As oportunidades da bioenergia na América Latina e na África

O programa Bioenergia da Fapesp publicou um policy-brief sobre as vantagens e a necessidade da expansão da produção e do uso dos biocombustíveis na América Latina e na África. Repetidas vezes os autores explicam por que é possível uma produção em grande escala sem que esta compita com a produção de alimentos ou com as áreas de floresta.

A ênfase não é gratuita. Em muitos foros de países desenvolvidos, existe a percepção de que a produção de bioenergia implica necessariamente em menos comida e menos floresta nativa. O paper menciona que existe um estoque de entre 500 milhões a 900 milhões de hectares de terras aptas à produção de biocombustíveis sem o comprometimento da segurança alimentar ou da biodiversidade. Cita o sucesso da produção que consorcia lavoura, pecuária e floresta.

De acordo com o estudo da Fapesp, atualmente o etanol e o biodiesel respondem por 3% de todo o combustível usado para transporte no mundo, mas esse índice poderia crescer dez vezes, chegando a 30% em 2060 sem uso de áreas de proteção de florestas ou terras utilizadas para a produção de alimentos. Ou seja, há vasto campo para uma maior produção e consumo dos biocombustíveis no planeta.

Estima que o custo do desenvolvimento e a expansão da produção de biocombustíveis não chegaria a US$ 100 bilhões até 2040. E, finalmente, compara este valor com os subsídios aos fósseis estimados, na toada atual, em US$ 33 trilhões.

Fonte: Climainfo

Como reverter notícias ruins sobre o clima em boas perspectivas sobre o cenário do futuro

Coragem! Lá vem notícia ruim sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a humanidade.

Um estudo coletou séries temporais diárias históricas de temperaturas média em 412 comunidades dentro de 20 países em períodos que variaram de 1º de janeiro de 1984 a 31 de dezembro de 2015, e fez a comparação com o impacto das ondas de calor na humanidade. O que foi descoberto é que as temperaturas elevadas têm causado muitas mortes, sobretudo em países que ficam em regiões tropicais, próximo ao Equador.

Pessoas vão morrer menos de calor, no futuro, em países europeus – que estão atravessando um verão dos mais quentes – e nos Estados Unidos. Mas as notícias não são boas para o Brasil, neste sentido. O estudo foi considerado dos mais abrangentes sobre o tema pelos especialistas do Observatório do Clima.

Os pesquisadores buscaram refletir, basicamente, tomando por base três premissas: as ondas de calor podem causar um impacto significativo na saúde da população em todo o mundo, incluindo um aumento na mortalidade e morbidade; haverá um aumento na frequência e severidade das ondas de calor no futuro em todo o mundo por causa das mudanças climáticas e as evidências sobre os impactos das mudanças climáticas na mortalidade relacionada à onda de calor em escala global são (ainda) limitadas.

Para nós brasileiros, a pior notícia ainda está por vir: os 39 cientistas de todo o mundo que fizeram o estudo puseram o Brasil no terceiro lugar num cenário bem pessimista sobre os impactos das ondas de calor sobre os humanos. Por isso, dizem os pesquisadores, é preciso levar a sério uma linda de adaptação às alterações climáticas e uma política de mitigação (dos impactos) cada vez mais rigorosa para reduzir as emissões.

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Fonte: G1

Poluição do ar é relacionada com alterações no coração

Os impactos causados pela poluição do ar na saúde humana não estão restritos a doenças respiratórias: de acordo com pesquisa conduzida por cientistas da Queen Mary University de Londres, foi constatado que a exposição do organismo ao dióxido de nitrogênio e a outras partículas poluentes é responsável por um aumento de duas estruturas cardíacas — os ventrículos esquerdo e direito.

Localizados na parte inferior do coração, os ventrículos são responsáveis por bombear o sangue para a artéria aorta (no caso do ventrículo esquerdo) e para a artéria pulmonar (função realizada pelo ventrículo direito).

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram 4 mil voluntários britânicos com idades entre 40 e 69 anos que não tinham histórico de doenças cardiovasculares. De acordo com os resultados, os indivíduos expostos a níveis mais elevados de partículas poluentes tinham ventrículos com maior volume em comparação com as pessoas que moravam em regiões não tão poluídas.

O doutor Nay Aung, que liderou a pesquisa, afirma que as alterações na estrutura cardíaca são pequenas, mas não podem ser descartadas. Combinado a outros fatores, como características genéticas, hábitos alimentares e estresse, o aumento dos ventrículos poderia levar a um quadro de insuficiência cardíaca.

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Fonte: Revista Galileu

Scania planeja abandonar os fósseis para investir em renováveis como o biodiesel

De olho no futuro, a Scania prepara sua linha de caminhões e ônibus para não depender mais de combustíveis fósseis. Todos os modelos vendidos no mundo poderão funcionar com diferentes fontes de energia renovável como biodiesel, bioetanol, biometano ou eletricidade, e serão também preparados para, no futuro, funcionarem autonomamente. Esta renovação, que começou motivada pelo

Acordo de Paris, acaba de ser concluída na Europa com o investimento de 2 bilhões de Euros. O Brasil foi escolhido como segundo mercado para a renovação por ter a maior fábrica fora da Europa e esta ser a única, à exceção da matriz, que produz os veículos em todas as suas fases. Além disso, a subsidiária brasileira exporta 70% de sua produção.

Com investimento de R$ 2,6 bilhões até 2020, a montadora fez, ontem (02/08), em São Bernardo do Campo, o pré-lançamento da linha, que estará no mercado a partir de fevereiro. O diretor de vendas da empresa disse que os clientes brasileiros já percebem que os combustíveis renováveis começam a apresentar custos operacionais mais vantajoso do que os do diesel fóssil.

Com este anúncio, e com o emprego de 100% de biodiesel em uma frota de ônibus da própria Scania em Buenos Aires, a empresa acaba de derrubar a narrativa propagada pela maioria das montadoras segundo a qual os motores não suportam misturas elevadas de biodiesel ao diesel fóssil.

Leia mais sobre o tema nos links abaixo:

https://www.valor.com.br/empresas/5706477/scania-deixara-toda-linha-de-caminhoes-livre-de-combustiveis-fosseis

https://www.biofuelsdigest.com/bdigest/2018/06/14/scania-to-introduce-b100-busses-in-buenos-aires/

https://www.clarin.com/rural/scania-linea-132-utilizaran-biodiesel-puro_0_ryo2vZVgm.html

Fonte: Clima Info

Irlanda não vai mais investir em combustíveis fósseis. E nós com isso?

A Irlanda é um país moderno, foi criado em 1922. Sob regime parlamentar democrata, seus quase cinco milhões de habitantes (mais ou menos um milhão a menos do que a cidade do Rio de Janeiro) vivem sem se preocupar com cheque especial ou dívidas, tampouco com políticos corruptos. Seguem a vida num clima ameno. Estão em oitavo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, cercados pelo Oceano Atlântico, com o mar Céltico ao Sul.

E, de uns tempos para cá, este país quase idílico decidiu ocupar espaço nas manchetes. Em maio, o parlamento irlandês chamou a atenção do mundo quando se posicionou a favor do aborto.

Mas um mês antes, quando foi publicado o índice anual de Desempenho de Mudanças Climáticas em 2018, a Irlanda ficou em último lugar entre os estados membros da União Europeia no quesito emissões de gases poluentes. A notícia fez barulho entre os ambientalistas, até porque, com o tamanho que a Irlanda tem – e a população que tem – era de se esperar que o país conseguisse tomar mais cuidados para tentar evitar tanto impacto ao meio ambiente.

Aparentemente, as críticas surtiram efeito. Porque na quinta-feira (12), a Irlanda tomou uma atitude que está sendo considerada histórica: decidiu desinvestir em combustíveis fósseis, com a aprovação de uma lei que exige que o fundo soberano do país , avaliado em 8,9 bilhões de euros, ou cerca de US $ 10,4 bilhões, se afaste deles “assim que for possível”. O rascunho original do texto estabelecia um limite, de cinco anos, mas depois se decidiu torná-lo mais flexível. E o projeto agora vai para o Senado.

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Fonte: Coluna Natureza – G1

Entenda o custo ambiental do transporte brasileiro

Segundo pesquisa do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o sistema rodoviário brasileiro emitiu 85 milhões de toneladas de CO² no ar em 2016. Por tal feito, o setor é o principal causador do efeito estufa no País

Quando começou a faltar gasolina, gás de cozinha e até comida durante a greve dos caminhoneiros, muito se falou do custo do transporte rodoviário no País. Muita gente não reparou, contudo, que, a paralisação não reduziu apenas a oferta desses produtos. O movimento também diminuiu, pelo menos por uns dias, as emissões de gases de efeito estufa. É que, devido à dependência do diesel – hoje subsidiado pelo governo, os caminhões também são um dos principais poluentes atmosféricos do Brasil.

Pesquisa do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) diz até que esse meio de transporte é o responsável pela maior parte das emissões de gás carbônico (CO²) do setor de energia brasileiro. Ou seja, é um dos maiores causadores do aquecimento global no País – fenômeno climático que pode provocar o derretimento de geleiras e o consequente aumento do nível do mar, inundando diversas cidades ao redor do mundo, inclusive o Recife.

Segundo o relatório, publicado recentemente no Brasil pelo Observatório do Clima, os caminhões lançaram 85 mi de toneladas de CO² no ar apenas em 2016 – último ano em que as emissões globais foram totalmente mapeadas. O volume é maior até que as 70 milhões de toneladas produzidas na queima de combustíveis e que as 54 mi de toneladas emitidas pelas usinas termelétricas que estavam operando no País. Porém não é o único problema do sistema de transporte brasileiro.

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Fonte: Folha Pernambuco

A poluição na Grande São Paulo

A redução da poluição ambiental na região depende fundamentalmente de se atingir as metas fixadas pela Lei 16.802/18

Que os veículos pesados movidos a óleo diesel — ônibus e caminhões — são os principais responsáveis pela poluição atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo é fato há muito sabido. Mas agora que uma pesquisa conseguiu calcular isso com precisão, fica-se sabendo que o problema é mais grave do que se imaginava: aqueles veículos, embora representem apenas 5% da frota que circula na região, respondem por metade da poluição. E a solução para esse problema se revela ao mesmo tempo mais difícil e mais urgente.

Como mostra reportagem do Estado, a novidade do trabalho feito por sete cientistas brasileiros — com base em amostras colhidas durante três meses — e publicado na revista Scientific Reports é que ele conseguiu separar, para efeito de medição, os gases emitidos por ônibus e caminhões dos gerados por veículos leves movidos por outros combustíveismenos poluentes. Os próprios pesquisadores se surpreenderam com o tamanho da contribuição dos veículos movidos a diesel para a degradação das condições ambientais da região metropolitana.

Segundo um dos pesquisadores, Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), há soluções para o problema e elas não custam caro — considerando-se os benefícios para a saúde da população –, mas dependem todas de “políticas públicas coerentes de longo prazo para serem implementadas”. Uma delas é o uso de filtros disponíveis no mercado que reduzem a emissão de poluentes de ônibus em até 95%, a um custo de R$ 10 mil a R$ 20 mil por veículo. Para os 14,4 mil ônibus da capital o custo seria de no máximo R$ 300 milhões.

Os meios legais para promover a redução da poluição causada pelos veículos pesados já existem, embora num prazo considerado longo por muitos ambientalistas — 20 anos. A Lei Municipal 16.802/18, sancionada em janeiro deste ano, estabelece que a redução de poluentes dos veículos de transporte público deve ser de 50% até 2028 e de 100% até 2038. Lei anterior (14.933/09), modificada pela 16.802/18, estabelecia que até 2018 nenhum daqueles veículos deveria mais usar combustível fóssil, por ser muito poluente. Houve, portanto, um atraso considerável.

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Fonte: O Estado de S.Paulo – Coluna Opinião 

Irlanda deve ser primeiro país a deixar de investir em combustíveis fósseis

Lei aprovada na última semana deve ser sancionada pelo primeiro-ministro

A Irlanda vai zerar, em até 5 anos, todos os investimentos estatais em companhias que produzem combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural. Uma lei aprovada na câmara inferior do Parlamento irlandês na última quinta-feira (12) fará com que o país seja o primeiro do mundo a cumprir o ‘desinvestimento’ em empresas do tipo.

De acordo com a legislação, o fundo nacional de investimentos da Irlanda terá de vender ações em companhias produtoras de combustível fóssil, avaliadas hoje em 8 bilhões de euros (cerca de R$ 36 bilhões) até 2023. O fundo soberano da Noruega também tem feito desinvestimentos semelhantes, mas não há previsão de vender as ações por inteiro.

Mudanças de investimento

Autor do projeto de lei, o deputado independente Thomas Pringle comemorou o resultado. Antes de virar legislação, o projeto ainda será votado na câmara superior do Parlamento, mas a tendência é que ele seja aprovado e colocado em prática até o fim deste ano.

“O desinvestimento manda uma mensagem clara, de que o público irlandês e a comunidade internacional estão prontos para agir e pensar além de interesses de curto prazo. Estamos mostrando que existe a necessidade de parar de investir nessa indústria antes que as consequências climáticas se tornem irreversíveis”, disse o parlamentar.

O projeto define que uma companhia de combustível fóssil é aquela que tem 20% ou mais de sua receita baseada na exploração, extração ou refino de combustíveis como petróleo e gás natural. Outro artigo prevê que a Irlanda pode investir em empresas desse tipo se os fundos forem usados para que elas mudem para outras fontes de combustível.

Exemplo da Costa Rica

A mudança de legislação da Irlanda, até então considerado o segundo pior país da Europa em termos de ações ambientais, é semelhante à política adotada pela Costa Rica, que pretende zerar suas emissões de carbono até 2021.

Em maio, o novo presidente do país, Carlos Alvarado, anunciou o plano para a ‘descarbonização’ completa até o ano em que a Costa Rica completa 200 anos de independência. O país já produz 99% de sua eletricidade com formas renováveis, como energia solar, eólica e hidrelétrica.

Em seu discurso da vitória, Alvarado disse que quer remover completamente a gasolina e o óleo diesel dos meios de transporte costarriquenhos.

Fonte: The New York Times

Subsídios aos combustíveis fósseis são uma das principais causas do desequilíbrio fiscal da Argentina

Para este ano, estima-se que somente o Ministério da Energia receberá quase US$ 4 bilhões do orçamento nacional para distribuir como subsídios a combustíveis fósseis

Relatório da FARN – Fundación Ambiente y Recursos Naturales sobre os subsídios aos combustíveis fósseis na Argentina indica que estes se encontram na raiz do desequilíbrio fiscal que obrigou o país a recorrer ao FMI para um novo empréstimo internacional. De acordo com o estudo, em 2017, os subsídios para combustíveis fósseis na Argentina representaram US $ 9.487 bilhões, o que equivale a 5,6% do orçamento nacional e 1,74% do PIB nacional. Para este ano, estima-se que somente o Ministério da Energia receberá quase US$ 4 bilhões do orçamento nacional para distribuir como subsídios a combustíveis fósseis, o que representa 80% das despesas projetadas pelo Ministério. Em 2017, esse percentual foi de 75%.

Entre os valores desembolsados ??em 2017, US $ 1,2 bilhão foram destinados a empresas ligadas a combustíveis fósseis. Por exemplo, a Pan American (que tem entre seus controladores a British Petroleum, uma das maiores empresas de petróleo do mundo) recebeu US$ 1,170 bilhão entre 2016 e 2017. Nesse biênio, US $ 4,1 bilhões foram destinados a empresas ligadas a combustíveis fósseis no país. Segundo o relatório da FARN, 96% dos fundos são recebidos por 16 das 41 empresas beneficiadas, as quais não realizaram projetos de investimento além dos recursos que receberam do Estado. Portanto, o Estado está pagando, em alguns casos, bens duráveis ??que permanecerão na posse das empresas. A FARN destaca ainda que este financiamento carrega um grande custo fiscal, dado o cancelamento de dívidas que o Tesouro Nacional atualmente faz de fundos que deveriam ter sido pagos com o esquema de incentivos aplicado em anos anteriores.

O governo argentino estabeleceu medidas para incentivar a geração de energia renovável e reduzir o déficit no balanço de pagamentos no setor de energia, juntamente com os grandes subsídios para consumo e produção. As medidas implementadas no último período para reduzir os subsídios aos combustíveis fósseis são evidentes nos fundos previstos 2017 e os valores orçados para 2018. Em 2017, os subsídios consumiram 5,6% do orçamento nacional e 3,1% em 2018, com valores de US $ 9.487 bilhões a US $ 6.901 bilhões, respectivamente. Esses valores representaram 1,74% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 1,26% em 2018, com uma redução ano-a-ano de 27%. Porém a análise da FARN mostra que esse corte começou pelo lado dos consumidores, mantendo a parcela para financiamento de empresas de petróleo e gás.

A Argentina, anfitriã do G20 deste ano, tem uma matriz energética composta por 87% de combustíveis fósseis, dos quais 8% dependem de importações. Segundo o Ministério do Meio Ambiente local, o setor de energia é responsável por 52,5% das emissões de gases de efeito estufa do país.

“Num contexto internacional em que se debate sobre os subsídios aos combustíveis fósseis e propostas para eliminá-los como uma medida para evitar atingir um aumento da temperatura global de 2 ° C, é imperativo que os países revejam seus esquemas de promoção do extrativismo ligados aos hidrocarbonetos”, alerta Enrique Maurtua Konstantinidis, especialista em mudanças climáticas da FARN e um dos autores do estudo. “A Argentina, assumindo a presidência do G20 este ano e com seu pedido de admissão à OCDE, deve se envolver nesse assunto”, completa.

O relatório da FARN foi produzido no esteio do próximo encontro do G20, que este ano é presidido pela Argentina, já que desde 2009 o tema foi incluído na agenda do grupo, bem como o compromisso de “Retirar gradualmente e racionalizar os subsídios ineficientes no médio prazo aos combustíveis fósseis, enquanto fornece apoio destinado aos mais pobres. Os subsídios aos combustíveis fósseis são ineficientes porque fomentam o desperdício e distorcem os mercados, reduzem nossa segurança energética, impedem o investimento em energia limpa e prejudicam os esforços para enfrentar a ameaça da mudança climática “. No entanto, até agora, os países do G20 não foram eficientes na eliminação de tais subsídios. Entre 2013 e 2014, as instituições financeiras em países do G20 investiram US$ 88 bilhões em projetos relacionados ao carvão, petróleo e gás (Climate Transparency, 2017). Da mesma forma, para 2014, estima-se que os subsídios aos combustíveis fósseis do G20 tenham totalizado US$ 230 bilhões (Climate Transparency, 2017).

A íntegra do relatório está disponível aqui.

Fonte: Macaé OffShore

Governo subsidia combustível fóssil e ignora energia limpa

Renúncia fiscal e incentivos para derivados do petróleo somam R$ 342,36 bilhões desde 2013

Enquanto o mundo caminha para a popularização de carros elétricos, incentivo a motores movidos a energias limpas e restrições a veículos que rodam com derivados de petróleo, o Brasil está preso numa estrutura antiga, que privilegia o mais poluente. Combustíveis fósseis – gás natural, carvão mineral, gasolina, óleo diesel e gás de cozinha – contam com subsídios bilionários. Levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) aponta subsídios de R$ 342,36 bilhões, entre 2013 e 2017, para os combustíveis fósseis no país, sob a forma de renúncias fiscais e gastos diretos. A média anual foi de R$ 68,6 bilhões, 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, ou o equivalente a quase dois programas Bolsa Família.

Este cenário está longe de mudar. A Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio) ainda está em processo de regulamentação em Brasília, segundo informações do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. O governo também vai anunciar em breve o novo programa de incentivo ao setor automobilístico Rota 2030. Segundo técnicos que participam das discussões, trará redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos elétricos e híbridos. Hoje eles são taxados na faixa de 25%. Com o Rota 2030, haveria faixas de 7% a 18%. As montadoras terão 15 anos para compensar os investimentos em inovação, com incentivos tributários de até R$ 1,5 bilhão ao ano. Tudo somado, ainda é muito inferior aos R$ 342,36 bilhões concedidos para os combustíveis fósseis entre 2013 e 2017.

O levantamento do Inesc mostra que, entre as renúncias fiscais identificadas, as de maior montante foram relativas à redução da cobrança do PIS/Cofins sobre combustíveis e da Cide, que resultaram em perdas de arrecadação estimadas em R$ 178 bilhões e R$ 46 bilhões, respectivamente, no período analisado. Uma das autoras do estudo “Subsídios aos combustíveis fósseis no Brasil: conhecer, avaliar e reformar”, Alessandra Cardoso, ressalta que os números foram subestimados. “Não conseguimos os valores dos subsídios na forma de financiamentos e investimentos. Falta transparência do governo”, observa.

 Fonte: O Tempo

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