Código Florestal Brasileiro, um obstáculo para a produção agrícola ou um diferencial de mercado?

Em artigo, o consultor em gestão da sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio Barreto, comenta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ser consideradas um dos principais desafios de nível planetário que põem em dúvida o modelo atual de vida de nossa sociedade. Esse fenômeno é entendido como as alterações no clima de todo o planeta Terra, causadas pelas atividades humanas que emitem CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) para a atmosfera. Essas alterações têm consequências diretas no nosso dia a dia, causando, por exemplo, alterações nos padrões de temperatura e eventos climáticos de alta intensidade, como secas, inundações e picos de temperaturas altas e baixas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em Inglês), já foi registrada uma elevação média de 0,8 oC na temperatura do planeta, e é imprescindível cessar as emissões de gases de efeito estufa até 2100 para estabilizar o aquecimento global em 2 oC. Uma mudança climática acima desse patamar pode colocar em risco toda a vida no planeta.

tiago-egydio-barreto-fundacao-espaco-eco (Foto: Divulgação/FEE)

Essa preocupação global gerou a formulação de um compromisso com esforço coletivo para a redução das emissões de carbono que foi assinado em 2015, na Conferência das Partes (COP 21), por 195 países, ficando conhecido como Acordo de Paris. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 °C e, se possível, limitar a 1,5 °C. Cada país que ratificou o acordo assumiu metas que foram chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC – sigla em Inglês). Atualmente, as emissões globais estão próximas de 37 gigatoneladas/ano de GEE (fonte: https://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/).

As metas assumidas por cada país no Acordo de Paris começam a ser válidas em 2020. O Brasil, que está entre as dez nações que mais emitem gases de efeito estufa, comprometeu-se a reduzir suas emissões em 37% em relação a 2005. A data-limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. A principal fonte das emissões do Brasil é a mudança e conversão de uso do solo em virtude do desmatamento ilegal de nossos remanescentes de vegetação nativa (Cerrado e Floresta Amazônica), que corresponde a aproximadamente 46% do total. No setor produtivo, a atividade que mais tem contribuído para a emissão dos gases de efeito estufa é a atividade agropecuária, com aproximadamente 23% do total das emissões do país, segundo dados do observatório do clima.

Diante desse cenário, referente às emissões brasileiras oriundas das atividades agropecuárias, permito realizar algumas observações que buscam avaliar alguns aspectos de mercado e as leis ambientais do Brasil.

Quanto ao mercado, cada vez mais o tema da sustentabilidade permeia os diferentes setores produtivos. Parte disso se deve ao tema de emissões de GEE. Hoje, é comum encontrarmos na internet textos sobre economia de baixo carbono. Isto é, ao meu ver, esperado, visto que quase a totalidade dos países ratificaram o Acordo de Paris e se comprometeram com suas NDCs.

Na prática, segundo dados do Banco Mundial, 51 países já possuem seus mecanismos de precificação de carbono, e isso quer dizer que o custo das consequências das mudanças climáticas, que outrora não era contabilizada no balanço do custeio dos países e empresas, passará a ser valorada, e as fontes emissoras dos GEE passarão a ter suas emissões reguladas, seja por impostos ou por sistema de comércio de emissões, dado o marco legal de 2020, em que começará a entrar em vigor o Acordo de Paris. Ou seja, o custo do carbono entrará no orçamento das empresas e governos, de forma oficial, nesses países.

Olhando para o setor do agronegócio brasileiro, que produz riquezas, mas também é uma importante fonte de emissão de GEE, ressalto a importância das leis ambientais brasileiras para apoiar no equilíbrio dessa relação entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Em específico, refiro-me ao Código Florestal – leis federais 12.651 e 12.727, de 2012 –, que propõe um zoneamento da propriedade rural. Entre as categorias previstas está a Reserva Legal, que determina um percentual de área que pode variar de 20% a 80% e deve ser destinada à conservação ambiental, com possibilidade de exploração sustentável dos recursos naturais.

Na prática, isso quer dizer que os produtores rurais que atendem a esse requisito legal devem contabilizar as emissões de seu negócio, reduzindo o que é sequestrado de carbono, considerando sua área de Reserva Legal. Outros países adotam sistemas diferentes para impor regras para o uso da terra na propriedade rural, mas pode ser dito que o modelo de Reserva Legal previsto na lei ambiental do Brasil é um caso diferenciado, quando comparado com os de outros países.

Cerca de 55% do território brasileiro ainda é coberto por algum tipo de vegetação nativa, e boa parte desse montante está localizada nas propriedades rurais – o que reforça o protagonismo do produtor rural para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Outros países, como a Rússia, possuem maiores áreas territoriais cobertas por áreas naturais. Contudo, é importante discernir que boa parte da Rússia não possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de práticas agrícolas, e no Brasil temos um cenário oposto, em que teoricamente não há restrições climáticas para o desenvolvimento de agricultura, do norte ao sul do país.

O Brasil tem como base de sua produção agrícola as commodities, principalmente relacionadas ao cultivo de cereais e à pecuária. Esses produtos seguem mercados cada vez mais exigentes quanto à qualidade e aos critérios de produção socioambientais. Neste momento da nossa história, em que os mercados estão cada vez mais conectados e o carbono virou uma “moeda”, em vez de considerar a área de Reserva legal como uma barreira para aumentar a produtividade, ela pode ser vista como uma oportunidade única para atender às exigências de mercado e configurar a produção de commodities agrícolas do Brasil como uma das mais sustentáveis do mundo.

Para ilustrar essa colocação, pego um caso real. O óleo de palma e o óleo de palmiste são originados da extração do óleo existente na fruta e na semente dos dendezeiros e são os óleos mais consumidos no mundo. A produção desse cultivar está concentrada principalmente em dois países: Indonésia e Malásia. Visto que, ao longo do tempo, muitas áreas de vegetação nativa nesses países foram convertidas para o cultivo do dendezeiro, a biodiversidade local tornou-se vulnerável, e espécies entraram na lista de ameaça de extinção, como os orangotangos. Além disso, o cultivo dos dendezeiros ocorre normalmente em turfeiras, solos ricos em estoque de carbono. Assim, as emissões de GEE também viraram um ponto de atenção. Dadas essas e outras questões que envolvem a produção do óleo de palma e palmiste, houve uma reação e mobilização de mercado, e as empresas que demandam essas matérias-primas precisavam garantir as boas práticas nos seus processos produtivos. Assim, nesse caso, a certificação da produção dos respectivos óleos com critérios socioambientais adequados foi a solução para garantir que as grandes empresas atendessem às exigências dos consumidores e outros elos da cadeia de valor.

Ocorre que no Brasil também há produção de dendezeiros, porém é pouco expressiva, considerando a demanda e a produção mundial. Aqui, a produção ocorre principalmente no estado do Pará, e os produtores do dendezeiro devem seguir o Zoneamento Econômico Ambiental, que determina as regras para o plantio dessa cultura, como a proibição de conversão de floresta nativa para o plantio e o uso de áreas de pastagens degradadas para esse fim, além de respeitar o percentual exigido de Reserva Legal, que, nesses casos, é de 50% da área da propriedade.

Observa-se que essas regras ambientais vão ao encontro da proposta da certificação do óleo de palma e palmiste, por garantir uma pegada ambiental positiva em relação às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade. Atualmente, as empresas compradoras desses óleos possuem metas quanto ao consumo de matérias-primas certificadas, e a demanda possivelmente será de 100% em um futuro próximo. Em um mundo cada vez mais conectado, as “vozes” dos diferentes elos da cadeia de valor fazem com que os mercados se atentem a elas para suas tomadas de decisão. Esse contexto se aplica a outras commodities agrícolas, como a soja. A plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies) monitora anualmente as áreas de plantio de soja no Brasil, identificando possíveis locais que foram desmatados, plantados em terras indígenas ou Unidades de Conservação, apoiando o mercado a atender às suas demandas e às exigências da cadeia de valor.

Nota-se que a questão de conservar áreas naturais vai além de exigências legais. Os acordos globais e o posicionamento do mercado indicam a direção a seguir de muitos setores produtivos, e é notório que o tema de conservação de florestas nativas é tendência em sustentabilidade. Todas as grandes empresas possuem metas de redução de CO2. A lei ambiental brasileira firma-se como uma oportunidade, e não como um obstáculo, trazendo um diferencial para nossa agricultura. Que cadeias produtivas poderiam se beneficiar com esse posicionamento? Em que mercados o Brasil deveria investir mais e como se posicionar?

Fonte: Globo Rural

As ideias inusitadas e radicais testadas por cientistas para conter as mudanças climáticas

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as mudanças climáticas, alertam cientistas

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

“O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema”, disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo “geoengenharia”.

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será “resolver o problema climático”. “Não podemos falhar nisso”, disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes impensáveis, argumentam pesquisadores (Foto: NASA, via BBC News Brasil)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. “Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos”, disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta
Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é “iluminar” as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.

graf_clima 1 (Foto: Reprodução/BBC)
Reciclagem de CO2
Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.

graf_clima 2 (Foto: Reprodução/BBC)
Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

“Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina”, disse ele à BBC News. “Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos.”

Estimular a produção de algas nos oceanos
Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.

graf_clima 3 (Foto: Reprodução/BBC)

Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

“No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais”, disse Roberts.

“Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa.”

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

“No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor”, disse Roberts.

Pensando o impensável
Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

“Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera”, disse Wadhams.

“Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global.”

Fonte: Época Negócios

Mais de 200 cidades europeias se unem pelo clima

Prefeitos de cidades europeias, incluindo Londres, Amsterdã e Paris, apelam a países-membros da União Europeia (UE) a implementar estratégia para que balanço das emissões de CO2 seja zero até 2050.

Em carta aberta, 210 prefeitos pediram aos chefes de governo e de Estado da UE, nesta terça-feira (7), que elaborem e coloquem em prática uma estratégia climática de longo prazo, durante a reunião de cúpula desta quinta-feira (9) em Sibiu, na Romênia.

A carta foi assinada pelos prefeitos de Paris, Londres, Estocolmo, Amsterdã, Oslo, Milão, Atenas e Stuttgart, entre outras cidades da Europa.

Segundo eles, a meta final dessa estratégia deve ser uma atividade econômica que, a partir de 2050, alcance a neutralidade climática, ou o balanço zerado de emissões de CO2. Os prefeitos apoiam, assim, uma proposta feita pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu, que eles chamaram de a única realizável em prol do futuro da Europa e do mundo.

“A Europa deve se tornar uma líder mundial na questão climática. As gerações futuras não vão nos perdoar se não agirmos enquanto ainda tivermos tempos”, afirmou a prefeita da Paris, Anne Hidalgo.

A meta atual da União Europeia é reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 40% até o ano de 2030, na comparação com 1990. Em 2020, a UE pretende definir sua estratégia climática até meados do atual século, dentro do que está previsto no Acordo de Paris.

Ontem, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que vai colocar o tema na agenda de Sibiu.

Centenas de organizações não governamentais (ONGs) europeias também convocaram os líderes a agir contra as mudanças climáticas. “Lançamos um sinal de alerta em prol do clima para todos os atuais e futuros políticos europeus”, disse o diretor do Climate Action Network (CAN) Europe, Wendel Trio. Ele disse que é hora de os políticos agirem.

As ONGs exigem que a luta contra as mudanças climáticas seja uma prioridade na cúpula de Sibiu, assim como nos debates que antecedem as eleições europeias. A meta deve ser a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2030. Além disso, defendem o fim dos combustíveis fósseis, mais apoio aos países em desenvolvimento para se adaptarem às mudanças climáticas, a proteção da biodiversidade e mais esforços em prol da economia circular, na qual os dejetos são reaproveitados como matéria-prima.

O presidente da Comissão das Conferências Episcopais da EU (Comece), o arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, também apoia a iniciativa. “Peço ao futuro Parlamento Europeu, à Comissão Europeia e aos países-membros que adotem medidas urgentes contra as mudanças climáticas”, afirmou.

Ele disse ser importante que a transição para uma sociedade de emissões zero seja justa. Para que as pessoas mais pobres também sejam beneficiadas, é necessária a adoção de medidas sociais e de respeito aos direitos humanos.

A tecnologia que promete remover CO2 do ar e transformar em pó

Nova tecnologia que ‘captura’ dóxido de carbono do ar ganhou investimentos de gigantes de combustível fóssil, mas também gera temor de ambientalistas

Uma tecnologia que retira dióxido de carbono do ar está recendo investimento de algumas das maiores empresas de combustível fóssil do mundo.

A Carbon Engineering, da cidade de British Columbia, no Canadá, afirma que consegue “capturar” CO2 da atmosfera de maneira eficiente e econômica.

A empresa recebeu US$ 68 milhões em investimentos da Chevron, da Occidental e da gigante de extração mineral BHP.

Mas ambientalistas temem que essa tecnologia seja usada para extrair volumes ainda maiores de petróleo.

Diante das metas internacionais de redução de gases do efeito estufa, várias empresas entraram na corrida por uma tecnologia capaz de reduzir o dióxido de carbono do ar. A empresa suíça Climeworks, por exemplo, já atua capturando CO2 do ar para usar na produção de vegetais.

Já a Carbon Engineering diz que é capaz de capturar gás carbônico do ar por menos de US$ 100 a tonelada.

O desenvolvimento de tecnologia para a remoção de dióxido de carbono passou a receber apoio da comunidade científica, depois que o último relatório do Painel Internacional de Mudança Climática defendeu a medida como forma de atingir a meta de manter em 1,5 grau Celsius o aumento da temperatura terrestre neste século.

Com os investimentos que recebeu de empresas de extração de óleo e minério, a Carbon Engineering diz que conseguirá construir a estrutura física para abrigar equipamentos de escala industrial voltados à limpeza de CO2 do ar.

Essas plantas de captura de gases poluentes seriam capazes de retirar até um milhão de toneladas de CO2 da atmosfera a cada ano.

Como o sistema funciona?

O CO2 é um poderoso gás causador do aquecimento global, mas não há muito dele na atmosfera- para cada milhão de moléculas de ar, há 410 de CO2.

O processo desenvolvido pela Carbon Engineering envolve sugar o ar e o expor a uma solução química que concentra o CO2. Processos adicionais de refinamento fazem com que o gás seja purificado de modo a ser armazenado e, posteriormente, utilizado como um combustível líquido.

Isso exige combinações químicas complexas?

Sim.

As instalações da Carbon Engineering contam com uma espécie de turbina no meio do teto, que captura ar da atmosfera.

Esse ar entra em contato com uma solução química de hidróxido. Alguns hidróxidos reagem com o dióxido de carbono, formando uma solução de carbonato.

Essa mistura é, então, tratada com hidróxido de cálcio para assumir uma forma sólida.

Infográfico mostra como é a transformação de CO2 em combustível — Foto: BBCInfográfico mostra como é a transformação de CO2 em combustível — Foto: BBC

Infográfico mostra como é a transformação de CO2 em combustível — Foto: BBC

As partículas de carbonato de cálcio são, então, submetidas a temperaturas de até 900 graus Celsius e se decompõem formando uma corrente de CO2 e óxido de cálcio.

Esse líquido que contém CO2 passa, em seguida, por uma limpeza para remover impurezas da água.

“A chave para esse processo é a concentração do CO2”, diz Jenny McCahill, da Carbon Engineering.

“Podemos armazenar o CO2 em pó ou combiná-lo com hidrogênio para formar hidrocarbonetos ou metanol.”

Sim. É um processo complexo, mas que pode ser feito.

O CO2 capturado da atmosfera é misturado com hidrogênio. Ele passa, então, por um catalisador a 900 graus Celsius, para formar monóxido de carbono.

Quando é acrescentado mais hidrogênio, o monóxido de carbono se torna gás sintético. Finalmente, esse gás é transformado em combustível sintético bruto. A Carbon Engineering diz que essa substância pode ser usada para mover diferentes tipos de motores, sem ter de passar por modificações.

“O combustível que produzimos não tem enxofre em sua composição. A queima, portanto, é mais limpa que a de combustíveis tradicionais,” diz McCahill.

“Ele pode ser usado por caminhão, carro ou aeronave.”

Por que empresas de combustível fóssil estão investindo nesse processo?

CO2 pode ser usado para extrair os últimos depósitos de óleo em poços que já ultrapassaram o período de alta produtividade.

A indústria de petróleo e gás dos Estados Unidos utiliza essa técnica há décadas.

Estima-se que a utilização de CO2 pode resultar numa extração extra de 30% de petróleo, com o benefício adicional de que, nesse processo, o dióxido de carbono fica retido permanentemente no solo.

“A tecnologia da Carbon Engeneering tem a capacidade de capturar e prover volumes elevados de CO2 atmosférico”, diz o vice-presidente da Occidental Petroleum, Richard Jackson, num comunicado.

“Ao garantir a captura e reutilização de CO2 em larga escala, essa tecnologia complementa os negócios da Occidental na extração de petróleo.”

Outro investidor da Carbon Engineering é a BHP, mais conhecida pelas atividades de extração mineral e carvão.

“A realidade é que combustíveis fósseis vão continuar por aí por algumas décadas, seja em processos industriais seja para uso em transportes”, disse Fiona Wild, diretora de mudanças climáticas e sustentabilidade da BHP.

“O que precisamos é investir em tecnologias capazes de reduzir as emissões nesses processos. Por isso estamos focando na captura e armazenamento de dióxido de carbono.”

Alguns ativistas da área ambiental estão otimistas com essa tecnologia de captura de carbono do ar, mas outros temem que ela seja usada para prolongar a era do combustível fóssil.

“É uma grande preocupação”, disse Tzeporah Berman, diretora internacional da ONG Stand, que atua na defesa do meio-ambiente.

“Precisamos trabalhar em conjunto para encontrar uma maneira de abandonar por completo os combustíveis fósseis. (A captura de CO2) Nos traz a falsa esperança de que podemos continuar a produzir e queimar combustíveis fósseis, para depois a tecnologia consertar a situação. Já passamos desse ponto.”

Outros ambientalistas temem que essa tecnologia de captura de CO2 estimule as pessoas a acharem que não precisam mais reduzir suas próprias emissões de carbono.

“Acho que há um perigo real de que as pessoas enxerguem essa tecnologia como uma solução mágica e passem a se preocupar menos em cortar suas emissões de carbono”, diz Shakti Ramkumar, estudante da Universidade de British Columbia.

“Temos a responsabilidade moral de reduzir nosso consumo em larga escala. Precisamos refletir profundamente sobre onde e como vivemos nossas vidas.”

Essa tecnologia é a ‘solução mágica’ contra o aquecimento global?

É impossível dizer se a ideia da Carbon Engineering fará grande diferença na luta contra as mudanças climáticas.

A empresa acredita que suas máquinas de captura de CO2 podem se tornar tão comuns quanto as plantas de tratamento de água- prestando um serviço valioso, embora pouco notado pelo público em geral.

Por enquanto, a companhia conseguiu dinheiro suficiente para construir a infraestrutura para sequestrar carbono do ar por menos de US$ 100 a tonelada.

Mas, será que com esses grandes investimentos da indústria de petróleo, o foco dos esforços em capturar CO2 não será direcionado à produção de mais combustível fóssil em vez de se direcionar ao controle das mudanças climáticas?

Mas, afinal de contas, as descobertas da Carbon Engineering são a “bala de prata” no controle de gases poluentes?

“Eu nunca diria a ninguém que devemos apostar todas as fichas numa mesma opção”, diz o CEO da Carbon Engineering, Steve Oldham.

“Mas é positivo o fato de que temos a tecnologia pronta, disponível, preparada para ser usada e sem efeitos colaterais químicos.”

Estudos recentes afirmam que espécies que vivem no Ártico, como o urso polar, focas e crustáceos, precisam se adaptar ao constante degelo ou podem desaparecer para sempre devido ao aumento da temperatura do planeta. — Foto: Danile Beltra/Greenpeace/AFPEstudos recentes afirmam que espécies que vivem no Ártico, como o urso polar, focas e crustáceos, precisam se adaptar ao constante degelo ou podem desaparecer para sempre devido ao aumento da temperatura do planeta. — Foto: Danile Beltra/Greenpeace/AFP

Estudos recentes afirmam que espécies que vivem no Ártico, como o urso polar, focas e crustáceos, precisam se adaptar ao constante degelo ou podem desaparecer para sempre devido ao aumento da temperatura do planeta. — Foto: Danile Beltra/Greenpeace/AFP

Fonte: G1

2018 registra 4ª maior alta de CO2 na atmosfera

Um sinal de que o mundo não está agindo para frear as emissões de CO2 e mitigar as mudanças climáticas, como prevê acordo global pelo clima

A concentração de gases do efeito estufa liberados na atmosfera da Terra durante o ano 2018 atingiu o quarto maior nível já observado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), desde que os registros começaram, há 60 anos.

Os cientistas medem regularmente a abundância de dióxido de carbono (CO2) em amostras atmosféricas coletadas no Observatório Mauna Loa, no Havaí.

Segundo uma nova análise do observatório, a concentração de CO2 subiu 2,87 partes por milhão (ppm) ao longo do ano passado, saltando de uma média de 407,0 ppm em 1º de janeiro de 2018 para 409,9 ppm em 1º de janeiro de 2019.

Três dos quatro maiores aumentos anuais registrados ocorreram nos últimos quatro anos (de 2015 a 2018), um sinal de que o mundo não está agindo para frear as emissões de CO2 e mitigar as mudanças climáticas, como prevê o Acordo do Clima de Paris.

O aumento observado em 2018 ficou atrás apenas do salto recorde de 2016 de 3,01 ppm, do aumento quase recorde de 2,98 ppm em 2015 e da alta de 2,93 ppm em 1998.

Quanto mais demorarmos para frear as emissões, mais difícil será lidar com os impactos ambientais de um planeta aquecido, de secas severas a inundações extremas.

Pelo Acordo de Paris, assinado em 2015, os países signatários devem atingir a meta de limitar o aquecimento do Planeta a no máximo 2 graus Celsius (ºC) até o final do século, acima do níveis pré-industriais, ou no cenário ideal, a 1,5 ºC.

Sem trégua: gráfico mostra concentrações crescentes de dióxido de carbono na atmosfera (em partes por milhão).

Sem trégua: gráfico mostra concentrações crescentes de dióxido de carbono na atmosfera (em partes por milhão). (NOAA/Reprodução)

Por que isso é importante?

A cada ano, as atividades humanas produzem mais CO2 do que os processos naturais podem absorver. Isso significa que o valor líquido de dióxido de carbono atmosférico nunca diminui. Assim, o acúmulo anual do gás segue subindo a medida que população mundial queima mais e mais combustíveis fósseis, como carvão e petróleo para geração de energia.

O dióxido de carbono é, de longe, o mais importante entre os gases de efeito estufa, tanto na quantidade total quanto na taxa de aumento. Nas últimas duas décadas, a taxa de aumento de CO2 foi aproximadamente 100 vezes mais rápida do que os aumentos ocorridos de forma natural durante a última era glacial (entre 11.000 de 17.000 anos atrás).

“A alta acelerada de CO2 na atmosfera hoje em dia é dominada por atividades humanas”, disse Tans. “Não é de causas naturais”.

Transição energética estagnada

Os novos dados sobre o aumento das concentrações de CO2 coincidem com a divulgação de um estudo preocupante do Forum Econômico Mundial, que alerta: a transição energética global estagnou, em parte devido ao uso contínuo de energia a carvão em todo o mundo e ao lento progresso dos países em eficiência energética.

A constatação é do relatório “Promovendo a energia eficaz de Transição”, divulgado nesta segunda-feira (25). Limitar o aquecimento global depende de uma transição rápida de combustíveis fósseis para fontes de energia mais sustentáveis, como eólica e solar.

Mas enquanto Europa e América do Norte se distanciam do carvão, muitos países na Ásia continuam a depender dessa fonte poluente para atender à crescente demanda por energia de suas populações.

Fonte: Exame

Torre do clima

Para fazer ciência na Amazônia, além de enfrentar longos desafios logísticos, também é preciso subir degraus. Muitos deles. Quase 1,5 mil e, se possível, de uma só vez. O esforço vale a pena, pois tem levado a descobertas sobre o impacto tanto das mudanças climáticas na Amazônia quanto da floresta no clima de todo o planeta.

A escadaria está na Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), com 325 metros de altura. A copa das árvores chega geralmente até 40 metros de altura, ou um oitavo da torre ATTO. A torre fica a 150 km de Manaus (AM), na Estação Científica do Uatumã. É lá que cientistas instalam equipamentos capazes de captar informações sobre os fluxos de troca entre a floresta e a atmosfera.

São análises de concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, do balanço de radiação e de fluxos de ozônio e aerossóis – partículas líquidas ou sólidas em suspensão no ar -, entre outros indicadores importantes para que se forme um panorama da importância da floresta amazônica.

A Amazônia desempenha um papel importante nos ciclos biogeoquímicos globais de gases de efeito estufa.

“A floresta controla o balanço de energia, o fluxo de calor latente e sensível, o vapor d’água e os núcleos de condensação de nuvem que vão intensificar o seu ciclo hidrológico. E isso só é possível se houver uma extensão muito grande de floresta contígua. Quando ela é fragmentada, deixa de ter essa propriedade,” explica o professor Paulo Artaxo, da USP.

Amazônia e clima global

A análise de dados coletados na torre ATTO e em outros locais da Amazônia permitiu ao projeto GoAmazon (Green Ocean Amazon Experiment) fazer descobertas importantes sobre a dinâmica da floresta amazônica e sua relação com as mudanças climáticas. A partir de dados obtidos na torre, pesquisadores descobriram que o processo de aquecimento global pode ser ainda mais intenso do que o previsto originalmente caso não se consiga frear o desmatamento.

O grupo de pesquisadores reproduziu matematicamente as condições atmosféricas atuais do planeta, incluindo concentrações de aerossóis, compostos orgânicos voláteis antropogênicos e biogênicos, ozônio, CO2, metano e também os demais fatores que influenciam na temperatura global. De acordo com o estudo, essa maior intensidade de aquecimento está relacionada principalmente às mudanças nas emissões de BVOCs (compostos orgânicos voláteis biogênicos) pelas florestas tropicais.

Outro estudo reforçou a importância da Amazônia na regulação química da atmosfera. Pesquisadores do GoAmazon descobriram que a floresta amazônica emite três vezes mais isopreno do que o estimado anteriormente. A substância é um dos principais precursores do gás ozônio.

Um terceiro trabalho mostrou que na floresta tropical as partículas ultrafinas de poluição emitidas pelas cidades – e que costumam ser desprezadas para o impacto da poluição urbana – afetam substancialmente a formação das nuvens de tempestade na Amazônia. Os resultados obtidos ajudam na compreensão de como a poluição urbana afeta os processos relacionados à formação de tempestades na Amazônia.

“É um quebra-cabeça e nós tentamos justamente identificar novas peças para contar a história completa”, disse Luciana Varanda, professora da Unifesp e integrante do GoAmazon.

Torre ATTO

Em funcionamento desde 2015, a construção da torre custou – 8,4 milhões, financiados metade pelo governo alemão e pelo Instituto Max Planck e a outra metade pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) do Brasil, com recursos da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep). Agências de fomento estaduais, como a Fapesp (São Paulo), a Fapeam (Amazonas) e a Funpar (Paraná), financiam projetos de pesquisa na torre.

Na reserva existem ainda outras duas torres mais baixinhas, com 80 metros cada, usadas para o estudo de gases e aerossóis. Nelas é possível ter uma perspectiva mais próxima do dossel e não sobre a floresta, como ocorre com a torre ATTO.

Fonte: Inovação Tecnológica

Brasil propõe estratégias para diminuição de CO²

O assunto “meio ambiente e mudanças climáticas” não poderá jamais ser desprezado. Basta ver que o planeta Terra é o mesmo há milhões de anos, e será ocupado por cerca de 10 bilhões de pessoas que disputarão espaços, ondas magnéticas, alimentos, água, ar, e que vai gerar monumentais volumes de lixo, além dos abissais desperdícios, como por exemplo, alimentos.

A 24° conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24) aconteceu na Polônia, em dezembro de 2018 – aliás, um dos países admirados, citado pelo nosso novo Chanceler Ernesto Araújo – e lá, o nosso secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, fez sucesso revelando o progresso brasileiro em ações concretas, por empresas e governo, registrando a diminuição do desmatamento nos últimos dez anos, que cai de 20 mil km² para 7,9 mil km² ao ano.

Nos termos do Acordo de Paris, todos os países se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C e o mais próximo possível de 1,5°C.

Temos muito a fazer nos nossos seis biomas: pampa, mata atlântica, caatinga, cerrado, pantanal e Amazônia. Estados como Mato Grosso e Tocantins têm decrescido o desmatamento ilegal de forma considerável, na casa de 80% nos últimos 15 anos.

Na Polônia, apresentamos 42 projetos, com a participação da sociedade civil, possibilitando diminuição da emissão de dióxido de carbono – CO². Dentre eles, que consideramos vital e estratégico para o Brasil, será o crescimento do sistema de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), e como o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli tem dito e trabalhado, o produtor rural do futuro será também produtor de água; um gestor da água com irrigação sustentável administrada.

Uma das iniciativas do Brasil não foi aprovada, que era criar um mecanismo de incentivo às ações da iniciativa privada sobre a diminuição do aquecimento global. Ideia com a qual concordo totalmente, pois a soma do PIB das cinco mil maiores corporações privadas do planeta as colocam dentro das três maiores economias do mundo.

E, sem dúvida, seremos cada vez mais dependentes de uma forte governança das corporações, que impactam hoje muito mais do que os governos.

Portanto, o Brasil precisa insistir no mecanismo de estímulo às iniciativas privadas na emissão de CO².

Fonte: Campo Grande News

Algas podem transformar gases de efeito estufa em biomoléculas de interesse tecnológico

Além de buscar microalgas com esta capacidade, cientistas usam bactérias para otimizar produção de plástico biodegradável a partir do metanol

Uma equipe multidisciplinar do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) está estudando microalgas com potencial para a produção de bioprodutos a partir de gás carbônico e metano provenientes do gás natural. Os cientistas coletaram amostras na região da Baixada Santista (Cubatão e Guarujá) e isolaram 24 microalgas diferentes. Destas, quatro produziram tanto lipídios como biopolímeros. Sob a orientação da professora Elen Aquino Perpétuo, bióloga e coordenadora dos projetos 17 e 18 da instituição, o grupo também está selecionando bactérias para a produção específica de PHB (um biopolímero de alto valor agregado) a partir de metanol.

“A pesquisa com as bactérias está um passo à frente, porque já sabemos quais são as mais promissoras na produção de PHB. No caso das microalgas, ainda estamos identificando aquelas com maior potencial produtivo para dar o próximo passo, que é a otimização dessa produção”, resume Bruno Karolski, biólogo e aluno do Pós-doutorado em Engenharia Química na Escola Politécnica (Poli) da USP.

Segundo ele, a ideia inicial era usar o gás natural diretamente na cultura de microalgas para que o gás carbônico presente no gás natural fosse captado por elas, mas o grupo agora estuda se vale mais a pena separar o gás natural em CO2 e CH4 e ministrar às microalgas apenas o CO2.

Da esquerda para a direita: prof. Elen Aquino Perpetuo, pós-doutorando Bruno Karolski; prof. Cláudio Augusto Oller do Nascimento; doutoranda Letícia Oliveira Bispo Cardoso; pós-doutoranda Louise Hase Gracioso

“Das 24 microalgas que isolamos, quatro apresentaram rápido crescimento, alta concentração celular, produção de lipídios e também indícios de produção de PHB. Dessas quatro, identificamos três: duas cepas de Chlamydomonas sp., com características produtivas diferentes, mais a Didymogenes sp.Nossos dados preliminares indicam que para duas delas é possível obter esses bioprodutos concomitantemente, mas ainda não sabemos quais são as condições em que elas produzem mais lipídios ou mais PHB. O que sabemos é que, ao colocar as quatro microalgas selecionadas nas mesmas condições, duas se destacam porque uma produz mais PHB e a outra mais lipídios”, afirma Karolski. Ele lembra também que os lipídios produzidos pelas microalgas, ácidos graxos de cadeia longa e com alto potencial energético, são úteis, por exemplo, para a fabricação de biodiesel.

Segundo Letícia Oliveira Bispo Cardoso, química e doutoranda no Programa de Pós-graduação Interunidades em Biotecnologia da USP, há relatos de produção eficaz de PHB por microalgas, porém apenas quando modificadas geneticamente. “Em nosso caso, estamos explorando a diversidade de microalgas de um ambiente da Baixada Santista, visando encontrar as capazes de produzir PHB e também grandes concentrações de lipídios”, esclarece ela.

Bactérias e plástico

Os cientistas conseguiram extrair PHB produzido a partir de metanol de cinco das 180 cepas de bactérias com que trabalharam: Methylobacterium extorquensMethylobacterium rhodesianum,Methylopila oligotropha, Methylobacterium radiotolerans Methylobacterium populi.

“A Methylobacterium extorquens foi a que deu melhores resultados até agora: utilizando-se metanol como substrato, as bactérias chegaram a produzir 40% de PHB em 72 horas. A porcentagem de PHB é equivalente à relatada na literatura e agora estamos explorando maiores concentrações de oxigênio, testando agitação e diferentes concentrações de metanol para ver se conseguimos otimizar essa produção”, diz Letícia.

Bactérias Chlamydomonas sp (à esquerda) e Methylobacterium extorquens (à direita) – Foto: Wikimedia Commons

Os pesquisadores também relatam resultados bastante positivos com a Methylopila oligotropha. “Há poucos relatos na literatura de produção de PHB com essa bactéria e, no entanto, conseguimos uma produção de 25% de PHB. Isso é bastante promissor”, ressalta Karolski.

Letícia salienta que não se produz muito PHB no mundo a partir de metanol, pois a fonte de carbono mais comum do PHB é o açúcar. De acordo com ela, a oportunidade que a pesquisa possibilita, neste caso, é baratear a fonte de carbono para produção de PHB. “O açúcar é uma matéria-prima cara para se fazer plástico e acaba afetando o valor final do biopolímero. Esse é um dos fatores economicamente relevantes que pode ajudar a ampliar a participação do PHB no mercado de plásticos, entre outros”, revela a pesquisadora.

Karolski lembra que o RCGI tem projetos que visam à produção de metanol a partir de metano e dióxido de carbono. “Ou seja: estamos tentando usar gases de efeito estufa (GEEs) para formar metanol e, a partir dele, produzir um plástico biodegradável. Assim, estaremos mitigando GEEs e, ao mesmo tempo, obtendo bioprodutos de alto valor agregado.”

O grupo conta ainda com a bióloga e aluna de pós-doutorado em Engenharia Química na Poli, Louise Hase Gracioso, e com Bruna Bacaro Borrego, que está se graduando em Engenharia Ambiental na Unifesp. O professor Cláudio Augusto Oller do Nascimento também integra as equipes dos 17 e 18 do RCGI.

Fonte: Jornal da USP

O impacto financeiro do aquecimento global em 2018

Relatório de organização internacional mostra que pelo menos dez desastres climáticos geraram despesas na casa de US$ 1 bilhão

Tão certo quanto o especial de Natal do Roberto Carlos na TV, o aumento anual das emissões de CO2 segue implacável desde a Revolução Industrial. Em 2018, mais uma vez, a humanidade bateu seu recorde: mesmo com os esforços internacionais – leia-se Acordo de Paris – pressionando os países a diminuir a poluição do ar, fechamos o ano com um saldo de 37 bilhões de toneladas. Um total 2,7% maior em relação ao ano anterior.

É normal que as temperaturas da Terra oscilem de tempos em tempos. Muito antes de existir Homo sapiens para contar história, a Terra já havia passado por várias glaciações. Mas sabe-se hoje que a ação humana desregulou esses ciclos, e acelerou a chegada de um período de calor mais intenso.

O principal resultado disso é a maior incidência de desastres ambientais. Pode ser que você não se lembre, mas 2018 registrou vários casos do tipo em todo o mundo – entre enchentes, incêndios de grandes proporções, furacões, secas e muito, muito calor. A tendência é que tudo seja cada vez mais comum.

Além de fazer crescer o número de mortes, desabrigados e engrossar o total de perdas materiais, problemas causados por alterações drásticas do clima acabam fazendo estrago também no bolso dos países. É o que mostrou um relatório elaborado pela organização cristã de ajuda humanitária Christian Aid, que tem sede no Reino Unido.

Segundo o levantamento “Contando os custos”, elaborado pela entidade, os 10 eventos mais devastadores de 2018 ligados ao aumento das temperaturas tiveram danos econômicos que ultrapassaram US$ 1 bilhão.

Quatro destes, ainda, superaram a marca dos US$ 7 bilhões. Integram o grupo os furacões Florence e Michael, que arrasaram o sul dos Estados Unidos entre setembro e outubro deste ano. Contando somente o prejuízo financeiro, estima-se que os fenômenos tenham tido impacto de US$ 17 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. Segundo pesquisas, as chuvas do período tiveram intensidade até 50% maior graças à interferência humana no clima.

Ainda nos EUA, os incêndios que atingiram a Califórnia em novembro e deixaram dezenas de mortos somam impacto de US$ 7,5 bilhões. O mesmo montante vale também para a onda de secas da Europa, que teve início ainda em maio de 2018 – como destacou a BBC, mudanças climáticas causadas pelo homem dobram a chance de eventos do tipo. Completam a lista as enchentes entre junho e julho no Japão, que tiraram 250 vidas e oneraram o país em pelo menos US$ 7 bilhões.

O top 10 de desastres com mais impacto financeiro conta, ainda, com ondas de enchentes na China (US$ 3,9 bilhões) e Índia (US$ 3,7 bilhões), e secas na Argentina (US$ 6 bilhões), África do Sul (US$ 1,2 bilhão) e Austrália (US$ 5,8 bilhões). Nas Filipinas e na China, os custos relativos à passagem do tufão Mangkhut podem ter chegado aos US$ 2 bilhões.

E a tendência é que, para os próximos anos, o cenário seja parecido. “Apesar do impacto que alterações climáticas extremas tiveram no mundo, o ano de 2018 não deve ser exceção. Na verdade, é provável que seja um ano qualquer”, diz o relatório da Christian Aid. “Projeta-se para 2019  a ocorrência do fenômeno El Niño, que causa um aumento natural nas temperaturas, fazendo com que o ano que vem seja, ao que tudo indica, ainda mais quente”.

De acordo com Organização Mundial de Meteorologia, 2018 foi o quarto ano mais quente da história, com médias de temperatura globais até 1ºC mais elevadas do que costumavam ser na era pré-industrial.

Fonte: Super Interessante

USO DE BIODIESEL NA MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA PODE TRAZER GANHOS NA DESPOLUIÇÃO DO AR

É grande a disputa pelo espaço de uso de energia limpas e renováveis no Brasil. Neste particular, os biocombustíveis estão sendo vistos com uma das alternativas de peso para minimizar o problema de emissão em grande quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o que pode causar graves problemas respiratórios. O uso de produção de energia com recursos limpos e renováveis podem minimizar este problema. No primeiro trimestre deste ano, das 3.002 usinas termoelétricas ativas no Brasil apenas três utilizaram biocombustíveis como fonte de energia. o gerente de negócios para biodiesel da Camlin Fine Sciences (CFS) para América do Sul, Federico Sakson, acredita que “O país precisa se conscientizar sobre a importância da sustentabilidade. As empresas, que investirem na proteção do meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas, terão maior valor agregado ao seu produto. O uso do biodiesel nas termoelétricas é uma necessidade emergente”. A Camlin Fine Sciences (CFS) é um fornecedor de ingredientes de aroma de alta qualidade, antioxidantes e produtos químicos de alto desempenho.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) diz que o Brasil dispõe de 4.916 empreendimentos de geração elétrica em ação. A potência instalada de geração de energia elétrica está dividida em: hidrelétrica: 64%; termoelétrica, 27,5%; eolielétrica 7,9%; e solar 0,6%. No mundo, as usinas termoelétricas são as principais fontes de geração de energias e são 50% mais caras do que as hidrelétricas e com potencial poluente maior por emitir uma grande quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, podendo causar graves problemas respiratórios.

Este cenário é bem diferente em países da Europa, Ásia e América do Norte, onde a utilização de fontes renováveis no setor de geração de energia tem crescido cada vez mais por conta de incentivos como remuneração atrativa do excedente de energia injetada na rede e formas atraentes de financiamento do investimento. O objetivo é a redução de emissões de poluentes e da dependência do petróleo, hoje utilizado em mais da metade das usinas termoelétricas do país.

Em junho deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a redução de 10,1% nas emissões de gases de efeito estufa até 2028, no âmbito da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Para Aprobio – Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – é uma meta audaciosas, principalmente pelo potencial do Brasil em produzir biocombustível, como etanol e biodiesel. De acordo com a Aprobio, a previsão é de que o mercado dobre de tamanho até 2028 e o Brasil produza e consuma 11,1 bilhões de litros, passando a adotar a mistura de 11% de biodiesel em 2020 e chegando a 15%, o B15, em 2024. A utilização de biodiesel em pequenas centrais de geração não compete com a geração centralizada. Ela apenas complementa o sistema e aumenta sua confiabilidade, pois pode atuar como reserva de energia, servindo também como fornecimento de emergência.

Fonte: Petronotícias Online

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