (que dá conta de mudanças climáticas) é a não presença do vento Sul. Antigamente, há cerca de três décadas mais ou menos, a gente costumava dizer que quando o vento Sul batia, ficava três, quatro dias ventando, e isso era bom para o nosso negócio”, disse Leonardo Cabral.

No litoral de São Paulo, cidade de Santos, moradora conta seu desespero com uma ressaca que invadiu seu prédio, levou-lhe dois carros e a fez subir ao ponto mais alto do edifício, com o filho no colo e muito medo de uma tsunami. O mar entrou também com força e tirou mais de 600 metros de terra da Comunidade Nova Enseada, em São Paulo.

Como se vê, não é preciso ir longe para mostrar os efeitos que as mudanças climáticas já estão causando. O Brasil, que nos anos 70 era considerado quase imune a essas questões, já que tinha bens naturais em profusão, está na rota das dificuldades. Vale a pena repetir aqui a reflexão de Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima (OC):

“Continuar debatendo se isso (as mudanças climáticas causadas pelas ações humanas) existe ou não é imoral”.

Fonte: G1

A COP24 e o tempo de refletir sobre o clima

O período de final de ano é, inevitavelmente, um momento no qual somos levados a avaliar nossas realizações individuais no ciclo que se encerra e renovarmos desejos e traçarmos rumos para outro que se inicia. Coincidentemente, é neste período repleto de significados que acontecem as Conferências das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Nada mais propício, diga-se de passagem, uma vez que o debate sobre os efeitos das mudanças climáticas na qualidade de vida no planeta também envolve reavaliação de condutas e comprometimento com objetivos.
A boa notícia é que a COP24 aconteceu após significativos avanços na atuação de outras partes interessadas além dos governos, tais como setor privado, academia e sociedade civil. Foi a partir da participação dessas vozes que cresceu a percepção de que é possível atingir as metas do Acordo de Paris. O objetivo em comum é o de nos mantermos bem abaixo do limite de 2oC de aumento na temperatura média da superfície global terrestre, conforme estabelecido no documento. E temos tecnologia para chegarmos lá.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por meio de suas associadas, vem se dedicando nos últimos anos a dar a sua parcela de contribuição ao planeta na causa climática. Apresentamos na Polônia, durante a COP24, o nosso mais recente e estudo, que mostra como 38 empresas brasileiras globais estão se comprometendo no médio e no longo prazo em termos de monitoramento de emissões e de estabelecimento de metas. Foram consultadas as que já adotam a precificação interna de carbono como ferramenta de tomada de decisão, quais estão investindo em projetos de redução de emissões e quanto vem sendo mobilizado para esses projetos.
De 2015 a 2017, as empresas brasileiras executaram 1340 projetos, totalizando um investimento da ordem de US$ 85,8 bilhões. A maior parte envolveu o uso de tecnologias de eficiência energética, otimização de processos e busca por fontes energéticas de baixo carbono. Juntos, esses projetos foram responsáveis pela redução de 212,1 milhões de tCO2e no período, o que corresponde a um volume equivalente a 27% da meta total de redução assumida pelo Brasil no Acordo de Paris até 2025.

Sem dúvida, o resultado é positivo, mas merece algumas reflexões. Vale lembrar que se trata de um desempenho obtido em um cenário de baixa atividade econômica. Se não houver continuidade desses investimentos com foco no longo prazo, parte desse ganho pode ser perdido em um cenário de retomada do crescimento econômico. Isso ficou claro no estudo do CEBDS, no qual 90% das empresas analisadas demonstraram ter metas de curto prazo, ou seja, até 2025. Poucas, no entanto, já estabeleceram metas de médio e longo prazo, que se estendam até 2030 e 2050, respectivamente.
Essa questão já havia sido observada no estudo “Estratégias de Desenvolvimento de Baixo Carbono para o Longo Prazo”, realizado no ano passado pelo CEBDS em parceria com o iCS, e um dos caminhos apontados foi o desenvolvimento de instrumentos financeiros estruturados com base na precificação das emissões de carbono. O trabalho mostrou que a criação de um mercado brasileiro de títulos verdes pode ser um mecanismo eficaz de financiamento desses projetos, que já não deixam dúvidas sobre seus resultados.
E é com base neste último dado que volto às tradicionais resoluções de final de ano. Assim como acontece no plano pessoal, é no alinhamento das nossas ações de curto e longo prazo que alcançamos nossas maiores conquistas.

Fonte: Neo Mondo

França quer Bolsonaro comprometido na luta contra aquecimento global

A França espera que o futuro governo do Brasil continue comprometido com a luta contra o aquecimento global.

O comentário do governo francês foi emitido após o presidente eleito Jair Bolsonaro ter renunciado a organizar a cúpula sobre o clima COP 25 em 2019, registra o “UOL“.

Ao apresentar as prioridades da presidência francesa do G7 em 2019, O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, declarou:

Contamos com o Brasil para que continue junto a nós comprometido com este desafio mundial, junto com o México e tantos outros sócios latino-americanos.

O Brasil desistiu, no fim de novembro, de organizar a COP 25 em 2019, uma decisão na qual participou o futuro chefe do Executivo, cético em relação à agenda globalista.

Bolsonaro explicou que a cúpula custaria meio bilhão aos cofres públicos e ainda ressaltou o fato de que o evento poderia forçar o Brasil a seguir o mesmo caminho diplomático de governos anteriores, sem um período de “análise e estudo”, conforme noticiou a Renova.

Fonte: Renova Mídia

Jorge Viana ressalta participação de comissão mista em encontro internacional do clima

O senador Jorge Viana (PT-AC) destacou nesta quarta-feira (19) a participação da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas na COP-24, realizada em Katowice, na Polônia, de 2 a 14 de dezembro. O encontro teve a missão de concretizar as negociações para definir as regras de implementação do Acordo de Paris, que prevê a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

A participação no encontro foi uma das principais ações da comissão mista em 2018, destacou Jorge Viana durante a apresentação do relatório anual de atividades do colegiado, lido nesta quarta-feira (19).

As atividades da comissão, da qual Jorge Viana é relator, centraram-se nos principais compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris para enfrentamento dos cenários previstos de alterações climáticas, com foco no desenvolvimento de economia de baixo carbono. O Brasil assumiu meta de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, de forma escalonada, diminuindo-as em aproximadamente 37% até 2025, com base nas emissões de 2005.

Em 2018, a comissão mista realizou sete audiências públicas para discutir a implementação das regras do Acordo de Paris e a participação brasileira na COP-24. Por meio dos debates, o colegiado buscou viabilizar a candidatura brasileira para sediar a COP-25, em 2019, da qual o Brasil formalmente desistiu perante o Secretariado da Convenção-Quadro, no final de novembro, atendendo ao pedido da equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

A comissão mista, explicou Jorge Viana, solicitou a revisão dessa decisão, assim como o fez a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), já que a candidatura seria submetida à votação durante a COP-24, com o propósito de firmar a posição de liderança do Brasil nas negociações e ações climáticas.

Acordo de Paris

A comissão debateu ainda o Programa RenovaBio, cujos objetivos incluem contribuir para o cumprimento das metas do Acordo de Paris por meio da expansão dos biocombustíveis na matriz energética, com ênfase na regularidade e na previsibilidade do abastecimento desses combustíveis. Para que se atinja a meta brasileira, o Brasil prevê o aumento da participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, aumentando a parcela de biocombustíveis avançados (segunda geração) e o uso de biodiesel.

Também foram realizados debates sobre o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado, sua situação atual e propostas para o atingimento das metas brasileiras para a redução da emissão de carbono. De 2004 a 2014, o Brasil diminuiu o ritmo de desmatamento em torno de 83%, sobretudo por meio de diversos programas de comando e controle e pela criação de unidades de conservação e demarcação de terras indígenas, inclusive com apoio internacional, destacando-se o da Noruega por meio do Fundo Amazônia. A atuação da comissão mista, disse Jorge Viana, tem sido no sentido de manutenção de políticas de controle e de fomento a atividades econômicas que não pressionem por mais desmatamento.

Fonte: Senado Notícias

COP24: países definem regras para implementar Acordo de Paris

Com a adoção das regras a partir de 2020, as nações signatárias deverão trabalhar juntas para enfrentar o aquecimento global sob o Acordo de Paris

Os representantes de mais de 150 países que se reuniram na Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP24), em Katowice, na Polônia, definiram executar uma série de regras que permitem a implementação do Acordo de Paris. A decisão foi unânime.

Com a adoção das regras a partir de 2020, as nações signatárias deverão trabalhar juntas para enfrentar o aquecimento global sob o Acordo de Paris.
Pelas medidas aprovadas, todas as nações, incluindo os países em desenvolvimento, devem detalhar os esforços em curso para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O primeiro relatório deve ser apresentado até o final de 2024.
Outra decisão é que as nações industrializadas informem às Nações Unidas a ajuda financeira que planejam fornecer aos países em desenvolvimento. Esses relatórios devem ser apresentados a cada dois anos. Este item ainda pode ser modificado.
As nações insulares e alguns outros países queriam metas mais elevadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Mas os participantes não concordaram com esse artigo.
COP25
O Chile será o país-sede da COP25, marcada para o período de 11 a 22 de novembro de 2019. Inicialmente, a conferência estava prevista para ocorrer no Brasil. Mas o governo brasileiro abriu mão da organização do evento por “restrições fiscais e orçamentárias”. Em sua conta no Twitter, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou ontem (15) que sua administração abriu mão de sediar “a Conferência Climática Mundial da ONU pois custaria mais de R$ 500 milhões ao Brasil”.
A organização do evento fica sempre a cargo de uma região diferente, de maneira rotativa, e no ano que vem será a vez da América Latina – neste ano, a cúpula foi realizada no Leste Europeu.
*Com informações da NHK, agência pública de notícias do Japão // Colaborou Ana Cristina Campos

NA COP-24, ministro faz balanço de avanços no combate à mudança do clima

Edson Duarte ressaltou a redução das emissões brasileiras de 6 bilhões de toneladas entre 2006 e 2015

Katowice (Polônia) – O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, participou da sessão de alto nível realizada nesta quarta-feira (12/11) na Conferência do Clima, a COP-24, que ocorre em Katowice, na Polônia. Durante sua fala, Duarte fez um balanço dos avanços do país no combate à mudança do clima, incluindo as conquistas na gestão do presidente Michel Temer.

Entre elas, destacou a criação de 94 milhões de hectares de unidades de conservação e os avanços do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que já conta com mais de 5 milhões de propriedades registradas – todas dedicando parte do seu território à preservação florestal.

 Confira abaixo a íntegra do discurso:

Sr. Presidente,

Excelentíssimos representantes de Governo,

Organismos internacionais e representantes da sociedade civil.

Senhoras e senhores,

Em nome do Povo e do Governo do Brasil, eu gostaria de expressar o nosso mais profundo agradecimento aos cidadãos, cidadãs e ao governo da Polônia por acolherem a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Estamos reunidos nesse que é o principal fórum internacional para coordenar respostas globais à mudança do clima, que se torna cada dia mais premente. Aqui, temos espaço para buscar caminhos que nos levem a superar este desafio global.

Mais que as ações de governo, trago a este plenário uma história contada pela sociedade brasileira. Um rol de experiências exitosas, mostrando que avançamos nos compromissos assumidos.

Chegamos com a segurança de quem está procurando fazer a sua parte. Um país que reconhece a sua responsabilidade histórica. O trabalho realizado durante uma década (2006-2015) no combate ao desmatamento da Amazônia, por meio do REDD+, reduziu as emissões em 6 bilhões de toneladas de CO2. Nos últimos três anos foram reduzidos outros 3,9 bilhões de toneladas.

Nestes 3 anos do governo do presidente Michel Temer criamos unidades de conservação que somam mais de 94 milhões de hectares. O Brasil tem agora mais de 173 milhões de hectares federais. O cadastro ambiental rural já conta com mais de 5 milhões de propriedades registradas e todas elas dedicando parte do seu território a preservação florestal.

O Brasil antecipou, já em 2017, as metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa previstas nas nossas Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas para 2020. Esse resultado é vinculado somente ao setor florestal e não contabiliza as ações de mitigação adicionais e voluntárias do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

Para o nosso país, o grande desafio é assegurar o bem-estar e a prosperidade de todos os nossos cidadãos, ao mesmo tempo em que efetuamos a transição para uma nova economia.

E temos conseguido. O programa de Agricultura de Baixo Carbono, por exemplo, já investiu mais de 10 bilhões de reais (cerca de 3 bilhões de dólares) em técnicas agropecuárias alinhadas com a conservação da natureza. Na área de transportes, o programa Renovabio tem o objetivo de incrementar o uso dos biocombustíveis, que já atendem a quase metade da demanda de combustíveis para automóveis e a cerca de 10% de veículos pesados.

Estamos nos distanciando de padrões de produção e consumo insustentáveis e encontrando processos equilibrados para responder à crescente demanda por alimentos e energia sustentáveis.

O Brasil está próximo de atingir a meta de redução de 80% no desmatamento na Amazônia até 2020, apesar de o desmatamento observado em 2018 ter apresentado aumento em relação ao ano anterior.

Precisamos fortalecer nossas ações coercitivas, combatendo com afinco o desmatamento ilegal e, ao mesmo tempo, criando alternativas econômicas viáveis para as pessoas daquela região. Valorizar a importância econômica dos recursos florestais significa proporcionar o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem da floresta.

Em outro importante bioma brasileiro, o Cerrado, a redução na taxa de desmatamento em 2018 foi a menor já registrada desde o início do monitoramento, há 18 anos.

Assumimos, também, o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. Já temos hoje, 9,4 milhões de hectares em processo avançado de recuperação na Amazônia.

Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e nos comprometemos, na nossa NDC, a torná-la ainda mais limpa. Hoje, ela é composta por 43% de energias renováveis, muito próximo do compromisso assumido de 45% até 2030.

A geração de energia eólica cresceu 27% em 2017 e contribuiu para a participação de renováveis atingir a marca de 80% da matriz elétrica.

Reconhecemos a necessidade de desenvolver práticas agrícolas sustentáveis. O setor agrícola brasileiro demonstra compromisso, interesse e empenho na promoção de uma agricultura resiliente e de baixo carbono.

Nos últimos 8 anos a área com agricultura de baixa emissão de carbono foi ampliada em 27 milhões de hectares, com a mitigação de 127,3 milhões de toneladas de CO2.

O fortalecimento das parcerias bilaterais e multilaterais é essencial para alcançarmos um êxito cada vez maior, conjugando o imperativo de redução das emissões com o crescimento sustentável e a erradicação da pobreza.

O Brasil não poupou esforços para chegar até aqui. Precisamos aumentar a escala da ambição, e para isso todos precisam contribuir. Conclamo todos a acelerar suas transições para economias de baixo carbono e a estimular a participação de todos os setores da sociedade a fim de criarmos o futuro que queremos.

Quero, no encerramento desta minha fala, deixar uma última mensagem.

O tempo urge. O tempo que levamos discutindo textos e principalmente cobrando a sua implementação, o mundo lá fora se deteriora. Espécies estão sendo extintas. Habitats desaparecendo. Fontes se esgotando. Poluentes e emissões se acumulando. E o Planeta cada vez mais quente.

Por último faço um pedido: vamos imergir, deste nosso plano global para cada uma dos nossas comunidades, cidades e países e trabalhamos as crianças e jovens, para que tenham pleno conhecimento dos limites do crescimento e quem sabe, acabem por fazer aquilo que nossas gerações não fizeram.

Muito obrigado.

Fonte: MMA

Brasil atinge meta de redução de emissões

Na COP 24, governo brasileiro anuncia que país antecipou, em dois anos, alcance de compromisso proposto para 2020. Também foram divulgados queda de 11% do desmatamento no Cerrado e dados de recuperação da vegetação.

Katowice (Polônia) – Dados divulgados nesta terça-feira (11) na Conferência do Clima (COP 24), na Polônia, mostram que, neste ano, o Brasil já alcançou sua meta de redução de emissões de gases de efeito estufa proposta para 2020. O objetivo foi cumprido com base nas ações do setor florestal, que permitiram a redução de 1,28 bilhão de toneladas de carbono somente em 2018. O país anunciou, ainda, queda de 11% do desmatamento no Cerrado e levantamento de áreas em processo de recuperação.
Os números também mostram que o Brasil, em 2018, atingiu a meta de reduzir em 60% as emissões do setor florestal. Também era esperado que esse patamar só fosse alcançado daqui a dois anos, em 2020. “Os dados são um lembrete eficaz de que mesmo países em desenvolvimento que enfrentam desafios econômicos e sociais podem cumprir seus compromissos pré-2020 com ações fortes e focadas”, declarou o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, na COP 24.
Baseadas em cálculo de remoção de carbono pelas florestas brasileiras, as informações mostram que, em 2018, somente o setor florestal absorveu 538 milhões de toneladas de carbono, dos quais 179 milhões de toneladas correspondem às Terras Indígenas (TIs), 220 milhões às Unidades de Conservação (UCs) federais e 139 milhões às Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL), registradas no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR).
A redução de 1,28 bilhão de toneladas foi registrada no período de agosto de 2017 a julho de 2018. O cálculo é relativo às emissões projetadas para 2020, conforme o compromisso apresentado pelo Brasil, em 2009, durante Conferência do Clima de Copenhague.
 emissoes
CERRADO

A área desmatada no bioma Cerrado no período de agosto de 2017 a julho de 2018 foi de 6.657 km² (Prodes Cerrado 2018), valor que corresponde a 11% de redução em relação ao período anterior. É a menor área desmatada já registrada na série histórica. Os dados foram divulgados pelo MMA e pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

O desmatamento observado no Cerrado em 2018 é 33% menor do que o mapeado em 2010, ano em que foi iniciado pelo governo federal o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).

A mensuração foi realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no âmbito do Projeto de Monitoramento Cerrado (Prodes Cerrado). O mapeamento utilizou imagens de satélite para quantificar as áreas suprimidas maiores do que um hectare. Foi considerada como desmatamento a remoção completa da vegetação nativa, o que inclui todos os tipos de vegetação do bioma: florestais, savânicas e campestres.
 desmatamento cerrado
RECUPERAÇÃO

O Brasil também divulgou números iniciais das áreas em processo de recuperação na Amazônia. A partir da análise dos dados do TerraClass Amazônia, que avalia o uso das áreas que foram desmatadas até 2014, foi possível observar 9,4 milhões de hectares em processo de recuperação.
Desse total, pelo menos 1,4 milhão de hectares estão em unidades de conservação ou terras indígenas, o que confere maior grau de proteção e possibilidade de permanência para as áreas que estão em regeneração. As análises utilizaram como referência o tamanho e a idade dos polígonos de vegetação secundária para chegar aos valores apresentados.
“Os resultados mostram que o Brasil está no caminho certo para atingir suas metas de recuperação da vegetação nativa. É importante agora entender melhor as condições dessas áreas, pois isso pode diminuir os custos da recuperação em larga escala na Amazônia”, declarou o ministro Edson Duarte.

Ministro diz que Brasil avança na redução do aquecimento global

Em discurso na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice, na Polônia, o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, disse hoje (12) que o Brasil avançou nos compromissos assumidos para reduzir o aquecimento global. O encontro começou no dia 3 último.

O pronunciamento foi direcionado a representantes de mais de 190 países que integram a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudanças climáticas. Os ministros e delegados das nações têm a missão de elaborar até a próxima sexta-feira (14) um plano de ação para colocar em prática os objetivos do Acordo de Paris, firmado em 2015.

Esse acordo prevê que todas as nações adotem medidas para reduzir os efeitos do aquecimento global e trabalhem para conter as emissões de carbono, a fim de limitar o aumento da temperatura até 2ºC, se possível manter a 1,5ºC.

O ministro Edson Duarte ressaltou que a experiência do Brasil na área é exitosa e representa um esforço não só do governo, mas de toda a sociedade brasileira.

“Chegamos com a segurança de quem está procurando fazer a sua parte. Um país que reconhece a sua responsabilidade histórica”, disse.

Parcerias internacionais

Em seu pronunciamento, ele também sinalizou que o Brasil continua sendo um dos principais articuladores das ações climáticas e defendeu que as parcerias internacionais sejam fortalecidas para alcançar maior êxito na redução de emissões globais, além de promover crescimento sustentável e erradicação da pobreza.

Assim como fez nas outras reuniões da COP 24 nos últimos dias, o ministro brasileiro recomendou que as nações aumentem sua ambição e contribuam para o alcance das metas climáticas.

Ele conclamou que os países acelerem suas transições para economias de baixo carbono e estimulem a participação de todos os setores da sociedade para reduzir as emissões.

Ao citar o Diálogo de Talanoa, processo em que os países compartilham iniciativas bem-sucedidas promovidas pela comunidade local de combate ao aquecimento global, o ministro reforçou que a disposição para diálogo e a negociação “é uma virtude brasileira”.

Avanços

Duarte destacou que o Brasil conseguiu reduzir as emissões de carbono em 6 bilhões de toneladas entre 2006 e 2015, período que registrou queda significativa do desmatamento da Amazônia. Nos últimos três anos, as reduções chegaram a 3,9 bilhões de toneladas, observou.

Ele também informou que o Brasil tem mais de 173 milhões de hectares de áreas destinadas para a conservação. Mencionou o cadastro ambiental rural, que registrou mais de 5 milhões de propriedades rurais com áreas verdes preservadas.

O ministro reforçou que o país antecipou no ano passado o cumprimento das metas voluntárias das emissões de gases de efeitos estufa previstas para 2020 na área florestal. Adiantou que o Brasil também pode atingir a meta de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020 e comemorou a redução da taxa de degradação do cerrado.

O compromisso de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030 também foi destacado. Segundo Duarte, o país já tem 9,4 milhões de hectares em processo de recuperação.

Investimentos

No discurso, o representante do governo brasileiro citou os investimentos de mais de R$ 10 bilhões em técnicas agrícolas sustentáveis por meio do programa Agricultura de Baixo Carbono e o incremento do uso de biocombustíveis, através do programa Renovabio.

Segundo o ministro, os biocombustíveis já atendem quase metade da demanda de combustíveis para automóveis e cerca de 10% de veículos pesados.
Enfatizou que o Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 43% de energias renováveis. A meta brasileira é atingir o nível de 45% até 2030. Ele também informou que a geração de energia eólica cresceu 27% no ano passado.

O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte,  encerrou seu discurso alertando sobre as consequências graves das mudanças climáticas e a necessidade de tomada de ações urgentes contra o aquecimento global.

Fonte: Agência Brasil 

Fórum Brasileiro de Mudança do Clima apresenta proposta na COP-24 do Clima

O Fórum Brasileiro de Mudança do Clima lançou nesta segunda (10) uma estratégia de longo prazo para as contribuições brasileiras ao Acordo de Paris.

O órgão é presidido pelo presidente da República e tem participação da sociedade civil, universidades, empresas e funcionários de ministérios como Meio Ambiente, Relações Exteriores e Casa Civil.

O documento foi pedido pelo presidente Michel Temer em agosto e define ações-chave para que o Brasil ajude o mundo a zerar suas emissões de gases-estufa em 2050.

A estratégia é baseada em três linhas de ação: zerar o desmatamento ilegal, criar incentivos para proteção florestal e para agricultura de baixo carbono e investir em transportes mais limpos.

“Esse trabalho vai continuar mesmo que chova canivete”, anunciou o coordenador do Fórum, Alfredo Sirkis. Indicado por Temer para o cargo, ele conta que o grupo já discutiu estratégias para lidar com o novo governo, que considera deixar o Acordo de Paris.

O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, indicado ao cargo no domingo (9), disse em entrevista à Folha no mesmo dia que “a discussão se há ou não há aquecimento global é secundária”.

Apesar de reações de alívio por Salles não negar a ocorrência do aquecimento global, membros da delegação brasileira na COP-24 se dizem preocupados com um possível desmantelamento da pasta ambiental, que ficaria submetida à Agricultura. “Estamos preparados para diversas contingências”, diz Sirkis, para quem é possível manter o trabalho sem a participação do governo federal.

Entre ambientalistas, o receio é de que o novo governo anule o decreto de criação do Fórum. “O novo governo vai demandar capacidade de dialogar; fui deputado com Bolsonaro e tinha relação de cordialidade com ele. Não tenho problema em dialogar com ninguém”, diz Sirkis.

Também na segunda o Brasil realizou seu já tradicional evento na COP do Clima, a Plataforma Biofuturo, que busca apoio internacional para a adoção dos biocombustíveis como solução de curto prazo para a transição energética.

A proposta tem que contornar posições contrárias de outras delegações, que consideravam o jogo injusto no mercado internacional, já que só o Brasil teria solo disponível para produzir biocombustível de fontes como soja, milho e cana-de-açúcar sem competir com o plantio de alimentos.

A opção, porém, passou a despertar o interesse de gigantes como Índia e China por causa das novas tecnologias que permitem produzir biocombustível a partir de resíduos agrícolas, como cascas de arroz e milho, afirma Renato Godinho, responsável pela plataforma no Itamaraty.

Segundo ele, os biocombustíveis podem substituir os combustíveis fósseis onde outras tecnologias não estão disponíveis. “Compete com o combustível comum e não com a eletrificação”, diz Godinho. Segundo ele, o biocombustível será mais viável que baterias elétricas para a frota de carga, como caminhões.

Com 20 países-membros, a plataforma passa a ser gerenciada pela Agência Internacional de Energia, sediada em Paris. O Brasil continua na presidência do grupo.

ESTRATÉGIA BRASILEIRA PARA AJUDAR A ZERAR AS EMISSÕES DO MUNDO EM 2050

Proposta foi apresentado na COP-24 do Clima, na Polônia

1.     Agricultura

Ampliar o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), dando crédito do Plano Safra a esforços de sustentabilidade

2.     Desmate

Zerar o desmatamento ilegal até 2050 Florestas Regulamentar incentivos previstos no Código Florestal para preservação florestal

3.     Transportes

Modernizar frota com alternativas mais limpas, como carros elétricos. Investir em transporte público

4.     Economia

Criar incentivos econômicos para descarbonização, como o mercado de carbono

Fonte: Brasil Agro

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