Brasil direciona 80% da exportação de soja para China de janeiro a agosto

As exportações de soja do Brasil para a China somaram 50,9 milhões de toneladas de janeiro a agosto, volume que representa 78,8 por cento de toda a oleaginosa exportada pelos brasileiros no período, à medida que o gigante asiático evita comprar o produto dos EUA devido a uma tarifa de 25 por cento.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura, que apontou também que as exportações totais do Brasil nos oito primeiros meses de 2018 somaram um recorde de 64,6 milhões de toneladas, versus 56,9 milhões de toneladas no mesmo período de 2017.

De janeiro a agosto de 2017, as exportações do Brasil para a China haviam atingido 44,1 milhões de toneladas, o que representou uma fatia de cerca de 77,5 por cento de tudo o que o país exportou no período.

As exportações brasileiras de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, estão estimadas em 76 milhões de toneladas em 2017/18, resultando em estoques finais mínimos, o que indica que o país não terá muito mais soja para ofertar aos chineses nos próximos meses, até a entrada da nova safra, a partir de janeiro.

Buscando evitar a soja dos EUA, taxada em 25 por cento pelos chineses desde julho, em meio a uma guerra comercial, a China já deu mostras de que busca alternativas.

Nesta semana, a China reduziu sua previsão de importações anuais de soja no ano-safra que começa em 1º de outubro para 83,65 milhões de toneladas, ante 93,8 milhões de toneladas na previsão anterior, planejando recorrer a outros produtos para fabricar ração animal.

O ministério brasileiro informou ainda que, de janeiro a agosto, as exportações de soja, o principal produto exportado pelo país, somaram 25,72 bilhões de dólares, alta de 20 por cento na comparação anual.

O governo relatou também que as exportações de soja em grão para a China responderam por quase 30 por cento do valor total exportado em produtos do agronegócio brasileiro (68,52 bilhões de dólares, de janeiro a agosto), o que ressalta a dependência brasileira da China no comércio global.

O gigante asiático comprou sozinho, de janeiro a agosto, 42,7 por cento da safra de soja em grão brasileira 2017/2018, que atingiu um recorde de 119,3 milhões de toneladas.

Já as exportações de farelo de soja também atingiram volume recorde, com 11,8 milhões de toneladas de janeiro a agosto, gerando divisas de 4,69 bilhões de dólares (+32 por cento), de acordo com o ministério. O produto, no entanto, teve como principal destino a União Europeia.

Fonte: Brasil Agro – Online

Brasil e China poderiam fazer parcerias em comércio de farelo de soja, diz diplomata chinês

BRASÍLIA (Reuters) – Empresas chinesas e brasileiras poderiam formar joint ventures de processamento de soja como forma de ampliar as exportações de farelo de soja da maior economia da América Latina para o principal importador global da oleaginosa, disse em uma entrevista um alto diplomata chinês.

As empresas chinesas processam grande parte de toda a soja que usam em fábricas na China, em vez de comprar farelo de soja diretamente do Brasil, mas as companhias escolhem a opção mais lucrativa, disse Qu Yuhui, ministro-conselheiro encarregado de assuntos políticos da embaixada chinesa em Brasília.

“Se uma companhia chinesa e outra brasileira juntas fizerem uma joint venture no Brasil para processar soja, essa é uma boa escolha para os lucros de ambos os lados”, disse ele à Reuters, acrescentando que tal parceria poderia aliviar o ônus dos custos logísticos brasileiros.

Ainda assim, Qu disse que não há discussões atualmente para a China dar ao Brasil uma cota de farelo de soja com um imposto de importação mais baixo.

O investimento chinês no Brasil saltou em 2017 para uma máxima de sete anos, estimulando o debate sobre as relações bilaterais antes da eleição presidencial brasileira em outubro.

As compras chinesas de terras e operações de mineração atraíram críticas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a corrida em um cenário sem o ex-presidente Lula.

Qu disse que era difícil entender a raiz da preocupação de Bolsonaro. Os compradores chineses respondem por apenas 3 por cento das compras de terras estrangeiras no Brasil, disse ele.

Ele disse que a China e o Brasil continuarão a trabalhar para o desenvolvimento mútuo, independentemente de quem vencer a eleição, acrescentando que o comércio bilateral deve crescer 25 por cento, para 110 bilhões de dólares nos próximos dois a três anos.

Qu disse que ainda é muito cedo para dizer se as disputas comerciais entre os EUA e a China terão impacto sobre o comércio entre a China e o Brasil, que já estava crescendo rapidamente antes da atual disputa.

Além da demanda crescente por soja e milho brasileiros, Qu disse que o crescimento do consumo chinês impulsionará o comércio de frutas, frango e carnes suína e bovina.

O aumento do comércio bilateral não ocorre sem atritos.

A China impôs medidas antidumping ao frango brasileiro em junho, enquanto uma tarifa de açúcar pesou sobre as exportações brasileiras do adoçante para a China.

“Estou relativamente otimista de que este problema possa ter uma solução apropriada em um período relativamente curto de tempo”, disse ele sobre as exportações brasileiras de açúcar. Ele expressou avaliação semelhante sobre o comércio de frango.

Fonte: Reuters

China pode reduzir importações de soja em mais de 10 mi t neste ano, diz mídia

PEQUIM (Reuters) – A China pode reduzir as importações de soja em mais de 10 milhões de toneladas neste ano, graças ao uso de nova tecnologia em farelo de soja e à adoção de suplementos como sementes de girassol e sementes de palmeira, segundo publicação no jornal estatal Economic Daily nesta segunda-feira.

O uso de fórmulas de baixa proteína para alimentação animal poderia reduzir a demanda anual da China por farelo de soja em entre 5 por cento e 7 por cento, o que significa cerca de 5 milhões de toneladas de soja, segundo o jornal, que citou um especialista da Academia de Ciência da China.

A China também pode aumentar importações de ração animal feita de sementes de girassol, de palmeira e colza, que poderiam substituir uma demanda anual por farelo de soja de cerca de 4,8 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 6 milhões de toneladas de grãos de soja, disse a reportagem.

A demanda por farelo de soja deve continuar fraca nos próximos meses devido a perdas em alguns produtores de carne suína, adicionou o jornal. O consumo de farelo de soja caiu 1,3 por cento entre abril e junho ante o mesmo período do ano anterior.

A China começou em 6 de julho a impor uma tarifa de 25 por cento sobre uma lista de bens norte-americanos, incluindo soja, em resposta a tarifas similares aplicadas pelos EUA sobre bens chineses.

A soja, esmagada para produção de óleo de cozinha e farelo de soja, ingrediente rico em proteínas e utilizado para ração animal, foram os maiores itens agrícolas de exportação dos EUA para a China no ano passado, com um valor de 12,3 bilhões de dólares, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

A China, que importa 60 por cento da soja comercializada no mundo, comprou 32,9 milhões de toneladas dos Estados Unidos em 2017, o que representou 34 por cento das compras totais chinesas.

Fonte: Reuters, publicado no Notícias Agrícolas

Brasil solicita cota para exportação de farelo e óleo de soja para China

Presidente também pediu espaço ao líder chinês para exportação de produtos processados derivados da soja, como o óleo e o farelo do grão. Cúpula do Brics vai até sexta-feira (27)

O presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira (26) em Joanesburgo, na África do Sul, que pediu ao presidente da China, Xi Jinping, o fim da sobretaxa ao frango e ao açúcar do Brasil.

Temer chegou em Joanesburgo nesta quarta (26) para participar da 10ª Cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O encontro vai até sexta-feira (27).

“Voltamos a tratar do aumento da cota de açúcar, do frango especialmente, pedimos a ele [presidente da China] que deixe um pouco de lado, digamos, a sobretaxa que houve em relação ao frango e ao açúcar. Que nós pudéssemos aumentar as nossas exportações”, afirmou o presidente.

Temer afirmou, ainda, ao líder chinês que o Brasil quer exportar para a China produtos processados derivados da soja, como o óleo e o farelo do grão. De acordo com o presidente, Xi Jinping recebeu a proposta.

“De igual maneira, vocês sabem que nós exportamos muita soja para a China, mas soja em grão. E o que nós queremos e, eu ressaltei isso a Xi Jinping, é mandar os elementos processados, ou seja, olho de soja e farelo de soja. O que naturalmente permite a industrialização no nosso país, e ele recebeu muito bem. Não senti resistência, vai mandar examinar, naturalmente. Basicamente foi isso”, disse.

Essa declaração já havia sido adiantada ontem (25) pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em uma coletiva em Johannesburgo.

Em um momento em que são discutidas as tarifações sobre produtos crescendo no mundo todo em meio a uma severa guerra comercial entre China e Estados Unidos, Maggi se posicionou, mais uma vez, sobre o livre mercado e em como o Brasil tem buscado garantir as oportunidades que vem tendo.

“Não exportamos farelo porque há uma taxação para entrar lá. Queremos derrubar essa taxa e criar uma cota para entrar. Essa é uma das ideias para minimizar esse problema”, disse o ministro. Sobre a taxação da soja americana pelos chineses, Maggi diz que “com isso, houve uma diminuição do comércio na Bolsa de Chicago e os preços caíram. A China compra o produto brasileiro com um prêmio e esse prêmio encarece nossa ração”, explicou Maggi.

E o ambiente acaba, portanto, prejudicando e comprometendo a competitividade brasileira de aves e suínos, o que o ministro também afirmou em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta semana, durante o GAF (Global Agribusiness Forum). Segundo o ministro, a guerra comercial não é boa para ninguém.

“Vamos ter uma soja mais cara em relação à americana, vamos subir o preço da ração para avicultura e para a suinocultura, e para o esmagamento de soja, e vendemos farelo para Europa. Tudo isso vai fazer com que haja um encarecimento da nossa ração e podemos perder a competitividade mundo a fora. Amanhã ou depois, a China e os EUA fazem um grande acordo de novo e nós já perdemos o mercado”, explica o ministro.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em uma declaração feita nesta quarta-feira (25) afirmou que o presidente Michel Temer quer, de fato, ampliar o ‘leque de exportações de soja’ à China, ao mesmo tempo que busca manter saudáveis suas relações com os EUA.

“A relação tanto com os Estados Unidos quanto com a China é importantíssima para o Brasil. São dois parceiros fundamentais”, afirmou Padilha.

Coamo prevê aumento de faturamento 

A Coamo, a maior cooperativa agrícola do país, espera aumentar seu faturamento em cerca de 35% em 2018 para R$ 15 bilhões, cerca de US$ 4,1 bilhões, principalmente em função dessa possibilidade de uma maior participação no comércio global diante dessa disputa comercial entre chineses e americanos.

Em entrevista à Reuters Internacional, o executivo chefe da cooperativa, José Aroldo Gallassini, afirma que esse gap deixado pelo produto norte-americano após a taxação tem levado os produtores brasileiros a venderem o que resta da safra velha. O momento veio atrelado ainda um bom cenário cambial também que, até a baixa desta quarta, mantinha a moeda norte-americana próxima dos R$ 3,90.

“Os preços da soja chegaram a alcançar os R$ 80,00 por saca. No ano passado, as vendas ficaram próximas dos R$ 60,00 / R$ 70,00”. disse Gallassini. “Este preço de R$ 80 é muito bom considerando os custos de produção. A recomendação aos nossos associados é de que vendam”, completa.

Sobre a safra 2018/19, os negócios também já melhoraram de forma bastante significativa. Os cooperados da Coamo já travaram cerca de 15% da soja da nova temporada e esse é um nível, ainda segundo o executivo, bem acima dos níveis históricos para esta época do ano. Mais um reflexo de que os produtores estão aproveitando os bons indicativos trazidos por essa condição criada pela guerra comercial.

Fonte: Notícias Agrícolas

China x EUA pode ampliar janela da soja da América do Sul por pelo menos 2 anos

A guerra comercial entre China e Estados Unidos continua muito presente no radar do cenário macroeconômico mundial, influenciando no andamento dos negócios e na ordem do comércio global, inevitavelmente. O momento poderia, inclusive, criar uma ampla janela de oportunidades para a soja da América do Sul por mais dois anos.

A análise é do chefe do Union Agriculture Group Corp., um dos maiores grupos agrícolas do Uruguai, Jose Pedro Sanchez, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.

“Não só o Uruguai, mas a América do Sul tem a grande oportunidade de fornecer ainda mais oleaginosas para a China na medida em que o produto americano se torna menos competitivo em função dos altos preços por conta da tarifação”, diz Sanchez. “A China vai acabar comprando quase toda a soja uruguaia”, completa.

O mesmo já começa a ser observado no Brasil, em níveis ainda mais amplos. Somente na última semana, os chineses compraram de 19 a 20 navios de soja, o que corresponde a pouco mais de 1 milhão de toneladas, e os negócios continuam a acontecer.

Os números das exportações nacionais continuam mostrando dados recordes, segundo informações que partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e se estendem por todo o complexo da oleaginosa. No acumulado do ano, as exportações brasileiras de soja já somam 51.550,6 milhões de toneladas. Ao contabilizar os números de toda a cadeia, as vendas externas chegam a 61,7 milhões.

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Fontes: Notícias Agrícolas

China tem recuo nas emissões de CO2

Emissões da China tiveram queda constante entre 2014 e 2016, segundo novo estudo. Mas se a indústria que mais polui no mundo está saindo dali, para onde ela está se mudando? A China é o país que mais emite dióxido de carbono no mundo: a liberação de CO2 cresceu substancialmente nas últimas décadas e, hoje em dia, compõe quase um terço do total global de emissões.

Mas um estudo publicado nesta segunda-feira (02/07) na revista Nature Geoscience demonstra que o país já pode ter atingido o seu pico de emissões, uma vez que as quantidades de carbono liberadas na atmosfera estão caindo.

De acordo com uma equipe formada por pesquisadores da China, do Reino Unido e dos Estados Unidos, as emissões de CO2 do país diminuíram entre 2014 e 2016, totalizando uma queda de 4,2% no período.

Esse declínio nas emissões ocorreu muito mais cedo do que o previsto por outros cientistas. Estudiosos britânicos, por exemplo, não esperavam um pico das emissões chinesas antes de 2025.

O recuo não parece ser muito grande: 9,2 gigatoneladas de CO2 em 2016 contra 9,53 gigatoneladas em 2013. Mas, mesmo assim, os pesquisadores escrevem que a contração é um sinal de esperança.

“O fato de que as emissões chinesas registraram decréscimo por vários anos – e, mais importante, as razões pelas quais isso aconteceu – dão esperança de mais quedas no futuro”, diz o texto, no qual os pesquisadores definem o declínio como “causa para otimismo cauteloso”.

Se a diminuição fosse apenas o subproduto de uma crise econômica, não haveria muitos motivos para esse otimismo: as emissões de dióxido de carbono simplesmente aumentariam novamente assim que a economia voltasse a florescer. E, de fato, o crescimento econômico na China desacelerou nos últimos anos, o que facilitou a redução de emissões.

Mas o principal autor do estudo, Dabo Guan, da universidade Tsingua em Beijing, disse à DW que, segundo as investigações, o crescimento econômico mais lento não é o principal motivo para a queda.

A China está passando por uma mudança estrutural, com a transição para o exterior de fábricas que emitem muitos poluentes, afirma Guan.

“Há alguns anos, 90% de todos os tênis de corrida, por exemplo, eram feitos na China. Agora, são os caros que vêm da China, enquanto as marcas mais baratas estão sendo fabricadas no Vietnã, no Camboja, no México ou em outros países”, exemplifica. O mesmo vale para produtos eletrônicos como smartphones.

O deslocamento para uma produção de maior valor agregado e para a indústria de serviços transformou a China, acarretando numa queda no processamento de ferro e aço, na coqueificação e nas produções de cimento e carvão, com alto grau de emissões de poluentes.

“Um pico em 2013 é muito anterior ao que qualquer pessoa poderia ter antecipado quando o presidente chinês, Xi Jinping, prometeu reduzir as emissões pela primeira vez em 2014”, escrevem os cientistas.

Lina Li, coordenadora de projetos na Adelphi, um think tank e consultoria de políticas públicas relativas às mudanças climáticas, meio ambiente e desenvolvimento, concorda com Dabo Guan e seus colegas sobre o fato de o declínio das emissões de CO2 não ser acidental. “Parcialmente, é graças à aceleração de políticas climáticas e energéticas internas nos últimos anos, assim como a mudança econômica estrutural pela qual a China está passando”, enumera.

O mix de energia chinês também está mudando. “O céu azul está se tornando uma questão política, especialmente em Pequim. A política antipoluição do ar ajudou muito a reduzir as emissões de dióxido de carbono”, lembra.

Imagens de intensa poluição do ar em cidades chinesas viralizaram no mundo inteiro. Enquanto as novas políticas se concentram prioritariamente nas partículas finas no ar, elas também estão levando a uma redução no consumo de carvão – o que teve o efeito colateral de reduzir as emissões de carbono.

Por exemplo, o governo chinês limitou a construção de novas usinas energéticas de carvão a partir de 2013, também fechando usinas mais antigas e menores.

Desde 2013, o consumo de carvão recuou, em média, 5,6% ao ano. As maiores quedas foram registradas no setor energético.

Porém, a demanda por energia na China continua crescendo. Mas a energia extra vem de energias renováveis – e de usinas nucleares.

A má notícia

Enquanto se pode concordar com o fato de que o aumento das energias renováveis na China é um sinal positivo, há quem questione se ampliar o uso de energia nuclear no país é a decisão certa.

“A China está construindo cerca de 12 novas usinas de energia nuclear”, enumera Dabo Guan. “O carvão é sujo demais e os renováveis não são muito estáveis. Assim, a energia nuclear é vista como uma fonte estratégica de energia para o futuro”, constata.

Nem o desastre nuclear de Fukushima conseguiu minar o entusiasmo da China pela energia nuclear, acrescenta Dabo. “A maior parte dos chineses acredita [que o problema do lixo nuclear pode ser resolvido] – ou eles simplesmente não ligam. Em comparação com a Alemanha, a percepção pública é bem diferente”, compara.

Mesmo com a energia nuclear como reserva, os pesquisadores argumentam que ainda não está claro se essa leve diminuição nas emissões vai persistir – ou se haverá continuidade na queda para os níveis necessários para coibir os efeitos das mudanças climáticas.

“As emissões da China podem flutuar nos próximos anos e isso pode significar que 2013 não foi o pico definitivo”, escrevem os estudiosos, para quem novas políticas energéticas e climáticas podem ter causado “um decréscimo único nas emissões que não será facilmente repetido”.

Faz sentido: se as usinas mais antigas e ineficientes já foram fechadas, será realmente difícil repetir essa medida no ano que vem.

Mas a questão mais importante relativa às mudanças climáticas pode ser esta: se a indústria que mais emite poluente está saindo da China, para onde ela está se mudando?

O IPCC, painel da ONU sobre mudanças climáticas, avançou o conceito de que, se as emissões da China alcançaram o seu ponto mais alto, o mesmo pode valer para as emissões globais – o que significa que elas poderão começar a cair a partir daí.

Mas essa é uma suposição ousada. Dabo Guan alerta que o problema pode simplesmente se deslocar para outras partes do mundo. “Precisamos impedir que outro gigante de emissões cresça no lugar da China – como Índia, Indonésia ou países africanos”, adverte.

A China também desempenha papel fundamental para impedir que isso aconteça, diz Dabo – ajudando países em desenvolvimento a ampliar seu know-how e desenvolver tecnologias apropriadas para combater o aquecimento global.

Lina Li, da Adelphi, concorda. “Se a China conseguir combinar seus planos futuros internos de reformas e transições com uma agenda de liderança climática global inteligente, o mundo se tornará um lugar melhor – assim como a própria China”, prevê.

Fonte: Deutsche Welle

Brasil poderá ter de importar soja com disputa entre EUA e China, diz Anec

Maior exportador de soja do mundo poderá ter de importar até 1 mi de toneladas do grão dos EUA até fim do ano para suprir demanda de processadores locais

São Paulo – O Brasil, maior exportador de soja do mundo, poderá ter de importar até 1 milhão de toneladas da oleaginosa dos Estados Unidos até o fim deste ano para suprir a demanda de processadores locais, disse um executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) nesta quinta-feira.

Se a demanda da China por soja brasileira crescer em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos, processadores locais poderão ter de recorrer a importações dos EUA, disse Luis Barbieri, um membro do conselho da Anec.

“Esse é um dos momentos de maior incerteza na história recente do comércio de grãos”, disse ele.

Fonte: Reuters

Soja em Chicago nessa segunda-feira

A semana começa com estabilidade para os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago. Os futuros da commodity subiam entre 1,25 e 2,25 pontos nos principais vencimentos, por volta de 8h10 (horário de Brasília), no pregão desta segunda-feira (2). Dessa forma, o contrato julho/18 tinha US$ 8,60 e o setembro era cotado a US$ 8,70 por bushel.

O mercado segue aguardando por novidades, especialmente em relação à guerra comercial entre chineses e a americanos, bem como se ajusta depois das baixas acumuladas de mais de 4% na última semana e de 16% em todo mês de junho na CBOT.

Além disso, os traders acabam de digerir também os últimos números de estoques trimestrais e área de plantio dos EUA divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última sexta-feira (30). E nesta segunda, esperam ainda pelos dados dos embarques semanais e das condições das lavouras americanas, as quais serão reportadas somente após o fechamento do mercado.

No cenário climático do Corn Belt, seguem mantidas as boas condições para o desenvolvimento das lavouras.

“O ponto principal é que as condições de umidade do solo na maior parte do Meio-Oeste estão favoráveis e ainda leva algumas semanas para que algumas regiões sequem o suficiente para causar algum stress muito sério. Enquanto isso, no meio tempo, as últimas previsões seguem mostrando uma condição ainda um tanto incerta sobre as variações de temperaturas e chuvas, mas ainda sem indicar um cenário de muito stress até o final do verão”, diz um boletim do instituto internacional World Weather Inc.

Fonte: Notícias Agrícolas

China promete prospectar soja na região asiática na tentativa de reduzir dependência dos EUA; segue a guerra comercial

Nesta terça-feira (26), o mercado da soja trabalhou em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), perdendo de 7 a 8 pontos nos principais vencimentos.

Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais, visualiza que o mercado vem consolidando um “piso” nesses patamares e que os níveis atuais são os piores desde 2016. Ele vê que esse é um patamar bastante ruim diante da quebra na argentina e da busca mais acirrada pela soja norte-americana.

O plano de fundo da guerra comercial entre Estados Unidos e China também coloca o mercado em uma “situação duvidosa”, além da boa evolução da safra norte-americana. Motter, nesse momento, não vê possibilidade de acordo a curto prazo.

Na sexta-feira (29) serão divulgados dois relatórios importantes para a safra dos Estados Unidos, mas tudo indica que o plantio da soja deverá ficar muito próximo do que foi divulgado em março.

O analista visualiza que os produtores têm lido o movimento do mercado com bastante sabedoria e começaram a participar intensamente dos últimos momentos de forma agressiva. Neste momento, Motter acredita que é “razoável e justo” aguardar o mercado evoluir melhor.

Clique aqui para ouvir o podcast especial do canal.

Fonte: Notícias Agrícolas

Acordo com EUA não reduz fôlego da demanda chinesa pela soja brasileira

Soja em Chicago sobe forte com acordo EUA-China, volta das chuvas às regiões produtoras do meio oeste americano e dólar em queda

Na última segunda-feira (21), os preços da soja tiveram uma alta expressiva, de mais de 20 pontos nos principais vencimentos, na Bolsa de Chicago (CBOT). As cotações já trabalham acima dos US$10,20/bushel, após quase perder o patamar dos US$10/bushel na semana anterior.

Como comenta Fernando Pimentel, analista de mercado da Agrosecurity Consultoria, o mercado está ancorado na questão da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que começam a dar sinais de espaço para negociação e de ampliação da compra de commodities dos norte-americanos por parte dos asiáticos.

Existe uma tentativa dos Estados Unidos de aumentar a demanda chinesa pela soja local nos próximos anos. Por outro lado, a China também tenta ser cada vez mais participativa no mercado global, adquirindo negócios tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

No Brasil, a corrida presidencial segue em aberto e o Banco Central, em frente a movimentos como o dos caminhoneiros, que protestam contra os preços dos combustíveis, se move para conter a alta do dólar.

Os produtores brasileiros que já se planejavam para aumentar a área na próxima safra, na visão de Pimentel, devem “deletar essa história de guerra comercial” porque esse é o modelo de negócios de Trump angariar simpatias internas e antipatias externas.

A longo prazo, ele não acredita que o próximo presidente do Brasil deva interferir no mercado, de forma que o câmbio poderá ser trazido para baixo – mas, neste momento, as cotações do dólar devem se estabilizar até o momento efetivo da corrida presidencial.

Em Chicago, os preços ainda podem sofrer alterações bruscas devido ao mercado climático, que se encontra plenamente ativo em meio à safra norte-americana.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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