Economia de carbono zero ao alcance

Quando o Acordo de Paris sobre o clima foi concluído, em dezembro de 2015, quase todos os países do mundo se comprometeram a limitar o aquecimento global em níveis bem inferiores aos 2°C em relação aos patamares pré-industriais e apresentaram o documento “Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas” (INDCs, nas iniciais em inglês) que descrevia a maneira pela qual eles ou deteriam ou reduziriam as emissões nos dez anos seguintes. Os investimentos mundiais em energia elétrica renovável ultrapassam de longe, atualmente, os investimentos em usinas de combustíveis fósseis; os custos das baterias estão caindo, e as vendas de veículos elétricos, aumentando; e, mesmo nos EUA do presidente Donald Trump, as usinas de geração a combustão de carvão continuam a fechar.

Mas, apesar desse avanço, o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, nas iniciais em inglês) traz uma previsão assustadora: com base nas tendências atuais, o mundo se encaminha para registrar um aquecimento global de 3° até 2100, para um nível não alcançado há mais de um milhão de anos. O dano que isso causará ao bem-estar humano tende a ser catastrófico.

O relatório do IPCC deixa claro que a meta ideal deveria ser restringir o aquecimento a 1,5°C. Acima desse nível, as consequências adversas se agravam cada vez mais. Mas para alcançar esse objetivo as emissões mundiais de dióxido de carbono teriam de chegar ao líquido de zero até por volta de 2055, e ainda mais cedo se, como infelizmente é inevitável, as emissões permanecerem nos níveis atuais por vários anos mais.

As exatas implicações para níveis aceitáveis de emissões de centrais de geração de energia elétrica, unidades industriais, redes de transportes e sistemas de calefação dependem da rapidez com que as emissões causadas pelas mudanças do uso da terra, como o desmatamento, puderem ser eliminadas e da rapidez com que as emissões de gases-estufa que não o CO2 (de metano ou óxido nitroso, por exemplo) puderem ser reduzidas.

Mas está claro que, se não chegarmos a emissões líquidas zero decorrentes do uso de energia e da indústria até por volta de 2060 – e antes disso, em economias desenvolvidas -, teremos que depender da suposição de que as mudanças no uso do solo poderão gerar grandes emissões negativas no fim do século XXI. Se isso não se confirmar, o aquecimento vai aumentar para níveis superiores a 1,5°C.

Chegar a emissões líquidas zero em apenas 40 anos será um enorme desafio. Mas, como argumenta um relatório da Comissão de Transições Energéticas a ser divulgado em breve, a boa notícia é que isso é tecnicamente possível, a um custo aceitavelmente baixo. Além disso, nós já conhecemos as tecnologias fundamentais de que precisamos para alcançar esse objetivo.

Todos os caminhos viáveis para uma economia de baixo carbono e, finalmente, de um líquido de emissões de CO2 zero exigem um enorme incremento no papel da energia elétrica. A participação da energia elétrica na demanda final de energia terá de crescer a partir dos cerca de 20% atuais para aproximadamente 60% até meados ao final do século, e o total mundial de geração de energia elétrica terá de aumentar, dos cerca de 25 mil terawatts-hora (TWh) atuais para nada menos que 100 mil TWh.

Essa energia elétrica tem de provir de fontes de baixo carbono. E, embora a geração nuclear e a gás de energia elétrica, neutralizada pela captura de carbono, possa desempenhar papel significativo, a parte do leão terá de provir de fontes renováveis – de 70% a 80%, pelos cenários do IPCC. Mas há uma extensão suficientemente grande de terras no mundo para sustentar uma expansão renovável nessa escala, e tempo suficiente para fazer os investimentos necessários, desde que possamos agir rapidamente.

Três outros conjuntos de tecnologias também serão essenciais. Em primeiro lugar, o hidrogênio, a amônia e talvez o metanol têm de ser usados como portadores de energia no transporte e em aplicações industriais e como matérias-primas de produtos químicos. Todos os três acabarão sendo produzidos sinteticamente, por meio do uso de energia elétrica limpa como fonte final de energia.

Em segundo lugar, a biomassa poderá fornecer combustível para aviação de baixo carbono ou insumo para a produção de plásticos. A escala de uso total, no entanto, terá de ser cuidadosamente administrada a fim de evitar impactos danosos sobre os ecossistemas e o abastecimento de alimentos.

Em terceiro lugar, deve haver pelo menos algum papel para a captura de carbono, e para sua armazenagem ou uso em processos industriais fundamentais, como produção de cimento, para os quais não se dispõem no momento de rotas alternativas viáveis de descarbonização.

Construir uma economia de carbono zero exigirá, naturalmente, enorme investimento em produção e transmissão de energia elétrica, novas unidades industriais e equipamentos mais eficientes. Para conquistar o objetivo da elevação de 1,5°C, o IPCC estima que o investimento mundial adicional necessário, de 2015 a 2050, poderá ser de US$ 900 bilhões ao ano. Essa pode parecer uma cifra vertiginosamente alta; mas, supondo-se um crescimento econômico anual de 3%, o PIB mundial, hoje de quase US$ 100 trilhões, poderá alcançar US$ 260 trilhões até 2050. Isso implica que o mundo precisa investir menos que 0,6% de sua renda nos próximos 40 anos para evitar danos catastróficos ao bem-estar humano.

Só a China investe sozinha mais de US$ 5 trilhões ao ano atualmente. Uma proporção significativa desse valor é desperdiçada na construção de prédios de apartamentos que nunca serão ocupados em cidades que se defrontam com a estagnação e, eventualmente, queda das populações. A China poderia poderia erigir uma economia de carbono zero sem qualquer sacrifício do consumo por meio do redirecionamento dos investimentos. Para o mundo com um todo, o impacto sobre os padrões de vida de atingir emissões líquidas zero será praticamente desprezível.

Mas, embora uma economia de carbono zero seja, sem dúvida, tecnicamente factível e facilmente acessível do ponto de vista financeiro, não será alcançada sem sólidas políticas públicas e estratégias de negócios voltadas para o futuro. Os governos precisam produzir regulamentação de fixação de preços do carbono e regulamentação de produtos e respaldar tecnologias e infraestruturas fundamentais, e as empresas dos setores produtores de energia e dos setores que mais utilizam energia têm de desenvolver estratégias focadas em como conquistar emissões zero até meados do século e em como começar a transição hoje.

A alternativa a isso é vivermos mais dez anos de avanços apenas adicionais, que nos colocarão num caminho catastrófico rumo a um aquecimento de 3°C durante a vida das crianças atuais.

Fonte: Valor Econômico

Treinamento capacita em avaliação do ciclo de vida e intensidade de carbono dos biocombustíveis

A Embrapa Meio Ambiente, a Fundação Espaço ECO®(FEE®) e a Agroicone, com a participação de instrutores colaboradores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lançam um curso em cinco edições (agosto, setembro, outubro e novembro de 2018, e março de 2019), com o objetivo de promover a compreensão sobre a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e a contabilidade da intensidade de carbono de biocombustíveis, com foco específico no Programa RenovaBio.

O “Curso de Capacitação na Metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) no Contexto do Programa RenovaBio” explorará a RenovaCalc – ferramenta para a determinação da Intensidade de Carbono de biocombustíveis e base para a certificação do Programa.

Segundo a pesquisadora Marília Folegatti Matsuura, a Embrapa Meio Ambiente, a Unicamp, o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e a Agroicone estabeleceram o protocolo de avaliação de desempenho ambiental de biocombustíveis para o programa RenovaBio, em atendimento à demanda do Ministério das Minas e Energia (MME). Sua base é a metodologia de ACV, com foco na categoria de impacto Mudanças Climáticas. É aplicável aos biocombustíveis etanol, biodiesel, bioquerosene e biometano.

Os índices de Intensidade de Carbono dos Combustíveis do Programa Renovabio são estimados pela RenovaCalc, uma ferramenta que por meio do levantamento de parâmetros técnicos junto ao produtor, calcula as emissões de gases de efeito estufa do ciclo de vida dos biocombustíveis, gerando um índice de desempenho em g CO2eq/MJ de biocombustível.

Arte: Fundação Espaço ECO® - Para incentivar o aumento da produção nacional de biocombustíveis, o RenovaBio deve trazer uma vantagem competitiva para as empresas que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono. Para este cálculo entra a RenovaCalc.

De acordo com Marília, “ACV é uma ferramenta para avaliação de impactos ambientais baseada na contabilidade de material e energia consumidos pelos processos produtivos e emitidos para o meio ambiente durante todo o ciclo de vida de um produto, desde a extração de recursos naturais, incluindo os processos de transformação, os processos de transporte e a fase de uso e disposição final do produto. É uma metodologia com forte base científica e reconhecida internacionalmente, sendo padronizada pelas normas ISO 14040:2009 e 14044:2009”.

A gerente de Sustentabilidade Aplicada da Fundação Espaço ECO®, Juliana Silva, destaca que “do ponto de vista de diferencial competitivo, a Avaliação de Ciclo de vida tem sido utilizada por organizações para avaliarem a performance de seus produtos e atendimento à atual demanda do mercado em termos de sustentabilidade, orientando os gestores nas tomadas de decisão”.

Marília, que coordena o Grupo Técnico responsável pela elaboração do protocolo de desempenho ambiental dos biocombustíveis dentro do RenovaBio, acredita que “este será um importante estímulo à melhoria dos processos produtivos agrícolas e agroindustriais para fins energéticos, com vistas à sustentabilidade ambiental”.

Serviço

  • 1ª edição: 16.08.2018  – Fundação Espaço ECO® (São Bernardo do Campo, SP)
  • 2ª edição: 13.09.2018  – Unicamp (Campinas, SP)
  • 3ª edição: 04.10.2018  – Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP)
  • 4ª edição: 08.11.2018  – local a definir
  • 5ª edição: março 2019 – dia e local a definir

São 35 vagas. Valor: R$ 800,00

Pré inscrições neste link até 10 de agosto de 2018:  http://bit.ly/ACVRenovaBio

Conteúdo

  • A problemática das mudanças climáticas e seus impactos nos setores econômicos. Onde as cadeias de biocombustíveis influenciam?
  • Avaliação do ciclo de vida: conceito, características e estrutura
  • A questão da mudança de uso da terra
  • Abordagens de contabilidade de carbono: diferenças entre inventários corporativos, inventários nacionais, intensidade e pegada de carbono
  • Legislações e protocolos internacionais: semelhanças e diferenças entre o RenovaBio
  • Explorando a RenovaCalc: da teoria à prática. Como inserir os dados na calculadora?

Mais informações e dúvidas sobre o curso pelo email: espacoeco@basf.com

Os participantes deverão levar notebook com versões do Excel a partir de 2010 (compatíveis com a RenovaCalc).

Fonte: Embrapa

Precificação de Carbono na Indústria Brasileira

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) apresentou suas ideias sobre a importância da precificação das emissões de gases de efeito estufa. O documento explicita a preferência por um mercado de emissões, ao invés de mais um imposto, porque a alternativa daria mais liberdade aos agentes para buscar soluções custo-efetivas.

Além disso, na crise fiscal em que o Estado brasileiro está atolado, a arrecadação de um imposto sobre emissões dificilmente seria revertida em ações de mitigação e adaptação à mudança do clima. O documento lembra que a indústria nacional, diferentemente da maioria dos países médios e ricos, responde por apenas 8% das emissões. O CEBDS aponta que será necessário criar uma governança para gerir este mercado, posto que o tema abrange várias pastas ministeriais.

Como muitos documentos parecidos, sente-se falta de um encaminhamento real, dizendo quais indústrias serão obrigadas a entrar nesse mercado, quais serão isentas, e ideias de como quantificar as metas a serem atribuídas a cada uma. Na falta disto, talvez seja melhor assumir compromissos de uso de energia renovável, como os da indústria japonesa na nota mais abaixo.

Fonte: Clima Info

Impostos sobre carbono e sistemas de comércio de emissões de gases de efeito estufa: o que aprendemos?

Sabe-se de há muito que a transição para uma economia de baixa emissão precisa ter um sinal de preço atribuído às emissões de carbono. Nesse campo, uma das grandes discussões se dá sobre a efetividade de um imposto sobre o carbono ou a implantação de esquemas de mercado tipo cap-and-trade. O que se tem visto mais recentemente são jurisdições implantando ambos, conforme o setor ou atividade econômica.

Um artigo na Climate Policy fala de uma avaliação feita sobre mais de 50 iniciativas de precificação das emissões. A primeira lição é que é muito difícil atribuir uma redução de emissões a um instrumento climático, posto que outras políticas e a própria conjuntura econômica são igualmente importantes. Especificamente para o caso de impostos, os autores afirmam que, na grande maioria dos casos, o valor do imposto é ou foi pequeno demais para que seu efeito possa ser notado.

A iniciativa mais importante até o momento é o ETS europeu (sistema de comércio de emissões) pelo montante de emissões e dinheiro transacionado. Os autores dizem que o ETS certamente contribuiu para a redução das emissões europeias, mas que é muito difícil saber quão importante foi.

Nas conclusões, os autores entendem que ambos devem ser vistos como parte de um portfólio de políticas climáticas e que é preciso mais investigações para entender a contribuição de cada instrumento.

Clique aqui para acessar o arquivo original (em inglês).

Fonte: Clima Info

Sumário Executivo do Relatório 1,5ºC do IPCC

Climate Home News teve acesso e publicou a versão enviada pelo IPCC aos governos do sumário executivo do relatório 1,5oC. O relatório deve ser oficialmente lançado em outubro, depois dos comentários dos governos.  Colocamos abaixo as principais conclusões, que podem ser úteis a vários de nossos leitores.

– O aquecimento global induzido pela humanidade atingiu, em 2017, aproximadamente 1 ± 0,2°C (faixa provável) acima dos níveis pré-industriais, e atualmente está aumentando 0,2 ± 0,1°C por década (alta confiança).

– É improvável que as emissões passadas, sozinhas, elevem a temperatura média global ao nível da superfície (GMST) em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, mas levam a outras mudanças, como a elevação do nível do mar e os impactos associados (alta confiança). Se as emissões continuarem na taxa atual, o aquecimento induzido pelo homem ultrapassará 1,5°C por volta de 2040 (alta confiança).

– Os riscos para os sistemas naturais e humanos são menores para um aquecimento global de 1,5°C quando comparados a um aquecimento de 2°C, e dependem da localização geográfica, dos níveis de desenvolvimento, da vulnerabilidade e das escolhas de adaptação e mitigação (alta confiança).

– O desenvolvimento sustentável, a erradicação da pobreza e implicações para a ética e a equidade serão considerações-chave nos esforços de mitigação para a limitação do aquecimento global a 1,5°C e nos esforços para a adaptação ao aquecimento global de 1,5°C (alta confiança).

– Não há uma resposta simples quanto a saber se é viável limitar o aquecimento a 1,5°C e adaptar as populações às suas consequências, porque esta viabilidade tem múltiplas dimensões que precisam ser consideradas simultânea e sistematicamente.

– Em relação a hoje, existem aumentos substanciais nos eventos climáticos extremos num mundo aquecido em 1,5°C, e entre 1,5°C e 2°C, incluindo extremos de temperatura ambiente em todas as regiões habitadas (alta confiança), eventos de precipitação na maioria das regiões (alta confiança) e secas extremas em algumas regiões (média confiança).

– Em terra, os riscos de impactos induzidos pelo clima na biodiversidade e nos ecossistemas, incluindo a perda e a extinção de espécies, são substancialmente menores a 1,5°C do que a 2°C. Limitar o aquecimento global a 1,5°C trará grandes benefícios para os ecossistemas terrestres, para os de zonas úmidas e para a preservação de seus serviços (alta confiança). Um sobreaquecimento, se muito superior a 1,5°C (por exemplo, próximo a 2°C), pode ter impactos irreversíveis em algumas espécies, ecossistemas, suas funções ecológicas e seus serviços prestados aos humanos, mesmo se o aquecimento global se estabilizar em 1,5°C até 2100 (alta confiança).

– Devido às diferenças projetadas na temperatura oceânica, nos níveis de acidificação e de oxigenação, limitar o aquecimento a 1,5°C comparado com 2°C, reduziria substancialmente os riscos à biodiversidade marinha, aos ecossistemas e suas funções ecológicas e aos serviços prestados aos seres humanos nas áreas costeiras e oceânicas, especialmente nos ecossistemas do mar Ártico e nos recifes de coral de água quente.

– Até 2100, o aumento do nível do mar seria cerca de 0,1 m mais baixo com o aquecimento global limitado a 1,5°C, quando comparado com 2°C (confiança média). Aumentos da intrusão de água salgada, de inundações e de danos à infraestrutura associados ao aumento do nível do mar são especialmente danosos para ambientes vulneráveis, como pequenas ilhas, zonas costeiras de baixa altitude e deltas (alta confiança).

– Impactos na saúde, nos meios de subsistência, no abastecimento de alimentos e água, na segurança, na infraestrutura e sobre o potencial subjacente de crescimento econômico aumentarão com 1,5°C de aquecimento em comparação com os dias de hoje, e ainda mais com um aquecimento de 2°C em comparação com 1,5°C.

– Limites à adaptação e perdas associadas existem para todos os níveis de aquecimento global (confiança média) com implicações específicas para regiões e populações vulneráveis. É necessária uma adaptação adicional nos setores avaliados de energia, terra e ecossistemas, sistemas urbanos, industriais e de transporte, e dentro de setores transversais como gestão de risco de desastres, saúde e educação; as necessidades de adaptação serão menores com o aquecimento global de 1,5°C, em comparação com 2°C.

– Todas as trajetórias de emissão consistentes com 1,5°C implicam reduções rápidas nas emissões líquidas globais antropogênicas de CO2 para zerar as emissões líquidas até meados do século, junto com reduções rápidas em outras emissões antropogênicas, particularmente de metano. Maiores reduções de emissões até 2030 levam a uma maior chance de limitação do aquecimento global a 1,5°C sem, ou com limitado, superaquecimento (de zero a 0,2°C) (alta confiança).

– Trajetórias consistentes com 1,5°C podem ter diferentes níveis de remoção de dióxido de carbono (CDR). Algumas limitam o aquecimento global a 1,5°C sem depender da bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS). Mudanças comportamentais, ações pelo lado da demanda e reduções de emissões no curto prazo podem limitar a dependência do CDR (alta confiança).

– Limitar o aquecimento global a 1,5°C exigiria transições rápidas e de longo alcance, que ocorreriam durante as próximas duas décadas, em sistemas energéticos, terrestres, urbanos e industriais.

– Mesmo se cumpridas as atuais promessas do Acordo de Paris (NDCs), estas ainda resultarão em um aquecimento global acima de 1,5°C, com riscos associados e desafios de adaptação. As reduções de emissões e a ação para além das NDCs atuais levam a uma redução do sobreaquecimento e a desafios de transição menores após 2030, e podem contribuir para que sejam atingidos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) (alta confiança).

– A limitação do aquecimento global a 1,5°C no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza requer um portfólio de ações de mitigação e adaptação que funcione em todos os setores e escalas. Essas ações devem enfrentar as principais barreiras e seriam possibilitadas por mudanças nas finanças, na tecnologia e no comportamento (alta confiança).

– A adaptação pode reduzir a vulnerabilidade ao aquecimento global de 1,5°C e é benéfica, principalmente, para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza. Também podem haver consequências negativas (trade-offs) com alguns dos ODS da ONU, se as ações não forem específicas para os distintos contextos e gerenciadas com cuidado (alta confiança).

– A mitigação consistente com as trajetórias de aquecimento global de 1,5°C está associada a múltiplas sinergias e trade-offs em uma série de ODS da ONU, dependendo do ritmo e da magnitude das mudanças e do gerenciamento da transição (alta confiança).

– Perseguir caminhos de desenvolvimento resilientes ao clima pode limitar o aquecimento a 1,5°C, ao mesmo tempo em que nos adaptamos às suas consequências e simultaneamente alcançamos o desenvolvimento sustentável (alta confiança)

– A implementação de políticas para limitar com sucesso o aquecimento a 1,5°C, e para adaptar a humanidade a este aquecimento, implica cooperação internacional e fortalecimento da capacidade institucional das autoridades nacionais e subnacionais, da sociedade civil, do setor privado, de cidades, comunidades locais e povos indígenas (alta confiança).

Clique aqui para acessar a publicação original.

Fonte: Clima Info

EPE participa do 4º Congresso Brasileiro de CO2 na Indústria de Petróleo, Gás e Biocombustíveis

Começou nesta quinta-feira, 28 de junho, a 4ª edição do Congresso Brasileiro de CO2 na Indústria de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. O evento estava na agenda de 2018 do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) para os dias 28 e 29 de junho.

O principal objetivo do congresso é debater os aspectos técnicos e científicos associados às emissões de CO2 e promover a integração entre Indústria, Prestadores de Serviços, Associações, Órgãos Governamentais, Centros de Pesquisa e Universidades.

O diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, José Mauro Coelho, participou como palestrante do painel: “Emissões de CO2: Cenário Brasileiro“, a fim de discutir os seguintes pontos: Qual é o posicionamento destes setores no país? Quais são as ações e fontes alternativas que veem buscando para minimizar as emissões. A apresentação realizada pelo diretor da DPG está disponível aqui.

O moderador do evento foi Maurício Tolmasquim, professor da UFRJ e ex-presidente da EPE. Também participaram o diretor da ANP, Aurélio Cesar Nogueira Amaral, do coordenador geral de Mudanças Globais de Clima (MCTIC), Márcio Rojas, e do diretor executivo de Tecnologias e Projetos da Raizen, Antonio Alberto Stuchi.

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Crédito das Fotos: ASCOM EPE

Fonte: EPE

O que é ‘pegada de carbono’. E a estimativa para 13 mil cidades

A maior parte das emissões de gases causadores do efeito estufa no mundo está ligada às populações urbanas, que possuem padrões de consumo mais elevados

O conceito “pegada de carbono” é usado para definir a quantidade total de emissões de gases estufa ligadas a algum ator, seja ele uma pessoa, uma organização, um evento, ou mesmo uma cidade ou país. Ele serve para informar o grau de responsabilidade desse ator sobre o fenômeno climático, considerando também as emissões que não ocorrem diretamente.

Por exemplo: a pegada de carbono de alguém que usa um carro não diz respeito apenas às emissões pela queima de combustível, mas também às pelas queimas em todo o processo de fabricação do veículo. O gás carbônico (CO2) é a principal molécula responsável pelo aquecimento global, mas não a única. O metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e mesmo o vapor d’água também estão entre as moléculas consideradas gases estufa, e entram na conta da pegada de carbono de determinado agente.

Para que possam ser incluídas no cálculo, essas moléculas são convertidas em uma medida chamada de CO2 equivalente (CO2e), que usa o gás carbônico como base. Por exemplo: uma molécula de metano captura 21 vezes mais calor do que o CO2, e por isso o CO2 e do metano é 21.

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Fonte: Nexo

Especialistas e empresas defendem precificação do CO2 no Brasil

Estudo do setor privado será entregue ao ministro da Fazenda em julho; evento em São Paulo debateu o tema

Estimular a competitividade, contribuir para o cumprimento das metas do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Estes são alguns dos benefícios que um possível mercado de carbono pode trazer para o Brasil, segundo o entendimento de especialistas e empresas que participaram do Encontro Internacional Sobre Precificação de Carbono, realizado na terça-feira (19/6) em São Paulo.

O objetivo do evento, realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em conjunto com a Embaixada da Alemanha no Brasil e com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), foi demonstrar o papel de liderança do setor privado brasileiro no sentido de implementar no País um sistema de precificação de carbono, a exemplo do Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (ETS).

Atualmente, 45 governos nacionais e 25 subnacionais, que representam 20% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2), adotam a precificação, seja por meio de um mercado regulatório estabelecido ou de tributos. Nesse sistema, instrumentos mercadológicos ajudam países e empresas a cumprir metas de corte dos gases de efeito estufa.

Funciona assim: os governos atribuem um custo às emissões por meio da regulamentação de instrumentos como o mercado de carbono e/ou a tributação das emissões. Como fica mais caro utilizar tecnologias intensivas em carbono, as empresas são estimuladas a investir na chamada bioeconomia. Na América Latina, Colômbia, México e Chile já possuem iniciativas de precificação.

Brasil

No evento em São Paulo, a presidente do CEBDS, Marina Grossi, defendeu que o Brasil “só tem a ganhar” ao estabelecer um mercado de carbono. “É fundamental para atingir as metas do Acordo de Paris, uma vez que há um curto período de tempo para isso [2030]. Não é à toa que China e Índia, que têm matrizes energéticas muito sujas, já estão adotando a precificação. Nós temos uma matriz limpa, o que é uma vantagem. Existe a percepção do setor empresarial de que isso é importante. O setor empresarial tem puxado essa agenda”, destacou.

De acordo com Marina, uma proposta do setor empresarial nesse sentido será entregue ao ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, no início de julho. Na ocasião, o chefe da pasta receberá o estudo “Precificação do Carbono na Indústria: Uma Iniciativa Estratégica”, encomendado pelo CEBDS ao professor doutor em economia Ronaldo Seroa da Motta, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

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Fonte: Correio*

9 cidades africanas querem se tornar “carbono zero” até 2050

O continente africano está na linha de frente dos piores efeitos das mudanças climáticas e algumas cidades estão querendo mudar seu destino

Nenhum continente será tão fortemente atingido pelos impactos da mudança climática quanto a África. Dada a sua localização geográfica, suscetível às maiores variações de temperatura, e a capacidade de adaptação consideravelmente limitada e exacerbada pela pobreza generalizada, o continente africano é um campo minado de tragédias potenciais.

Decididas a mudar esse futuro, nove cidades africanas resolveram agir, e se comprometeram, recentemente, a entregar sua parcela de redução de emissões de carbono para atingir os objetivos do Acordo de Paris. A meta? Alcançar economias “carbono zero” em pouco mais de 30 anos, de forma que a mesma quantidade de CO2 liberado seja reduzida e compensada com ações específicas.

Na linha de frente estão as cidades de Accra, capital de Gana, Dar es Salaam na Tanzânia, Addis Ababa na Etiópia, Lagos na Nigéria, Dakar no Senegal e quatro na África do Sul: Durban, Tshwane, Joanesburgo e Cidade do Cabo, que enfrenta a pior crise hídrica de sua história.

Para alcançar esse objetivo ambicioso, as cidades desenvolverão planos de ação para os setores da economia mais intensivos em emissões: transporte, gestão de resíduos e produção de energia. Esse planos estão sendo desenvolvidos com ajuda do C40 Cities, uma rede de cidades do mundo que luta contra a mudança climática.

Não será uma tarefa fácil. Entre as dez megacidades globais com as menores emissões, apenas uma, Joanesburgo, está atualmente na África, destaca a Reuters. Tampouco será uma investida barata, já que envolve mudanças de tecnologias e padrões produtivos.

Mas ninguém duvida que se trata de uma tarefa importante, já que o Banco Mundial projeta que quase 70% da população mundial viverá em cidades até 2050, e que a África poderá responder por metade do crescimento da população global nos próximos 30 anos. Cada vez mais, soluções locais tornam-se fundamentais para enfrentar os desafios do clima.

Até o momento, prefeitos de mais de 40 cidades entre as 96 afiliadas à rede C40 comprometeram-se publicamente a desenvolver e começar a implementar ambiciosos planos de ação climática até 2020 que vão além dos compromissos nacionais, a fim de atingir os objetivos mais altos do Acordo de Paris em nível local, demonstrando que o futuro está sendo moldado nas megacidades do mundo.

Fonte: Exame

Estudo aponta quem é o “dono” do carbono no Brasil

Recurso armazenado em reservas como vegetação nativa também corre risco de ser convertido em gases do efeito estufa

Do total de 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no Brasil, 67% estão em terras públicas, sendo que metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas.

Apesar de o Estado ser o principal “dono” desse carbono, isso não significa que essas reservas estejam protegidas, sem o risco de se converterem em gases de efeito estufa (GEE). Aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, onde a disputa pela propriedade e o desmatamento ilegal desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE.

As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em colaboração com colegas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia.

O estudo integra o projeto Atlas da Agropecuária Brasileira, realizado pelo Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq, com apoio da Fapesp. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Change Biology.

“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.

Para quantificar o estoque de carbono acima do solo no país e identificar seu “tutor”, os pesquisadores desenvolveram uma base georreferenciada da malha fundiária brasileira. A malha abrange todo o território nacional e integra bases de dados oficiais, como as das áreas protegidas nacionais e estaduais – como áreas de conservação, terras indígenas e militares –, além das bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Juntas, essas bases de dados recobrem 80% do país. Para as áreas sem cobertura foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada, estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006 e reproduz a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário.

“A malha fundiária representa a aproximação mais realista do tamanho, da localização e da distribuição dos imóveis privados, além dos assentamentos e das terras públicas brasileiras”, disse Guedes Pinto.

As análises dos dados revelaram que, além de 20% do carbono (10 Gt) encontrado em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara estar desprotegido, há outros 3,4 Gt de carbono também sem proteção em propriedades privadas, que ocupam 65% do território brasileiro, mas englobam somente 30% do carbono (15,8 Gt).

Embora o Código Florestal proteja 75% (12,4 Gt) do estoque de carbono encontrado nessas propriedades privadas por meio de reservas legais e áreas de preservação permanente, os outros 25% (3,4 Gt) estão desprotegidos em 101 milhões de hectares, aponta o estudo.

“Nossos resultados indicam que, embora haja uma grande área de vegetação nativa e um grande estoque de carbono protegido no Brasil, aproximadamente 25% (13,4 Gt) – que representa a soma do carbono desprotegido em terras públicas e privadas – ainda estão desprotegidos, expostos ao risco de desmatamento e podendo contribuir para o consequente aumento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa”, avaliou Guedes Pinto.

Desproteção por biomas

De acordo com o estudo, o Cerrado é o bioma com o maior volume de carbono desprotegido: 1,4 Gt, correspondente a 40% do carbono com risco de emissão no país. Em segundo lugar está a Amazônia, que responde por um terço do carbono desprotegido no Brasil (1Gt), seguida pela Caatinga, que também tem um grande volume de carbono e área de vegetação nativa desprotegidos.

A análise também permitiu identificar que a distribuição do carbono por tamanho de imóvel rural é desigual e varia para cada bioma do Brasil.

Somente 2% de grandes imóveis ocupam metade da área privada e acumulam também metade do carbono em terras privadas. Um terço das terras privadas são ocupadas por 93% pequenos e médios imóveis.

No caso da Amazônia, por exemplo, os pesquisadores estimam que 7 mil grandes imóveis acumulam 15% (0,5 Gt) do carbono desprotegido do Brasil, enquanto outros 110 mil pequenos imóveis retenham outros 10% (0,34%). Já o Cerrado é dominado por grandes imóveis: cerca de 30 mil acumulam 25% do carbono nacional desprotegido, enquanto outros 600 mil pequenos e médios imóveis representam apenas 17%.

“O estudo indica que a conservação do carbono desprotegido no Brasil vai depender de uma combinação de políticas que incluem a regularização fundiária, a destinação de terras, a implementação do Código Florestal e outros instrumentos que priorizem a proteção da vegetação nativa e estoques de carbono que excedem a proteção dos mecanismos legais”, avalia Gerd Sparovek, professor da Esalq e um dos autores do estudo.

“Além disso, este conjunto de políticas deve ser desenhado e implementado de maneira adaptada para as diferentes realidades produtivas, ecológicas e de governança de cada região do país”, afirmou.

O artigo Who owns the Brazilian carbon? (doi: 10.1111/gcb.14011), de Flavio L. M. Freitas, Oskar Englund, Gerd Sparovek, Göran Berndes, Vinicius Guidotti, Luís F. G. Pinto e Ulla Mörtberg, pode ser lido na revista Global Change Biology.

Elton Alisson / Agência Fapesp (Leia aqui o texto original)

Fonte: Jornal da USP

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