Governo zera imposto de inseticidas

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex), da Câmara de Comércio Exterior (Camex), aprovou a redução de 8% para zero do imposto de importação de inseticidas usados no plantio de soja e milho no Brasil, um dos maiores produtores globais dessas commodities, informou, ontem, o Ministério da Agricultura.

A alíquota foi retirada de dez ingredientes ativos usados na formulação de inseticidas aplicados em lavouras do País. “Esses ingredientes ativos representam cerca de 60% dos inseticidas usados no País em cultivos como soja, milho, arroz, amendoim, batata, cana-deaçúcar, cebola, citros, feijão, girassol, palma forrageira, pastagens, pepino, sorgo, tomate e trigo”, relatou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “O ministério trabalha para reduzir os custos de produção, aumentar a renda do produtor e colocar mais produtos na mesa dos consumidores brasileiros e estrangeiros.”

Na avaliação do Ministério da Agricultura, a medida deve beneficiar o equivalente a 22% das importações brasileiras de inseticidas agrícolas, considerando os valores de 2017.

A redução do imposto havia sido solicitada em caráter de urgência, por causa do início do período de safra, neste mês, quando há maior demanda por defensivos agrícolas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

Safra de soja vai a 127,2 milhões de toneladas nos EUA

Volume ficou acima da estimativa por causa da previsão de alta na produtividade nas lavouras

As estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) apontou uma safra recorde de 127,2 milhões de toneladas de soja. A safra anterior tinha ficado em 119,53 milhões.

O volume, que ficou acima da estimativa média do mercado, ocorreu devido à previsão do órgão americano de uma alta de 2,3% na produtividade das lavouras.

Com safras recordes nos Estados Unidos e em outros produtores, como o Brasil, a produção total de soja deverá subir para 369 milhões de toneladas no mundo, 10% mais do que no ano anterior.

Os estoques finais da safra 2018/19 dos americanos aumentam para 23 milhões de toneladas, 114% mais do que os da safra anterior. Apesar da elevada produção e das restrições da China à compra de soja americana, os Estados Unidos esperam manter um patamar elevado de exportações.

O volume previsto é de 56,1 milhões de toneladas, um pouco abaixo dos 58 milhões de 2017/18.

Etanol As vantagens que o combustível tem sobre a gasolina elevam o consumo nacional para patamares recordes. Com demanda aquecida e preços favoráveis aos consumidores, a produção de álcool dispara.

Volume  Desde o início da safra 2018/19, as usinas do centro-sul já produziram 14,1 bilhões de litros de etanol hidratado, 62% mais do que na safra anterior. A produção total, incluindo o etanol anidro, soma 20,5 bilhões de litros na safra.

Café Com o bom volume exportado no mês passado, o Brasil já colocou 20,5 milhões de sacas no mercado externo até agosto, com receitas de US$ 3,1 bilhões (R$ 13 bilhões). O volume aumentou 4,5%, e as receitas caíram 7,5%, segundo o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo

Novas regras para combustível vão afetar as commodities

Uma mudança na regulamentação internacional dos combustíveis, pouco discutida fora do círculo das empresas de navegação, vai sacudir o mundo das commodities. Para tentar coibir as emissões de gases causadores do efeito estufa, a Organização Marítima Internacional (OMI) da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou um limite ao conteúdo de enxofre no óleo diesel marítimo a partir de 2020.

Embora seja boa notícia para o meio ambiente, a mudança nas regras também ameaça elevar os preços dos combustíveis para empresas aéreas e consumidores em geral nos postos, assim como as tarifas de frete. “É muito, muito complicado”, diz Lars Robert Pedersen, secretário-geral adjunto do Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (Bimco, na sigla em inglês), que representa os donos de cerca de 60% dos navios mercantes do mundo. Há seis meses, a OMI, órgão que governa a navegação internacional, decidiu reduzir o limite de enxofre no combustível marítimo de 3,5% para 0,5% em 2020.

Daqui a dois anos e meio, os donos de navios vão ter de passar a usar um combustível de melhor qualidade e mais caro; investir em sistemas de controle das emissões, conhecidos como “purificadores”; ou aderir a combustíveis alternativos, como o gás natural liquefeito (GNL).

Muitos analistas preveem que a maioria optará pelo combustível de maior qualidade. Uma pesquisa do banco UBS com 51 proprietários de navios mostrou que 75% dos consultados estão dispostos a comprar a gasolina com menor teor de enxofre.

Seja qual for a mudança adotada pelos donos de navios, o custo vai ser alto. Algumas estimativas indicam que o custo de navegação pode aumentar até 85%. O efeito dominó da mudança nas regras do combustível marítimo deverá estender-se além da frota mercante mundial e atingir a indústria petrolífera e a comercialização de commodities.

“Isso é enorme”, diz Kho Hui Meng, chefe na Ásia da Vitol, principal negociadora independente de petróleo. “Vai dar uma reviravolta no setor de comercialização.” A redução no limite de emissões do óleo diesel marítimo é “facilmente a mudança mais dramática nas especificações de combustível em qualquer mercado de produtos petrolíferos em escala em escala tão grande”, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

O problema para o mercado de petróleo é duplo. Embora o óleo diesel marítimo de alto teor de enxofre represente apenas 4% da demanda mundial por petróleo, segundo a AIE, o mercado de navegação tradicionalmente é um canal importante para as refinarias, que aproveitam resíduo de outros processos de refino para produzir o combustível pesado usado pelos navios. Kho diz que cerca de 3 milhões de barris de óleo diesel marítimo de alto teor de enxofre vão deixar de ser consumidos. “Ainda estamos tentando descobrir quais vão ser as implicações.”

O segundo problema é que a maior demanda por combustíveis com baixo teor de enxofre vai exacerbar as dificuldades com a falta de capacidade de produção e também elevar os preços dos combustíveis para automóveis e aviões.

“Como os principais produtos limpos — gasolina, combustível de aviação e diesel — estão intimamente relacionados, quando a demanda e o preço de um aumentam, isso tende a elevar os preços dos outros”, disse Martin Tallett, presidente da Ensys.

Os mercados do produto já refletem a mudança das regras, com os preços futuros do combustível de alto teor de enxofre para 2020 em queda e os do referencial de óleo diesel marítimo de alta qualidade e de baixo teor de enxofre em alta, segundo a S&P Global Platts.

A firma de consultoria Wood Mackenzie, especializada no mercado de combustíveis, estima que os custos da indústria de navegação com o óleo diesel marítimo poderiam subir até US$ 60 bilhões, mais de 50%, para US$ 174 bilhões, em 2020. Sushant Gupta, que trabalha na empresa como diretor de análises sobre refino na Ásia, calcula que com a mudança na regulamentação o custo do barril de petróleo transportado do Oriente Médio para Cingapura vai aumentar em US$ 1.

Apesar das preocupações, a OMI informa que a decisão tomada em 2016 por seus países-membros foi baseada em uma análise da consultoria CE Delft, segundo a qual as refinarias teriam capacidade de produção de óleo diesel marítimo de baixo teor de enxofre suficiente para atender as necessidades da indústria de navegação. “Isso foi motivado pelo enorme impacto benéfico no ambiente e na saúde humana’, diz a OMI.

Ainda assim, diante das incertezas quanto às consequências que se aproximam, Pedersen, da Bimco, avisa: “Isto é um experimento global. É sobre isso que estamos alertando”.

Fonte: Financial Times

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