Seringueiras são usadas para neutralizar CO2 emitido na atmosfera

Produtores rurais do Noroeste Paulista apostam no fortalecimento do mercado de crédito de carbono para conseguir uma fonte de renda a mais. Cada árvore consegue captar cerca de 150 quilos de CO2.

A emissão de gases poluentes é um dos principais fatores que intensificam o efeito estufa, responsável por mudar o clima e acelerar o aquecimento global. O assunto é visto há muito tempo como um problema sério em todo o mundo.

Entre as ações em andamento, está a criação de projetos para minimizar a emissão dos gases prejudiciais. O incentivo vem com o mercado de crédito de carbono. As florestas de seringueira são apontadas como um dos caminhos para entrar nesse negócio.

Em Potirendaba (SP), o agrônomo Fernando Miqueletti comanda os estudos em uma fazenda há seis meses. Ele usa um aparelho chamado clinômetro para medir o crescimento das árvores e, a partir de outros cálculos e informações, consegue apontar quanto cada uma é capaz de absorver de CO2.

Segundo estimativas, cada hectare de floresta tem capacidade de neutralizar 270 toneladas de gás carbônico em um período de 20 anos. Algumas culturas apresentam uma capacidade maior de absorção. No caso das seringueiras, cada árvore consegue captar, em média, até 150 quilos de CO2.

Continue lendo aqui.

Fonte: G1

Governo quer mercado de carbono para estimular biocombustível

O Brasil está trabalhando em uma nova legislação que abre o mercado de certificados de emissões de carbono, segundo Paulo Pedrosa, secretário executivo do ministério e Minas e Energia. As empresas de energia que produzem os certificados de melhor qualidade obterão mais facilmente o acesso ao financiamento.

A medida vem em um momento no qual o Brasil, o segundo maior produtor mundial de biodiesel e etanol, atrás dos EUA, tenta atingir seu objetivo de reduzir as emissões como parte do acordo climático de Paris. Ele também atende às demandas dos produtores de biocombustíveis para políticas de longo prazo de apoio à indústria após anos de intervenção pesada do governo no mercado de combustíveis e energia.

O projeto de lei que cria o programa RenovaBio está sendo finalizado e deve ser enviado ao Congresso até o final deste mês.

“Esperamos que o mercado de negociação de títulos de emissão de crédito esteja em plena operação até 2019”, disse Pedrosa em uma entrevista de seu escritório em Brasília. “A certificação individual pode estimular a concorrência, aumentar a produção e premiar as empresas que investem na produção de energia limpa”.

Cerca de 13% das emissões globais de gases de efeito estufa são cobertas por regulamentos de preços de emissões, como o imposto sobre o capital e o carbono, de acordo com um relatório da Bloomberg New Energy Finance. Isso deverá aumentar para quase o dobro nos próximos anos à medida que o preço do carbono se expande em vários países.

Fonte: Bloomberg

Preço do carbono sobe e países buscam restrições

(Bloomberg) — Os preços do carbono estão subindo da Califórnia à Nova Zelândia em um momento em que parlamentares do mundo inteiro buscam regras mais rígidas para seus mercados de gases causadores do efeito estufa.

As licenças para emissões da Califórnia atingiram o maior patamar em quatro anos nesta semana depois que o governador Jerry Brown publicou um plano para estender o maior programa de comércio de carbono dos EUA. Na Europa, as permissões atingiram o maior nível desde março em um momento em que os políticos discutem propostas para reduzir o excesso de autorizações, e os contratos de carbono da Nova Zelândia aumentaram antes da modificação de seu sistema.

A maioria dos países está procurando a maneira mais econômica de deixar de lado os combustíveis fósseis responsabilizados pelas mudanças climáticas. Até mesmo nos EUA, a decisão do presidente Donald Trump, no mês passado, de retirar o país do histórico Acordo de Paris sobre cortes nas emissões foi amplamente condenada por líderes municipais e estaduais de todo o país, inclusive pelos governadores de Nova York e Massachusetts.

Continue lendo aqui.

Fonte: Bloomberg publicado no Portal UOL

Relatório pede forte aumento do preço do carbono para combater mudanças climáticas

Um relatório divulgado nesta segunda-feira (29) sugere um aumento acentuado do preço da tonelada de CO2, que deveria atingir ao menos entre 40 e 80 dólares em 2020 e entre 50 e 100 dólares em 2030, para atingir o objetivo de limitar o aquecimento global.

“Uma tarifa bem concebida do carbono é um elemento indispensável em uma estratégia eficaz para reduzir as emissões” de gases do efeito estufa, ressalta o documento elaborado por um Comitê Econômico presidido pelos economistas Joseph Stiglitz e Nicholas Stern.

A comissão, criada no âmbito da Coalizão para a Tarifação do Carbono (CPLP), com o apoio da França e do Banco Mundial, tinha o objetivo de examinar os níveis de preços suscetíveis de induzir mudanças de comportamento (em investimento, modos de produção e de consumo) necessários na luta contra as mudanças climáticas, “de maneira favorável ao crescimento econômico e ao desenvolvimento”.

O acordo sobre o clima de Paris, aprovado em dezembro de 2015 por cerca de 200 países, prevê limitar o aumento da temperatura da Terra em comparação com a era pré-industrial “bem abaixo dos 2 graus Celsius” e “continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C”.

O relatório aponta que existem várias maneiras de taxar o carbono: um preço explícito através de um imposto sobre o carbono ou um mercado de quotas (ou seja, direitos de emissões de CO2 que as empresas podem comprar ou vender); preços domésticos integrados, ferramentas de financiamento ou estímulos a investimentos e práticas que impliquem emissões reduzidas.

Para a Comissão, “as trajetórias eficientes de tarifação do carbono começam com um preço mais elevado num primeiro momento, seguido de um compromisso credível para manter a longo prazo um nível alto o suficiente para produzir as mudanças necessárias”.

O nível adequado variaria dependendo do país.

O relatório recorda que 87% das emissões globais não são tarifadas atualmente e que três quartos das partes que são tarifadas pagam um preço do carbono inferior a US$ 10 por tonelada de CO2.

No entanto, a Comissão salienta que esta tarifação deve ser acompanhada por “instrumentos de política climática” para atingir o objetivo do acordo de Paris.

Fonte: AFP

Lei estabelece incentivo público para ingresso das empresas do DF no mercado de crédito de carbono

Governo informou que irá avaliar conteúdo da lei e definir medidas. Legislação publicada no Diário Oficial instituiu política de apoio a projetos que reduzam emissão de gases de efeito estufa.

O governo do Distrito Federal deverá implementar incentivos para a participação das empresas e indústrias locais no mercado internacional de geração de crédito de carbono. A lei 5.831, publicada no dia 17 de abril, instituiu a política de apoio a projetos que gerem créditos a partir da redução na emissão de gases poluentes. Um crédito de carbono corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono não emitido.

A Secretaria do Meio Ambiente informou que “avaliará o conteúdo do texto publicado e irá definir as medidas para adequação da lei”. Questionado, o GDF não respondeu sobre prazos e aspectos práticos da implantação desta política pública. Segundo o autor do projeto, deputado Rodrigo Delmasso (Podemos) o assunto ‘geração de crédito de carbono’ ainda não está sendo discutido pelo governo.

Continue lendo aqui.

Fonte: G1

Ônibus com biodiesel emitem menos partículas, carbono e enxofre

Pesquisadores da Mineta National Transit Research Consortium (Califórnia, EUA) chegaram a conclusão de que a utilização de B100 (cem por cento de biodiesel) em ônibus urbanos proporciona a redução na emissão de compostos de partículas, carbono e enxofre pelos veículos durante seus trajetos. Os trabalhos foram realizados em campo (uso mecânico) e laboratoriais (com ensaios). No caso das partículas em suspensão, um dos poluentes que mais afetam a saúde humana, a análise gravimétrica mostrou uma diminuição de 17% para o abastecimento com B20 (20 por cento de biodiesel no diesel).

“Em última análise, é recomendado que os governos considerem o uso de misturas de biodiesel em veículos de transporte urbano e frotas cativas para melhorar a qualidade do ar e promover uma vida saudável”

Os dados foram publicados em artigo divulgado na Biodiesel Magazine, veículo especializado no setor,com o título de “Combustion Chemistry of Biodiesel for Use in Urban Transport Buses: Experiment and ModelingA análise comparativa foi feita a partir da utilização de veículos de transporte público, abastecidos com diesel convencional (ULSD ou ultra-baixo enxofre diesel ) e com misturas de biodiesel (B10, B20 e B50) e biodiesel puro (B100).

Por sua vez, foram escolhidos biocombustíveis produzidos a partir de três diferentes matérias-primas: óleo de soja, sendo o mais utilizado em misturas nos EUA, óleos alimentares usados e gorduras animais.

Mais oxigênio, menos fuligem

Após um dia inteiro rodando, os pesquisadores computaram as emissões das amostras de biodiesel com diferentes níveis de partículas de carbono, monóxido de carbono elementar e enxofre. No caso das partículas em suspensão, a análise gravimétrica dos ônibus antigos com B20, por exemplo, apontou uma redução de 17%, alcançando até 98% quando aferidas em novos veículos.

Entre as razões que explicam esta diferença, está o teor elevado de oxigênio do biodiesel que melhora a oxidação dos precursores de fuligem limitando assim o crescimento da sua massa. Isso acaba resultando em uma menor formação de partículas. Outro dado importante, quando comparado aos demais combustíveis fósseis, é a segurança na utilização e armazenamento que o biodiesel proporciona por apresentar um maior ponto de furor.

Fonte: Carbio – Câmara Argentina de Biocombustíveis com adaptações Aprobio

Governo anuncia Plano ABC para baixa emissão de carbono na agricultura

Com o objetivo de responder aos compromissos de redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) no setor agropecuário, o governo do Estado, junto a instituições financeiras e outros organismos, anunciou neste sábado, 26, a instituição do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas (ABC), no Acre. O anúncio foi feito na fazenda do produtor rural Jorge Moura, em Capixaba (76 quilômetros de Rio Branco, na BR-317).

O ato reuniu pequenos, grandes e médios produtores rurais, instituições financeiras, representantes dos órgãos da área de produção e meio ambiente, do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), parlamentares e cerca de 40 alunos do curso de agronomia da Universidade Federal do Acre (Ufac).

O plano ABC tem por finalidade a organização e o planejamento de ações a serem realizadas para a adoção das tecnologias de produção sustentáveis.

Visa também a recuperação de áreas degradadas por meio de alternativas tecnológicas que objetivam aumentar a produção animal e minimizar a emissão dos GEE, contribuindo para atenuar os efeitos das mudanças climáticas.

Para o alcance dos objetivos do plano ABC, foram disponibilizados no país recursos de até R$ 197 bilhões em linhas de crédito (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

“Esse é um grande programa fruto de um pacto mundial [COP15] que tem por desafio produzir com tecnologia dentro das práticas sustentáveis. Só esta fazenda atende três dos eixos propostos pelo ABC”, conta o secretário de Estado de Agricultura e Pecuária, José Carlos Reis.

Tião Viana falou sobre os projetos que o governo vem executando na produção e indústria, os quais já cumprem as metas propostas pelo plano ABC.

O resultado dessas políticas públicas exibe um novo modelo econômico com base na conservação ambiental.

“O Acre já reduziu em 15% o desmatamento e está aumentando a produção. Até 2020 nossa meta é reduzir até 300 milhões de toneladas de carbono e avançar na redução de até 80% do desmatamento. Queremos assegurar os princípios da sustentabilidade incorporando em toda atividade a tecnologia. Queremos que o campo, que hoje alcança no Acre uma renda anual de R$ 1,5 bilhão, possa atingir até R$ 10 bilhões no futuro”, conta o governador.

O superintendente do Mapa no Acre, Luziel Carvalho, disse que o Estado já possui um potencial produtivo na economia muito promissor, onde a sustentabilidade está à frente, e o plano ABC vem dar ainda mais dinamismo a isso.

“O plano vige no Brasil de 2009 a 2020, e é notório que o Acre já avança nas práticas de sustentabilidade. Agora, o plano inclui mais oportunidades de linhas de crédito para os produtores. O lançamento oficial deve ocorrer em 15 de dezembro”, enfatiza Carvalho.

Dos investimentos ao acesso a linhas de crédito

Produtor rural conta que possui plantio de cana, soja e milho, e segue a integração lavoura-pecuária, o caminho para o futuro (Foto: Gleilson Miranda/Secom)
Produtor rural conta que possui plantio de cana, soja e milho, e segue a integração lavoura-pecuária, o caminho para o futuro (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Para o alcance dos objetivos traçados pelo plano ABC, foram disponibilizados no país recursos da ordem de R$ 197 bilhões, financiados com fontes orçamentárias e por meio de linhas de crédito.

O superintendente do Banco do Brasil no Acre, Paulo Henrique Gomes, destacou que a instituição possui linhas de crédito para os sete eixos do plano.

“Tudo que diz respeito ao agronegócio para nós é fundamental. Nós temos linhas de crédito disponíveis para fomentar todos os eixos do plano ABC e contribuir com o desenvolvimento e crescimento da economia acreana, com foco na sustentabilidade”, disse.

O produtor rural Jorge Moura destacou que sua maior contribuição para o crescimento econômico no Acre é mostrar trabalho em prol do melhor desenvolvimento e produção no agronegócio.

“Aqui sempre recebemos todo o apoio do governo para o desenvolvimento do agronegócio. Assim plantamos cana [1.400 hectares], soja e milho [600 hectares], e temos o nosso forte: o gado. Seguimos a integração lavoura-pecuária, o caminho para o futuro”, diz Moura.

Os sete eixos do plano ABC

O plano ABC é composto por sete programas, seis deles referentes às tecnologias de mitigação, e ainda um último programa com ações de adaptações às mudanças climáticas.

O Acre já avança em vários deles, que são: recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas florestais, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas, tratamento de dejetos animais e adaptação às mudanças climáticas.

O que disseram:

“Ajudamos a elaborar este programa. Vamos fazer a alusão e a transferência tecnológica para o campo. Temos cerca de 45 mil hectares de milho com o ABC e queremos chegar a 120 mil hectares. Vamos tornar o Acre um Estado que produz, coopera e se devolve.” – Representante da Embrapa Idésio Franke.

“Esta é uma conquista para a agricultura acreana e o empreendedorismo, a partir deste programa que envolve mais de 100 bilhões de reais e leva alta tecnologia para o campo.” – Secretário de Desenvolvimento e Indústria Sibá Machado.

“Este plano tem um diferencial que é o aproveitamento das áreas degradadas, e parte do principio de que é possível consorciar a agricultura-pecuária extensiva tradicional com culturas como o milho, a soja, o amendoim e outros.” – Deputado estadual, Daniel Zen.

Fonte:Agência de Notícias do Acre

Fundo contra impactos ambientais emperra negociações na COP 22

Diálogo não rendeu nada além de algumas promessas para a reserva.
Países ricos deveriam mobilizar 100 bilhões de dólares anuais para o clima.

As negociações de Marrakesh sobre o clima podem não resultar em um reforço substancial em um financiamento internacional para ajudar países pobres a lidar com o agravamento das enchentes, secas, tempestades e elevação do nível dos mares em decorrência da mudança climática, disseram negociadores e instituições de fomento que temem pela falta de um impulso nos recursos.

Um diálogo ministerial ocorrido durante as conversas desta quarta-feira (16) não rendeu nada de muito concreto além de algumas promessas de Estados europeus para fundos de adaptação criados durante as negociações na Organização das Nações Unidas (ONU), disseram.

Os países em desenvolvimento presentes em Marrakesh vêm fazendo apelos consistentes e apaixonados por mais financiamento que os ajude a se ajustar às alterações climáticas crescentes – mas até agora estas promessas vêm caindo em uma maioria de ouvidos moucos, segundo seus representantes.

Frank Bainimarama, primeiro-ministro de Fiji, nação-ilha do Oceano Pacífico, falou sobre a “nova era aterrorizante que enfrentamos por causa da mudança climática” depois que um ciclone intenso arrasou um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) de sua nação este ano.

Fiji precisa ter acesso a financiamento para poder se adaptar aos efeitos da mudança climática por meio de ações como o fortalecimento de residências e infraestrutura, o enterramento de linhas de energia e a realocação de pessoas, explicou.

Ele criticou o nível atual de financiamento governamental internacional para nações mais pobres se adequarem às pressões climáticas, classificando-o como “terrivelmente inadequado”.

De acordo com um “roteiro” recente de países ricos que delineia como estes irão mobilizar os 100 bilhões de dólares anuais do fundo climático que prometeram até 2020, o valor alocado especificamente para adaptação em 2013 e 2014 foi de quase 10 bilhões de dólares por ano, ou cerca de 16 por cento do total.

A estimativa mais recente da ONU coloca a porção do fundo climático destinada à adaptação em uma cifra um pouco maior – cerca de 25 por cento.

O roteiro dos doadores projeta que o montante do financiamento internacional para a adaptação irá ao menos dobrar em volume até 2020.

Mas isso ainda ficaria muito aquém do “equilíbrio” no financiamento dividido entre medidas de adaptação e passos para o corte de emissões recomendado no novo acordo climático firmado em Paris no ano passado.

“Dobrar não basta”, disse Lutz Weischer, do centro de estudos Germanwatch. “Temos que elevá-lo de forma muito mais agressiva”.

Os países em desenvolvimento querem quadruplicar o fundo de adaptação em relação aos níveis atuais, e esperavam que os Estados ricos respondessem a esse clamor na cúpula de Marrakesh, que termina na sexta-feira – mas especialistas em finanças climáticas dizem que isso parece improvável.

Fonte: Reuters

Transportes devem estar no centro de políticas de baixo carbono no Brasil

Setor de Transportes é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil e no mundo, em grande parte por conta da queima de combustíveis fósseis, e cumprirá papel fundamental para o alcance de nossas metas mitigatórias.

O Acordo de Paris, que entrou em vigor na última sexta-feira (4), converteu a promessa de redução das emissões em um compromisso legal, cujo objetivo central é manter a temperatura média global 2ºC abaixo dos níveis pré-industriais. Ao ratificar o Acordo em setembro deste ano, o Brasil se comprometeu, por meio da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), a reduzir 37% das emissões absolutas até 2025, com indicativo subsequente de 43% até 2030, com base nas emissões de 2005.

transportesDentre os setores produtivos, o transporte foi um dos que apresentaram as mais elevadas taxas de crescimento no consumo de energia e de emissão de GEE entre os anos de 1990 e 2012, de acordo com a Análise da Evolução das Emissões de GEE no Brasil, pesquisa realizada pelo Observatório do Clima. Segundo o relatório, as emissões do setor passaram de 84 milhões de toneladas em 1990 para 204 milhões em 2012.

Uma combinação de fatores nos leva a esse cenário, dentre estes, a alta dependência de combustíveis fósseis e a predominância do modal rodoviário no transporte de cargas no país. Os caminhões, por exemplo, são grandes fontes emissoras de GEE e se aproximam bastante das emissões de todo o setor industrial. Enquanto o primeiro foi responsável por 82,2 milhões de toneladas de emissões em 2012, todo o setor industrial emitiu 91,2 milhões de toneladas no mesmo período.

Para Rasmus Valanko, diretor de clima e energia do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o setor de transportes traz inúmeros desafios e oportunidades. “Se por um lado é o setor responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, é também uma das áreas que mais pode sofrer transformações e contribuir para a transição para uma economia de baixo carbono”, explicou em sua apresentação no Congresso Sustentável 2016, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, ressalta a importância que a adoção de medidas para tornar mais eficiente os sistemas de transporte e logística no Brasil tem para o próprio setor. “O setor de transportes muito em breve poderá aparecer como o principal poluidor no país, já que o desmatamento tende a cair. Mas também é verdade que o setor tem grandes oportunidades, por exemplo, através da ainda pouco explorada emissão de títulos verdes. Dados da Climate Bond Initiative indicam que, em todo o mundo, o transporte representa 67% do potencial de emissão desses títulos, cerca de US$ 460 bilhões”, disse.

O coordenador das Câmaras Temáticas de Mobilidade Sustentável e Impacto Social do CEBDS, Luan Santos, reforça a urgência de pensarmos em saídas para o setor. “Em 2015, foram emitidos aproximadamente 457 milhões de toneladas no setor de energia no Brasil, sendo 43,7% apenas na área de transportes. Esta realidade mostra a urgência de pensarmos medidas mitigatórias e políticas que estimulem a redução das emissões de GEE neste setor”, afirmou.

cargueiroPara Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor de transportes é um dos principais caminhos para a descarbonização da economia. “O foco das reduções de emissões deve ser no setor de transportes. Precisamos explorar mais os veículos elétricos e os biocombustíveis, além de investirmos na mobilidade corporativa, com jornadas de trabalho mais flexíveis, por exemplo”, declarou durante o “4º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa – Como descarbonizar o Brasil até 2050”, que aconteceu no dia 27 de outubro no Rio de Janeiro, onde foram apresentados os dados mais recentes sobre as emissões no país e lançada a plataforma Sistema de Estimativa de Emissões de Gases (SEEG).

O documento do Observatório do Clima aponta alternativas de maior e menor impacto visando a redução de emissões e do consumo energético do setor de transportes, como a melhoria da infraestrutura e logística no deslocamento de cargas a partir do aumento da participação de modais mais eficientes como o ferroviário e o aquaviário, a incorporação de tecnologias veiculares e o aumento da eficiência energética no setor. Entretanto, tais medidas são interdependentes e necessitam de políticas setoriais para a sua concretização. O Brasil já deu os primeiros passos nessa direção e hoje possui um dos mais bem-sucedidos programas de biocombustíveis.

A NDC também apresenta medidas e objetivos adicionais, como o aumento na participação de bioenergia sustentável para 18% até 2030, a expansão do consumo de biocombustíveis, seguida do aumento da oferta de etanol e incremento da parcela de biodiesel na mistura de diesel. Além disso, a contribuição brasileira também prevê a promoção de medidas de eficiência, melhorias na infraestrutura de transportes e na mobilidade em áreas urbanas.

CEBDS amplia a Câmara Temática de Mobilidade

Com o objetivo de ampliar o seu campo de atuação, o CEBDS anuncia a reorientação da Câmara Temática de Mobilidade (CTMobi), que passará a se chamar Câmara Temática de Logística e Transportes (CTLog).

A iniciativa visa a atender o setor de modo mais sistêmico e abrangente. Assim, a reorientação da CT reconhece cada vez mais a importância de se promover e incentivar o debate em torno da viabilização de novas e efetivas formas de incentivo à logística sustentável.

Marina Grossi ressalta que é fundamental a expansão das discussões na Câmara Temática. “O setor privado tem muito a contribuir para a melhoria da mobilidade e logística em nossas cidades, trabalhando próximo aos governos municipais, mostrando um caminho possível de aceleração de processos em prol de cidades mais sustentáveis, onde o direito de ir e vir se pauta por soluções de baixo carbono e por altos níveis de eficiência e integração. Nesse sentido, o CEBDS cumpre um papel fundamental de promover discussões e representar a visão das empresas, de modo a articular com os setores públicos competentes o planejamento e execução de alternativas para os transportes”, conclui. (CEBDS/#Envolverde)

Publicado originalmente no site do CEBDS

Brasil tenta regular novo mercado de carbono

Proposta submetida pelo governo para a conferência do clima de Marrakesh busca levar créditos
de Kyoto para dentro do novo regime e irrita ambientalistas ao excluir florestas mais uma vez

Alguém aí se lembra do mercado de carbono? Após passar por maus bocados na última década, quando ganhou o apelido de “pior commodity do mundo”, o CO2 deve ressuscitar para o sistema financeiro global nos próximos meses, com a entrada em vigor do Acordo de Paris.

E o Brasil quer ditar regras para sua comercialização: no começo do mês, o governo brasileiro submeteu à Convenção do Clima das Nações Unidas duas propostas de regulamentação do artigo do Acordo de Paris que trata dos mecanismos de comércio de emissões. O país quer discutir as propostas durante a COP22, a conferência do clima de Marrakesh, que começa em exatas duas semanas, no próximo dia 7.

Grosso modo, o que o Brasil quer é evitar que créditos de carbono “podres” ponham todo o sistema abaixo e impeçam o mundo de atingir as metas do acordo do clima.

O temor é justificado por dois fatores: primeiro, de agora em diante, todos os 195 países-membros da ONU mais a União Europeia poderão comprar e vender créditos de carbono. Depois, como as metas de redução de emissões são todas estabelecidas domesticamente – ou seja, cada país corta carbono e mensura esses cortes como bem entende – há um risco real de que alguns lancem no mercado créditos por emissões que não estão reduzindo de verdade. Isso seria um desastre para o próprio mecanismo, mas, sobretudo, para a atmosfera.

Como em tudo que diz respeito a negociações de clima, porém, o diabo mora nos detalhes. Se por um lado a necessidade de botar ordem no galinheiro dos créditos de carbono dificilmente será contestada, por outro há diversas maneiras possíveis de fazer isso. E a interpretação do Brasil sobre o que deve ser permitido ou não nesse mercado provavelmente encontrará resistências.

Continue lendo aqui.

Fonte: Observatório do Clima

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721