Saiba como ajudar a frear o aquecimento global e reduzir seus impactos na saúde

 No Brasil, mortes decorrentes da poluição aumentaram 14% em 10 anos

impacto das mudanças climáticas é real, é preocupante e tem efeitos claros no dia a dia de qualquer pessoa. Tomar medidas urgentes para combater o aquecimento global e seus impactos é um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. E chegar lá passa, necessariamente, por entender o problema e colocar em ação meios de solucioná-lo — tarefa que não deve ficar a cargo apenas dos governos, mas de toda a população mundial.

Afinal, uma das implicações mais inquietantes da mudança climática é sobre a saúde humana. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “um clima mais quente e mais variável ameaça provocar a elevação da concentração de alguns poluentes no ar, o aumento da transmissão de doenças por água impura e por alimentos contaminados, o comprometimento da produção agrícola em alguns dos países menos desenvolvidos e o aumento dos perigos típicos dos climas extremos”.

“A perspectiva é desafiadora, mas ainda temos a oportunidade de transformar uma emergência médica iminente no avanço mais significativo para a saúde pública neste século. Precisamos de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os benefícios econômicos e de saúde oferecidos são enormes. O custo da inação será contado em perdas evitáveis de vidas em larga escala”, alerta Anthony Costello, coautor do relatório e um dos diretores da Organização Mundial de Saúde.

Parece distante da realidade brasileira? Não se engane. No nosso país, as mortes em decorrência da poluição atmosférica aumentaram 14% em 10 anos, passando de 38.782 óbitos em 2006 para 44.228 em 2016. A constatação é do estudo Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, divulgado em junho. As doenças isquêmicas do coração atribuídas à poluição do ar foram responsáveis pelo maior número de mortes. Em seguida, vêm as doenças cerebrovasculares. Houve aumento nas mortes por câncer de pulmão, traqueia e brônquios e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) atribuídas à poluição, tanto entre homens quanto em mulheres.

— As mudanças climáticas são a questão definidora do século 21 — afirmou Enrique Barros, médico e coordenador de meio ambiente na Organização Mundial de Médicos da Família (Wonca, na sigla em inglês), no lançamento do Lancet Countdown em Porto Alegre, relatório que aponta a gravidade do impacto das mudanças climáticas para a saúde.

Preocupada com o aquecimento global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência das Nações Unidas, apresentará em Nova York, nos EUA, um relatório sobre o clima, englobando o período 2015-2019, na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro.

É para essa conferência que, na última terça-feira, partiu a ativista sueca Greta Thunberg, 16 anos, a bordo de um veleiro de regata – a adolescente se recusa a andar de avião para não contribuir com a emissão de carbono.

Empresários mobilizados contra mudanças climáticas

Com capitalização de mercado total de US$ 1,3 trilhão, 28 empresas estão se preparando para estabelecer um novo nível de ambição climática em resposta a uma campanha promovida às vésperas dessa cúpula da ONU. As empresas (como HP, Natura e Unilever) se comprometeram com metas alinhadas à limitação do aumento da temperatura global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e em zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.

Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz.

MARINA GROSSI

Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

O compromisso das 28 empresas tem como base as preocupações apontadas pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que alertou para as catastróficas consequências caso o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C.

— Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, por exemplo, de novos investimentos rentáveis na mitigação de emissões e precificação de carbono, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz — avalia Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Há, claro, muitos desafios envolvidos. O primeiro, explica Marina, é fazer com que a empresa compreenda que a transição para uma economia de baixo carbono é necessária porque o negócio pode sofrer com as mudanças climáticas decorrentes das suas próprias emissões. O segundo ponto é mostrar a essa empresa as inúmeras oportunidades de negócios decorrentes da transição energética:

— É uma questão de sobrevivência para a empresa atrair os olhos do investidor cada vez mais criterioso na escolha de onde aplicar seu capital, uma vez que precisam ter a segurança do retorno de seus investimentos — completa ela, que cita, entre os riscos envolvidos, o aumento de custos de produção, a preferência do consumidor por produtos com menos carbono e o aumento da competitividade devido à adoção de alternativas tecnológicas nos processos produtivos.

O combate às mudanças climáticas está unindo as principais organizações sociais, econômicas e políticas do mundo. São iniciativas que, em geral, contam com o apoio da população. Falta, ainda, que cada vez mais todos façam a sua parte – e que os governos, independentemente de quem estiver no poder, também se unam em torno dessa causa.

Faça a sua parte

Desde 2016, prestigiadas instituições acadêmicas de todos os continentes publicam anualmente o relatório The Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas. Reunindo um total de 41 indicadores, o documento alerta para o risco que os sistemas de saúde correm se os governos e a sociedade não agirem rápido para frear o aquecimento global.

Entre as iniciativas recomendadas, estão regulamentações trabalhistas mais fortes, que protejam os trabalhadores de extremos de calor, e maior investimento em infraestrutura de hospitais e centros e saúde. O relatório é elaborado por uma equipe multidisciplinar, composta por climatologistas, economistas, engenheiros, especialistas em energia, sistemas de alimentação e transporte, geógrafos, matemáticos, profissionais de saúde e cientistas sociais e políticos.

Você também pode colaborar. Pequenas ações, repetidas diariamente, podem reduzir nossa pegada de carbono. Quanto mais pessoas agirem, maiores serão os impactos.

1. Produza menos lixo

u Evite comprar produtos com muitas embalagens e sempre recicle o que for possível. A decomposição do lixo libera CO2 e metano, gases que contribuem para o efeito estufa. Em um sistema de decomposição mais ideal, esses gases são aprisionados e utilizados para produzir eletricidade.

2. Use transporte público

u A queima de combustíveis fósseis pelos meios de transporte é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa nas cidades. Assim, utilizar transporte coletivo contribui para amenizar a emissão desses poluentes, além de diminuir os congestionamentos e otimizar o tempo de todos.

3. Consuma produtos locais

u Esses itens não necessitam ser transportados a longas distâncias e, portanto, dispensam as emissões de gases do efeito estufa que os caminhões geram ao rodar centenas e centenas de quilômetros.

4. Modere no ar-condicionado

u Os aparelhos liberam gases do tipo HFC, mais potentes que o CO2 quando se trata de prender os gases do efeito estufa na atmosfera. Ou seja, ao mesmo tempo em que resfriam o interior de ambientes, contribuem para aumentar a temperatura no exterior.

Fonte: Gaúchazh

A corrida contra o tempo pelo clima

Temos 18 meses para definir o futuro do clima do planeta? O que isso significa? Vivemos atualmente um período de emergência climática e, apesar de não podermos “curar” o planeta nos próximos anos, com planejamento e comprometimento poderemos minimizar as perdas

Nos últimos anos tem se tornado mais frequente as notícias relacionadas às mudanças climáticas. Recordes de temperatura são quebrados, aumento das taxas de derretimento nos polos e desastres ambientais sem precedentes tem sido reportados com mais frequências. Segundo cientistas e autoridades pelo mundo, estamos em uma corrida contra o tempo para manter as mudanças climáticas em níveis compatíveis com a sobrevivência humana.

O que está correndo por aí é a notícia de que teríamos apenas 18 meses para definir o futuro do clima do planeta. Já sabemos que nas condições atuais de emissão de gases do efeito estufa, se hoje milagrosamente zerássemos as emissões, a temperatura do planeta continuaria subindo por alguns anos. Então, o que podemos fazer em 18 meses?

Bom, temos “18 meses” até o final de 2020, que marca o “fim” do Acordo de Paris (2015). Este prazo é decisivo para uma avaliação das metas passadas e a definição de ações políticas efetivas para os cortes nas emissões de carbono no próximos anos. “A matemática do clima é brutalmente clara: embora o mundo não possa ser curado nos próximos anos, pode ser fatalmente ferido por negligência até 2020”, disse Hans Joachim Schellnhuber, do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (Holanda), para a BBC.

O secretário-geral das Nações Unidas pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030. Créditos: observatoriodoclima.eco.br

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterrez, pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030, o que, segundo o relatório do IPCC, é o mínimo para mantermos o aumento da temperatura média global de 1,5º até o fim do século – o que seria ainda considerado um “aumento seguro” para nossa sobrevivência. Os planos atuais não são suficientes para manter as o aumento abaixo desse valor e estamos nos encaminhando para 3ºC de aquecimento até 2100. É por isso que é urgente o planejamento e comprometimento dos países até o final de 2020.

A política para além da ciência

O “desajuste climático acontece agora e para todos”, disse Guterres no último domingo em Abu Dhabi. O secretário-geral convocou para setembro a Cúpula para Ação Climática, que acontecerá em Nova Iorque, para que os países participantes levem propostas de melhorias em seus planos nacionais de corte de emissões. Guterrez apoia o desenvolvimento de energias renováveis e o fim do subsídio aos combustíveis fósseis. Segundo ele, “o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar as secas e as ondas de calor e derreter os glaciais”.

A maior barreira das políticas climáticas são ações de governos que, convenientemente, negam o aquecimento global. No final do ano passado, os EUA, a Arábia Saudita, o Kuwait e a Rússia bloquearam o relatório especial do IPCC sobre a limite seguro de 1,5ºC até o final do século. A restrição do uso de trabalhos científicos nos planos desses governos são uma jogada política em prol de um desenvolvimento econômico inconsequente.

Fonte: Tempo

Mais de 200 cidades europeias se unem pelo clima

Prefeitos de cidades europeias, incluindo Londres, Amsterdã e Paris, apelam a países-membros da União Europeia (UE) a implementar estratégia para que balanço das emissões de CO2 seja zero até 2050.

Em carta aberta, 210 prefeitos pediram aos chefes de governo e de Estado da UE, nesta terça-feira (7), que elaborem e coloquem em prática uma estratégia climática de longo prazo, durante a reunião de cúpula desta quinta-feira (9) em Sibiu, na Romênia.

A carta foi assinada pelos prefeitos de Paris, Londres, Estocolmo, Amsterdã, Oslo, Milão, Atenas e Stuttgart, entre outras cidades da Europa.

Segundo eles, a meta final dessa estratégia deve ser uma atividade econômica que, a partir de 2050, alcance a neutralidade climática, ou o balanço zerado de emissões de CO2. Os prefeitos apoiam, assim, uma proposta feita pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu, que eles chamaram de a única realizável em prol do futuro da Europa e do mundo.

“A Europa deve se tornar uma líder mundial na questão climática. As gerações futuras não vão nos perdoar se não agirmos enquanto ainda tivermos tempos”, afirmou a prefeita da Paris, Anne Hidalgo.

A meta atual da União Europeia é reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 40% até o ano de 2030, na comparação com 1990. Em 2020, a UE pretende definir sua estratégia climática até meados do atual século, dentro do que está previsto no Acordo de Paris.

Ontem, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que vai colocar o tema na agenda de Sibiu.

Centenas de organizações não governamentais (ONGs) europeias também convocaram os líderes a agir contra as mudanças climáticas. “Lançamos um sinal de alerta em prol do clima para todos os atuais e futuros políticos europeus”, disse o diretor do Climate Action Network (CAN) Europe, Wendel Trio. Ele disse que é hora de os políticos agirem.

As ONGs exigem que a luta contra as mudanças climáticas seja uma prioridade na cúpula de Sibiu, assim como nos debates que antecedem as eleições europeias. A meta deve ser a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2030. Além disso, defendem o fim dos combustíveis fósseis, mais apoio aos países em desenvolvimento para se adaptarem às mudanças climáticas, a proteção da biodiversidade e mais esforços em prol da economia circular, na qual os dejetos são reaproveitados como matéria-prima.

O presidente da Comissão das Conferências Episcopais da EU (Comece), o arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, também apoia a iniciativa. “Peço ao futuro Parlamento Europeu, à Comissão Europeia e aos países-membros que adotem medidas urgentes contra as mudanças climáticas”, afirmou.

Ele disse ser importante que a transição para uma sociedade de emissões zero seja justa. Para que as pessoas mais pobres também sejam beneficiadas, é necessária a adoção de medidas sociais e de respeito aos direitos humanos.

Países lançam agenda econômica contra mudança climática

Proposta é assinada por 23 países

Acordo de Helsinque é pouco eficaz

Durante a reunião da Primavera sediada no Banco Mundial, os ministros da Fazenda de 23 países formaram uma aliança para adotar iniciativas macroeconômicas para combater os efeitos da mudança climática. Conhecido como “Princípios de Helsinque”, o acordo enumera 6 medidas que deverão ser incluídas na agenda econômica de seus respectivos países.

O governo do Chile, país que sediará a 25a conferência do clima no final do ano, acredita que a criação de incentivos fiscais para a transição “verde” sinaliza ao mercado a necessidade de inovar os principais setores da economia. Segundo o ministro da Fazenda, Felipe Larraín Bascuñán, a mudança climática é uma ameaça que afeta a todos e também pode ser uma grande oportunidade de negócios.

O acordo assinado esta semana é bastante vago, o que o torna mais simbólico do que eficaz. O que mais chama atenção não é o conteúdo do acordo em si, mas a representatividade das pessoas que o assinaram.  Usualmente, iniciativas desse tipo partem de ambientalistas. Desta vez, a iniciativa partiu da área econômica dos governos.

O acordo tem seu devido valor por sinalizar ao setor privado que há oportunidades de investimento em tecnologias e recursos que revertam os efeitos do aquecimento global. Os consumidores também se beneficiarão da iniciativa de investimento, pois o crescimento na competição de práticas ecológicas representará mais opções e preços mais baixos.

Em entrevista para o podcast da Universidade da Columbia, Ian Conn, CEO da Centrica, empresa multinacional de eletricidade e gás no Reino Unido, afirmou ser favorável a uma maior competição no mercado de energia que permita descentralizar a distribuição.

Segundo ele, quanto mais opções estiverem à disposição do consumidor, mais avanços serão observados no mercado. Ele diz que, graças às inovações do mercado europeu, os consumidores estão mais cientes do processo e do preço dos distribuidores de energia.

A digitalização é outra tendência citada por Conn. Com a integração de sistemas, o consumidor pode saber quanto de CO2 (dióxido de carbono) é emitido, assim como quais aparelhos e diferentes ambientes da casa consomem mais energia. Essa informação empodera os consumidores e permite que escolham produtos que poluem menos.

Em níveis macros, o lançamento de “ações verdes” (green bonds, em inglês) no mercado financeiro europeu representa um incentivo monetário para investimentos em tecnologias sustentáveis. As ações revertem recursos para a inovação no setor,  assim como cumprem as exigências das empresas de adoção de políticas sustentáveis.

Entre os países que assinaram o acordo, essa prática é bem recebida como um dos métodos a serem adotados daqui para frente com o propósito de atrair mais investimentos no setor privado.

Para alguns países em desenvolvimento, a adoção de incentivos fiscais não é tão simples. A ministra da Fazenda nigeriana, Zainan Ahmed, comentou que seu país não planeja adotar medidas fiscais no uso de biocombustível porque não está preparado para essa transição.

Segundo Ahmed, a Nigéria, apesar de ser signatária do acordo, não tem condições financeiras de suportar um imposto sob carbono, pois toda sua infraestrura foi construída com base no petróleo e o aumento de impostos trará consequências sociais preocupantes.

Em meio a tantos acordos para combater os efeitos da mudança climática, a aliança de Helsinque representa um passo simbólico para os avanços diretamente relacionados à economia dos países. Ao incluir na equação incentivos fiscais para o mercado financeiro, o acordo tenta atrair a participação dos consumidores e do setor privado na busca por soluções.

Fonte: Poder 360

Encontro em Paris destaca mulheres na luta contra mudança climática

O Women4Climate serve para impulsionar projetos de mulheres no mundo todo, organizado em Paris pelo grupo de cidades contra o aquecimento global

O papel das mulheres é crucial no desenvolvimento de um futuro sustentável para todos, mas suas vozes nem sempre são ouvidas devido à menor representação nos órgãos de poder, segundo as denuncias de especialistas, instituições e ativistas em uma cúpula de grandes cidades contra a mudança climática realizada em Paris, nesta quinta-feira (21).

O encontro Women4Climate serve para impulsionar projetos de mulheres no mundo todo, organizado em Paris pelo grupo de cidades contra o aquecimento C40, que reúne 94 metrópoles comprometidas com a redução das emissões contaminantes.

“Nosso objetivo não é dizer que somos melhores, mas temos uma experiência de vida que nos permitiu desenvolver competências diferentes. É preciso colocá-las a serviço de nossas comunidades e isso não é possível se não tivermos nosso espaço reconhecido”, disse a prefeita parisiense e presidente do C40, Anne Hidalgo.

Mulheres que lutam contra as mudanças climáticas

A Women4Climate foi criada em 2016 durante a reunião no México de prefeitos do C40 para lutar desde a perspectiva de gênero contra o aquecimento, e no final de 2020 terá apoiado projetos de 500 “heroínas do clima”, segundo Hidalgo.

Entre elas, o da bióloga equatoriana Liliana Jaramillo, criadora do projeto Nativus, que reintroduz plantas nativas nas cidades para aumentar a biodiversidade.

Assim como o da francesa Clara Duchalet, também presente em Paris e fundadora da Vépluche, uma solução de economia circular para restaurantes que troca seus resíduos orgânicos por verduras e legumes.

“As mulheres são frequentemente as primeiras vítimas da mudança climática, mas também imaginam soluções e as põem em prática. Devemos usar suas competências para benefício de todos”, acrescentou Hidalgo.

A terceira edição desta cúpula reuniu prefeitas, empresárias e empreendedoras. A jornada começou com um espetáculo humorístico das espanholas Rossy de Palma e Blanca Li, atriz e coreógrafa, que expuseram as dúvidas dos cidadãos na hora de contribuir com a reciclagem e outras medidas na luta contra o aquecimento.

Fonte: R7

Relatório aponta conexões diretas entre eventos extremos e mudança do clima

Clima alterado por ação humana teve ligação com diversas secas, inundações e ondas de calor em 2017, segundo estudo

As mudanças climáticas causadas pela ação humana são a causa mais provável das inundações e secas severas, aquecimento anormal dos oceanos e ondas de calor extremas observadas em várias partes do mundo em 2017, de acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela Sociedade Meteorológica Americana (AMS, na sigla em inglês).

O relatório “Explicando os Eventos Extremos de 2017 na Perspectiva das Mudanças Climáticas” reúne 17 análises feitas por 120 cientistas de 10 países, com revisão por pares, sobre as condições meteorológicas extremas observadas em seis continentes e nos oceanos Atlântico e Pacífico.

A lista de eventos climáticos extremos provavelmente causados pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem inclui ondas de calor na Europa, China e Coréia do Sul, secas nos Estados Unidos, fortes chuvas na América do Sul e Bangladesh e seca severa na África Oriental. Segundo o estudo, uma onda de calor marinha na costa da Austrália seria “virtualmente impossível” sem a mudança climática causada pelo homem.

Evidência científica

Em entrevista coletiva, um dos autores do estudo, Martin Hoerling, meteorologista da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa, sigla em inglês), afirmou que o conjunto de análises reforça a conexão estreita entre as mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos que vêm sendo registrados. Segundo ele,

A evidência científica apoia com confiança que a atividade humana está influenciando uma variedade de eventos extremos atualmente, com grandes impactos econômicos ao redor do mundo.

Para Hoerling, os resultados confirmam as conclusões do primeiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima das Nações Unidas (IPCC), lançado em 1990, que já “previa mudanças radicais no padrão climático observado no século 20.”

O estudo envolveu o uso de observações históricas e simulações em modelos matemáticos com o objetivo de determinar até que ponto as mudanças climáticas podem ter influenciado eventos extemos específicos.

Mensagem da ciência

O relatório está em sua sétima edição e, pela segunda vez, os cientistas identificaram uma série de eventos meteorológicos que “não poderiam ter acontecido sem o aquecimento do clima por meio de mudanças induzidas por humanos”. Segundo os autores, 70% dos 146 resultados de pesquisa publicados no relatório identificaram uma ligação substancial entre um evento extremo e a mudança do clima.

Jeff Rosenfield, pesquisador da AMS e editor-chefe do Boletim da AMS, que publicou o relatório, afirmou:

Esses estudos de atribuição estão nos dizendo que uma Terra em aquecimento continuou a nos enviar, em 2017, eventos climáticos novos e mais extremos. A mensagem da ciência é que nossa civilização está cada vez mais fora de sincronia com nosso clima em mutação. 

De acordo com o estudo, chuvas extremas registradas entre abril e maio de 2017 no Rio Uruguai – cuja inundação causou prejuízos estimados em US$ 102 milhões –, têm o dobro de probabilidade de ocorrência ligada às alterações do clima.

Ondas de calor

As mudanças climáticas triplicaram as chances de ocorrência de ondas de calor como as de 2017 na Europa e na região do Mar Mediterrâneo, em comparação à probabilidade estimada em 1950. Segundo o estudo, de agora em diante, as chances de ocorrência desse tipo de onda de calor é de 10% a cada ano.

Durante o verão do ano passado, na Itália e nos Bálcãs houve temperaturas de 40 °C por vários dias. Recordes de temperatura foram quebrados no sul da França, na Córsega e na Croácia, com temperaturas noturnas acima de 30 °C.

As ondas de calor recorde registradas em 2017 no centro e no leste da China já foram raras, segundo o relatório, mas agora a previsão é que elas voltem a ocorrer pelo menos uma vez a cada cinco anos, em decorrência das mudanças climáticas. Durante a onda de calor, muitas estações meteorológicas registraram 15 a 25 dias com temperaturas acima de 35 °C, com algumas tendo visto temperaturas recordes em julho, como um novo recorde de 40,9 °C.

A seca extrema registrada em 2017 no norte dos Estados Unidos foi cinco vezes mais provável por conta das mudanças climáticas, que teriam alterado o equilíbrio entre as chuvas e a evapotranspiração da umidade do solo. A seca provocou incêndios florestais generalizados e comprometeu os recursos hídricos, destruindo propriedades e afetando negativamente a atividade agropecuária.

Chuvas intensas

O nordeste do Bangladesh sofreu inundações em 2017 com chuvas intensas de seis dias antes do início das monções. Nesse caso, a probabilidade de ligação com as mudanças climáticas é de até 100%, segundo o relatório.

As chuvas intensas que destruíram milhares de casas no sudeste da China em junho do ano passado também tiveram o dobro de chances de ocorrência por conta das mudanças climáticas, segundo o estudo. Essas chuvas causaram a 34 mortes e deixaram 800 mil desabrigados. Cerca de 32 mil casas desmoronaram e 41 mil foram gravemente danificadas.

As chuvas que causaram enchentes no Peru em março de 2017 foram influenciadas por um ciclo natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, segundo o estudo, mas as mudanças climáticas induzidas pela ação humana aumentaram as chances de ocorrência desses eventos extremos em pelo menos uma vez e meia.

Temperatura do mar

A temperatura extremamente alta da superfície do mar na costa da África dobrou a probabilidade de ocorrência das secas extremas observadas no leste do continente em 2017. Por conta dessas secas, 6 milhões de pessoas enfrentaram escassez de alimentos na Somália. As análises mostraram que o aquecimento extremo do oceano não poderia ter ocorrido com o clima global que existia antes da Revolução Industrial.

No Mar da Tasmânia, ao leste da Austrália, os recordes de temperatura da superfície do mar registrados em 2017 e 2018 “seriam virtualmente impossíveis sem o aquecimento global” induzido pela ação humana, segundo o estudo.

O estudo também mostrou que os recordes de perda de gelo no Mar do Ártico, decorrente das mudanças climáticas, influenciaram o déficit recorde de chuvas em grande parte da Europa ocidental em dezembro de 2016. A chuva total e a queda de neve foram as menores em 116 anos.

Fonte: Direto da Ciência

Acordo de Paris sobre o clima: os compromissos dos países

Aprovado no fim de 2015, em vigor menos de um ano depois e ratificado por 183 países, o Acordo de Paris traçou o caminho para um mundo sustentável através de mudanças drásticas na economia global, mas sem estabelecer objetivos vinculativos.

– A meta –

O objetivo do Acordo é conter o aumento da temperatura “muito abaixo de 2ºC” em relação à era pré-industrial e “continuar se esforçando para limitar este aumento a 1,5ºC”, embora muitos especialistas tenham dúvidas de que essa meta possa ser alcançada.

Limitar o aumento a 2ºC ou 1,5°C é um objetivo muito ambicioso, dado o nível atual de emissões de gases de efeito estufa. Os especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estimam que é necessário reduzir 40% a 70% das emissões entre 2010 e 2050 para permanecer abaixo de 2°C.

O Acordo não especifica metas obrigatórias para cada país, como faz o Protocolo de Kyoto, de modo que cada nação deve determinar seus próprios objetivos de redução de emissões para 2025 ou 2030.

A busca, durante a segunda metade do século, de um equilíbrio entre a emissão e absorção de gases do efeito estufa é interpretado por alguns como o fim das energias fósseis (carvão, petróleo, gás), enquanto outros miram na captação de CO2 (técnica que ainda não está disponível) para continuar a explorar tais energias.

– O calendário –

Os planos de ação nacionais evitariam os cataclísmicos +4ºC/5°C previstos para um cenário de ausência de políticas climáticas, mas colocariam o planeta em uma trajetória ainda perigosa de +3°C.

Daí a necessidade de reforçar esses compromissos. Um amplo balanço, em uma base voluntária, está previsto para 2018.

As ONGs estão pressionando para que o maior número possível de países cumpram e revisem para cima suas ambições a partir de 2020, especialmente levando em conta que as tecnologias “verdes” serão mais acessíveis.

No Acordo, a primeira revisão obrigatória está prevista para 2025, data considerada tarde demais para respeitar a meta de 2°C.

Os países também devem comunicar em 2020 sua estratégia de desenvolvimento de baixa quantidade de dióxido de carbono para 2050.

O Acordo de Paris prevê que os países prestem contas das ações programadas e dos seus resultados. É necessário certa flexibilidade para algumas nações, em particular as mais pobres.

Mas as regras específicas de transparência ainda devem ser determinadas. Que informações devem ser incluídas nos planos nacionais e com que grau de detalhamento? Que indicadores devem ser apresentados? Este foi um dos principais temas da conferência COP22 do Marrocos.

A transparência também se aplica à ajuda financeira, e os países desenvolvidos devem comunicar “a cada dois anos” medidas adotadas para auxiliar os países em desenvolvimento.

– Ajuda aos mais pobres:

Em 2009, os países ricos prometeram que ofereceriam uma ajuda que aumentaria até atingir 100 bilhões de dólares em 2020, para financiar infraestruturas energéticas limpas e adaptações aos impactos negativos do aquecimento global.

O texto de Paris estabelece que os 100 bilhões de dólares são apenas um mínimo anual e que será estabelecido um novo objetivo para 2025.

Um roteiro publicado em outubro pela OCDE e cerca de 40 países estima que, sobre a base dos compromissos já anunciados, a ajuda atingiria 67 bilhões por ano em 2020. Em função dos efeitos do estímulo ao investimento privado, os financiamentos passariam de 77 a 133 bilhões de dólares em 2020.

O Acordo de Paris prevê um reequilíbrio entre as ajudas à redução de emissões, majoritárias, e à adaptação aos impactos do aquecimento global. Segundo a OCDE, atualmente apenas 16% da ajuda financeira é destinada à adaptação.

A soma de 100 bilhões de dólares pode ser comparada com os três a quatro bilhões de dólares necessários, segundo o think tank New Climate Economy, para assegurar uma transição para economias de “baixo carbono”, o que só poderá ser alcançado através de uma reorientação maciça das finanças.

Fonte: Istoé

Brasil diz já ter cumprido meta de 2020 para o clima

O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado

SÃO PAULO – O presidente Michel Temer deve anunciar nesta quinta-feira, 9, que o País conseguiu, três anos antes, cumprir sua meta voluntária de redução de emissões de gases de efeito estufa prevista para 2020. O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado.

O cálculo se refere a um compromisso assumido pelo Brasil em 2009, no âmbito da Conferência do Clima de Copenhague, e que se traduziu internamente em lei com o decreto que estabeleceu a Política Nacional de Mudança do Clima.

Pela proposta apresentada à Convenção do Clima, o Brasil fez uma projeção de quanto estariam as suas emissões de gases de efeito estufa (que causam o aquecimento global) em 2020 se nenhuma medida fosse tomada para contê-las; e quanto seria possível reduzi-las, numa comparação com valores médios observados entre 1996 e 2005. A meta estabelecida foi chegar a 2020 com uma redução de 36,1% a 38,9% em relação ao projetado para aquele ano.

A principal maneira de alcançar isso, propôs o governo, foi reduzir o desmatamento. Se não houvesse nenhum tipo de ação de mitigação, a estimativa brasileira é que a perda da Amazônia, por exemplo, poderia enviar para a atmosfera 947,6 milhões de toneladas de CO2 em 2020.

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Fonte: O Estado de S.Paulo

Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz ONU

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.


Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.


 

A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.

Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.


Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.


 

O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”


Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.


 

Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Meio Ambiente

Cientistas alertam para risco de manipular clima

Pesquisadores de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, fazem apelo para estarem à frente da geoengenharia . Argumento é de que seus territórios sofreriam mais com efeitos incertos de uma tecnologia controversa.

Um grupo de cientistas de países em desenvolvimento, como o Brasil, lançou um apelo para que tenha maior participação nas pesquisas de geoengenharia solar – o conceito de que, com a tecnologia, é possível fazer intervenções diretas no clima da Terra, reduzindo os impactos, por exemplo, do aquecimento global.

Controversa no mundo científico, a geoengenharia solar, inspirada nas grandes erupções vulcânicas que provocam o esfriamento da superfície terrestre ao encobrir o sol com uma camada de cinzas, é tradicionalmente dominada pelos países mais ricos, em universidades como Oxford, no Reino Unido, e Harvard, nos Estados Unidos.

Cientistas estudam cobertura atmosférica artificial que poderia proteger os países mais vulneráveis no hemisfério sul

A instituição americana realiza sua própria experiência em geoengenharia solar, chamada de “efeito estratosférico de perturbação controlada”, que envolve a utilização de um balão para liberar aerosol na atmosfera a uma altitude de 20 quilômetros, o que poderia alterar as propriedades de reflexão na cobertura das nuvens.

Agora, 12 pesquisadores de países como o Brasil, Bangladesh, China, Etiópia, Índia, Jamaica e Tailândia publicaram um artigo na revista científica Nature , afirmando que os países mais pobres são os mais vulneráveis ao aquecimento global e que, por isso, deveriam estar mais envolvidos nas pesquisas para evitar o problema.

Segundo argumentam os autores do estudo na Nature , as consequências de intervenções no clima ainda são incertas, mas os países mais afetados – positiva ou negativamente – seriam os em desenvolvimento.

“Os países em desenvolvimento hoje estão excluídos da pesquisa em geoengenharia, que está sendo feita quase totalmente nos países ricos. No entanto, os impactos de qualquer técnica dessas ainda envolvem muitas dúvidas – e a única certeza é que os países em desenvolvimento sofreriam mais intensamente com esses impactos”, disse o físico brasileiro Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, que participa da equipe internacional de cientistas, ao jornal O Estado de S. Paulo .

“A ideia inicial é bastante maluca, mas aos poucos vai criando raízes no mundo das pesquisas”, diz o pesquisador Atiq Rahman, chefe do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh.

Os cientistas pretendem avaliar os impactos regionais da geoengenharia solar em fenômenos naturais como secas, enchentes ou monções. Uma das ideias prevê a utilização de aviões que espalhariam nuvens de partículas refletoras de sulfato em grandes altitudes da atmosfera. “A técnica é controversa, e deve de fato ser. Ainda é cedo para saber quais efeitos poderá ter. Poderá ser bastante útil ou danosa”, disseram os cientistas.

O relatório de um painel da ONU de especialistas em clima, vazado à imprensa antes de sua publicação em outubro, lança dúvidas sobre a geoengenharia solar, afirmando que poderá ser “economicamente, socialmente e institucionalmente inviável”.

Entre os riscos citados pelo relatório, estão uma possível perturbação de padrões meteorológicos, a dificuldade de pôr fim ao processo após iniciado, além de o potencial que o uso da tecnologia teria para desencorajar alguns países a substituir os combustíveis fósseis por energias limpas.

Rahman observa que a maioria dos países em desenvolvimento “falhou de modo abissal” em suas promessas de reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa, fazendo com que opções mais radicais para reduzir o aquecimento global se tornem mais atraentes.

Ele afirma que o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3ºC ou mais em relação aos níveis pré-industriais, muito abaixo da meta de manter essa elevação abaixo de 2ºC, prevista no Acordo do Clima de Paris, de 2015.

Fonte: Climatempo

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