O impacto financeiro do aquecimento global em 2018

Relatório de organização internacional mostra que pelo menos dez desastres climáticos geraram despesas na casa de US$ 1 bilhão

Tão certo quanto o especial de Natal do Roberto Carlos na TV, o aumento anual das emissões de CO2 segue implacável desde a Revolução Industrial. Em 2018, mais uma vez, a humanidade bateu seu recorde: mesmo com os esforços internacionais – leia-se Acordo de Paris – pressionando os países a diminuir a poluição do ar, fechamos o ano com um saldo de 37 bilhões de toneladas. Um total 2,7% maior em relação ao ano anterior.

É normal que as temperaturas da Terra oscilem de tempos em tempos. Muito antes de existir Homo sapiens para contar história, a Terra já havia passado por várias glaciações. Mas sabe-se hoje que a ação humana desregulou esses ciclos, e acelerou a chegada de um período de calor mais intenso.

O principal resultado disso é a maior incidência de desastres ambientais. Pode ser que você não se lembre, mas 2018 registrou vários casos do tipo em todo o mundo – entre enchentes, incêndios de grandes proporções, furacões, secas e muito, muito calor. A tendência é que tudo seja cada vez mais comum.

Além de fazer crescer o número de mortes, desabrigados e engrossar o total de perdas materiais, problemas causados por alterações drásticas do clima acabam fazendo estrago também no bolso dos países. É o que mostrou um relatório elaborado pela organização cristã de ajuda humanitária Christian Aid, que tem sede no Reino Unido.

Segundo o levantamento “Contando os custos”, elaborado pela entidade, os 10 eventos mais devastadores de 2018 ligados ao aumento das temperaturas tiveram danos econômicos que ultrapassaram US$ 1 bilhão.

Quatro destes, ainda, superaram a marca dos US$ 7 bilhões. Integram o grupo os furacões Florence e Michael, que arrasaram o sul dos Estados Unidos entre setembro e outubro deste ano. Contando somente o prejuízo financeiro, estima-se que os fenômenos tenham tido impacto de US$ 17 milhões e US$ 15 milhões, respectivamente. Segundo pesquisas, as chuvas do período tiveram intensidade até 50% maior graças à interferência humana no clima.

Ainda nos EUA, os incêndios que atingiram a Califórnia em novembro e deixaram dezenas de mortos somam impacto de US$ 7,5 bilhões. O mesmo montante vale também para a onda de secas da Europa, que teve início ainda em maio de 2018 – como destacou a BBC, mudanças climáticas causadas pelo homem dobram a chance de eventos do tipo. Completam a lista as enchentes entre junho e julho no Japão, que tiraram 250 vidas e oneraram o país em pelo menos US$ 7 bilhões.

O top 10 de desastres com mais impacto financeiro conta, ainda, com ondas de enchentes na China (US$ 3,9 bilhões) e Índia (US$ 3,7 bilhões), e secas na Argentina (US$ 6 bilhões), África do Sul (US$ 1,2 bilhão) e Austrália (US$ 5,8 bilhões). Nas Filipinas e na China, os custos relativos à passagem do tufão Mangkhut podem ter chegado aos US$ 2 bilhões.

E a tendência é que, para os próximos anos, o cenário seja parecido. “Apesar do impacto que alterações climáticas extremas tiveram no mundo, o ano de 2018 não deve ser exceção. Na verdade, é provável que seja um ano qualquer”, diz o relatório da Christian Aid. “Projeta-se para 2019  a ocorrência do fenômeno El Niño, que causa um aumento natural nas temperaturas, fazendo com que o ano que vem seja, ao que tudo indica, ainda mais quente”.

De acordo com Organização Mundial de Meteorologia, 2018 foi o quarto ano mais quente da história, com médias de temperatura globais até 1ºC mais elevadas do que costumavam ser na era pré-industrial.

Fonte: Super Interessante

USO DE BIODIESEL NA MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA PODE TRAZER GANHOS NA DESPOLUIÇÃO DO AR

É grande a disputa pelo espaço de uso de energia limpas e renováveis no Brasil. Neste particular, os biocombustíveis estão sendo vistos com uma das alternativas de peso para minimizar o problema de emissão em grande quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o que pode causar graves problemas respiratórios. O uso de produção de energia com recursos limpos e renováveis podem minimizar este problema. No primeiro trimestre deste ano, das 3.002 usinas termoelétricas ativas no Brasil apenas três utilizaram biocombustíveis como fonte de energia. o gerente de negócios para biodiesel da Camlin Fine Sciences (CFS) para América do Sul, Federico Sakson, acredita que “O país precisa se conscientizar sobre a importância da sustentabilidade. As empresas, que investirem na proteção do meio ambiente e na qualidade de vida das pessoas, terão maior valor agregado ao seu produto. O uso do biodiesel nas termoelétricas é uma necessidade emergente”. A Camlin Fine Sciences (CFS) é um fornecedor de ingredientes de aroma de alta qualidade, antioxidantes e produtos químicos de alto desempenho.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) diz que o Brasil dispõe de 4.916 empreendimentos de geração elétrica em ação. A potência instalada de geração de energia elétrica está dividida em: hidrelétrica: 64%; termoelétrica, 27,5%; eolielétrica 7,9%; e solar 0,6%. No mundo, as usinas termoelétricas são as principais fontes de geração de energias e são 50% mais caras do que as hidrelétricas e com potencial poluente maior por emitir uma grande quantidade de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, podendo causar graves problemas respiratórios.

Este cenário é bem diferente em países da Europa, Ásia e América do Norte, onde a utilização de fontes renováveis no setor de geração de energia tem crescido cada vez mais por conta de incentivos como remuneração atrativa do excedente de energia injetada na rede e formas atraentes de financiamento do investimento. O objetivo é a redução de emissões de poluentes e da dependência do petróleo, hoje utilizado em mais da metade das usinas termoelétricas do país.

Em junho deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou a redução de 10,1% nas emissões de gases de efeito estufa até 2028, no âmbito da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Para Aprobio – Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – é uma meta audaciosas, principalmente pelo potencial do Brasil em produzir biocombustível, como etanol e biodiesel. De acordo com a Aprobio, a previsão é de que o mercado dobre de tamanho até 2028 e o Brasil produza e consuma 11,1 bilhões de litros, passando a adotar a mistura de 11% de biodiesel em 2020 e chegando a 15%, o B15, em 2024. A utilização de biodiesel em pequenas centrais de geração não compete com a geração centralizada. Ela apenas complementa o sistema e aumenta sua confiabilidade, pois pode atuar como reserva de energia, servindo também como fornecimento de emergência.

Fonte: Petronotícias Online

Adaptações na agropecuária podem ajudar a reduzir gases de efeito estufa

Adaptações na prática agropecuária e nos padrões alimentares podem ajudar a reduzir quase 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Esse é o prazo para se atingir a meta do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC

Embora considerado o principal vilão do aquecimento global, o dióxido de carbono não é o único responsável por absorver parte da radiação solar e redistribuí-la na atmosfera. De fato, o CO2 representa 55% das emissões, mas há outras substâncias que têm o mesmo impacto no aumento de calor no planeta. A agropecuária é a maior fonte mundial de lançamentos dos demais gases de efeito estufa e, agora, uma pesquisa do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) mostrou que mudanças nas práticas agropecuárias e alimentares poderiam reduzi-las em até 38% até 2050. Esse é o prazo para o mundo atingir a meta do Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura média a 2ºC e, preferencialmente, 1,5ºC.

O pesquisador Stefan Frank, do IIASA, liderou a equipe que realizou a primeira análise detalhada de mitigação do setor agropecuário, usando uma combinação de quatro diferentes modelos econômicos globais e avaliando o potencial de redução de lançamento de gases de efeito estufa. De acordo com Frank, sozinha, a agricultura poderia diminuir em até 15% as emissões de metano e óxido nitroso até 2050, um total estimado de 0,8-1,4 gigatonelada de dióxido de carbono equivalente por ano (GtCO2e/a), a um custo de US$ 20/t CO2e. Mudanças na dieta em países com consumo excessivo de carne e laticínios têm potencial de contribuir com diminuições adicionais de 0,6 GtCO2e/ano, uma redução total de 23%.
As emissões de metano e óxido nitroso vindas do setor agrícola representam atualmente de 10% a 12% dos lançamentos antropogênicos de gases de efeito estufa, e a porcentagem está crescendo, em grande parte, graças ao aumento do uso de fertilizantes sintéticos e do crescimento de rebanhos de ruminantes. Desde 1990, as emissões aumentaram em um terço, mas os dados mostram que a produção cresceu 70%, de modo que a agricultura está se tornando mais eficiente ao longo do tempo. Se o mundo quiser atingir a meta de estabilização climática do Acordo de Paris, no entanto, essas emissões terão de diminuir, segundo argumenta o artigo, publicado no Jornal do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados.
As indústrias de carne bovina e laticínios são altamente produtoras de gases de efeito estufa, e quatro modelos aplicados no estudo contribuiriam com mais de 2/3 do potencial total de mitigação na agricultura. Frank identificou como o setor poderá reduzir as emissões: opções técnicas, como suplementos para alimentação animal que melhoram a digestibilidade dos alimentos; opções estruturais, que são mudanças mais fundamentais na agricultura, como alterações nos níveis de produção, e opções da demanda, ou seja, migração dos consumidores para dietas com menos produtos de origem animal. “Direcionar ações de mitigação para um número limitado de regiões, como África, China, Índia e América Latina, que são áreas em desenvolvimento, e de commodities, como carne e leite, que são caracterizadas por intensidades de emissão relativamente altas, permitiria uma redução substancial das emissões”, afirma.

Demanda
Os modelos também mostram que, à medida que os preços do carbono sobem, apenas a diminuição da produção e do consumo dos produtos associados aos gases de efeito estufa tem potencial de frear as emissões. “As mudanças na dieta teriam um benefício adicional: à medida que cai a demanda em países com consumo excessivo, menos óxidos nitrosos e metano são gerados, ao mesmo tempo em que isso também proporcionaria uma distribuição mais equilibrada da ingestão calórica de carnes e laticínios em mais regiões do mundo, com benefícios para a segurança alimentar”, argumenta o pesquisador.
Coautor do trabalho, o pesquisador do IIASA Petr Havlík lembra, contudo, que reduzir o consumo não é suficiente para cumprir o Acordo de Paris, e que os governos têm de se esforçar para implementar ações de mitigação. “Todos os modelos demonstraram que a mudança na dieta pode contribuir apenas com parte dos esforços necessários para atingir a meta de estabilização climática de 1,5 °C, e os formuladores de políticas não devem esquecer as ações voltadas à produção, que são as mais promissoras para mitigação”, alerta.
Como os países signatários do tratado terão de monitorar periodicamente o progresso e fazer um balanço da implementação das ações, ele acredita que os resultados do estudo poderão ajudá-los a identificar prioridades regionais na agropecuária e ter uma compreensão melhor dos potenciais de contribuição do setor.

Relatório aponta que futuro depende de biocombustíveis

Documento lançado na Conferência do Clima revela que redução de emissões estarão fora do alcance sem biocombustíveis e bioprodutos. Brasil é líder em programas de descarbonização do setor.

Katowice – Uma coalizão formada pelo Brasil e outros países lançou nesta segunda-feira (10), na Conferência do Clima (COP 24), o relatório Criando o Biofuturo. O documento revela que as metas mundiais de redução de gases do efeito estufa não serão atingidas sem maior uso de biocombustíveis e bioprodutos. O assunto foi tema de evento paralelo realizado na Conferência, que ocorre até o fim desta semana em Katowice, na Polônia.

O relatório mapeia caminhos para o progresso e mostra como a expansão de uma bioeconomia sustentável de baixo carbono pode promover crescimento, com segurança energética, e a luta contra as mudanças climáticas. Além disso, o estudo revela as quatro maiores barreiras que impedem novos avanços.

O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, presente no lançamento, ressalta a importância do relatório. “O principal ensinamento do relatório é que uma variedade de políticas bem formuladas, combinadas com apoio ao mercado e à inovação, é essencial para a produção sustentável dos biocombustíveis, bioenergia e bioprodutos, na escala necessária”.

Edson Duarte afirma que o Brasil é um dos países que estão à frente dessa nova forma de produção. “Junto com o Canadá, estamos liderando o caminho para os programas de descarbonização de combustível, por meio dos Padrões de Combustíveis Limpos e as políticas da RenovaBio”, afirma.

O ministro reconhece também os esforços de outros países, como a Argentina e o Reino Unido, que estão aumentando as metas de biocombustíveis e a União Europeia colocou em prática a nova diretiva de energia renovável, com metas fortalecidas para biocombustíveis mais avançados, levando em consideração a sinergia com a produção atual.

BARREIRAS

O relatório Criando o Biofuturo afirma, em consonância com modelos e cenários da Agência Internacional de Energia (IEA), da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) e do Painel Intergovernamental sobre Clima Mudança (IPCC), que os biocombustíveis e bioprodutos devem desempenhar um papel integral na transição energética global, em conjunto com outros esforços complementares de mitigação em todos os setores.

O estudo identifica as principais barreiras: a falta de dinheiro para a produção em escala comercial, impedindo a pesquisa, o desenvolvimento e a implantação necessários; a baixa competitividade para biocombustíveis e outros bioprodutos em relação a alternativas baseadas em combustíveis fósseis; as políticas desfavoráveis que não coordenam efetivamente os interesses da economia agrícola comm o sistema alimentar; e o suprimento insuficiente de fonte sustentável para uso na produção de biocombustíveis e outros bioprodutos.

CONSENSO

O relatório mostra a escala do desafio e contribui para um consenso internacional sobre a importância da bioenergia. “Sua participação no consumo total de energia renovável no mundo é de cerca de 50%. Tanto quanto a energia hídrica, eólica, solar e todas as outras fontes renováveis combinadas”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

“A bioenergia é uma ótima maneira de equilibrar a produção variável de eletricidade, principalmente eólica e solar. No entanto, seu papel nos setores de aquecimento e transporte é ainda mais importante e crucial”, comentou Kimmo Tiilikainen, ministro do Meio Ambiente, Energia e Habitação da Finlândia, um dos países participantes. Além de delinear as quatro barreiras, o relatório fornece perfis individuais de países em todos os mercados existentes para a bioeconomia e recomenda intervenções-chave de apoio.

Cerca de 131 bilhões de litros de biocombustível são produzidos anualmente, em um mercado avaliado em aproximadamente 170 bilhões de dólares, também por ano. Isso vem principalmente das vendas de etanol de primeira geração e biodiesel. A produção global de biocombustível deve subir para 222 bilhões de litros por ano, até 2025, para estar de acordo com os cenários desenvolvidos pela IEA e pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

RENOVABIO

De acordo com o Balanço Energético Nacional 2017, na indústria brasileira, a energia renovável representou 58% do consumo total, ante 7,6% na média mundial. Nos transportes, a participação da energia renovável foi de 20%, contra 3% no resto do mundo. A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) prevê, até 2028, elevar para 28,6% a participação de renováveis na matriz de combustíveis.

“Serão 36 bilhões de litros de etanol e 11,1 bilhões de litros de biodiesel produzidos anualmente. Esse esforço reduzirá em 10,1%, até 2028, a intensidade de carbono da matriz de combustíveis nacional, alinhada com a contribuição nacionalmente determinada brasileira no âmbito do Acordo de Paris”, informou o ministro Edson Duarte.

A RenovaBio estabelece como meta uma redução nas emissões da matriz de combustíveis no período 2019-2028. Dessa forma, com o impacto da nova política, as emissões em 2028 deverão cair de estimados 425 milhões de toneladas de CO2 para 345 milhões.

De acordo com o relatório, a colaboração internacional sólida e o envolvimento das partes interessadas são fundamentais para ajudar os países a alcançar esses objetivos. A Plataforma Biofuturo tem vinte países membros: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai, além da Comissão Europeia. Como uma iniciativa de participação múltipla, várias organizações internacionais, universidades e associações do setor privado também estão envolvidas e engajadas como parceiras oficiais.
Acesse o relatório completo Criando o Biofuturo 

Emissões de gases-estufa devem bater novo recorde

Mais uma má notícia para o enfrentamento das mudanças climáticas: nos últimos dois anos, a tendência das emissões globais tem sido ascendente. Entre 2014 e 2016 as emissões de gases-estufa se mantiveram quase estáveis, mas haviam crescido 1,6% em 2017. Em 2018 a estimativa é que cresçam novamente e cheguem a 2,7%.

Se a previsão se confirmar, as emissões originadas nas indústrias e na queima de combustíveis fósseis irão atingir um novo recorde de 37,1 bilhões de toneladas de CO2 ao ano.

A alta vem sendo puxada pela China, com crescimento de 5% nas emissões. O país representa 27% das emissões globais. Os Estados Unidos, o segundo maior emissor com uma fatia de 15% do total, deve registrar uma alta de 2,5%. A Índia, que responde por 7% das emissões globais, deve crescer 6,3% em 2018, usando mais carvão, mais petróleo e gás.

As emissões relacionadas a energia e transportes da União Europeia, reponsáveis por uma fatia próxima a 10% do global, declinaram um pouco (0,7%). É um desempenho mais tímido, contudo, em relação às quedas de 2% ao ano registradas no período 2010 a 2014.

Os dados são do Global Carbon Project, um projeto conduzido por 76 cientistas em 15 países, e divulgado em Katowice, onde ocorre desde domingo a conferência do clima das Nações Unidas, a CoP 24.

“O aumento das emissões de CO2 nos coloca em uma trajetória de aquecimento que atualmente está além dos 1,5°C”, diz em nota à imprensa a pesquisadora Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall de Pesquisa sobre Mudança Climática da Universidade de East Anglia e uma das autoras do Global Carbon Budget.

“É um desempenho desastroso. Precisa mudar urgentemente”, diz o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo e membro do IPCC, o painel de cientistas da ONU. Relatório recente do IPCC disse que o mundo deve evitar chegar a um aquecimento de 2°C até 2100 e tentar ficar em 1,5°C.

“Para isto, teríamos que ir reduzindo as emissões 5% ao ano desde agora, ate zerar as emissões em 2040. A partir daí teríamos que ter emissões negativas para manter o aumento médio dentro de 1.5°C”, diz o cientista. A tecnologia ajudaria os países a emitirem menos do que a capacidade de absorção.

Na conferência do clima da Polônia, António Guterres, o secretário-geral da ONU disse: “Estamos em apuros. Estamos profundamente em apuros”. Ele não se referiu ao dado divulgado quarta-feira (5).

Fonte: Valor

ONU alerta: emissões de CO2 aumentaram em 2017

Brasil está no caminho para cumprir suas metas, mas relatório revela incerteza sobre a preservação das atuais políticas no governo de Jair Bolsonaro

O esforço mundial para evitar o aumento de 2 graus na temperatura até o final deste século não tem sido suficiente. As emissões de gases do efeito estufa aumentaram pela primeira vez, em 2017, em comparação com os quatro anos anteriores, concluiu o Relatório de 2018 sobre Diferença de Emissões da Organização das Nações Unidas (ONU).

O estudo apontou um aumento de 1,2% nas emissões mundiais de CO2 pela indústria e a geração de energia, empurrado pelo aumento da atividade econômica. Entre 2014 e 2016, essas emissões estiveram estáveis. Esse aumento não é pequeno e pode comprometer todos os esforços para impedir que a temperatura do planeta aumente em mais de 1,5 grau no final do século.

“Há ainda uma tremenda diferença entre palavras e fatos, entre as metas acordadas pelos governos do mundo todo para estabilizar nosso clima e as medidas para alcançar esses objetivos”, disse à BBC Gunnar Luderer, do Potsdam Institute for Climate Impact Research, um dos autores do estudo.

Essa “tremenda diferença” deverá resultar em pressões para uma redução ainda maior do que as acordadas nas emissões até 2030. Segundo o relatório, para impedir aumento superior a 1,5 grau até o final do século, as emissões de gases do efeito estufa terão de ser, em 2030, 55% abaixo das atuais.

Se as emissões continuaram nos níveis atuais, a temperatura do planeta será 3,2 graus maior do que as de hoje. Entre as 20 maiores economias do mundo (G20), a metade falhou nos seus esforços para cumprir os compromissos incondicionais de redução das emissões de gases do efeito estufa até 2030. São eles: a União Europeia, Estados Unidos Argentina, Austrália, Canadá, Coreia do Sul e Arábia Saudita.

Brasil, Japão e China estão no caminho para conseguir cumprir suas metas. Outros três países – Rússia, Índia e Turquia – deverão ficar 10% abaixo dos seus objetivos. Nos casos do México e da Indonésia, ainda há incertezas.

Fonte: Veja

Cientistas identificam o mecanismo de desaceleração do aquecimento global no início dos anos 2000

O aquecimento global nunca parou nos últimos cem anos

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

O aquecimento global tem sido atribuído ao aumento persistente dos gases de efeito estufa atmosféricos (GEEs), especialmente em CO 2 , desde 1870, o início da Revolução Industrial. No entanto, a tendência ascendente na temperatura média global da superfície (GMST) diminuiu ou até mesmo parou durante a primeira década do século XXI, embora os níveis de CO 2 continuassem a subir e atingissem quase 400 ppm em 2013.

Este episódio tem sido tipicamente denominado o hiato do aquecimento global ou desaceleração no aquecimento. O hiato é caracterizado como uma tendência quase zero ao longo de um período. Detecção descobriu que o hiato apareceu durante 2001-2013 / 2002-2012 com variabilidade interanual extremamente fraca em algumas sequências GMST, e a desaceleração nos outros.

O hiato é frequentemente atribuído à variabilidade climática interna, forçamento externo ou ambos, envolvendo um aumento de aerossóis na estratosfera durante o período de 2000-2010, a fase negativa da Oscilação Interdecadal do Pacífico (IPO) acompanhava ventos intensificados, absorção extensa de calor pelo oceano profundo ou um número extremamente baixo de manchas solares durante o último ciclo de atividade solar.

Um novo estudo do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências revela que o aquecimento global nunca parou nos últimos cem anos, com taxa máxima de mudança após a Segunda Grande Guerra Mundial e uma taxa quase constante (0,08 o C / 10a) durante a Segunda Guerra Mundial. últimas três décadas. No entanto, o principal resfriamento contra o aquecimento global vem da variabilidade interanual da temperatura que coincide com a variabilidade da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial médio-oriental. Portanto, o hiato é apenas um equilíbrio decadal entre o aquecimento global e o resfriamento resultante da temperatura anômala da superfície do mar no Pacífico equatorial.

O hiato terminou em 2014, quando um novo evento de El Niño Oscilação Sul (ENSO) foi desenvolvido na região equatorial do leste do Pacífico, causando um rápido aquecimento na Terra. Por outro lado, a oscilação climática multidecadal segue um caminho descendente com aumento no resfriamento.

“Nosso estudo sugere que as condições climáticas futuras provavelmente dependerão da competição entre o resfriamento multidecadal e o aquecimento global se o ciclo climático multidecadal se repetir, como foi experimentado durante a segunda metade do século XX”, diz o Dr. DAI Xingang, o principal autor do estudo.

Fonte: EcoDebate

Reduzir a velocidade dos navios pode salvar a vida de baleias e golfinhos

Ambientalistas e conservacionistas defendem proposta para limitar velocidade máxima de embarcações comerciais de grande porte, que será discutida pela Organização Marítima Internacional (OMI) como opção para reduzir emissões de carbono do setor de transporte comercial marítimo e contribuir para o esforço global contra a mudança do clima.

Junto com a poluição e a caça predatória, uma das principais ameaças às populações de baleias e golfinhos nos oceanos é o transporte marítimo comercial. Muitas vezes, o caminho dos grandes navios cruza com o desses animais, com resultados fatais para esses últimos. Mas os danos causados pelas rotas comerciais cada vez mais congestionadas não se limitam aos atropelamentos: a poluição sonora subaquática causada por essas embarcações também impacta a qualidade de vida dessas espécies, que são altamente dependentes do som para se comunicar, navegar, socializar e localizar presas.

Por essa razão, um grupo de organizações da sociedade civil internacional e de especialistas encaminhou à Organização Marítima Internacional (OMI) uma carta apoiando seus esforços recentes para estabelecer limites à velocidade de embarcações de grande porte, como porta-contentores, cargueiros e navios-tanque. A proposta será discutida ao longo dessa semana durante um encontro da OMI em Londres que servirá para definir as medidas que o setor de transporte comercial marítimo tomará nas próximas décadas para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a luta global para conter a elevação da temperatura média terrestre em 1,5 grau Celsius com relação aos níveis pré-industriais neste século, meta definida pelas Nações Unidas em 2015 no âmbito do Acordo de Paris. O motivo é simples: reduzir a velocidade também diminui a poluição dos navios, que é uma das causas do aquecimento global.

O engajamento do segmento de transporte marítimo é tido como estratégico para viabilizar as metas climáticas das Nações Unidas. Em 2015, último ano com dados contabilizados pela OMI, o transporte marítimo internacional liberou mais de 810 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), principal gás de efeito estufa, na atmosfera terrestre, o que representou 2,25% de todas as emissões decorrentes de atividades humanas naquele ano. Se esse setor fosse um país, suas emissões de CO2 o posicionariam na 6ª colocação entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta, comparável à Alemanha. Com o crescimento previsto da frota e a intensificação do comércio internacional nas próximas décadas, estima-se que as emissões do setor cheguem a 3,5 bilhões de toneladas de CO2 em 2075, segundo números do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT, sigla em inglês).

A proposta de reduzir a velocidade máxima (também conhecida como slow steaming) é defendida por grupos conservacionistas e ambientalistas não só porque ela pode reduzir o número de colisões de grandes navios com baleias e golfinhos, mas também porque diminui a poluição sonora subaquática. “A poluição sonora gerada pelos navios nos oceanos eleva os níveis de hormônios relacionados ao estresse nas baleias, o que pode impactar sua capacidade de se reproduzir e afetar seus sistemas imunológicos”, explica Regina Asmutis-Silvia, diretora da Whale and Dolphin Conservation. “Além disso, os choques entre embarcações e baleias e golfinhos são bastante frequentes, especialmente no Atlântico Norte, tornando essas espécies ainda mais vulneráveis em alto-mar. Velocidades reduzidas nas embarcações podem diminuir esse tipo de incidente, o que ajudar na recuperação natural das populações de baleias e golfinhos nos oceanos”.

Na carta encaminhada à OMI, as organizações que defendem a proposta de limitar a velocidade máxima de embarcações de grande porte ressaltam que os países precisam analisar a medida e definir um cronograma para a realização de um estudo de impacto antes de decidir pela adoção. “[Um controle sobre a] velocidade pode ser uma ferramenta valiosa para a OMI em prol do clima, da saúde humana, e da vida marinha”, diz a carta assinada pelas organizações Anderson Cabot Center for Ocean Life, Antarctic and Southern Ocean Coalition, Environmental Investigation Agency, Marine Conservation Society, Pacific Environment, Quercus, Seas at Risk, Surfrider Foundation, Whale and Dolphin Conservation, e WWF International.

Cerca de 30% da frota mundial é formada por grandes navios que transportam contêineres, grãos, petróleo, gás liquefeito, cruzeiros e cargueiros. No entanto, eles são responsáveis por 75% das emissões de carbono de todo o setor de transporte marítimo. Estudos apontam que o slow steaming dessas embarcações poderia cortar em 1/3 as emissões de carbono do setor, já que a queima de combustível é reduzida na medida em que a velocidade dos navios diminui. Essa redução é equivalente ao fechamento de 82 usinas termelétricas a carvão, um dos tipos mais poluentes de unidade geradora de eletricidade.

Os ambientalistas destacam ainda que é uma medida fácil de ser adotada pois não exige troca ou modificações nas embarcações, algo interessante do ponto de vista operacional, já que as embarcações comerciais têm um ciclo de vida entre 25 e 30 anos de atividade. Assim, ela não requer nenhum investimento de entrada em novas infraestruturas ou tecnologias.

A reunião do Comitê de Proteção Ambiental Marítima da OMI, responsável por avaliar essa proposta, acontecerá até o dia 26 de outubro, em Londres, no Reino Unido.

Fonte: Revista News

37 coisas que você precisa saber sobre a limitação do aquecimento global em 1,5oC

1,5oC: o painel de ciência climática da ONU divulgou seu resumo das evidências em torno da meta climática mais severa exigida pelos países vulneráveis. O site Climate Change News as destrinchou e o ClimaInfo divulga aqui este material em português.

A ONU publicou em 8 de outubro de 2018 o sumário para formuladores de políticas do relatório especial do IPCC que analisa os impactos de um aquecimento global de 1,5oC e, também, a possibilidade que temos de frear o aquecimento neste limite.

Esta é a primeira vez que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, coleta evidências sobre a meta mais difícil exigida pelos países na linha de frente dos impactos climáticos.

O Sumário mostra que a diferença entre 1,5oC e 2oC – o limite mais forte com o qual os governos se comprometeram junto ao Acordo de Paris – é fundamental para milhões de lares, empregos e pessoas.

O relatório não traz respostas fáceis quanto à possibilidade de limitar o aumento da temperatura em 1,5oC acima dos níveis pré-industriais. O que faz é elucidar as opções.

O relatório e seu sumário é resultado de um esforço gigantesco de 91 autores de 40 nacionalidades, que compilaram evidências de mais de 6.000 artigos e documentos científicos e analisaram 42 mil comentários de especialistas e de governos.

Em uma reunião tensa realizada na Coreia do Sul no começo de outubro, representantes dos governos discutiram com cientistas durante seis dias para produzir o Sumário, um resumo de 33 páginas divididas em quatro capítulos.

O resultado da redação em comitê é um documento um tanto denso e técnico. Abaixo segue a análise feita pelo Climate Change News das principais mensagens e omissões, junto com os seus significados políticos.

A análise segue a estrutura de quatro seções do relatório do IPCC:

  • Entendendo o aquecimento de 1,5oC
  • Impactos e ameaças
  • Caminhos para o 1,5oC
  • Acelerando a ação
  1. O primeiro resumo preliminar do Sumário, distribuído para revisão em janeiro de 2018, incluía uma declaração de alto nível que desapareceu das versões posteriores, o que é uma pena, porque esta ajudava a esclarecer os resultados. A exclusão é um sinal de quão politicamente sensíveis são as questões tratadas, e um sinal de que os governos não chegaram a um acordo sobre quais elementos destacar.

Entendendo o aquecimento global de 1,5o

2. O mundo já se aqueceu em 1oC desde os tempos pré-industriais, devido à atividade humana. A seguir a tendência atual, é provável que passe da marca de 1,5oC entre 2030 e 2052. Os continentes estão se aquecendo mais rapidamente que os oceanos, e o Ártico está se aquecendo entre 2 e 3 vezes mais rapidamente que a taxa média global.

3. O sistema climático demora um certo tempo a responder às emissões de gases de efeito estufa, daí que se observa um certo intervalo de tempo entre as emissões e seus efeitos no clima. Por conta disso, o mundo já está comprometido com o aquecimento e o aumento do nível do mar, mas é improvável que somente as emissões já feitas levem a temperatura média global passar do limite de 1,5o

4. Para estabilizar a temperatura média global, as emissões precisam ser zeradas e ficarem nisso. Portanto, temos que reduzir as emissões o máximo possível e passar a remover um tanto de dióxido de carbono do ar para equilibrar as emissões remanescentes. O quanto o planeta ainda vai se aquecer é, em última instância, determinado pelo tempo que demorarmos para zerar as emissões líquidas.

5. O aquecimento global já está afetando pessoas e ecossistemas. E os riscos em cenários de aquecimento de 1,5oC e 2oC são progressivamente maiores.

6. As linhas do Sumário que abordavam a viabilidade da manutenção do aumento da temperatura em 1,5oC e a importância da consideração do desenvolvimento sustentável foram cortadas desta seção. Eles aparecem em detalhe em outros lugares, mas mostram uma falta de consenso sobre as conclusões de alto nível.

Impactos e ameaças

7. Veremos ondas de calor, secas e inundações piores se chegarmos a 2oC, em comparação com o cenário de 1,5o Uma versão anterior do Sumário falava da existência nos modelos de “diferenças substanciais nos extremos”. Esse trecho foi substituído por “diferenças robustas nas características climáticas regionais”, o que pode ter sido uma vitória dos EUA, que argumentou ser o termo “substancial” muito subjetivo.

8. É esperado que o níveis do mar suba 10 centímetros a mais neste século com um aquecimento de 2oC, em comparação com um aquecimento de 1,5o Isso exporia 10 milhões de pessoas à mais a impactos como inundações costeiras e salinização de seus campos e seu abastecimento de água potável. O aquecimento mais lento lhes daria tempo para a adaptação à mudança de condições.

9. O nível do mar continuará subindo durante séculos e milênios depois da estabilização da temperatura média. O colapso das capas de gelo da Groenlândia e da Antártida pode levar a uma elevação de vários metros.

10. Uma das descobertas quantitativas mais impressionantes diz respeito à perda de biodiversidade. O sumário prevê a proporção de espécies que perderão metade de sua distribuição geográfica: entre as 105.000 espécies estudadas, quando o aquecimento passa de 1,5oC para 2oC, a taxa dobra chegando a 16% para plantas e 8% para vertebrados, e triplica, chegando a 18%, para insetos.

11. Estima-se que uma área adicional de entre 1,5 e 2,5 milhões de quilômetros quadrados de permafrost descongelarão neste século, sob um aquecimento de 2oC, na comparação com 1,5o Esta área é equivalente à do Irã, do México ou da Argélia. Em um ciclo vicioso, o derretimento do permafrost libera metano, um potente gás de efeito estufa, que leva a mais derretimento do permafrost.

12. A probabilidade da ocorrência de um verão ártico sem a presença de gelo sobre o mar aumenta dez vezes, de uma vez por século no cenário de aquecimento de 1,5oC, para uma vez por década, no cenário de 2o Os ecossistemas marinhos serão atingidos pela acidificação e pelo aquecimento do oceano. A 2oC de aquecimento, os recifes de coral praticamente desaparecem, em comparação com uma redução de entre 70% e 90% no cenário de 1,5oC.

13. As comunidades de agricultores e pescadores serão as mais atingidas por estes impactos, particularmente no Ártico, nas terras áridas, nas ilhas e nos países mais pobres. Limitar o aquecimento global em 1,5oC reduz o número de pessoas expostas à pobreza e a aos riscos impostos pelo clima em até várias centenas de milhões de pessoas, até 2050.

14. Este meio grau à mais de aquecimento é significativamente mais prejudicial à saúde. Ele expande a área exposta à uma variedade de mosquitos portadores de doenças, como a malária e a dengue, e o calor torna toda uma série de condições mais mortais.

15. A quantidade e a qualidade dos alimentos básicos sofrem mais em um aquecimento de 2oC, em comparação com 1,5ºC, assim como os rebanhos. Isso é ruim para a disponibilidade de alimentos em muitas partes do mundo.

16. Considerando todo o resto igual, espera-se que o crescimento econômico sofra como resultado dos impactos do aquecimento global. A avaliação feita pelo sumário não faz o contraponto disto com os custos e benefícios do corte de emissões e do investimento na resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

17. Há muitas opções para a proteção contra os impactos do aquecimento global, que vão desde a construção de paredões nos litorais até a pesquisa e desenvolvimento de lavouras resistentes à seca. Mas estas adaptações têm limites, e algumas populações vulneráveis enfrentarão perdas. O Acordo de Paris reconheceu estas “perdas e danos”, mas o processo da ONU ainda precisa resultar em apoio concreto às vítimas.

Caminhos para 1,5oC

18. Para manter o aquecimento em 1,5oC, as emissões de CO2 teriam que diminuir em cerca de 45%, entre 2010 e 2030, e chegarem à emissão líquida zero em 2050. Isso é significativamente mais rápido do que o necessário para limitar o aquecimento em 2oC, cenário que exigiria uma redução de emissões de cerca de 20%, em 2030, e emissão líquida zero até 2075.

19. O metano e o carbono negro (fuligem produzida, por exemplo, por motores diesel e fogões a lenha primitivos), ambos potentes materiais que provocam o efeito estufa, precisarão ser reduzidos em pelo menos 35% até 2050, na comparação com 2010. Mas cortes nas emissões de gases de efeito estufa diferentes do CO2 (não-CO2) devem ser feitos com cuidado. Por exemplo, o uso de mais bioenergia para substituir os combustíveis fósseis poderia aumentar a poluição causada pelo óxido nitroso, outro gás de efeito estufa proveniente da agricultura.

20. Quanto dióxido de carbono pode ser emitido antes do aquecimento ultrapassar o limite de 1,5oC? (valor conhecido por “orçamento de carbono”) A maneira pela qual os “orçamentos de carbono” são calculados mudou desde a última grande avaliação do IPCC, publicada em 2014, e cerca de 300 bilhões de toneladas foram adicionadas à estimativa. Mas a janela de oportunidade ainda é estreita.

21. As estimativas do orçamento de carbono variam dependendo de qual medida de aquecimento é usada. Se for usada a temperatura média sobre a parte terrestre do globo, o orçamento é de 420 GtCO2 para que se tenha uma chance de 66% do aquecimento global ficar abaixo de 1,5o Se você considerar as temperaturas da superfície do mar, que sobem mais lentamente, o orçamento é de 570 GtCO2. De qualquer forma, estamos gastando o orçamento a uma taxa de 42 GtCO2 por ano, de forma que temos entre 10 e 13 anos, mantidas as emissões atuais, para consumirmos o orçamento de carbono.

22. Há também incertezas “substanciais” sobre a sensibilidade do clima às emissões de gases de efeito estufa e sobre o nível de emissões históricas, que afetam o tamanho do orçamento de carbono. O carbono adicional liberado pelo derretimento do permafrost e pela emissão do metano das zonas úmidas pode reduzir o orçamento de carbono em até 100 Gt ao longo do século, e continuar além deste período.

23. A geoengenharia recebe pouca atenção no sumário. A chamada modificação da radiação solar – o bombardeamento de partículas na atmosfera para a reflexão da luz do Sol – poderia ser “teoricamente eficaz” para alcançar a meta de 1,5o Mas esta ideia foi excluída dos cenários modelados devido à “grandes incertezas”, “lacunas de conhecimento”, “riscos substanciais” e “restrições institucionais e sociais”.

24. As maiores indústrias poluidoras terão que fazer mudanças radicais. No setor energético, as fontes renováveis precisarão fornecer entre 70% e 85% da energia até 2050. Ainda há espaço para a geração via queima de combustíveis fósseis combinada com tecnologias para a captura e o armazenamento das emissões de CO2, mas este é pequeno: cerca de 8% para o gás natural e quase zero para o carvão até 2050.

25. As indústrias intensivas em energia terão que reduzir suas emissões de CO2 entre 75% e 90% até 2050, cálculo feito com base nas emissões de 2010, para manter o aquecimento em 1,5o Um limite de 2oC exigiria uma redução de 50% a 80%. Isso pode ser feito com tecnologias novas e existentes que estão comprovadas tecnicamente, mas que ainda precisam ser implantadas em larga escala e são limitadas pelos custos e outras restrições.

26. Os edifícios e o transporte também terão que mudar fortemente para eletricidade (mais limpa). Os edifícios precisarão abastecer com eletricidade entre 55% e 75% do seu consumo total de energia já em meados do século, enquanto o setor transporte deve aumentar a participação de fontes de energia de baixa emissão para algo entre 35% e 65% da sua demanda, o que se compara com menos de 5% em 2020.

27. Haverá escolhas difíceis sobre como usar a terra. Muitos cenários dependem fortemente da bioenergia e/ou da expansão das florestas, o que – globalmente – apresenta conflitos potenciais com a demanda por pastagens e terras agriculturáveis. A intensificação sustentável da agricultura e “dietas menos intensivas em recursos” – sinônimo de comer menos carne – podem ajudar a aliviar as pressões competitivas.

28. A mitigação das emissões da energia para atingirmos a meta de 1,5oC exigirá cerca de US$ 900 bilhões de investimento por ano entre 2015 e 2050. Isso faz aumentar o investimento total necessário para a oferta de energia para algo entre US$ 1,6 e US$ 3,8 trilhões, e outros US$ 700 bilhões a US$ 1 trilhão para a demanda de energia, pelos próximos 35 anos. O investimento necessário é cerca de 12% maior do que no cenário de 2o

29. Serão necessárias ferramentas para remover CO2 da atmosfera, tais como a captura e o armazenamento de carbono e a implantação de mais florestas, capazes de sugar entre 100 e 1.000 bilhões de toneladas de carbono ao longo do século, para que fiquemos dentro do limite de 1,5o A manutenção dos níveis de consumo sob controle minimizaria a necessidade de remoção de carbono.

30. As medidas de remoção de carbono poderiam ajudar a fazer a temperatura voltar a 1,5oC acima dos níveis pré-industriais, caso o mundo chegue a ultrapassar o limiar, mas podem causar impactos significativos na terra, na energia, na água e nos nutrientes, se estas forem usadas em larga escala. Os governos terão que limitar os trade-offs e garantir que o CO2 seja removido permanentemente.

Aumentar as ações

31. Os compromissos climáticos feitos pelos países junto ao Acordo de Paris não são suficientes para o desafio. Os atuais compromissos levariam à emissão de entre 52 e 58 bilhões de toneladas CO2 em 2030, o que levaria a um aumento da temperatura média global em 3o Quase todos os caminhos para a limitação do aquecimento em 1,5oC exigem que as emissões de gases de efeito estufa caiam abaixo de 35 bilhões de toneladas de CO2 por ano até lá.

32. Quanto mais baixas forem as emissões em 2030, mais fácil será limitar o aquecimento global em 1,5o O atraso no corte das emissões de gases do efeito estufa aumenta o custo destas reduções, e prende os países a infraestruturas emissoras de carbono e a ativos fósseis que encalharão. O atraso poderia também aumentar a distribuição desigual dos impactos climáticos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

33. A adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e a redução das vulnerabilidades a esta são importantes para o desenvolvimento sustentável. A adaptação pode garantir a segurança alimentar e hídrica, diminuir os riscos de desastres, melhorar a saúde e reduzir a pobreza e a desigualdade. Medidas de adaptação que também diminuam as emissões, tais como edifícios de baixo carbono eficientemente refrigerados ou aquecidos, podem ajudar os setores a se tornarem verdes a um custo menor.

34. Embora as reduções de emissões compatíveis com a limitação do aquecimento global em 1,5oC sejam condizentes com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030, esta também trazem algumas desvantagens. As reduções de emissão se conectam, particularmente bem, com as ODS para a saúde, a energia limpa, as cidades e comunidades e o consumo e produção responsáveis. Mas, se não forem bem administradas, poderão prejudicar as ODS de redução da pobreza e da fome, e de aumento do acesso à água e energia.

35. O Direcionamento das finanças para uma infraestrutura que diminua as emissões e se adapte às mudanças climáticas pode ajudar a cumprir a meta de 1,5oC de uma forma que apoie o desenvolvimento sustentável e reduza a pobreza. Isso inclui fundos privados de investidores institucionais, gestores de ativos e bancos de desenvolvimento ou investimento, bem como fundos públicos. Os governos podem ajudar com políticas que diminuam o risco de investimento em projetos de baixa emissão e adaptação.

36. É difícil quantificar a demanda pelo financiamento necessário para medidas de adaptação alinhadas ao limite de 1,5oC, e compará-la com o necessário para o limite de 2o Os dados sobre investimentos que aumentam a resiliência às mudanças climáticas são insuficientes. Dito isto, o custo de adaptação para 1,5oC “pode” vir a ser menor do que para os 2oC.

A confiança nas afirmações

37. Os relatórios do IPCC indicam o grau de certeza sobre as afirmações feitas entre parênteses logo após as afirmações. No sumário, a “Confiança muito alta” aparece cinco vezes; “Confiança alta” 107 vezes; “confiança média” 60 vezes; e “confiança baixa” apenas duas vezes.

Fonte: Climainfo

UE fecha acordo para reduzir emissões de veículos

Os países da União Europeia (UE) fecharam um acordo nesta terça-feira para reduzir em 35% as emissões de CO2 dos novos carros até 2030, mas alguns lamentaram a falta de ambição após o alarmante relatório dos especialistas da ONU sobre o aquecimento global.

“Após 13 horas de negociações, estamos aliviados”, declarou à imprensa a ministra austríaca do Meio Ambiente, Elisabeth Köstinger, depois de uma longa jornada de conversações com seus colegas europeus em Luxemburgo.

Áustria, que ocupa a presidência semestral do Conselho da UE, obteve o voto favorável de 20 dos 28 países para sua proposta de redução de 35% das emissões de CO2 de novos carros até 2030, em comparação aos modelos vendidos em 2021.

Em relação aos furgões, o objetivo será uma redução de 30%.

O compromisso é mais ambicioso que o proposto pela Comissão Europeia no final de 2017 (-30% da média das emissões até 2030), mas fica abaixo da redução de 40% aprovada pelo Parlamento Europeu no início de outubro.

Os Estados-membros iniciarão nesta quarta-feira negociações com os eurodeputados para aprovar a lei que submeterá os fabricantes de automóveis.

As negociações foram especialmente difíceis, principalmente porque a Alemanha integrou um grupo, ao lado de países do leste, que não queria ir além de uma redução de 30% das emissões.

“A indústria automobilística alemã empurra a política ambiental alemã para o fracasso e queremos acabar com isto agora”, disse pela manhã o secretário de Estado de Luxemburgo para o Desenvolvimento Sustentável, Claude Turmes.

A Alemanha finalmente deu seu aval ao texto proposto por Viena, do mesmo modo que a França, cujo ministro do Meio Ambiente, François de Rugy, defendia uma redução de 40%.

Países como Holanda, Luxemburgo e Irlanda, que desejavam uma redução maior das emissões, votaram contra o compromisso final.

– Objetivos “decepcionantes” –

“É um grande passo à frente na adoção dos nosso compromissos baseados nos Acordos de Paris”, celebrou o comissário europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Arias Cañete.

O grupo de ONGs Transporte e Meio Ambiente lamentou os objetivos “decepcionantes”, um dia após a publicação de um relatório de especialistas da ONU que pede mudanças “sem precedentes” para conter o aquecimento global.

“A Comissão e alguns Estados-membros retrocederam em relação ao seu papel de liderança em matéria de luta contra a mudança climática, colocando os interesses dos fabricantes de automóveis em primeiro lugar”, criticou Greg Archer, um dos dirigentes do grupo de ONGs.

“Mas isto não terminou, as negociações com o Parlamento Europeu ainda podem levar a um acordo ambicioso”.

A UE se comprometeu em Paris a reduzir em ao menos 40% as emissões de gases do efeito estufa até 2030 em comparação aos níveis de 1990, em todos os setores de sua economia.

Fonte: em Internacional

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